Recomeço

26 Capítulo 26 - A enfermeira


Notas iniciais
Olá, pessoas queridas e instigantes! Bem, não vou explicar o nome do capítulo. Logo vcs entenderão... Mas preciso avisar uma coisa: escrever ação não é um dos meus fortes, e este capítulo tem bastante ação, então me perdoem se não ficou tão bom assim, ok? Farei minhas ressalvinhas meigas lá embaixo.

Mia abriu a porta do quarto e entrou seguida por Castiel que a trancou logo depois. Os dois estavam discutindo um assunto delicado desde o andar de baixo e estavam bem longe de chegar a um consenso.

– Cas, eu disse não. — reforçou a vampira.

– Mia, se o meu sangue te fez bem de alguma forma, é apenas dele que você vai se alimentar de agora em diante. Está decidido. Você não está me pedindo nada. Eu é que estou oferecendo. A escolha é minha. Por favor, me deixe ajudar você. — insistiu ele.

Ela sentou na cama e respondeu:

– Anjo, isso é... Fofo. Mas é suicida também. E eu não posso aceitar. Não é certo. Eu posso te machucar, ou pior, até te matar. Portanto, minha resposta continua sendo não.

Castiel sentou ao lado dela e afirmou:

– Você não vai me machucar, Mia. Assim como você não me machucou hoje na cozinha. Eu confio em você.

– Cas... Não pense que foi fácil resistir hoje de manhã. Eu precisei de muita força e auto controle pra não ceder a fome, ao desejo de beber todo o seu sangue. Cada gota do seu sangue. — confessou ela.

– Mas você conseguiu. — lembrou ele.

– A questão é: até quando eu vou conseguir? Até quando você acha que eu vou conseguir lutar contra a minha própria natureza, Cas? Eu sou uma vampira. E você quer me expor ao seu sangue? Sério? Todos os dias? Sério de novo? — disse ela indignada.

– Eu sei que você pode fazer isso, Mia. Nós vamos fazer com que dê certo. — garantiu Castiel.

Mia pensou um pouco e argumentou:

– Cas, por mais que eu te ame e que você confie em mim, eu continuo sendo uma vampira. E isso é... Brincar com fogo. E eu não estou a fim de me queimar. Muito menos de colocar a sua vida em risco. Além disso, mesmo que eu conseguisse resistir, você ficaria fraco depois de alguns dias. Poderia até ficar doente. E como você acha que eu vou me sentir se alguma coisa acontecer com você por minha causa? Por isso tudo, a resposta é não, anjo. Eu não vou me alimentar de você de novo. Fim de papo. Não insista.

Castiel observou Mia por alguns instantes, em seguida levantou e caminhou até o criado-mudo. Abriu a gaveta. Pegou a espada angelical. E se aproximou dela de novo.

– O que você está fazendo, anjo? — estranhou a vampira.

– Eu não queria fazer isso, Mia. Mas você não me dá outra escolha. O seu lado humano não te deixa aceitar a minha ajuda, então eu vou falar diretamente com a vampira. Na linguagem que os vampiros entendem melhor. Com sangue. — disse Castiel e em seguida fez um corte no antebraço.

Ao ver o sangue escorrendo pelo ferimento e ao sentir o seu cheiro, os olhos de Mia ficaram avermelhados quase que imediatamente. Mas, tentando se controlar, ela levantou e se moveu rapidamente em direção à porta. Tentou abrí-la, mas estava trancada. Então ela encostou a testa na porta e fechou os olhos antes de dizer:

– Isso foi golpe baixo, anjo. Pior do que oferecer osso para o cachorro, doce para a criança, banana para o macaco. Por favor, abra a porta. Eu não quero te machucar.

– Você não vai. — garantiu Castiel enquanto se aproximava dela.

Em seguida, ele segurou Mia, a virou e a segurou contra a porta. Ela abriu os olhos um pouco relutante. Eles estavam ainda mais avermelhados.

– Como você pode ter tanta certeza se nem eu mesma tenho? — indagou ela.

– Não se pode machucar quem se ama, lembra? — recordou ele.

– As coisas não são tão simples, Cas. Eu estou faminta e você é uma delícia. Oh meu Deus... É como seu eu fosse o Edward e você... A Bella... — refletiu Mia ficando ainda mais apavorada.

Castiel franziu a testa e indagou:

– Quem são esses?

– Acredite, anjo, é melhor você não saber. Saiba apenas que eu não brilho no sol. — desconversou Mia e em seguida voltou a olhar para o sangue que saía do corte.

Castiel percebeu e ergueu um pouco o antebraço na direção da garota antes de dizer:

– Beba. Me deixe te ajudar, Mia. Por favor.

