Recomeço
16 Capítulo 16 - A manhã seguinte
Notas iniciais
Seguinte, depois de ter viciado vocês em chuva no telhado, vento no portão... ok, eu resolvi me redimir e hj estou trazendo uma música muito fofis, chamada Only One, de uma banda que eu AMO, chamada Lifehouse.
Não me pergunte por que, mas esta música me lembra ninguém mais ninguém menos do que Natalie Jones. Acho que é porque fala daquele tipo de mulher bem resolvida, que não muda seu jeito de ser pra agradar ninguém, e que simplesmente vira a cabeça do cara e faz ele se afogar mesmo com a água só no tornozelo. Oi?
Bem, a cena inicial entre Dean e Natalie (Deanalie kkkkkkkkk), eu escrevi, revisei e suspirei ao som desta musiqueta meiga. Enjoy it!
Sobre o capítulo, eu queria colocar mais coisas, mas não deu tempo porque eu estou indo viajar amanhã...
Ou seja, apreciem com moderação por que a minha pessoa vai tirar uns dias para... fazer "nada". Nada mesmo kkkkkkkkkkkkk
Semana que vem eu volto, não se preocupem! E voltarei mais inspirada, maluquete e possuída... ok, esquece a última parte.
Beijos e carry on, sociedade hunter!!!
A luz do Sol entrava pela janela do quarto em que Dean e Natalie dormiam e o relógio sobre o criado-mudo marcava que era sete horas. Logo Dean começou a abrir os olhos devagar e a primeira coisa que viu foi um dos pés de Natalie perto do seu. Um pouco confuso com aquela proximidade, Dean olhou melhor e viu que na verdade não era apenas um pé, mas sim uma das pernas da garota que estava sobre ele. Sonolenta, Natalie se mexia um pouco, esfregando levemente a perna contra o corpo de Dean.
Logo ele percebeu que um dos braços dela também estava sobre ele. Dando a volta em sua barriga. O abraçando. E então Dean sentiu que também havia algo pesado em seu peito e inclinou um pouco a cabeça para confirmar o que era. Era a cabeça de Natalie repousada ali. Ela se mexeu mais um pouco e acomodou-se melhor no peito dele causando um certo arrepio em Dean. Claro que ele negaria até o fim que sentiu aquilo.
Ele olhou mais uma vez para tudo aquilo e estranhou ainda mais a proximidade que havia entre eles. Mas, ao mesmo tempo, não sabia como sair daquela situação. Aquilo era muito, muito embaraçoso.
Surpreso e confuso, Dean ergueu um pouco a cabeça e viu que Natalie estava desenrolada e, por mais que quisesse e lutasse contra aquilo, ele não conseguiu evitar e acabou olhando para as pernas da garota. Parou de olhar e se concentrou no teto por alguns instantes. Mas não resistiu e olhou de novo. Eram belas pernas...
Desta vez, Dean deu uma boa examinada na garota, passando os olhos por todo o seu corpo sem nem se perguntar por que exatamente estava fazendo aquilo, apenas movido por uma curiosidade inexplicável em relação àquela garota que lhe parecia tão familiar e que ao mesmo tempo lhe era completamente desconhecida. Por mais que negasse, Natalie intrigava Dean de uma forma que ele não compreendia direito.
Ele parou no rosto dela. Os cabelos de Natalie caíam sobre um dos braços de Dean e lhe faziam um pouco de cócegas à medida que ela se mexia sutilmente em seu peito. Dean não estava entendendo, mas deduziu que Natalie havia se aproximado dele sem perceber, enquanto dormia e agora estava ali, completamente abraçada a ele. Então olhou mais uma vez para o seu rosto e admitiu para si mesmo que ela era um pouco bonitinha. Só um pouco. Pena que fosse tão chata e insuportável... Mas não podia negar que adorou aquela camisa do AC/DC que a loira usava. Pelo menos, Natalie tinha bom gosto.
Dean sacudiu a cabeça afastando a ideia remota de que ele poderia demonstrar algum interesse por Natalie. Aquilo estava fora de cogitação. E então, tentou se desvencilhar dela, mas a loira estava muito envolvida em seu corpo e ele teve medo de que ela acordasse e entendesse tudo errado. Revirou os olhos e se convenceu de que se ela entendesse errado o problema era dela e não dele. Então Dean sorriu pensando em como seria divertido deixá-la constrangida e sussurrou em seu ouvido:
– Bom dia, amor...
Natalie franziu a testa incomodada com o som irritante da voz de Dean e abriu os olhos devagar. Ao perceber que estava agarrada a ele, a loira se afastou rapidamente e sentou no seu lado da cama tomada pela surpresa e por um constrangimento que crescia a cada instante. Procurou pelo seu cobertor e se cobriu imediatamente imaginando por quanto tempo Dean a viu daquele jeito. Se ele olhou para as suas pernas de novo como tinha feito antes, quando ela saiu do banho, na noite anterior. Ou pior, se ele se atreveu a tocá-la de alguma forma.
