Recomeço

31 Capítulo 31 - Claire Singer


Notas iniciais
Oi! O capítulo ficou enooooooooooorme, mas vale a pena ler tudinho porque nele teremos diquinhas de onde Sam e Claire se conhecem, teremos Miastiel, uma participação mais do que especial de um personagem muito saudoso e querido e no final um retorno instigante. O nome do capítulo... Bem, vocês vão entender. Capítulo basicamente Clammy, mas não só Clammy. Entendeu? Ah! Uma correção. No capítulo anterior eu disse que a reação do Sam quando a Claire falou que quer ser caçadora foi de esquilo dramático, mas depois de ler uma review da leitora e mishamiga McQueen, me dei conta de que cometi um terrível engano. Esquilo dramático seria o Dean, no caso do Sam é alce dramático. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Divirtam-se!

Sam ficou sem reação por algum tempo enquanto Claire o encarava sem entender por que ele parecia tão chocado. De repente, ele finalmente saiu daquela espécie de transe e indagou um tanto exaltado:

– Você está brincando, certo?

– Não, Sam. Na verdade, eu nunca falei tão sério em toda a minha vida. Hoje e agora, eu posso afirmar com todas as letras que pela primeira vez, em toda a minha vida, eu tenho certeza do que eu quero fazer com ela. Eu quero me tornar uma caçadora.

– Não! Você não quer ser caçadora, Claire. Ninguém quer isso. As coisas simplesmente acontecem... — discordou Sam.

– As coisas simplesmente aconteceram comigo, Sam. A morte da minha mãe, demônios atrás de mim. Eu perdi tudo. Meu noivo, meus amigos, minha casa, meu emprego, tudo. Eu não tenho mais nada. — lembrou ela e depois acrescentou — Eu não tenho outra escolha a não ser me tornar caçadora e fazer a diferença de alguma forma.

– Ser caçadora não é uma escolha, é uma tragédia. Além disso, sempre se tem outra escolha. Você ainda pode recomeçar a sua vida, Claire. Longe disso tudo. Longe do sobrenatural. Depois que nós darmos um jeito em Abaddon e Belial, você pode reformar esta casa, se mudar pra cá, conseguir um emprego, talvez voltar pra faculdade que você disse que abandonou, se tornar uma médica... Você ainda pode ter uma vida normal, Claire. Você não pode abrir mão disso. É o que todo mundo quer. — argumentou Sam ainda mais atordoado.

Claire o encarou intrigada por algum tempo. Não entendia porque Sam estava tão contrário à sua decisão. Então contrapôs:

– Eu não sou como todo mundo, Sam. Ter uma vida normal não é o que eu quero. Foi um dia, mas não é mais. O que eu quero, o que eu preciso, é de um propósito para continuar seguindo em frente, como a minha mãe pediu que eu fizesse. Eu quero ajudar as pessoas como você, o seu irmão, Mia e a Natalie me ajudaram. Eu quero caçar coisas, salvar pessoas...

– Por favor, não diga family business nesta frase. — interrompeu Sam e em seguida se levantou da cama e se afastou um pouco. — Você precisa pensar melhor, Claire. — aconselhou ele relutando em aceitar a decisão da garota.

– Eu já pensei, Sam. — afirmou ela e depois explicou — E não pense que eu tomei esta decisão da noite pro dia. Na verdade, desde que eu descobri que o meu pai era caçador e que ele ajudava as pessoas, isso já tinha passado pela minha cabeça. Eu admiro o meu pai pelas coisas que ele fez em vida. Assim como eu admiro você, Sam, e todos os caçadores que abrem mão de uma vida normal para ajudar os outros sem levar nenhum crédito por isso. Vocês são como heróis...

– Nós somos amaldiçoados. — corrigiu Sam — E você não pode querer isso pra você também, Claire. Você ainda pode voltar atrás, pensar melhor, recomeçar a sua vida. Sua mãe pediu para você recomeçar...

Claire levantou e caminhou até Sam. E quando ficou de frente para ele, esclareceu:

– É exatamente isso que eu estou fazendo, Sam. Recomeçando. Esta é a minha forma de fazer isso e a minha forma de deixar a minha mãe orgulhosa. Talvez até o meu pai...

– O Bobby nunca ia querer isso pra você. — discordou o Winchester.

– Você não sabe disso. — duvidou Claire.

– Ele ia querer te proteger. — disse Sam.

– Eu não preciso de proteção. Eu preciso de instrução. Sam, eu preciso que você me ensine tudo o que sabe sobre monstros, demônios, sobre todas as criaturas sobrenaturais, como matá-las... Eu preciso que você me ajude a lidar com tudo isso e a me proteger sozinha. — argumentou a garota.

– Por que eu? — indagou Sam lembrando das coisas que Ezekiel lhe contou naquele dia na pensão.

Claire sorriu levemente e o olhando com certo carinho, respondeu:

– Porque eu confio em você, Sam. E porque assim como você disse, eu também me sinto bem quando estou ao seu lado. E eu sinto que você pode me ajudar a recomeçar. Eu sinto que... A vida me tirou tudo, mas de alguma forma, colocou você no meu caminho com algum propósito que eu quero entender qual é. Talvez... Talvez você seja o meu recomeço.

