Recomeço

22 Capítulo 22 - Sentimentos que mudam


Notas iniciais
Gente, o Nyah voltou!!!!! Graças a Loki!!!! Bem, como vcs devem ter percebido, o site tava em manutenção forever alone desde quarta-feira passada se eu não me engano, e por este motivo, eu fiquei impossibilitada de postar novos capítulos. Mesmo não sendo minha culpa, queria dizer que eu sinto muito por ter deixado vcs tanto tempo sem atualizações, mas o lado bom da história é que enquanto o site estava fechado, eu aproveitei pra adiantar alguns capítulos. Hoje vou postar dois, amanhã mais dois e domingo se der mais dois. Aí depois eu volto ao ritmo normal da coisa. Gente, fiquei pensando em vcs esses dias... Tipo, será que eles sabem que o site está em manutenção ou será que estão me xingando kkkkkkkkkkkkk Bem, quando vcs verem que eu sumi, pode ter certeza que ou foi problema com o site, ou eu fiquei doente ou eu morri. Fora estes motivos de força maior, eu nunca abandonaria a fic nem vcs. Bem, sobre o capítulo, o título é horrível, mas qd eu terminei e li tudo, percebi que é exatamente disso que ele trata. Veremos os personagens começando a perceber que tem coelho neste mato. Eu tinha dito que no capítulo 22 iríamos descobrir se Ezekiel era um idiota ou não, mas acabei escrevendo outras coisas antes. Então a resposta virá no capítulo 24 (que postarei amanhã). PS: Não fiquei com raiva pelo site ter entrado em manutenção porque adoro o Nyah e se é pra melhorar a coisa, eu entendo e aguardo. Mas fiquei aqui pensando em vcs, querendo saber o que vcs achariam dos capítulos que eu estava escrevendo, querendo divertir vcs... Foi osso, sociedade. But... I'm back! Então PRE-PA-RA que lá vai o capítulo 22!!!

Em uma rua atrás da lanchonete, onde tinham estacionado os carros anteriormente, Sam, Dean, Claire, Natalie e Mia estavam apoiados nos veículos sem o menor ânimo para voltar ao bunker. Depois de tudo que passaram até chegarem ali, a sensação de que tinha sido tudo em vão os dominava a cada instante. Especialmente Claire que era a mais interessada. O tempo todo, ela pensava que havia perdido a única chance de ajudar a salvar a vida da própria mãe, ao mesmo tempo em que tentava não demonstrar a sua decepção e o seu desespero por Ezekiel ter se recusado a ajudar.

Sentindo que Claire lutava para não desmoronar ali mesmo, Natalie se aproximou e abraçou a amiga.

– Eu sinto muito, Claire. — lamentou Sam a observando por cima do ombro da loira.

– Obrigada. — agradeceu ela enquanto se afastava de Natalie e olhando para todos eles, completou — Obrigada a todo vocês. Por tudo. Mas agora eu só quero pegar as minhas no bunker e voltar para St. Louis o mais rápido possível.

– O quê?! — indagou Sam sem conseguir disfarçar a surpresa.

– É. Eu também preciso pegar a estrada. — disse Natalie fazendo Dean a olhar um pouco atordoado.

– Já? Quer dizer... Calma aí, meninas. Também não é assim. Vocês não precisam ir embora correndo. Eu sei que eu e o Sammy não somos os melhores anfitriões do mundo, mas vocês não precisam ir embora assim... De repente. — disse o Winchester mais velho.

Natalie sorriu levemente e o provocou:

– Cuidado, Dean, ou eu posso pensar que você vai sentir a minha falta.

Dean fez um careta demonstrando desdém e Claire resolveu intervir:

– Olha, não me entendam mal. Vocês nos acolheram no próprio esconderijo e fizeram tudo para me ajudar e até suportaram a Natalie...

– Ei! — protestou a loira.

Claire sorriu levemente tentando esconder a tristeza que sentia e continuou:

– Mas... Não tem mais nada que me prenda aqui. De um jeito ou de outro, eu ia voltar para St. Louis. A única diferença é que eu pensei que Ezekiel iria comigo e ajudaria a minha mãe... Mas agora...

– Na verdade, tem uma coisa que te prende aqui. — interrompeu Sam e todos olharam para ele.

– E o que é? — interessou-se Claire.

