Recomeço
25 Capítulo 25 - Promessas
Notas iniciais
Havia anoitecido, passava das onze horas da noite e os Winchesters haviam chegado ao Hospital de St. Louis com as garotas e Ezekiel. O anjo e Claire já haviam entrado no quarto de UTI onde a Sra. Rachel estava. Cada um estava de um lado da cama olhando para a paciente. Sam e Dean estavam em pé no corredor, observando os três através de uma janela de vidro que havia próximo da porta.
– Sammy, o que você disse para convencer Ezekiel? — quis saber o mais velho.
– Eu não quero falar sobre isso, Dean. O importante é que ele está aqui e vai ajudar a Sra. Rachel. — respondeu Sam.
– Por falar nisso, o que ele está esperando? — estranhou Dean já que Claire e Ezekiel estavam no quarto já há algum tempo.
– Eu acho que ele está alertando a Claire de que pode haver consequências. — supôs Sam.
– Que tipo de consequências? — interessou-se Dean.
– Eu não tenho ideia. — admitiu o mais novo e em seguida mudou de assunto — Cadê a Natalie?
– Na cantina. Ela disse que estava morrendo de fome. — respondeu o mais velho.
– E você? Não está? — estranhou Sam.
Um pouco hesitante, Dean respondeu:
– Eu preferi deixar ela ir primeiro.
– Eu acho que a cantina é grande o suficiente pra vocês dois. — disse Sam e depois de pensar um pouco, acrescentou — A não ser que você esteja evitando a Natalie. Você está?
– Eu não quero falar sobre isso, Sammy. — desconversou ele.
Sam sorriu levemente e argumentou:
– Dean, isso é ridículo. Vocês vieram no mesmo carro e, provavelmente, vão voltar para o bunker juntos também. Como se evita alguém assim?
– Este é o ponto, Sammy. Aguentar a Natalie durante a viagem e no bunker já é o suficiente. Eu não preciso fazer as refeições com ela também. Até uma trégua tem os seus limites. — respondeu Dean um pouco ríspido e no fundo magoado por Natalie ter dito que não aconteceu nada na cozinha.
– Parece que alguém está de mau humor. — debochou Sam.
– O que você quer dizer com isso, Sammy? — indagou o mais velho.
– Me diga você, Dean. — desafiou Sam e como o irmão permaneceu em silêncio, continuou — Primeiro você diz que não suporta a Natalie e não vê a hora dela ir embora. Mas quando ela fala em pegar a estrada e sumir pra sempre da sua vida, você diz que "caçadores ajudam uns aos outros" e a convence a ficar. Vocês viviam brigando mesmo sendo praticamente idênticos. Então vocês conversam, resolvem dar uma trégua e estava dando certo, pelo o que eu entendi. Mas agora você está evitando a garota mesmo depois do que eu vi na cozinha.
– O que você viu na cozinha? Não aconteceu nada na cozinha. Apenas uma conversa civilizada. — esclareceu Dean.
– Conversa civilizada? Eu não sabia que flertar tinha mudado de nome. — provocou Sam.
Surpreso e um pouco ofendido, Dean continuou:
– O quê? Você acha que eu estava flertando com ela? Por favor...
– Dean...
– Ok! Que tal mudarmos de assunto? Vamos falar sobre a Claire. — sugeriu o mais velho observando a reação do irmão.
– Eu não quero falar sobre ela. — disse Sam voltando a olhar para dentro do quarto.
– Como eu pensei. — encerrou Dean e então voltou a olhar para o quarto também.
Ezekiel aproximou a mão do ombro da paciente, mas parou antes de tocá-la e lembrou:
– Claire, é importante que você saiba que o que eu vou fazer pode não ser definitivo.
– Faça assim mesmo. — pediu a garota — Depois eu mesma cuidarei da minha mãe e não deixarei que ela volte para este hospital.
– Isso não está sob o seu controle, Claire. Se a sua mãe tiver que morrer, ela vai morrer. — avisou ele.
– Nós viemos até aqui. Por favor, não desista agora. — pediu ela.
– Eu não estou desistindo. Só te lembrando de que toda escolha traz uma consequência. Você está pronta para lidar com a consequência disso, Claire? — indagou o anjo.
