Nathan entrou em meu quarto perguntando o que estava acontecendo, disse que tive um sonho ruim e ele se contentou sonolento voltando ao seu quarto. Não consegui dormir, o que tinha acontecido em meu sonho se repetia em minha mente. Sentei acariciando Nala deitada em minha cama. O relógio marcava 4h50, resolvi sair para encontrar Pietro, bati na porta de sua casa e ele atendeu.
— O que faz aqui?
— Quero saber, tudo que sabem, descobrir quem fui.
— Não fale disto assim, existem muitos ouvidos, entre.
— Nos encontre no mesmo lugar de hoje, depois que saiu hoje, Dimitri quase desistiu, preciso da sua ajuda.
— Bom dia – Disse sua mãe descendo as escadas
— Bom dia senhora, então já estou indo, obrigada por esclarecer o relatório do colégio Pietro.
Nos entreolhamos
Sai pela porta e fui para casa correndo, passei por meu quintal e encontrei Nathan dormindo na sala.
— Ei, o que faz ai?
— Ouvi algo aqui ontem e desci pra ver, acabei dormindo aqui sem perceber.
— Uau, me sinto muito mais segura com você dormindo no nosso sofá.
Ele riu sonolento e subiu a seu quarto. Me arrumei e fui ao colégio, minha primeira aula era de Biologia, fingi ouvir o que o professor dizia e assentia assim que ele olhasse para mim. O dia passou rapidamente, e fui diretamente encontrar Pietro, eu me recordava do caminho. Assim que cheguei todos que estavam conversando pararam.
— Oi
— Até que fim – Disse Sofia
— Bem, decidimos que não testaremos os testes em você. Te mostro todos os gráficos e você concorda no que dissermos, aceita?
— Esta bem
— Bem vamos começar com Sofia, se não se importa?
— Ok, eu estava na água, um homem me seguia e eu não tinha pra onde ir, então pensei em me defender. Não queria mata-lo, apenas fugir dele por algo, eu não me lembro. – Disse Sofia
— Dimitri? – Disse Pietro
— Não vou dizer nada a ninguém, já disse.
— Esse é mais difícil – Sussurrou Theo
Depois de ouvir as teorias de Lisa e ver os gráficos que eu mal entendia fui para casa, corri para deixar as coisas de lado, já estava escuro e passava pela Clinton Park. Olhei meu celular e marcava 18h42, recebi uma mensagem de um numero restrito.
“Me encontre no Café au Play”
Não sabia quem poderia ser, então segui passando pelo Colégio e cheguei ao café. Assim que entro vejo Henrique sentado com um livro no colo.
— Não acredito nisto, o que faz aqui?
Ele sorriu e me abraçou, sentia falta dele.
—Bem eu ia pegar um avião, mas precisava te ver antes. Conheci uma mulher incrível, ela me ajudou a passar ao concurso, não estou nem acreditando.
Não havia percebido, mas havia dois cafés na mesa, uma mulher chegou sorridente, seu rosto era familiar, seus traços me lembravam de alguém.
— Olá, você é a Nathalie certo?
— Sim, e você?
— Sou Ally
—Tenho pouco tempo, vamos caminhar um pouco. – Disse Henrique
Descemos pela avenida, ele me contou como estava ansioso e feliz pela viagem, o quanto Ally era boa para ele. Ally havia ficado no café, assim que voltamos ela estava ao telefone, seus olhos me seguiam a cada movimento. Já havia visto aqueles olhos, mas onde?
Despedi-me de Henrique com um aperto no coração, pensando no quando queria que ele ficasse.
Chegando em casa, já havia escurecido, mamãe estava preparando o jantar e subi direto para tomar banho. Sai do banho enxugando os cabelos e Nala estava no lugar de sempre. Meu telefone vibrou na cômoda do quarto. Era Pietro marcando outra reunião para falarmos sobre o grupo, decidi não responder, até chegar outra mensagem, desta vez de Henrique.
Henrique: “Gostei de te ver hoje, Ally também gostou de te conhecer.”
Eu: “Vou sentir saudades, e gostei da Ally também :) ”
Menti. Ally tinha olhos enigmáticos, e podia ver seus traços de amargura, havia algo nela. Mas como poderia dizer isso a Henrique, ele diria que não passa de ciúmes. Estava sem sono e resolvi descer para a varanda, Nala veio sonolenta aos meus pés e eu a peguei. Sentei em uma cadeira observando a respiração de Nala. Estava com medo de dormir e alguém vir em meus sonhos, rostos desconhecidos, como quem era aquele homem que me seguia e me capturava quem era o garoto que me beijava, não fazia ideia. Até que como um estalo. me lembrei. Era Ally, comigo e o garoto na floresta, mas como ela me encontrou, quem era ela? Eu devia contar a Henrique, mas e se fosse um engano? Era impossível, sei que era ela, mas quem eu era? Talvez o bilhete desconhecido seria dela, ouvi passos, fortes e pesados a frente da casa. Segurei forte Nala ao corpo e fui ver o que era, tudo estava escuro, mal pudi enxergar até chegar a porta. Olhei pela janela e vi alguém do outro lado da rua, dei um pulo para trás quase deixando Nala cair, corri para cima e me tranquei ao meu quarto. Estavam me vigiando? Fui olhar novamente a janela e tinha desaparecido. Meu telefone vibra novamente, numero desconhecido, olho a mensagem que diz:
“Preciso te dizer algo, desça para falar comigo”
Respondi:
“Quem é você?”
Numero desconhecido:
“Um velho amigo”
Não quis descer mas estava curiosa, precisava saber quem era, e se fosse Ally, precisava de respostas. Coloquei outra roupa e desci correndo, assim que abri a porta vi alguém. Um garoto, seus olhos eram escuros e seu cabelo castanho, estava quase todo de preto tirando as calças que era um jeans. Era mais alto e parecia mais forte do que eu.
— Quem é você?
— Você não se lembra mesmo não é? Estou a semanas tentando te fazer lembrar, sei que viu Ally hoje
—Sabe quem é Ally?
— Claro que sei, aquela mulher é perigosa, olha, sei que não se lembra mas tente, tente se lembrar de mim.
— Não te conheço.
Seus olhos perderam o brilho, ele olhou para baixo e não disse nada.
— Você que me deu o bilhete? Na aula
— Que bilhete, nunca falaria com você tão publicamente agora, é perigoso, deve ter sido Ally. Ela esta te testando, ela quer se aproximar de você para saber de mim. Não pode dizer a ela que me viu.
— Ela é perigosa? Ela esta com meu melhor amigo, quem é esta mulher? E quem é você??
— Nolan, sou Nolan. E não se preocupe, ela não fará nada com seu amigo, só é para chegar até você.
— E como posso saber se isso é verdade, estou totalmente maluca descendo essa hora para falar com um desconhecido.
— Tome cuidado. – Ele beijou minha testa e desapareceu pela rua. Nunca havia visto ele na minha vida. Como pude descer para encontrar com ele. E se aquilo com Ally fosse verdade, não, não era possível, Henrique estava tão feliz. Tenho que vê-lo novamente.

