Rehabilitating A Heart
5 Take care of me.
Notas iniciais
A brisa da tarde adentrava pela janela do quarto de hospital, juntamente com a Luiz fraca do crepúsculo, sendo enfraquecida por alguns prédios mais altos que tinham naquela rua. Os olhos verdes acinzentados de Derek se abriam lentamente com aquela luz que entrava. Havia um gosto amargo em sua boca e seu corpo parecia novo em folha.
Tentou levantar-se, mas ao sentar-se naquela cama, sentiu seu estômago e braço doerem com aquele esforço. Não fazia ideia de quanto tempo tinha passado ali, sentia como se fosse apenas algumas horas, mas pareciam semanas. Continuou teimando com a dor, tentando se levantar, até que a porta foi aberta de repente, revelando uma figura familiar.
– Que bom que acordou – Danny disse, entrando sorrindo.
– Quanto tempo estou aqui?
– Uma semana.
– Por que eu ainda estou aqui? – Tornou a indagar.
– Bem, porque você não estava bem e queria ir embora de todo que era jeito. Os relaxantes musculares que te dei para ajudar na dor dão sono mas te deixam meio “abobado”, você acordou algumas vezes mas não deve se lembrar – explicou –, então você acabou dormindo e não acordou até agora. Devia estar bem exausto, os medicamentos não eram tão forte aponto de tanto.
– Eu preciso ir – disse, ranzinza, não mostrando gratidão.
– Você precisa que um responsável venha te buscar e assine sua alta.
– Eu sou maior de idade, eu mesmo assino – retrucou, abrindo e fechando sua mão enfaixada, notando que já não doía tanto.
– Não nessas condições. Se quiser sair por conta própria, só quando estiver totalmente bem.
– Eu estou bem! – Vociferou.
– Não é você que decide isso – sorriu, sentando-se do lado de Derek na cama, pegando seu braço e observando. Tocou pouco abaixo do pulso e o paciente quase rugiu de dor –, está vendo? Longe de ficar bom.
– Por que eu estou com essa roupa? – Perguntou se referindo às roupas de paciente de hospital. – Onde estão as minhas?
– Eu tive que te dar banho e trocar suas roupas... – admitiu, ficando um pouco sem graça.
– Pelado? – Se assustou. – Você me viu nu? Todos os dias?
– Claro, achou que eu ia te jogar debaixo do chuveiro com roupa e tudo?
Derek não respondeu. Mas claramente a vergonha estava estampada em seu rosto. Saber que alguém havia visto ele nu, enquanto ele estava desacordado não era a melhor noticia do dia. Mesmo assim, Danny agia naturalmente, aquilo devia fazer parte do seu dia-a-dia.
– Com fome? – Indagou, quebrando aquele silêncio.
– Não. Quero sair daqui – disse, manhoso.
– Se quiser sair, vai ter que comer e melhorar. Ou, um responsável. Não tem ninguém?
Um garoto mais novo, de blusa vermelha que uma vez havia salvado uma de suas manhãs da solidão passou por sua cabeça. Um olhar sincero, um coração leve, mas uma alma pesada, também manchada de solidão, como tinta preta sobre um papel branco. Mas, lembrar daquilo era quase tão triste quanto saber que não tinha ninguém, quando esse mesmo garoto passou por ele como se não o conhecesse.
– Não – respondeu com amargura.
– Sinto muito.
– Não sinta – pediu sínico, revirando os olhos. – Não tem outra maneira, nada?
– Você nem ao mesmo tem um lugar para ficar! Como quer que te de alta assim?! Não posso fazer isso.
Derek olhou para ele, suspirando. Danny ainda segurava seu braço, sem apertar. Um toque leve, quase nulo. Derek puxou seu braço com cuidado, então o enfermeiro o soltou.
– Eu realmente preciso sair daqui... – Derek disse, começando a ficar aflito.
– Meu horário de serviço está acabando. Eu realmente queria poder fazer alguma coisa...
– Não tem algum outro lugar? Qualquer um... não quero ficar aqui – Derek disse, puxando a manga da blusa de Danny, não o deixando sair.
