Recomeço

17 Capítulo 17 - Volta ao lar


Notas iniciais
Se algum problema vc encontrar, quem é que aparece para ajudar? Os ursinhos carinhosos... Oi? Desculpa, estou com esta musiqueta na cabeça e não resisti...Gente, eu voltei!!!! Aeeeeeeeeeeeeeeeeeeee e os hunters piram!!! Hein?Então, capítulo novo chegando, bem meigo e tals.Sobre a cena entre Crowley e Kevin me inspirei novamente no episódio 9X02.Sobre os dialógos entre Mia e Naty, e Dean e Cas, eles são propositalmente parecidos justamente para mostrar como os personagens são parecidos. Cuma?Na verdade, eu queria fazer uma mistureba e colocar ora um dialógo, ora outro, e depois voltar pro anterior e depois ir pro seguinte, fazendo uma espécie de ping pong, mas eu achei que ficaria meio confuso e resolvi fazer separado mesmo. Ãn?Bem, espero que vcs gostem! Eu, particularmente, adorei o finalzinho............ A fic está evoluindo.E não, não adianta me perguntar de onde esse povo se conhece porque vcs vão descobrir no momento certo. Ajaaaaaaaaaaaaaa coração, amigos da Rede Globo. OK, parei.

Kevin observou Crowley preso na armadilha do diabo por alguns instantes até que fechou a porta atrás de si e se aproximou do demônio. E embora estivesse em uma situação completamente desfavorável, Crowley não perdia a pose e olhava Kevin com um irritante ar de superioridade.

– O que você quer? — indagou o Profeta quebrando o silêncio que havia se instalado ali — O que você ainda quer de mim, Crowley?

– Apenas conversar. Eu juro. Eu estou entediado aqui, Kev. — respondeu o demônio.

Kevin controlou a raiva que sentia por dentro e esclareceu:

– Eu não tenho nada pra conversar com você. Caso não se lembre, você me torturou.

Crowley sorriu levemente e disse com cinismo:

– Eu torturo todos os meus amigos, Kev. É assim que eu demonstro o meu amor.

Então Kevin deu um passo à frente e gritou:

– Você matou a minha mãe!

Crowley o olhou profundamente e indagou:

– Eu matei?

O Profeta olhou confuso para o demônio a alguns centímetros dele e em seguida perguntou:

– O que você quer dizer com isso?

– Eu quero dizer que eu não matei a sua mãe, Kevin. Ainda não. — revelou Crowley e após observar a confusão crescente nos olhos do Profeta, acrescentou – A verdade é que eu a deixei sob os cuidados de alguns demônios, mas eles não irão matá-la até que eu diga que eles devem fazer isso. Claro que esses demônios podem estar um pouco... Entediados, como eu, e resolvam fazer alguma coisa com ela enquanto esperam pelas minhas ordens, mas...

– Você está mentindo! — interrompeu Kevin.

– Eu estou? — desafiou Crowley e após uma pausa, continuou — Bem, os demônios ainda estão esperando que eu lhes diga o que fazer, Kev. E talvez eu possa ordenar que eles soltem a sua mãe, ao invés de matá-la...

– Você espera mesmo que eu acredite nisso? — perguntou Kevin incrédulo — Minha mãe está morta. Você está mentindo.

– Sua mãe está viva e você ainda pode salvá-la, Kev. Tudo o que você precisa fazer é me tirar daqui. E então eu te entrego a Sra. Tran. Todos ganhamos. Final feliz. E então... Temos um acordo? — continuou o demônio.

Kevin pensou um pouco e por mais que quisesse acreditar que a sua mãe ainda estava viva, algo lhe dizia para não confiar em Crowley.

– Você acha que eu sou algum idiota? — indagou Kevin com raiva.

Crowley pensou um pouco e inclinou a cabeça antes de responder:

– Sabe... Esta é uma pergunta muito complexa.

– Eu não vou fazer um acordo com você, Crowley. Desista. Minha mãe está morta há meses e você só está dizendo isso para conseguir escapar daqui. Eu não vou te ajudar. — argumentou Kevin e em seguida se virou e andou em direção à porta.

