Notas iniciais
Hey meus amores e leitores mais lindos do mundo, tudo bom com vocês? Acho que alguns dos leitores que leram minha nova fic estão sabendo da nova novidade. Acho que assim não vou perder o foco, então vou postar de 3 a 5 capítulos nas fics antes de atualizar as outras. Daí vocês ficam felizes lendo mais, eu não perco a ideia e nem fico com preguiça ♥ Como prometido, nesse capítulo tem Derek e Stiles.

– Sabe, eu pensei que isso seria mais fácil – disse, jogando-se na cama de Allison.

– O quê?

– Isso... sabe, eu te contei. Achei que iríamos sair por aí, encontrar naquele mesmo lugar, e eu ia sentir as mesmas coisas que eu senti da primeira vez, eu iria ser correspondido, iríamos nos beijar, e ele iria falar com meu pai...

– Stiles, isso é quase o sonho de uma garota – Allison sentou na cama também, tentando não gargalhar.

– É – concordou.

– Mas sabe, quem não sonha com um final feliz? Eu sonho. Você sonha. O mundo está cheio de sonhos de finais felizes – comentou, enquanto deitava na cama, de barriga pra cima, do lado oposto ao de Stiles.

– A maioria acaba da mesma forma que começa: um sonho – retrucou, desanimado, tapando os olhos com as mãos.

– Eu prefiro acreditar que você não vai ter um final feliz.

– Obrigado pelo apoio – olhou para a guria de esgueira.

– Sério. Prefiro acreditar que você vai ser feliz no começo, no meio, e também no fim. Só um ‘final feliz’ é muito vago. Tem muita dor antes, e quando você enfim chega, é um final...

– Você é bem poética – riu.

– As vantagens de ser uma adolescente em Beacon Hills – corrigiu. – Acho que vou escrever um livro, você compraria? – Indagou, rolando na cama, para pegar seu celular.

– Com sinceridade?

– É.

– Não.

*~*~*~*

– Então eu vou ficar na sua casa sozinho, trancado, e você vai trabalhar com seu marido? – Derek perguntou, erguendo a sobrancelha.

– Noivo – corrigiu.

– Tanto faz.

– E não vou trabalhar com ele, eu vou pro hospital e ele pro escritório – corrigiu novamente.

– Você entendeu! – Franziu o cenho.

– E você não vai ficar trancado, a porta vai ficar destrancada, você só não vai poder sair – corrigiu mais uma vez, arrancando um suspiro de Derek.

– Ele não é um doce? – Perguntou Ethan, passando perto de Danny, o abraçando por trás.

– Nos primeiros dias até que sim – murmurou Derek.

– Isso piora com o tempo. A ironia anda de mãos dadas com ele – Ethan explicou.

– Não exagera – protestou – apenas estou de bom humor. É fofo ver as pessoas ficando irritadas por não me entenderem bem – riu.

– Eu te entendo – Ethan sussurrou, depositando um beijo na nuca de Danny. Derek olhou para baixo.

– Então estamos indo, Derek. Não fuja. Não dê uma festa enquanto estamos trabalhando. E Ethan está pesquisando algumas coisas sobre você e...

– O quê?! – Derek hesitou. – Como assim ‘pesquisando algumas coisas sobre você’?

– Vamos te ajudar, Derek. Não se preocupe, rapaz – sorriu para ele, o que não foi retribuído. Derek sempre hesitava quando o assunto era seu passado. – Você herdou tudo sozinho, não sabia disso?

Derek ficou em silêncio. Havia algo sobre esse dinheiro que ele não gostava de falar, algo que o fez viver nas ruas e passar por algumas clinicas antes de fugir e se esconder. O passado pode ser um monstro tão terrível quanto um presente sombrio. As sombras do agora, apenas escondem a criatura que ficou para trás, talvez, imortal.

– Não – respondeu seco, com a expressão endurecida.

– Não está feliz? – Danny perguntou.

– Não.

– Não queria que eu te ajudasse? – Dessa vez, Ethan indagou.

– Não.

– Tudo bem, Derek, não há nada de errado em ficar com algo que te pertence – Danny tentou explicar, mas o rapaz não respondeu, apenas ficou imóvel encarando o vazio da parede pintada de um branco neve. – De qualquer forma, temos que ir agora. Sabe onde tem comida, as portas estão todas destrancadas, eu volto às dezenove horas e Ethan às vinte e uma.