– Não. E eu preciso ir pra casa – disse, tentando acalmar Derek.
– Casa! Me leve pra sua casa! – Pediu.
– Casa?! Minha casa? Não! – Respondeu de imediato.
– Por favor, só até eu me recuperar... eu não quero ficar aqui – disse novamente.
Danny começou a pensar que Derek tinha alguma fobia de hospitais. A forma que ele olhava para as paredes, como se algo fosse surgir delas e ataca-lo, estava sempre alerta quando alguém passava pela porta, conforme o vento balançava as cortinas, ele olhava desesperado, como se algo fosse entrar.
– Eu não posso fazer isso. Mais por você, não acho que ficaria a vontade na minha casa...
– Não me importo se é pequena, eu posso dormir até no sofá, no tapete, não sei. Por favor! – Agarrou a manga da blusa de Danny com a outra mão.
– Não é falta de espaço é só que...
– Não importa. Até eu me recuperar. Por favor, me tire daqui! – Praticamente suplicava.
– Olha... Mesmo que eu te leve pra casa, você só vai poder sair de lá quando estiver totalmente recuperado. Os papeis que vou assinar como seu responsável farão de você quase como um membro de minha família, qualquer coisa que acontecer com você, será minha responsabilidade!
– Eu entendi – respondeu sem pensar. – Quando vamos?
*~*~*~*
– E o Scott? – Stiles perguntou, quando viu Allison passar direto pela casa do moreno.
– Se Melissa ver Scott nesse estado, pode ter certeza, ela mata nós dois – Allison comentou, trocando a marcha.
– Ele vai ficar aonde?
– Na sua casa – ela respondeu. E não, aquilo não era algo discutível. – Quer conversar? – Perguntou, sem olhar para os lados, mantendo seus olhos fixos na estrada.
– Sobre o quê? – Perguntou, olhando para trás. Mesmo dormindo e babando sobre a mala de roupas de Allison, Scott ainda balbuciava algumas palavras que não podiam ser decifradas. Um idioma novo de adolescentes bêbados do queixo torto.
– Você sabe...
– O beijo?
– Quer falar sobre o beijo ou...
– Não, tudo bem – disse, olhando para o vidro embaçado, só então lembrou que estava sem blusa e fazia muito frio.
– Alguém mais sabe? – Ela perguntou mesmo assim.
– Só você.
– Não vou contar, você sabe, não é?
– Eu sei...
– Okay, se você me responder mais uma vez com uma frase com menos de cinco palavras, eu te amarro no porta-malas.
– Desculpe – respondeu.
– Quando se conheceram?
– Alguns dias atrás.
– Por que não ajudou ele quando ele estava caído, já que gosta dele? – Perguntou, sem perceber, fechava sua expressão. Ela mesma não podia acreditar que Stiles não o ajudou sendo que o conhecia e gostava dele.
– Porque ele é um idiota – respondeu, bufando em seguida.
– A maioria dos caras são, falo por experiência própria.
– Mas não é só isso, ele é... perigoso, eu acho. Acho que ele não queria que eu o ajudasse, apesar de tudo. Ele me expulsou...
– Expulsou da casa dele? Então... são ex-namorados?
– Não!!! – Sentiu suas bochechas arderem com a palavra “namorados”, ficando corado e se encolhendo mais contra o banco. – Ele mora na estação abandonada.
– Meu Deus, Stiles. Você sabe que lá é ponto de venda de drogas? Como você...
– Não é mais. De alguma forma, ele fez todos que ficam por lá deixarem o lugar... como se ele fosse o novo “dono”, sabe?
– Não, eu não sei. Stiles, se o pessoal de antes era perigoso... esse cara então... ainda mais tirando todos de lá, meu Deus, Stiles!
– Por isso eu não o ajudei – respondeu sentido –, mas eu não me orgulho disso.
– Pois devia. E se afaste. Tudo bem você gostar de rapazes, eu te apoio, mas traficantes? Stiles! Por favor, dê mais valor a sua vida!
– Ele não é um traficante, Allison.