– Eu não esperava que você me ajudasse, Kev, mas eu pensei que talvez você ajudaria a Sra. Tran, afinal ela é sua mãe. — continuou Crowley fazendo o rapaz parar antes da saída — Mas, pelo visto, eu me enganei. Talvez você seja um filho ingrato ou, talvez para você, ela já esteja... Morta.

Ao ouvir isso, Kevin ficou ainda mais furioso, se virou, caminhou depressa até o demônio, fechou uma das mãos e, com toda a força que pôde, acertou o rosto de Crowley em cheio.

O demônio o olhou surpreso enquanto Kevin o segurava pelo colarinho e perguntava nervoso:

– Onde ela está?

– Nós temos um acordo? — quis saber Crowley.

– Onde ela está?! — gritou o Profeta novamente.

– Me tire daqui primeiro e então eu te levo até ela. Fechado? — sugeriu Crowley.

Cansado daquele jogo e cada vez com mais raiva, Kevin deu mais um soco no demônio e em seguida perguntou sem paciência:

– Por que eu deveria confiar em você?!

Após se recuperar do segundo golpe, Crowley respondeu em tom provocativo:

– Porque, ao contrário de Timão e Pumba, eu estou te dando uma chance real de encontrar a sua mãe, Kev. Pense bem, o que eles estão fazendo para encontrá-la? Exato. Nada. Sam e Dean tem coisas mais importantes para resolverem no momento, mas mesmo que eles não tivessem, eles não iriam ajudar você ou a Sra. Tran e sabe por quê? Porque eles não se importam, Kev. A única coisa que te faz importante pra eles é que você sabe traduzir alguns pedaços de pedra. Você é útil para os Winchester. Mas não se engane porque é só isso. — e após observar o Profeta por mais alguns instantes, acrescentou – Portanto, a única forma de você reencontrar a sua mãe é me tirando daqui.

Neste momento, Kevin se afastou um pouco e olhou para um tipo de estante em uma das paredes. E observou algumas facas e outros objetos perfurantes dispostos ali e que os Homens das Letras deviam usar para torturar os demônios que prendiam no bunker. Crowley seguiu o olhar de Kevin e depois o encarou antes de dizer:

– Tortura não vai me fazer contar onde ela está, Kevin.

– Talvez não. — concordou o Profeta e em seguida encarou o demônio e acrescentou — Mas será divertido. E você disse que estava entediado, lembra?

Crowley olhou mais uma vez para os objetos de tortura e o seu lado humano temeu um pouco. Mas, o seu lado demoníaco manteve a petulância e ele sorriu antes de desafiar:

– Vai em frente, pervertido.

XXX

Enquanto isso, Mia dirigia o Mustang e Natalie mantinha o olhar distante na estrada. A loira pensava no que aconteceu mais cedo, quando acordou abraçada a Dean, e não conseguia encontrar uma explicação para aquilo. Cada vez sentia mais raiva de si mesma, principalmente quando lembrava da forma como Dean a tratou e das coisas que ele lhe disse. Sem entender por que, Natalie se perguntava se ele falou mesmo sério quando disse que suas pernas eram horríveis. A verdade é que a loira estava um pouco magoada com aquilo. Só não entendia por que estava tão incomodada com a opinião de Dean Winchester sobre ela. Tentando afastar aquela sensação, ela respirou fundo e se acomodou melhor no banco do carro.

– Você está bem? — quis saber Mia que estava observando Natalie há algum tempo.

– Sim, por quê? — disse a loira.

– Eu não sei... Você parece meio chateada. — continuou a vampira e após alguns instantes, resolveu sondar — Deixa eu adivinhar. Dean Winchester?

Natalie pensou um pouco. Não queria conversar sobre aquilo, mas ao mesmo tempo, sentia-se à vontade para falar com Mia sobre qualquer coisa. As duas não haviam tido muito contato até então, mas Natalie sentia que podia confiar na garota e então resolveu responder:

– Sim.

– Foi alguma coisa que ele fez, falou ou o simples fato dele existir? — prosseguiu Mia.

– Um pouco de cada coisa. — respondeu a loira e ao perceber que estava sendo evasiva demais, explicou — Bem... Ele disse que as minhas pernas são horríveis.

