Recomeço

33 Capítulo 33 - Faíscas


Notas iniciais
Olá, pessoas!!! PRE-PA-RA que agora é hora do show das poderosas... Exorcizamus te, omnis immundus spiritus! Pronto, passou. Bem, depois de tanto suspense, no capítulo de hoje vcs vão descobrir de onde Deanalie se conhecem, teremos diquinhas em relação ao passado do casal Clammy também e teremos um pouquinho de Miastiel pra descontrair o ambiente e Mia dando uma de cupido. Espero que vcs gostem e depois me digam se era isso que vcs imaginavam ou não e o que acharam, ok? O capítulo se chama Faíscas porque veremos muitas faíscas meigas e salientes entre os casais... Divirtam-se!

Havia anoitecido e Sam e Claire estavam sentados à mesa da sala principal do bunker. Eles tinham passado o dia inteiro ali. Enquanto a garota lia o diário do pai, Sam lhe explicava cada caso que estava registrado naquelas páginas, explicava o que era cada criatura sobrenatural descrita ali e como matá-las. Claire não queria perder tempo e, por isso, resolveu começar imediatamente aquela espécie de treinamento teórico para se tornar uma caçadora. Sam concordou, mas em dado momento, ele não conseguiu mais prestar atenção no que a garota estava lendo e ficou a observando discretamente até que ele se lembrou da conversa entre eles na noite anterior e decidiu dizer:

– Minha resposta é sim.

Claire parou de ler sobre um caso envolvendo vetalas e voltou-se para Sam um pouco confusa antes de dizer:

– Mas eu ainda não perguntei nada.

Sam sorriu e explicou:

– Você perguntou se eu quero descobrir o que existe entre a gente. Eu quero. Eu quero muito, Claire. Eu acho que... Há muito tempo eu não quero tanto uma coisa como agora.

Ela o observou por alguns instantes surpresa com a atitude do Winchester e ele percebeu que ela ficou um pouco vermelha ao ouvi-lo dizer aquilo. Então, ela voltou a olhar para o diário e respondeu:

– Então nós vamos descobrir, Sam.

Ele pensou um pouco e argumentou:

– Um bom começo seria você me dizer de onde nós dois nos conhecemos.

– Eu prefiro que você lembre por si só, Sam, como eu lembrei. Ou então que você não lembre. — contrapôs ela.

– Por quê? — quis entender Sam.

– Porque... O passado não importa mais. Vamos encarar isso que... Está acontecendo com a gente, seja lá o que isso for, como um recomeço e esquecer o que passou. — sugeriu ela voltando a olhar para ele.

Sam a olhou intrigado. Não entendia por que Claire se recusava a responder uma pergunta tão simples. Ele ficou imaginando por que ela estava agindo daquele jeito e uma ideia passou pela sua cabeça. Então ele perguntou preocupado:

– Por favor, não me diga que quando eu te conheci, eu fui um idiota com você? Porque se foi isso, Claire, é mais um motivo pra você me contar como aconteceu. Só assim eu vou poder me desculpar... Foi isso? Eu fui um idiota com você?

– Não. Não é isso. — tranquilizou ela e depois de escolher as melhores palavras, acrescentou — Só não era o nosso momento, Sam. Eu acho que primeiro nós tínhamos que passar por outras coisas e experiências antes de você invadir a minha casa e... Eu quebrar aquele vaso na sua cabeça. Eu não sei... Mas eu acho que nós podemos chamar isso de destino, talvez.

– Você acredita em destino, Claire? — quis saber ele enquanto lembrava das coisas que Ezekiel lhe contou sobre o seu futuro ao lado da garota.

– O que eu sei é que eu não acredito em coincidências, Sam. Claro que eu não sou uma lunática que acha que tudo está escrito porque se fosse assim, o livre arbítrio seria uma grande mentira. Mas eu acho sim que alguns encontros e reencontros já estavam determinados de alguma forma... Eu não sei, mas eu acho que algumas pessoas estão destinadas a entrarem nas nossas vidas por algum motivo especial. — explicou Claire e em seguida, perguntou — Você não acha?

Sam segurou uma das mãos de Claire sobre o diário do Bobby e respondeu:

– Depois que eu conheci você, eu tenho certeza que sim.