Milhares de coisas passaram na cabeça de Sam enquanto Claire o encarava esperando uma resposta. A verdade é que ele não queria que ela fosse embora. Pelo menos, não daquele jeito, triste e decepcionada. Mas ele não sabia como dizer que queria que ela ficasse para que ele pudesse reconfortá-la. Além disso, ele não estava pronto para se despedir e voltar a ser um estranho para ela. Então, de repente, ele lembrou de algo e resolveu dizer:

– O demônio que possuiu a sua mãe ainda está lá fora. Belial.

– Impossível! Eu mesma exorcizei o son of a bitch. — intrometeu-se Natalie.

– Parece que você fez alguma coisa errada. — insinuou Dean e Natalie o fuzilou com o olhar.

– Pessoal, a trégua. — lembrou Mia.

– A trégua! OK! — lembrou Dean e em seguida, consertou — Esquece o que eu falei, loirinha. Mas o fato é que alguma coisa deve ter acontecido porque o son of a bitch não esquentou lugar lá embaixo. Talvez Belial seja meio surdo e não ouviu todas as palavras do ritual. O fato é que ele voltou. E, aparentemente, não está sozinho. Abaddon, uma vadia luciferiana ruiva, está com ele.

– Mas você já sabia disso, não é, Claire? — indagou Sam observando a expressão da garota — Era por isso que você tinha um arsenal contra o sobrenatural na sua casa, não era? Você estava se preparando para quando eles fossem atrás de você...

Claire franziu a testa um pouco confusa e disse:

– Sim, eu sabia. Desconfiava, na verdade. Garth ouviu algumas coisas sobre tempestades elétricas em St. Louis e me alertou que poderiam ser sinais de demônios.

– Claire, por que você não me contou nada disso? — estranhou Natalie.

– Você já tinha me ajudado demais, Naty. E eu queria aprender a me defender sozinha. Depois do que aconteceu com a minha mãe, eu queria estar pronta se Belial ou qualquer outro demônio resolvesse me perseguir de novo. — explicou ela e depois acrescentou olhando para Sam — Eu te contei muitas coisas aquela noite, Sam, mas eu não lembro de ter mencionado nada sobre Belial.

Um pouco sem graça, Sam confessou:

– Na verdade, o Garth me contou esta parte.

– Você falou sobre mim com o Garth? Por quê? Eu pensei que ele estivesse só de passagem aquela noite. — estranhou Claire e diante da hesitação de Sam, deduziu — Você o chamou lá. Para falar de mim.

Sam a olhou um pouco constrangido e Mia murmurou:

– Oops... Isso foi embaraçoso, Sammy.

– Muito embaraçoso. — concordou Natalie.

– Eu precisava saber algumas coisas... Sobre você. — tentou explicar ele enquanto Claire o observava intrigada.

No fundo, ela não estava brava por Sam ter a investigado através de Garth, só não entendia porque ele tinha ficado tão interessado a ponto de chamar o caçador para conversar no meio da madrugada. E também não entendia por que Sam simplesmente não perguntou diretamente para ela o que ele queria saber. O que Claire não sabia é que naquela ocasião, Sam estava impressionado demais com o fato dela ser filha de Bobby Singer para conseguir formular uma pergunta que fizesse sentindo.

Enquanto os dois se olhavam, Dean continuou:

– Ok, o Sammy espionou a garota, mas e daí? Quem nunca fez isso? Quem nunca pediu para um hacker investigar alguém também? É completamente normal.

– Do que diabos você está falando, Sr. Awesome? — não entendeu Natalie.

Percebendo que tinha falado demais, Dean ignorou a pergunta e prosseguiu:

– Não importa. A questão é que Abaddon e Belial estão atrás de você, Claire. E a nossa aposta é que estão atrás de você também, Naty. Afinal, foi você que, bem ou mal, mandou Belial pro Inferno.

– E daí? — indagou a loira sem se importar muito com o que tinha ouvido.

– E daí que é perigoso! — esclareceu Dean soando mais preocupado do que ele gostaria — Então até nós descobrirmos o que aqueles dois estão planejando, e claro, acabarmos com os planos deles, é melhor você e a Claire ficarem no bunker. Só por precaução. — sugeriu ele.

Natalie o olhou intrigada antes de dizer com um leve sorriso:

– Cuidado, Dean, ou eu posso pensar que você está preocupado comigo.

