Recomeço
28 Capítulo 28 - Sem mais mentiras
Notas iniciais
Claire olhou para Mia e Sam enquanto uma sensação agradável a invadia pouco a pouco. Sentia-se menos tensa e menos deprimida. A dor ainda estava lá, e como Mia disse, sempre estaria, mas Claire sentia-se mais leve, mais disposta a lutar e a superar aquele drama. A vontade de chorar também ainda estava lá, mas pela primeira vez, desde que perdeu a mãe, Claire sentia que poderia sorrir de novo algum dia. Que dias melhores viriam. Sentiu uma saudade enorme da mãe, mas também sentiu uma vontade enorme de cumprir o que prometeu a ela. Claire queria deixá-la orgulhosa. Queria recomeçar. E era exatamente isso que faria.
– Funcionou. — respondeu ela por fim.
– Mesmo? Você está falando sério? — quis confirmar Mia estranhando que a sua habilidade de compelir pessoas tivesse voltado.
– Mesmo. Eu me sinto melhor, Mia. Obrigada.
Sam esboçou um leve sorriso ao ouvir aquilo. Sabia que Claire ainda estava triste, mas estava feliz por vê-la mais animada.
– Obrigada, Sam. Foi uma ótima ideia. — agradeceu a garota e em seguida começou a levantar da cama.
– Pra onde você vai? — quis saber ele.
– Tomar um banho, comer alguma coisa e depois ajudar vocês com a pesquisa. Eu cansei de ficar neste quarto. Abaddon e Belial ainda estão lá fora. E seja lá o que for que eles querem comigo, eu preciso descobrir antes e preciso saber como me defender deles. — respondeu Claire.
De repente Mia levantou eufórica e comemorou:
– Eu não acredito que funcionou! Eu sou uma vampira completa de novo! Cuidado comigo, eu posso compelir pessoas!
– Por falar nisso, você tem alguma ideia do por que essa... Habilidade voltou a funcionar de repente? — interessou-se Sam.
Mia hesitou um pouco. Não podia responder com honestidade. Não sabia se Sam acharia correto ela se alimentar do sangue de Castiel já que ela mesma ainda estava desconfortável com aquela situação. Também não tinha certeza se aquilo estava relacionado ao sangue do ex-anjo. Mas o fato é que desde que começou a beber o sangue dele, Mia sentia-se melhor e mais forte.
– Não, eu não tenho ideia. — desconversou ela.
Sam franziu a testa um pouco desconfiado enquanto Claire pegava algumas roupas no armário. Então ele passou por Mia e perguntou para a outra:
– Claire, será que nós podemos deixar essa parte da pesquisa pra amanhã?
– Por quê? — estranhou ela.
Um pouco sem graça, Sam explicou:
– É que eu queria te levar a um lugar. Eu preciso te mostrar uma coisa.
Claire parou o que estava fazendo e olhou para o Winchester. Ela ainda estava abalada pela morte da mãe, mas ao ouvir aquela pergunta sentiu o seu coração acelerar levemente e seu rosto queimar um pouco. Era como se Sam a fizesse se sentir viva de novo. E a se sentir um pouco idiota também. Droga... Sentia-se uma adolescente perto dele.
– Você está me convidando para... Sair? — quis entender ela.
– Como um encontro? — indagou a vampira logo atrás deles.
Sam voltou-se para Mia um tanto irritado com a sua indiscrição e tentou dispensá-la:
– Mia... Agora que você já ajudou, será que poderia nos deixar sozinhos? Eu preciso conversar com a Claire.
Mia sorriu levemente e fez questão de frisar bem a resposta:
– Claro, Sam. Eu não me importo em deixar vocês sozinhos. — e enquanto saía, disse para si mesma — Eu sou uma vampira de verdade de novo! Isso merece uma comemoração! Onde está o meu anjinho?
Quando ficou sozinho com Claire, Sam explicou:
– Eu sei o que isso parece, Claire, mas eu juro que não é um encontro. Eu só lembrei que, antes disso tudo acontecer, antes de você receber aquela ligação do hospital e nós irmos para St. Louis às pressas, eu estava prestes a te contar uma coisa.
– Que coisa? — interessou-se ela.
