— Como me viu?
— Bem...
Dimitri corou, percebi que havia algo mais em seus olhos, ele não aparentava ser aquele garoto fechado e irritado que se mostrava em público.
— Você estava em uma lugar, não sei aonde era e nem o que era exatamente. Mas havia você, rodeada de pessoas, conversando, rindo, estava feliz. Até que algo aconteceu, tudo começou a rodar, todos estavam correndo e gritando. Você olhou em minha direção mas não foi exatamente para mim.
— Como eu poderia te conhecer?
— Eu não sei ta legal? Não sei.
Abaixou a cabeça desapontado. Ele olhou para minhas mãos e viu o papel que havia pego mais cedo no chão do colégio.
— Pretende ir?
— Pra que eu iria, não gosto desses tipos de festas.
— Vou fotografar a festa, um formando veio me pedir.
— Então além de artista nas pinturas também é fotografo?
Ele sorriu, vê-lo sorrir era diferente, mesmo sendo um garoto escrúpulo, escondia uma parte sensível de si.
— Venha
Levantou-se e seguiu a escadas, ao decorrer do corredor no segundo andar de sua casa haviam quadros, paisagens e alguns tipos de coisas abstratas das quais eu não saberia analisar. Chegando a seu quarto vi o quanto ele tinha dom em pinturas e desenhos, havia um armário de tintas e todos os tipos de materiais de pintura, de diversas cores. O quarto era branco, com tons de diferentes devidos seus desenhos e formas pintadas em algumas paredes. Ele era realmente talentoso, seus traços nos desenhos eram finos e delicados. Olhei em seu rosto e ele me direcionou fotos, nesta época eram quase impossíveis de encontrar fotos que não fossem digitais. Eram coisas sem significado algum, mas realmente bonitas.
— São incríveis.
— Obrigado. – Ele sorriu novamente, nunca havia visto aquele sorriso duas vezes no mesmo dia.
— Vou indo, tenho que chegar em casa antes que Nathan sinta minha falta.
— Tudo bem.
Assim que ele terminou a frase meu celular apitou, era Henrique.
“Cheguei, isto aqui é incrível, estou amando. Como Ally, ela é incrível. “
HENRIQUE, havia me esquecido. Me despedi de Dimitri e fui para casa. Eu deveria contar a Henrique que Ally não era o que aparentava ser.Mas como confiaria naquele garoto desconhecido, Nolan, qual era o meu problema, por que desci noite passada?
Isso era ridículo. Respondi a Henrique