Claire desviou o olhar para a mão de Sam sobre a sua e a segurou de volta. Seus dedos se entrelaçaram e ela voltou a olhar para o Winchester enquanto seu coração acelerava cada vez mais.

Sam também sentia seu coração bater mais forte enquanto olhava ora nos olhos da garota, ora para a sua boca. Ele queria beijá-la. E desta vez, nada o impediria de fazer isso. Sam não conseguia mais negar o que estava sentindo por Claire e pela primeira vez desde que a conheceu, ele não queria mais negar. Queria ficar com ela. Queria viver aquele sentimento, aquele romance, independente daquilo já estar escrito ou não, era o que ele queria.

Então, com a outra mão, ele segurou o rosto da garota e começou a se aproximar. Claire fechou os olhos e inclinou um pouco a cabeça. Sam fechou os olhos também e se aproximou mais. Encostou sua testa na dela e se aproximou mais um pouco. Seus lábios estavam cada vez mais próximos.

– Vocês viram a Mia por aí? — perguntou Dean entrando na sala de repente, mas ao ver os dois tão perto um do outro, parou um pouco surpreso.

Sam e Claire se afastaram imediatamente e olharam para ele visivelmente constrangidos. Dean também ficou sem graça e disse:

– Desculpe. Eu interrompi alguma coisa?

Sam e Claire se entreolharam e atrapalhando-se um pouco com as palavras, ela respondeu:

– Não! O Sam e eu só estávamos... Estávamos... Conversando!

– Sobre vetalas! — ajudou o Wincheter mais novo.

– É, sobre vetalas! — concordou ela e em seguida, perguntou meio perdida — O que são vetalas mesmo? Oh! Claro! Vetalas!

Claire fechou os olhos por um instante sentindo-se meio idiota por ter se atrapalhado tanto e Sam esboçou um sorriso amarelo.

De repente um silêncio se instalou até que Dean sorriu levemente e perguntou:

– E por acaso, enquanto vocês estavam conversando, sobre... Vetalas, vocês não viram a Mia por aí, viram?

– Não. Ela não está no quarto? Com o Cas...? Ou... No chuveiro, talvez. — sugeriu Sam também se atrapalhando um pouco com a resposta.

– Não. — respondeu Dean um pouco preocupado e em seguida observou o casal e encerrou sorrindo — Bem, mais uma vez, me desculpem e continuem conversando. Sobre vetalas... Eu vou procurar aquela vampira maluca.

Em seguida, Dean saiu da sala e Claire voltou o olhar para o diário do pai. Em seguida, ela pediu:

– Você pode me explicar de novo como o meu pai matou três vetalas sozinho? E aqui ele diz que estava meio... Bêbado naquele noite.

Sam observou Claire e retomou a conversa inicial:

– De onde eu te conheço?

– Sam... — disse ela pensando numa forma de não responder aquela pergunta.

– Ok! Você não quer contar, eu entendi, mas pelo menos me dá uma dica. — propôs ele e quando a garota voltou-se para ele, argumentou — Se fosse ao contrário, se eu tivesse lembrado e você não, você também não ia conseguir deixar pra lá. Eu preciso saber, eu preciso lembrar, Claire. Então me dá pelo menos uma dica.

Claire pensou um pouco e resolveu colaborar:

– Ok... Stanford. 2005. São duas dicas. Onde e quando. Só falta você lembrar como.

Sam pensou por alguns instantes e em seguida perguntou surpreso:

– Stanford? Você estava em Stanford? Na minha faculdade? Sério? Mas... Como?

Claire sorriu e desafiou:

– Você vai ter que lembrar sozinho, Sam. Chega de dicas por hoje. Aliás, eu estou um pouco cansada.

Claire levantou e Sam fez o mesmo. Enquanto ela fechava e pegava o diário do pai, o Winchester ficou repetindo enquanto tentava lembrar como tinha conhecido a garota:

– Stanford... Stanford... Stanford...

Claire riu e voltou-se para ele antes de dizer:

– Você realmente não lembra, não é?

– Desculpe... Mas não. — lamentou ele.

– Tudo bem. Como eu disse, eu entendo por que, Sam. — tranquilizou Claire de uma forma misteriosa e antes de se afastar, desejou — Boa noite.