Mia franziu a testa surpresa e perguntou confusa:

– O Dean viu as suas pernas? Como assim?

Natalie sentiu-se um pouco constrangida em tocar naquele assunto que lhe dava tanta raiva, mas resolveu explicar:

– Bem... É que nós meio que... Dividimos o quarto esta noite. E a cama também... — e após perceber que a vampira chegava a uma conclusão errada sobre aquilo, Natalie esclareceu rapidamente — Oh... Não é nada disso que você está pensando. Eu quero dizer... Não aconteceu nada entre a gente. E quando eu digo nada, eu quero dizer nada mesmo. Aliás, nunca aconteceria. Por favor... Mas, infelizmente, era o último quarto e, como desgraça nunca vem sozinha, a cama ainda era de casal. Então... Você pode imaginar o tormento que foi dormir ao lado de Dean Winchester?

Mia sorriu e respondeu com ironia:

– Ah, sim, eu posso imaginar. E eu posso imaginar também que muitas mulheres dariam qualquer coisa pelo tormento de dormir ao lado de Dean Winchester pelo menos por uma noite.

– Como assim? — não entendeu Natalie.

– Ah! Vai me dizer que você não acha o Dean bonito? — indagou Mia sorrindo.

Natalie pensou um pouco, hesitou e resolveu mentir:

– Não.

– Nem um pouco? — insistiu Mia sem acreditar.

– Nem um pouco. — respondeu Natalie e após uma pausa, confessou — É por isso que eu não entendo por que eu acordei abraçada com ele. Que ódio...

Ao ouvir isso, Mia freou o Mustang bruscamente fazendo o corpo de Natalie ir um pouco pra frente e indagou surpresa:

– O quê?! Mas você disse que não aconteceu nada entre vocês, não disse? Então? Como? Eu não entendo...

Depois de se recuperar do susto que a freada do carro lhe causou, a loira respondeu rapidamente:

– E não aconteceu nada mesmo! Eu juro! Mas...

– Mas? — incentivou Mia.

– Mas por algum motivo que eu não entendo, eu acordei... Meio... Perto dele. Perto demais. — disse Natalie por fim.

Após assimilar aquela informação, Mia voltou a dirigir, pensou um pouco, sorriu e insinuou:

– Bem, eu tenho uma teoria.

Natalie ficou se perguntando se devia ou não perguntar que teoria era aquela. Mas por mais que o tema da conversa fosse desagradável, ela sentia-se bem conversando com Mia. Era como se ela finalmente pudesse se abrir com alguém, falar mal de Dean e dizer como se sentia.

– Que teoria? — perguntou a loira.

– Você gosta do Dean. — respondeu a vampira prontamente.

Após um longo momento de silêncio, Natalie riu daquilo e disse:

– Você é completamente louca, Mia.

– Eu sou? — duvidou a garota.

– Eu gosto do Dean? Como eu posso gostar de alguém que eu não suporto? Mais do que isso... Como eu posso gostar de alguém que eu odeio? E acredite, eu odeio aquele idiota. — argumentou Natalie.

– E por acaso você já parou pra se perguntar por que o Dean te incomoda tanto? Ou por que você o odeia tanto? — desafiou Mia.

– Por que ele é um idiota? — sugeriu a loira.

– Não. — respondeu Mia.

– Então por quê? — quis saber Natalie.

Mia pensou um pouco e em seguida respondeu:

– Eu não sei, mas algumas pessoas dizem que amor e ódio andam lado a lado.

Natalie observou a garota por alguns instantes, depois balançou a cabeça negativamente achando aquilo tudo um absurdo e em seguida quis se certificar:

– Então você acha mesmo que eu gosto do Dean? Sério?

– Bem, se você tem outra explicação pra ter o abraçado durante a madrugada, eu estou ouvindo. — desafiou Mia, e como a loira ficou em silêncio sem encontrar uma explicação, ela continuou — Natalie, eu sou amiga do Dean, ok? Mas o que você quiser me contar, se você quiser se abrir comigo, acredite, vai ficar só entre nós duas. Você pode confiar em mim, Naty. Eu vou te chamar de Naty, ok?