“Espero que esteja bem, divirta-se”
Assim que cheguei não havia ninguém em casa, comi e assisti televisão, estava cansada e dormi no sofá mesmo. Acordei e ainda estava claro, subi para tomar um banho e depois trocar a caixinha de areia de Nala. Logo escureceu e me deitei sem sono algum. Relia diversas vezes a mensagem de Henrique, Ally não faria nenhum mal a ele, faria? Algo bateu em minha janela, Nala reclamou por eu levantar para ver o que era, o garoto, Nolan. Desta vez não iria vê-lo, eu nem o conhecia, e isto era perigoso. Ele balançou a cabeça para eu ir até ele. Respondi negativamente, ele revirou os olhos e saiu para perto de uma arvore no meu quintal, fiquei observando e quase deu um grito quando vi que ele estava escalando até minha janela. Arregalei os olhos surpresa por ele conseguir chegar até uma altura que estaria próxima a meu telhado.
— Você esta maluco?
Ele riu.
— Um pouco. – Respondeu ironicamente.
— Quase quebra minha janela com esta pedra e agora escala uma arvore, se cair daí eu que irei te levar ao hospital!
— Você foi quem não queria descer.
— Eu não te conheço, não confio em você, seu maluco.
— Calma espere. Me desculpe não poder te encontrar em lugares comuns, é perigoso.
— E por quê?
— É complicado, mas tenho uma proposta, você poderia me encontrar, posso te contar tudo sobre Ally.
Ela estava em meus sonhos, era mais jovem e parecia mais bonita nele, e como um um PIN algo despertou em mim. Nolan era o garoto que beijava em meus sonhos, era ele. Senti repulsa ao olhar em seus olhos e depois corei. Ele percebeu, até que minha cabeça começou a doer. Como um pino sendo cravado em meu crânio. Me sentei para não cair ao chão e segurei a cabeça com força. Tudo estava confuso e eu adormeci. Assim que acordei, ainda estava escuro, Nolan estava sentado ao chão e Nala ao seu colo. Meu quarto estava claro pela lua.
— O que aconteceu? Como entrou aqui?
— Foi difícil, mas não vem ao caso, você esta bem?
Levantou aproximando-se e tirou fios de cabelos dos meus olhos.
— Eu lembrei de você.
Ele sorriu feliz, o brilho da lua refletiu seu olhar contente.
— Eu sabia que conseguiria. – Disse sorrindo.
— Eu tenho uma proposta, como disse. Amanhã, vamos correr no Clinton Park, te falo sobre Ally e você me conta do que se lembrou, o que acha?
Não conhecia Nolan, mas quando estava perto dele era como se nos conhecêssemos a muito mais tempo do que eu imaginaria.
— Olhe Nathalie, se eu quisesse fazer algum mal a você, já não teria feito?
— Fora quase rachar minha janela e invadir a minha casa? – Disse rindo
— OK, isso foi meio errado. – Ele disse se redimindo.
— Não poderia deixar você sozinha com isso que teve agora.
— Minha cabeça doeu muito.
— Eu sei – Disse ele.
— Sabe?
— Quando queremos recuperar a memória ela vem acompanhada de dor.
Por isso Sofia reclamava tanto de doer, e Dimitri era um garoto grotesco mas tímido só queria se lembrar de tudo, tentei confiar em Nolan, acreditar no que ele dizia.
— Mas por que agora quer me encontrar em um lugar publico assim, não era perigoso?
— Não arriscariam tudo para descobrir se sou quem eles pensam, Agora tenho que ir, antes que amanheça e seus vizinhos pensem que você convida estranhos para entrarem em sua casa de madrugada,16hs lá no parque. – Ele disse rindo

Saiu pela janela com cuidado e caminhou sobre o telhado de minha casa, nesta parte da casa apenas meu quarto era para aquele lado. O telhado era inclinado o que ajudava Nolan a escalar até a ponta da arvore. Ele desceu e desapareceu, estava amanhecendo, e logo teria que acordar, hoje era sexta, no colégio haveria apenas preparamentos para o baile de mascaras de sábado à noite.

***

Chegando a escola, havia pessoas correndo com tubos de cola quente, glitter e quais quer material para o baile.
— Parece até engraçado não é? Essas pessoas apressadas para preparar algo como se fosse um daqueles filmes de garotas. – Sussurrou próximo a mim
Pulei levando um susto, era Dimitri, estava com uma aparência melhor, mas ainda assim havia magoa em seus olhos. Sofia passou dando ordens para nós, Dimitri organizará os espelhos em plataformas na parede e eu limparia e colaria adesivos. Pra que tanto espelhos em algum baile?
— Se isso fosse algum baile de filme, Sofia seria a rainha má da popularidade.
Ele começou a rir e se virou para buscar os espelhos.

Trabalhamos a tarde toda e assim que vi o relógio era 15h40, tinha apenas 20 minutos para chegar ao parque. Corri me despedindo de todos assim que eles me olhavam e sai da escola. Peguei o primeiro caminho para casa correndo para poder tomar um banho e ir a encontro de Nolan. Assim que cheguei tomei banho o mais rápido possível e sai em direção ao parque. Eram exatamente 16h15, assim que cheguei.
— Oi – Seu sorriso brilhava, ele estava de óculos e roupas pretas, para não chamar atenção para si.
— Nossa, pra quem não iria se esconder esta parecendo algum tipo de espião.
Ele riu e pediu para eu segui-lo. Fui atrás dele até chegarmos a uma área onde era fechada pelo parque por ser uma reserva ambiental. Ele entrou em uma trilha quase impossível de se ver e havia um portão pequeno. Pegou as chaves e abriu para que eu pudesse ir a frente.
— Você pode mesmo fazer isso?
— Se ninguém vir nada acontece.
— E se vir?
— Ai eu corro e coloco a culpa em você – Disse ele zombando comigo.
— Vai me contar quem você era realmente?
Sentamos na grama vendo um pequeno riacho, assim ele começou a falar.

