Rehabilitating A Heart

1 A loser just like me.


Notas iniciais
Bem meus queridos leitores, eu ainda tenho uma fic incompleta que com certeza vou termina-la. Uma não, algumas (risos). Mas, um querido amigo meu e também leitor de minhas fics me pediu um favor, me dando junto uma ideia. Achei legal a proposta então... Vamos ver no que dá, não é? Esse cap. será como um começo, um prefácio, um prologo. Nada muito chato, dá pra ler de boa. Não quero uma nota enorme justo no começo, mas, espero de coração que gostem, porque fiz com muito carinho, de verdade. Boa leitura.

A manhã estava calma. O frio matinal de inverno corria pelas ruas e avenidas onde alguns carros e poucas pessoas passavam, com pressa. Provavelmente, indo cada qual para seu trabalho ou escola. Sempre havia uma pressa, sempre havia um compromisso.

De cabeça baixa, alguém se misturava na multidão, não se destacando por exatamente nada. Um adolescente comum, andando pelas calçadas a caminho da escola.

Com olhos tristes e esbugalhados, não se atrevia a levantar a cabeça para encarar ninguém. Apenas mantinha seus passos lentos, lembrando-se dolorosamente do seu tormento diário naquela escola. Como odiava aquele lugar...

Por não ter amigo nenhum, não ser nada popular, ninguém se atrevia a ir falar com ele. Não recebia bom dia de ninguém, nem sorrisos repentinos. Apenas olhares cabisbaixos e sussurros maldosos. Não podia ouvi-los, claro, mas sentia-os sobre ele.

Deslocado, apenas mais um caminhando na multidão. Isso nunca o atingiu antes, mas de alguma forma, o frio parecia interferir nos sentimentos, deixava as pessoas mais gélidas.

Chegou à entrada da escola e parou por alguns instantes, olhou discretamente para aqueles que entravam. Todos rindo, conversando, com amigos ou grupinhos. Pareciam se divertir de alguma forma. Devia ser legal ter alguém que te entendesse de vez em quando para variar.

Era uma escola particular. Grande, vistosa, com entrada bem ampla, cercada por enormes e antigas árvores com grandes copas. O nome da escola estava escrito em letras maiúsculas, anunciando para todos que passassem ali seu nome tão prestigiado no mercado a fora. Todas as janelas eram de vidro, com salas enormes e a escola dispunha de um número grande de matérias, pouco eram as que não tinham. Os professores, mesmo que muitos e com cargas horárias minúsculas pela quantidade de, pelo menos quinze professores de inglês, eram todos mal-humorados e ranzinzas. Talvez por a maioria ser mais de idade, o autoastral não era uma coisa que corria solta por aqueles corredores. Mesmo seu pai sendo xerife da cidade, não tinham tanto dinheiro, mesmo assim, devido aos esforços de Stiles, conseguiu uma bolsa boa, que cobria grande parte dos gastos com a escola.

A mãe de Stiles havia sido levada pelas garras geladas da morte até o paraíso há algum tempo. Stiles ultimamente sentia sua falta mais que o normal. Ainda mais com a separação de todos os seus amigos. Mesmo que alguns deles estudassem na mesma escola, eram quase irreconhecíveis lá dentro. Era incrível o que os adolescentes faziam para serem “populares” no colégio.

Ele não foi sempre deslocado. Na verdade, já teve dois amigos de infância inseparáveis: Allison e Scott. O único problema foi quando os dois começaram a namorar, andar com outras pessoas “mais populares”. Eram quase o casal perfeito da escola, aqueles em que começam na infância, sobrevivem ao colegial e se casam na juventude; tem alguns filhos, arrumam um emprego meia boca e envelhecem juntos. Perfeito. Mas para Stiles, havia alguma coisa errado. Essa não era sua definição de perfeito.

– Hei Stiles. – cumprimentou um voz de menina.

O garoto sorriu ao reconhecer aquela voz doce e macia, Allison. Ainda se lembrava da mesma voz chamando seu nome enquanto corriam no Central Park brincando de pique, esconde-esconde ou outras brincadeiras de criança.

