Recomeço
21 Capítulo 21 - Ezekiel é um idiota?
Notas iniciais
Dean se aproximou do Mustang, colocou a cabeça na janela e olhou para Mia. A garota estava imóvel olhando fixamente para o seu reflexo no espelho retrovisor. Seus olhos tinham voltado ao normal instantes antes e o seu nariz não estava mais sangrando. Mia ficou se perguntando se aquilo tinha sido mesmo real ou apenas mais uma alucinação. Então olhou discretamente para a manga da blusa e viu que havia sangue nela. Tinha sido real.
– Ei! O que houve? — perguntou Dean preocupado e como a garota não se manifestou, insistiu — Ei! Mia!
Finalmente ela virou o rosto para atendê-lo.
– Você está bem? — perguntou ele enquanto Sam se aproximava.
Alguns carros que passavam pela região começaram a buzinar sem entender o que estava acontecendo e querendo ultrapassá-los.
– Ela está bem? — gritou Natalie colocando a cabeça um pouco pra fora do carro e Sam fez sinal para que ela esperasse.
– Eu estou bem. — respondeu Mia com a voz um pouco baixa.
– É por isso que você parou no meio da estrada? — indagou Dean incrédulo — Por que você está bem?
– Foi só um mal estar, mas já passou. — explicou ela.
– Eu não sabia que vampiras passavam mal. Vocês não ficam doentes, certo? Porque são imortais... — tentou sondar ele.
– Dean... Eu sei que o Cas te contou. Sobre as coisas que tem acontecido comigo. Então, você sabe muito bem que aconteceu de novo. Mas como você disse, nós estamos no meio da estrada. E eu já estou bem. Então, por favor, será que nós podemos continuar? — propôs ela.
– Talvez seja melhor você voltar para o bunker. — sugeriu Sam.
– Não. Nem pensar. Eu vou com vocês. Eu estou bem. Sério. — respondeu Mia.
Sam e Dean observaram a garota por algum tempo até que o mais velho disse:
– Mia... Seja lá o que estiver acontecendo com você, nós vamos dar um jeito.
– Dean... Por favor, apenas... Vamos embora logo, ok? Eu não quero falar disso agora, muito menos aqui. — desconversou ela.
Sam e Dean a observaram mais uma vez enquanto os veículos continuavam buzinando e desviando dos carros parados ali até que o mais velho concordou:
– Ok, mas depois nós vamos ter uma longa conversa sobre isso, Mia.
Em seguida, Dean se afastou do Mustang e Sam fez sinal para Natalie e Claire indicando que estava tudo bem e que eles seguiriam com o que foi planejado.
Momentos depois, os três carros seguiram pela estrada. Mia resolveu esquecer o ocorrido e se concentrar no que estavam prestes a fazer: encontrar Ezekiel.
Enquanto isso no bunker, Kevin anunciou:
– Ok, vamos começar a procurar a tal cura.
– Por onde nós vamos começar? — indagou Castiel.
– Bem, eu vou procurar nesta sala e você pode procurar no andar de baixo. Tem muita coisa sobre vampirismo por lá também. — orientou Kevin.
– Tudo bem. — concordou o ex-anjo se virando e andando em direção a uma escada que dava para a sala inferior que ficava próxima ao porão do bunker.
– Ah! Só mais uma coisa! — lembrou Kevin de repente e depois que Castiel parou e se virou, ele aconselhou — Fique bem longe do porão. E se ele falar com você, ignore.
Castiel pensou um pouco e lembrou que Crowley estava preso no porão. Sam e Dean haviam lhe contado isso depois que ele recuperou a memória em Mystic Falls. Mas eles preferiram não mencionar nada para Mia. Por enquanto, era melhor ela não saber daquele detalhe. Ainda mais agora que ela estava tão instável. Era impossível prever qual seria a sua reação.
– Pode deixar. — respondeu Castiel e em seguida desceu a escada.
Algum tempo depois, os Winchester pararam em frente a uma pensão em um bairro de Lebanon. Mia parou logo atrás do Impala seguida por Natalie e Claire. Todos desceram dos carros e caminharam em direção ao prédio até que Dean olhou para Mia ao seu lado e quis se certificar:
– Tem certeza que você está mesmo bem?
– É... O que diabos foi aquilo? — intrometeu-se Natalie alcançando os dois e deixando Claire e Sam para trás.
– Eu já disse que estou bem. Foi só um mal estar passageiro. Não se preocupem. Vamos nos concentrar em encontrar Ezekiel, ok? — desconversou a vampira.
Dean e Natalie se entreolharam preocupados com Mia, mas continuaram caminhando em direção ao prédio já que naquele momento nenhum deles podia ajudar a garota. Enquanto isso, Sam caminhava ao lado de Claire e perguntou:
– O que você vai dizer para ele quando encontrá-lo? Você sabe... Ezekiel.