Após um longo momento de silêncio tentando encontrar uma forma de explicar aquilo, Dean desconversou:

– Eu não estou. Mas caçadores ajudam uns aos outros.

– A questão é que eu não lembro de ter pedido a sua ajuda. — discordou ela — Claro, sobre ajudar a Claire a encontrar o anjo idiota, sim, mas em relação aos demônios, não se preocupe, eu vou ficar bem. Caçar demônios é a segunda coisa que eu faço melhor na vida.

– Sério? E qual é a primeira? — interessou-se ele.

– Uma coisa que você nunca vai saber. — insinuou ela enquanto Dean levantava as sobrancelhas surpreso, mas entendendo o que ela quis dizer.

Natalie desviou o olhar um pouco sem graça por ter falado demais, mas Dean ainda a observou por alguns instantes até que Claire disse:

– Olha, eu agradeço a preocupação e a ajuda de vocês, mas eu realmente não posso mais ficar. Vocês ouviram o que Ezekiel disse. Minha mãe não tem muito tempo. Eu quero voltar para o hospital e ficar com ela. E quanto aos demônios, bem, eu não sou uma caçadora, mas eu sei muito bem cuidar de mim mesma. E se eles quiserem vir, eu estarei pronta.

Sam a olhou preocupado e argumentou:

– Nós não estamos falando de qualquer demônio, Claire. Belial e Abaddon são Cavaleiros do Inferno. São mil vezes mais poderosos e perigosos do que demônios comuns. E seja lá o que for que eles querem com você ou com a Natalie, eu duvido que seja uma simples vingança pelo seu pai ter exorcizado um deles no passado ou por Natalie ter o exorcizado de novo há alguns meses. — e olhando Claire com certo carinho, pediu — Por favor, fique. Pelo menos por hoje até nós pensarmos direito no que fazer a seguir. Olha, Claire, eu entendo que você esteja preocupada com a sua mãe, e eu sinto muito por tudo. Mesmo. Mas, infelizmente, você não pode fazer nada por ela neste momento. A não ser cuidar de si mesma. Ficar a salvo. Além disso, você passou por muitas coisas ultimamente. O melhor que pode fazer é descansar um pouco, colocar as ideias em ordem e amanhã você decide o que fazer com mais calma. Por favor.

Claire pensou um pouco e percebeu que Sam estava certo. Ela não estava em condições de dirigir naquele momento e nem podia fazer qualquer coisa pela sua mãe. Além disso, pelo que Ezekiel disse, a Sr. Rachel ainda tinha alguns dias de vida. Ia dar tempo de se despedir quando chegasse o momento...

– Ok. Só por hoje. — concordou ela por fim.

– Ótimo! Então vamos voltar para a Bat Caverna. — encerrou Natalie.

Mas quando todos iam entrar nos carros, Mia lembrou de algo e sentindo-se completamente inútil, lembrou:

– Só tem um problema. Aparentemente, eu não consigo mais compelir ninguém. Então como nós vamos fazer quando chegarmos ao bunker? Eu deveria fazer as meninas esquecerem o caminho, lembram?

– Mia, relaxa. Isso deve ser temporário. — tentou tranquilizar Dean, embora no fundo estivesse preocupado com a garota — Amanhã você tenta de novo, ok?

– É, Mia. Mas se por acaso não der certo, eu acho que já passou da hora de vocês confiarem na gente. — disse Natalie olhando para Sam e Dean.

Sam pensou um pouco e então respondeu:

– Por mim tudo bem.

Claire deu um leve sorriso e Dean indagou surpreso:

– Você o quê, Sammy?

– Dean... Continuar com essa desconfiança não faz o menor sentido. — argumentou o mais novo e olhando para o irmão, para Natalie e Claire, prosseguiu — Depois de tudo que aconteceu até nós chegarmos até aqui. E das coisas pelas quais ainda vamos passar. Eu acho que as garotas já provaram que nós podemos confiar nelas. E eu confio. Você devia confiar também.

Natalie observou Dean e lembrando do caso do lobisomem, insinuou:

– É, Dean. Depois de tudo que nós dois passamos juntos, eu acho que mereço um voto de confiança, não?

– Como assim depois de tudo que vocês passaram juntos? Do que ela está falando, Dean? — estranhou Sam sentindo que o irmão tinha esquecido de lhe contar algo importante.