– Allison, oi! – Disse, abrindo logo um sorriso. Não era sempre que Allison falava com ele, era raro até mesmo receber um olhar da menina.

Ao lado da menina estava a garota ruiva dos Martin’s, Lydia e seu namorado nada amigável, o garoto de “ouro” dos Whittemore, Jackson. Allison estava abraçada com Scott, que apenas deu um aceno de cabeça para Stiles, logo em seguida virando o rosto para ouvir algo que Jackson disse.

Stiles pensou em chama-los para conversar ou segui-los, mas a ruiva os chamou e comentou algo baixo, olhando para ele. Logo em seguida, saíram os quatro, gargalhando sobre alguma piadinha que ela com certeza fez dele.

Suspirou, era a saudade dos velhos tempos lhe dando “bom dia”. Justo ele que sempre gostou de estudar, sempre foi tão “cabeça” e “pé no chão”, agora estava com as ideias nubladas. Não tinha mais vontade de estar ali. Aquele lugar lhe dava arrepios. Se perguntava como as pessoas conseguem ser tão más quando querem.

Deu meia volta, descendo as ruas da escola. Algo lhe pediu para seguir em frente, algo que não parecia certo, mas era melhor que encarar aquela atmosfera tão ácida, que poderia mata-lo a qualquer momento. Sentia-se tão frágil depois do “encontro” com Allison e Scott que podia explodir em lágrimas a qualquer momento.

Desceu lentamente a longa avenida que a escola se encontrava, sem olhar para os lados ou nada. Em seus pensamentos, coisas ruins se passavam. Desde leves, como sair da escola, chegando até mesmo em se matar, ou matar alguém, quem sabe?

No final da longa avenida, havia um metrô abandonado. Não ia ninguém lá, haviam boatos de que pessoas iam lá para se drogar, mas Stiles nunca confirmou nada disso pessoalmente, então, não dava bola para o que ouvia. Sabia o como as pessoas podiam destorcer uma realidade só para ter assunto para rodinhas de amigos.

A decida não era muito longa, mas era difícil. Lixo havia por todos os degraus, deixando o lugar ainda menos amigável do que já aparentava do lado de fora. Era mal iluminado, com algumas lâmpadas quebradas e até mesmo roubadas, deixando apenas algumas que piscavam periodicamente, precisando urgentemente serem trocadas.

Desceu a escada. O lugar era imensamente deserto, calmo. Já lá dentro, não era tão mal iluminado assim, haviam mais luzes ao decorrer do teto e algumas nos demasiados pilares que por lá se encontravam. O ar era úmido e empoeirado.

As paredes estavam pixadas, algumas tinham desenhos até que artísticos, tribais, já outras, apenas letras e símbolos estranhos. Aquilo tudo havia chamado a atenção de Stiles, e sem perceber, se pecou analisando cada linha daqueles desenhos tão curiosos. Colocou o capuz de sua blusa vermelha sobre a cabeça, tentando afastar o frio.

Andando lentamente olhando para as paredes, não teve tempo de olhar para o chão, e, quando sentiu algo pesado em cima, olhou para baixo. Um enorme rato estava em cima de seu pé, olhando para cima, farejando algo com seu focinho nervoso.

– Mais que porr... – Stiles gritou, tirando o pé rapidamente. O rato rolou alguns centímetros e logo depois, saiu correndo para as linhas do metrô. – Ótimo, quando encontro um lugar perfeito, ursos em miniatura me atormentam. – Reclamou.

– Não são ursos. – Uma voz diferente foi ouvida pelo garoto. – São ratos. Você deve estar muito chapado, pela forma que estava viajando na parede.

– O quê? Não, eu não estou chapado, foi uma metáfora apenas, isso não tem nada a ver e – gesticulou com os braços – por que estou falando com você?

– Está bem agitado, não consegue formular frases, – soprou a fumaça do cigarro que tragava lentamente – é algo bem pesado. Acho que não tenho nada assim.

– Cara, entenda, eu não uso drogas. – Stiles cuspiu – eu apenas estava olhando os desenhos na parede e esse animal apareceu nos meus pés. E... – Stiles olhou-o de cima a baixo. – Você é um traficante ou coisa assim? – Perguntou mais desconfiado que preocupado.

