Redenção

26 Capítulo 25 - POV EDWARD


Notas iniciais
Em primeiro lugar quero agradecer á todos os reviews....muito obrigado mesmo, de coração!
Algo diferente pra vocês hoje....
Espero que gostem...

POV EDWARD


DEVASTADO.


ARRASADO.


DESTRUÍDO.


Esses sentimentos agrupados junto com dor e arrependimento eram os únicos que povoavam minha alma.


Eu fora um idiota, um tremendo imbecil...


Perdi á única mulher que eu amei graças á um sexo sujo e fácil.


Eu ainda não me conformava em ficar longe da minha pequena, e mesmo após quase uma década, era por ela que meu coração trepidava.


Hoje de volta á minha cidade natal, á primeira coisa que eu fiz foi ir aos lugares aonde a gente ia.


As praças, o parque, a Starbucks, o cinema, á clareira....


Eu dirigia por toda a Cardiff tentando relembrar todo aquele tempo, minha mente traiçoeira revivia cada hora vivida ao seu lado.


Uma segunda chance.


Era só isso que precisava.


Eu sabia de cor o número do telefone dela, às vezes eu ligava do meu celular em modo privado única e exclusiva para ouvir sua voz. Mas ela deve ter cansado de receber ligações de um idiota que não falava nada e resolveu trocar de número. Quase pirei por não poder ouvi-la mais.


Lembrava-me também que ela não tinha uma cor favorita, pois segundo ela, seu gosto mudava todo dia dependendo do clima e do seu humor.


Lembro-me bem de todos os seus sorrisos.


Aquele que ela forçava quando uma situação não lhe agradava....


Aquele que saia naturalmente quando sua música predileta soava no rádio...


Aquele que ela dava quando mencionava á sua família...


Aquele irônico que ela reproduzia muito bem quando tinha aprontado algo....


E tinha aquele que ela dava toda vez que nos encontrávamos...


Era um sorriso gostoso, singelo, através dele eu sentia todo o amor que ela tinha por nós dois.


Sim, ela amou o suficiente por nós dois...


Lembro-me com exatidão cada centímetro do seu corpo, minha palma queima em antecipação para sentir novamente aquela pele macia e sedosa.


Aquele corpo era o meu paraíso....


Trazia em minha mala o mesmo shampoo que ela usava, com o cheiro especial de morangos...


Eu fazia questão de deixá lo sempre comigo, e quando á saudade tornava-se insuportável, eu recorria aquele aroma que me inebriava fazendo assim, com que minha mente perturbada recriasse cada momento vivido com ela.


Á noite era sempre á hora mais cruel, pois abraçando meu travesseiro, eu lembrava inconformado de tudo àquilo que tive, entre minhas mãos, e eu deixei escorrer...


Porque eu errei tanto?


Hoje faz quase 3.653 dias que não nos vemos, faz dez anos que nossos olhos se cruzaram pela última vez.


Não houve um único contato desde o dia em que ela pedira que eu seguisse com minha vida e a deixasse em paz.


Eu juro por tudo o quanto é sagrado nesse mundo, que se não fosse pelos conselhos de Jacob, eu já teria á procurado á muito tempo.


Sim, Jacob me aconselhara...


Assim que saí do hospital, após ter entrado em choque ao saber da noticia da gravidez e da perda do meu filho com Bella, Jacob havia me procurado e implorado para deixar Bella em paz.


Eu relutei, briguei, xinguei, mas no fim, eu perdera, pois eu tive que escolher....


Eu não era confiável para ela, Jacob tinha deixado isso bem claro pra mim.


Então eu á deixei.


Á deixei por amá la demais....


Eu precisei desistir da única chance que eu teria para ser feliz, para fazê-la feliz.


Se eu me arrependo?


Todo ano, todo mês, todo dia, cada hora, cada segundo, cada batida do meu coração....


Eu deveria ter imaginado que assim que eu deixasse o caminho livre, aquele cachorro do Jacob partiria pra cima.


E foi o que ele fez, fora mais esperto que eu, levando a para longe dos meus olhos.


E então veio á noticia que meu coração jamais superou...


Ela estava novamente grávida. Mas desta vez, o pai não era eu....


Como eu poderia lutar contra isso?


Jacob estava fazendo à feliz.


Deu á ela, uma nova vida, uma nova casa, um novo filho.


Se eu não tivesse sido fraco, covarde, eu á teria feito enxergar que o fato de Tânia estar grávida de mim, isso não queria dizer que eu me casaria com ela.


A única mulher que carregaria uma aliança minha no dedo anelar da mão esquerda seria ela.


E foi o que eu fiz....


Pois assim que Bella partiu, eu entrei em profundo estado depressivo.


Tranquei a faculdade, voltei para a casa dos meus pais, e voltei a beber....Foram longos dois meses assim.


E num desses dias a mãe da Tânia me procurou, dizendo que ela iria abortar, pois não tinha nenhum interesse em carregar uma criança que segundo ela só serviria para deformar seu corpo.