– Não... — relutou ela e após alguns instantes, disse — Eu não vou conseguir resistir por muito tempo, Cas. Por favor, abre a porta.

– Eu não estou te pedindo para resistir, Mia. Eu estou te pedindo para beber. Então beba. — insistiu ele.

A vampira olhou mais uma vez para o braço de Castiel apoiado na porta, bem próximo ao rosto dela. Olhou para corte e para o sangue. Respirou fundo e o cheiro a dominou mais uma vez. Sentia seus olhos queimarem, sua garganta ficando cada vez mais seca e implorando por aquela bebida, seus dentes estavam ficando doloridos à medida que cresciam sutilmente.

– Eu não posso... Por favor, para com isso. — relutou ela.

– Beba. — ordenou Castiel mais uma vez.

Mia o encarou por alguns instantes antes de finalmente parar de lutar. Não conseguia mais resistir. Precisava daquele sangue. Então, com cuidado, segurou o braço dele e o puxou mais para perto de si. O aproximou de sua boca, encostou os lábios sobre a pele macia e começou a beber o sangue. Segurou o braço de Castiel com mais força e fechou os olhos em seguida.

Castiel a observou satisfeito enquanto afastava as mechas de cabelo que caíam sobre o rosto da garota. Até que de repente, ela se moveu rapidamente e o empurrou em cima da cama. Com a mesma rapidez, se posicionou em cima dele e segurou o seu braço sobre os lençóis. Aproximou o rosto e bebeu mais um pouco. Instantes depois, ela voltou-se para ele e confessou:

– Eu quero te morder.

Castiel ainda estava se recuperando da surpresa por Mia ter o rendido ali com tanta agilidade e rapidez quando ouviu ela dizer isso. A encarou um pouco atordoado. No entanto, além de estar disposto a fazer qualquer coisa por Mia, ele também tinha certa curiosidade em relação àquilo. No fundo, gostava daquela ideia. Queria saber como era ser mordido por ela. Então acabou respondendo:

– Morde.

Mesmo um pouco surpresa diante da falta de relutância dele, Mia ficou feliz por Castiel ter consentido que ela fizesse aquilo. Então decidiu não perder tempo. Aproximou-se do pescoço dele, fechou os olhos e o mordeu devagar para não assustá-lo. O sangue naquela região era ainda mais delicioso. Mas Mia lembrava a si mesma, o tempo todo, de que não podia perder o controle da situação ou nunca se perdoaria se machucasse Castiel.

No começo, ele ficou um pouco incomodado com a dor que aquela mordida em seu pescoço lhe causou. Mas, instantes depois, a dor foi dando lugar a uma sensação quase entorpecente, prazerosa, surreal... Não podia negar que aquilo era bom. Muito bom. E se era para ajudar Mia, estava disposto a fazer aquilo mais vezes. Todos os dias se fosse necessário. Até encontrar uma cura para ela.

Enquanto isso, no Hospital em St. Louis, uma enfermeira caminhava pelo corredor em direção ao quarto onde Rachel estava. Seus passos firmes eram ouvidos por todo o corredor. Ao chegar à porta, a enfermeira colocou a mão na maçaneta. Nas unhas, o esmalte extremamente vermelho destoava diante do uniforme branco composto por uma blusa e uma saia justa um pouco abaixo dos joelhos. A enfermeira girou a maçaneta e abriu a porta lentamente. Aproximou-se da cama e ficou observando a paciente dormindo. Debruçou-se um pouco sobre a cama e começou a mexer nos cabelos de Rachel. Em seguida, sussurrou:

– Sra. Davis... Hora de acordar...

A paciente abriu os olhos devagar, mas ao ver aquela estranha tão próxima dela, se afastou um pouco assustada.

– Quem é você? O que você está fazendo aqui? — indagou Rachel surpresa diante da mulher de cabelos vermelhos como sangue e impecavelmente presos em um coque.

A enfermeira se afastou um pouco, mas permaneceu em pé ao lado da cama antes de responder com naturalidade, firmeza e certo sarcasmo:

– Eu sou a sua nova enfermeira, Sra. Rachel. Pena que a senhora não vai aproveitar os meus serviços por muito tempo. Mas quem sabe a sua filha aproveite no seu lugar, hein? Algo me diz que a Claire vai precisar de cuidados especiais depois que eu quebrar cada osso do corpo dela. Então... Onde aquela vadia está?

Rachel arregalou os olhos ainda mais assustada e tentou alcançar a campainha para chamar ajuda. Mas antes que conseguisse, a estranha enfermeira afastou o fio da campainha do alcance da paciente e balançou a cabeça negativamente antes de dizer:

– Eu não faria isso se fosse a senhora. Se alguma enfermeira ou médico idiota aparecerem aqui, eu vou ser obrigada a me livrar deles. E a senhora não quer morrer carregando esta culpa para o túmulo, quer?

