Recomeço
32 Capítulo 32 - A cura
Notas iniciais
Dean respirou fundo, tentando manter a calma, mas não adiantou muito. Então, perguntou irritado mesmo:
– O que você perdeu?! O que você perdeu, Natalie Jones? Você perdeu completamente o juízo! Foi isso que você perdeu! O juízo! Se é que um dia você teve algum!
– Oh... Certo. Você está chateado porque eu saí do bunker. — deduziu a loira. Em seguida pegou o celular no bolso e supôs — Ou talvez porque eu não vi as suas... 32 ligações. Uau! Nem meus namorados me ligavam tanto, Sr. Awesome. Eu estou impressionada. E lisonjeada até. Bem, de qualquer forma, desculpe, mas eu esqueci o celular no hotel e só vi que você ligou agora há pouco. Mas eu não entendo porque você me ligou tanto, eu mandei uma mensagem avisando que ia sair.
– Você chama aquilo de mensagem?! “Fui caçar” e uma carinha feliz?! — protestou Dean ainda mais nervoso.
– O que você tem contra os emotions? — estranhou a loira.
Dean respirou fundo e resolveu retomar o assunto:
– Onde diabos você estava, Natalie?
– Numa cidade perto daqui. Belleville. Uma graça, por sinal. Você devia conhecer um dia. — relatou ela tranquilamente e em seguida, explicou — Garth me ligou ontem e me passou algumas coordenadas de um caso por lá. Era um fantasma vingativo. Obviamente, eu despachei o desgraçado.
– Natalie... Você não devia ter feito isso... — disse ele preocupado.
– Despachado o fantasma? Mas é o meu trabalho. — estranhou ela.
– Saído do bunker. — esclareceu Dean e um pouco mais calmo, completou — Foi perigoso. Belial e Abaddon ainda estão por aí só esperando uma oportunidade pra nos surpreender de novo. Você podia ter morrido ou sido torturada, ou os dois, se eles tivessem te encontrado.
Natalie encarou Dean um pouco intrigada antes de perguntar com um leve sorriso:
– Não me diga que você ficou preocupado comigo, Sr. Awesome?
O Winchester hesitou um pouco diante daquela pergunta. Queria responder que sim, mas o jeito que Natalie perguntou aquilo o irritou. O irritou porque era a mais pura verdade. Ele tinha ficado preocupado. Mais do que gostaria.
– Como eu ficaria preocupado com qualquer um. — mentiu ele e depois, completou — Além disso, saindo daqui você colocou em risco a localização do bunker. Mesmo Abaddon e Belial não tendo cruzado o seu caminho, alguém pode ter te seguido, Natalie. Talvez algum demônio seguindo ordens daqueles dois diabos.
– Não se preocupe. Eu tenho certeza que não fui seguida. E eu já prometi que sob hipótese alguma, eu vou dizer onde a Batcaverna fica. — garantiu a loira e em seguida, sugeriu — Bem, mas se você quiser conferir se eu sou eu mesma, por mim tudo bem, vai em frente.
Dean encarou Natalie sem entender do que ela estava falando e gaguejou um pouco:
– Co... Como... Assim?
– Você sabe muito bem, Sr. Awesome. — respondeu ela sem entender por que Dean estava tão estranho. Mesmo assim resolveu lembrá-lo — Água benta, faca de prata, os testes. Eu saí do bunker por um dia. Você precisa confirmar se eu não sou uma impostora, um metamorfo, ou se eu não fui possuída, o que seria meio difícil já que eu tenho uma tatuagem contra possessão, mas nunca se sabe, enfim, essas coisas.
Dean pensou um pouco enquanto olhava nos olhos da garota e então dispensou:
– Eu não preciso fazer teste algum. Eu sei que você é você, Naty.