Eu literalmente surtei...


Como ela podia?


Enquanto á mulher da minha vida perdeu o nosso filho em um acidente porque não suportou a dor em saber que eu tinha engravido outra, á vadia queria simplesmente abortar?


Eu não iria permitir.


Era o meu filho que ela carregava.


Saí do meu estado pejorativo e resolvi agir.


Procurei por Tânia em Londres, e após longos dias de discussões e brigas, ela concordara em apenas dar á luz, mas não queria nenhum tipo de vínculo com a criança, pois como ela mesmo afirmara, após passado o estagio da gestação, ela iria embora para os EUA, mais especificamente em New Haven- Connecticut onde manteria residência fixa e terminaria seu curso na universidade Yale na Ivy League.


Não perdi meu tempo contestando nada, meu mundo girava em torno das lembranças “dela” e do meu futuro filho ou filha.


Em todas as consultas eu estive presente, e em todas as ultrassons ela se recusava á saber o sexo do bebê.


Para mim tanto fazia, o que importara , era que seria meu...


Foram longos sete meses até o dia em que meu coração voltara sentir felicidade.


Eu teria outro motivo para sorrir agora, pois meu filho viera ao mundo saudável em seus 3, 500 kg, seus 51 cm, sua pele branca e translúcida, suas lindas bochechas rosadas e impressionantes olhos verdes.


Thomas Denalli Cullen.


Sim, eu fizera questão de registrá lo com o sobrenome da mãe também, pois quando ela o viu, percebi em sua reação que ela não estava preparada para todo aquele sentimento materno.


Ela o pegou no colo, acariciou seu ralo cabelo loiro e o beijou na testa.


E logo em seguida ela partiu com a promessa de visitá lo sempre. Nesse dia eu me lembrei “dela”, era para ser ela ali, deitada naquele leito, beijando e abraçando o nosso filho, com certeza ela estaria chorando e eu estaria ao seu lado abraçando-a e velando por ela e por nosso filho.


Eu não negaria ao meu filho o sobrenome da mãe dele, pois afinal de contas, eu devia muito á ela somente pelo fato dela ter carregado meu anjo precioso durante os nove meses. As portas da minha casa estariam abertas para quando ela quisesse vê lo. Fora uma ruptura sem traumas, afinal Tom era só um bebê, e eu teria amor suficiente para ele.


Dois anos havia se passado e nada de Tânia aparecer, eu me comunicava com ela por e-mails e sempre mandava fotos novas do nosso filho, as respostas eram sempre as mesmas: Como ele está lindo!


Minha mãe se tornou á avó mais coruja do mundo, sempre procurava estar presente na criação dele, assim como meu pai, meus irmãos Emmet e Alice e seus respectivos pares, Jasper e Rosalie.


Era inevitável lembrar-me “dela” toda vez que nossa família estava reunida, mas Emm e Rosie, essa última havia se tornado uma grande amiga, foram escolhidos como padrinhos dele, estando assim sempre presentes.


Eu havia feito um trato com Rosie e Alice, não era permitido na minha casa ser falado o nome “dela” e nem nada que envolvesse sua nova família. Eu bem sabia que ela estava imensamente feliz e que teria dado á luz á uma menina que segundo alguns cochichos pela casa, era uma menina linda. Pelo menos aquele cachorro havia feito um bom trabalho, cuidando-a e a fazendo feliz.


Tom crescia rápido, hoje com seus nove anos já era muito paquerado na escola. Eu ria com o tanto de cartinhas de meninas apaixonadas que ele recebia, mas diferente de mim, ela não ligava. Sempre fora um garoto focado em seus estudos e seu único entretenimento era fincar em uma ferrada partida de vídeo game acompanhado do seu tio Jazz e seu tio-padrinho Emm.


Eu só assistia aquelas travessuras, na verdade eram três crianças que brincavam esparramadas no tapete da minha sala, nessas horas me sentia estranhamente como a mãe deles, era assim que Emm me apelidara.


Mamãe Ed.


Eu ria, quando eles estavam aqui conosco, na verdade eram raros os momentos que eu conseguia rir novamente, e esses momentos meu filho sempre esteve envolvido.


Emm não se conformava que eu ainda não tinha refeito minha vida, ele e Jazz diziam que eu precisava de uma presença feminina na minha vida e na vida de Thomas.


Um dia Jazz brincou que meu primogênito precisava urgentemente de uma mamãe, e eu o corrigi rapidamente. Thomas não era meu primogênito, meu primogênito havia decidido morar um tempo á mais no céu. Era assim que eu encarava á perda do meu filho com “ela”, mas nunca, em nenhum momento eu o esquecera, que mesmo que por poucos dias ele habitou o ventre da mulher que eu tanto amei e ainda amo.


