Rehabilitating A Heart
6 Something more.
Notas iniciais
Allison, como prometeu, saiu à procura de Derek com Stiles em todos os hospitais possíveis. Mas como Derek não tinha parentesco, Danny deixou a informação de sua internação e alta privada, sendo assim, eles não conseguiam saber se o rapaz ainda estava em algum hospital, ou por ai, ou morto.
Isso de óbvia forma deixou Stiles com certo remorso. E conforme procuravam incansavelmente, sem nenhuma pista ou qualquer detalhe, decidiram procurar pelos lugares onde o garoto já havia visto Derek: a estação abandonada.
– O prefeito deveria urgentemente arrumar a iluminação desse lugar – Allison comentou –, e dar uma boa limpeza também.
– É uma estação abandonada, Allison. O prefeito não se preocupa muito com isso, acho que preferia mil vezes demolir do que mandar consertar – suspirou, enquanto descia as escadas com Allison agarrada em seu braço.
– Mas podem ter outras pessoas aqui, além do sujeito que você está procurando.
Stiles não disse nada, apenas continuou descendo, com um nó na garganta. Talvez ele estivesse com mais medo de encontrar Derek ali do que não achar ninguém. O que falaria? Como o encararia? Mentiria? Diria a verdade?
– Não tem ninguém aqui, vamos embora – Allison ronronou manhosa, ao ver os inquilinos que haviam ali – os ratos daqui são maiores que muitos gatos.
Novamente não houve uma resposta de Stiles. Os dois continuaram caminhando até chegar à cabine que o mais velho dormia. E para a surpresa dos dois, não estava vazia. Havia alguém ali, sentada sobre um amontoado de papelões e jornais, devia estar usando aquilo como cama já há alguns dias. Era loira e muito pálida, tremia por algo, com as mãos próximas aos lábios e olhos nervosos, olhando para todas as direções.
– Ele tem alguma irmã? – Alisson perguntou, recebendo uma cotovelada fraca de Stiles.
– Hei – chamou atenção da garota que olhou para ele, ela era realmente muito pálida –, tudo bem com você?
– Saiam daqui. Eles vão vir me buscar, eu sei que vão – ela respondeu quase sussurrando. Sua voz estava muito rouca, demais até para um resfriado.
– Quem vai vir buscar você? – Allison arriscou uma conversa, mas a garota a ignorou completamente.
– Você conhece o cara que vive aqui? – Indagou Stiles.
– Cara? Que cara? Não tem cara nenhum aqui – ela respondeu, ainda muito agitada. Sua respiração era rápida, como se tivesse corrido toda uma maratona. – Falem baixo, eles vão vir atrás de mim.
– Eles quem? – Allison indagou, mas novamente a garota olhou para ela com a mesma expressão de indiferença e não respondeu. – Eles quem, garota? – Indagou novamente, em um tom mais alto, estressada com aquilo.
– Eles vão vir, eles estão me procurando, eu não vou deixar, não vou! – Começou a gritar, sua voz já sofrida pela rouquidão, quase não saia, mesmo assim ela insistia em fazer algum som enquanto segurava os próprios cabelos, puxando-os. Alguns fios sediam e aos poucos lotavam a mão da garota.
Stiles se aproximou com calma, enquanto Allison ficou na porta olhando para todos os cantos daquela cabine.
– Você precisa de ajuda pra se levantar? – Estendeu a mão para a garota.
Ela estendeu a mão também, mas assim que sentiu o toque de Stiles, o puxou com força, deixando que as unhas ruídas cravassem no dorso da mão do garoto, descendo até os dedos, traçando uma linha fina que aos poucos ficava vermelha.
Não reclamou, embora doesse. As mãos da garota estavam gélidas. Ela provavelmente era uma adolescente que se drogava e acabou por chegar ali sem saber de nada. Não era a atitude mais humana do mundo, mas Stiles ficou feliz com a ideia dela ser simplesmente alguém sobre o efeito de drogas, e não alguém que conhecesse Derek.
– Stiles, cuidado, uma arma! – Allison gritou, apontando para um canto da cabine, perto de um latão de lixo, fazendo Stiles desequilibrar para trás e cair sentado no chão.
– Onde?! – Perguntou assustado, olhando para a garota loira.
– Ali – apontou.
Stiles engatinhou até onde Allison apontou e encontrou o que ela havia apontado. Era realmente uma arma, e um frio correu pela espinha de Stiles. Também haviam vários embrulhos vazios, do tipo que embalavam cocaína ou outra droga em pó que misturavam, mas todos vazios. Ergueu o braço que parecia pesar uma tonelada tocando na arma, então mais uma vez Allison gritou:
– Não toca nisso, seu louco!