Apesar de não concordar com a decisão de Claire sobre virar caçadora, Sam não podia negar que tinha gostado de ouvir aquilo. Mas em seguida voltou a si e tentou persuadí-la mesmo que para isso tivesse que fazer com que ela se decepcionasse com ele:

– E se eu te disser que quando o seu pai morreu, eu estava lá e não consegui impedir? Você vai continuar confiando em mim, Claire? E se eu disser que eu comecei o Apocalipse, você vai continuar se sentindo bem ao meu lado? Se eu contar que eu preferi confiar em um demônio do que no meu próprio irmão, mesmo assim você vai continuar dizendo que confia em mim? E se eu disser que eu cometi tantos erros que até hoje eu não sei como o Dean conseguiu me perdoar, você vai continuar dizendo que eu posso te ajudar a recomeçar, Claire? Se eu te contar que eu tinha sangue de demônio no meu corpo e que durante quase um ano eu me viciei no sangue desses monstros, que eu bebi sangue de demônio enquanto ia pra cama com a Ruby, que era um deles, mesmo assim você vai continuar afirmando que confia em mim, Claire? Que me admira como caçador e que quer que eu te ensine como se tornar uma? Você vai continuar confiando em mim?

Apesar de surpresa com as coisas que ouviu, Claire as assimilou rapidamente. Isso porque por mais que Sam tivesse cometido erros graves, ele sempre foi um cara legal com ela. Ele a ajudou e a apoiou no momento mais difícil da sua vida e desde que se conheceram ele tem sido um grande amigo, independente do clima diferente que existe entre eles, Sam se tornou um amigo de verdade, alguém com que ela podia contar sempre. E ele parecia arrependido de todas aquelas coisas que fez no passado. Além disso, errar é humano e quem era ela para julgá-lo por isso?

Então, Claire deu mais um passo a frente e respondeu:

– Sim. Eu vou continuar confiando em você, Sam. Me sentindo bem quando estou com você e querendo que você me ensine tudo o que sabe sobre o sobrenatural.

Sam a olhou confuso. Claire não podia estar falando sério. Talvez ela não tivesse ouvido as coisas que ele disse. Pensando nisso, ele quis confirmar:

– Você ouviu tudo o que eu disse, Claire?

– Sim, eu ouvi, Sam. — confirmou ela e em seguida, expôs — E se isso foi uma tentativa de me fazer gostar menos de você ou pra me decepcionar com você, desculpe, mas não vai funcionar. Eu aceito e... Gosto de você do jeito que você é. Além disso, todo mundo comete erros. Eu mesma não sou nenhuma santa. E por mais que você tenha cometido erros, eu acho que já te conheço o suficiente pra poder afirmar que com certeza você se empenhou para consertá-los. Mas nada disso importa pra mim, porque a verdade é que eu não estou interessada no seu passado, Sam. O que eu quero saber é se tem algum lugar pra mim no seu presente. Talvez no seu futuro, na sua vida... Eu quero saber se você pode continuar me ajudando como tem feito desde que me conheceu porque... Eu preciso de você. — Claire fez uma pausa esperando que ele respondesse alguma coisa, mas Sam parecia surpreso demais para conseguir dizer qualquer coisa. Então Claire deu mais um passo a frente deixando-se levar pela emoção e resolveu confessar — Sam, mais cedo você me perguntou se existe alguma coisa entre a gente e... Honestamente, eu não sei. Às vezes, eu acho que todo mundo está inventando, imaginando coisas, mas em outros momentos, eu me pego imaginando coisas também e a verdade é que eu gosto de pensar que eu não estou imaginando. Eu gosto de pensar que é real. E eu quero descobrir o que isso tudo significa, Sam. Eu quero descobrir o que existe entre a gente. Você quer?

Sam encarou Claire tomado pela surpresa e por uma sensação agradável de felicidade. Definitivamente, ele havia gostado de ouvir tudo aquilo, mas não esperava que Claire fosse ser tão compreensiva diante dos erros que ele cometeu, muito menos que ela fizesse aquela pergunta no final. Se ele queria descobrir o que há entre eles? É claro que ele queria. E Sam queria mais. Ele queria beijar Claire naquele exato momento. Nunca sentiu tanta vontade de fazer isso. Queria tomá-la em seus braços e não soltá-la nunca mais. Queria estar com Claire o tempo todo, pra sempre, no presente e no futuro. Queria ficar ao lado dela pra tudo que a garota precisasse, embora a ideia de ajudá-la com a questão de se tornar uma caçadora, não o agradasse nem um pouco. Mas tirando isso, Sam queria estar com Claire. Queria apoiá-la, queria protegê-la, queria... Beijá-la. Droga! Ele queria beijá-la! Não queria mais pensar nas coisas que Ezekiel disse que aconteceriam, não se importava se aquilo já estava escrito nas estrelas, se era o destino ou não, não queria mais saber se Claire merecia alguém melhor do que ele. Sam queria apenas se render àquele sentimento que cada vez ficava mais forte. Não conseguia mais negar o que estava sentindo. O que estava querendo. Ainda mais depois de ter ouvido ela dizer aquelas coisas. Como Claire era linda dizendo aquelas coisas. Como ela era linda em silêncio, esperando que ele respondesse a sua pergunta. Claire era diferente de todas as mulheres que ele conheceu. Ela era especial. Era como se ela tivesse sido feita pra ele. Sob medida para ele. Ela o aceitava e o entendia do jeito que ele era. E o admirava e gostava dele assim. E queria que ele lhe ensinasse tudo que sabia porque confiava nele. Claire confiava nele. Claire precisava dele. E Sam precisava dela. Sam queria Claire.