– Você estava certa, Claire. Eu estava e ainda estou escondendo uma coisa de você. Mas eu não posso mais continuar mentindo. Eu quero te contar a verdade. Eu já ia contar antes, mas agora eu tenho mais certeza ainda de que eu preciso fazer isso. Você merece saber a verdade. — explicou Sam.
– Que verdade? — indagou Claire ainda mais curiosa.
Ela se lembrou da conversa que os dois tiveram antes de serem interrompidos por aquela ligação do hospital. Lembrou-se da forma como Sam e Dean a olhavam, às vezes. Como se estivessem diante de um fantasma.
– Eu vou te contar, mas não aqui. Eu quero que você conheça um lugar. Um lugar perfeito pra nós termos esta conversa. — propôs Sam.
Claire pensou um pouco e ainda intrigada com todo aquele mistério, respondeu:
– Ok. Eu desço em quinze minutos.
– Eu estarei esperando. — assentiu Sam e em seguida saiu do quarto.
Enquanto isso, Castiel estava em uma das salas do bunker, entre duas estantes, lendo um livro sobre vampirismo. Ao ouvir passos se aproximando, ele fechou o livro rapidamente, o escondeu atrás de si e virou-se a tempo de ver Mia chegando naquele corredor. Ao perceber que ele tinha escondido alguma coisa e que estava com uma expressão de quem tinha sido pego no flagra, ela deu mais alguns passos e brincou:
– Por acaso você estava vendo alguma revista Asiáticas Peitudas do Dean?
– Não! Claro que não! Eu só estava pesquisando uma forma... De... Você sabe... Matar Abaddon ou Belial. — explicou ele sem conseguir disfarçar o nervosismo.
Mia parou na frente de Castiel e para surpresa dele, perguntou:
– Até quando você vai continuar mentindo pra mim, Cas?
– Como assim? — indagou ele confuso.
Então, Mia pegou o livro que ele segurava atrás de si e leu o título:
– Enciclopédia de Vampiros, volume 12. Sério? É aqui que diz como matar um Cavaleiro do Inferno? — em seguida, ela colocou o livro na estante e continuou — Por favor, me diga que você não está perdendo o seu tempo procurando uma cura pra mim.
Surpreso, Castiel franziu a testa e quis confirmar:
– Você já sabia?
– Eu desconfiava. Mentir nunca foi o seu forte, Cas, e ultimamente, você estava mais atrapalhado do que o comum. Não foi difícil ligar os pontos e deduzir por que. Você estava mentindo pra mim. — explicou Mia.
Um pouco ofendido, ele perguntou:
– Você me acha atrapalhado?
– Qual é, anjo? Você mesmo se acha atrapalhado. Além disso, é o seu charme. E eu gosto! — tranquilizou Mia sorrindo para ele.
Castiel a observou intrigado e disse:
– Você não parece brava.
– Porque eu não estou. — disse ela e como Castiel continuou confuso, resolveu explicar — Eu nunca vou ficar brava por você tentar me ajudar, anjo, embora eu ache que você está perdendo o seu tempo procurando algo que não existe. Além disso, eu não posso ficar brava por você ter mentido porque a verdade é que eu também não tenho sido... Totalmente sincera com você ultimamente.
– Como assim? — quis entender ele.
Mia se afastou um pouco e apoiou as costas na estante antes de explicar:
– Eu também menti pra você, Cas. Algumas vezes. Várias vezes, na verdade. Antes de começar a beber o seu sangue, eu passei mal outras vezes e não consegui mais compelir ninguém. Eu não te contei porque não queria te preocupar. Mas, a boa notícia é que eu acabei de compelir a Claire. E funcionou. Eu consegui fazê-la se sentir melhor, tirar aquela ideia de culpa da cabeça dela, ela está bem agora. Claire vai ficar bem. Então eu pensei em te contar que o meu dom de compelir as pessoas voltou, de alguma forma que eu não entendo, mas que com certeza tem a ver com o seu sangue, e... Sei lá... Comemorar, talvez.
– Mia... Por que você não me contou que tinha passado mal outras vezes? — indagou Castiel preocupado com ela — Eu teria te ajudado. Eu daria um jeito. Talvez nós tivéssemos pensado no meu sangue antes...
Mia se aproximou novamente e passou os braços em volta do pescoço dele antes de responder:
– Cas, eu tive os meus motivos para mentir e você teve os seus. Mas eu odiei esconder essas coisas de você e eu não quero mais fazer isso. Então, vamos combinar uma coisa? Vamos ser honestos um com outro a partir de hoje? Vamos dizer a verdade? Sempre?
