Notas iniciais
hélou, cá estou eu -mesmo com pouca review-q postando o cap. lindo feito na aula de php -se eu repetir a culpa é de vcs u.u boa leitura

Caminhava pelo templo. Tudo calmo como antes, mas vazio. Não via nenhum sacerdote e até as arvores e animais pareciam estranhamente calados. Chamou por alguém. Chamou e chamou, nada. Havia vento, embora não pudesse senti-lo. As arvores dançavam com a brisa, mas ela não era tocada. E apenas silencio. Aquilo começou a ser incomodo. Correu pelos corredores de pedra do templo e subiu até a casa principal. O salão também estava vazio e as chamas que ali clareavam vez ou outra se curvavam por uma brisa que não sentia. Os azuis deslizavam de um lado ao outro procurando por algo, alguém, alguma coisa.

Parou no centro do salão, sem rumo, sem ideia. Uma pena negra caiu lentamente. Lin abriu a mão e a mesma acolheu a pena. Tão negra; parecia ter caído de um corvo. Mas no templo não havia corvos. Fechou a mão. Mais penas negras começavam a cair. A princípio algumas, contudo logo se tornavam muitas; nem se quer podia contá-las.

–Você nos condenou – uma voz dita do nada. Não a conhecia

–Ela ainda pode ser salva. Nós podemos ser salvos – a mesma voz fora dita em um timbre mais brando

Olhou de um lado a outro, mas não via ninguém além de si.

–Você pode parar isso – o mesmo tom brando foi aplicado.

Lin deu alguns passos alheios naquele turbilhão de penas negras.

–É tarde de mais pra isso – uma voz soou em seu ouvido – Você nos condenou

Os azuis se abriram. Seu coração estava acelerado e sentia uma sensação horrível. Mas aquilo foi um simples sonho! Sentou-se com uma das mãos sobre o peito. Estava ofegante. E tudo por um simples sonho? Juntou as pernas e então viu a maldita corda presa a um dos tornozelos. Na outra ponta, ele; Lupus. Aquilo sim era um pesadelo.

Mais alguns dias se passaram, não tentou fugir desde então. Estava esperando recuperar as forças e fazê-lo baixar a guarda. Estava bem melhor, mas ele nunca baixou a guarda. Olhou para o rio; andaram em sua margem desde o acharam. Naquele ponto o rio era mais fundo e suas águas pareciam mais negras. O reflexo da lua em sua superfície era lindo. Sentiu-se suja, suada. Precisava de um banho. Retirou as roupas tentando não mexer muito a corda. Entrou na água. A maldita corda podia ser um incomodo, mas era longa o suficiente para dar-lhe um descanso. Banhou-se, se permitindo ficar na água por mais algum tempo, apenas olhando a lua e vez ou outra tentando fazer selos com as mãos. Fitou Lupus, parecia estar dormindo.

Não soube dizer quanto tempo ficou na água, contudo o sol já nascia. Saiu da água e, quando estava colocando suas roupas, sentiu a corda ser puxada. Era de mais pedir um pouco de paz? Lá esta ele sentado, olhando pra ela. Pervertido! Estava apenas sem a parte de cima, colocou-a sobre os seios de qualquer maneira, apenas para tampá-los e se colocou de costas.

–O que você- tentou dizer algo, mas a vergonha lhe tomou e perdeu a voz. Seu rosto corou tanto quanto possível.

Ouviu seus passos e ele passou por ela, indo até o rio. Aproveitou o momento para colocar a blusa.

– Da próxima vez avise – deu de ombros. Como se fosse à coisa mais simples do mundo.

–Pervertido – resmungou mais pra si do que para ele

Apesar do momento constrangedor, ele agiu normalmente; como se nada tivesse acontecido. Isso a aliviou de certo modo, se sentia meio incomodada por aquele tipo de atitude porem. Realmente não significou nada pra ele? Pegou-se pensando em quantas mulheres ele já vira sem roupa. Um pensamento estranho e incomum, mas não pôde detê-lo. Para Lin, uma sacerdotisa que mal tivera contato com alguém fora do templo, aquilo parecia ser o fim do mundo. Nunca vira um homem nu antes. Bom, exceto uma vez. Fora um acidente e por dias se sentiu mal, contudo acabou vendo um dos sacerdotes se banhando na fonte.