– Imagino que não. Ele deve ter pedido educadamente para os bandidos “barra-pesada” que estavam por lá e todos cederam o lugar só pra ele... claro, acontece sempre...
– Ele só perdeu tudo. E eu não sei, você já viu o tamanho dele? Deve ter pelo menos 1,85 de altura, se não tiver mais... e ele tem cara de mau e...
– Eu não quero saber os atributos dele. Você pelo menos tem um nome?
– Derek Hale.
– Meu Deus! – Allison pisou tão fundo no acelerador e virou a curva com tanta velocidade que Scott caiu no espaço entre o banco de trás e os dois da frente e quase deixou que o carro batesse contra um poste de iluminação publica. – Os Hale? Stiles!
– O que foi? – Perguntou assustado.
– Eles são a família mais poderosa de toda Beacon Hills!
– Eram – Stiles corrigiu –, a casa foi incendiada. Todos morreram, exceto Derek. E ele ficou sem lugar pra ir.
– Mas Stiles, eles tem dinheiro para construir toda uma cidade, três vezes maior que essa, como ele não pode pegar esse dinheiro ainda? Tem certeza que o nome é esse? Porque talvez ele tenha mentido...
– Não tenho certeza, mas não acho que ele mentiria pra mim – confessou.
– Bandidos são muito engenhosos, Stiles. Cuidado. Eles mentem bem. Mas voltando ao assunto, ele gosta de você também?
– Não – respondeu com amargura, sentindo seus lábios se curvarem para baixo involuntariamente, mas não demorou muito e voltaram ao normal.
– Isso é bom. Eu vou procurar saber de outros rapazes e...
– Não precisa – Stiles pediu, dessa vez havia certa irritabilidade em sua voz.
– Entendo que você gosta dele, Stiles. Mas qual a chance disso dar certo? Talvez isso tudo seja pro seu bem, eu não acreditaria nele depois de ouvir esse nome.
Stiles não falou nada. Encostou a cabeça no banco e retornou àquela velha melancolia que Allison não gostava nada. Mas respeitou o silêncio do garoto, não era fácil gostar de alguém que não gostava de você também. E terminaram assim, até chegar na porta da casa de Stiles.
– Tudo bem, me desculpe – pediu a garota, olhando para Stiles que parecia estático em seus pensamentos.
– Tudo bem. Não espero que você entenda mesmo...
– Assim você me ofende, Stiles. Claro que eu te entendo, e entendo muito. E entendo tanto que amanhã, procuraremos ele. Eu e você, pode ser?
– Você não quer e não precisa fazer isso, Allison. Vá pra casa. – Ele disse, tirando o cinto de segurança e abrindo a porta.
– Sim, eu quero e eu preciso – ela disse, segurando o ombro do amigo. – Acho que já passamos dessa fase de desconfiança, Stiles.
O garoto sorriu. Afinal, quem quer arruma um jeito, quem não quer uma desculpa. Allison sorriu de volta, apontando com os olhos o ser que dormia no vão entre os bancos, roncando e ronronando alguma coisa. Stiles assentiu com a cabeça, saiu do carro, e abriu a porta de trás.
Depois de bastante esforço, mas do que acharam que teriam, conseguiram colocar Scott sentado de novo, e o engraçado era que mesmo ele sentado, deitado com a cabeça apoiada no próprio ombro, seu queixo insistia em apontar para cima, e não para o lado. Eles conversaram mais um pouco, combinando os detalhes do dia seguinte.
– Toma, leia isso – a garota estendeu um livro que havia pegado no porta-luvas antes de sair do carro.
– “Como odiar alguém em dez dias”, é sério Allison? – Ele olhou-a incrédulo.
– Sim, é sério – ela colocou a mão na boca para rir. – E acredite ou não, é um romance.
– Final feliz? – Perguntou.
– Clichê e feliz, você vai amar – ela gargalhou de novo. Agora, quer ajuda pra leva-lo pro seu quarto? – Perguntou, se referindo a Scott.