– É uma longa história. — desconversou o mais velho.

– Bem, mas se isso te deixa mais tranquilo, Dean, eu juro por todos os meus CDs do Metallica que eu não vou contar para ninguém onde fica o esconderijo de vocês. Nem sob tortura, nem morta, muito menos viva. Eu prometo. — comprometeu-se Natalie e em seguida, perguntou — E então? O que você me diz?

Após pensar um pouco e relutar por mais algum tempo, Dean respondeu:

– Eu te digo que você é a pessoa mais insuportável e irritante que eu já conheci, Natalie Jones, que manter esta trégua vai ser uma das coisas mais difíceis que eu já fiz na minha vida, mas que... Sim... Eu vou tentar confiar em você. Eu só espero não me arrepender por isso.

– Você não vai, Sr. Awesome. — afirmou a loira e antes de entrar no carro seguida por Claire, brincou — Eu já falei que você é um amor?

Dean lhe deu um sorriso irônico e antes de entrar no Impala com Sam, respondeu:

– A recíproca é verdadeira, loirinha.

Então Mia entrou no Mustang e os cinco deixaram aquele bairro de Lebanon rumo ao bunker dos Homens das Letras.

Mais tarde quando os cinco chegaram ao esconderijo, Kevin e Castiel resolveram parar a pesquisa que estavam fazendo já que Mia não podia desconfiar de nada. Claire subiu para o quarto e em seguida Mia resolveu fazer o mesmo. Começou a subir os degraus rumo ao andar superior quando Dean parou no começo da escada e a chamou:

– Ei! Nós precisamos conversar, coelha.

– Pra quê? Não tem nada que você possa fazer, Dean. Ninguém sabe o que está acontecendo comigo. Então por que conversar sobre isso se não vai levar a lugar algum? — esquivou-se a garota parando de subir e se virando para ele.

– Evitar o assunto não vai resolver o problema, Mia. — argumentou ele.

– Falar sobre ele também não. — contrapôs a garota e em seguida, encerrou — Olha, Dean, eu estou bem agora. Vamos deixar assim, ok? Um dia de cada vez. Um problema de cada vez. Eu só quero descansar um pouco. Por favor.

Em seguida, Mia voltou a subir a escada e Sam se aproximou do irmão e disse:

– Nós temos que ajudá-la, Dean.

– Ah! Sobre isso, tem uma coisa que vocês precisam saber. — anunciou Kevin se aproximando deles.

Então os três foram até a sala principal do bunker e Kevin contou sobre o plano de Castiel para encontrar uma cura para Mia. Kevin preferiu ocultar a parte sobre as coisas que Crowley disse e também que Castiel havia torturado o demônio.

Sam e Dean pensaram por alguns instantes e prometeram ajudar com a pesquisa também. Agora que bem ou mal eles tinham resolvido a questão Ezekiel, queriam se concentrar em ajudar Mia. E também em descobrir os planos de Abaddon e Belial. Eram as duas prioridades naquele momento.

Enquanto Sam e Dean contavam para o Profeta sobre o encontro desastroso com Ezekiel, Mia estava parada diante da porta do quarto. Sabia que Castiel estava lá, só não sabia se queria contar para ele sobre o que aconteceu durante o caminho e depois, na pensão, quando ela não conseguiu compelir aquele sujeito e quase arruinou a missão.

Ela respirou fundo e resolveu entrar de uma vez. Encontrou Castiel deitado na cama, com as costas apoiadas na cabeceira, aparentemente lendo um livro.

– Leitura interessante? — perguntou ela depois de fechar a porta.

– Ah sim! Muito! — mentiu Castiel sem desviar o olhar do livro.

– Mas, Cas... Está de cabeça pra baixo. — avisou Mia sorrindo.

Sem graça, ele fechou o livro e colocou sobre o criado-mudo antes de responder:

– A história era uma droga.

Mia riu levemente e se aproximou da cama. Deitou e abraçou Castiel. Não queria mentir para ele, mas estava claro que ele também estava escondendo alguma coisa.

– Como foi a sua manhã? — quis saber ela mesmo assim.

Castiel não queria mentir, mas também não podia dizer a verdade. Não podia simplesmente contar que passou a manhã torturando Crowley e procurando uma cura para o vampirismo.