Mas em seguida, a razão voltou a falar mais alto e Sam voltou a si. Se lembrou de onde eles estavam. Na casa do Bobby. E de que Claire tinha perdido a mãe recentemente e por isso estava frágil naquele momento. Que ela não tinha ideia do que estava falando, que não estava em condições de decidir nada, muito menos dizer aquelas coisas que havia dito. E lembrou também que ao contrário do que Mia insinuou, aquilo não era um encontro. E Sam não queria que Claire pensasse que ele a levou até ali com segundas intenções. Não queria que ela pensasse que ele estava se aproveitando da situação. Droga! O que ele estava pensando? Se envolver Claire não era correto. Ele não podia fazer isso. Não podia querê-la como queria. Ele não tinha nada para oferecer à ela, e mais cedo ou mais tarde, a magoaria de alguma forma. E ele não queria isso. Não podia magoar Claire. Não podia querer beijá-la como queria...

O que Sam não sabia é que o coração da garota cada vez acelerava mais enquanto ela se perguntava o que ele estava esperando para beijá-la de uma vez. Ou pelo menos para responder a pergunta que ela fez.

De repente, Claire se deu conta de que talvez ela tivesse sido direta demais. Ou pior, que Sam não se sentia da forma como ela se sentia. Que talvez, ele estivesse mudo por que não sabia como dizer que ela estava imaginando coisas. Que não havia nada entre eles. E que, portanto, ela estava fazendo papel de idiota. Onde ela estava com a cabeça? Pensar em romance numa hora daquelas? Depois de tudo que tinha lhe acontecido nos últimos dias? O que Sam deveria estar pensando dela naquele momento? Que ela era uma oferecida? Que ela não respeitava nem o próprio luto? Ela não podia fazer aquilo. Não podia querer beijar Sam como queria. Não podia querer se jogar em seus braços e não soltá-lo nunca mais. Será que ele estava pensando que ela aceitou ir até ali com segundas intenções? Pensando que era um encontro?

Quando Claire ia se desculpar por ter dito aquelas coisas, Sam se antecipou:

– O que eu quero é que você pense melhor sobre essa escolha equivocada de virar caçadora.

De certa forma, aliviada por Sam ter quebrado o silêncio, mas chateada por ele não ter respondido a sua pergunta da forma como ela queria, Claire resolveu esquecer as coisas que disse até ali e continuou:

– Você disse que não era uma escolha.

– Você entendeu o que eu quis dizer. Claire... Você não pode querer isso. Eu entendo que você está se sentindo meio perdida, sem chão, que talvez enxergue apenas essa possibilidade, mas eu tenho certeza que você pode reconstruir a sua vida longe disso tudo. Então, por favor, não entre nesse "ramo", desista enquanto é tempo. Era o que a sua mãe e o seu pai iriam querer. Que você ficasse a salvo do sobrenatural. — insistiu Sam.

– Nem sempre nós podemos viver do jeito que nossos pais querem, Sam. Além disso, infelizmente eles estão mortos. E eu sou adulta, posso tomar minhas próprias decisões. Eu entendo que você não concorde comigo, que você queira me alertar para os riscos envolvidos nisso, mas eu não vou voltar atrás nesta decisão. Eu estou consciente e segura do que eu quero. Com ou... Sem a sua ajuda, eu vou me tornar uma caçadora. E sobre ficar a salvo... Depois do que aconteceu nos últimos meses, eu nunca mais vou ficar a salvo. Mesmo que Abaddon e Belial sejam destruídos, outra criatura sobrenatural vai me encontrar mais cedo ou mais tarde. Talvez outros demônios por outros motivos que eu nem quero pensar agora. E eu preciso me preparar, me proteger, me precaver, lutar, Sam. Eu não quero mais viver com medo, fugindo, me escondendo. Eu quero aprender a caçar, a lutar contra o mal, ajudar pessoas... — expôs ela.

– Como você pode ser tão teimosa, Claire Davis? — irritou-se Sam passando as mãos pelos cabelos.

– Claire Davis morreu naquele hospital junto com a mãe, Sam. Agora eu sou... Claire Singer. Filha do caçador Bobby Singer e futura caçadora também. — esclareceu a garota com certo orgulho de si mesma.

– Você não está pensando direito... Esse tipo de vida não combina com você, Claire. — relutou o Winchester.

– Por que não? Não foi você que disse que eu não sou uma Patricinha? Que eu me saí bem no hospital com Abaddon? Qual o problema, Sam? Você não acredita que eu sou capaz de fazer isso? — indagou a garota um pouco magoada.

Rapidamente, Sam esclareceu:

– Não, não é isso. Eu tenho certeza que você é capaz de fazer qualquer coisa, mas... Caçar é perigoso, Claire. Você pode se machucar, ou coisa pior... E se alguma coisa acontecer com você... Eu... Nem sei...

– Me ensine o trabalho direito e deixa que eu cuido de mim mesma, ok? Eu prometo que vou tomar o máximo de cuidado possível, Sam. Você não precisa se preocupar. Eu não sou uma donzela em perigo. Eu posso fazer isso. Eu sei que eu posso. — propôs ela.

Sam respirou fundo e pensou um pouco enquanto a olhava. Em seguida, perguntou:

– Você não vai desistir dessa ideia, não é?

Claire sorriu e respondeu:

– Não. E já que não tem nada que você possa dizer ou fazer pra me convencer do contrário, o que você me diz? Eu posso contar com a sua ajuda ou não?

– Eu preciso de um tempo pra pensar, Claire. Você me pegou de surpresa. — relutou Sam.

Ele não estava mais tão surpreso assim, já que acabou lembrando que Ezekiel disse que Claire tomaria aquela decisão depois da morte da mãe. Mas Sam não esperava que ela fosse soltar aquela bomba naquela noite e daquela forma.

– Ok. O tempo que você precisar, Sam. — concordou Claire e em seguida mudou de assunto — Por acaso você lembrou de comprar alguma coisa pra comer? Porque eu estou com um pouco de fome...