Natalie franziu a testa e disse um pouco impressionada:
– Isso foi... Legal, Dean. E estranho. Sabe, a ideia de que você já me conhece tão bem assim me dá arrepios. Mas sabe o que é mais estranho? Hoje, enquanto eu tomava o meu café numa lanchonete, eu me lembrei de você.
Desta vez foi Dean que sorriu levemente e perguntou com certa satisfação:
– Então você está dizendo que andou pensando em mim?
– Sim. Não! Eu quero dizer... Pois é. Como eu disse, foi estranho. — atrapalhou-se a garota e depois continuou num ritmo acelerado — Bem, mas o fato é que eu estava lá, tomando meu café, comendo minha torta quando eu lembrei "O Sr. Awesome ia gostar disso" e então eu resolvi trazer um pedaço pra você. — e depois de empurrar uma das sacolas na direção de Dean, acrescentou — É toda sua.
– Torta... — murmurou ele olhando feliz para o interior da sacola — Você trouxe torta pra mim... O Sammy sempre esquece... Obrigado, Naty. — agradeceu Dean tentando disfarçar que tinha ficado mexido com aquele gesto o fazendo até esquecer daquela discussão.
– Não por isso. Ah! E obrigada também. Você sabe... Por se preocupar comigo. Como você se preocuparia com qualquer outra pessoa, é claro. — retribuiu Natalie.
– Não por isso. — respondeu Dean a olhando de um jeito diferente por um breve instante.
Em seguida, Natalie começou a caminhar na direção do bunker e sorriu sem que Dean visse. No fundo, tinha gostado de saber que Dean se preocupava com ela.
– Bem, pelo menos agora eu sei que quando eu for caçar de novo, na volta eu tenho que trazer torta pra te acalmar. — disse ela.
Dean revirou os olhos e a seguiu enquanto esclarecia:
– Sobre isso, lamento informar, mas não vai ter próxima vez, Naty. Enquanto nós não resolvermos a questão dos Cavaleiros do Inferno, você não vai sair do bunker de novo.
– Veremos, Sr. Awesome. — ameaçou a loira.
– Veremos, Naty. — imitou ele.
Ela respirou fundo, tentando manter a calma, mas não adiantou muito. Então, perguntou irritada mesmo:
– Você vai me dizer o que eu perdi ou não?
– Dá pra parar de falar como o Garth? É estranho. — reclamou Dean antes de abrir a porta.
Sam e Claire estavam perto da escada. Ela ia subir para o quarto, mas ele resolveu retomar a conversa do carro:
– Claire, você precisa me dizer de onde eu te conheço.
A garota o encarou hesitante e depois olhou para Dean e Natalie que estavam entrando.
– Eu não posso perguntar "O que eu perdi?", eu não posso falar "Awesome". Dean, dá pra você me dizer o que eu posso falar exatamente que não te aborrece? — reclamou a loira.
Dean a observou por alguns instantes e deixou escapar:
– Que saudade do som irritante da sua voz.
– O quê? — estranhou Natalie franzindo a testa.
– O quê? — repetiu Dean arrependido por ter dito aquilo.
Sam pigarreou e os dois olharam para ele e Claire logo adiante. Dean aproveitou para mudar rapidamente de assunto:
– Que bom que vocês estão aí. Nós precisamos conversar. Vocês perderam muitas coisas por causa do encontro.
– Não foi um encontro. — esclareceu Claire descendo o degrau que havia subido e olhando para Sam por um momento.
– Claro que não. Quando for um encontro, vocês só vão voltar uma semana depois. — brincou o Winchester mais velho.
– Dean! — repreendeu o mais novo.
– Não liga pra ele, Sam. — aconselhou Natalie e em seguida olhou para Dean e provocou — O Sr. Awesome só está um pouco nervoso porque sem querer acabou admitindo que sentiu saudade de mim. Mas sabe de uma coisa? Eu também senti sua falta, Dean.
– É mesmo? — surpreendeu-se ele.