— Eu e você, éramos de um grupo, que buscava descobrir o que acontecia com quem perdia a memória sem ter desobedecido as ordens do governo. Nossos pais faziam parte disso desde que eles nasceram e passou de geração a geração. Não éramos terroristas e nunca fizemos algo contra as leis, apenas pesquisávamos métodos que eles causavam as pessoas. Assim que formaram- se grupos terroristas contra a causa e começaram a nos caçar também. Mataram parte de nosso grupo e nos deixaram sem ter onde ficar. Saímos em busca de um novo lugar fugindo pela floresta de reserva, e assim nos separamos e eles pegaram você. Não sabia que estava viva, até nos conseguirmos contato com outros grupos e lugares bem disfarçados para trabalhar. Como os métodos antigos de reiniciar a memória de alguém se foram, com os terroristas, era mais difícil localizar alguém. Até descobrirmos isto, um chip, é implantado na cabeça de cada um reiniciado, um método antigo porem com formas novas. Por isso quando se lembra de algo tudo dói em sua cabeça. É como um curto circuito do chip se estourando. Não mudaram a sua identidade, isso foi perigoso a eles, mas se me encontram talvez me reconheçam e saibam que você começou a se lembrar, assim matam você também. Quero descobrir o porquê de não mudarem você.
Acreditamos que ainda há mais de nós pelo país mas eu precisava encontrar você antes de tudo. Sem você eu não iria conseguir, posso te ajudar a se lembrar mais e mais de tudo que passou, e depois te levo para ver como trabalhamos agora. Mas preciso de você comigo.

Tudo que ele dizia fazia sentido, eu me lembrava de como fui raptada.
— E por que eu te beijava e Ally nos mandava parar?
— Você se lembra disso?- Disse ele corado
— Sim... – Respondi sem pensar
— É complicado explicar, prefiro que se lembre.
—Quem é Ally?
—Ally é uma médica, estava em preparação, mas ela começou a mudar e seguir outro caminho. Encontramos ela tirando sangue de um reiniciado comum em frente a casa dele. Expulsamo-la de nossa corporação e ela tenta recolher motivos para voltar até hoje. Ela te encontrou, sabia que se te levasse até mim eu a perdoaria,mas ela não sabe que eu te encontrei também.
— Ela esta com meu amigo Henrique, o que ela vai fazer?
— Nada, esta apenas recolhendo informações. Isso não vai causar nada a ele.
— Eu quero me lembrar, tenho que ter certeza que ela não vai feri-lo
— Acredite em mim, ele não é reiniciado, não vale de nada nas pesquisas. Sem ofensas.
—Ela não esta no pais, não precisa se esconder quando estiver comigo
—Ela não poderia trabalhar sozinha, pegariam ela também. Como não sabemos quem são seus parceiros, prefiro não arriscar.
—Então eu era uma cientista, daquelas de laboratório?
Nolan riu enquanto eu o encarava.
— Desculpe não te imagino assim. Você era de outra área, preferia procurar e ajudar os reiniciados comuns, vivíamos em abrigos, o governo nunca aceitou nossa área de certa forma.
— Que confuso
— Vou melhorar, existem os médicos que tratam dos reiniciados psicologicamente, como Ally. Os pesquisadores, que procuram o histórico do reiniciado, e tentam ajudar puxando fotos ou coisas significativas do passado. E nós, os localizadores, caçamos os reiniciados que achamos não ter cometido crime algum, claro na base de um grande banco de dados desenvolvido pelo pessoal da tecnologia. Mas no momento explicamos o que esta havendo e os sustentamos com argumentos suficientes para que eles nos ajudem em pesquisas, pelo contrário, há um tratamento de choque.
— Nós os obrigamos?
— Claro que não, pedimos aos pesquisadores na tecnologia descobrir sobre as pessoas em seu circulo familiar, descobrir em quem o reiniciado confia e em quem não confia. Assim que contatarmos com ele pela segunda fez nosso argumento esta ainda mais reforçado e conseguimos o objetivo.
— Parece melhor do que os médicos psicólogos
— Pra falar a verdade, eles são os mais metidos. – Respondeu com um meio sorriso