– Combinado. Sem mais mentiras. Só a verdade. — concordou Castiel e lhe deu um sorriso.
Mas em seguida, ele se lembrou de algo que Mia ainda não sabia e ficou um tanto sério.
– Cas, tem mais alguma coisa que você queira me contar? Que você deva me contar? Porque se tiver, o momento é este. — desconfiou ela.
Castiel lembrou automaticamente de alguém que estava preso no porão do bunker. Não queria continuar mentindo para Mia sobre Crowley estar sob o mesmo teto que eles, mas também não podia dizer a verdade. Não sem antes consultar Sam e Dean e encontrar uma forma de contar aquilo para Mia. Mas ele queria contar, e iria, só não podia ser naquele momento. Então, ele se viu forçado a mentir por mais um tempo:
– Não. Não tem nenhuma outra coisa. — e antes que Mia pudesse questionar, ele sorriu, passou os braços em volta da cintura da garota e recomeçou — Eu só estava me perguntando, o que você quis dizer com "comemorar"?
Mia sorriu de volta e insinuou:
– Você sabe exatamente o que eu quero dizer, anjo.
– Sabe qual é o problema? É que além de atrapalhado, eu sou meio burro. Então, por favor, defina "comemorar". — rebateu ele a olhando com certa malícia.
– Ok, acho que eu posso deixar as coisas mais claras pra você, anjo. — disse Mia e em seguida aproximou o rosto e envolveu os lábios de Castiel com um beijo apaixonado.
Enquanto isso, Claire desceu as escadas e encontrou Sam no final dela. Estava incomodada com todo aquele mistério, mas ao mesmo tempo confiava em Sam e estava feliz por ele ter parado de negar que estava escondendo alguma coisa e por estar disposto a contar o que era. Além disso, Claire precisava se distrair um pouco. Talvez fosse bom sair do bunker e arejar a cabeça. E estar com Sam sempre lhe fazia bem de alguma forma. Era bom estar com ele. Aliás, Sam era a única coisa boa que havia lhe acontecido nos últimos tempos.
– Vamos? — perguntou ele fazendo Claire parar de pensar naquelas coisas.
– Vamos. — concordou ela e em seguida, os dois deixaram o bunker e entraram no carro da garota. — Alguma dica? — indagou ela depois de colocar o cinto.
Sam pensou um pouco. Estava feliz por ver Claire mais disposta e tinha certeza de que ela ia gostar de saber o que ele tinha para contar, para mostrar, agora que ela não se sentia mais culpada pelo que aconteceu com a mãe. Então sorriu e respondeu:
– Eu vou te levar até um ferro velho.
Claire franziu a testa surpresa com a resposta e brincou:
– Que romântico.
Ao ouvir isso, Sam ficou um pouco sem graça e Claire se arrependeu por ter brincado. Era estranho, mas era a primeira vez que ela dizia algo assim desde que perdeu a mãe. Isso porque ela sentia-se realmente melhor e queria mesmo recomeçar a sua vida. Por outro lado, não queria que Sam pensasse que ela estava criando alguma expectativa sobre aquele encontro que não era um encontro. Além disso, e por mais que estivesse mais conformada com a morte da mãe, o luto ainda era muito recente. Claire não estava com cabeça pra entender o que sentia por Sam e o que queria fazer em relação a isso. Então resolveu esclarecer:
– Eu sei que isso não é um encontro, Sam. Eu só estava brincando.
O Winchester ia dar partida, mas hesitou por alguns instantes. Ele também queria esclarecer uma coisa. Surpreso consigo mesmo e sem se importar muito se era certo perguntar aquilo ou não, ele resolveu sondar mesmo assim:
– Claire, eu sei que este não é o momento ideal pra perguntar isso, mas eu realmente preciso saber. Eu não te contei antes, mas o Ezekiel insinuou que existe algo entre mim e você, a sua mãe insinuou também, o Dean, a Mia diz isso o tempo todo, até Abaddon disse alguma coisa. Então eu preciso saber. Existe algo entre a gente ou todos eles estão imaginando coisas? — ao perceber que Claire tinha ficado muito surpresa e arrependido por ter sido tão direto, ele tentou desconversar — Desculpe, eu não devia ter perguntado isso.