– É, falta de implicar com você. Eu posso dizer que se tornou o meu hobby favorito. Mas não se preocupe, agora que eu voltei, eu vou recuperar o tempo perdido. — completou ela sorrindo com deboche.
Dean ia se exaltar quando Claire pigarreou e sugeriu:
– Que tal vocês recuperarem o tempo perdido depois?
– Tanto faz... Bem, venham comigo. — disse Dean e em seguida foi até a sala principal e sentou à mesa.
Logo, os outros sentaram também. Então Dean colocou a torta em cima da mesa e pegou talheres descartáveis dentro da sacola. Depois ele passou os olhos pela mesa procurando o diário do pai que havia deixado ali momentos antes. Olhou para o chão e o encontrou caído e aberto próximo ao pé da sua cadeira. Abaixou-se intrigado e o pegou.
– Algum problema? — estranhou Natalie.
– Quem derrubou ele? — perguntou Dean olhando em volta e lembrando que ultimamente o diário do seu pai estava caindo muitas vezes no chão.
– Nós acabamos de chegar, nem chegamos perto da mesa. — esclareceu Sam indicando ele e Claire.
Dean ficou alguns instantes em silêncio. Lembrou que todas as vezes que o diário caiu no chão, ele tinha falado com Natalie momentos antes, ou pensado nela, ou sonhado com ela. E Dean tinha a impressão de que o diário sempre caía aberto na mesma página. Mas ele nunca parou para ler. Não entendia porque só agora tinha percebido isso, mas era como se o diário quisesse mostrar alguma coisa para ele. Não podia ser apenas coincidência.
Todos olhavam para Dean sem entender porque ele estava tão intrigado com o fato do diário ter caído no chão. Então ele resolveu marcar a página para ler em outro momento. Em seguida, fechou o diário e sentou-se.
– Breaking News! — anunciou ele e depois de comer o primeiro pedaço da torta, contou — A Mia descobriu que o Crowley está na masmorra.
– Quem é Crowley? — não entendeu Claire.
– É um demônio que tem um passado turbulento com a Mia. Com todos nós, na verdade. Ele também era o Rei do Inferno. — explicou Sam.
– Vocês tem um demônio na masmorra? — surpreendeu-se ela.
– Vocês tem uma masmorra? — surpreendeu-se Natalie. — Legal! Eu posso ver?
– Não. — respondeu Dean e em seguida comeu mais um pedaço da torta e continuou — Obviamente, a Mia odiou saber disso. Mas isso não é tudo. O Crowley disse que o corpo dela está rejeitando a transformação por causa do sangue dele e que o único jeito de parar isso é curando a Mia do vampirismo. Crowley sabe como curá-la. O sangue do Cas é um dos ingredientes. Mas em troca, ele pediu a própria liberdade. Claro que eu não aceitei e então ofereci a chance dele continuar vivo. Se ele não concordar, nós o entregamos para Abaddon.
Natalie e Claire estavam assimilando o fato de Mia ter sangue de demônio no corpo. Elas não sabiam daquele detalhe. No entanto, elas não se importaram muito com isso. Mia era meio maluca, mas era uma boa pessoa independente de qualquer coisa.
– E a Mia? O que ela pensa disso tudo? — quis saber Sam.
– Ela admitiu que quer a cura. Ah! E ela e o Cas estão brigados no momento. — respondeu Dean.
– Na verdade, eles já fizeram as pazes. — corrigiu Kevin entrando na sala com uma expressão estranha.
– Como você sabe? — quis entender Dean.
Kevin sentou à cabeceira da mesa e contou um pouco constrangido:
– Eu vi o Cas saindo do banheiro enrolado numa toalha.
– Isso não diz muita coisa, Kev. — estranhou Dean.
– E logo depois a Mia saiu também. Enrolada em outra toalha. — acrescentou o profeta ainda em choque.
– Isso diz muita coisa. — corrigiu Dean.