– Quem diabos é você, afinal? — quis saber Rachel desistindo da ideia de pedir ajuda e apenas querendo entender o que estava acontecendo ali e o que aquela mulher queria.

A ruiva sentou na cama e respondeu:

– Meu nome é Abaddon. A senhora conheceu o meu irmão, Belial. Quase intimamente, eu diria, já que ele teve o desprazer de possuir o seu corpo decadente por alguns dias. Ah! Por falar nisso, ele mandou lembranças. Infelizmente, ele não pôde vir. Mas aqui estou eu!

Finalmente entendendo o que estava acontecendo, Rachel murmurou:

– Você é um deles. Um demônio.

Abaddon abriu um pouco os braços mostrando o uniforme e acrescentou:

– E enfermeira nas horas vagas.

– O que você quer? E o que vocês querem com a minha filha? Deixem ela em paz! — disse a paciente se exaltando um pouco.

– Shiiiiiii. — murmurou Abaddon se debruçando sobre Rachel — Não fale. A senhora não pode se exaltar. Fique calma. A senhora ainda está se recuperando, lembra? Todo cuidado é pouco.

– O que vocês querem com a minha filha? — perguntou Rachel novamente e tentando manter-se calma.

– Por que nós não descobrimos isso juntas, hein? Onde a Claire está? Chame ela aqui e então nós poderemos ter uma longa conversa sobre isso. — sugeriu Abaddon, embora não tivesse a intenção de contar nada para Rachel, apenas queria atrair Claire até ali.

Com medo e tentando proteger a filha, Rachel mentiu:

– Ela não está aqui.

Abaddon se afastou novamente e deu a volta na cama enquanto Rachel a acompanhava com o olhar. A ruiva parou ao seu lado novamente e puxou uma cadeira que havia no canto do quarto. Sentou. Cruzou as pernas e a observou por um longo momento antes de dizer:

– Ela está aqui. Aliás, eu sabia que mais cedo ou mais tarde, Claire iria voltar para visitar a mãe moribunda. Eu só não entendo como a senhora se recuperou. Eu diria que isso é um verdadeiro milagre. É uma pena que tenha sido em vão.

– Eu não tenho medo de morrer. — afirmou Rachel sentindo uma ameaça oculta naquelas palavras.

– Se eu fosse a senhora, eu começaria a ter. — aconselhou Abaddon a encarando severamente. Em seguida sorriu e continuou calmamente — Bem, de qualquer forma, este hospital é muito grande e eu não quero gastar os meus saltos procurando a sua filha por aí. — e passando a mão por um dos sapatos, contou — A mulher que eu matei gostava deles. Ela comprou em Paris, acredita?

Rachel a olhou com ódio e esclareceu:

– Eu sei que você está tentando me assustar, mas não vai funcionar, querida. Eu já disse que eu não tenho medo de morrer. Eu estou pronta. E sobre a minha filha... Você está perdendo o seu tempo. Claire não está aqui. Eu já disse.

Abaddon sorriu e pegou uma das revistas que estava sobre uma mesinha ao lado da cadeira antes de responder:

– Por sorte, eu estou com a minha agenda livre esta noite, Sra. Rachel. E eu sei que a Claire está aqui. Eu vi o carro dela lá fora. Aliás, eu acho que ela não veio sozinha. Sabe, eu venho observando o hospital há dias. Então pare de mentir. Por que nós não esperamos juntas até ela resolver aparecer?

Em seguida, Abaddon abriu a revista e começou a folheá-la enquanto Rachel a observava com uma expressão preocupada. Claire não podia voltar para aquele quarto, mas a mãe sabia que era exatamente isso que iria acontecer.

Naquele momento, Sam e Claire estavam na cantina sentados com Natalie e Dean em uma mesa maior que havia ficado vaga minutos antes. Claire terminou de tomar o café e disse olhando para os três:

– Olha, vocês já fizeram tudo o que podiam e eu sou muito grata por isso, mas agora vocês podem ir. Eu sei que vocês devem estar cansados, precisam dormir um pouco. E não há motivos para passarem a noite aqui. Eu vou ficar porque eu quero ficar com a minha mãe todo o tempo que... Resta, mas vocês podem ir. Nós duas vamos ficar bem.

– Tem certeza? — indagou Natalie que no fundo sentia-se mesmo cansada depois de ter passado o dia inteiro na estrada.

– Tenho. Vocês podem ir. Eu vou ficar bem, não se preocupem. — respondeu Claire.