– Boa noite. — retribuiu ele enquanto tentava entender o que ela quis dizer exatamente com aquilo.

Cada vez mais, Sam tinha certeza de que devia ter sido muito idiota com Claire. Mas pelo menos agora ele tinha algumas dicas. Só precisava lembrar como tudo tinha acontecido e entender por que ele havia esquecido dela. Não conseguia se perdoar por ter esquecido Claire e cada vez estava mais curioso em relação àquela história.

Enquanto isso, do lado de fora, Dean caminhou até o Mustang e bateu no vidro da janela fazendo Mia acordar. Ela o olhou um pouco sonolenta e Dean deu a volta no carro e entrou.

– Posso saber por que você está dormindo aqui? Do lado de fora? No carro? Feito uma sem teto? Não me diga que você e o Cas brigaram de novo? — indagou Dean.

– Não, nós não brigamos. E eu não vim aqui pensando em dormir. Eu só precisava pensar um pouco, ficar sozinha. Mas aí eu acabei pegando no sono. — explicou Mia.

Dean ficou em silêncio por algum tempo e logo deduziu no que Mia queria pensar quando foi até ali. Então aconselhou:

– Você não pode confiar no Crowley, Mia.

– Que outra escolha eu tenho, Dean? — indagou ela.

– Deve existir outra forma, outra cura, algo menos arriscado. — supôs o Winchester.

– E se não existir? — contrapôs a garota.

– Mia...

– Ok, Dean! — interrompeu ela — Eu já sei o que você vai dizer. Eu sei que você, o Cas e o Sam são contra, mas eu ouvi a sua conversa com aquele diabo ontem. E o Crowley disse que o meu corpo vai continuar rejeitando a transformação até um ponto em que eu não vou aguentar mais.

– Ele pode estar mentindo sobre isto também. — quis acreditar Dean.

– Ou dizendo a verdade. — rebateu Mia e depois, continuou — Dean, vocês acham que eu não devo arriscar a minha vida tomando a cura, mas estão se esquecendo de que se eu não tomá-la também vou estar me arriscando. Então, se de uma forma ou de outra, eu posso morrer, por que não arriscar e tomar a cura de uma vez?

Dean pensou um pouco. O que Mia dizia fazia sentido, mas a ideia de que Crowley estava enganando todos eles, o preocupava muito. Então ele se lembrou de uma coisa e resolveu mudar de assunto:

– Mia, você sabe que dia é amanhã?

– Sexta-feira, gênio. — respondeu ela sem entender o motivo daquela pergunta.

Dean revirou os olhos e explicou:

– Não o dia da semana, mas o dia do mês, gênia. — e percebendo que Mia chegava a uma conclusão, ele disse — Pois é, o seu aniversário.

– Não, não é o meu aniversário, Dean. Seria se eu não estivesse morta. Mas quando eu virei um monstro, eu morri, e, portanto, parei de envelhecer. Eu não tenho mais aniversários. — discordou ela.

Dean revirou os olhos de novo e pediu um pouco indignado:

– Dá pra você esquecer, só por um minuto, que é uma vampira e ouvir o que eu tenho a dizer?

– Claro. — concordou a garota.

– Bem, eu estava pensando, em esquecer por um dia, no caso amanhã, toda essa droga de cura do vampirismo, Crowley preso na masmorra, Cavaleiros do Inferno e Tábua dos Anjos e apenas comemorar o seu aniversário. — revelou Dean e em seguida, sugeriu — Tem um bar na cidade vizinha, que toca rock a noite inteira. Eu pensei que seria legal nós irmos até lá e celebrar a vida.

– Celebrar a vida? Dean, eu estou...

– Se você disser morta, eu te mato. — cortou ele e depois ficou pensando em como foi estranho dizer aquilo.

Mia o observou por algum tempo e em seguida, disse:

– Seria legal, Dean, mas eu não estou muito a fim de comemorar no momento. Além disso, eu pensei que nós não podíamos sair do bunker por enquanto. Já que Abaddon e Belial ainda estão por aí e, aparentemente, tramando o fim de todos nós.

– Sobre isso, eu pensei em convidar o Zeke pra festa. Cavaleiros do Inferno não gostam muito de anjos e, portanto, ele pode fazer a nossa segurança no caso de algum imprevisto. — explicou Dean.