– Ok – foi tudo que ele disse, antes de começar a subir as escadas.

Os anfitriões não disseram nada. Apenas se entreolharam por um momento antes de sair da casa. Danny confiava em Derek. Ethan confiava em Danny. Estava tudo bem pra eles, de qualquer forma.

*~*~*~*

Enquanto Allison praticava o esporte que mais amava no mundo, Scott e Stiles a assistiam da arquibancada, sem trocar nem mesmo um olhar, ou uma palavra. Desde a cena do quarto, não haviam conversado muito, Stiles tentou comentar alguma coisa sobre o jogo de lacrosse, ou até mesmo sobre como Allison nadava bem, mas Scott nem se deu o trabalho de assentir.

Quando a garota terminou, foi para o vestiário com as outras garotas, não foi algo empolgante, nada de competições, apenas sincronização durante o nado e alguns comentários sobre algumas garotas que poderiam representar a escola. E claro, Allison era a primeira da lista, não que isso não a deixasse feliz, mas dobrava o peso de sua responsabilidade e também a deixava um pouco desconfortável com a atitude das outras garotas que achavam que ela não merecia.

Assim que voltou, estava com uma calça jeans e uma blusa de frio de Scott, fechada, parecendo até mesmo uma daquelas garotas que adoravam moletons largos e hip-hop. Sorriu para os dois, Stiles sorriu de volta, Scott não demonstrou expressão nenhuma.

– Nossa, alguma coisa mordeu você hoje? – Perguntou para Scott que apenas deu de ombros.

Saíram caminhando pelo pátio até o carro de Allison. Para melhorar ainda mais o baixo astral, Allison esqueceu onde havia estacionado, e saiu testando sua chave em todos os carros próximos, apertando o botão para ligar e desligar o alarme. Assim que um dos carros piscou algumas vezes os faróis e fez o típico barulho de alarme desligado, ela correu até o carro.

– Scott, sério, com essa cara eu vou começar achar que alguém morreu e você não contou pra gente – Allison comentou, rindo com Stiles que estava no banco de trás.

– Bom pra você – falou, olhando para fora.

Allison era bem acostumada com essa falsa “bipolaridade” que Scott as vezes apresentava, mas ele logo colocava os pensamentos em ordem e despejava em cima dela seu mar de reclamações sobre como a vida era injusta e o que ele queria voltar e acrescentar na briga que teve com alguém, ou melhorar. Sempre assim: “eu devia falar”, “eu queria voltar”, “eu iria fazer”...

O carro estava andando em velocidade normal, até que Allison afundou seu pé no freio. Scott não sentiu muito efeito daquilo, porque estava com sinto de segurança, assim como Allison, mas Stiles foi quase lançado para o para-brisas do carro. Ambos encararam a garota como se quisessem amarrar a cabeça dela em uma corda e sair rodando.

– Allison! – Stiles reclamou.

– Stiles! – Ela respondeu no mesmo tom.

– Mais que porr... – Scott começou, mas parou, quando Allison e Stiles olhavam freneticamente para alguém na rua.

– É ele? – Perguntou a Argente.

– É ele – Stiles disse com um sorriso. Se arrastou pelo banco de trás, indo até a porta, onde Allison sem demora destravou as portas de seu carro.

– Volto daqui a uma meia hora pra te buscar, mando uma mensagem antes, se precisar de mais tempo me avisa – falou, sorrindo pra ele. Com certeza ele não iria gostar de falar com o cara que gosta com um Scott indiferente e uma Allison mega curiosa.

Saiu do carro correndo em direção ao cara de jaqueta de couro e calça jeans – ambas novas agora – mas no mesmo estilo de antes. Estava em uma praça aberta, com várias árvores e não muito escura, iluminada pelos últimos raios de sol, deixados pelo crepúsculo que deixava o sol se pôr. Não havia muitas pessoas por lá, mesmo assim, Stiles sentiu-se inseguro ao ficar mais ou menos uns dois metros de distância do rapaz.

– Derek...?! – Chamou, devagar e baixo.

Ao ouvir seu nome, o cara a frente olhou para trás desconfiado. Ergueu as sobrancelhas ao reconhecer Stiles, que estava visivelmente feliz, sorrindo quando teve a confirmação de quem era. Algo bem parecido com raiva subiu suas costas como uma onda elétrica, pois ao ver aquele rosto a sua frente, a cena em que Stiles passou por ele sem ao menos se importar voltou a sua mente.