Enquanto se levantava, Dean confessou:

– Na verdade, eu estou muito cansado mesmo. Preciso das minhas quatro horas de sono. Então se você realmente não se importa, Claire, eu vou.

– Sem problemas, Dean. Eu entendo. Pode ir. — tranquilizou Claire.

O Winchester mais velho olhou para o irmão e percebeu que ele observava Claire ainda preocupado. Já imaginando qual seria a resposta, Dean perguntou:

– E você Sammy?

– Eu vou ficar. — respondeu Sam enquanto Natalie se levantava.

Então Claire o olhou e prosseguiu:

– Sam, você não precisa fazer isso. Eu vou ficar bem e eu sei que você está tão cansado quanto o Dean. Você também dirigiu o dia inteiro até chegarmos aqui.

– Eu não vou te deixar sozinha, Claire. Abaddon e Belial ainda estão lá fora. Mas mesmo que eles não estivessem, eu não te deixaria sozinha neste momento. Eu vou ficar. — explicou Sam a olhando com carinho.

Dean deu um leve sorriso enquanto observava a forma como os dois se olhavam e em seguida concordou:

– O Sammy está certo. Não é bom você ficar sozinha, Claire. — e em seguida encerrou — Vejo vocês amanhã cedo.

Então ele começou a se afastar. Antes de seguí-lo, Natalie colocou a mão no ombro da amiga e disse:

– Se cuida. E qualquer coisa me liga, ok?

Claire assentiu e a loira se afastou. Logo ela e Dean deixaram a cantina. Então, Claire voltou-se para Sam e agradeceu:

– Obrigado. Por ficar.

– Eu prometi que te apoiaria, lembra? — disse ele.

Claire sorriu e enquanto se levantava, anunciou:

– Bem, então eu vou ver como a minha mãe está.

– E eu vou pegar mais café. Nós vamos precisar. — disse Sam também se levantando.

– Ok, te vejo daqui a pouco. — combinou Claire e em seguida se afastou enquanto Sam caminhava até o balcão para pedir mais dois cafés.

Claire caminhou pelo corredor do hospital e Sam pegou dois copos descartáveis com café e começou a deixar a cantina. Claire virou em mais um corredor e continuou caminhando. Passou por alguns médicos e enfermeiras, mas surpreendentemente aquele andar estava relativamente vazio. Apenas alguns quartos estavam ocupados por pacientes. Com certeza, os outros andares deviam estar mais cheios. Logo ela chegou à porta do quarto da mãe e colocou a mão na maçaneta. Girou e entrou. Deu alguns passos adentrando o quarto, mas deixou a porta aberta. Ao ver que a mãe tinha companhia, ela parou e indagou surpresa:

– Ei! Quem é você?

Rachel encarou a filha e tentou alertá-la apenas com o olhar para que ela saísse dali o mais rápido possível. No entanto, Claire não percebeu o sinal e Abaddon abaixou a revista dando um sorriso hipócrita para a garota enquanto Sam alcançava aquele mesmo corredor.

– Finalmente. — comemorou o demônio fechando a revista e colocando-a na mesinha ao lado antes de levantar devagar e ajeitar o uniforme.

– Claire, corra! — gritou Rachel com toda a força que conseguiu reunir.

Confusa e assustada, a garota hesitou por alguns instantes antes de seguir o instinto e obedecer a mãe virando-se e correndo em direção a porta. No entanto, antes que ela alcançasse a saída, Abaddon ergueu a mão e com um gesto rápido fez a porta bater com força no exato momento em que Sam apareceu diante dela. Confuso, ele olhou Claire pelo vidro de uma abertura que havia na porta. Claire tentou girar a maçaneta ao mesmo tempo que olhava para ele também sem entender o que estava acontecendo exatamente, mas já assustada com o que quer que fosse aquilo.

– Claire, abre a porta. — pediu ele preocupado.

Mais uma vez ela tentou fazer isso, mas de alguma forma, a porta tinha emperrado sob o controle de Abaddon.

– Eu não consigo... — respondeu Claire enquanto tentava desesperadamente abri-la.

Sam se afastou um pouco. Foi até a janela de vidro que havia do lado da porta e olhou para o fundo do quarto. Reconheceu a ruiva perto da cama de Rachel. E seu coração acelerou imediatamente ao perceber que mãe e filha estavam em perigo.

Abaddon sorriu para ele e acenou discretamente. Então Sam olhou em volta, e jogou o café em uma lixeira perto da porta. Em seguida, ele viu um médico passando pelo corredor e caminhou depressa até ele. Procurou o distintivo falso do FBI no bolso da jaqueta, mostrou para ele rapidamente e explicou:

– FBI. Preste atenção. Tem uma... Criminosa naquele quarto, ela é extremamente perigosa e eu preciso que você evacue este andar imediatamente. Você consegue fazer isso?