– Não! Tudo bem. — tranquilizou Claire que, apesar da surpresa e do luto, havia gostado da pergunta de Sam.
No entanto, apesar de ter gostado, Claire não achava certo ter aquela conversa naquele momento. Também não queria confundir ainda mais as coisas entre eles. Precisava de um tempo pra entender o que estava sentindo e o que faria não só em relação à Sam, mas também em como iria viver dali pra frente. Ela havia perdido tudo e a sua vida ainda estava em perigo. Claire não tinha cabeça pra pensar em qualquer outra coisa naquele momento, embora estar com Sam e ouvir aquela pergunta tivessem feito o seu coração acelerar inexplicavelmente. Pensando em tudo isso, Claire respondeu com cuidado para não magoá-lo:
– Eu acho que... Você está certo, Sam. Este não é o momento ideal pra falarmos sobre esse assunto. Desculpe...
– Não! Eu que peço desculpas, eu não devia ter perguntado isso, Claire. Eu sinto muito. — lamentou Sam constrangido e então esclareceu — Eu sei que pareceu uma cantada, mas eu garanto que não foi minha intenção. Eu só... Queria entender...
– Então vamos combinar uma coisa? — interrompeu Claire e depois sugeriu — Me leve até esse ferro velho misterioso, me conte o que você tem pra contar e vamos retomar esta conversa em outro momento. Eu quero ter esta conversa, Sam, mas não agora. Por favor.
– Ok, combinado. Desculpe mais uma vez. — encerrou Sam e em seguida deu partida.
Enquanto dirigia, ele tentou esquecer que por um momento se deixou levar por aquilo que estava sentindo por Claire e que fez aquela maldita pergunta. Não devia ter tocado naquele assunto. Há pouco tempo, ele e Claire eram estranhos um pro outro e agora eram amigos. Apenas amigos. Não queria que ela pensasse que ele estava forçando uma situação que não existia. É, era isso, não existia nada além de amizade entre eles e todos estavam imaginando coisas. Não era preciso retomar aquela conversa. Ele tinha que esquecer aquela conversa.
Enquanto isso, Mia e Castiel se beijavam entre as estantes daquela sala do bunker. Ele acariciava as costas da garota erguendo um pouco a blusa que ela usava e passando as mãos sobre a sua pele macia embaixo da roupa. Mia, por sua vez, beijava Castiel cada vez mais intensamente enquanto o mantinha contra a estante, deixando os seus corpos bem próximos um do outro. Ao perceber que ela tentava desabotoar a camisa que ele vestia, Castiel afastou um pouco o rosto e sugeriu:
– Nós devíamos ir pro quarto.
– Por quê? Eu sempre sonhei em fazer isso numa biblioteca. — confessou a vampira o encarando com desejo.
– Mia, nós não estamos numa biblioteca. Nós estamos no bunker. — lembrou ele.
– Em uma das bibliotecas do bunker. Portanto, ainda assim, numa biblioteca. — corrigiu ela enquanto abria a camisa dele de uma vez, deixando a mostra o peito nu e a tatuagem que ele havia feito há alguns dias.
– Ainda assim, no bunker. — reforçou Castiel.
– Droga, Cas! Você tem que estragar a minha fantasia? — reclamou ela se afastando um pouco.
Castiel respirou fundo, recuperando o fôlego e explicou:
– Eu só estou dizendo que nós não estamos sozinhos aqui. Alguém pode aparecer. A qualquer momento. E nos pegar... Você sabe, no flagra.
Mia sorriu maliciosa, se aproximou e enquanto terminava de tirar a camisa de Castiel, disse:
– Você acaba de incrementar a minha fantasia, anjo.
– Mia... — tentou argumentar Castiel, mas não teve tempo porque ela o beijou de novo. Instantes depois, ele a afastou um pouco e perguntou — Como assim "fantasia"?
Enquanto beijava o pescoço dele, Mia respondeu:
– Lembra aquela vez, na minha faculdade, quando tinha um demônio atrás de mim na biblioteca, e você apareceu e me salvou? Então... Eu nunca te disse isso, mas aquilo foi sexy, anjo.
– Você me empurrou, pisou no meu pé e saiu correndo. Como aquilo pode ter sido sexy? — discordou Castiel.