– Agora você me reconhece? – Disparou, desfazendo a expressão de Stiles, mudando para um arrependido triste.

– Eu... – tentou se explicar, mas o rapaz a sua frente novamente lhe deu as costas e começou a andar.

Ele iria embora dali. Não daria mais um passo, tanto pelo orgulho quanto por não ter argumentos. Mas de alguma forma, algo o fazia querer ir em frente, para-lo, explicar tudo, talvez contar o que havia contado para Allison. A aparente felicidade que sentiu ao ver que realmente era Derek podia ser um bom sinal. Afinal, ele estava vivo!

Derek virou em uma das divisórias da praça, entrando em um caminho estreito, com várias árvores grandes ao redor, fazendo quase um túnel sobre aquele caminho, deixando-o mais escuro que o restante do lugar. Levava a uma parte da praça que haviam alguns bancos, uma parte bem ecológica, com bastante árvores ao redor, mas também mais escondida. Queria ficar sozinho, mas para Stiles, um lugar onde muitas pessoas não iam, pareceu significar que o rapaz queria que ele o seguisse para que conversassem em paz.

– Você pode gritar comigo, se quiser... – Stiles disse, parando do lado do mais velho enquanto ele passava a mão em sua testa, subindo para seus cabelos, jogando-os para trás. Parecia pensativo e talvez nervoso com alguma coisa.

– Por que está atrás de mim? Não tem seus amigos agora? – Perguntou sarcástico.

– Eles são legais, você devia conhecê-los e...

– Não, obrigado – Derek falou, começando a andar de novo.

– Hei! – Stiles chamou num tom mais alto que queria, mas ele não se virou. – Você não faz ideia do que essas ultimas semanas tem sido pra mim, o quanto eu te procurei, o quanto eu me arrisquei indo em lugares em que pessoas como...

– Como eu? – Indagou, com certa impaciência.

– É! – Não desmentiu. – Como você.

– Por que foi tão idiota a ponto disso? – Perguntou novamente, disparando as palavras em Stiles.

– Porque eu fiquei... preocupado. Precisava saber se estava bem.

– Eu me lembro o quanto você se importa...

– Você tinha me mandado ir embora antes, aquilo não conta!

– Estou te mandando ir embora agora, de novo, isso conta pra você? – Disse, afiado, olhando para Stiles com a expressão tão dura e fria quanto uma pedra de mármore presa em uma geleira.

– Não – respondeu. Mesmo que a cada resposta fizesse Stiles se perguntar o que ele estava fazendo ali, ele mantinha-se firme. – Eu... desculpa...

– Você não me conhecia, não tinha obrigações comigo – falou seco. – Ainda não tem, mas insiste em vir atrás de ‘pessoas como eu’.

– Você não é assim – disparou.

– Você não tem certeza nenhuma. Eu preciso ir – Falou, andando mais para o fundo daquele caminho.

Mais a frente haviam vários bancos, com árvores em todos os lugares. O caminho agora era de gramas, com algumas pedras para poderem pisar, um lugar bem natural com alguns minipostes com uma iluminação fraca. Stiles deu o espaço para que Derek pudesse prosseguir, mas não parou de segui-lo.

– Você sabe que ninguém vem aqui esse horário, não é? – Perguntou, num tom de ameaça para o garoto. – Pessoas como eu costumam roubar, bater e matar – ele falou olhando para a figura que se aproximava aos poucos.

A mesma blusa vermelha, a mesma calça surrada, o mesmo par de sapatos da primeira vez. Embora a aparente tristeza tivesse ido embora, Stiles continuava o mesmo. Se não fosse por seu cabelo que estava mais arrumado em um topete bem feito e uma insistência que sabe-se lá de qual canto ele tirou.

– Por que você se põe tão pra baixo? Por que quer ser essa pessoa? – Perguntou, olhando para baixo por alguns instantes, depois erguendo o olhar para Derek. – Por que quer que eu vá embora, mas não faz esforço para que eu vá? Só gritar não vai funcionar de novo... e você não parece querer fugir da mesma forma que me manda ir embora...

– Porque eu vou ficar aqui. – Falou. – Vou dormir por aqui, até encontrar outro lugar.

Stiles ficou quieto, olhando para baixo. Derek se sentou no pé de uma árvore, uma grande, onde a grama ao seu redor não parecia pisoteada. Não demorou muito e do lado oposto da árvore, ele ouviu um suspiro.