– Por que não? – Perguntou, puxando seu braço rapidamente.
– Pode ser a arma de algum crime, suas digitais vão ficar nela! – Falou exasperada.
– Mas eu já toquei – disse, pegando a arma nas mãos e a analisando.
– Olha, eu não quero ser considerada cúmplice se essa arma for usada para matar alguém e tiver suas digitais nela.
Stiles não disse nada, apenas voltou-se para Allison e apontou a arma na direção da garota. Visivelmente a cor sumiu do rosto da menina, tudo que ela fez foi abrir a boca e ficar em choque, sem nem mesmo conseguir correr dali. Stiles abriu um sorriso um tanto quanto debochado. Puxou a trava para trás com a outra mão, e isso só aumentou o nervosismo da garota, que suava cada vez mais. Do lado, observando a cena sem entender nada, a mesma garota loira olhava para todos os cantos, como se as sombras da parede a assustasse mais do que alguém com uma arma na mão. Ele puxou o gatilho.
Allison fechou os olhos com força e esperou alguma dor aguda. Ficou assim por alguns segundos, pensando que talvez já estivesse morta. E ela poderia agradecer aos deuses, mesmo não sendo a morte que ela quis, não havia sofrido ou sentido dor. Então abriu os olhos ao ouvir Stiles rindo como uma gralha, rolando no chão de tanto rir.
– Seu filho de uma... boa mãe – falou, sentindo a cor voltar ao seu rosto, dessa vez um pouco mais avermelhada e com raiva – você quase me matou!
– É de brinquedo – ele jogou a arma para Allison que a segurou no ar, chegando-a bem perto do rosto, analisando-a.
– Não com a arma, mas de susto! – Disse, rolando a arma de um lado para o outro. Era leve e, provavelmente era uma pistola de água.
– Eu me chamo Erica – uma voz rouca cortou as gargalhadas de Stiles e puxou a atenção dos dois para a garota loira – quem são vocês?
– Resolveu falar seu nome agora? – Allison perguntou, direcionando sua raiva pelo susto para a garota que a olhava curiosa.
– Não tenho nada a esconder, eu já morri – disse, olhando para Allison que não se surpreendeu tanto com o susto, quanto com a arma.
– Não, não morreu – Stiles quem disse, voltando a engatinhar até perto da garota – o que aconteceu com você?
– Preferia ter morrido – ela disse, tapando o rosto com os braços.
Allison entrou naquela cabine, ajoelhando-se também. Não era a pessoa mais paciente do mundo com outras garotas, talvez pela rivalidade natural já estabelecida pelas mesmas, mas sentiu pena da garota quando percebeu que ela chorava. Não era como se fosse alguém que se comovesse apenas com lágrimas, mas devido a sua densa experiência que preferia não ter, sabia bem quando alguém estava fingindo. Abraçou a garota, mesmo sem que ela pedisse ou desse algum sinal de que queria aquilo. Seu cabelo cheirava a xampu, não fazia mais de três dias que estava sem lavar os cabelos. E mesmo que cheirasse a suor, ainda tinha leves traços de um perfume feminino adocicado.
– Não podemos deixa-la aqui. – Allison falou, quando a soltou do abraço, olhando para Stiles.
– Pra onde vamos leva-la?
– Eu não sei, um hospital, uma clinica de reabilitação, eu não sei Stiles – Allison falou nervosa, enquanto ajudava a garota a se levantar – primeiro a um hospital, o rosto dela está todo arranhado. E olhe os pulsos dela!
Stiles olhou, enquanto Allison a ajudava. Haviam linhas finas traçadas ali, que se não prestasse atenção, poderia jurar que eram apenas aranhões. Mas eram cortes, e alguns estavam ainda em cicatrização, recentes e profundos.
– Onde você se machucou assim?! – Perguntou.
– Não são machucados, Stiles. São cortes – Allison observou. – Ela se cortou, Stiles...
Stiles se assustou com aquilo. Mesmo com tudo que passou, nunca pensou em se machucar, outras pessoas estavam ocupadas e focadas demais em fazer isso com ele, não sobrou tempo para tal pensamento. E realmente não conseguia entender o porquê. Já havia visto alguns filmes, e até mesmo algumas séries, e achava que se cortar era coisa de adolescente mimada de American Horror Story para chamar atenção tanto no trama, quanto para atrair audiência.
Ajudou a Allison tirar a garota de lá. Não pode deixar de notar que sobre as calças da garota, da coxa para baixo, também haviam manchas de sangue. Da mesma forma que perto do pescoço, e na barriga também. Ela tentara cometer suicídio?