Mia pensou um pouco. Por um lado, seria bom esquecer todos aqueles problemas por uma noite, mas por outro, comemorar o aniversário não fazia muito sentido.

– Eu não sei... — murmurou ela indecisa.

– Olha, se não for para comemorar o aniversário, que seja pelo menos para relaxar um pouco, confraternizar com os amigos, encher a cara, cantar no karaokê, se divertir, esse tipo de coisa. — sugeriu o Winchester.

– Karaokê? — repetiu Mia animada — Você disse karaokê? Eu amo karaokê! OK! Eu topo!

– Ótimo! — comemorou Dean — Então, nos vemos amanhã, e vê se volta pro seu quarto logo. Chega de pensar nessa maldita cura por hoje, ok?

Quando ele ia abrir a porta para sair do carro, Mia disse:

– Eu topo, mas com uma condição.

– Que condição? — quis saber Dean.

Mia deu um leve sorriso e respondeu:

– Que você também relaxe, Dean.

– Ok. Eu acho que consigo fazer isso. — garantiu ele estranhando aquela condição.

Foi então que Mia explicou melhor:

– Relaxe, se permita viver o momento e se divirta muito, Dean. E para isso, não implique com a Natalie durante a festa, seja gentil com ela, convide-a para dançar, para cantar um bom rock no karaokê, ofereça uma bebida, converse e a conheça melhor.

Dean franziu a testa e perguntou confuso:

– Que raio de condição é essa, Mia? O que você está sugerindo parece um encontro entre mim e a Natalie. Olha, eu não impedi o Apocalipse para começar outro. Por que eu investiria em um encontro com a Natalie?

– Porque você sentiu falta dela quando ela foi caçar, porque você ficou preocupado com ela, porque vocês tem muitas coisas em comum, são parecidos e ao mesmo tempo podem se completar de um forma interessante e, principalmente, porque quando vocês dois se olham, eu vejo uma faísca. — argumentou Mia.

– Uma faísca? Deve ser ódio. — sugeriu ele.

– Não, não é ódio, Dean. É atração, paixão... Chame do que quiser, mas pare de enganar a si mesmo dizendo que você odeia a Natalie, que não a suporta, porque está na cara que existe algo entre vocês. — insistiu Mia.

– Claro que existe. Você dando uma de cupido. — desconversou ele.

Mia o encarou por algum tempo antes de continuar:

– Dean, eu sei que você já se decepcionou muito no campo dos relacionamentos amorosos, mas isso não significa que você não pode ser feliz e que não existe alguém especial pra você. Mas para que isso aconteça, você precisa querer e se deixar levar, deixar as coisas acontecerem e parar de lutar contra o que você está sentindo. Então se permita ser feliz, Dean, que eu vou me permitir comemorar o meu aniversário mesmo estando morta. Então, esqueça todas as implicâncias e apenas conheça Natalie Jones.

– Sabe... É muito estranho receber conselhos amorosos de uma garota que mal saiu das fraldas. — brincou ele tentando fugir do assunto.

– Teoricamente, eu vou completar vinte e cinco primaveras amanhã, então, eu acho que mereço um pouco de respeito. — brincou Mia e após um momento em silêncio, intimou — E então? Nós temos uma condição?

Dean relutou um pouco, mas por fim, respondeu:

– Ok, eu vou tentar. Mas já vou avisando que provavelmente isso não vai dar certo. A Natalie me odeia e a recíproca... — depois de hesitar, ele completou — Definitivamente, a recíproca é verdadeira.

Mia sorriu vitoriosa. Era muito legal bancar o cupido. Em seguida, os dois saíram do carro, e ela voltou para o quarto enquanto Dean foi tomar um banho.

Então, Mia se aproximou de Castiel, que estava dormindo na cama, e entrou embaixo do cobertor. Depois o abraçou por trás e beijou o seu pescoço. Ele se encolheu devido ao arrepio causado pela carícia e indagou sonolento:

– Mia, o que você está fazendo?

Ela aproximou os lábios do ouvido dele e sussurrou:

– Nada. Eu juro...

Castiel sorriu e se virou na direção da garota. A olhou com carinho e desejou:

– Feliz aniversário.