Surpreso e nervoso, o homem assentiu com um meneio de cabeça e se afastou imediatamente. Caminhou até o final do corredor e acionou um alarme instalado na parede. O barulho do alarme soou por todo o andar.

Dean e Natalie, que haviam chegado ao estacionamento, ouviram aquele som, semelhante ao de uma sirene e se olharam apreensivos.

Sam voltou para a porta do quarto onde Rachel e Claire estavam presas com Abaddon enquanto enfermeiras e outros médicos começaram a sair dos quartos dos outros pacientes. Mesmo sem entender o que estava acontecendo direito, eles seguiram o protocolo e começaram a esvaziar os leitos rapidamente enquanto aquele mesmo médico, que acionou o alarme, explicava rapidamente a orientação que tinha ouvido do FBI. Alguns guardas que faziam a segurança do hospital começaram a ajudá-los a esvaziar o lugar.

Sam pensou em quebrar a janela de vidro, mas teve medo que os estilhaços atingissem Claire e Rachel. Então resolveu tentar outra coisa.

– Claire, fique longe da porta. — ordenou Sam vendo a garota através da abertura de vidro.

Ela obedeceu e deu alguns passos para trás enquanto Abaddon observava tudo atentamente, no fundo se divertindo com toda aquela tensão.

Sam deu o primeiro chute na porta. Em seguida, ele chutou novamente. Se afastou um pouco e depois voltou batendo o ombro na porta e jogando o peso do seu corpo sobre ela.

– Eu espero que você tenha se despedido da sua mãe, Claire. — insinuou Abaddon enquanto Sam continuava tentando vencer aquele tipo de bloqueio que ela colocou na porta.

Claire voltou-se para ela e franziu a testa sem entender direito o que a ruiva queria dizer com aquilo e em seguida olhou para a mãe na cama. Rachel a olhou de volta, com carinho, e disse resignada:

– Me deixe orgulhosa, filha. Eu te amo.

Então Abaddon fez um gesto com a mão e o pescoço de Rachel virou certeiramente para a direita. Com o pescoço quebrado, ela morreu instantaneamente sem que Claire pudesse fazer nada.

– NÃO! — gritou ela se aproximando desesperada da cama e se debruçando sobre a mãe. — NÃO! NÃO! Mãe! Acorda! Por favor! Mãe?! Não... Não... Mãe... Acorda! MÃE!

– Desculpe, Claire, mas no futuro você vai me agradecer por isso. Acredite, a sua mãe ficaria muito chocada quando soubesse o que eu e Belial queremos com você. — explicou Abaddon com cinismo.

Neste momento, as lágrimas já tinham vencido Claire e desciam pelo seu rosto enquanto ela passava a mão pelos cabelos de Rachel sem acreditar que aquilo tinha mesmo acontecido. Sem acreditar que tinha perdido a mãe. Assim, de repente, e de uma forma tão cruel e fria.

Uma dor profunda dilacerava o seu peito e a vontade de chorar cada vez crescia mais. Então novas lágrimas de dor saíram de seus olhos que estavam fixos na mãe morta sobre a cama. Por um instante, Claire deixou de ouvir o que acontecia em volta. Deixou de ouvir Sam chutando a porta incessantemente. Não ouvia mais as provocações daquela mulher, embora finalmente entendesse que ela era um demônio e que tinha uma ligação com Belial. Claire não ouvia mais nada. Apenas o seu coração batendo pesadamente e sua respiração ficando ofegante à medida que a dor dava lugar ao ódio.

Finalmente, Sam conseguiu abrir a porta dando mais um chute com bastante força e entrou no quarto.

– Olá, Sam. — cumprimentou Abaddon e em seguida girou mostrando o corpo que possuía e prosseguiu — Lembra deste corpo? Você o queimou há alguns meses. Aliás, aquilo não foi nada gentil. Mas eu não resisti e resolvi reconstruí-lo. O que você acha? Eu estou bem?

Ignorando tudo que ela havia dito, Sam tirou um recipiente com água benta de dentro do bolso da jaqueta, deu alguns passos e jogou o líquido no rosto de Abaddon que gritou devido a dor excruciante das queimaduras sobre a pele e levou as mãos ao rosto. Depois ele olhou para Claire e caminhou depressa até ela enquanto dizia:

– Claire, você precisa sair daqui. Agora.

– Não! Eu quero ficar aqui! Com a minha mãe! — recusou ela permanecendo ao lado do corpo.