– Sim. — afirmou ela e em seguida, pediu — Faça.
Ezekiel assentiu, tocou o ombro de Rachel e fechou os olhos. Claire observou o gesto, bem como Sam e Dean também observaram. Instantes depois e um pouco enfraquecido, Ezekiel se afastou e disse:
– Está feito.
Claire se aproximou mais um pouco da cama e se debruçou na direção da mãe. Passou a mão por seus cabelos e perguntou:
– Ela não deveria acordar?
– Ela está acordando. — respondeu Ezekiel e então Rachel abriu os olhos aos poucos.
– Obrigada. Muito obrigada. — agradeceu Claire emocionada olhando para o anjo e depois para a mãe.
Ezekiel assentiu com um meneio de cabeça e começou a se afastar para deixar o quarto.
– Claire? — murmurou a mãe da garota com a voz ainda fraca.
– Mãe... Sou eu, mãe. Claire. Está tudo bem, mãe. Agora vai ficar tudo bem. — disse a garota ainda mais emocionada.
Ezekiel deixou o quarto e fechou a porta. Parou diante de Sam e Dean.
– Obrigado. — agradeceu o Winchester mais novo — Obrigado por ter feito isso, Ezekiel.
– É, obrigado, Zeke. Eu vou te chamar de Zeke, tudo bem? — disse Dean e em seguida, completou — E desculpe por ter te chamado de idiota antes.
– Sem problemas. — tranquilizou o anjo.
– Então, pra onde você vai agora? Vai voltar pro Kansas? — quis saber Sam.
– Não. Eu vou procurar os meus irmãos de novo. Alguns deles estão com muita raiva e acham que só tem uma escolha: se juntar a Bartolomeu. Eu quero mostrar para eles que nós sempre temos outra escolha. Obrigado, Sam, por me ensinar que isso é possível. — respondeu o anjo.
– Você acha que a Sra. Rachel vai ficar mesmo bem? — indagou o Winchester mais novo.
– Honestamente, eu não sei. Mas eu estou feliz por ter ajudado mesmo assim. Por ter feito a diferença para ela e para a filha. Por ter dado mais algum tempo para elas. Eu me sinto... Melhor. — expôs Ezekiel.
Sam assentiu e Dean perguntou:
– Quem é Bartolomeu? É a segunda vez que eu ouço você dizer este nome.
– Ele é um... Burocrata. Está reunindo alguns anjos... — explicou Ezekiel.
– Reunindo pra quê? — quis saber Sam.
– Eu ainda não sei, mas algo me diz que logo nós vamos descobrir o que ele está planejando exatamente. Eu acho que vocês irão ouvir falar dele mais cedo do que imaginam. — respondeu Ezekiel.
– Se você descobrir o que ele está planejando, por favor, nos conte, ok? — pediu Dean um tanto preocupado com aquele misterioso anjo.
– Claro. — concordou Ezekiel e antes de se afastar, sorriu levemente e desejou — Boa sorte com as garotas, Winchesters. Vocês vão precisar.
– O que ele quis dizer com isso? — perguntou Dean para o irmão.
Neste momento, uma enfermeira e um médico se aproximaram e entraram no quarto. Claire havia os chamado através da campainha momentos antes. Eles ficaram abismados com a recuperação inexplicável e milagrosa de Rachel Davis.
Sam observou Claire sorrir para a mãe e acariciar o seu rosto antes de se afastar para que o médico e a enfermeira examinassem a paciente. Claire olhou para Sam e seus lábios formaram a palavra "obrigada". Sam assentiu e começou a se afastar com o irmão. No entanto, ele parecia preocupado e ao perceber isso, Dean perguntou:
– O que foi?
– Você não acha que está tudo muito bem? Demais? — indagou Sam.
– Não era o que nós queríamos? Zeke ajudou a Sra. Rachel e Claire está feliz. Tudo saiu como o planejado. — lembrou Dean.
– Eu sei... Mas, eu não consigo esquecer o que Ezekiel me disse sobre... As consequências que isso pode ter. — preocupou-se Sam.