Não era uma cena bonita de se ver, muito menos de se lembrar. Aquele era um sacerdote velho, como todos da terceira casa, e seu corpo era enrugado. Só de lembrar, Lin acabou assumindo uma careta. Depois daquilo, parou de ir à fonte sozinha. Mas e ele? Andavam pelas margens do rio, como sempre. As mãos de Lin estavam amarradas, mas desta vez atrás das costas. Método adotado pelo caçador depois da ultima tentativa de fuga. Lupus caminhava a frente dela. Os azuis o encaravam com curiosidade. Aquela maldita questão realmente tomou seus pensamentos.

Quando ouviu sobre os caçadores, o sacerdote frisou o quanto eles poderiam ser ambiciosos, espertos e pervertidos. Ao menos tinha a certeza de que uma coisa; não foi o primeiro par de seios que viu. Aquilo também a incomodou. Era estranho pensar assim. E aquilo começou a estressá-la. Desviou o olhar para qualquer coisa, qualquer lugar, só não queria olhar pra ele.

O tempo se tornou nublado. Uma tarde coberta de nuvens e quase escura; iria chover em breve. Depois de mais algum tempo andando entre arvores, o campo simplesmente se abriu. Arvores não foram mais vistas e a paisagem se transformou em um campo aberto. Um pouco mais a frente havia uma pequena cidade, que mais lembrava uma aldeia. A primeira que vira na vida. Já havia visto algumas figuras, mas pessoalmente era mais linda. Os azuis vasculhavam tudo o que podiam ver daquela cidadezinha e uma pontada de esperança a tomou. Poderia achar ajuda.

Lupus puxou uma faca da cintura, era escarlate e brilhava como se estivesse banhada em sangue. Ele cortou a corda com a mesma e, antes de qualquer coisa, segurou o braço da jovem.

–Se pensar em pedir ajuda, eu mato-

–Não pode me matar – respondeu triunfante

–Não, você não. — a puxou pra mais perto, pegando no queixo dela; forçando-a olhar para a vila – Tenha isso em mente. Naquela cidade, você é a única que eu não posso matar – sussurrou em seu ouvido; fazendo-a se arrepiar.

Engoliu a seco. Não tinha em mente prejudicar ninguém; não queria. Soltou seu rosto, a mão que outrora segurava seu braço, deslizou até a mão da jovem. Ela o encarou, com um misto de surpresa e constrangimento.

–Agora se comporte – sorriu debochado – namorada – corou o máximo que podia.

Nunca tivera um namorado; e nem podia. Lupus fora o primeiro rapaz de sua idade que conhecera e, até o momento, o único. E além de tudo, os sacerdotes do terceiro tempo seguiam votos e, um dos mais importantes, era o voto de castidade. Não conhecia nada sobre os prazeres da carne. Nunca beijara ninguém na boca e mal sabia o que vinha depois. Mas só aquela simples sentença a fizera pensar. Contudo, só depois entendeu a real intenção dele. Iria fazê-la agir como sua namorada, assim ele poderia ficar sempre próximo a ela. As mãos dadas era um simples pretexto para mantê-la junto a si; presa.

Era incomodo, não podia fazer nada porem. E acima de tudo, constrangedor. Ao chegar à cidade viu crianças correndo. Em sua infância não tivera amigos da mesma idade e pouco brincava. Seu olhar seguiu aquele grupinho tão animado que brincava com uma bola. Depois viu homens conversando e mais pessoas. Mulheres vendendo frutas, mais crianças correndo, um homem cortando um pedaço de carne em um balcão e entregando a uma senhora, moças em uma janela ao risos enquanto acenavam para os homens que passavam.

Tudo era tão novo, tão interessante, tão curioso. Olhava de um lado ao outro. A cidade podia parecer pequena, mas para Lin era a maior de todas. E como era movimentada! Esbarrou em um jovem de cabelos negros, era lindo. Lupus já não era o único rapaz que conhecera. Entre tudo e todos, algo a chamou a atenção mais do que qualquer outra coisa. Um casal conversava e, depois de um risinho da moça, se beijaram. Beijo. Lin não sabia a sensação, mas pareceu-lhe boa. Lupus a puxou fazendo andar mais rápido; foi ai que se lembrou do fato de ainda estar de mãos dadas com ele.