– Não vai embora? – Perguntou, impaciente, mas cansado.

– Ainda não – respondeu, olhando para o celular onde tinha uma mensagem ‘to chegando’ de Allison. – Eu vou ficar por aqui – disse, respondendo ‘não precisa vir me buscar, amanhã conversamos’.

– Faz o que quiser – suspirou também, fechando seus olhos com a cabeça baixa.

Um longo silêncio se fez presente ali, exatamente como da primeira vez que se encontraram. Um silêncio que implorava por qualquer palavra que pudesse corta-lo e manda-lo para longe dali, o que o barulho do vento da noite carregando as folhas fazia menção de fazer, mas não fazia tão bem.

– Se é culpa que sente, pode se despreocupar, eu estou bem – Derek disse de repente, contrariando os pensamentos de Stiles que tinham a certeza de que o mais velho não falaria nada, enquanto tentava bolar o começo de um dialogo.

– Que bom – disse rapidamente.

– A noite é fria quando se dorme na rua, garoto. Vá pra casa – Derek disse em seguida.

– Eu estou de blusa, vou ficar bem – respondeu. – Você já fez isso muitas vezes esse tempo?

– Foi – mentiu.

– Eu... – respirou fundo. – Eu não queria te deixar daquele jeito no estacionamento da escola...

– Tudo bem, ia perder sua carona – respondeu do outro lado da árvore.

– Não foi por isso... Eu senti raiva de você ter me mandado embora. Eu não queria ter que ir... você foi o único que conversou comigo, além de meu pai, foi a única pessoa que ficou mais que cinco minutos falando comigo nos últimos três anos – explicou. – E então você me mandou embora e tudo que eu queria era mais cinco minutos...

– Seu lugar não é como ‘pessoas como eu’, você tem casa, você tem pais, você tem uma escola para ir e agora tem amigos. Não devia se importar com um sem-teto.

– Você via a vida com mais esperança antes. Acreditava que pessoas boas existiam...

– ‘Pessoas boas’ me deixaram caído no chão quando eu precisei.

– Você me mandou embora um dia antes! – Stiles disparou, num tom mais alto.

– E você nunca se perguntou o que eu estava fazendo na sua escola no dia seguinte? – Perguntou. – Esquece, não responde. Não era importante.

Stiles por um momento tentou encaixar as peças. Realmente, talvez pela culpa e preocupação, ou pela distração que Allison e Scott traziam para sua vida, ele não havia pensado nisso. E se tentasse discutir sobre com a Argent, ela diria algo parecido com ‘vendendo drogas lá por perto’, mas não podia. Os paramédicos o mandariam direto para a delegacia se ele tivesse lá com drogas.

Deu a volta pela árvore, se arrastando lentamente, até se aproximar um pouco mais. Ainda não podia ver o rosto, mas já podia ver a perna esticada, enquanto a outra estava dobrada com ele apoiando seu cotovelo nela.

– Eu não me perguntei isso... foi me ver? – Perguntou com a inocência de uma criança. Ou talvez de um cachorrinho, que mesmo quando chutado pelo seu dono antes dele sair de casa, quando ele voltasse no fim do dia, lá estaria ele, abanando o rabo querendo brincar.

– Não, fui te devolver o que você deixou.

– Eu não queria de volta – Stiles disse – eu deixei aquilo pra você.

– Tudo tem um preço na vida, garoto. Quando você não paga com a mesma moeda, o preço é bem mais alto...

– Mas eu tinha feito isso antes...

– Ah, claro, iria voltar todos os dias e me alimentar? Acha que eu quero isso? Ser alimentado por um pirralho depressivo que apenas levava comida para pagar o tempo que eu o ouvia falar sobre o quanto sua vida era miserável? – Perguntou com certa dor na voz.

Stiles crispou seus lábios. Respondeu todas as perguntas mentalmente, sem ter a coragem para dizer em voz alta. Queria gritar, xingar Derek de burro por não perceber que ele não era assim. Queria ouvir do mais velho que ele também se preocupava com Stiles, mas tudo que saia da boca do rapaz era um monte de ‘não me importo’.

– E você me ajudou mesmo assim – Stiles disse, de repente. – Sim, eu tenho amigos agora, mesmo que poucos, posso contar com eles – sorriu, balançando a cabeça de um lado para o outro –, e eu não tenho mais uma vida tão miserável. E dessa vez não trouxe nenhuma comida pra pagar sua companhia, então você não precisa me devolver nada, além de sua companhia também.