Natalie arregalou um pouco os olhos ao ouvir aquele apelido, mas resolveu se concentrar apenas na outra parte da conversa e então explicou:

– Vamos esclarecer uma coisa? Eu não gosto do Dean, ok? Não está acontecendo nada entre a gente e nem vai acontecer. Nem que ele fosse o último homem na face da Terra. Eu só... Fiquei magoada com as coisas que ele falou. Você sabe... Sobre as minhas pernas... Nenhuma mulher gosta de ouvir este tipo de coisa. E eu não sei por que, mas parece que o Dean está sempre arranjando uma forma de me irritar, de me provocar... De desdenhar. Não que eu me importe com a opinião dele, mas, como eu disse, nenhuma mulher gosta de ouvir esse tipo de coisa. Mas é só isso.

Mia pensou um pouco e, embora não acreditasse que era somente aquilo que estava incomodando Natalie, resolveu continuar:

– Bem, se serve de consolo, eu acho que o Dean não falou sério. No fundo, ele deve ter achado suas pernas lindas e falou aquilo só para te irritar mesmo. E você sabe por quê? Porque no fundo, ele também gosta de você. Talvez ele ainda não tenha percebido ou não saiba como agir em relação à isso, mas é aquela velha história: quem desdenha, quer comprar.

Natalie pensou um pouco, franziu a testa e perguntou aos risos:

– Então agora você está dizendo que o Dean gosta de mim? Sabe, Mia, eu não posso negar, você é muito engraçada. É divertido conversar com você. — e após uma pausa, ela acrescentou – Ok, é o seguinte, mesmo se numa possibilidade remota, aquele estrupício gostasse de mim, ele saberia muito bem como agir. Dean não é nenhum garotinho e eu conheço a fama dele com as mulheres.

– Talvez ele não te veja como as outras mulheres que passaram pela vida dele. — sugeriu Mia e após alguns instantes pensando, continuou — Talvez o Dean te veja de uma forma que nem ele mesmo entende direito e por isso te provoca tanto. É como uma forma de defesa. Pode não parecer, mas o Dean já se decepcionou muito no campo do amor. Eu acho que ele está em conflito com ele mesmo. Uma parte dele gosta de você, mas a outra, pede pra ele manter distância. Para não sofrer de novo, entendeu?

Natalie observou Mia como quem olha para um fantasma e então sugeriu:

– Ok, que tal se nós mudássemos de assunto?

– Que tal se vocês dois dessem uma trégua? — rebateu Mia.

– Como assim? — quis entender Natalie.

– Isso mesmo que você ouviu, Naty. Proponha uma trégua para o Dean. — explicou Mia e em seguida, prosseguiu — Olha, se eu estou enganada e vocês não estão afim um do outro, tudo que vocês tem que fazer é se aguentarem por mais alguns dias, certo? Então que tal se vocês parassem de brigar como cão e gato até resolvermos a questão do anjo caído e depois cada um vai pro seu lado?

Natalie pensou um pouco e, por mais que não conseguisse admitir para si mesma, a ideia de que aquele trabalho terminasse e, consequentemente, de não ver Dean nunca mais, lhe deu um certo aperto no coração. Se não se conhecesse tão bem, diria que até ia sentir falta dele.

Ao pensar nessas coisas, a loira balançou um pouco a cabeça afastando aqueles pensamentos rapidamente e disse:

– Ok, uma trégua seria bem vinda. Mas eu não vou propor nada. Se o Dean quiser, primeiro ele vai ter que pedir desculpas pelo que disse sobre as minhas pernas e depois propor a trégua. E então eu vou pensar um pouco e talvez, eu disse talvez, eu aceite.

Mia sorriu e observou Natalie por alguns instantes antes de dizer:

– Sabe qual o problema de vocês dois? Vocês são muito orgulhosos. Mas no dia em que vocês deixarem isso de lado e perceberem como são parecidos...

– Já chega. — interrompeu Natalie de repente fazendo Mia a olhar por alguns instantes — Olha, não me entenda mal, mas será que nós podemos mudar de assunto antes que você tente me convencer de que o Dean é a minha alma gêmea?