Ficamos em silencio por um bom tempo, havia se passado horas e já estava escurecendo. Nolan me olhava nos cantos dos olhos e eu sentia sua tensão, não sabia o que queria dizer, mas sabia que não era algo bom.
— O que você tem? – Perguntei sem enrolar
— Não confie no Pietro, sei que anda se encontrando com aquele grupo, sei que ele faz pesquisas com os reiniciados. Mas ele nunca foi um de nós, sabemos o quanto ele atrapalhava nossas pesquisas fazendo os reiniciados se lembrarem pelo método mais doloroso.
Fiquei confusa, Pietro poderia ser um medico comum, ou um agente do governo, não com certeza não. Ele odiava o governo, mas pra que ele queria as memórias de Sofia e Dimitri.
— Já disse algo das suas memórias à ele?
—Não, nunca fiz testes nenhum com ele.
— Então por que ir lá?
Dimitri. Foi a primeira coisa que veio a minha mente, talvez Nolan conheça Dimitri e saiba que eu estava em seus sonhos.
— Eu iria começar a fazer os testes, mas antes Dimitri, um garoto do grupo, pediu para me contar os resultados dele.
— E quais foram?
— Ele se lembra de mim, de alguma forma se lembra de mim
— Não pesquisei sobre ele, preciso prestar atenção sobre isso, quem estava mais com vocês?
— Pietro, Lisa e Theo que são os ajudantes nas pesquisas. Sofia e Dimitri, os reiniciados, e eu.
— Pietro sabe que Dimitri te conhece?
— O Dimitri não se abriu com ninguém antes.
Nolan me olhou com uma mistura de magoa e confusão.
— Precisa ir, esta ficando tarde.
— Tudo bem.
Nolan me levou grande parte do caminho em silencio, seu rosto transpirava uma turbulência de pensamentos. Assim que cheguei em casa Nathan estava assistindo TV, mamãe estava no banho e aproveitei a chance.
— Por que disse que o Pietro não era confiável?
— Ele tem histórico de maluco da escola
— Como assim?
— Não sei direito, mas dizem que ele já fez uma reiniciada de cobaia para experiências maldosas, algo do tipo.
Meu corpo se endureceu, talvez fosse Sofia, ou alguma outra menina. Pra que ele fazia isto?
Subi para o meu quarto e sentei no chão para acariciar Nala. Não há nenhum sentido Pietro fazer pesquisas sem utiliza-las em algo, ele estava escondendo algo maior. E havia Ally, que estava com Henrique sabe-se lá fazendo o que. Tinha medo do que poderia acontecer a ele, mas como Nolan disse, ela não machucaria ele.
De repente tudo fazia sentido, Nolan tinha dito que Ally não trabalhava sozinha, e Pietro faz pesquisas sem sentido algum, era claro. Precisava contar a Nolan. Enviei uma mensagem dizendo para ele vir a minha casa mais tarde, assim que todos dormissem.