– Eu ainda não sei. Pra dizer a verdade, eu ainda não acredito que estamos tão próximos de encontrá-lo. Finalmente. E graças a você, Sam. Eu nunca vou saber como te agradecer por isso. Mas... Obrigada desde já. — disse ela agradecida observando o Winchester por alguns instantes.
Sam a encarou de volta e embora achasse que não estava fazendo nada além do seu trabalho, ele estava feliz por poder ajudar Claire. Queria que tudo desse certo para ela. Sentia-se bem em vê-la bem e cheia de esperança.
Então Claire desviou o olhar e acrescentou:
– De qualquer forma, qualquer coisa que eu diga não será novidade para ele. Pelo menos, eu acho que não.
– Como assim? — não entendeu Sam.
Um pouco sem graça, Claire confessou:
– Eu nunca fui uma pessoa muito religiosa, Sam, mas desde aquela noite, quando Ezekiel caiu do céu e curou a minha perna, eu passei a acreditar em milagres. E desde aquela noite também, eu venho pensando muito nele e pedindo pra que ele apareça e ajude a minha mãe assim como ele me ajudou.
Sam parou de caminhar e Claire fez o mesmo sem entender por que ele havia parado e muito menos por que parecia tão surpreso com o que ela havia dito.
– Você rezou para Ezekiel? — quis confirmar ele.
– Qual o problema? Ele é um anjo, não é? Por que eu não rezaria? — estranhou a garota.
– Claire... O fato dele ser um anjo e ter curado a sua perna não significa que ele seja bom. — explicou Sam.
– Sam... Eu sei que você e o seu irmão conheceram péssimos exemplos de anjos, mas Ezekiel é diferente. Eu vi isso. Nos olhos dele. Ele é bom. Acredite. — argumentou ela.
Sem gostar da forma como Claire falava sobre Ezekiel, sempre o colocando em um pedestal, Sam indagou um pouco ríspido:
– Se ele é tão bom assim, por que não atendeu o seu chamado? Por que não foi até você quando você rezou implorando por ajuda? Acredite, Claire, ele ouviu você rezando. A questão é: por que ele não fez nada à respeito?
Um pouco decepcionada com a postura de Sam e sem entender por que ele tinha ficado tão incomodado com o fato dela confiar em Ezekiel, Claire respondeu:
– Eu não sei, Sam, mas com certeza ele deve ter tido bons motivos para isso. De qualquer forma, nós estamos prestes a descobrir quais são e depois disso, eu tenho certeza que ele vai ajudar a minha mãe. Foi por isso que eu concordei em deixar St. Louis e vir com você, em primeiro lugar. E essa é a minha única prioridade no momento, Sam. Salvar a minha mãe. Então... Não me diga que eu não vou conseguir fazer isso porque eu garanto que eu vou.
– Eu não quis dizer isso... — lamentou Sam.
– Mas foi exatamente o que você disse. — afirmou Claire visivelmente magoada.
Sam ia se explicar quando Dean, alguns metros à frente, percebeu a ausência dos dois, se virou e perguntou:
– Ei! Por que vocês pararam?
– É uma ótima pergunta, Dean. — disse Claire rispidamente antes de voltar a caminhar.
– Claire... — chamou Sam, mas ela continuou andando.
É claro que Sam queria que Claire conseguisse a ajuda que precisava para a mãe. Ele queria estar errado sobre Ezekiel. No fundo, Sam queria que Ezekiel fosse mesmo este exemplo de perfeição que salvou Claire depois de um acidente. Que ele fosse o bom soldado que Castiel disse e como Claire acreditava que ele era. A única coisa que perturbava Sam era a forma como a garota falava sobre Ezekiel. Não sabia por que, mas sentia um certo ciúme daquilo. E também sentia-se inferior ao anjo. Era como se Ezekiel fosse perfeito e ele... Ele era apenas o ex-viciado em sangue de demônio que libertou Lúcifer ao confiar em um demônio ao invés do irmão.
Sam respirou fundo, afastou aqueles pensamentos e voltou a caminhar. Momentos depois, os cinco entraram em um pequeno prédio. Perguntaram se havia algum hóspede chamado Ezekiel, mas não encontraram nenhum sinal do anjo. Então voltaram para os carros e foram checar o próximo endereço.
Enquanto isso, no bunker, Crowley ouviu passos que vinham da sala próxima ao porão onde estava e ergueu um pouco a cabeça antes de perguntar:
– Quem está aí?
Do outro lado, Castiel respirou fundo e continuou caminhando até uma estante. Pegou um livro sobre vampirismo e começou a folheá-lo.