*~*~*~*
– Eu preciso te contar uma coisa, antes de você entrar e... – Danny falava, mas a única coisa que Derek conseguia fazer era olhar para a mão dele com as chaves abrindo a porta. – Ei, preste atenção em mim.
– Tudo bem, eu não ligo se estiver bagunçado ou tudo mais. De verdade, eu não me importo com nada – ele disse, seu olhar era quase tão vago quanto seus pensamentos.
Danny abriu a porta e entrou, acendendo as luzes. Derek entrou logo em seguida e não era nada do que ele esperava. Achava que todos os avisos, e tentativas de avisos era pra explicar como ele era desleixado, desorganizado e bagunçado, ou que sua casa era simples e pequena, mas não era. Na sala que se mostrava a frente, um grande lustre iluminava o teto, com alguns detalhes de vidro formando uma calda, com algumas camadas, como um bolo de casamento. Bem abaixo, uma mesa de centro redonda, metade branca, metade preta com algumas revistas em baixo. Um sofá de cinco lugares e outro de três contornavam o tapete de pelos que ficava no meio e logo na frente, uma única poltrona. De frente para a poltrona, quase na outra extremidade da sala, havia uma televisão enorme, a maior que ele já tinha visto até então. Estava acostumado com luxo, mas sua casa era bem mais rústica que a de Danny, que era modernamente decorada e com todos os detalhes bem pensados, aproveitando o espaço.
Havia também uma escadaria que levava ao andar de cima, onde ficavam os quartos. No cômodo em frente a sala, havia uma cozinha, que conseguia ser visivelmente maior que a sala, com uma mesa de oito lugares, e todas as paredes rodeadas por balcões que eram presos à parede, dando mais espaço.
– Eu... eu durmo no sofá – Derek disse.
– Não, você dorme no quarto de hospedes, lá em cima.
– Quantos quartos tem aqui?
– Quatro.
Derek não disse nada, continuou olhando para tudo em silêncio. Danny não se importou, tirou seu casaco branco e o jogou sobre o sofá, juntamente com uma pasta com as analises de Derek e de outros pacientes. Derek não disse nada, continuou em pé.
– Você pode tomar banho se quiser, no quarto que você vai ficar, tem um banheiro, mas se preferir um banho de banheira, use o do fim do corredor – disse, apontando as escadas.
Derek assentiu com a cabeça e subiu as escadas, Danny nem se quer olhou onde ele ia, foi para a cozinha, não era aquele tipo de anfitrião que acharia que Derek iria roubar alguma coisa, ao contrário, deixava o paciente tão livre, que se fosse sua intenção, poderia pegar qualquer coisa ali, que tinha a total certeza que Danny nem notaria.
Ele subiu as escadarias e passou pelos quartos. Era um corredor de pouco mais de um metro e meio, com uma longa distancia entre as quatro portas, aparentemente os quartos eram bem mais espaçosos que o corredor. Um dos quartos estavam com a porta aberta, e Derek não se segurou de olhar, vendo uma cama de casal e um três portas. Provavelmente dois armários e um banheiro. Então Danny tinha uma namorada, no fim das contas, quem sabe até uma noiva ou esposa.
Entrou no banheiro e praticamente se derreteu ao olhar para aquela banheira. Era grande, e espaçosa, com vários sais de banho, óleos e xampus importados. A esposa de Danny devia gostar de se cuidar bem. Haviam dois roupões atrás da porta, um azul escuro e outro preto. Não se importando muito com isso, fechou a porta sem trancar e entrou na banheira.
Geralmente não tinha tempo para pensar em outras coisas, quando fazia, a melancolia de ter perdido a sua família e a de ter que morar na rua, sem poder usar um centavo se quer de seu dinheiro, tomava conta, o deixando ainda mais abatido. Mas olhando tudo ali, o fez pensar em coisas como dividir a vida com alguém, morar com alguém, procurar a felicidade.
Entrou na banheira e deixou que a água lavasse aqueles pensamentos. Eram coisas impossíveis. Ele nunca havia se apaixonado por ninguém de verdade, teve algumas namoradas, mas ou eram atraídas por sua aparência, ou pelo seu dinheiro, nenhuma realmente chegou a gostar tanto assim. Tanto, que sua namorada que morreu no incêndio, Kate, não fazia a mínima falta.