Mais relaxado, Sam respondeu:

– Eu vou sair pra comprar alguma coisa. Por enquanto você fica aqui vendo as coisas do seu pai e repensando essa ideia maluca de virar caçadora.

– Eu não tenho o que repensar, Sam. Está decidido. E eu espero que você pense com carinho na minha proposta. — ervateiros Claire.

– Eu vou pensar. Mas continuo achando que você está cometendo um grande erro, Claire. — encerrou ele.

Então os dois ficaram se olhando por alguns instantes até que Sam começou a se afastar. Claire caminhou até a cama, sentou e puxou a caixa com as coisas do pai. Em seguida, retirou de dentro dela, um CD e murmurou:

– Kenny Rogers, papai? Sabia que eu também gosto?

Sam chegou no andar de baixo, saiu da casa e logo entrou no carro. Ainda estava atordoado depois de toda aquela conversa com Claire. Ainda não acreditava que ela queria mesmo ser caçadora. Nervoso, ele pegou o celular e ligou para Dean.

O mais velho estava na sala principal do bunker folheando o diário do pai sem muita paciência. Ao ouvir o celular tocando em cima da mesa, ele pegou o aparelho rapidamente. Mas ao ver que não era Natalie, atendeu meio desanimado:

– Oi, Sammy...

– Dean? Você está bem? — estranhou Sam.

– Sim, ótimo. — mentiu ele.

– Aconteceu alguma coisa? — quis saber o mais novo.

– Muitas coisas. Mas quando você chegar aqui, eu conto. Eu não quero atrapalhar o seu encontro com a filha do Bobby. — insinuou o mais velho.

– Dean, não é um encontro. — esclareceu Sam.

– Ok, não é um encontro. — concordou Dean sem querer entrar numa discussão sobre aquilo e em seguida perguntou — Então, qual o motivo da ligação?

Sam respirou fundo tentando se acostumar com a decisão de Claire, hesitou um pouco e disse por fim:

– A Claire quer ser caçadora.

Depois de um longo momento de silêncio, Dean perguntou:

– E?

– E? Como assim "E?" Dean? Você ouviu o que eu falei? — surpreendeu-se Sam.

– Ouvi. — confirmou o outro.

– E você acha que nós podemos concordar com isso? — perguntou Sam indignado — A Claire não pode ser caçadora. Nós temos que dar um jeito de fazê-la desistir disso.

– A Claire é adulta, Sammy. E ela perdeu a mãe daquele jeito que você sabe. Me corrija se eu estiver errado, mas geralmente é assim que começam as histórias de caçadores. Com alguma tragédia familiar. Foi assim que nós entramos nesse negócio, por que que com a Claire seria diferente? — argumentou Dean.

– Porque ela é diferente. Ela não merece isso, Dean. Ninguém merece essa vida, muito menos a Claire. Eu não posso deixá-la fazer isso. Nós sabemos que é um caminho sem volta. Ela já perdeu demais. — contrapôs Sam.

– Sammy, ela não perdeu demais, ela perdeu tudo. — corrigiu Dean — E sem ofensa, mas não cabe a você decidir o que a Claire pode ou não fazer. Ela é bem grandinha e por mais que você se preocupe, você precisa respeitar a decisão dela.

Sam pensou um pouco. No fundo sabia que Dean estava certo. Ele não podia determinar como Claire deveria viver. O máximo que Sam podia fazer era alertá-la para os riscos que aquilo envolvia, e ele já havia feito isso. E não tinha adiantado. Claire permanecia irredutível. Com certeza, tinha herdado aquele traço da personalidade do pai. Quando Bobby colocava uma coisa na cabeça, ninguém conseguia tirá-la de lá. Portanto, Sam não tinha outra escolha, a não ser aceitar o que a garota queria.

Sam pensava nessas coisas quando Dean mudou de assunto:

– Ah! E sem querer me intrometer, mas está ficando tarde. E eu sei que não é um encontro, mas vocês vão voltar hoje?

Sam olhou as horas no relógio. Era dez horas da noite. Era engraçado, mas ele não tinha sentido o tempo passar enquanto estava com Claire. Ele precisava procurar algum restaurante ou mercado para comprar algo para Claire comer e mais tarde voltaria com ela para o bunker. Colocou o cinto de segurança e respondeu:

– É claro que nós vamos voltar, Dean. Que pergunta...

– Tudo bem, mas agora eu preciso desligar. — disse o mais velho um pouco impaciente.

– Tem certeza que você está bem? — estranhou Sam.

– Tenho... Eu só estou esperando uma ligação. — explicou o mais velho.

– Dean, existe uma coisa chamada "atendimento simultâneo", sabia? — debochou o outro.

– Tchau, Sammy. — encerrou Dean e então desligou.

Sam riu e deu partida enquanto Dean checava o celular pra ver se Natalie tinha ligado ou enviado alguma mensagem. Mas, infelizmente, ela não havia dado nenhum sinal de vida. Então, ele resolveu ligar mais uma vez. Já havia perdido as contas de quantas vezes havia ligado para a loira nas últimas horas sem conseguir qualquer contato. Exatamente como naquele momento quando mais uma vez a chamada caiu diretamente na Caixa Postal.

Dean colocou o celular sobre a mesa, passou as mãos pelo rosto e se perguntou:

– Onde diabos você está Natalie Jones?

Enquanto isso, Mia saiu do banho vestindo um roupão e caminhou pelo corredor até o seu quarto enquanto secava os cabelos com uma toalha. Entrou e fechou a porta. Mas ao se virar, parou surpresa ao ver Castiel deitado na cama. Seu coração acelerou devido ao susto, mas também por outro motivo que ela não conseguia admitir.