– Tranquila. — respondeu ele — E a sua?

Mia lembrou do incidente no carro e do que aconteceu na pensão. Mas não podia contar aquelas coisas para Castiel. Ele ficaria ainda mais preocupado com ela e era horrível sentir que todos estavam te olhando como se a qualquer momento você fosse desmoronar. Mia não gostava daquela sensação. Principalmente porque aparentemente ninguém podia fazer nada naquele momento. Apenas esperar pelas tais respostas que Ezekiel disse que viriam em breve.

– Tranquila também. — mentiu ela.

– Vocês encontraram Ezekiel? — quis saber Castiel.

– Sim. Mas, infelizmente, ele não vai ajudar. — relatou a garota.

– Não?! — surpreendeu-se ele.

– Ele disse que não pode influenciar no curso do destino e se recusou a ajudar a mãe da Claire. Ou seja, voltamos à estaca zero. — explicou Mia.

Visivelmente desapontado, Castiel refletiu:

– Talvez eu tenha me enganado sobre ele. Talvez Ezekiel não seja um bom soldado, mas sim um idiota.

Mia riu e se aconchegou melhor nos braços dele antes de fechar os olhos.

– Fora isso, alguma outra novidade? Está tudo bem? — desconfiou ele percebendo que ela estava um pouco estranha.

– Tudo está perfeito, anjo. Eu só preciso descansar um pouco, ok? — encerrou Mia.

– Ok. — assentiu Castiel, embora no fundo soubesse que ela estava escondendo alguma coisa.

No entanto, ele não se sentia a vontade para questioná-la já que ele mesmo também não estava sendo totalmente sincero com ela. Aquela manhã não tinha sido nada tranquila. Era horrível esconder certas coisas dela, mas ele não tinha escolha. Mia pensava o mesmo naquele exato momento.

Depois que terminou a conversa com Sam e Dean, Kevin resolveu retomar a pesquisa nos acervos do bunker, sempre atento para o caso de Mia aparecer. Ao passarem pelo hall, Sam e Dean viram Natalie sentada em um dos sofás com os pés sobre a mesa de centro, segurando um pequeno prato e um garfo. Comendo uma coisa que Dean logo identificou o que era.

– Onde você encontrou esta torta? — perguntou ele apavorado.

– Na geladeira. Por quê? — respondeu ela tranquilamente enquanto saboreava a torta.

– Porque era minha! — revelou ele irritado enquanto Sam tentava não rir.

– Desculpe, Dean, mas eu não resisti. Eu estava com fome e não tinha outra coisa. Sinto muito. — explicou-se a loira.

O Winchester mais velho respirou fundo e propôs:

– Olha, Naty, sobre a trégua, nós temos que estabelecer algumas regras ou isso não vai funcionar. Então regra número 1: nunca, sob hipótese alguma, coma a minha torta.

Natalie sorriu com sarcasmo e rebateu:

– Regra número 2: abasteça a geladeira, compre comida, me mantenha alimentada e então eu não vou precisar comer a sua torta, Sr. Awesome.

– Natalie Jones... — começou a dizer Dean ainda mais irritado.

– Pessoal, a trégua. — lembrou Sam evitando uma possível discussão.

Então Dean respirou fundo e ele e Natalie se olharam por alguns instantes até que a loira se levantou e disse enquanto se aproximava:

– O Sam está certo. Nós não vamos brigar por causa de uma torta, vamos? — e pegando o último pedaço com o garfo, acrescentou — E para me desculpar, o último pedaço é seu. Abra a boca.

Natalie aproximou o garfo da boca de Dean, mas ele hesitou e colocou a cabeça um pouco para trás, surpreso com o gesto e estranhando aquela intimidade que surgiu de repente entre eles. Neste momento, Dean percebeu que era mais fácil brigar com a loira o tempo todo do que aceitar que ela lhe desse torta na boca. Inexplicavelmente, aquele gesto deixou o Winchester um pouco sem graça. Percebendo a relutância e até o constrangimento dele, Natalie ameaçou:

– Se você não quiser, eu vou comer este também.

– Não! Tudo bem, eu quero! — concordou ele.

– Abra a boca. — pediu ela de novo.

Imediatamente Dean obedeceu e ela lhe o último pedaço da torta. Ele fechou os olhos diante do sabor delicioso e murmurou:

– Humm...