Ele era alto, com um casaco de couro negro e um cachecol surrado. Sua calças também tinham um jeans um pouco surrado e largo, usava botina. Em suas mãos, luvas negras o protegiam do frio, e entre seus dedos algo branco e soltando um filete de fumaça ao ar. A barba estava mal feita, tinha cara de uma pessoa má, talvez até cruel, e olhos verdes penetrantes.

– Algo assim. – Disse, novamente tragando sua droga profundamente para depois soltar a fumaça pela boca. – Quer comprar o quê? Não tenho coisas fortes como as que você está acostumado, mas devo ter algo pra te deixar “legal”.

Stiles pensou em correr dali. Mas ele poderia achar que ele iria chamar a policia ou causar algum problema, então, não ousou. E também, o sujeito poderia estar armado. Ele não queria perder sua vida assim, se fosse morrer, que fosse de uma forma mais digna, como suicídio.

– Er... Cara, eu não uso essas porcarias. – Disse, com pouca firmeza.

– Então, quer experimentar? Posso te dar alguns, se quiser...

– Eu não quero! – Disse em um tom mais alto, fazendo o sujeito erguer uma das sobrancelhas e olhar para ele surpreso. – Quero dizer... eu não curto isso.

– Você que sabe... – Disse, dando de ombros. – Quem não curte, não costuma vir aqui – provocou.

– Eu nem sei por que raios eu estou aqui, para ser honesto. – Stiles disse, caminhando até a parede, se encostando lá. – Ou o que estou fazendo da minha droga de vida...

– Pra quem não usa porcarias, você tem uma boca bem suja. – Comentou. – Enfim.

Stiles colocou as duas mãos sobre a cabeça, não iria contar sua vida para um possível traficante. Deslizou lentamente pela parede, até sentar-se no chão, suspirando. Estava frio, mas não tanto quanto sua sorte. E como se não bastasse todo seu desgosto com a vida, sentia-se como se tivesse entrado em um enorme problema.

O outro rapaz não deu muita atenção a ele. Parecia estar pensando em alguma coisa, e não se incomodou com a presença do menino ali. Era um garoto, que mal poderia fazer no final das contas? Mesmo assim, às vezes dirigia levemente o olhar para ele. Para o sujeito, ainda havia a possibilidade de Stiles ser um viciado e tentar ataca-lo para conseguir algo.

Um longo silêncio se instalou ali. Stiles fitava seus pés, mas seus olhos estavam vazios. Pensava na vida, de como ela podia ser melhor se sua mãe ainda pudesse estar viva. Já o sujeito encostado quase de frente para ele, sobre a outra parede, começava a ficar desconfortável aos poucos. Stiles não parecia perigoso. Parecia carente e frágil. E era a hora perfeita para um “vendedor” agir.

Astutamente, ele caminhou até onde Stiles estava, contando os passos como se não tivesse pressa alguma. Observava a forma como o menino reagia, Stiles nem ao menos estremeceu com a presença dele ali. Encostou-se a parede e continuou a tragar seu cigarro.

Stiles, em um momento de mais sanidade, olhou para o lado vendo o cara lá. Ele com certeza tinha um corpo bem em forma e de certa forma era bonito. Poderia ser muito mais que um traficante ou coisa assim, apenas com o físico, podia ser modelo de muitas revistas.

– Tudo bem se eu ficar aqui? – Perguntou para o garoto.

– Você estava aqui primeiro. Acho que eu quem deveria perguntar isso antes... – Respondeu baixo.

– Tudo bem. Não tenho muitos visitantes por aqui... – Comentou, limpando a garganta logo em seguida. O cigarro deixava sua boca seca.

– Você mora aqui? – Indagou. Era melhor puxar assunto e tentar pensar em outra coisa que ficar se torturando por algo que não estava em condições de conseguir mudar.

– Basicamente, sim. Não tenho casa, se é o que quer saber. – Respondeu de forma educada.

– Ah, desculpe.

– Nada...

Stiles novamente olhou para seus pés, pensando que talvez, existissem situações piores que a dele. Mas isso nem de longe fez ele se sentir melhor, apenas pior por deixar sua pouca dor se tornar tão grande.