Mia mordeu o lábio inferior lembrando de uma conversa que teve com o Winchester justamente sobre almas gêmeas, há alguns dias. Não podia negar que aquele déjà vu era engraçado. Após pensar mais um pouco, ela chegou a conclusão de que havia mais coisas entre Dean e Natalie do que eles conseguiam admitir ou perceber naquele momento. Se eles eram almas gêmeas ou não, era algo que talvez eles descobrissem com o tempo.

Então Mia sorriu levemente e concordou:

– Claro. Como você quiser. Desculpe, eu não quis te aborrecer com essas coisas, Naty. A verdade é que eu estou feliz por você estar aqui. Você é uma ótima companhia, sabia?

Natalie sorriu e respondeu:

– Você também é uma ótima companhia, Mia. Eu estou feliz por estar aqui também e ter me livrado do Dean pelo menos por algumas horas, mas... Eu imagino que você está sentindo falta do seu anjo, não?

– Sim, estou, mas... Não me entenda mal, eu amo o meu anjinho nerd e adoraria que ele estivesse aqui, mas, às vezes, ele me olha de uma forma... Como se eu fosse desmoronar a qualquer momento. Então, eu também estou feliz por ter me “livrado” dele por algumas horas. — confessou Mia.

– Mas você está bem? — preocupou-se a loira.

– Eu ainda não sei. — respondeu Mia evasivamente.

Natalie a observou por algum tempo e depois disse:

– Mia, eu quero que você saiba que eu também estou aqui, caso você queira se abrir com alguém. E o que você me disser, ficará só entre nós duas também.

Após alguns instantes pensando, e tentando esquecer aquele assunto pelo menos por um tempo, a vampira apenas agradeceu:

– Obrigada.

Enquanto isso, no Impala, Dean dirigia com um olhar um pouco distante e, após observá-lo durante algum tempo, Castiel decidiu perguntar:

– Você está bem?

Ao ouvir a pergunta, Dean voltou a si e olhou confuso para o ex-anjo antes de responder:

– Sim, por quê?

– Eu não sei.. Você parece meio chateado. Deixa eu adivinhar. Natalie Jones? — prosseguiu Castiel.

– Sim. — admitiu Dean depois de pensar um pouco.

– Foi alguma coisa que ela fez, falou ou o simples fato dela existir? — indagou Castiel.

– Um pouco de cada coisa. — disse Dean e ao perceber que estava sendo muito evasivo, explicou — É que... Aquela garota tem o dom de me tirar do sério, de me irritar...

– E você já parou para se perguntar por quê? Por que ela te irrita tanto, Dean? — estranhou Castiel.

– Porque ela é insuportável? — sugeriu Dean.

Castiel pensou um pouco e depois riu levemente como se tivesse lembrado de alguma piada. Então o Winchester o olhou de canto e perguntou um pouco irritado:

– O que foi? Eu disse alguma coisa engraçada?

– Não, é só que... Adão falava a mesma coisa sobre Eva. — explicou Castiel.

Dean franziu a testa e após pensar um pouco, perguntou:

– O que exatamente você quer dizer com isso, Cas?

– Nada. Por quê? Você acha que eu quis dizer alguma coisa, além disso? — indagou Castiel com um leve sorriso.

– Para o seu próprio bem, eu espero que não. — ameaçou Dean e após um momento de silêncio, perguntou — Você não está insinuando que eu e aquela loira irritante temos alguma coisa, está? Porque eu posso afirmar com todas as letras que não existe nada entre mim e a Natalie. Nem vai existir. E quando eu digo nada, eu quero dizer nada mesmo. Nem que ela fosse a última mulher na face da Terra, entendeu?

– Por que não? — indagou Castiel.

– Porque... Porque não. — respondeu Dean sem saber o que dizer além disso.

Castiel observou Dean por alguns instantes enquanto lembrava de quando conheceu Mia e do tempo que passou negando o que estava sentindo por ela. Agora ele via aquela mesma negação nos olhos de Dean quando falava sobre Natalie. Claro que os motivos eram bem diferentes. Castiel negava porque ele era um anjo e se apaixonar era algo novo para ele. E Dean negava porque não estava à procura de romance, porque não acreditava que a felicidade era algo possível para ele e porque queria se concentrar apenas no trabalho acima de tudo.

No entanto, apesar de entender os motivos de Dean, Castiel resolveu sondar mais um pouco e quem sabe fazê-lo mudar de opinião:

– Então você não está interessado na Natalie?