– Olá! Alguém em casa? — continuou Crowley e como mais uma vez não obteve nenhuma resposta, tentou adivinhar — Humm... Deixa eu pensar um pouco. Estes passos não são do Kev. Também não são do Timão e do Pumba. Mas eu tenho certeza que já ouvi este som antes. Passos suaves como de um anjo. Mas... Alguma coisa está diferente... Eu não consigo identificar o som do sobretudo se movendo a medida que você caminha... Cas.
Castiel olhou para a roupa que vestia. Realmente não estava com o sobretudo, mas sim com uma das roupas que comprou com Mia no shopping em Memphis.
– Pelo visto os seus planos de fechar o Céu fracassaram, não é? Você caiu como os outros? Não... Eu sinto uma coisa diferente em você, Cas. Falta alguma coisa. — continuou Crowley.
Castiel resolveu não dar atenção à ele e continuou caminhando. Colocou o livro sobre uma mesa. Em seguida, voltou a folhear as páginas a procura de alguma coisa que pudesse ajudar Mia. Ao ouvir o som das páginas sendo viradas, Crowley perguntou:
– O que você está fazendo, Cas? Uma pesquisa? Sobre o quê? O que você está procurando?
Castiel respirou fundo mais uma vez, mas ouvir a voz de Crowley lhe lembrava todas as coisas horríveis que ele fez com Mia e estava ficando difícil continuar ali. Então decidiu voltar para o andar de cima onde também tinha um vasto acervo sobre vampirismo. Porém, ao começar a caminhar em direção à escada, ouviu Crowley dizer:
– Talvez eu possa ajudar.
Castiel parou no primeiro degrau. Hesitou. Lembrou do conselho de Kevin sobre ficar longe do porão e ignorar Crowley. Subiu o segundo degrau.
– Como a Mia está? — perguntou o demônio fazendo Castiel parar de novo. — Da última vez que eu a vi, ela estava se divertindo muito no Hotel Califórnia. — provocou Crowley.
Castiel segurou o corrimão com força e Crowley continuou:
– Se você está aqui, ela deve estar também, não é? — e após uma pausa, prosseguiu — Não precisa responder, eu já sei que sim. Mas isso é estranho... Já que da última vez que eu chequei, você estava prestes a abandoná-la sem olhar pra trás. Você sabia que fui eu que contei pra ela, Cas? Sobre o seu plano de voltar pro Céu e deixá-la para sempre? Ah... Você precisava ver a dor nos olhos dela quando eu contei dos seus planos com Metatron. Você realmente partiu o coração de pobre Mia, Cas...
Castiel sentiu a culpa ressurgindo dentro de si ao relembrar aquelas coisas. Mas sabia que era exatamente isso que Crowley queria. Aquele era o seu jogo e ele não podia entrar nele. Então subiu mais dois degraus, mas parou novamente quando Crowley continuou as provocações:
– Mas, pelo o que eu pude notar, vocês estão bem agora. Muito bem, aliás. Sabe, Cas, a acústica desta masmorra é ótima. Eu consigo ouvir você subindo a escada, ou tentando subir, e eu também consigo ouvir alguns ruídos vindo de outros lugares, através da tubulação. Ruídos vindo dos quartos, por exemplo. De madrugada... — Crowley fez uma breve pausa e então continuou — Você e a Mia são animados, hein? Só um conselho. Não que eu não goste de ouvir, mas vocês deviam ser mais discretos. — e após mais uma pausa, pediu — Bem, quando você ver a Mia de novo, diz pra ela que eu mandei lembranças? Eu sinto muito a falta daquela aberração. E foi divertido torturá-la no Hotel Califórnia, sabia? Um dos melhores momentos da minha vida. Humm... Talvez eu devesse fazer um remake. Será que a Mia aceitaria participar? É talvez eu devesse fazer um remake com ela...
Cansado de tantas provocações e sentindo muita raiva por tudo que Crowley fez com Mia, Castiel desceu os poucos degraus que tinha subido até então e caminhou depressa até uma enorme porta. A abriu.
– Ou talvez não. — disse Crowley observando Castiel parado na entrada e o olhando com ódio.
Enquanto isso, Sam, Dean e as garotas checavam o segundo endereço onde Ezekiel poderia estar. Era um albergue bem simples num bairro humilde de Lebanon. Porém, mais uma vez não encontraram nem sinal do anjo. Então entraram nos carros novamente e partiram para o terceiro endereço. Meia hora depois, chegaram no local, porém também não tiveram sucesso. Claire começava a perder as esperanças assim como todos. Talvez Ezekiel não estivesse mais em Lebanon. Talvez ele tivesse passado apenas uma noite na região e depois pegado outra carona e ido procurar os outros anjos. De qualquer forma, só faltava checar mais um lugar. Era uma pensão em um bairro mais afastado. Então resolveram ir até lá.