Mia franziu a testa e olhou para o relógio em cima do criado-mudo. Tinha passado da meia-noite. Então ela voltou a olhar para o anjo, sorriu e exigiu:

– Eu quero o meu presente, anjo.

Castiel sorriu de volta e beijou Mia enquanto levantava um pouco o cobertor. Logo os dois ficaram completamente cobertos por ele.

Enquanto isso, Natalie estava em seu quarto assistindo televisão quando sentiu um pouco de sede e olhou para uma jarra e um copo de vidro em cima do criado-mudo. Porém, para sua surpresa, a jarra estava completamente vazia.

– Oh... Sério? Eu não entendo como essa água acaba tão rápido. — resmungou ela enquanto se desenrolava e levantava da cama.

Em seguida, ela pegou a jarra, caminhou até a porta, a abriu e saiu do quarto, mas parou ao ver Dean saindo do banheiro. Ele estava apenas com uma toalha em volta da cintura e com os cabelos molhados. Ao ver Natalie imóvel ali, ele também parou. Automaticamente, olhou para as pernas da garota, que usava outro short e uma camisa dos Rolling Stones como pijama. No entanto, logo ele voltou a si e se concentrou no rosto da garota. Mas ao fazer isso, Dean percebeu que Natalie não estava olhando para o rosto dele, mas sim para o seu corpo. Mais precisamente para a sua barriga, seu peitoral e seus braços.

Natalie já tinha visto Dean sem camisa antes, na noite em que invadiu o quarto dele no hotel em Kentucky, mas na época, ela não reparou muito nele. Não entendia como não tinha reparado antes ou porque estava reparando tanto agora, mas o fato era que Dean tinha um belo corpo.

Natalie parou na tatuagem contra possessão por alguns instantes. Achou que o desenho ficou... Sexy ali. E só então olhou para o rosto de Dean que franziu a testa um pouco confuso com aquela “secada”.

Imediatamente, Natalie voltou a si e olhou para os lados um pouco sem graça enquanto passava uma das mãos pela nuca.

Dean não podia negar que tinha gostado daquilo. Talvez Mia estivesse certa. Talvez existisse mesmo uma faísca entre ele e a loira. E como não podia perder a oportunidade de tirar Natalie do sério, ele resolveu entrar naquele jogo, sorriu levemente e provocou:

– Você gosta do que vê, Naty?

Ao ouvir isso, a caçadora deu um sorriso sarcástico e respondeu com desdém:

– Gosto tanto, que eu acho que vou desmaiar de tanta emoção. Sabe, Sr. Awesome, você reclama das minhas roupas de dormir, mas pelo menos eu tenho um pijama e não fico andando por aí só de toalha.

– Eu acabei de sair do banho, a casa é minha, e embora isso não seja da sua conta, eu tenho certeza que tinha levado o pijama para o banheiro, mas quando eu saí do chuveiro, ele não estava mais lá. Acho que eu me enganei e o esqueci no quarto. — explicou Dean.

– Ou talvez a mesma pessoa que acabou com a minha água tenha roubado o seu pijama. — brincou ela.

– A mesma pessoa que acabou com a sua água? No caso, você. Não me diga que você pegou o meu pijama, Naty? — insinuou Dean sorrindo.

– Claro que não. Não seja ridículo! — negou ela e depois, acrescentou — Mas que bom que não pegaram a toalha também, não é?

– Tem certeza que isso foi bom? — provocou Dean achando divertido deixá-la constrangida.

Natalie ficou sem resposta por alguns instantes. Dean não podia estar falando sério. Ele estava mesmo insinuando que ela queria vê-lo sem a toalha? Como era convencido! Sem se conformar por ele ter dito mesmo aquilo, ela se virou para abrir a porta e encerrou:

– Boa noite, Sr. Awesome.

– Você não vai pegar mais água? A noite está meio quente. — lembrou Dean dando mais uma olhada nas pernas dela.

Natalie parou na porta e antes de fechá-la, mentiu:

– Eu perdi a sede.

Natalie ficou apoiada na porta por alguns instantes. Suas mãos tremiam um pouco enquanto ela segurava a jarra. Não entendia por que tinha ficado tão nervosa. Era só o idiota do Dean de toalha.