Quando Dean terminou, Natalie sorriu, empurrou o garfo e o prato para ele e disse:

– Eu sou a visita. Portanto, a louça é sua.

Em seguida, a loira se afastou rapidamente e subiu as escadas. Sam observou o irmão seguindo a garota com o olhar e quando ela saiu do alcance da visão deles, perguntou:

– O que foi isso?

Dean o encarou e, a princípio, não entendeu o que o irmão estava insinuando. Mas quando entendeu, fechou a cara e desconversou:

– Não começa.

– Dean... — começou a dizer Sam enquanto seguia o mais velho até a cozinha — Você está gostando dela?

– Tanto quanto eu gosto de aviões e gatos. — respondeu ele com ironia colocando o prato na pia e abrindo a torneira.

– Certo... — duvidou Sam esperando que ele dissesse a verdade.

Dean parou de lavar a louça e se virou para o irmão antes de dizer:

– E você? Está gostando da Claire?

– Típico! Quando você quer fugir de uma pergunta, passa ela pra mim. — observou Sam.

– Você não respondeu a minha pergunta, Sammy. — devolveu Dean e em seguida, prosseguiu — Tudo bem. Não precisa. Já deu pra notar. Hoje, por exemplo, você pedindo pra ela ficar... Ficou mais do que evidente.

– Pelo menos eu pedi direito. — provocou o mais novo e depois lembrou do argumento usado por Dean para convencer Natalie a ficar — "Caçadores ajudam uns aos outros"? O que diabos foi aquilo, Dean? Você não conseguiu pensar em nada melhor? Admita, você está sentindo alguma coisa por ela, não está? Você não quer que a Natalie vá embora assim como eu também não quero que a Claire vá, não é?

– Você não quer que a Claire vá embora? Ah! Então você admite que está sentindo alguma coisa por ela? Para querer ela por perto... — deduziu Dean sorrindo.

Um pouco atrapalhado Sam tentou explicar:

– Eu admito que eu quero que ela fique. Mais um pouco. Só por hoje. Mas isso não é novidade. Como você mesmo disse, eu pedi pra ela ficar. Porque nós precisamos descobrir o que Belial e Abaddon querem e porque a Claire e também a Natalie podem estar correndo perigo por causa disso.

– E é só por isso que você pediu para a Claire ficar? — quis confirmar Dean.

– Só por isso. — garantiu Sam.

– Nenhum outro motivo? — desconfiou Dean.

– Nenhum outro motivo. — respondeu Sam, mas não soou convincente.

– Certo... — duvidou o mais velho.

Sam respirou fundo um pouco irritado. Era incrível como Dean fugia de algumas perguntas e virava o jogo daquele jeito. Então ele resolveu provocar:

– Pense o que você quiser, Dean. Mas não fui eu que fiquei parecendo um bobão ali na sala enquanto uma garota me dava torta na boquinha.

– Bitch... — xingou Dean.

– Jerk. — devolveu Sam e em seguida se virou para sair da cozinha.

– Ei! — chamou Dean e Sam se virou novamente.

Então o mais velho pegou a chave do Impala no bolso da jaqueta e jogou para o irmão antes de dizer:

– A Natalie está certa. Não tem nada nessa cozinha. Você pode fazer compras?

Sam sorriu e repetiu incrédulo:

– Natalie está certa? Dean, você está se ouvindo? Cara, eu tô começando a ficar com medo... Eu devo perguntar pra Natalie se ela quer que eu compre alguma coisa específica também?

– Cala a boca e vai logo. — resmungou o mais velho.

– Logo? Tipo... Agora? — perguntou Sam que estava planejando ir ver como Claire estava.

– É. Tipo agora. Por quê, Sammy? Você tinha outros planos? — desconfiou Dean dando um sorriso debochado.

– Não... Nenhum. — mentiu ele.

– Então vai logo. E não esqueça a torta. — encerrou Dean e o mais novo saiu da cozinha.