Enquanto eles dirigiam até o local, Kevin foi conferir como Castiel estava se saindo na pesquisa já que desde que o orientou a procurar a possível cura do vampirismo no acervo da sala inferior, o ex-anjo estava quieto demais. Logo Kevin descobriu por que. Ao chegar na sala, a encontrou vazia. Correu para o porão. Ao chegar na porta, viu Castiel entornando uma garrafa de água benta na boca de Crowley o forçando a engolir o líquido. O demônio se debatia em vão, mas não conseguia gritar porque Castiel não deixava ele tomar fôlego nenhum minuto. Kevin não sabia, mas Castiel estava repetindo aquele processo há muito tempo. Quando uma garrafa acabava, ele simplesmente pegava outra e obrigava Crowley a beber todo o seu conteúdo. Era a única forma de mantê-lo calado. E também era uma forma de descontar toda a raiva que sentia pelas coisas que o demônio disse anteriormente e, principalmente, por todo o sofrimento que causou a Mia. E assim Castiel experimentava aquele sentimento humano tão primitivo, mas tão difícil de não sentir, ainda mais naquela situação: a raiva. Ele estava realmente com raiva.
Surpreso, Kevin se aproximou depressa e tentou afastar Castiel de perto do demônio.
– Cas! Pare! O que você está fazendo?!
O ex-anjo se afastou um pouco, mas ainda segurando a garrafa de água benta. Tentou se reaproximar, mas Kevin ficou na sua frente o impedindo. Enquanto isso, Crowley cuspia a água benta enquanto uma fumaça saía de sua boca como se a sua pele e garganta estivessem queimando sob o efeito daquela bebida.
– Eu só estava limpando a boca dele. Crowley precisa aprender a medir melhor as palavras antes de dizer tanta maldade. — respondeu Castiel e novamente tentou se aproximar do demônio, porém mais uma vez o Profeta o impediu.
– Droga, Cas! Eu te disse para ficar longe do porão. Você não percebe que é exatamente isso que esse desgraçado quer? Nos tirar do sério? Nos manipular? Se divertir com o nosso sofrimento? Nos irritar?
Crowley riu e provocou:
– Eu já sei o que tem de errado com você, Cas. Eu sinto que está faltando alguma coisa. Sua graça. Me diga, como é se sentir tão frágil e inútil? E como é sentir tanta raiva?
Castiel encarou o demônio com ódio e deu um passo a frente. Enquanto tentava manter o ex-anjo longe da armadilha do diabo, Kevin acabou deixando um livro que segurava cair no chão bem próximo aos pés do demônio. Automaticamente, Crowley lançou o olhar sobre ele e viu do que se tratava. Franziu a testa um pouco intrigado.
Castiel parou quando percebeu que Crowley começava a juntar os pontos. Ele e Kevin observaram o demônio por alguns instantes. Nenhum dos dois queria que Crowley descobrisse o que aconteceu com Mia. Seria mais uma forma do demônio tripudiar sobre o sofrimento da garota. No entanto, Crowley parecia chegar àquela conclusão depressa e depois de refletir mais um pouco, perguntou:
– O que aconteceu com a Mia exatamente?
– Não é da sua conta. — respondeu Castiel.
– Oh não... Sério? Ela virou vampira? Mesmo? — deduziu o demônio.
– Eu já disse que isso não é da sua conta. — repetiu Castiel ainda com mais ódio.
– Eu vou encarar isso como um sim. — disse Crowley sorrindo. — Mia vampira. Soa divertido. É por isso que vocês fizeram tanto barulho à noite, Cas? Ela te morde muito? Mia... Garota malvada...
– Pare de falar da Mia, agora, ou eu juro que corto a sua língua, Crowley. — ameaçou Castiel.
O demônio simulou um arrepio de medo e respondeu:
– Huh... Cas, seu danadinho. Quantas perversões você tem aí dentro, hein?
Kevin pegou o livro sobre vampirismo que tinha caído no chão, olhou para Castiel e disse:
– Cas, vamos sair daqui.
Os dois deram as costas para a armadilha e começaram a se afastar.
– Me diga, Cas. As alucinações já começaram? Os delírios? Ela tem se sentido bem ultimamente? — perguntou Crowley de repente fazendo os dois pararem.
– Ele sabe o que está acontecendo com a Mia. — sussurrou Kevin.
– Não. Ele está blefando. Como sempre faz. — recusou-se a acreditar Castiel.