– Eu vivo sozinho, não preciso de companhia alguma – disse, apanhando um monte de gramas no chão ao lado, soltando-as no ar, vendo o vento as carregar.

O vento era fraco, mas começava a aumentar, frio, com nuvens negras no céu tapando as estrelas. Logo as arvores começaram a balançar, deixando que o vento levasse delas as folhas secas que não mais conseguiam se agarrar aos galhos.

Stiles se aproximou um pouco mais, encarando o rosto que olhava para o vazio sem encara-lo. Não havia mais um machucado em sua testa, foi bem cuidado, não deixou cicatrizes. Suas roupas eram novas também, ele não queria julgar e nem perguntar onde ele conseguiu aquelas roupas, por isso não perguntou. Apenas ficou ali por um momento, olhando o vento carregar as folhas.

– Você vai ficar doente – ele falou, desapoiando suas costas da árvore, cruzando seus braços sobre a perna levantada e olhando para o garoto. Foi a primeira vez que ele encarou Stiles de volta desde o incidente.

– Não me importo muito... não está tão frio assim... – Mentiu. Ele já podia sentir os incômodos do frio e o vento gélido batendo contra seu rosto.

– Por que você não vai pra casa, onde é quente? – Perguntou.

– Porque não quero te deixar sozinho.

– Eu sou sozinho.

– Então vamos ser sozinhos juntos. Eu não vou ir – ele falou.

O celular de Stiles tocou uma vez, ele viu quem era e olhou as horas. Já passava das onze da noite, e seu pai ligava, e algumas mensagens de Allison chegavam também. Ele mandou uma mensagem para seu pai avisando que dormiria na casa da Argent e para Allison que já estava em casa. Nesse momento, o frio realmente incomodava.

– Vá pra casa – Derek disse de novo.

– Não – Stiles respondeu, batendo o queixo de frio.

– Você vai congelar – disse – e eu não vou me importar.

– Está se importando agora...

– É... – concordou.

– Sabe, desde o dia em que eu fui até aquela estação abandonada, as coisas melhoraram bastante – disse.

– Bom...

– É.

– Hei – Derek chamou.

– Hum?

– Para de tremer, eu não consigo dormir assim – disse, chegando mais perto de Stiles.

Não sabia se deveria, mas de qualquer forma, Derek parecia estar bem quente que ele, enquanto Stiles parecia poder congelar a qualquer momento. Mesmo que no fundo ele quisesse, foi involuntariamente que seu corpo se curvou para o lado, encostando o braço no do maior, eram bem duros, porém quentes e confortáveis. Embora o couro negro da blusa estivesse frio, ele podia sentir o calor.

Alguns minutos depois, a cabeça de Stiles pendeu para o lado, tocando o ombro de Derek. De primeiro ele ficou desconfortável, olhou para Stiles e respirou fundo, tentando protestar, mas a única coisa que conseguiu com aquilo foi aspirar com força o cheiro de xampu que vinha dos cabelos de Stiles.

Continuou. Era um cheiro bom, um aroma de xampu misturado com o cheiro natural de Stiles. Respirava fundo, e expirava lentamente, como se não quisesse deixar que aquele ar saísse de seus pulmões. Stiles estava tão encolhido, apertando suas mãos uma contra a outra que deixou Derek com remorso por não ter insistido mais para que ele fosse embora.

O garoto podia sentir o calor das baforadas sobre sua cabeça. Era uma tentativa singela de aquecê-lo, mas ele não admitiria isso. Stiles ergueu a cabeça, procurando a fonte daquele ar quente. Por alguns instantes, tudo que podia ver eram os orbes num tom verde acinzentado o observando. Ele não sabia se era ele quem estava se aproximando mais daqueles olhos ou se Derek quem se aproximava. Sentiu a ponta do nariz de Derek encostar na ponta do dele. O ar que ele expirava era quente, mas seu nariz também estava gelado. Fechou seus olhos, assim que o dono dos orbes verdes fizeram o mesmo. Podia sentir o hálito quente da boca semiaberta tocar seu rosto, em um momento de confiança, abriu sua boca também, aspirando aquele ar, procurando pela fonte daquele calor.

Notas finais
Oh *-* Sejam bonzinhos comigo e me deixem saber o que acharam. Afinal, os dois próximos capítulos estão escritos, daqui alguns dias eu posto ♥