– Não. — respondeu Dean.

– Ao menos... Acha ela bonita? Atraente de alguma forma? — quis saber o ex-anjo.

– Não. — mentiu Dean.

– Nem um pouco? — insistiu Castiel.

Automaticamente, Dean se lembrou da noite anterior. Mais especificamente da loira saindo do banheiro, vestindo aquela bendita camisa do AC/DC, aquele short e especialmente daquelas pernas torneadas que ficaram à mostra. É... Ele não podia negar que Natalie tinha certo charme. Mas rapidamente, afastou essas lembranças e mentiu mais uma vez:

– Nem um pouco!

– Sabe, Dean, eu posso não ser mais um anjo, mas eu ainda sei, muito bem, reconhecer quando alguém está mentindo. — insinuou Castiel.

– Então você acha que eu estou mentindo? — surpreendeu-se Dean.

– Não, eu não acho. Eu tenho certeza. — garantiu Castiel e em seguida, acrescentou — E sabe o que eu acho? Que no fundo, você gosta da Natalie. Só não percebeu ainda ou se recusa a aceitar.

Ao ouvir isso, Dean riu e desconversou:

– Sabe, Cas, você é muito engraçado. Uma comédia, eu diria. Mas, honestamente, eu não sei de onde você tirou essa ideia. Eu e a Natalie? Por favor... Me interne antes, ok?

– É tão absurdo assim? — estranhou Castiel.

Dean pensou um pouco, respirou fundo e recomeçou:

– Vamos esclarecer uma coisa? Eu não gosto da Natalie, ok? Não acho ela nem um pouco bonita, não estou interessado, não estou procurando um romance e não sinto absolutamente nada por ela. — e após uma pausa, corrigiu — Ok, absolutamente nada é um pouco de exagero. Na verdade, eu sinto uma coisa...

– E o que é? — incentivou Castiel.

– Curiosidade. Apenas curiosidade. — respondeu Dean e em seguida, confessou — A verdade é que desde a primeira vez que eu vi a Natalie, eu tive uma sensação estranha. E forte. E real. Eu senti como se eu já a conhecesse... De algum lugar, de algum momento da minha vida, mas... Por mais que eu tente, eu não consigo lembrar de onde. E então essa curiosidade vai ficando cada vez pior e, às vezes, eu acho que eu estou quase lembrando, mas então... Tudo fica nebuloso de novo.

Castiel refletiu um pouco e depois aconselhou:

– Bem, eu tenho certeza que se vocês já se conheciam, em algum momento, no momento certo, você vai lembrar de onde, Dean. Dê tempo ao tempo. E se possível, tentem parar de discutir e se provocar tanto. Proponha uma trégua.

– O quê? — surpreendeu-se o Winchester.

– Isso mesmo que você ouviu, Dean. Pare de brigar tanto com a Natalie ou você nunca vai conseguir se lembrar se a conhece e de onde a conhece porque você vai estar ocupado demais procurando alguma forma de irritá-la. — expôs Castiel — Além disso, se eu estou enganado e você não está afim dela, tudo que vocês precisam fazer é se aguentarem por mais alguns dias, certo? Então que tal se vocês parassem de brigar como cão e gato até resolvermos a questão do Ezekiel, até você se lembrar de onde conhece a Natalie e depois cada um vai pro seu lado?

Dean pensou um pouco e, por mais que não conseguisse admitir para si mesmo, a ideia de que aquele trabalho terminasse e, consequentemente, de não ver Natalie nunca mais, lhe deu um certo aperto no coração. Se não se conhecesse tão bem, diria que até ia sentir falta dela.

Balançou a cabeça afastando aqueles pensamentos e respondeu:

– Uma trégua seria bem vinda. Mas, se ela quiser isso, vai ter que dar o primeiro passo. Foi a Natalie que começou essa briga no momento em que resolveu me espionar. Então, se ela quer que isso termine, vai ter que tomar a iniciativa.

– Sabe qual o problema de vocês dois? — indagou Castiel e em seguida, respondeu — Vocês são muito orgulhosos. Mas no dia em que vocês deixarem isso de lado e perceberem como são parecidos...