Passaram-se horas assim que todos dormiram, Nolan chegou rápido como se já estivesse esperando, mas desta vez não veio apé, veio em um grande carro preto e estava com os faróis desligados. Desci para encontra-lo.
— Ola
— Vamos sair da frente da sua casa.
— Tudo bem
Seguimos por ruas e mais ruas até ele estacionar ao lado de uma rua quase deserta. Ele estava com um jeans escuro e uma camiseta preta, que quase camuflava a nossa iluminação. Seus cabelos estavam bagunçados mas de um jeito bonito, os tons claros faziam um brilho assim que os faróis de algum outro carro passava.
— Sei que estou detonado, mas precisa encarar assim?
Virei imediatamente com vergonha
—Desculpe.
—Eu estou só brincando, já me viu de jeitos piores
Pensei como seria esse jeito mas desisti e foquei no que iria dizer a ele.

— Você me disse que não era possível Ally trabalhar sozinha, e se Pietro trabalhasse para ela?
— É claro, faz todo o sentido, como não pensei nisso? Você é incrível Lie.
— Lie?
—Era assim que eu te chamava, não se lembra não é? Você nunca gostou de Nat.
— Lie é bonitinho
— Pietro trabalha para Ally, assim ele recrutou Dimitri, que trabalhou conosco por um tempo, ele era novato, quase não lembro dele, mas assim que pesquisei sobre ele me lembrei. Seu nome era Jake, Jake Sullivan, chegou dois meses antes de nós sermos atacados. De alguma forma Ally o encontrou, e o enviou a Pietro para coletar informações sobre você e aonde você poderia estar. Assim quando você chegou ao colégio pediu para Pietro ser seu amigo, jogar uma isca, que você mordeu, assim Ally descobriu seu paradeiro e foi atrás de Henrique. Ele deve te vigiar, deve ter mais pessoas com ele, provavelmente Ally sabe sobre nós.
— Eu recebi um papel, dizendo para eu me lembrar, devia ser dela?
— Era outra forma de isca, para você contar sobre mim, mas eu não tinha falado com você ainda, assim não serviu de nada. Preciso ficar com você e colocar mais gente para descobrir mais sobre isso. Não sabemos os planos deles, e eles não saberão o nosso.
— Nosso?
— Preciso ir ao seu baile com você
— Meu baile?
— Sim, vou colocar gente para descobrir algo, se eles já sabem de mim, para que me esconder, apenas vou dar a isca para Pietro ir correndo contar a Ally
— Amanhã a noite te buscarei, irei ao Baile de Mascaras com você.
— Tudo bem, e no que eu posso ajudar?
— Faça Dimitri estar ao nosso lado, descubra tudo que ele disse a Pietro e faça ela não contar mais nada.
***

Cheguei na porta da minha casa, Nolan e eu conversamos sobre coisas comuns para descontrair o peso do momento, eu precisaria tomar mais cuidado e descobrir o maximo possível de quem estava a minha volta.
— Me desculpa por hoje – Nolan disse
— Pelo que?
— Fiquei confuso e tentando organizar os pensamentos sobre tudo isso, não é algo fácil pra mim.
— O que não é fácil para você?
— Te fazer lembrar, eu mal sabia te responder de forma adequada, estou indo rápido demais
— Esta tudo bem, eu vou ficar bem
— Eu sei que vai, mas todos os dias, quando eu acordava para ajudar desconhecidos a se lembrarem, eu tinha você, era você quem me acalmava e me fazia colocar tudo em ordem, depois que você se foi... – Disse com lagrima aos olhos
— Eu não fui a lugar algum, ainda estou aqui, só estou um pouco mudada, você vai me fazer lembrar
Antes de eu terminar o meu discurso de consolação para Nolan, ele se aproximou e me beijou, seu toque era suave e seus lábios macios e leves, coloquei minha mão em seu rosto passando por seus cabelos. Seus dedos roçavam minhas costas até o fim do meu cabelo. Assim que ele me soltou senti um aperto, como se não quisesse largar mais. Não queria ficar sem ele. Como um turbilhão memórias vieram em minha mente, seu beijo despertou lembranças antigas ao seu lado. Nós nos conhecemos ainda novos, nossos pais eram amigos, e assim seguimos quando eles morreram. Vivemos juntos até eu desaparecer, o brilho nos seus olhos eram fortes naquelas lembranças. Assim que abri meus olhos, vi aquele brilho voltando levemente.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.