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[- Não tem medo de mim? – perguntou o “lobo”. – Dizem que eu sou o mal que assombra esse lugar. –

– Não. – disse simplesmente.

Ele arregalou os olhos. – Por que não tem? –

– Por que você é como eu: simplesmente nasceu diferente, e agora tem que pagar por isso. – respondeu.]

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Os dois estavam em um lugar um pouco distante, algo como um acampamento improvisado.

– Obrigada. – agradeceu ela, mordiscando um pedaço de pão.

Ele bagunçou os cabelos da menina e foi andando para longe. – Estou indo. –

– Aonde? – perguntou ela.

– Cumprir a promessa. – respondeu e saiu.

Sozinha, Karen agarrou os joelhos, sabia que a promessa machucaria muitas pessoas, mas não sentia remorso algum. As palavras “monstro” e “sacrifício” rodeavam sua cabeça.

Sua mãe querida, seu pai amado e todos os moradores da cidade seriam reduzidos á corpos sem vida e ela sabia que aquilo iria acontecer por sua culpa.

Não podia fazer nada, era a lei da selva. Eles queriam sua morte, queriam se livrar de morrer pelas mãos de um monstro (que não era monstro), sacrificando a vida de uma menininha. Ela se recusava a ser isso. Recusava-se a ser a presa. Então estava na vez da cidade sentir na pele o que é ser caçado.

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