– O que você está fazendo aqui? — indagou ela um tanto ríspida fazendo ele parar de folhear um livro que ela havia deixado sobre o criado-mudo momentos antes.

Castiel guardou o livro, sorriu e respondeu:

– Esperando você.

Mia abriu a porta e o dispensou dizendo:

– Eu quero ficar sozinha. Saí daqui, Castiel. Por favor.

– Não, Mia Clarke. Eu não vou a lugar nenhum. — recusou-se ele fazendo Mia bater a porta com raiva.

– Você sabe que eu posso te compelir, não sabe? — lembrou a garota.

– Sei, mas nós dois sabemos que você não vai fazer isso. — afirmou ele.

– Por que não? — estranhou ela.

– Porque no fundo, você não quer que eu saía. — respondeu ele com certa pretensão.

– Convencido... — resmungou a garota e após alguns instantes tentando se convencer de que ele não tinha razão, continuou — Mas você está enganado. Eu quero sim que você saía, Castiel. Por favor, me deixe sozinha. Eu preciso colocar uma roupa.

– Pra quê? Só pra me dar o trabalho de tirar tudo de novo? — provocou ele.

Mia o encarou irritada e, ao mesmo tempo, com vontade de rir diante da petulância dele. Então repetiu:

– Convencido... — e ao ver que ele estava com os sapatos em cima da cama, reclamou — E mal educado também. Dá pra tirar os sapatos de cima da minha cama, por favor?

Castiel sentou na cama e enquanto tirava os sapatos e as meias, respondeu:

– Claro. — e ao terminar, olhou para ela com um sorriso e perguntou — O que mais você quer que eu tire, Mia?

Ela não queria que ele tirasse os sapatos, muito menos a roupa, Mia só queria que Castiel tirasse os pés de cima da cama. Era incrível como ele fazia questão de distorcer as coisas só para desnorteá-la daquele jeito.

– Você acha mesmo que nós vamos fazer as pazes assim? — questionou a vampira voltando a si.

– Então você quer fazer as pazes? — deduziu Castiel.

Relutante, Mia cruzou os braços e ficou parada perto da porta evitando olhar para ele. Mas instantes depois, ela acabou olhando e Castiel bateu a mão levemente sobre a cama indicando que queria que Mia se sentasse ao seu lado. Ela não se mexeu e ele prosseguiu:

– Você está certa. Não é assim que nós vamos fazer as pazes. Mas nós precisamos conversar. Vem, senta aqui. — e como Mia continuou imóvel e o ignorando, ele avisou — Não me faça ir aí, Mia Clarke.

A garota relutou mais um pouco, mas por fim se aproximou devagar e sentou na cama. No entanto, Mia fez questão de manter uma distância segura entre eles e quando Castiel se moveu em sua direção, ela se afastou mais um pouco. E novamente, ele se aproximou, e novamente, Mia se afastou. Até que em dado momento, ela parou no final da cama e Castiel parou ao seu lado.

Em seguida, ele passou os dedos pelos cabelos molhados da garota e ela afastou o rosto antes de dizer:

– Você disse conversar, não tocar.

– Ok. — concordou ele e após um momento em silêncio, recomeçou — Mia, eu não queria ter mentido pra você sobre o Crowley, mas eu realmente fiquei preocupado com a sua reação. Eu não queria que você sofresse. E eu sei que rever o Crowley despertou coisas ruins em você e que com o vampirismo, suas emoções estão ampliadas. Mesmo assim, eu juro que eu ia contar. Eu queria conversar com Sam e com o Dean primeiro, mas nós íamos te contar. Com calma, com cuidado, no momento certo. Eu sinto muito por ter sido cuidadoso demais, mas minha intenção nunca foi te enganar, mas sim te proteger. E sabe por quê? Porque eu te amo, Mia Clarke. E eu sei que você me ama também. E eu também sei que você quer acabar com essa briga tanto quanto eu.

Castiel esperou a garota dizer alguma coisa, mas ela permaneceu em silêncio. No entanto, Mia já não estava mais tão relutante. No fundo, sabia que Castiel tinha razão, que ele não a enganou, mas apenas tentou poupá-la. E a verdade é que ela não aguentava ficar com raiva dele por muito tempo.

Mia pensava nessas coisas quando sentiu o pé de Castiel se aproximando do seu. Em seguida, ele aproximou o rosto e disse em seu ouvido:

– Me desculpe.

– Não. — respondeu ela, embora no fundo quisesse dizer sim.

Castiel afastou algumas mechas de cabelo dela, beijou o seu rosto e enquanto entrelaçava seu pé no pé da garota, repetiu:

– Me desculpe.

Em seguida, Castiel beijou o pescoço de Mia, sua orelha e sussurrou:

– Desculpe...

Mia finalmente voltou-se para ele e respondeu:

– Calma, eu estou pensando.

Castiel segurou o rosto dela entre suas mãos e tocou seus lábios com um beijo suave antes de dizer:

– Desculpe.

– Assim eu não consigo pensar, anjo. — reclamou ela e sem perceber começou a esfregar o seu pé na perna de Castiel também.

Ele a beijou de novo e desta vez insistiu mais. Logo Mia não resistiu e começou a corresponder ao beijo. Colocou as mãos na nuca dele e o trouxe para mais perto de si. Em seguida, deixou o seu corpo cair sobre o dele e Castiel deitou na cama com ela.

Mia continuou o beijando até que ele a segurou nos ombros a afastando um pouco e perguntou:

– Eu posso encarar isso como um "estou desculpado"?