Enquanto ela se recuperava, Dean deu um leve sorriso de satisfação e voltou a caminhar pelo corredor. Foi até o seu quarto e vestiu o pijama enquanto Natalie colocava a jarra vazia de volta no criado-mudo e sentava na cama. Ela ficou alguns instantes pensando no que tinha acontecido, ou melhor, no que tinha visto, e depois desligou a TV. Deitou e abraçou o travesseiro. Fechou os olhos e tentou dormir. Não conseguiu e virou para o outro lado. A imagem de Dean não saía da sua cabeça.

Natalie sentou na cama e passou as mãos pelos cabelos. Dean estava certo, a noite estava meio quente.

– O que está acontecendo comigo? — perguntou-se ela, depois deitou de novo e ficou olhando para o teto.

Perto dali, Dean sentou na cama e estava pronto para deitar quando viu o diário do pai sobre uma mesinha que havia no quarto e hesitou um pouco. Lembrou de quantas vezes aquele diário caiu no chão ultimamente. Ele podia estar sendo paranoico, mas algo lhe dizia que aquilo não era uma mera coincidência. Intrigado, ele levantou, puxou a cadeira que ficava em frente da mesinha e sentou. Segurou o diário nas mãos e pensou um pouco antes de abri-lo na página que havia marcado mais cedo. Começou a ler mentalmente.

Naquela parte, John relatava um caso que ele e Dean investigaram em 1992. Dean tinha 12 anos e havia acompanhado o pai na caçada, enquanto Sam ficou na casa do Bobby, se recuperando de um resfriado.

O caso era sobre um homem que morava em Minnesota. Ele tinha sido possuído por um demônio e acabou matando a própria esposa enquanto estava fora de si. John e Dean chegaram na casa e exorcizaram o homem. Mas, infelizmente, ele não sobreviveu ao exorcismo.

Dean franziu a testa achando aquela história familiar. Não só porque ele tinha trabalhado naquele caso, mas porque tinha a impressão de ter ouvido uma história parecida recentemente.

Então ele procurou o nome do casal e leu em voz alta:

– Henry e Sarah... Jones.

Em choque, Dean parou de ler por alguns segundos. Em seguida, e tomado pela necessidade de esclarecer aquele mistério, ele leu as notas finais do pai:

– "Henry e Sarah deixaram uma filha. Uma bela garotinha, de uns sete anos. Eu não sei o que ela presenciou exatamente, se ela viu o pai matando a mãe ou se com a sua inocência de criança ela conseguiu entender que o pai foi possuído por um demônio. O fato é que Dean encontrou a menina escondida embaixo da cama de um dos quartos. Ela estava muita assustada, então eu acho que, definitivamente, ela viu alguma coisa. Talvez a fumaça negra que saiu da boca do pai no final do exorcismo, talvez ela tenha ouvido os gritos, eu não sei. Mas depois que Dean a encontrou, eu revirei a casa e achei alguns documentos. Descobri que ela era filha única e que não tinha outros parentes. Pobre criança. Eu não tinha com quem deixá-la. Também não podia chamar a polícia. Não podia explicar o que tinha acontecido naquela casa, mas também não podia deixá-la ali sozinha. Então eu a levei até um orfanato também em Minnesota. Eu espero que ela fique bem. Que um dia, ela se recupere do trauma de ter perdido os pais daquele jeito e que consiga ter uma vida normal. É uma bela garotinha. Seu nome é...”

Ainda mais atordoado e surpreso, Dean parou de ler novamente. Instantes depois, ele leu o nome da garota, embora já soubesse quem ela era:

– "Natalie Jones."

Dean ficou alguns instantes sem reação. Depois fechou o diário do pai. Agora ele lembrava de tudo. De cada detalhe daquele caso. E Dean só esqueceu de como conheceu Natalie porque aquele era mais um caso entre muitos outros que ele investigou com o pai, mas agora tudo estava claro, as lembranças eram nítidas e ele finalmente entendia porque Natalie lhe parecia tão familiar.