– Oh... Acredite, Cas, eu não brincaria com uma coisa dessas. Eu sei exatamente o que está acontecendo com a Mia. — garantiu Crowley e após alguns instantes, acrescentou com ironia — Sabe, pra mim é muito difícil admitir isso, mas desde que o Moose tentou me curar, meu lado humano está mais sensível. E é por isso que eu vou te contar uma coisa, Cas. A única forma de salvar a sua namoradinha é revertendo a transformação. Encontrando uma cura para o vampirismo.
Castiel pensou um pouco. Não queria dar atenção para Crowley, mas estava aliviado porque pelo menos agora tinha certeza que estava no caminho certo.
– Mas... Infelizmente não existe uma cura para isso, Cas. Pelo menos não depois das primeiras vinte e quatro horas. Então... Há quanto tempo a Mia é uma Cullen? — continuou o demônio e quando Castiel olhou para ele um pouco atordoado, deduziu — Parece que há mais tempo do que isso, não é? Que pena...
– Você está certo, Cas. Ele está blefando. Vamos. Não entre no jogo dele. — orientou Kevin dando alguns passos.
Castiel o seguiu, mas parou novamente quando o demônio disse:
– Sinto em te desapontar, Cas, mas você não vai encontrar a cura para a Mia em nenhum livro. Não importa o quanto você procure. No entanto, isso não significa que a cura não exista.
– Você acabou de dizer que não existe cura depois das primeiras vinte e quatro horas da transformação. — lembrou Castiel o encarando.
– Eu menti. Desculpe. Eu ainda sou um demônio, lembra? Mentir faz parte da minha natureza. — explicou-se ele e em seguida, afirmou — Eu sei como curar a Mia. Existe uma cura para ela. Claro que eu não vou dizer isso assim tão fácil... Tudo tem um preço...
Castiel hesitou um pouco. A ideia de livrar Mia de todo aquele sofrimento o fez pensar em ouvir Crowley, em negociar com ele, talvez. Crowley podia estar mentindo, mas também podia ser a única chance de ajudar a mulher que amava. Pensando nisso, Castiel deu alguns passos em direção ao demônio, mas Kevin segurou o seu braço e disse:
– Não acredite nele, Cas. Ele só está brincando com você, com a Mia, com todos nós. Vamos voltar para o andar de cima. Vamos continuar com a pesquisa, como planejamos. Nós vamos encontrar uma forma de ajudar a Mia. Mas não confie no Crowley. Ele não é a resposta. Não é a ajuda. Ele está mentindo.
Castiel pensou um pouco e se convenceu de que Kevin estava certo. Então os dois voltaram a subir a escada enquanto Crowley jogava a última cartada:
– Sem problemas, Cas. Eu vou estar aqui esperando. Quando vocês terminarem de procurar e não encontrarem nada, você sabe onde me encontrar. Eu não vou a lugar algum.
Kevin e Castiel saíram do porão e fecharam a porta. Antes de deixar Crowley na mais completa escuridão, Castiel o viu sorrir levemente.
Quarenta minutos depois, os Winchesters, Mia, Natalie e Claire entraram na última pensão que tinham que checar. Se aproximaram da recepção. Havia um homem de aproximadamente quarenta anos atrás do balcão. Era gordo e tinha uma expressão carrancuda. Ao ver as pessoas que se aproximavam, ele indagou:
– Pois não? No que posso ajudar?
– Bom dia. Nós precisamos saber se uma pessoa está hospedada aqui. É um velho amigo nosso. Seu nome é Ezekiel. — começou Dean.
– Qual o sobrenome? — perguntou o homem e como Dean não respondeu, ele indagou desconfiado — Você não sabe o sobrenome do seu velho amigo? Nenhum deles sabe?
Dean sorriu um pouco sem graça e tentou explicar:
– É claro que eu sei o sobrenome dele. Mas é que o sobrenome é meio difícil de pronunciar ou escrever. Será que eu posso dar uma olhada no registro de hóspedes? Eu posso indicar o nome correto se eu ver escrito...
Ainda mais desconfiado, o homem esclareceu:
– Olha, eu não posso mostrar a lista com os nomes dos hóspedes. É sigiloso. Sinto muito.
– Você não pode simplesmente dizer se um cara chamado Ezekiel está aqui ou não? — interveio Sam.
– Na verdade... Não. Sinto muito, mas isto também é sigiloso. — recusou-se o sujeito.
Então Claire deu um passo a frente e tentou descrever o anjo:
– Ele é alto, forte, tem os cabelos curtos e castanho claro, trinta anos aproximadamente, um rosto meio quadrado... Por favor, alguém assim esteve ou está aqui? É muito importante.
– Humm... Você esqueceu de me dizer que esse Ezekiel é um gato, hein, Claire? — deduziu Natalie imaginando a aparência do anjo.