Assim que acordei mandei mensagens a Henrique, nada. Seu fuso horário era diferente agora, provavelmente estaria chegando na Europa. Estive preocupada a manhã inteira, mal comi e sai para escola.
— Oi. – Disse Dimitri, do grupo de Pietro.
— Oi – Respondi.
— Olha, sei que não nos conhecemos, mas a reunião de hoje é para eu falar das minhas lembranças. Não quero conta-las a todos do grupo – Disse ele sussurrando
— Posso te encontrar no fim das aulas, te contarei tudo, mas a sós.
— Tá tanto faz. – Respondi para ele sair logo de perto de mim, não gostava muito daquele garoto, Pietro veio do fim do corredor sorrindo como sempre.
— Reunião cancelada minha querida, Dimitri tem compromissos.
— Tudo bem.
Por que Dimitri precisaria mentir a Pietro só para não esclarecer de suas memórias?

Sai pelas portas do segundo prédio do colégio e tinha uma aglomeração de pessoas ao redor de uma pilastra, lendo um cartaz. Havia papeis por todo lado e peguei um ao chão.
“ A colégio Franklin High School apresenta, o Baile de Mascaras”
Atrás dos papeis estavam a data, daqui a duas semanas. Organizado pelos Quarkes. Vi Dimitri esperando ao outro lado da rua em seu carro.
— Vamos?
Seguimos por um caminho contrario da minha casa, chegamos em uma casa, grande e bem clara. Entramos, a casa era realmente bonita, haviam quadros e alguns desenhos na sala.
— Você desenha?
— Nada profissional – Disse envergonhado
— Isso ficou incrível
— Obrigado, então, não queria contar a eles minhas memórias, não confio neles
— E por que contar a mim?
— Eu vi você em minhas memórias...

Notas finais
Dedicado a A.C por sempre me ajudar...