Rapidamente, Sam retomou o assunto:
– Ok, mas o que o sangue do Cas tem a ver com isso? Por que ele pode curar a Mia?
– Porque além de coelhos, os dois são almas gêmeas. E o amor verdadeiro pode curar qualquer maldição. Palavras do Crowley, não minhas. — explicou Dean.
– Almas gêmeas? — repetiu Sam e sem perceber olhou discretamente para Claire que também o olhou naquele momento.
– Almas gêmeas não existem. — opinou Natalie fazendo todos olharem pra ela, especialmente Dean.
– Você acha que não? — indagou o Winchester mais velho.
– Bem, eu pelo menos nunca encontrei o meu par perfeito por aí. — confidenciou ela e após pensar um pouco, completou — Nem precisava ser perfeito, na verdade. Eu ficaria feliz com alguém que fosse só um pouquinho parecido comigo, que entendesse o tipo de vida que eu levo e, claro, que fizesse o meu coração acelerar pelo simples fato de me olhar...
Natalie parou de falar ao perceber que Dean a olhava de um jeito diferente, como se tivesse compreendido aquelas coisas e gostado de ouvi-las. Inexplicavelmente, o coração da loira acelerou e ela mudou de assunto rapidamente:
– Então... Sr. Awesome, será que você poderia me dar um pedaço desta torta? Ela parece bem mais gostosa agora do que quando eu comi na lanchonete.
Imediatamente, Dean voltou a si e afastou a torta do alcance da loira antes de dizer:
– Não.
Natalie o fuzilou com o olhar e insistiu:
– Por favor. Em nome da trégua.
Dean olhou para o último pedaço da torta e pensou um pouco. Em seguida, o pegou com o garfo e o aproximou de Natalie.
– Abre a boca. — pediu ele e ao perceber que a loira tinha ficado um pouco desconfortável com aquela proximidade entre eles, ameaçou — Se você não quiser, eu vou comer este também.
– Não! Tudo bem, eu quero! — concordou ela.
– Abre a boca. — pediu Dean de novo.
Imediatamente Natalie obedeceu e ele lhe o último pedaço da torta. Ela fechou os olhos diante do sabor delicioso e murmurou:
– Humm...
Sam, Kevin e Claire se entreolharam intrigados diante daquela cena. Estava claro que existia alguma coisa entre Natalie e Dean. Alguma coisa que eles não enxergavam ou não queriam enxergar, mas que quem estava em volta percebia rapidamente. Havia um sentimento crescendo ali.
Sam sorriu levemente e insinuou:
– Vocês sentiram mesmo falta um do outro.
Natalie e Dean se olharam por alguns instantes e a loira mudou de assunto:
– Alguma outra novidade?
– Eu já sei que o Sam e o Dean conheceram o meu pai. E eu... Decidi que vou ser caçadora também. — contou Claire.
– Sério? Legal! Eu posso te ajudar, se você quiser, Claire. — animou-se Natalie.
– Obrigada, é claro que eu quero, Naty. Toda ajuda é bem vinda. — agradeceu a outra, mas em seguida, ressalvou — Mas... Não precisa se preocupar tanto com isso porque na verdade... Eu conversei com o Sam e... Ele vai me ensinar tudo o que sabe também, vai me ajudar a ser uma caçadora de fato, essas coisas.
Natalie observou os dois um pouco desconfiada e em seguida, insinuou:
– Tudo bem, amiga. Eu entendo por que você prefere o Sam ao invés de mim.
Sam e Claire se entreolharam um pouco constrangidos, mas logo Kevin quebrou aquele clima ao perguntar confuso:
– Como assim Sam e Dean conheceram o seu pai, Claire?
– Não só eles, eu também. — ressaltou Natalie e olhando para a amiga, explicou — Você nunca me disse o nome dele, mas nós trabalhamos juntos uma vez, bem antes de te conhecer. Eu descobri há pouco tempo que ele era o seu pai.