Dean revirou os olhos e Sam ficou visivelmente incomodado quando Claire respondeu:
– Na verdade, sim. Ele é bem bonito, Natalie.
– Eu pensei que todos vocês o conheciam. — estranhou o funcionário encarando Natalie e em seguida olhou para Dean e questionou — Não foi isso que você disse? Que ele era um velho amigo de vocês?
Dean ia tentar explicar quando Mia deu um passo a frente ficando ao seu lado e anunciou:
– Ok, observem e aprendam. — e olhando fixamente nos olhos do sujeito da recepção, compeliu — Mostre o registro de hóspedes. Agora.
Houve um momento de silêncio durante o qual todos esperaram que o funcionário obedecesse. Mas, para surpresa de todos, especialmente de Mia, ele respondeu:
– É uma bela tentativa, boneca, mas pedir desta forma... Firme e sexy... Não vai me fazer mudar de ideia.
– Uau, Mia! Parece que você recebeu uma cantada do cara da recepção. — debochou Natalie.
– Mia, isso não tem graça... — disse Dean discretamente.
– Eu sei, Dean. Mas eu não sei o que está acontecendo... — murmurou Mia um pouco atordoada e sem entender por que aquilo não estava funcionando.
– Tente de novo. — pediu Sam enquanto Claire olhava em volta.
Então, mais uma vez, a vampira encarou o homem e tentou compelí-lo:
– Você não está entendendo. Nós precisamos saber se Ezekiel está aqui. Responda.
E mais uma vez o sujeito a olhou sem entender por que ela estava agindo daquela forma e deduziu:
– Ok, você é louca, certo?
Completamente frustrada, Mia deu alguns passos para trás enquanto tentava encontrar uma explicação para o que estava acontecendo com ela. Aquilo não fazia o menor sentido. Como vampira, ela podia compelir as pessoas, convencê-las a dizerem e fazerem coisas que elas não fariam por livre e espontânea vontade. Então por que não funcionou desta vez?
Sam, Dean e Natalie a observavam preocupados e então Mia lembrou do que aconteceu mais cedo, no carro, no meio da estrada, quando ela passou mal. E então ela deduziu que alguma coisa estava diferente desde aquele momento. Alguma coisa estava mudando dentro dela.
Preocupados com a garota e pensando em como sairiam daquela situação embaraçosa, nenhum deles percebeu que Claire estava se afastando. Caminhando lentamente até a saída. Empurrou a porta de vidro. Saiu.
Sam, que tinha parado de olhar para Mia, voltou-se para a recepção e argumentou:
– Olha, eu entendo que você não possa mostrar o registro com os nomes de todos os hóspedes. Mas eu não entendo por que você se recusa a dizer apenas se alguém chamado Ezekiel está hospedado aqui ou não. Nós não estamos perguntando nada de mais.
– Eu sinto muito... — começou a dizer o homem.
– Eu ainda não terminei. — interrompeu Sam com firmeza e então, completou — Se Ezekiel não estivesse aqui, você já teria dito isso há muito tempo. Só há um motivo para você se recusar a responder. É porque a resposta é sim. Ezekiel está aqui. Você está tentando protegê-lo porque deve saber quem nós somos ou o que ele é, mas não importa o que ele te disse, eu garanto que nós não viemos aqui para machucá-lo.
Dean, Natalie e Mia olharam para Sam um pouco surpresos. Não achavam que era uma boa ideia insinuar aquelas coisas, mas ao olharem para o homem da recepção, perceberam certa confusão em seus olhos.
– Eu não tenho ideia do que você está falando. — desconversou o sujeito.
– Você sabe exatamente do que eu estou falando. — afirmou Sam — E não importa o quanto demore ou o quanto você minta, nós vamos encontrar Ezekiel. Nós não vamos sair daqui enquanto não conseguirmos falar com ele. E eu prometo, Claire, que nós vamos conseguir...
Ao dizer isso, Sam olhou para o lado, mas inexplicavelmente, a garota não estava mais lá.
– Claire? — chamou Sam olhando em volta assim como os outros — Claire? — chamou novamente.
A garota atravessou a rua e entrou em uma lanchonete. Caminhou entre as mesas e parou diante de uma delas. A mesa estava ocupada. O sujeito, que usava um boné e mantinha a cabeça baixa enquanto tomava um café, colocou a xícara sobre a mesa antes de erguer os olhos para Claire. Ela o reconheceu imediatamente. Já tinha o reconhecido quando avistou aquela mesa quando estava na pensão com os outros. Mesmo assim, ela demorou um pouco para acreditar que finalmente tinha o encontrado. Todo aquele tempo procurando por pistas, toda as vezes em que rezou para que ele aparecesse, tudo aquilo tinha culminado para aquele momento.