– Um problema por vez, Sammy. Vamos esperar a Sra. Rachel se recuperar completamente e então nós vamos levá-la para o bunker com as garotas. Depois nós pensamos nas consequências, ok? — sugeriu Dean e em seguida, brincou — Eu sei que vai ser meio desconfortável pra você ter a sogrinha ali tão perto, mas...
– Cala a boca. — resmungou o mais novo.
– Mas nós precisamos manter a Sra. Rachel, sua bela filha e a insuportável da Natalie seguras até descobrirmos o que Abaddon e Belial estão planejando. — completou Dean.
– Então a Natalie voltou a ser insuportável? — perguntou o mais novo.
– Ela nunca deixou de ser. A diferença é que com a trégua, eu não posso dizer isso pra ela o tempo todo. — esclareceu Dean.
– Certo... — duvidou Sam.
– Eu estou falando sério, Sammy. — garantiu Dean e em seguida, acrescentou — A Natalie é... Espaçosa, mal educada, mandona. Eu não a suporto.
– Dizem que as melhores começam assim. — alertou Sam sorrindo.
Dean revirou os olhos e mudou um pouco de assunto:
– Mas quer saber? Numa coisa você está certo. A cantina é grande o suficiente pra mim e pra aquela insuportável. E eu estou cheio de fome. Você vem também?
Sam parou no corredor e olhou pra trás antes de responder:
– Não. Eu vou ficar por perto, caso a Claire precise de alguma coisa.
– Então vocês estão de bem de novo? — indagou Dean.
– Nós nunca brigamos. — esclareceu Sam.
– Mas você ficou com ciúme dela com o Zeke que eu vi. — lembrou o irmão.
– É... E aquilo foi idiotice. Eu não tenho motivos para ter ciúme. — disse Sam.
Dean sorriu levemente e inclinou um pouco a cabeça antes de brincar:
– Humm... Quanta segurança, garotão.
– Não, Dean. Não é nada disso. Eu quero dizer que eu não preciso ter ciúme porque eu e a Claire não temos nada um com o outro. E se depender de mim, nunca vamos ter. — esclareceu o mais novo.
– Nunca diga nunca. — aconselhou Dean.
– Ela é só uma amiga. Nada de mais. — afirmou Sam.
– Dizem que as melhores começam assim. — alertou Dean sorrindo e em seguida se afastou.
Sam balançou a cabeça negativamente e caminhou na direção oposta. Parou de frente para o quarto de Rachel enquanto Dean chegava na cantina. Ao chegar lá, ele viu Natalie em uma das mesas. Ela já havia terminado de comer e agora escrevia alguma coisa em uma espécie de diário.
Dean caminhou até o balcão e fez o pedido. Depois, já com a bandeja procurou algum lugar para sentar, mas só havia uma cadeira vazia. Justamente na mesa de Natalie.
Dean revirou os olhos antes de se aproximar e perguntar:
– Eu posso?
– Claro, Dean. Tudo pela trégua. — consentiu ela sem tirar os olhos das anotações.
Dean colocou a bandeja sobre a mesa, puxou a cadeira e sentou.
– Que fofo! Ela tem um diário. — zombou ele.
Natalie respirou fundo e rebateu:
– Olha quem fala.
– Aquele diário era do meu pai. E não é um diário comum. Tem tudo o que ele descobriu sobre o sobrenatural durante anos de caça. Claro que, você já sabe disso, não é? Afinal, você teve a oportunidade de ler. Sem permissão. — disse ele.
– Bem, este também não é um diário comum. É aqui que eu faço as minhas anotações desde que eu saí do orfanato e virei caçadora. E sobre ter lido o diário do seu pai, eu já pedi desculpas por aquilo e não vou pedir de novo. — esclareceu a loira e depois que terminou de escrever, fechou o diário, olhou para Dean pela primeira vez desde que ele tinha se aproximado e perguntou — Como a Sra. Rachel está?
– Ela está bem. Ezekiel fez o que tinha que fazer e foi embora. Claire está com a mãe agora. — relatou Dean.
– Como assim Ezekiel foi embora? Sem se despedir de mim? — indagou ela um pouco decepcionada.