Mia sorriu e antes de beijá-lo de novo, respondeu:

– Sim, anjo.

Castiel abraçou Mia e a virou na cama ficando por cima dela. Ela afastou um pouco o rosto e insinuou:

– Você estava certo. Foi melhor eu não me vestir mesmo.

Castiel lhe lançou um olhar malicioso antes de começar a desamarrar a faixa do roupão que ela vestia. Mia mordeu o lábio inferior e acariciou o rosto de Castiel antes de declarar:

– Eu te amo, anjo.

– Eu sei. — brincou ele e depois retribuiu — Eu também te amo, sua maluca.

Em seguida, Castiel terminou de abrir o roupão da garota, se aproximou e a beijou mais uma vez enquanto ela o abraçava.

Enquanto isso, Sam voltava para a casa do Bobby. Logo ele desceu do carro e entrou na residência. Foi até a cozinha e colocou algumas sacolas em cima da mesa. Em seguida, subiu até o antigo quarto do dono da casa. Mas ao chegar lá, Sam parou na porta e hesitou ao ver que Claire tinha adormecido no meio das fotos que estava olhando momentos antes.

Sam resolveu se aproximar e sentou do outro lado da cama. Observou a garota por alguns instantes antes de pegar com cuidado a foto que ela segurava em uma das mãos. Para sua surpresa, a foto era dele mesmo, da época da faculdade. Logo Sam lembrou que havia enviado aquela foto para o Bobby, logo depois que entrou em Stanford e decidiu que teria uma vida normal.

Sam devia ter colocado aquela foto na caixa por engano, mas acabou rindo do próprio cabelo que usava naquela época. Parecia com o do Justin Bieber. Depois ele colocou a foto de volta na caixa. Também guardou todas as outras coisas que estavam espalhadas e só depois voltou a olhar para Claire. Ela continuava dormindo. E Sam teve vontade de acordá-la e perguntar por que ela estava segurando uma foto sua quando ele chegou. Talvez Claire também tivesse achado o seu cabelo engraçado.

Sam sorriu e levantou da cama. Ficou pensando se deveria acordar a garota ou se era melhor deixá-la descansar. Estava meio tarde e Sam concluiu que talvez fosse melhor, eles passarem a noite ali e voltarem no dia seguinte para o bunker. Então deu a volta na cama e sentou mais perto de Claire antes de tirar com cuidado os sapatos que ela usava e colocar as pernas dela sobre a cama. Depois a cobriu um pouco com a colcha da cama e afastou os cabelos que caíam pelo rosto da garota. E mais uma vez, Sam constatou que Claire tinha um rosto lindo. E inexplicavelmente familiar. Ele tinha certeza de que já tinha visto aquele rosto antes. Antes de Charlie enviar aquela foto quando investigou Claire a pedido dele, antes dele invadir a casa da garota e dela acertar a sua cabeça com aquele vaso... Antes de tudo isso. Mas Sam sabia que não tinha conhecido Claire através de Garth, muito menos através de Bobby, que morreu sem saber da existência da filha. Então de onde Sam conhecia Claire?

Sem conseguir encontrar uma resposta naquele momento, ele resolveu deixar o quarto. E antes de se afastar, murmurou:

– Boa noite, Claire Singer. Ou quem quer que você seja.

Depois disso, Sam foi para a sala e se acomodou em um dos sofás. Ficou olhando para o teto enquanto pensava em tudo que havia acontecido desde que conheceu Claire e em como a presença dela mexia com ele. No fim, talvez Ezekiel estivesse certo, talvez eles estivessem destinados a ficarem juntos. Em seguida, Sam lembrou de quando Mia brincou dizendo que a garota ideal para ele, a sua alma gêmea, teria que quebrar um vaso na sua cabeça para que ele se desse conta de que ela era a escolhida, a mulher feita para ele, o par ideal, a sua companheira, o seu grande amor.

Sam riu um pouco ao pensar nessas coisas. Mas tinha que admitir que se aquilo fosse mesmo verdade, se fosse mesmo o destino, desta vez até que Deus estava sendo camarada. Afinal, ele tinha passado de receptáculo de Lúcifer para o grande amor de Claire.

O mais maluco naquela história era que Claire era filha do Bobby. E Sam ficava se perguntando o que será que Bobby pensaria de tudo aquilo se estivesse vivo? O que diria? Será que aprovaria?

Sam respirou fundo e fechou os olhos. E a imagem de Claire continuava na sua cabeça. E novamente desejou saber o que Bobby diria num momento daqueles. Que tipo de conselho daria? Diria para Sam se afastar de Claire ou para ficar ao lado dela como aparentemente estava destinado a ficar?

Foi então que algo aconteceu. Enquanto se virava para o outro lado, Sam viu alguém na sala e parou atônito. Havia alguém sentado na cadeira atrás da mesa onde Bobby costumava fazer suas pesquisas. E era alguém exatamente igual ao Bobby. Aquilo não fazia o menor sentido, mas Sam estava a poucos metros do próprio Bobby! Era ele! Com certeza era ele! Usava as roupas dele, o boné e era exatamente como ele!

O falecido caçador estava com os braços cruzados na frente do peito e encarava Sam com uma expressão serena enquanto balançava um pouco os pés em cima da mesa. Antes que Sam pudesse dizer ou fazer qualquer coisa, Bobby sorriu levemente e ordenou:

– Cuida bem da minha filha, idjit.

– O quê? — indagou Sam tomado pelo choque, não por estar diante de um fantasma, mas por ser o fantasma do Bobby.