Novamente um instante de silêncio fez morada ali. Eles não se falaram, não se olharam. O cheiro do cigarro começava a penetrar as narinas de Stiles e, isso o incomodava, mas não reclamou.

Se confortando um pouco com a proximidade, o rapaz deixou suas costas escorregarem pela parede, se sentando também, o que chamou a atenção de Stiles, que o olhou em alerta, mas logo se acalmou. Aquele frio na barriga e sensação de perigo eram raras para Stiles, a ultima vez que sentiu aquilo foi em uma montanha russa, pouco antes de vomitar e sujar sua blusa favorita do Batman.

– Problemas na escola? – Perguntou o rapaz.

– Talvez. – Respondeu seco.

– Em casa?

– Quem sabe...

– Com a vida?

– Também...

Depois da resposta, o sujeito suspirou profundamente, olhando para uma das luzes que piscava no metrô abandonado. A vida era uma companheira um tanto quando filha da... Mas as coisas não eram tão ruins assim. Talvez, o garoto de blusa vermelha, fosse sua salvação.

Se aproximou um pouco, ficando mais ou menos a um metro de onde Stiles estava. Olhou para o garoto com um olhar preocupado, de alguém que lhe proporia proteção. Fazia tempo que o garoto não via algo do tipo. Então, pensou em se permitir sorrir, mas não conseguiu. Um nó na garganta não deixou. Algo mais complicado do que ele podia entender.

– Toma. – Estendeu o braço na direção de Stiles, oferecendo o cigarro que fumava. Tinha pouco menos que a metade ainda.

– Não, obrigado. Eu não...

– Usa porcarias. – Ele riu alto, era uma melodia tanto desanimadora quanto triste. – Mas se serve de consolo, isso ajuda a relaxar.

Stiles olhou para o rapaz, seus olhos eram profundos e tristes. Olhos de alguém que sofreu uma dor enorme em sua vida, mesmo assim, ele estava gargalhando. De uma forma triste, mas isso não contava. Um sorriso sempre é um sorriso.

– Prefiro buscar meu consolo em outro lugar. – Stiles novamente cuspiu as palavras, de uma forma mais ofensiva do que queria.

– Isso é bom. – Concordou afetado. – Se eu tivesse essa sua mentalidade focada, mesmo em momentos de desespero, eu não começaria a fumar. – Disse, suspirando. Em seguida jogou o cigarro para frente, que caiu poucos metros a frente deles. – A vida não é justa, não é mesmo?

– Não... – Stiles assentiu crispando os lábios.

– Olhe pra mim... quem diria que eu iria me tornar apenas nisso? – Riu mais uma vez, o mesmo som triste. – Mas... cada um tem o destino que merece, não é? Quem sabe algo ainda não me reserva.

– Você é forte. – Stiles comentou.

– Obrigado. Eu malhava bastante quando mais jovem então...

– Não estou falando do seu corpo – Stiles olhou para o lado, corando sem perceber. – Estou falando da personalidade. – Acrescentou – se eu tivesse metade dessa sua força, eu não estaria em uma estação de metrô abandonada com um traficante uma hora dessas.

– De verdade? – Perguntou. – Não sou um traficante. – Confessou. – Ao menos, não um que preste. Tenho algumas drogas e alguns cigarros aqui. Mas a maioria são para conseguir algum dinheiro para sobreviver. Acho que foi sorte ter esse corpo, e ser intimidador.

– Você roubou? – Stiles ergueu o olhar para ele, seus olhos estavam arregalados com a surpresa.

– Não. Estavam drogados... eu apenas os assustei, eles deixaram tudo e saíram correndo.

Stiles olhou para baixo, cabisbaixo. Será que se tivesse boa aparência como o sujeito ao seu lado, ele se daria bem na escola? Seu tamanho, seu porte físico, seus olhos verdes acinzentados?

– Acho que você deveria estar na escola, não? – Perguntou o mais velho.

– Acho que é a escola um dos motivos de eu estar aqui. – Confessou – pra ser sincero, eu não me dou muito bem lá.