– Eu não lembrava de você. Me dá um desconto. — justificou-se Mia e enquanto tirava o cinto de Castiel, recordou — E isso me lembra que você devolveu as minhas memórias naquela mesma biblioteca dias depois. Primeiro, eu te salvei daquela armadilha de anjo, então você me puxou com força, me beijou com paixão, tocou a minha testa com o dedo e me fez lembrar de tudo. De nós... E aquilo também foi muito sexy, anjo.
– E depois Sam e Dean apareceram e foi constrangedor. — lembrou Castiel.
Mia se afastou um pouco e começou a desabotoar a blusa que usava enquanto encarava Castiel e explicava:
– Não importa. O que importa é que nós dois estamos destinados a fazer isso numa biblioteca, Cas. Você não percebe? São muitas coincidências. Com certeza significam alguma coisa. E não! Não me diga que nós não estamos em uma biblioteca. Aliás, pare de falar, porque nós não devemos fazer barulho em uma biblioteca. A única coisa que eu quero que você responda é: você vai me ajudar a tirar a roupa ou não?
Castiel observou Mia abrir o ultimo botão da blusa deixando aparecer o sutiã preto que usava por baixo e não resistiu. Rapidamente a puxou e a empurrou contra a estante. A beijou, beijou o seu pescoço, terminou de tirar a sua blusa, beijou seus ombros, segurou mais forte em sua cintura, ergueu uma das pernas da garota, apertou sua coxa, subiu a mão em direção a cintura novamente e com a outra a segurou pelos cabelos.
– Esse é o meu anjo. — murmurou ela.
Enquanto isso, do lado de fora do bunker, Dean terminou de checar o motor do Camaro de Natalie e fechou o compartimento traseiro do veículo. A loira, que observava tudo e tinha ouvido o parecer de Dean momentos antes, disse enquanto se apoiava em uma das portas:
– Então deixa eu ver se eu entendi. Você se oferece pra dar uma olhada no meu carro, mas só faz isso mais de uma semana depois. Como se não bastasse a demora, agora você está dizendo que não tem problema nenhum com o meu bebê. Ou seja, tudo foi uma grande perda de tempo. Tem certeza que você entende de carros, Sr. Awesome? Eu ainda acho que eu deveria chamar um mecânico de verdade.
– De nada. — ironizou Dean um pouco ofendido e em seguida, explicou — Mas como eu disse antes, a sua lata velha está perfeita. Se havia algum problema, desapareceu misteriosamente.
Percebendo uma insinuação na forma como Dean falou aquilo, Natalie indagou:
– Como assim "se havia algum problema, desapareceu misteriosamente"? Você não está sugerindo que eu inventei que o meu carro tinha quebrado só pra pegar aquela carona com você até St. Louis, está?
Dean pegou a caixa de ferramentas no chão, sorriu e provocou:
– Eu não disse nada, é você que está dizendo, Naty. Mas não se preocupe, se você fez todo aquele teatro só pela carona, eu vou compreender. Que mulher não faria de tudo pra dar uma volta no meu bebê, não é? Além disso, você já tinha experimentado o Impala por um tempo. Vai ver que ficou com saudade de viajar num carro de verdade. E comigo.
Natalie o olhou com desdém e garantiu:
– O Camaro estava quebrado. Eu tenho certeza. Eu sei que você preferia que eu tivesse inventado aquilo pela carona ou mesmo pela sua companhia, mas você está fantasiando coisas, Dean Winchester. Só porque nós tivemos uma conversa civilizada na cozinha outro dia, não significa que eu estou a fim de você. Não tenha ilusões, querido. Além disso, eu nunca trocaria o meu bebê pela sua lata velha.
– Ok. Como você quiser, Naty. — encerrou Dean com um sorriso que irritou a loira.
Ela o viu se afastando, então entrou no carro e bateu a porta com raiva. Respirou fundo e resolveu ouvir um pouco de música pra relaxar enquanto matava a saudade do carro. Mas, quando ia ligar o rádio, o seu celular tocou e ela pegou o aparelho no bolso da jaqueta. Atendeu:
– Alô? Garth? Oi! O que você manda?
Enquanto isso, Mia beijava o pescoço de Castiel, mas parou ao ouvir alguém sussurrando:
– Até que enfim um pouco de diversão para um pobre demônio como eu. Eu estava quase morrendo de tédio aqui, Mia. Obrigado por me distrair um pouco.
