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[- Talvez, se for um desejo pequeno. – respondeu o lobo, passando a língua sobre os dentes.

– Seja meu amigo. – pediu ela. – Cuide de mim, assim como eu cuidei de você. –

O “lobo” arquejou e deu seu olhar mais assustador. – Eu sou um monstro! – gritou.

– E eu sou um lobo. -]

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A pequena foi andando em direção a floresta, seguida por uma procissão silenciosa das pessoas da vila. Por cada casa que o cortejo passava o barulho de janelas fechando bruscamente era mais audível. Cada membro da cidade tinha uma reação diferente, uns olhavam, outros não queriam nem pensar.

Até que enfim chegaram à floresta, densa e tensa pelos pensamentos cruéis de quem ali estava. Karen, ou agora só “alimento” foi instruída á andar até quando seus pés não agüentassem mais para dentro da floresta, e foi isso que ela fez. Só parou quando já havia feito um caminho de poças vermelhas.

Sentou-se na base de uma árvore e graças á sua audição aguçada pode ouvir um barulho de folhas sendo pisadas. – Quem é? – perguntou ao escuro e o escuro respondeu com passos rápidos em sua direção, algo que salivava e tinha no mínimo quatro patas.

Ela se encolheu, não queria morrer, não na escuridão.

Então, poucos centímetros antes da garota o ser parou e caiu, o líquido quente em seus pés era quase similar ao que saía deles. Ela sentiu um cheiro familiar, assim como ouviu a respiração pesada.

– “lobo”? Você o matou? – perguntou, respirando devagar.

– Sim. – respondeu, guardando o punhal na cintura, sua voz era calma, quase apática e grossa, como a do bicho papão.

– O que era? – perguntou estendendo a mão e sendo gentilmente levada no colo.

– Um lobo. –