– Olá, Claire. — disse ele.
– Olá... Ezekiel. — respondeu ela.
Instantes depois, Sam, Dean, Natalie e Mia entraram na lanchonete e caminharam até Claire que ainda estava paralisada diante de Ezekiel. O anjo olhou para eles e automaticamente todos deduziram o que estava acontecendo.
– Você... É ele? — quis confirmar Dean.
– Sim. — respondeu o anjo.
– Você sabe quem eu sou? — quis confirmar Dean.
Ezekiel olhou para ele e para Sam e respondeu:
– O Céu inteiro sabe, Winchesters.
Neste momento, Sam abriu um pouco a jaqueta e segurou a espada angelical enquanto dava mais um passo em direção a mesa ficando próximo de Claire.
– Então você sabe que nós não vamos hesitar em usar isto se for preciso. — disse o Winchester mais novo.
Ao notar o gesto, Ezekiel o tranquilizou:
– Não se preocupe, Sam. Eu não vou machucar a Claire. E... Desculpem pelo Roger, o sujeito da pensão. Ele é um bom homem. Um homem de fé. Só estava atendendo o pedido de um anjo. Eu pedi que ele não dissesse nada sobre mim. Eu estou tentando recomeçar aqui... Me adaptar. Mas para isso, eu preciso ficar escondido por algum tempo.
– Escondido de quem? — desconfiou Sam.
– Dos meus irmãos. De alguns deles, na verdade. Como Bartolomeu, por exemplo... — respondeu Ezekiel.
Dean ia perguntar quem era Bartolomeu exatamente quando Claire lembrou:
– Da última vez que eu te vi, você disse que precisava encontrar os outros. Mas agora você está se escondendo deles? Dos outros anjos? Por quê?
– É complicado. — desconversou o anjo e como todos permaneceram imóveis ainda surpresos por terem o encontrado, ele sugeriu — Mas já que vocês vieram até aqui, não querem se sentar?
Claire sentou primeiro e aos poucos todos puxaram algumas cadeiras e sentaram também. Após um momento de silêncio, Natalie sorriu e recomeçou a conversa:
– Claire, finalmente você o encontrou! Eu nem acredito! Humm... E ele é bonito mesmo, hein? Com um anjo assim, eu viraria beata.
Dean olhou Natalie de canto um pouco incomodado com o que ela disse e Ezekiel, desacostumado a receber aquele tipo de elogio, franziu a testa um pouco confuso e disse para a loira:
– Você é Natalie Jones.
– Ai! Que fofo! Ele sabe o meu nome! — comemorou ela empolgada.
– É claro que eu sei o seu nome. E eu conheço o seu destino também, Srta. Jones. — prosseguiu o anjo.
– Destino? — repetiu ela e sorrindo para ele, se debruçou um pouco na mesa e perguntou — Então me conta. Eu vou ganhar na loteria?
Ezekiel olhou discretamente para Dean e depois voltou a olhar para Natalie antes de responder:
– Não exatamente.
– Destino? Sério? — indagou Sam um tanto ríspido — Eu pensei que depois do Apocalipse nunca mais eu iria ouvir esta maldita palavra de novo.
– Depois que você e o seu irmão impediram o Apocalipse, um novo destino começou a ser escrito, Sam. E ele está em constante evolução desde aquele momento. — disse Ezekiel emblematicamente.
Dean ia perguntar o que ele quis dizer com aquilo, quando Claire perguntou de repente:
– Por que você não ouviu as minhas orações?
Ezekiel a observou por alguns instantes e respondeu:
– Eu ouvi. Todas elas, Claire.
Um pouco confusa, ela questionou:
– Então por que você não apareceu? — antes que ele respondesse, ela continuou — Não importa... Eu preciso da sua ajuda. A minha mãe... Ela está...
– Eu sinto muito sobre a sua mãe, Claire. — interrompeu o anjo — Mas infelizmente, eu não posso ajudá-la.
Todos se olharam apreensivos diante do que tinham ouvido, mas ninguém estava mais surpresa do que Claire. Então, pensando que tinha entendido errado, ela perguntou:
– Como assim você não pode ajudá-la?
– Eu não posso influenciar o curso do destino, Claire. Eu lamento, mas você precisa se conformar. O destino da sua mãe está chegando ao fim. E você precisa se preparar para o que está por vir. Isto é só o começo. Eu sinto muito, mas tentar me convencer, será apenas perda de tempo. Eu não posso ajudar.
Claire o olhou incrédula e decepcionada. Não conseguia acreditar que estava realmente ouvindo aquilo. Sam observou a garota e quis dizer alguma coisa para confortá-la.