O banho não durou muito, apesar de poder ficar ali a noite toda, uns vinte minutos foram mais que suficientes. Pegou o roupão que havia atrás da porta depois de secar seu corpo com umas toalhas que haviam por ali. Caminhou pelo corredor e uma porta estava aberta e com a luz acesa. Entrou naquele quarto e viu Danny mexendo dentro do armário que havia no quarto.
– Eu trouxe algumas roupas pra você usar – ele disse, assim que viu Derek entrando.
– Não precisa – disse seco.
– Claro que precisa, você não pretende dormir de calça jeans, não é? E essa blusa está bastante surrada, eu não estou perguntando se você quer, é um presente. E não se recusam presentes – disse, pegando um pijama e jogando sobre a cama – acho que esse serve em você, experimenta.
Derek pegou o pijama e olhou para Danny que o encarava. Ficaram se entreolhando por alguns instantes, até Danny respirar fundo e entender aquilo.
– Tem razão, não precisa que eu te veja se trocando. Depois que terminar, desça lá em baixo, vou preparar algo pra podermos comer.
Embora fosse uma das, aquela não era a razão principal para Derek não trocar de roupa na frente de Danny. Ele simplesmente não estava acostumado a ganhar nada de ninguém que não fosse tirado em dobro. E não entendia o motivo de Danny ser tão prestativo, podia simplesmente deixa-lo sair sem falar pra ninguém.
Desceu as escadas, já com pijama, e ouviu alguns ruídos na cozinha, Danny devia estar lá. Não pode deixar de notar que no sofá, em cima das coisas de Danny, haviam um casaco negro e uma maleta da mesma cor. Foi até a cozinha e presenciou uma cena que realmente não esperava.
Um outro rapaz, que era poucos centímetros maior que Danny estava abraçado com o enfermeiro. Seu cabelo era bem curto dos lados e um pouco maior em cima, tinha um físico quase tão bom quanto o de Derek. Não se pareciam muito, então não podiam ser irmãos. E Derek só teve a certeza, quando os dois se beijaram, ainda não percebendo que Derek já estava lá.
Não querendo interromper os anfitriões, caminhou até a mesa, até ser notado por Danny, que calmamente parou o beijo e se afastou do seu companheiro. O até então desconhecido para Derek, olhou para ele também, o encarando de volta.
– Ethan, esse é o paciente que eu te falei...
*~*~*~*
Pouco depois do dia amanhecer , Stiles foi brutamente acordado com alguns empurrões no seu corpo. Abriu seus olhos rapidamente, estava suado. Havia tido um pesadelo do qual não se recordava, mas tinha a certeza de que estava prestes a ser devorado por algo enorme e de olhos azuis.
– Stiles, acorda – era Scott quem o chamava.
– O que foi cara?!
– Você estava gemendo , gritando, chutando e esmurrando a parede. Seu pai está em casa, acordado e eu estou dormindo aqui no mesmo quarto que você. Isso é estranho – ele disse, meio constrangido.
O garoto sentou-se na cama, esfregando seus olhos tentando se acostumar com a realidade. Até que seu pai abriu a porta e encontrou Scott sem camisa sentado na cama de Stiles, de frente para o garoto e Stiles com cara de sono, ainda enrolado no lençol.
– Stiles – chamou –, eu ouvi alguns barulhos. É algo que eu deva me preocupar? – Perguntou, erguendo uma das sobrancelhas. Scott evitou olhar para o pai de Stiles.
– Não! – Stiles disse de imediato, se desenrolando do lençol, sentando na cama enquanto procurava por sua blusa.
– Tudo bem então, desça pra tomar café quando quiser...
Scott olhou para Stiles que estava com as bochechas tão avermelhadas, que parecia que iria explodir de vergonha. Scott estava mais disfarçado, além do que, era Stiles quem gritava e gemia como louco. Mesmo assim, o olhar acusador do xerife ainda o deixava constrangido.
*~*~*~*
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