Dean sorriu com deboche e provocou:
– Parece que você não faz muito o tipo dele.
– E parece que você está esquecendo da nossa trégua, Dean. — lembrou Natalie tentando conter a raiva por ele ter dito aquilo.
– Ok, desculpe. — reconheceu ele e em seguida lembrou da loira dando em cima de Ezekiel no outro dia, na pensão, e resolveu sondar — Mas você não está falando sério, está? Sobre o Zeke? Ele é um anjo, lembra?
– Castiel era um anjo quando conheceu a Mia e, no entanto, olha como eles estão hoje. Dois coelhos apaixonados e felizes. — argumentou a loira enquanto pensava no apelido que Dean deu para Ezekiel — Zeke... Eu gostei disso. — refletiu ela.
– Então... Você estava mesmo a fim dele? — quis confirmar Dean.
– Bem, eu gostei da casca. Foi uma ótima escolha, por sinal. Definitivamente, ele faz o meu tipo. Por quê? — prosseguiu Natalie.
– Por nada. — respondeu Dean e em seguida começou a comer o lanche.
Natalie o observou por alguns instantes. Sem que ele visse deu um leve sorriso e depois voltou a escrever no diário.
Enquanto isso, Claire estava sentada na cama segurando a mão da mãe que observava um pouco intrigada um homem parado do lado de fora, observando as duas pelo vidro.
– Quem é ele? — quis saber Rachel.
Claire olhou para a janela, depois voltou a olhar para a mãe e respondeu:
– Um amigo.
– E esse amigo tem nome? — quis saber a mãe.
– Sam. Sam Winchester. — respondeu Claire.
Rachel olhou mais uma vez para o vidro e depois disse sorrindo para a filha:
– Você sempre gostou de homens altos. E cabeludos. Na faculdade então, nem se fala...
Sem graça, Claire esclareceu:
– Nós somos apenas amigos.
– Geralmente, é assim que começa. — insinuou Rachel.
– Mãe, além de ser apenas um amigo, Sam é caçador. E pelo que eu me lembro, você queria me manter bem longe deste tipo de vida. — esclareceu Claire.
– Isso foi antes, filha. Agora as coisas mudaram. Aquele demônio, Belial, ainda está lá fora. Talvez um caçador seja exatamente o que você precise neste momento. Ele pode te proteger.
– Eu posso me proteger sozinha, mãe. Além disso, e pela última vez, Sam é só um amigo. — reafirmou a garota.
– Então por que ele não para de olhar para você, Claire? — notou Rachel fazendo a filha olhar para o vidro mais uma vez e ver Sam atrás dele a observando — E por que você ficou vermelha de repente? — notou ela em seguida.
– Mãe...
– Me escute, querida. — pediu Rachel segurando a mão da filha com mais força — Eu não vou te condenar por você ter se apaixonado por um caçador. Eu sei muito bem o quão irresistíveis eles podem ser. Misteriosos, interessantes, experientes e com aquele jeito de herói sofredor e solitário... Que mulher resiste?
– Mãe! — repreendeu Claire achando engraçada a forma como ela falava aquelas coisas.
Rachel sorriu e prosseguiu:
– Além disso, eu nunca te disse, mas sobre você e o David, eu nunca senti que ele era a pessoa certa para você. Eu não sentia paixão na forma como ele te olhava. Já aquele rapaz ali, se continuar te olhando mais um pouco, o vidro vai começar a derreter logo logo. Tem fogo ali, Claire. Tem paixão. Tem futuro. Eu sinto.
– Você acordou mesmo, hein, Sra. Rachel? E está impossível. — brincou a filha e em seguida, acrescentou — Mas está vendo coisas onde não existe. Eu não estou apaixonado pelo Sam. Nem ele por mim. Nós somos apenas... Amigos.
– Ok. Você ainda não está pronta. — deduziu a mãe e após um momento em silêncio, continuou — Eu só quero ter certeza de que você ficará bem, filha. Quando eu não estiver mais aqui.
– Como assim? — não entendeu Claire.