Porém, ao passar pela sala, mais especificamente pela escada, ele parou. Olhou para o andar de cima. Precisava saber como Claire estava. Subiu o primeiro degrau, mas em seguida, parou de novo e se perguntou o que estava fazendo. Lembrou das coisas que Dean insinuou e principalmente das coisas sem sentido que Ezekiel disse. Sobre destino. Sobre ele e Claire estarem destinados a se apaixonarem, a ficarem juntos. No amor e na guerra. O que será que Ezekiel quis dizer com guerra? E com amor? Ele nem estava gostando da Claire. Só estava preocupado com ela. Mas era só isso. Pelo menos, era nisso que Sam queria acreditar naquele momento.

Mas a verdade é que ele não queria se envolver com Claire, ou qualquer outra pessoa, porque todas as vezes que ele tentou dividir a sua vida com alguém, alguma coisa deu errado. Geralmente, muito errado. E ele não podia machucar Claire como machucou Meredith, Amelia... Jessica. Sem falar no que Claire diria se soubesse do histórico amoroso dele com uma lobisomem e Ruby... Um demônio. Não, Claire nunca se envolveria com uma pessoa como ele. Com um cara imperfeito como ele. Ezekiel devia estar maluco ao supor que os dois teriam um futuro juntos. Talvez fosse uma jogada de Ezekiel, do Céu, dos anjos, que tinham algum interesse escuso em unir ele e Claire. Ezekiel devia estar pro trás disso. Ezekiel devia estar mentindo. Ezekiel era um idiota. E Claire era apenas uma estranha. Uma estranha filha de um velho conhecido, mas ainda assim uma estranha. Uma estranha adorável e linda, mas ainda assim, uma estranha. E mais cedo ou mais tarde, ela iria embora do bunker. E ele precisava deixar ela fazer isso. Manter Claire ali e fazer dela uma caçadora não era uma opção. Ele nunca faria algo assim. Nunca condenaria Claire a viver aquele tipo de vida. Não poderia fazer isso, porque ficaria o tempo todo preocupado com ela, imaginando que alguma criatura sobrenatural poderia machucá-la durante uma caçada. E a ideia de que alguma coisa machucasse Claire o torturava... Não podia deixar nada de ruim acontecer com ela. Tinha que protegê-la. Mas como faria isso se mais cedo ou mais tarde, ela iria embora? Claire iria embora... E voltaria a ser uma estranha. Mais cedo ou mais tarde, ele iria perdê-la...

Atordoado com tantas coisas que pensava e sentia, Sam desceu o degrau e caminhou até a porta. Saiu. Precisava se afastar um pouco de tudo aquilo. Precisava se afastar de Claire ou acabaria cedendo ao que realmente queria. Entrou no Impala. Enquanto dirigia, admitiu para si mesmo que Claire mexia com ele. Que ela o encantava. Que ela era linda. Por dentro e por fora. Uma mulher linda. Forte. Não negava ser filha de quem era. Mas isso não significava que ele podia sequer pensar em ceder aquele sentimento que surgia aos poucos. Muito menos naquele momento, quando a garota estava passando por aquele drama com a mãe. Isso seria se aproveitar da situação. Claire era uma mulher forte, mas naquele momento estava fragilizada. E ele não podia se aproveitar disso.

Sam acelerou o carro. Precisava tirar todos aqueles pensamentos da cabeça. Só não sabia como tiraria aquele sentimento que já habitava o seu coração. Mas tinha que dar um jeito nisso também. Se envolver com Claire não era o correto. Mais cedo ou mais tarde, ele estragaria tudo. Como sempre fazia. Claire não merecia isso. Claire merecia alguém melhor do que ele.

Notas finais
Valeu a pena esperar? Gostaram? Naty dando tortinha na boquinha do Dean... Oh meu Deus.... Esses dois não sei não... São muito orgulhosos, mas eu quero só ver até quando eles vão negar que os sentimentos estão mudando... Como se eu não soubesse, neh? Afinal eu que tô escrevendo kkkkkkkkk Sam com toda essa baixa auto estima (que estranho escrever baixa auto estima, tá certo isso?) tá me deixando compadecida aqui. E o pior é que no fundo, a Claire pensa que ele também merece alguém melhor. Ela também não quer viver um romance com o muchacho, ainda mais agora com toda esta questão da mãe dela e tals, mas... Um dia eles vão se entregar a esta chama da paixão que existe entre eles kkkkkkkkkkkkkkkk Mia e Cas mentindo um pro outro. Pode isso, Arnaldo? Será que o Sam vai trazer a torta? Eis a questão. Já já o próximo capítulo. Reviews, por obséquio.