Allison ligou o carro enquanto Stiles ainda acomodava a garota no banco de trás. Não teve tempo de sair, a Argent acelerou o carro antes que ele descesse e sentasse no banco da frente. Puxou a porta e ficou atrás com a garota ainda atordoada, talvez por efeito das drogas, ou medicamentos que havia tomado, ou pela perda de sangue.
– Allison! Mais depressa!
– Eu ‘tô tentando! Eu ‘tô tentando, Stiles! – Respondeu nervosa.
Sinais vermelhos nunca demoraram tanto para voltarem para o verde. As ruas nunca estiveram tão movimentadas e o trânsito tão lento. Justamente quando estavam contando os segundos todo mundo resolveu sair se exibindo de carro. A cada suspiro que a garota dava, ou crise de choro que começava, tanto Stiles quanto Allison ficavam mais preocupados. O suor descia pelo rosto de Allison que não tirava os olhos da estrada. Quando finalmente o sinal abriu, acelerou o máximo que era permitido.
Mais alguns vinte minutos e conseguiram chegar no estacionamento de emergência do hospital. Algumas ambulâncias chegavam, Allison não podia parar ali.
– Sai com ela, eu vou estacionar. Não entra antes de mim! – Pediu.
Stiles desceu do carro e ajudou Erica a descer também. Ela havia vomitado um pouco sobre a blusa, algo branco com um cheiro não muito agradável. Quando os dois saíram, Allison saiu daquela área e sumiu do campo de visão dos dois por alguns instantes, logo depois voltou andando, quase correndo, apenas com a chave do carro nas mãos.
– Vamos – disse, pegando o outro braço da garota e passando por trás do pescoço.
– Por que você se importa tanto com casos perdidos? – Stiles perguntou.
– Stiles, não é hora pra isso – reclamou aflita, entrando no hospital.
Alguns enfermeiros vieram e a colocaram em uma cadeira de rodas. Enquanto a outra chamou atenção de Stiles e Allison e entregou um formulário para os dois preencherem. Allison tentou indagar algo, ou explicar. Mas a mulher não deu ouvidos, deu as costas para os dois e esperou que preenchessem.
– Ótimos, o que vamos marcar aqui?
– Não importa, Stiles. Eles não atendem sem isso – disse, pegando a caneta e olhando para o papel.
– Nós não a conhecemos, deixe ela ai e vamos embora – retrucou.
– Você fez isso uma vez – Allison lembrou. Não foi sua atenção, mas aquilo praticamente foi uma facada para Stiles –, e tenho certeza que não se orgulha disso. Nome?
– Stiles.
– O seu não – olhou para ele, não conseguindo não rir com aquela resposta –, o dela!
– Ella. Emma. Eu não me... Erla... Erica! O nome dela é Erica!
– Idade?! – Perguntou, assim que preencheu o nome com “Erica Argent Stilinski”.
– Dezesseis? Dezessete? Ela parece ter uns vinte...
– Ok, dezesseis – disse, escrevendo.
– Data de nascimento?
– Coloca qualquer coisa aí!
– Ok. Endereço? Telefone de contato? Assinatura do responsável... – Perguntou mais para ela mesmo que para Stiles, preenchendo tudo com qualquer coisa que lhe viesse na cabeça.
– De quem é aquele número?
– Eu não sei. Agora vamos. Somos parentes dela, e seu nome é Stiles Argente Stilinski. Não trouxemos documentos porque nos pegou de surpresa – falou, arrastando-o para dentro, onde atendiam os pacientes.
– Não podemos entrar aqui! – Stiles avisou, quando viu a placa na porta.
– Somos parentes, podemos – corrigiu. – Ali! – Apontou para onde algum enfermeiro a levava. – Vamos.
Stiles e Allison seguiram a garota. Ele não gostava muito da ideia de estar em um hospital, menos ainda de mentir sobre sua identidade, mas Allison estava fazendo isso por uma boa causa. Foram atrás do enfermeiro que entrou em uma sala.
Chegando lá, a garota estava assustada novamente, olhando para cada canto escuro do hospital, e tremia levemente quando o algodão com algo para limpar as feridas era passado delicadamente sobre seus pulsos.
– Vocês são parentes?! – Perguntou o enfermeiro.
– Somos. – Allison respondeu.
– Responsáveis? Maiores de idade? – Perguntou novamente olhando para os dois.
Stiles encarou Allison que o encarou de volta. Não eram maiores de idade, Allison tinha dezessete e Stiles dezesseis. E essa parte não haviam combinado antes.
– Tudo bem, não podem ficar aqui – o enfermeiro disse, se levantando e indo na direção dos dois.