– Já chega, Cas. — interrompeu Dean de repente fazendo o outro o olhar por alguns instantes — Olha, Cas, eu estou feliz que você está vivendo o amor intensamente e desvendando os mistérios do coração, mas eu não preciso de um cupido, ok? Então será que nós podemos mudar de assunto antes que você tente me convencer de que a Natalie é a minha alma gêmea?

Castiel sorriu levemente e concordou:

– Claro, Dean. Me desculpe. Eu não quis te aborrecer. Talvez eu tenha me enganado, não é? Você e a Natalie realmente não tem nada a ver um com o outro.

– Finalmente você disse algo que faz sentido. — disse Dean encerrando aquele assunto, embora não conseguisse esquecer nenhuma palavra dita ou insinuada por Castiel.

XXX

Passava das onze horas da noite quando Sam chegou em Lebanon, no Kansas. Ele olhou para o banco ao lado e viu que Claire havia sido vencida pelo sono. E ficou aliviado com isso porque não sabia como dizer para a garota que ela não podia saber onde o bunker ficava. Por mais que existisse uma certa confiança entre os dois, ninguém podia saber a localização exata do bunker ou o lugar deixaria de ser um esconderijo.

Mia, por sua vez, compeliu Natalie para que ela fechasse os olhos e só permitiu que a loira os abrisse quando estacionou em frente ao lugar. O Impala estacionou em seguida. Então Dean e Mia desceram dos carros ao mesmo tempo em que Sam chegava ao local. O Winchester mais novo desligou o carro e observou Claire por alguns instantes antes de colocar a mão em seu ombro e dizer:

– Claire, nós chegamos.

A garota abriu os olhos devagar e o olhou por alguns instantes antes de tirar o cinto de segurança e abrir a porta. Sam também desceu enquanto a garota reconhecia Natalie saindo de um dos carros há alguns metros deles. Ao ver o seu Camaro, os olhos da loira brilharam por algum tempo até que ela começou a se aproximar do veículo emocionada.

– Meu bebê! — murmurou Natalie passando as mãos pelo capô enquanto Dean a observava intrigado — Eu senti tanto a sua falta, sabia?

– Eu também! — brincou Claire tentando chamar a atenção da amiga.

Só então, Natalie se deu conta da presença da garota ali e se aproximou. Claire deu alguns passos e as duas se abraçaram.

Dean e Sam se entreolharam e só então o mais velho lembrou que aquela garota com Natalie tinha o DNA de um velho conhecido deles. E não pôde evitar uma certa surpresa e uma sensação de desconforto quando ela se afastou da loira e deu alguns passos em sua direção.

– Você deve ser o Dean. — começou ela e lhe estendendo a mão, acrescentou — É um prazer te conhecer e desculpe por ter te chamado de jerk no telefone. Não foi nada pessoal.

Sem conseguir raciocinar direito, Dean demorou um pouco para apertar a mão de Claire e sorriu um pouco sem graça.

– O prazer é meu e não se preocupe, eu estou acostumado com o lance de jerk, não é, Sammy? — retribui ele olhando para o irmão.

Neste momento, Mia se aproximou do Impala e bateu levemente no vidro da janela. Castiel acordou, abriu os olhos e logo saiu do carro.

– Posso saber com o que você estava sonhando? — interessou-se Mia sorrindo para ele.

– Com... Nada. — respondeu ele lhe devolvendo o sorriso e se aproximando para caminhar ao seu lado.

Ao ver o casal se aproximando, Dean os apresentou para Claire dizendo em tom de brincadeira:

– Estes são Cas e Mia, mais conhecidos como Os coelhinhos. E não, você não quer saber por que.

Claire franziu a testa um pouco intrigada, mas preferiu não imaginar por que Dean havia se referido à eles daquela forma. Castiel sorriu levemente e a cumprimentou:

– Prazer em conhecê-la, Claire. Eu ouvi tanto sobre você nos últimos dias que é como se eu já te conhecesse.

Claire apertou a mão dele e sorriu de volta. Em seguida Mia deu alguns passos, abraçou a garota e deixou escapar:

– Humm... Você tem um cheiro bom.

– Obrigada... Eu acho. — estranhou Claire.