Enquanto Dean tentava absorver aquela revelação, Natalie sentou na cama mais uma vez. Por mais que ela tentasse, não conseguia tirar Dean da cabeça de jeito algum. E não era só a imagem dele no corredor, há alguns momentos, que não saía da sua cabeça, mas tudo. Natalie começou a lembrar da noite em que ela entrou no quarto dele no hotel, quando ele abriu a porta e ela caiu no chão. E dela tentando se desvencilhar de Dean, dos dois caindo na cama e dele a imobilizando com uma facilidade que a irritou muito naquele momento. Depois lembrou do jeito que ele a olhou e da sensação estranha que ela teve. De que já o conhecia de algum lugar.

E em seguida se pegou lembrando de Dean propondo a trégua, dos dois comendo brigadeiro, conversando na cozinha e do clima estranho e bom que se estabeleceu entre eles até que Sam os interrompeu. Lembrou de quando deu torta na boca de Dean e dele fazendo o mesmo depois. Lembrou dele preocupado por ela ter ido caçar e por ter admitido que tinha sentido saudade dela. E do seu coração acelerando quando ele a olhou mais cedo, depois que ela falou sobre o lance de almas gêmeas.

Natalie não entendia por que estava pensando tanto em Dean, mas estava começando a ficar com raiva por não conseguir parar de pensar. Foi então que ela levantou, pegou a jarra vazia sobre o criado-mudo e resmungou:

– Quer saber? Que se dane! Eu não vou ficar com sede só porque ele gosta de andar pelos corredores praticamente nu...

Natalie saiu do quarto e bateu a porta. Do seu quarto, Dean ouviu o barulho e saiu um pouco do estado de choque em que ainda estava desde que descobriu de onde conhecia a loira.

Natalie desceu as escadas e caminhou apressada até a cozinha. Começou a encher a jarra com a água de um filtro acoplado na parede, mas não viu quando a água atingiu a borda e começou a derramar dentro da pia porque novamente se pegou pensando em Dean. Suspirou.

Instantes depois, quando finalmente voltou a si, ela fechou a torneira rapidamente e resmungou:

– Que diabos!

Em seguida, ela se virou, mas parou levemente assustada ao ver Dean parado na porta.

– Droga, Sr. Awesome! Você gosta mesmo de me assustar, não é? Bem, mas pelo menos agora você está decente. — observou ela vendo que ele vestia um pijama composto por uma calça azul clara e uma camiseta branca de algodão.

Dean não disse nada. Continuou olhando para Natalie com uma expressão que ela não entendeu direito. Ele parecia triste.

– Ok, esse silêncio está me matando. Eu voltar para o quarto. — anunciou ela dando alguns passos, mas parou quando viu que Dean tinha dado um passo a frente.

Então ele caminhou até ela e ficou a olhando por alguns instantes enquanto a loira franzia a testa sem entender o que estava acontecendo ali. Mas agora Natalie tinha certeza, Dean estava triste. Seus olhos estavam diferentes, como se ele estivesse se controlando para não chorar. Então, de repente, ele olhou para a jarra que ela segurava e a pegou das suas mãos. Depois a colocou num balcão do lado deles, sem sair da frente de Natalie, que estava cada vez mais confusa com aquela atitude.

Então para surpresa da garota, Dean se aproximou e a abraçou.

– Oh! Oh! Dean, o que você está fazendo? Você é sonâmbulo? — estranhou a garota sem saber como agir naquela situação.

Dean a abraçou mais forte e passou uma mão pelos cabelos dela trazendo Natalie para mais perto do seu ombro. Natalie bateu as mãos levemente nas costas dele enquanto dizia:

– Ok, está tudo bem, Sr. Awesome, você só precisa acordar e voltar para o seu quarto. Deus... Baixou o Garth em você, foi?

Dean a abraçou ainda mais forte e Natalie reclamou:

– Ok, agora você está me sufocando...

– Eu sinto muito sobre os seus pais, Natalie. — disse Dean por fim.

– O quê? — estranhou a garota.

– Eu sinto muito pelo que aconteceu com os seus pais. — repetiu Dean a abraçando mais forte — Por eles terem morrido daquela forma, por você ter crescido sem eles... Por tudo. Eu só quero que você saiba que eu realmente sinto muito, Natalie.

Ao ouvir aquelas coisas e lembrar dos pais, ela fraquejou um pouco e acabou abraçando Dean de volta.

– Eu sinto muito... — repetiu ele.