Chegaram à frente de algo que parecia com uma hospedagem. Ao entrar, se encontraram em uma recepção. Um jovem atrás de um balcão de madeira os aguardava.

–Sejam bem vindos – disse sorridente.

Era uma jovem linda, cabelos castanhos e um pano que os prendia em um laço. Lupus puxou Lin mais uma vez; desta vez porem, a colocou em sua frente; pressionando-a levemente contra o balcão. O coração de Lin acelerou no mesmo instante e sentiu seu rosto ferver. Nunca ficará tão perto de alguém. Principalmente dele.

–Procuramos um quarto

–Ah, verei se temos um quarto de casal disponível – a jovem funcionaria foi até um livro, deixando-os. Quarto de casal?

–O que pensa que esta fazendo?! — sussurrou entre dentes.

–Apenas escolhendo um quarto para descansar com a minha namorada – aquela maldita palavra ainda lhe causava arrepios

–Eu não sou-

–Temos um quarto disponível. Fica no quinto e ultimo andar, estão interessados?

–Sim – respondeu rapidamente, não deixando Lin fazê-lo.

A recepcionista saiu novamente, desta vez para buscar as chaves

–Não sou sua namorada, cretino – rosnou

Deu uma leve risada. Para ele era uma diversão, algo engraçado; mas para ela era irritante, constrangedor, um pesadelo. E aquele contato. Estavam próximos de mais! Cada segundo que a jovem demorava era um segundo de tortura; aquilo se tornava um eternidade. Sentia seu corpo quente, não sabia dizer o porquê porem. A jovem voltou e enfim subiram até o quarto. Era pequeno de mais para um quarto de casal. E a cama mais aprecia uma cama de solteiro. Assim que cruzaram a porta, Lin puxou sua mão e saiu de perto do caçador. Mais uma vez ele pareceu se divertir com a situação.

–Bom, você fica aqui – ele parou na porta, olhando para trás – Nem pense em fugir – seu olhar ficou fixo no dela por alguns segundos, então foi embora.

Ouviu a chave sendo girada, a porta estava trancada. Foi até a janela. Era um pouco alto, mas não hesitaria em pular. Mas pra que? Ele não teria ido tão longe e a cidade era pequena de mais para se esconder. E quanto à floresta? Não duraria meio segundo nela; agora tinha certeza. Abrigo, comida, direção, tudo isso fora estipulado pelo caçador; ele conhecia bem a floresta e sabia sobreviver nela. Quanto a Lin, nem se quer sabia fazer uma fogueira. E além disso, ela quisesse fugir, teria de ter certeza de que ele não a seguiria por um bom tempo. Decidiu fingir estar conformada com a situação. Saiu da janela e foi para o banheiro. Era pequeno, tal como o quarto em si, mas seria o primeiro banho decente que teria em dias.

A água estava quente, perfeita. Deixou-se ficar ali, pensando, sentindo a água cair sobre si. Não saberia quando teria outra oportunidade de tomar um bom banho, então tinha de aproveitar ao máximo. Depois da ducha foi descansar. Acordou no escuro, sozinha. Através da janela, a lua iluminava o quarto e era a única luz que tinha. Sentou-se na cama e notou que ao seu lado tinha um kimono¹. Era lindo, tinha de admitir e aquela roupa que usava estava ha muito surrada. Ouviu o bater rítmico de tambores. Foi até a janela, às ruas estavam cheias, parecia estar acontecendo uma espécie de festa. As luzes da rua tingiam a cidade num misto de cores que Lin jamais vira. Então decidiu se trocar e participar daquilo.

Notas finais
¹ roupinha de segunda classe :3 Obs: colocando uns print maroto no começo dos cap. e bem, todos foram achados pelo titio google, mas em breve colocarei os meus :3 é que não posso usar os meus da Lin pq minha Lin é trevas XD enfim, comentem meus lindos e até a próxima