– Não podemos sair daqui! – Allison respondeu, olhando para ele quase chorando. – Acha que foi fácil trazer ela até aqui e simplesmente não poder ficar aqui com ela porque não temos idade? Acha que é fácil sair por aí e esquecer que ela pode passar mal a qualquer momento ou, quem sabe, morrer?
O enfermeiro pois a mão sobre o ombro de Allison e a olhou por alguns instantes. Logo em seguida suspirou e a convidou para entrar na sala, fechando a porta em seguida. Stiles estava inquieto, provavelmente não era um bom mentiroso quanto Allison e tudo que podia imaginar era o que seu pai faria se descobrisse. Provavelmente o proibiria de sair depois da escola, já que não usava mais seu jipe.
– Vocês poderiam inventar algo melhor – o enfermeiro riu, pegando a fixa de inscrição de Erica. – Deixa eu adivinha, seu sobrenome é Argente e o dele Stilinski?
– Não, somos... – parou de falar, com o olhar irônico que recebia. Suspirou. – Sim... eu sou Argent e ele Stilinsk...
– Tudo bem. Eu não vou expulsar vocês daqui – comentou, deixando o papel de lado –, qual o verdadeiro nome dela?
– Não sabemos – Stiles disse, tentando não ser excluído totalmente da conversa. Se Allison recebesse toda a pressão, talvez surtasse e acabasse por xingar o enfermeiro.
– Onde a encontraram?
– Estação abandonada – respondeu novamente.
– E o que vocês dois estavam fazendo na estação abandonada? Não havia outro lugar para namorarem ou...
– Não fomos comprar drogas, droga! – Allison disse em um tom mais alto do que queria. –Fomos procurar alguém, apenas achamos outra pessoa.
– Tem problema com drogas na família?
– Não isso, mas...
– Deixei alguém para trás um dia... só fiquei preocupado e voltei para ver como estava... – Stiles completou. – Allison veio comigo, porque eu pedi.
– Alguém?! – Perguntou. – Há quanto tempo isso?
– Uma semana mais ou menos – Stiles respondeu, se sentindo culpado.
– Parentes?
– Não...
– Se não são parentes, porque você se importaria com alguém que nunca viu antes? – O enfermeiro perguntou, voltando a dar atenção para a garota.
– Porque é o mínimo de humanidade que se pode esperar de alguém quando vê outra pessoa machucada? – Allison respondeu, levando a mão à boca, mordiscando a unha do dedo indicador até que estivesse frágil o bastante para puxar o canto e puxar uma parte da unha, quase deixando-a no “toco”.
– Existem pessoas assim?! – Perguntou.
– Você faria diferente? Acho que por ser um profissional da saúde, iria nos entender e...
– Hei, você está alterada mocinha – comentou. – Só quero entender melhor. Pode me chamar de Danny – ele disse, sorrindo para Allison que terminava de fazer a mesma coisa que fez com a unha do dedo indicador, com o polegar da outra mão.
– Você...
– Sim?
– Por um acaso não receberam um paciente aqui semana passada, machucado?
– Isso acontece todos os dias. Estamos no hospital principal da cidade... – disse, prestando extrema atenção nos machucados perto do pescoço da garota. Alguns estavam abertos, mas não sangravam mais. Precisariam ser costurados. – Pode ser mais específico?
– Ele usava uma blusa de couro – Allison disse. – E acho que tinha um machucado na cabeça... e devem tê-lo trazido aqui mais ou menos pelas três da tarde.
– Vocês foram os responsáveis? – Perguntou. A imagem de Derek chegando ao hospital veio a sua cabeça, mas como o rapaz estava sobre sua total responsabilidade, não podia sair citando seu nome ao primeiro casal adolescente que aparecesse por lá.
– Claro que não! – Allison se repugnou.
– O trouxeram aqui?
– Não – Stiles respondeu com amargura.
– Por que a preocupação então?
– Porque... – Stiles travou. Allison percebeu isso e respeitou.
– Ele veio aqui, certo?! – Perguntou a Argent.
– Talvez, se for a pessoa que estou pensando... O horário, a vestimenta e os ferimentos descritos batem com um paciente.
– Ele ainda está aqui?!
– Recebeu alta – respondeu em seguida.
– Ele disse para onde ia? – Allison perguntou, ao perceber que Stiles havia ficado em silêncio, olhando para o chão.
– É meio que estranho... e bastante suspeito dois adolescentes estarem envolvidos com duas pessoas bastante machucado em um prazo bem curto de tempo, sabiam?