– Claire... Eu sinto muito, mas ela se foi. — lamentou Sam que tinha visto o que Abaddon fez com a mãe da garota pelo vidro da porta instantes antes. — Mas eu preciso tirar você daqui. Agora. Era o que a Sra. Rachel iria querer, Claire. Que você ficasse a salvo. Vamos!

– Não! — gritou ela de novo e então começou a chorar mais uma vez. — Ela matou a minha mãe, Sam... Essa desgraçada matou a minha mãe... Eu não quero ir a lugar algum, eu quero ficar aqui...

Sam olhou para trás e ao ver que Abaddon se aproximava deles, jogou mais água benta nela e começou a dizer:

– Exorcizamus te, omnis immundus spiritus, omnis satanica potestas, omnis...

Abaddon se contorceu um pouco incomodada com aquelas palavras, mas em seguida ergueu a mão e lançou Sam para o outro lado da sala.

– Sam! — gritou Claire virando-se na direção dos dois. Sem saber de onde tirou forças para fazer aquilo, mas lembrando do ritual que Natalie lhe ensinou, ela encarou Abaddon e continuou — Omnis incursio infernalis adversarii, omnis legio, et secta diabolica...

Tentando controlar o efeito que o exorcismo lhe causava, Abaddon caminhou até a garota com ódio, mas parou quando Sam continuou:

– Ergo draco maledicte et sectio...

Então o demônio voltou-se para Sam que terminava de levantar enquanto Claire olhava para a cama. Mais especificamente para uma das barras de ferro que havia nas laterais.

Sam continuou o exorcismo, embora no fundo, não tivesse certeza se iria funcionar já que Abaddon não era um demônio comum:

– Ergo draco maledicte et legio secta diabolica...

Antes que Abaddon o alcançasse, Claire prosseguiu:

– Ecclésiam tuam secúra tibi fácias...

E mais uma vez, o demônio parou e ficou entre os dois. Se contorcendo, lutando para resistir ao efeito que aquelas palavras exerciam sobre ela. Mesmo sendo mais forte do que um demônio comum, aquele exorcismo incomodava Abaddon, a torturava lentamente.

Tentando mostrar o seu poder e que não se intimidava com aquele ritual, Abaddon começou a fazer a porta se mexer sozinha. Abrir e fechar rapidamente e com força. Logo, todas as portas do corredor começaram a bater freneticamente junto com a daquele quarto.

Sam se aproximou e jogou mais água benta nela enquanto Claire continuava o exorcismo:

– Servire libertáte... Te rogámus, audi nos!

Abaddon a encarou com os olhos extremamente pretos e todas as portas se fecharam. E permaneceram assim. Um silêncio absoluto reinou por alguns instantes até que ela começou a se aproximar da garota. Então, pensando muito rápido e motivada pelo ódio que sentia pela assassina da mãe, Claire arrancou uma das barras laterais da cama e caminhou até a inimiga rapidamente sentindo aquele sentimento a dominar completamente. Então, sem hesitar, acertou a barriga de Abaddon com a ponta da barra de ferro.

A ruiva a olhou surpresa, assim como Sam que saiu um pouco do caminho pressentindo o que Claire planejava.

Então a garota perfurou o abdômen na altura do estômago. Continuou andando enquanto empurrava Abaddon em direção à porta rapidamente. Com toda a força que encontrou dentro de si, Claire terminou de empurrá-la contra a porta que foi atravessada pela barra de ferro deixando Abaddon presa ali.

– Isso foi pela minha mãe, vadia! — gritou a garota.

Passado o choque inicial, Abaddon sorriu e provocou:

– Uau! Eu estou impressionada. Ela é boa, Sam. Desta vez você escolheu bem. Pena que ela comprometeu a única saída.

– Não é a única. — discordou ele ao mesmo tempo em que pegava a arma e atirava na janela de vidro que havia ao lado da porta.

O vidro temperado se espatifou completamente e os cacos caíram pelo chão. Atirando pelo lado de dentro, a maioria dos estilhaços caíram do lado de fora e não machucaram nem ele nem Claire que também estavam a uma distância segura da janela.

Enquanto isso, Abaddon segurou a barra de ferro com as duas mãos e tentou tirá-la da sua barriga. Sam voltou-se para Claire e orientou:

– Nós temos que sair daqui agora.

– Mas a minha mãe... O corpo... Eu não posso... — tentou explicar ela enquanto olhava para o corpo da mãe sobre a cama.

Então Sam segurou nos ombros da garota fazendo com que ela olhasse para ele, a encarou profundamente entendendo toda a dor que ela estava sentindo, mas se viu obrigado a dizer por mais que fosse doloroso para ela ouvir aquilo:

– Claire... A sua mãe se foi. Você precisa sair daqui.