Claire sorriu surpresa. Era engraçado como parecia que todo mundo tinha conhecido o seu pai, menos ela.
– Desculpe, Kev. Eu esqueci de te contar, mas a Claire é filha do Bobby. Infelizmente, ele não chegou a conhecê-la. — explicou Dean.
Kevin encostou as costas na cadeira tomado pela surpresa e após assimilar aquela revelação, perguntou:
– A Mia e o Cas sabem?
– Sabemos. O Dean tinha nos contado. — respondeu a vampira chegando na sala acompanhada pelo ex-anjo e ao passar por Claire, disse — Bem vinda ao family business, Claire. Caçar é um saco, a maior parte do tempo, mas é legal e divertido também.
– Obrigada... Eu acho... — respondeu Claire um pouco confusa diante da forma como Mia falava.
Em seguida, ela e Castiel também se sentaram e Dean recomeçou:
– Então, coelhos, o que nós vamos fazer em relação à cura?
Mia pensou por alguns instantes e olhou para Castiel antes de responder:
– Eu acho que o Crowley já teve tempo suficiente pra pensar na nossa proposta e, a verdade é que eu quero descobrir de uma vez por todas como essa tal cura funciona. Então, não que isso me agrade, mas eu acho que nós devemos falar com ele logo.
– Tudo bem, então nós vamos. Hoje o Crowley vai nos dizer como curar você, Mia. — afirmou Dean.
Momentos depois, ele, Sam, Castiel e Mia foram para a masmorra.
– Moose! Eu estava com saudade. — brincou o demônio.
Sam o olhou com repulsa e ordenou:
– Cala a boca, Crowley.
– Vai começar. — resmungou ele.
Enquanto Dean cobrava uma decisão do demônio sobre a proposta que fez no dia anterior, Kevin retomou a pesquisa sobre os Cavaleiros do Inferno e também voltou a trabalhar na tradução da Tábua dos Anjos.
Enquanto isso, Claire foi para o quarto de Natalie. Ela queria conversar um pouco sobre o pai. Queria saber como ele e Natalie se conheceram, como foi trabalhar com ele, como ele era. Quanto mais Claire ouvia as pessoas falando sobre o pai, mais lamentava por não tê-lo conhecido. Mas gostava de ouvir aquelas histórias mesmo assim.
Na masmorra, depois que Dean fez o ultimato, Crowley encarou ele, Sam, Mia e Castiel por alguns instantes antes de dizer relutante:
– Ok. Vocês venceram. Eu aceito esse ultraje que vocês chamam de proposta. Mas que fique claro que eu não estou nada satisfeito com isso e...
– Então, fala de uma vez. Como nós vamos curar a Mia? Além do meu sangue, o que mais é necessário? — quis saber Castiel o interrompendo.
Crowley revirou os olhos irritado com a forma como era tratado ultimamente e em seguida explicou:
– Nós vamos precisar do seu sangue, do sangue do vampiro que transformou a Mia nessa aberração e... Tchan tchan tchan tchan... Do meu sangue. E a Mia vai precisar beber os três. Juntos. Depois que eu misturá-los enquanto pronuncio as palavras do feitiço, é claro.
– O quê? O seu sangue? Não! — relutou Mia indignada com a ideia de ter mais sangue daquele demônio no seu corpo e depois de alguns instantes, disse desanimada — Não importa... Nós não temos o sangue do vampiro que me transformou.
Sam e Dean se entreolharam e o mais novo revelou:
– Sobre isso, na verdade, nós temos sim. Antes de colocarmos o Silas naquele cofre, eu e o Dean pegamos uma amostra... Desculpe não ter contado antes, Mia, mas na época você disse que não queria ser curada. Mesmo assim, nós resolvemos pegar um pouco do sangue dele, se por acaso você mudasse de ideia um dia.
