Notas iniciais
O terceiro cap. sera postado dentro de algumas semanas Espero que gostem :3

Seus pés doíam tanto quanto seu orgulho; tinha ódio. Dois dias se passaram e ambos se resumiram a andar por aquela maldita floresta. Seus pulsos doíam também, ficará tanto tempo com aquela corda amarrada a eles que sentia câimbras nos dedos e alguns estavam um pouco roxos. Tentou fugir na noite anterior, porem fora uma tentativa ingênua. O esperou dormir e achou que essa era a hora certa; ingênua. Mal deu dois passos e o sentiu puxar a corda. No dia anterior também tentara fugir. Em dois dias tentou mais vezes do que pode recordar, todas frustradas.

Ele não parecia sentir sono, fome, cansaço, nada. Mas ela sentia e, somados a isso, ódio, frustração, medo. Odiava se sentir impotente e, mais ainda, ser subjugada por alguém; especialmente alguém que nem se quer conhecia. Rangia os dentes, uma habito involuntário que raramente faz. O fitava enquanto ele andava, estavam mais uma vez perdidos entre arvores e mato. Não, ele não estava perdido; parecia conhecer cada arvore. Os azuis fitavam-no, observando cada gesto, mesmo que sutil. Enquanto isso tentava se concentrar ao máximo, tentaria fugir novamente.

Tentava fazer selos de ar, uma técnica que dominava bem; com o leque. Mas sua arma estava na cintura dele, precisava dele. Observou que, um pouco a frente, havia uma descida aparentemente sutil. Seria ali. Fez um selo pequeno entre as mãos, fazendo a corda desatar um pouco, mas o suficiente para agir. Correu na direção dele, o empurrando para a descida, que se mostrou mais inclinada do que ela havia pensado. Foram rolando entre folhas e terra até que caíram em um pequeno rio que cortava a floresta. O leque cai no mesmo e Lin logo tratou de pegá-lo. Fez um selo entre a corda e as mãos e o fez crescer, fazendo a corda ceder. Já se ergueu em modo de batalha, estava cansada, machucada, suja, mas de nada adiantaria correr.

Já ele levantou-se lentamente; a ele poucos danos foram atribuídos. Apenas algumas machas de sujeira na roupa, nada mais. Já Lin não estava tão bem, por conta de outras tentativas de fuga ela já estava ferida; seu pé tinha um corte, pequeno porem profundo, havia ralado o joelho e seu cotovelo ainda sangrava da ultima fuga, onde o arranhou em um espinheiro. Seu cabelo estava um pouco bagunçado, fazendo algumas mexas caírem em seu rosto e começava a sentir fome. Ignorou tudo isso o máximo que podia. Tinha de ser forte.

O caçador a fitava tranquilamente, aqueles olhos vermelhos; odiava admitir, mas eram lindos e perigosamente hipnotizantes:

–Você não se cansa disso? — sua calma era irritante.

Foi caminhando em sua direção. Foi o suficiente para fazê-la recuar. O que ele tinha e mente?

–Pra trás! — lançou algumas rajadas de ventos, fracas.

Sentiu o pulso latejar e o pé doer. Ele esquivou sem dificuldades e continuou a ir a sua direção. A jovem recuou mais, acabou pisando em uma pedra que, para sua infelicidade, penetrou justamente no corte que tinha. A dor foi imediata e foi de joelho ao chão. Ainda com o leque erguido, tentou desferir mais um golpe, contudo ele a parou; segurou seu pulso e o apertou. Foi o suficiente para ela deixar o leque cair.

–É inútil – ele disse por fim

Cerrou o punho; tinha ódio. Tentou acertá-lo com um soco, mas ele também a parou. Ela o fitava com ódio. Nunca havia odiado tanto alguém na vida; e mal sabia seu nome. Arquejou quando ele apertou seus pulsos, estavam roxos por conta da corda. Desviou o olhar para baixo quando sentiu seus olhos lacrimejarem. O caçador a soltou.

–Levante – ordenou enquanto recolhia o leque caído.

–Eu não consigo – sua voz falhou.

–Disse pra se levantar – pegou no braço dela

–Eu disse que não consigo! — olhou em seus olhos.

Tinha consciência que estava quase chorando; seus olhos estavam vermelhos e cheios d'água. Agora sentia vergonha alem de tudo.

O sol estava se pondo e os poucos raios que permaneciam refletiam levemente na água do rio. Aqueles olhos vermelhos tomaram um tom estranhamente tentador iluminados pelo reflexo. Pegou-se olhando para seus lábios. Desviou o olhar assim que percebeu. Sentia o rosto queimar, mas se era por vergonha ou por ódio, agora já não saberia dizer.

Sentia o pé latejar e juntava forças para tentar levantar, contudo antes que pudesse o caçador a levantou. Passou seu braço pela cintura dela, fazendo-a se apoiar em seu corpo. Cravou suas unhas no braço dele, propositalmente; não pareceu surtir efeito porem. Era embaraçoso precisar dele para se levantar. Contudo ainda piorou, ele a ajudou a caminhar até a margem do rio. A água batia um pouco a cima de seu joelho e a correnteza era branda. A margem era de um solo arenoso e poucas plantas perpetuavam na mesma.