Ela ficou alguns instantes sem reação até que mais uma lágrima escorreu pelo seu rosto. Rachel Davis, sua mãe, a mulher que a criou, que lhe ensinou tudo, que foi mãe e pai ao mesmo tempo, tinha morrido. E ela não pôde fazer nada. Não podia fazer mais nada. A não ser, tentar sobreviver àquela noite.

Então Claire olhou mais uma vez para o corpo em cima da cama e murmurou:

– Me tira daqui, Sam.

Ao ouvir isso, Abaddon continuou tentando sair daquela situação. Não podia perder Claire de vista. Precisava dela. Belial precisava.

Sam assentiu e em seguida segurou a garota no colo e a passou com cuidado pela janela. Depois que Claire pisou do outro lado, foi a vez dele sair do quarto. Em seguida, os dois passaram ao lado da porta e viram que a barra de ferro estava adentrando o quarto à medida que Abaddon a retirava lentamente.

Sam e Claire começaram a correr pelo corredor agora já completamente vazio. Ao virarem para o próximo bloco, ouviram o barulho daquele ferro caindo no chão.

– Por que o exorcismo não funciona com ela? — perguntou Claire.

– Demônios como Abaddon são mais fortes e conhecem alguns truques. É mais difícil mandá-los pra casa.- resumiu Sam enquanto corria com ela.

De repente, eles pararam ao reconhecerem duas pessoas a alguns metros deles segurando armas e trazendo uma garrafa de água benta.

– Por que demoraram tanto? — indagou Sam.

– Saiam da frente! — gritou Dean.

Sam e Claire obedeceram e correram até eles enquanto Abaddon aparecia no começo do corredor, do mesmo lado por onde os dois tinham vindo. Ela estava um pouco descabelada e com o uniforme ensanguentado. Mesmo assim, caminhava rapidamente até eles. De repente, ela pendeu um pouco e parou. Olhou para o chão. Um dos seus saltos havia quebrado. Abaddon revirou os olhos, tirou os dois sapatos e resmungou:

– Paris... Sei...

Enquanto isso, Natalie entregou uma arma mais potente para Sam e pegou uma menor para entregar para Claire.

– Eu nunca usei uma arma antes. — confidenciou a garota hesitando em segurar o revólver.

– É fácil... — começou a dizer Natalie, mas Sam a interrompeu abaixando a mão dela que segurava a arma.

– Você não precisa. — tranquilizou ele olhando para Claire.

Em parte, Sam fez isso porque sabia que a garota já havia passado por muitas coisas naquela noite e, portanto, não estava em condições de aprender a usar uma arma e lutar com eles, assim de repente. Mas o real motivo pelo qual ele fez isso foi porque sabia que se ela pegasse uma arma naquele momento, para lutar contra o demônio que matou a sua mãe, era bem capaz de não largar a arma nunca mais. E Sam não queria aceitar o que Ezekiel disse sobre Claire se tornar uma caçadora e sobre ele estar diretamente envolvido nesta escolha. Ele iria protegê-la daquele destino a todo custo. Não desejava aquela vida pra ninguém, muito menos pra ela. Então pegou as chaves do carro dentro do bolso e entregou pra Claire antes de dizer:

– Vá na frente. Nós alcançamos você.

Claire pegou as chaves e observou Sam por alguns instantes antes de correr. Estava abalada demais para perceber porque ele tinha feito aquilo. Por que se importava tanto com ela.

– E a Sra. Rachel? — perguntou Dean para o irmão.

Sam balançou a cabeça negativamente fazendo o mais velho e Natalie entenderem o que tinha acontecido.

Neste momento, Abaddon estava a poucos metros dele. Então, com muita raiva, Dean resolveu começar a atirar. Descarregou toda a arma na direção do demônio que parou e gritou sob o efeito das balas de sal. As balas se desfaziam em contato com a pele, eram mais eficazes em fantasmas, mas mesmo assim causavam grande dor na ruiva. Quando se recuperou, ela encarou o Winchester mais velho e disse com ódio na voz:

– Você sabe que isso não pode me matar, não sabe?

– É, eu sei. Mas é divertido. Além disso, alivia o estresse. — zombou ele.

Abaddon deu um passo à frente e então foi a vez de Natalie descarregar a arma em cima da ruiva. Ela parou novamente enquanto as balas a acertavam. Dean observou Natalie um tanto admirado. Ela era uma boa caçadora. E até que formavam um time interessante. Quando terminou, a loira sorriu e disse:

– O Dean está certo. Alivia mesmo o estresse. Sua vez, Sam.