– Balls... Você é surdo ou o quê, Sam? Eu não tenho muito tempo. Então colabora e presta atenção, ok? — continuou Bobby deixando transparecer sua rabugice característica e em seguida, explicou — Eu aprovo, idjit. Mas é bom você cuidar muito bem da Claire ou eu juro que vou dar um jeito de voltar pra te assombrar.

– Bobby... É você mesmo? Mas como? — indagou Sam confuso.

– Hora de acordar, Sam. — alertou o fantasma e antes de se dissipar no ar, pediu — Diga pra Claire que eu a amo.

– Bobby! Espera! Bobby! — gritou Sam sentando no sofá e abrindo os olhos assustado.

– Bobby? — repetiu Claire que estava na frente de Sam bem próxima ao sofá e o viu acordar atordoado.

O Winchester olhou em volta ainda sem acreditar que aquilo tinha sido apenas um sonho. Extremamente real, mas ainda assim, um sonho. Logo, Sam se deu conta de que já havia amanhecido porque a luz do Sol já entrava pelas janelas da sala. Em seguida, ele olhou para a mesa logo a frente e percebeu que a cadeira estava um pouco afastada e então disse um tanto impressionado:

– Aquela cadeira não estava daquele jeito ontem a noite!

Claire olhou para a cadeira, depois mostrou o diário que segurava e explicou:

– Eu estava sentada lá, Sam. Lendo o diário do meu pai. Eu não quis te acordar. Assim como você não quis me acordar ontem a noite... — e em seguida, indagou curiosa — Mas você realmente sonhou com o meu pai? O que acontecia no sonho? O que ele te disse?

Já mais calmo, mas preferindo ocultar a parte "Bobby Singer aprova!", Sam respondeu:

– Ele disse que te ama.

Claire sorriu e sentou na mesinha de centro ficando de frente para Sam antes de dizer:

– Isso é lindo, Sam, mas infelizmente foi só um sonho. Eu não entendo por que você, sendo um caçador, está tão impressionado com um simples sonho.

O Winchester observou Claire por alguns instantes, antes de dizer:

– É exatamente porque eu sou um caçador, que eu posso garantir que isso não foi um simples sonho. Era o Bobby, Claire. Eu tenho certeza. Eu não sei como, mas era o Bobby. E sabe o que ele disse também? Ele pediu que eu cuidasse de você. E é exatamente o que eu vou fazer.

– Já sei... Tentando me convencer a desistir de ser caçadora? — supôs a garota um pouco desapontada.

– Não. Te mostrando como combater o sobrenatural. — corrigiu Sam para surpresa dela — Não dizem que a melhor defesa é o ataque? Pois então... Minha resposta é sim, Claire. Eu vou te ajudar a se tornar uma caçadora. Uma grande caçadora. A lutar contra todo o tipo de mal. Eu vou te ensinar tudo o que eu sei sobre cada criatura maligna que existe neste mundo. Essa é a melhor forma de proteger você, Claire. — expôs Sam, finalmente tomando a sua decisão e deixando Claire ainda mais surpresa.

Então ela sorriu e o abraçou sem conseguir conter a felicidade. Em seguida se afastou um pouco constrangida e brincou:

– Bem, se por acaso você sonhar com o meu pai de novo, diz pra ele que eu também o amo, ok? E agradeça por mim. — e depois ela levantou e disse — É melhor nós voltarmos para o bunker. Eu não quero perder tempo! Eu tenho muito a aprender.

Sam sorriu e também levantou. Ele estava incrivelmente feliz por ter tomado aquela decisão. O que era incrivelmente surpreendente já que no dia anterior, ele não conseguia nem considerar aquela ideia. E era ainda mais surpreendente porque Sam havia se decidido a favor daquilo depois de sonhar com Bobby e de ouví-lo dizer aquelas coisas.

Sam não sabia como explicar aquilo, mas tinha certeza de que era mesmo o fantasma do Bobby. De alguma forma, ele havia entrado no seu sonho. Talvez, de onde ele estava, Bobby viu todas as dúvidas que atormentavam Sam e resolveu intervir. E embora não tivesse como provar e também não quisesse pensar nisso naquele momento, Sam estava certo. Aquele definitivamente era Bobby Singer. O seu fantasma. Ele realmente entrou no sonho do Winchester e o ajudou a tomar aquela decisão. O que Sam também não sabia, era que aquela não seria a última vez que ele veria Bobby. E que talvez até Claire pudesse conhecer o pai algum dia...

Meia hora depois, Sam e Claire deixaram a casa e ela dirigiu até o bunker. Quando os dois chegaram lá, permaneceram no carro conversando sobre o CD que Claire tinha colocado para tocar durante o caminho.

– Então você gosta de Coldplay? — quis confirmar Sam enquanto a ultima faixa, A Message, tocava no aparelho de som do carro.

– Por quê? Você não gosta? Sam, me desculpe... Eu nem perguntei antes, mas se você não estava gostando, podia ter falado que eu colocava outra coisa... — desculpou-se Claire, mas quando ela foi tirar o CD do player, Sam segurou a sua mão.

Os dois se olharam e depois afastaram as mãos.

– Na verdade, eu amo Coldplay. É uma das minhas bandas favoritas. — esclareceu Sam.

Claire sorriu levemente e encostou a cabeça no banco enquanto observava o Winchester. Era incrível como eles eram parecidos. Diferentes em muitas coisas, mas parecidos nas coisas mais simples.

– Eu também amo. Coldplay... Me acalma. Eu não sei explicar direito. Só sei que eu gosto. É ótimo. — declarou Claire encarando Sam.

Enquanto isso, Dean olhou, por uma das janelas do bunker, o carro parado lá embaixo e murmurou:

– Sammy, seu pilantra. Isso são horas? E não era um encontro, hein?