– Problema com notas ou professores?

– Estudantes, professores, tudo que se denomine humano – respondeu.

O sujeito o olhou por alguns instantes. Stiles tinha algumas pintinhas sobre o rosto, seus olhos eram castanhos claros e sua boca era até que delicada. Por debaixo do capuz ele escondia um topete, já amassado, com cabelos castanhos também.

– Não entendo por que – comentou. – Você me parece ser alguém bem popular. Conversa fácil, tem assunto, sabe levar o assunto...

– Nem todos são assim. Nem todos pensam assim também. Os seres humanos tem o poder de ser tão mesquinhos quando querem...

– Eu entendo bem disso. – Confessou.

– Teve problemas na escola?

– Não. De verdade, escola não foi uma fase boa em minha vida, mas acho que não é na de quase todas as pessoas. Ou você é popular, tem um grupinho separado, ou você não é ninguém. Eu era um ninguém. Mas, eu tive meus amigos. Acho que graças a eles consegui sobreviver.

– Eu também tive meus amigos...

– Teve? Eles não são da mesma escola que você? Se mudaram ou... morreram? – Perguntou com receio.

– Antes fosse qualquer uma dessas opções. Doeria menos do que o que realmente acontece. – Suspirou.

– O que acontece?

– Eles tem seu grupinho separado de todos. Os populares. Já eu? Quem sou eu? Ninguém. – Comentou. – Sou meio nerd, ninguém gosta de mim.

– Sei lá, pra mim você parece uma pessoa bem legal... – Comentou.

Stiles olhou para o lado, permitindo um leve sorriso desenhar-se em seus lábios. E olha só onde ele se encontrava, em um lugar imundo, com pouca luz, perto de um cara que podia transforma-lo em um viciado em cigarros. E mesmo nesse lugar, ele parecia encontrar um amigo.

– Você foi a primeira pessoa que me disse isso. – Stiles disse. Dessa vez, foi sua vez de dar um sorriso triste.

– Você também foi o primeiro a me chamar de forte. Para o restante, sou um fracassado, covarde, desistente... um ninguém.

– Mas... sem querer me meter... o que aconteceu com você?

– Minha família sempre foi temida. Os Hale. Sempre fomos ricos, então nosso nome era respeitado. Até um dia em que fomos roubados, perdemos tudo. E como se não bastasse... – Apertou os punhos. – Colocaram fogo na nossa casa.

– Nossa, então vocês ficaram sem ter pra onde ir?

– Vocês? – Perguntou com amargura. – Eu fui o único que sai vivo. – Confessou.

Stiles abriu a boca pela surpresa. Queria dizer palavras de acalanto, alento, mas nada encontrou.

– Então eu fiquei desesperado. Rodei por toda a cidade, mas onde estão os amigos nessas horas? Ninguém me quis. Ninguém quis me ajudar. Então, eu fiquei perdido. Me ofereceram drogas, eu aceitei. Me ofereceram bebidas, eu bebi. Me ofereceram cigarros, eu fumei... – Disse amargo. – E de certa forma, deixou os problemas leves. Mandou a dor embora, entende? – Stiles acenou com a cabeça. – Mas, por sorte talvez, eu não me viciei em nada, além do cigarro, é claro.

– Isso é triste...

– É – concordou. – Mas a vida é assim, hoje ela te dá as costas, amanhã ela volta, pega na sua mão e melhora tudo. – Ele olhou novamente para luz que piscava. – Eu ainda espero esse dia.

Stiles sempre achou esperança tão bonito. Foi o único sentimento que conseguiu se agarrar, enquanto sua mãe lutava contra a morte, sorrindo, todos os dias. Sempre segurou firme nas mãos da esperança, ela sussurrava em seus ouvidos que sua mãe sobreviveria. Ela mentiu.

– Bem... minha mãe também morreu. Só tenho meu pai que tem mais trabalho que tempo pra mim...

– E aqui estamos! – Disse, como se estivesse comemorando, sorrindo em seguida. – Dois perdedores se queixando... um perdedor como eu.

– Eu não sou um perdedor! – Stiles se defendeu.