Rachel a observou por alguns instantes enquanto pensava em como dizer aquilo, e então explicou:
– Filha, eu sei que eu não devia ter acordado. Eu sei que aquele outro rapaz que esteve aqui fez alguma coisa para que isso acontecesse. Mas eu sei que não foi algo natural. Foi sobrenatural. Ele me trouxe de volta, de alguma forma, quando eu já estava pronta para deixar este mundo. E eu sei que é exatamente isso que vai acontecer mais cedo ou mais tarde. Ele apenas me deu um tempo extra. A oportunidade de me despedir de você. E eu sou muito grata por isso, filha. Só por isso, já valeu a pena acordar.
– Eu não estou gostando dessa conversa, mãe. — temeu Claire levantando da cama e se afastando um pouco.
– Filha, você precisa ser forte. E precisa entender que o que aconteceu comigo não foi sua culpa. — pediu Rachel.
– Pare de falar desse jeito, mãe. Você está me assustando. — pediu Claire enquanto Sam observava a garota sem entender porque ela estava ficando nervosa já que ele não conseguia ouvir a conversa pelo vidro — Você está viva, você está bem e é assim que você vai continuar. Eu vou te proteger. Eu não vou deixar nada de ruim te acontecer e tudo vai ficar bem. Eu prometo. Mas pare de falar desse jeito como se...
– Como se eu fosse morrer. — completou Rachel percebendo que Claire não tinha coragem de terminar a frase — Desculpe, filha, mas é exatamente isso que vai acontecer. Mas eu não quero que você se culpe por isso. E também não quero que você pense que eu estou triste. É a ordem natural das coisas, filha. Eu cumpri o meu destino. Agora você precisa ser forte para cumprir o seu. É assim que deve ser.
– Não... Por favor, não fale assim. Eu não quero te perder, mãe... Por favor... Não... — implorou Claire.
Ao vê-la ainda mais nervosa, Sam abriu a porta preocupado e entrou. Claire caminhou até ele e o abraçou. Instintivamente, ele correspondeu ao abraço e perguntou:
– O que houve?
– Ela disse que vai morrer, Sam. E está conformada com isso... Mas eu não posso aceitar... Eu não posso lidar com isso... Eu não posso aceitar...
– Você precisa, filha. Você precisa ser forte e seguir a sua vida sem mim quando chegar a hora. Por favor, me prometa que é exatamente isso que você vai fazer. Seguir com a sua vida. Recomeçar. Longe daqui. Em outra cidade, em outro estado, em outro lugar. — pediu Rachel.
– Eu não posso. — relutou Claire se afastando de Sam e se aproximando da cama novamente.
– Sim, você pode. Me prometa, Claire Davis... Singer que você vai seguir com a sua vida e vai me deixar orgulhosa onde quer que eu esteja. Prometa. — insistiu Rachel enquanto uma lágrima descia pelo seu rosto.
Claire sentou na cama e segurou a mão da mãe mais uma vez. Pensou em tudo que ela disse e em tudo que a levou até aquele momento enquanto as lágrimas a venciam pouco a pouco.
– Prometa. — repetiu Rachel enxugando o rosto da filha.
– Eu prometo. — respondeu Claire por fim e então se debruçou um pouco e abraçou a mãe.
– Boa menina. — disse Rachel alisando os cabelos da filha e enquanto olhava para Sam, pediu — E você, rapaz, proteja a minha filha, entendeu? Cuide dela por mim.
– Eu vou cuidar. — respondeu Sam instintivamente.
Claire se afastou um pouco, mas permaneceu sentada na cama. Rachel voltou a olhar para Sam e ameaçou em tom de brincadeira:
– E se você magoá-la de alguma forma, eu juro que volto do além para puxar o seu pé. E os seus lindos cabelos também.
– Mãe! — repreendeu a filha constrangida.
Também constrangido, Sam sorriu levemente e esclareceu:
– Nós somos apenas amigos.
– Ah! Claro! Vocês acham que eu nasci ontem? Amigos? — duvidou Rachel e diante do constrangimento dos dois, resolveu mudar de assunto — Sam, por que você não leva a minha filha até a cantina? Algo me diz que ela não comeu nada hoje. Aliás, eu acho que ela não tem se alimentado direito desde que eu vim pra cá. É por isso que ela está tão magrinha...