Sam começou a atirar enquanto os três davam alguns passos para trás. Dean recarregou a arma enquanto Natalie começou a jogar água benta no chão impedindo assim que a ruiva cruzasse aquela linha que os separava. Mesmo assim, Abaddon tentou avançar e os seus pés queimaram em contato com o líquido. Então ela gritou e recuou um pouco.

Quando, os três tinham conseguido certa vantagem, se viraram e se preparavam para deixar aquele corredor e ir atrás de Claire, Abaddon insinuou:

– Vocês estão esquecendo um detalhe, escoteiros. Eu estou em um hospital. Este andar pode estar vazio, mas eu tenho certeza que os outros não. Eles estão cheios de... Como vocês chamam mesmo? Ah! Vidas inocentes. E eu vou adorar fazer um belo massacre por aqui.

Então os três pararam, se entreolharam apreensivos e se viraram para encarar a ruiva.

– O que você quer afinal? — quis saber Dean.

– Simples. A Claire. — respondeu Abaddon.

– Não. — recusou Sam prontamente.

– O que você quer tanto com ela? — estranhou Natalie.

Abaddon a encarou e enquanto andava lentamente de um lado para o outro, disse:

– Natalie Jones... A caçadora petulante que exorcizou o meu irmão. Eu não sei se você soube, querida, mas ele voltou. Ele está com saudades. Mas não se preocupe, ele vai te procurar em um momento oportuno. E eu não quero ser você quando esse momento chegar.

– Eu devo ficar com medo? Por favor... Manda um beijo pra ele, ok? — devolveu a loira com sarcasmo e sem se intimidar.

– Você não respondeu a pergunta. O que você e o seu irmãozinho querem com a Claire? — insistiu Dean.

Abaddon os observou por um longo momento e respondeu:

– Isso não é da conta de vocês. O que é da conta de vocês são as dezenas... Dezenas não, centenas de vidas inocentes deste hospital. Vocês só precisam escolher o que é mais importante. O que vale mais? Claire ou as outras pessoas que estão aqui?

Sam, Dean e Natalie se olharam novamente. Não sabiam o que fazer. Não podiam vencer aquele demônio, não podiam entregar Claire, tampouco colocar a vida dos pacientes e funcionários do hospital em risco. Estavam presos naquela armadilha. Sem escolha.

– Então? O que vocês me dizem? — pressionou Abaddon perdendo a paciência diante daquela demora.

Notas finais
Então? O que vcs me dizem? Só eu pra terminar o capítulo assim, neh? Quero matar vcs mesmo kkkkkkkkkk Bem, eu classifico este capítulo como um capítulo chave e triste. Muito triste. Gente... Eu matei a Sra. Rachel... Mas a morte dela era necessária pro rumo da história. Então, não me odeiem por isso... De qualquer forma, gostei muito desta personagem e por mais que a participação tenha sido curta, ela foi marcante também. Que descanse em paz a bichinha... Mas, lembrem-se, assim como na série, o fato de um personagem ter batido as botas, não significa que nunca mais o veremos de novo. Então no futuro eu posso inventar alguma coisinha e fazer um reencontro entre mami e filha a la Ghost. Aliás, eu tô pensando em trazer alguns personagens de volta na próxima fic... Sobre o que Belial e Abaddon querem com a Claire... Eu não posso explicar agora pra não entregar o fim da fic, mas posso adiantar que: tem a ver com a guerra que Ezekiel disse que vai acontecer em breve. Esta guerra será explorada na próxima fic, mas eu prometo que até o final de Recomeço vcs vão entender pelo menos qual o papel da Claire nisso tudo. E posso dizer também que esta guerra que eu tô tramando aqui na minha cabeça maluca será algo grandioso e épico. Pelo menos eu vou tentar neh kkkkkkkkk vamos ver se até lá eu melhoro essa questão de escrever ação... Sobre Mia e Cas... OMG sinto que eles estão brincando mesmo com fogo... Até quando será que isso vai dar certo? Passada esta turbulência do hospital, eu vou voltar a falar sobre a cura. Crowley explicará tudinho para vcs. Aguardem e confiem! Adorei isso: Mia: Eu quero te morder. Cas: Morde. #Safadenhos Sei que foi um capítulo triste, mas eu achei tão romântico Sam e Claire fazendo o exorcismo juntos e Naty e Dean lutando lado a lado... Aiiiiiiiiiiiiiimmmmmmm ok, parei. Adorei o espetinho de Abaddon! Oi? Abaddon é muito diva luciferiana, neh? Oi de novo? Seguinte, estou revisando o capítulo 27, mas... mas... mas... Não sei se vou conseguir postar hj. Cuma? Farei o possível... Veremos. Reviews?