Mia se afastou e lamentou:

– Desculpe. É que...

– Mia é uma vampira. Mas não se preocupe, ela não morde. Na verdade, ela é caçadora também. E Castiel era um anjo. E eles meio que namoram. Eu sei... É meio doido, não é? — explicou Natalie.

Claire assimilava aquelas informações quando notou que Dean a observava intrigada.

– Está tudo bem? — indagou ela e só então notou que Sam também estava esquisito e que olhava ora para ela, ora para o irmão de uma forma no mínimo suspeita.

Antes que Dean pudesse responder, Natalie se antecipou e provocou:

– Não liga, Claire. Eles são esquisitos mesmo. Vai se acostumando.

Após dizer isso, um longo silêncio se instalou entre eles até que Mia recomeçou:

– Ok, este silêncio está me matando. Que tal se nós entrássemos?

– Ótima ideia! — concordou Natalie — Meu reino por um banho quente e por uma cama. Eu estou exausta...

Instantes depois, Sam e Dean pegaram as malas e mochilas dentro dos porta-malas e caminharam em direção a casa. Claire e Natalie vinham logo atrás deles e Mia e Castiel deram as mãos e se olharam por alguns instantes antes de seguí-los também.

– Quando você disse que o Bobby tinha uma filha, eu não imaginei que ela fosse tão bonita. — sussurrou Dean para o irmão.

– Nem me fala... — murmurou Sam olhando discretamente para trás e observando a beleza da garota mais uma vez.

– O Dean não parece ser tão idiota como você falou. Por que você implica tanto com ele? — sussurrou Claire para Natalie.

– Acredite, mais alguns minutos com ele e você vai mudar de opinião. Ele é um porre. — garantiu Natalie.

– Então, como você está? — perguntou Castiel para Mia.

Só então a garota parou para pensar nas coisas que tinham lhe acontecido ultimamente e percebeu que sentia-se ótima. Passar o dia com Natalie, conversando sobre inúmeras coisas, havia feito com que ela relaxasse um pouco. Então Mia sorriu e disse antes de tocar seus lábios nos de Castiel:

– Eu estou com saudade. E eu tenho planos para acabar com ela...

Castiel sorriu e segurou a mão da garota com mais força enquanto Dean abria a porta do bunker. E antes de entrar, o Winchester mais velho sorriu e murmurou:

– Ah... Lar doce lar... Finalmente!

Sam o seguiu e entrou também. Logo Claire e Natalie também entraram, mas pararam no meio do hall, visivelmente impressionadas com a grandiosidade do lugar. Castiel passou pela porta, mas parou e olhou para trás ao perceber que Mia não estava mais com ele. Por mais que tentasse, alguma coisa impedia a garota de passar pela entrada e ao lembrar o que era, Mia resmungou:

– Só pode ser brincadeira...

Todos se entreolharam até que Castiel deduziu o que estava acontecendo, olhou para Sam e Dean e lembrou:

– Ela precisa ser convidada.

– Entre, Mia. — convidou Sam.

– Pode entrar, coelhinha. — acrescentou Dean achando aquela situação engraçada.

Mia hesitou um pouco antes de tentar entrar de novo, mas quando tentou, conseguiu passar pela porta normalmente.

Aquele lugar não possuía nenhuma escritura que dissesse que pertencia aos Winchester, mas definitivamente eles eram o Legado e, portanto, o bunker era deles por direito.

Enquanto Natalie e Claire ainda se acostumavam com o lugar e Sam e Dean colocavam as malas no meio da sala, Mia suspirou e fechou a porta atrás de si.

Notas finais
Gostaram?????A Mia dando uma de cupido, mas o Cas deve ter deixado vcs surpresos, não? kkkkkkkkkkkBem, o próximo capitulo se chamará "A trégua". (Muitas aspas nesta trégua, viu kkkkkkkkkkkkkkkk). E nele veremos o povo se acomodando no bunker, os meninos procurando o Kevin por lá, teremos momentos fofis, hots, instigantes e... Ok, parei.Inté!!!PS: Alguém aí assisti The vampire diaries? kkkkkkkkkkkkk meu povo, aquele negócio tá bom demais kkkkkkkkkkkkkkkkk