Mia sorriu mais animada e agradeceu:
– Obrigada, Sammy, obrigada Dean. Parece que este dia chegou. — e olhando Crowley com ódio, completou — Embora a ideia de ter mais sangue deste infeliz no meu corpo, não me agrade nem um pouco. Eu até suporto o sangue do Silas, mas o desse aí... Eu vou precisar de um bom sal de frutas depois.
– Desculpe, querida, mas é o que tem pra hoje. — provocou o demônio.
Mia respirou fundo e deu um passo em direção a armadilha, mas Castiel colocou as mãos nos seus ombros a acalmando.
– Calma, Mia. Não entra no jogo dele. Não deixe Crowley te tirar do sério. — pediu o ex-anjo.
– Qual o papel de cada sangue na cura? — quis entender Dean.
– Bem, primeiro, vocês devem pensar na cura como uma espécie de vacina. — disse Crowley e depois, explicou — Digamos que o sangue do vampiro que transformou a Mia é o vírus. Em contato com o sangue dele, o meu reage, produzindo, digamos... Anticorpos. Então o meu sangue rejeita o sangue de vampiro, luta contra ele e o enfraquece. Mas é só o sangue do Cas que pode neutralizá-lo por completo.
– E ele não pode neutralizar o seu sangue também? — interessou-se Mia.
– Desculpe, de novo... Mas não. — respondeu Crowley com certa satisfação e então, esclareceu — O meu sangue estará fazendo um bom trabalho, agindo em conjunto com o do seu ex-anjinho aí. Não tem por que ele ser neutralizado. Ah! E claro, depois que você for curada, o seu corpo vai eliminar a "vacina", o sangue do Cas, do vampiro malvado e até esta parte do meu. Mas aquela outra parte... Aquele sangue que eu fiz os seus pais idiotas beberem e que, portanto, eles passaram para você, vai continuar aí, Mia. Desculpe. Carma é uma droga, não é?
Um pouco decepcionada por não conseguir se livrar do sangue de demônio no seu corpo, Mia respirou fundo e prosseguiu:
– E depois? Os três sangues e o que mais?
– Agora vem a parte que eu mais gosto. — anunciou Crowley sorrindo e olhando para a vampira, revelou — Depois de beber os três sangues, você terá que morrer, Mia.
– O quê?! — indagaram Sam e Dean ao mesmo tempo.
– Morrer? Não! — discordou Castiel atordoado com aquela ideia.
Mia também tinha recebido aquela revelação com surpresa. Mais do que isso, com assombro. A ideia de morrer de novo não lhe agradava nem um pouco. Mesmo assim, ela resolveu manter a calma e perguntou:
– Como assim morrer?
– Pensa um pouco, Mia. Pra virar uma vampira, você precisou morrer com o sangue de um vampiro no organismo. Então para voltar a ser humana, você também vai precisar morrer com o sangue dele. A diferença é que enquanto você estiver morta, o meu sangue e o do Cas estarão agindo no seu corpo, te curando do vampirismo. Mas não se preocupe, o feitiço vai te trazer de volta quando nossos sangues terminarem de te curar. — esclareceu Crowley e depois disse em tom ameaçador — Claro, isso se eu fizer o feitiço corretamente e se eu não estiver mentindo sobre tudo isso. É... Parece que você vai ter que confiar em mim, Mia. Todos vocês, aliás.
Castiel olhou apavorado para ela e discordou prontamente:
– Mia, você não vai fazer isso. Se esse é o único jeito de te curar, você não vai fazer isso! Você entendeu?
– O Cas está certo, Mia. É muito arriscado e nós nem sabemos se podemos acreditar no Crowley. — concordou Dean.
– Se eu não fizer isso, meu corpo vai continuar rejeitando a transformação. E honestamente... Eu não aguento mais passar por aquelas coisas. — lembrou Mia sentindo um nó na garganta ao lembrar das alucinações e das náuseas.
– Nós vamos encontrar outra coisa pra te ajudar. Eu prometo. — garantiu Sam.