Sam encarava Claire intrigado e querendo muito esclarecer uma duvida que o atormentava desde que viu a foto da garota pela primeira vez, indagou:

– Claire, eu posso te perguntar uma coisa?

– Claro. — assentiu ela.

– Por que eu tenho a impressão de que eu te conheço de algum lugar? — quis entender ele.

Ela pensou um pouco e lembrou de uma coisa antes de responder com um ar de mistério:

– Talvez você conheça, Sam. Só não está pronto para lembrar de onde. Mas não se preocupe, eu entendo por que.

O Winchester franziu a testa confuso diante daquela resposta. Do jeito que Claire falava, parecia que ela sabia de onde e de quando eles se conheciam.

– Como assim? — quis entender Sam.

– Digamos que eu também tive um sonho estranho esta noite... — insinuou Claire que ao ver Sam em algumas fotos mais antigas na noite anterior, acabou adormecendo pensando em uma delas em específico.

Justamente a foto que Sam havia tirado das mãos dela e guardado de volta na caixa. Ao encontrar aquela foto no meio das fotos do pai, Claire percebeu que foi naquela época que ela e Sam deviam ter se conhecido. E então ela ficou tentando lembrar de onde exatamente e como tinha sido até cair no sono e ter um sonho no mínimo revelador. Na verdade, não foi um sonho. Era mais como um memória, um flashback. E então ela acabou lembrando de como tudo havia acontecido. Claire havia lembrado de onde conhecia Sam.

Ansioso e tomado pela curiosidade e pelo desejo de esclarecer aquela história, Sam decidiu perguntar mais sobre aquilo. No entanto, antes que ele dissesse qualquer coisa, um carro começou a buzinar freneticamente e os dois olharam para trás.

Dean também observou o Camaro se aproximando e inexplicavelmente o seu coração acelerou. De raiva por Natalie ter saído do bunker daquele jeito irresponsável, mas... De alívio por ela ter voltado. Finalmente. Sã e salva.

O som dentro do Camaro estava no último volume. Natalie estava ouvindo You give love a bad name do Bon Jovi.

Sam e Claire saíram da Pajero e Natalie colocou a cabeça pro lado de fora e acenou animada para eles. Enquanto ouvia a música, ela batia com as mãos no volante como se ele fosse uma bateria.

Sam e Claire, que não sabiam de onde a loira estava vindo já que nem sabiam que ela havia saído no dia anterior, se entreolharam e sorriram achando engraçada a forma como Natalie mostrava que estava chegando.

Em seguida, eles começaram a caminhar até a entrada do bunker e encontraram Dean vindo apressado na direção oposta. O Winchester mais velho passou por eles sem dizer nada. Sam e Claire se entreolharam, mas acharam melhor não perguntar nada. Dean parecia nervoso, ansioso e aliviado ao mesmo tempo.

Natalie desceu do carro segurando algumas sacolas e bateu a porta instantes depois. Começou a caminhar em direção ao bunker e ao ver Dean se aproximando, parou e tirou o óculos escuro que usava e o colocou na cabeça como se fosse uma tiara.

Depois que Dean parou na sua frente, ela sorriu e perguntou tranquilamente:

– Então, Sr.Awesome? O que eu perdi?

Notas finais
Sobre o final, eu sei que uma certa leitora que eu não vou citar o nome (mentira, o nome dela é Juje Winchester) ficou P da vida por ter terminado justo nesta parte, mas o capítulo ficou enoooooooorme e eu tinha que terminar em algum lugar, neh? Oxi! kkkkkkkkkkkk Adoro Bon Jovi e adoro aquela música! Bem, sobre a participação do tio Bobby Singer: era ele mesmo, sociedade. Ele realmente entrou no sonho do Sammy para dizer pro moçoilo parar de frescura e se render ao charme da sua filhota e, claro, cuidar dela com muito carinho. Adorei escrever a participação do Bobby e pretendo trazê-lo para mais participações na próxima fic. E trazer outros personagens que bateram as botas também. Mas não fiquem intrigados com isso agora, na próxima fic, eu explico tudinho. Mia e Cas fizeram as pazes!!!! Gostaram? Eu falei que ela não ia aguentar ficar separada do anjinho por muito tempo. Por falar em não aguentar, Sam e Claire não estão mais conseguindo resistir ao sentimento que já existe entre eles e no capítulo em questão ele quase beijou a moçoila. Mas depois veio o diacho da razão e ele perdeu a chance. Mas não se preocupem. Em breve acontecerá o tão aguardado primeiro beijo do casal. Achei tão fofis, o Sam contando todos os seus erros cabulosos e a Claire tipo "Tudo bem, gato. Errar é humano." Como vcs puderam deduzir, os dois se conheceram na época em que o Sam estava em Stanford e no próximo capítulo teremos mais diquinhas sobre isso. Até o capítulo 40, pretendo esclarecer como isso aconteceu exatamente. Sobre Dean e Natalie, no capítulo 33, iremos descobrir de onde eles se conheceram e no capítulo 34 teremos um flashback sobre isso. Já no capítulo 32, iremos descobrir tudo sobre a cura, quais são os outros ingredientes e como ela vai funcionar. Ou seja, aos pouquinhos, eu estou dando diquinhas e pretendo esclarecer todos esses mistérios em breve! Ah! Mais novis! Depois do clima meio triste na fic, com a morte da Rachel e tals, estou providenciando uma festa para abalar as estruturas. Será o aniversário de um dos personagens e a festa começará acontecer no capítulo 34. PRE-PA-RA porque essa festa vai dar o que falar. Reviews?