Lin foi posta no chão, com um cuidado que jamais esperaria da parte dele. A corda foi posta ao seu lado e, pela primeira vez, não foi amarrada a ela. O caçador caminhou até a vegetação afastada da margem e, em segundos, sumiu do campo de visão dela. Uma chance de ouro, se ela não estivesse tão cansada, tão derrotada. Entre xingamentos e lagrimas levantou-se a muito custo e foi mancando até o rio. Limpou-se o máximo que podia e voltou a sentar-se. Estava tão cansada, mal dormira a noite na esperança fútil de poder fugir. E talvez ela pudesse agora; olhou para onde ele fora. Talvez. Mal percebeu quando deitou, foi inconsciente. O sono veio rápido e foi só então que parou de sentir dor.

Quando acordou já estava escuro. Estaria tudo escuro se não fosse à pequena fogueira que havia a sua frente. Na mesma haviam dois pedaços de madeira com uma espécie de ave assando. Sentou-se, ainda tinha os olhos nevoados de sono quando percebeu que o caçador estava do outro lado da fogueira. As mexas douradas estavam soltas, foi só então que percebeu que havia perdido sua presilha. Esfregou os olhos. Mexeu levemente as pernas e já sentiu uma pontada de dor no pé. Resmungou.

Assustou-se quando viu o caçador levantar e ir até ela. Abaixou-se e pegou seu pé. Tentou puxar o pé de volta, contudo não conseguiu. Um olhar por parte dele foi o suficiente para fazê-la parar. Lin ainda estava sonolenta, mas tentou o máximo que podia observar todos os gestos dele. Os olhos vermelhos se fixaram em seu pé, um leve toque na ferida foi o suficiente para fazê-la gemer de dor. Ele a olhou, acabou corando por isso, embora não entendesse exatamente por que.

Sua atenção se voltou ao pé ferido. Tentou tocar a ferida e, novamente, Lin reclamou; tentou puxar o pé, ato que desta vez foi involuntário.

–Fique quieta! — ordenou depois de outra tentativa frustrada.

Segurou o pé com mais força. A albina mordeu o lábio, não queria gemer de novo. Era, de certa forma, constrangedor. Principalmente depois da maneira como ele a olhou. Não sabia dizer, mas era um olhar diferente. Os dedos do caçador mexeram na ferida e, aos poucos, puxava a pedra que ali estava. Os olhos da jovem lacrimejaram; apertou o solo com as unhas e cerrou os olhos. Apesar de tudo, logo passou. Ele apoiou o pé dela sobre seu próprio joelho, rasgou uma das suas mangas e improvisou um torniquete. Um pouco apertado, mas a dor em si já era bem mais tolerante.

–Agora não terá mais desculpas para ser carregada – levantou-se, jogando a pedra ensanguentada no rio. — Coma

–Não estou com fome! — fez birra e, segundos depois, seu estomago gritou.

Um sorriso convencido se formou nos lábios dele. Tão irritante.

–Vai comer. — Voltou ao seu lugar, pegando uma das aves.

A aparência da ave assada era tentadora assim como seu odor. Acabou se dando por vencida, por mais irritante que pudesse parecer. Alem de tudo, precisaria estar forte para fugir dele. Deu uma boa mordida na ave, sem se importar com o quanto poderia estar quente. Gordura escorreu por seus dedos, mas não parou de morder e mastigar como se fosse sua ultima refeição.

–Se tentar fugir de novo, eu arranco seus pés – a voz do caçador a fez se arrepiar.

Foi então que ela percebeu que os olhos vermelhos a fitavam fixamente.

–Preciso de você viva, não inteira – completou antes de dar uma mordida no alimento.

Lin parou de comer, limpou a boca com as costas da mão:

–Por quê? — ele pareceu ignorá-la – Por que precisa de mim?! — insistiu.

–Não é da sua conta

–Você não sabe, não é? Já ouvi falar de vocês, caçadores de recompensa – há muito no templo, um dos sacerdotes lhe ensinou sobre alguns perigos da estrada e, os caçadores de recompensa lhe pareceu os piores. — Cães que perseguem pessoas por dinheiro – ele se limitou a fingir que não a ouvia – É isso que você é! Um cão – disse entre dentes

Tinha ódio dele. Daquele maldito sádico. E ele parecia simplesmente ignorar sua existência. Estava pronta para continuar quando ele a olhou. Não compreendia como aqueles olhos poderiam ser tão hipnotizantes. Olhos vermelhos, ele realmente não era humano.

–Não, eu sou Lupus, seu pior pesadelo.

Notas finais
Agora eu vo la jogar pq sou viciada pra k7 kkkkk reviews são importantes, então não apenas visualizem pessoal, por favor E por fim, se quiser pvpezar, manda nick por mp /.* até ~~