– Sim, é. Eu também sou. Nós somos... senão, não estaríamos aqui...

Stiles olhou para baixo. Realmente, era verdade. Era um desistente. Ele podia estar na escola, lutando sua guerra diária. Mas estava ali. De todos os lugares que poderia ir, de alguma forma foi parar justo ali.

– É, somos...

O sujeito relaxou, esticando seus braços e pernas, se espreguiçando, logo em seguida bocejando. Stiles olhou cautelosamente para ele. Era incrível como sua péssima primeira impressão mudou brutalmente só com uma conversa. Ele ainda era desconfiado, além do que, ele o ofereceu um cigarro. Mas pensando um pouco pelo lado dele, ele poderia apenas querer ser educado e ajudar de alguma forma.

– Está com fome? – Perguntou tímido, pegando sua mochila um embrulho com rosquinhas. Todas com cobertura, as favoritas de seu pai. Iria levar para ele depois, mas algo de mais urgência sentiu.

– Um pouco. – Admitiu, prestando atenção no pacote nas mãos de Stiles. – Acho que não como nada desde o café da manhã de ontem.

Stiles arqueou as sobrancelhas. Não deveria se importar com um estranho, mas se importou. E isso era raro, já que ele nunca se importou com ninguém.

– Toma. – Stiles estendeu o embrulho com todas as rosquinhas. – Pra você.

Dessa vez foi a vez do sujeito grande e corpulento arquear as sobrancelhas. Ele esperava que o menino dividisse algumas com ele, não desse todas. Pensou em recusar, talvez não precisasse se rebaixar tanto a ponto de aceitar comida de um estranho.

– Não trouxe nada pra beber – ele disse. – Mas pode comer tudo, tomei café antes de sair de casa. – Disse, fechando novamente sua mochila, pondo-a nas costas, se preparando para levantar.

– Obrigado. – Derek disse, ainda meio desconfortável com aquilo. No novo mundo em que vivia, as pessoas não costumavam dar as coisas de graça. Quando não cobravam dinheiro, o preço sempre era alto demais.

– Sem problemas, amigão. – Já de pé, bateu a mão sobre a roupa, limpando uma camada superficial de poeira que tinha se instalado por lá. – Bem, eu vou indo.

O sujeito assentiu com a cabeça, olhando para o pacote em suas mãos de forma singela enquanto Stiles caminhava para a saída daquele local. Enquanto ele ia, ficou olhando para as costas do menino por um longo tempo. A vida não era justa, as pessoas boas sempre são as mais azaradas. E ele era uma pessoa boa, talvez ambos fossem.

– Derek. – O sujeito gritou, chamando atenção de Stiles, o fazendo olhar para trás.

– Perdão? – O garoto estranhou.

– Meu nome... – ele começou. – Derek é meu nome, e o seu?

– Stiles. – O garoto sorriu simpático. – Stiles Stilinsk.

– Nome legal... – Derek comentou, sorrindo de volta...

Stiles suspirou, sorrindo abafado. Olhou para cima e viu todos os degraus que teria que subir, mas de longe de importou com aquilo. Derek ainda sentado no mesmo lugar, ainda o olhava e isso dificultava ainda mais sua saída.

– Você fica sempre aqui? – Perguntou, de costas.

– Enquanto eu estiver vivo ou até a vida me dar uma oportunidade, sim – respondeu.

– Legal – disse, pisando no primeiro degrau. Se olhasse para trás, podia jurar que não sairia mais.

– Você pode voltar quando quiser – o outro disse. – É meio solitário aqui às vezes...

O garoto não respondeu, apenas subiu mais um degrau, deixando aquele que acabou de conhecer para trás. Não era o melhor jeito de se despedir, mas por hora foi o bastante. As luzes da escadaria continuavam piscando, ele subiu todos os degraus com a cabeça erguida e um sorriso no rosto.

Notas finais
E então, o que acharam desse primeiro capítulo? E Stiles, será que volta? Será que nunca mais retornará para ver Derek? E na escola? Será que ele continuará com essa cabeça erguida? E Derek? Até quando vai conseguir sobreviver em um metrô abandonado? Até o próximo, love u guys ♥