A garota parou as carícias de repente e perguntou intrigada:
– Cas, você ouviu isso?
– Não fale, Mia. Nós estamos em uma biblioteca, lembra? Não podemos fazer barulho. — disse Castiel que não tinha ouvido nada e estava envolvido demais por aquele momento.
Em seguida, ele beijou Mia mais uma vez e ela estava convencida de que tinha imaginado aquela voz, quando ouviu de novo:
– Sentiu minha falta, Mia? Definitivamente, eu senti a sua.
Mais uma vez, Mia parou o que estava fazendo. Mas desta vez, tinha certeza que não estava imaginando coisas. Aquela voz era real. Nítida e real. E não foi difícil reconhecer de quem era. Imediatamente, ela afastou Castiel que parou sem entender o que estava acontecendo.
– O que houve? — indagou ele.
Mia abaixou e pegou a blusa no chão. A vestiu e respondeu:
– Eu ouvi uma coisa.
– Que coisa? — não entendeu Castiel.
No entanto, em seguida ele olhou em volta e só então percebeu onde ele e Mia estavam. Era a sala antes do porão onde Crowley estava preso.
– Não pode ser... — murmurou Mia.
– Claro que pode ser, Mia. Eu estou aqui. Bem aqui. — sussurrou o demônio do outro lado da parede.
Ao ouvir aquilo, a vampira começou a seguir o som daquela voz, embora no fundo ainda quisesse acreditar que estava delirando. Talvez fosse uma alucinação. Talvez todo aquele tormento fosse começar de novo. Como ela queria que fosse isso. Preferia voltar a passar mal do que confirmar que aquela voz era real. Mas algo lhe dizia que ela era. Mas Crowley não podia estar lá... Como ele teria ido parar lá? Por que ele estaria ali? Mia não entendia nada, mas queria desvendar aquele mistério. Precisava descobrir o que estava acontecendo.
Percebendo o que estava prestes a acontecer, Castiel vestiu a camisa depressa e começou a seguir Mia enquanto fechava os botões.
– Mia... Eu posso explicar. — garantiu ele.
A vampira virou em um dos corredores e olhou para o seu final. Havia uma grande porta que se abria em duas partes logo adiante. Continuou caminhando.
– Mia, espere! Eu posso explicar! Me deixe explicar! Por favor! — pediu Castiel a alcançando.
Ela parou, o observou por alguns instantes e se perguntou por que ele estava agindo como se já soubesse o que estava acontecendo ali. E não conseguiu disfarçar o olhar decepcionado quando deduziu que era porque Castiel já sabia que Crowley estava lá.
– Venha aqui, Mia... — sussurrou o demônio — Ele mentiu pra você, todos mentiram, mas eu posso te contar a verdade se você quiser.
Ao ouvir aquilo, Mia se moveu rapidamente até a porta e a empurrou violentamente. Parou na entrada sem acreditar que estava mesmo vendo aquela pessoa ali. Pessoa não, aquele demônio. Preso em uma armadilha do diabo naquele lugar que ela nunca tinha ouvido falar e que parecia ser algum tipo de masmorra do bunker.
De repente, todo o ódio que sentia por Crowley voltou e cegou Mia. O que ele fez aos pais dela, com ela, todas as vezes em que ameaçou seus amigos, como Melissa, a morte de Ric, seu melhor amigo, toda aquela tortura no Hotel Califórnia, o sangue dele que ainda corria por suas veias. E lá estava ele, bem na sua frente. Preso e completamente indefeso. Logo Mia deduziu que os Winchesters tinham o capturado e o prendido ali há pouco tempo. Só não entendia quando eles tinham caçado o demônio, já que desde que saíram de Mystic Falls, Sam e Dean estavam concentrados exclusivamente em ajudar a Claire. Em nenhum momento eles mencionaram que iriam atrás do demônio, em nenhum momento eles saíram do bunker para resolver outro assunto que não estivesse relacionado a Claire. Portanto, aquilo não fazia sentido... Como e quando Crowley foi parar ali? Tinha que haver uma explicação. Uma boa explicação.
Crowley sorriu, acenou levemente e cumprimentou com sarcasmo:
– Olá, sweetie. É tão bom te ver. Quanto tempo, não? Sentiu minha falta?
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