Natalie não entendia por que Dean estava tocando naquele assunto àquela hora da noite. Ela já havia contado a sua história para o Winchester há dias. Mas mesmo sem entender por que de repente ele retomou aquele assunto, ela acabou agradecendo:

– Obrigada... Sonâmbulo.

Os dois ficaram assim por mais alguns instantes e Natalie não podia negar que se sentiu bem com aquele abraço. Momentos depois Dean se afastou um pouco e olhou para Natalie mais uma vez antes de pegar a jarra de água e devolver para ela. Natalie o olhou intrigada ainda querendo entender aquela atitude, mas Dean começou a se afastar e saiu da cozinha sem dizer mais nada deixando Natalie totalmente perdida.

Algum tempo depois, ela voltou para o quarto e sentou na cama. Ficou pensando no que tinha acontecido e murmurou:

– Agora que eu não vou conseguir dormir mesmo. O que deu nele?

Dean deitou na cama segurando o diário do pai. Ainda não acreditava que a explicação para o déjà vu que sentia em relação à Natalie estava o tempo todo ali. Bem debaixo do seu nariz. Lembrou de quando Natalie leu o diário sem permissão e de como aquilo tudo era estranho. Natalie Jones era um dos casos registrados no diário do seu pai. E ele se esqueceu dela porque Natalie fazia parte de mais um caso no meio de tantos outros.

Dean concluiu que Natalie também não se lembrava dele ou de John, provavelmente por causa do choque que a morte dos pais deve ter causado nela. Ela só tinha sete anos... Talvez, ela tivesse bloqueado aquelas lembranças de alguma forma para não sofrer. Além disso, na época, eles deviam ter usado nomes falsos.

Dean ficou se perguntando se devia contar para Natalie o que tinha descoberto, que eles já se conheciam de antes dela ter esbarrado com ele naquele bar. Por um lado, ele queria que Natalie soubesse que o conheceu quando eles eram crianças, mas por outro, Dean não queria trazer lembranças dolorosas para a garota. Ele não queria ver Natalie triste, não queria vê-la sofrer ao lembrar de como tudo aconteceu.

Ao pensar nessas coisas, Dean acabou se dando conta de que ele realmente se importava com Natalie de alguma forma. Se ele não se importasse, não teria feito questão de abraçá-la e dizer aquelas coisas para confortá-la. E apesar das circunstâncias tristes que motivaram aquele abraço, tinha sido muito bom abraçar Natalie Jones.

Enquanto Dean pensava na sensação agradável daquele abraço, Natalie tentava dormir. Mas ela também só conseguia pensar naquele abraço entre os dois na cozinha. Independente de ter sido uma atitude estranha vinda de Dean, aquele gesto deixou uma sensação boa na garota também. Tinha sido bom, muito bom, ser abraçada por Dean Winchester.

Notas finais
E aí, sociedade? Gostaram? Chocaram? Ficaram nudes? Ufa! Estou aliviada por finalmente ter contado pra vcs de onde esse povo se conhece, tava doida pra acabar com este mistério logo kkkkkkkkkk Dean e Natalie se conheceram na infância... Awwwwwwwnnnnnnnnn e no próximo capítulo teremos um flashback com eles e John Winchester (sim, o papai Winchester vai dar as caras na fic também) e vou explicar direitinho como tudo aconteceu. No próximo capítulo também teremos o começo da festa (que promete fortes emoções... me aguardem!!!) OMG... preciso destacar algumas coisinhas que eu adorei escrever neste capítulo. Lá vai: O quase beijo de Claire e Sammy: na traaaaaaaaaaaaaveeeeeeeeee!!!! Mia dando conselhos amorosos e bancando o cupido pra cima do Dean kkkkkkk Dean de toalha e Naty chocada (a toalha atacou de novo na fic, gente kkkkkkkkk. Depois do Sammy, esta foi a vez de Dean desfilar o seu corpitcho sensual pelos corredores do bunker). Dean lendo o diário do papi e descobrindo que Natalie fez parte de um caso investigado por eles. Dean abraçando a Naty na cozinha. Tem como não amar este casal? Bem, só para constar no próximo capítulo também saberemos quem estava derrubando o diário de John no chão, quem afanou a toalha do Dean e quem acabou com a água da Natalie. Reviews?