Eu jamais tivera outra mulher, às vezes um encontro ou outro, mas nunca passava disso, eu tinha coisas demais para me preocupar, era o hospital que eu estagiava, a casa que eu cuidara, as empregadas que me auxiliavam na criação do meu filho, a escola dele, as aulas particulares que ele fazia, uma era por insistência minha, aulas de piano, e a outra era caraminholas que o padrinho dele enfiava na sua cabeça, como aulas de judô e MMA. Ele sempre chegava com um roxo ou outro e nessas horas eu tinha vontade de rachar a cabeça do Emm, mas Rosie havia me convencido que isso era bom para a própria defesa dele.


Assim que voltamos para minha cidade, Thomas estranhou um pouco, mais fora rapidamente se adaptando, uma porque meus pais faziam de tudo por ele, ele também estava mais perto dos tios e dos padrinhos, e também pela primeira vez ele tivera sua paixonite. Eu o matriculara em um curso de defesas pessoais, quase parecido com o que ele fizera em Londres, e na mesma academia que ele freqüentava havia uma menina que fazia algum tipo de aula de dança.


Ele estava encantado com ela, dizia que ela tinha longos cabelos de uma cor parecida com á da tia Alice e seus olhos eram azuis como o céu.


Eu o havia estimulado a começar uma amizade com ela, e então fomos juntos comprar uma linda caixa de bombom para ela.


Mas naquele dia ela não fora para a academia.


Tentei conforta lo, dizendo que no outro dia ele poderia vê-la. Mas não pude ficar muito com ele, pois um chamado urgente na emergência do hospital de Cardiff que hoje eu trabalhava fez com que eu saísse rapidamente de casa, o deixando com minha mãe.


Chegando á emergência, me deparei com um caso de uma menina que deveria estar na casa dos seus seis ou sete anos, que havia chego desacordada ao hospital, após reclamar de fortes dores na cabeça.


Estabilizei a pequena que tinha a mais pura face de um anjo e suspirei pesadamente ao encarar os primeiros relatos da emergência e ao compara los com os recentes exames.


Ela era muito nova para encarar isso tudo.


Pedi exames mais completos e nesse meio tempo a pequenina acordou.


–Olá bonequinha – eu disse me aproximando do seu leito.


–Oi – ela sussurrou timidamente.


–Posso saber o nome dessa princesa? – perguntei dando á ela um singelo sorriso.


–Princesa Sophie – ela disse fazendo um gesto de reverencia com a própria mão – E o seu? Você é um príncipe? Eu estou em um castelo? – suas perguntas fora jorrando aos poucos.


Percebi o quão confusa ela estava, e se meu precoce diagnóstico estivesse correto, caso esse que eu torcia para que não, essa confusão seria cada vez mais freqüente.


–Sim a Srta está no meu castelo agora – eu disse pegando sua diminuta mão – Meu nome é Edward – beijei sua mãozinha – Príncipe Edward á seu dispor milady Sophie.


Ela riu gostosamente, sua risada era como sinos e ao reparar melhor em seu rostinho percebi o quanto ela me lembrava alguém...


–Dr. Cullen, a mãe da pequena Sophie já está lhe esperando em sua sala – disse Kate, uma das enfermeiras da emergência.


–Já estou indo – eu disse já indo em direção á porta – E Kate – eu disse voltando os olhos para a mulher a minha frente – Providenciem um quarto para a menina, ela ficará internada por tempo ainda indeterminado – assim que conclui girei sob os calcanhares e saí.


Andei á passos lentos em direção á sala de exames, eu precisava dar ordens especificas para o exame de Sophie ser realizado.


Assim que falei com a equipe de tomografia dirigi me ao meu consultório analisando ainda os primeiros exames daquela pequena criança e tentando em vão encontrar as melhores palavras para falar com a mãe.


Empurrei a porta levemente com o pé, pois ainda carregava a prancheta com os relatórios do dia e os exames da Sophie e arfei ao ver de costas para mim uma mulher observando meu aparador de fotos.


Delicadamente e sem fazer qualquer barulho, depositei minhas coisas sobre a mesa e meus olhos percorreram sem querer a ficha da minha paciente.


Sophie Swan Black.


Swan e Black no mesmo nome? Isso só poderia ser uma coincidência.


Não era possível.


Isso não poderia estar acontecendo, confesso que eu amaria ter a chance de vê-la novamente, mais eu não queria ser aquele á dizer que sua filha estava muito doente...


Então a pequena bonequinha que eu acabara de consultar era...


Não....


Ela era filha “dela”?


Cruzei meus braços avaliando melhor aquela moça.


Definitivamente era “ela”.


Eu reconheceria á quilômetros aquele cabelo, longo e levemente ondulado nas pontas e de uma cor marrom estonteante. Aquele corpo...


Bella seria a mãe de Sophie.


Meu Deus....


Será que ela sabia que eu era o médico que estava cuidando da sua filha?


Deveria saber afinal ela estava em minha sala, e encarava as fotos do meu filho.


Escutei uma fungada e meu coração se apertou ao notar que ela estava chorando.


–Esse é Thomas — eu disse em uma tentativa infantil de chamar sua intenção............


Notas finais
E aí?
Mereço reviews??