– Eles me ajudaram... – Erica comentou, chamando atenção dos dois. – Eu me cortei – disse. – Eu tentei me matar, mas eu... alguém correu atrás de mim, eu não me lembro como fui parar lá... Eles me salvaram... – Disse, chamando a atenção de Danny.
– Viu?! – Allison perguntou, provocativa e vitoriosa ao mesmo tempo.
– A garota está dopada. Talvez delirando, você acha que isso conta? – Perguntou para ela com as sobrancelhas erguidas.
Allison ficou quieta. Sentiu uma coisa incomodar na garganta, a vontade de falar algo e de chorar ao mesmo tempo. Ficou quieta. Olhou para a porta e começou a caminhar para a saída. Stiles foi atrás, sem falar nada.
– Esperem! – Danny pediu, chamando a atenção dos dois.
– O que foi agora? – Allison perguntou.
– Querem saber se ela vai ficar bem? Me deixa seu número, eu ligo para avisar qualquer coisa...
– Eu prefiro voltar e visitá-la. Não quero te dar meu número – Allison respondeu afiada como uma navalha. Podia se quebrar facilmente, como vidro. Mas cortava com a mesma intensidade que os cacos também.
– Não precisa ficar tão na defensiva – Danny riu daquela resposta –, me perdoem se eu pareci um pouco “rude”. Não foi minha intenção, mas eu realmente precisava saber tudo de vocês. Não é fácil confiar em alguém que mente sobre nome e idade...
– Talvez só mentimos porque nos importamos e sabíamos que não nos deixariam nem chegar perto para saber como ela estava se descobrissem que não somos parentes?
Danny ficou quieto. Tinha lá suas desconfianças dos dois. Ainda mais por tocarem no assunto de Derek. Não pareciam nada além de dois adolescentes inofensivos, mas duas pessoas machucadas em duas semanas era algo bem estranho.
– Obrigado – Erica disse, sorrindo para Allison.
Allison sorriu de volta. Voltando até a garota de novo. Abaixou-se sobre a cadeira, entrando na frente de Danny e abraçou a garota, com cuidado com seus ferimentos.
– Se cuida, viu? – Disse, se despedindo.
Novamente caminharam até a porta. Danny anotou alguma coisa em uma folha de atestados médicos e entregou para Allison.
– Você pode me ligar quando quiser visita-la. Eu arrumo uma forma de colocar vocês aqui dentro sem muitos problemas pra vocês...
– Obrigado – Allison pegou o papel. Tentou forçar um sorriso, mas ainda tinha vontade de arrancar a cabeça de Danny e sair chutando rua abaixo.
– E garoto... você conhecia a pessoa que se machucou semana passada... são parentes? – Perguntou. Sabia que Derek não tinha família, só queria ter certeza.
– Não. Mas eu me importo com ele e...
– Se importa com ele, por quê? – O interrompeu.
–Algumas pessoas são especiais para você. Não precisa ter um motivo – Allison respondeu. – Você não escolhe de quem vai gostar, de quem vai ser amigo, ou para quem vai entregar seu coração e seu amor. Mesmo que a pessoa não mereça, você não escolhe. Não é como panfleto de rua, que você entrega para qualquer um, mas também não é algo que você aponte a dedo e diga “é você e pronto”. As coisas não são assim, e estão longe de ser – Desmoronou para cima de Danny que ficou boquiaberto. – Agora, se seu interrogatório acabou, obrigado pelo número, por não se importar de darmos nomes falsos, mas realmente precisamos encontrar uma pessoa. Não significa nada pra você, mas significa pra gente. Eu realmente não espero que você entenda.
Danny ouviu cada palavra coberta por um rancor de uma péssima primeira impressão em silêncio. Era seu instinto ser uma pessoa muito cuidadosa, era verdade, mas às vezes ele passava dos limites da desconfiança. Ethan vivia reclamando disso, então não era novidade que ele conseguia ser uma pessoa super adocicada e no momento seguinte ácido.
– Talvez eu me lembre melhor dele – ele disse –, mas agora não. Me liguem quando quiser visita-la, ela ficará alguns dias aqui. Se ela colaborar e falar onde mora, isso ajudaria também, e ela pareceu gostar de você – disse, se referindo à Allison – e quando voltarem, poderemos falar dessa pessoa...
Stiles assentiu, sentindo um alivio no peito. Ao menos Derek havia ido a um hospital, havia sido tratado e recebido alta. Danny e Allison não podiam perceber, mas ele realmente estava feliz em saber daquilo. Sentia algo bom, talvez, muitos julgariam como alivio. Mas ele sabia que não era isso. Não apenas isso. Algo mais, sempre havia algo mais.
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