– Não existe outra coisa. — cortou Crowley — Você só tem a mim, Mia. Só eu posso te ajudar. Mas você terá que confiar em mim. Que irônico, não? Eu que sempre quis te matar, agora sou o único que pode te salvar.
– Mia, não! — relutou Castiel percebendo que a garota estava mais a favor do que contra àquela ideia — Eu não vou deixar você fazer isso! Você não vai morrer de novo! Não desta vez! Por favor... Não faça isso...
Mia voltou-se para Castiel e segurou suas mãos. Depois olhou em seus olhos e afirmou:
– Eu vou voltar. Como eu sempre voltei. Eu vou voltar pra você, anjo.
– Mia... Não... — implorou ele.
– Você não pode apostar a sua vida nisso, Mia. — disse Dean também preocupado — Você não pode confiar no Crowley. Nós vamos achar outro jeito. Tem que haver outro jeito.
Mia olhou para todos eles atordoada. Uma parte dela acreditava em Crowley, mas a outra estava em constante alerta. Aquilo tudo podia muito bem ser uma grande mentira. Podia ser apenas mais uma jogada do demônio para atingi-la de alguma forma, para matá-la, como tantas vezes ele tentou. Mas o desejo de ser curada, de voltar a ser apenas uma garota com o dom sobrenatural de prever as coisas, era mais forte do que todas aquelas dúvidas.
– Ah! Tem mais uma coisa! — lembrou Crowley de repente e todos olharam para ele de novo — Apenas três pessoas podem matar a Mia para que o feitiço dê certo e ela volte da morte.
– Os três doadores dos sangues. — deduziu Sam.
– Exato, Moose! — confirmou o demônio e depois pediu — Me corrijam, se eu estiver errado, mas o vampiro que transformou a Mia está meio indisponível no momento, certo?
– É... Nós demos um jeito no son of a bitch. — respondeu Dean.
Em seguida, Crowley olhou para a vampira e continuou:
– Então só te resta duas opções, Mia.
Ela olhou para Castiel, mas antes de argumentar qualquer coisa, o ex-anjo esclareceu:
– Eu não vou te machucar, muito menos matar você. Eu não posso fazer isso, Mia. Eu sinto muito, mas nós vamos ter que encontrar outra cura, outra forma de reverter isso. Te matar não é uma opção.
– Não se preocupe, Mia. Você ainda tem a mim para fazer o serviço sujo. — sugeriu Crowley fazendo a garota olhar para ele — E ao contrário do Cas, eu ficaria honrado em matar você. Aliás, nada me deixaria mais feliz do que fazer isso.
Com ódio, Castiel deu um passo em direção ao demônio, mas Mia colocou a mão na sua frente o impedindo e aconselhou:
– Não entrar no jogo dele, lembra?
Castiel se acalmou um pouco e olhou nos olhos de Mia antes de dizer:
– Por favor, me diga que você não está pensando em seguir em frente com isso?
Mia não conseguia responder. Não sabia se Castiel, Sam e Dean ficariam satisfeitos com a resposta. A voz de Crowley interrompeu seus pensamentos:
– Então, quando eu vou ganhar uma cama e o meu uísque?
Dean o encarou e respondeu rispidamente:
– Nunca. Se esta é a cura que você tinha pra oferecer, eu dispenso. E, portanto, nós não temos que te dar nada em troca.
– Isso não é justo! Eu cumpri a minha parte! — protestou o demônio.
– Vamos sair daqui. — disse Dean ignorando o demônio e dando alguns passos em direção à porta.
– Nós vamos encontrar outra cura, Mia. Não se preocupe. — disse Sam e começou a se afastar também.
Logo, ele e Dean saíram da masmorra. Castiel e Mia vieram logo atrás. Porém, antes de passar pela porta, a garota olhou para trás e encarou Crowley por alguns instantes enquanto um sorriso se formava nos lábios do demônio.
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