Natalie, que antes estava relativamente empolgada em relação ao anjo, também não conseguia disfarçar a decepção. Já Dean, assim como Sam, estava com um pé atrás desde o começo e agora tinha a confirmação: Ezekiel era mais um anjo idiota e burocrata.
Mia olhou para todos na mesa e antes de levantar disse:
– Ok, sem ofensa, mas este papo está muito esquisito. Eu não ouço a palavra destino desde que eu fui morta por um Cão do Inferno há alguns meses. E cá entre nós, eu não tenho saudade daquela época. — e olhando para Sam e Dean, ela acrescentou — OK, eu conheci o Cas e esses dois gênios aqui, mas ouvir esta palavra de novo, me dá arrepios. — e olhando para Ezekiel, encerrou — E... Sem ofensa, Ezekiel, mas você é um anjo muito idiota. Você devia aprender algumas coisas com um anjo que eu conheço. Ele pode não ter mais poderes, mas é mil vezes melhor do que você, e se ele pudesse, não hesitaria em ajudar. Passe bem, idiota.
A vampira estava se afastando quando Ezekiel a chamou:
– Mia Clarke.
Ela parou e se virou um pouco irritada. Então ele continuou:
– Não se preocupe. Em breve, você terá todas as respostas.
– De quais perguntas exatamente, gênio? — perguntou ela sem muita paciência.
– Eu acho que você sabe do que eu estou falando. — insinuou Ezekiel.
Automaticamente, Mia lembrou das coisas que estavam acontecendo com ela ultimamente e embora tivesse sentido uma vontade enorme de perguntar o que Ezekiel sabia sobre aquilo, no fundo, ela tinha medo de descobrir. Não estava pronta para o que estava acontecendo com ela.
– Como eu disse, você é um idiota. — repetiu ela antes de sair da lanchonete.
– Ela é sempre assim? — perguntou Ezekiel inclinando um pouco a cabeça.
– Sútil e educada? Sempre. Você precisa vê-la depois da quarta xícara de café. Mas quer saber? Ela tem razão. Você é um idiota mesmo. — disse Dean antes de se levantar também.
Ao ver Dean se afastando, foi a vez de Natalie dizer:
– Bem, eu não sou de concordar muito com aquele ali não, mas o Dean está certo. Você é um idiota. E é uma pena porque você tinha uma chance comigo, sabe? Mas agora, eu lamento informar que você... Perdeu.
Em seguida, Natalie levantou e saiu da lanchonete. Então Ezekiel olhou para Claire e tentou se desculpar:
– Eu realmente sinto muito, Claire. Eu sei que é difícil entender agora, mas eu garanto que um dia as coisas ficarão mais claras e você vai entender por que eu não posso ajudar a sua mãe.
– Sabe o que eu entendo agora, Ezekiel? Que o Sam estava certo sobre os anjos. E claro, que você é um idiota. — disse a garota o olhando decepcionada antes de levantar e deixar o lugar também.
Ezekiel olhou para a última pessoa que restou na mesa e disse:
– Só falta você, Sam. Vai me dizer que eu sou um idiota também?
Sam pensou um pouco e só então respondeu:
– Não. Eu acho que você já ouviu isso o suficiente por hoje. Mas tem uma coisa que eu preciso saber. Por que você não pode curar a mãe da Claire? Qual o real motivo?
– Eu já disse Sam. O destino dela é morrer em alguns dias. Eu sei que parece cruel, mas só assim a Claire vai cumprir o destino dela. — respondeu o anjo.
Sam o olhou confuso e perguntou:
– E qual seria o destino da Claire?
Após um momento de silêncio, Ezekiel respondeu:
– Se unir a você, Sam. Em todos os sentidos.
– O quê? — não entendeu o Winchester.
– Você fará da Claire uma grande caçadora, Sam. Vai ensinar à ela tudo o que você sabe. E vai estar ao lado dela... Eu sei que você entende o que eu quero dizer com isso.
– Não... Eu não entendo... — discordou ele confuso.
– Vocês estão destinados a ficarem juntos, Sam. No amor e na guerra que vai começar em pouco tempo. Mas para que isso tudo aconteça, a Sra. Rachel precisa morrer. É a morte da mãe que vai aproximar Claire ainda mais de você. É depois disso que ela vai querer se tornar a caçadora que está destinada a ser. É depois disso que você vai concordar e ajudá-la. E vocês dois farão coisas lendárias juntos. Coisas realmente importantes. — revelou Ezekiel.
Atordoado diante das coisas sem sentido que ouviu, Sam levantou e começou a se afastar. De repente, ele parou e resolveu voltar para dizer uma última coisa:
– Você é um idiota, Ezekiel.
Depois disso, Sam também deixou a lanchonete sem olhar para trás.
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