– Nao exagera, mãe. Eu estou bem. — garantiu Claire.
– Eu não sei... O que você acha, Sam? A Claire está magra, não está? — indagou Rachel.
Um pouco atrapalhado, Sam respondeu:
– Na verdade, eu acho que... Não. Nem magra nem... Gorda. Claire está... Bem assim. Muito bem, aliás. Com todo o respeito, é claro.
– Tudo bem, Sam. Eu sei que eu fiz uma filha muito bonita. — disse Rachel orgulhosa — Claro que eu não fiz ela sozinha. Bobby Singer teve alguma participação nisso. Sabe... O meu único arrependimento, é não ter contado pra ele sobre isso. Ele morreu sem saber que tinha uma filha tão linda. Me desculpe, Claire. Eu só estava tentando te proteger.
– Tudo bem, mãe. Você fez o melhor que pôde. Você foi a minha mãe e o meu pai. Obrigada. Por tudo. Eu não quero te perder, mãe... — disse Claire voltando a chorar.
– Onde eu estiver, eu estarei olhando por você, filha. Me deixe orgulhosa. — disse a mãe.
– Eu vou. — garantiu a filha enxugando o rosto.
Então Rachel observou os dois até que Claire levantou e disse:
– Eu volto logo, mãe. Você está certa, eu não comi nada o dia inteiro. Estou começando a ficar um pouco tonta.
– Tudo bem, filha. Vá. Eu estarei aqui quando você voltar. — respondeu Rachel e em seguida observou os dois saindo do quarto.
Sam e Claire começaram a caminhar pelo corredor em silêncio até que a garota parou de andar. Sentindo que ela ia desmoronar, Sam a puxou e a abraçou mais uma vez.
– Claire, eu sinto muito. — lamentou ele.
Ela fechou os olhos e chorou em seu ombro. Com a voz trêmula, desabafou:
– Eu não acredito, Sam... Depois de tudo que nós passamos... Fizemos... Depois de você ter convencido Ezekiel... Ela vai morrer, Sam. A minha mãe vai morrer mesmo assim e eu não posso fazer nada para impedir... Mas eu também não posso aguentar ver isso acontecer... O que vai ser de mim, Sam? Isso machuca... Isso doí... Eu não vou aguentar... Eu não consigo... Eu não vou aguentar...
Comovido com a dor da garota, Sam a abraçou mais forte e tentou reconfortá-la:
– Você vai aguentar, Claire. E eu estarei aqui, ao seu lado, pra garantir isso. Você é a mulher mais forte e mais linda que eu já conheci. Você é capaz de fazer qualquer coisa. Eu não tenho dúvida disso. Eu sei que vai ser difícil e doloroso no começo, mas com o tempo você vai superar, você vai deixar a sua mãe orgulhosa, o seu pai também, você vai conseguir. E pra o que você precisar, eu estarei aqui, eu sempre estarei aqui, Claire. Pra você, por você... Eu estou aqui. Sempre.
Claire parou de chorar aos poucos sob o efeito daquelas palavras, mas não conseguia se afastar de Sam. Era bom e reconfortante estar nos braços dele. Sentia-se protegida e forte. Ela desejou que o tempo parasse para que eles ficassem assim. Abraçados. Sua mãe ainda viva. E nada mais.
– Promete? — perguntou ela por fim se afastando um pouco — Promete que você sempre vai estar aqui e que eu vou conseguir passar por tudo isso. Promete?
– Prometo. — afirmou Sam segurando o rosto dela com carinho e olhando profundamente em seus olhos.
E naquele momento, ele esqueceu completamente tudo que Ezekiel falou sobre destino e sobre ele e Claire. Não queria saber onde aquilo ia levá-los, não queria saber se era certo prometer que estaria sempre com Claire lhe dando apoio, não queria saber se aquilo estava colaborando para que aquele destino se cumprisse, não queria pensar no futuro.
Sam apenas disse o que queria dizer, fez o que queria fazer, sem se preocupar com o depois, sem pensar em destino, apenas no presente. Apenas em Claire. Ela precisava dele. E era só isso que importava naquele momento.
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