– E então? Foi bom pra você? — provocou ele enquanto se sentava.
– O que você fez? — preocupou-se Natalie — O que você fez comigo, Dean?!
– Ei! Ei! Vai com calma! — pediu ele erguendo um pouco as mãos e em seguida, afirmou — Eu não fiz nada com você, loirinha! Relaxa, ok?
– Ah... Conta outra... — duvidou Natalie ainda mais preocupada e depois disse com raiva — Não minta, Dean Winchester! Eu conheço a sua fama!
Dean a olhou surpreso por ela realmente acreditar que poderia acontecer alguma coisa entre eles, e também por ela dizer que conhecia a fama dele. O que ela quis dizer com aquilo? Que fama? Ok, ele era um pouco mulherengo, mas isso era crime por acaso? E como Natalie sabia daquilo? Ela sabia ou estava apenas deduzindo com base na ideia de que todo homem não presta? E por que ele se importava se Natalie pensava aquilo dele? Ele se importava?
Dean resolveu simplesmente respirar fundo e explicar com toda a calma que pôde:
– Eu não estou mentindo. Foi você que, de certa forma, abusou de mim, Naty. Eu estava aqui, quieto no meu canto, dormindo, completamente inocente e alheio aos seus planos de sedução até que você invadiu o meu lado da cama e ficou se esfregando em mim. Sabe-se lá desde quando...
– Eu não fiquei me esfregando em você! Se enxerga, Dean Winchester! E não me chame de Naty! — protestou ela e em seguida perguntou com raiva — Planos de sedução? O que exatamente você quer dizer com isso?
– Me diga você. Por que você saiu do seu lado da cama e ficou me abraçando, Natalie Jones? — desafiou ele — E ainda fez questão de ficar com essas pernas em cima de mim...
– O que tem de errado com as minhas pernas? — estranhou Natalie olhando para elas.
– São horríveis! — desdenhou Dean — Além do regime, você devia pensar em entrar pra uma academia também. Um pouco de atividade física ia te fazer bem, Naty.
– Não me chame de Naty! — gritou ela com raiva.
– Ok! Desculpe... Naty. — provocou Dean sorrindo, mas antes que ela pudesse protestar de novo, ele retomou o assunto — Mas agora quem quer uma explicação sou eu. Por que você invadiu o meu lado da cama? Por que me abraçou e ficou passando suas pernas horríveis por cima de mim?
Natalie hesitou um pouco. Não sabia como explicar aquilo porque também não entendia como havia acontecido. Se pelo menos estivesse bêbada poderia colocar a culpa no álcool, mas estava completamente sóbria quando deitou naquela cama com Dean. E não conseguia explicar aquilo porque geralmente ela acordava na mesma posição em que havia adormecido. Quase não se mexia enquanto estava dormindo. Tinha o sono muito pesado. E, no entanto, e por mais que repudiasse a ideia de concordar com Dean em alguma coisa, ele tinha razão. Ela estava abraçando Dean enquanto dormia. Esfregando suas pernas nas pernas dele...
Natalie sentiu raiva de si mesma e então disse a primeira coisa que veio à sua cabeça e sem muita segurança nas palavras:
– Eu tenho aquela síndrome das pernas inquietas...
Dean levantou as sobrancelhas e fez um biquinho com os lábios enquanto se controlava para não rir e então decidiu provocá-la mais um pouco:
– Pelo visto, não só nas pernas. Nos braços também, nos pés, no pescoço... Aliás, o seu corpo inteiro é bem inquieto, Naty. Você é a própria inquietude, sabia? — e enquanto se levantava da cama, acrescentou — Mas tudo bem. Eu entendo que seja meio difícil de resistir à mim. Eu não te culpo por isso. Eu não te culpo pelo seu corpo ter ficado tão inquieto perto do meu. Mas, por favor, se controle da próxima vez, ok? Afinal, você conhece a minha fama. E por mais que você não faça muito o meu tipo, nenhum homem é de ferro...
– Não vai ter próxima vez, Dean Winchester! — garantiu ela com raiva enquanto se desenrolava e levantava da cama — Me faça um favor? Não fale mais comigo. Nunca mais. — pediu ela antes de caminhar até o banheiro e fechar a porta com força.
– Isso não é um favor, querida. É uma dádiva! — encerrou ele e enquanto arrumava a cama, sorriu levemente sem perceber.
Enquanto isso, no mesmo hotel, Mia começou a acordar e depois que abriu os olhos, olhou para Castiel e lhe deu um beijo no rosto.
– Bom dia, anjo... — sussurrou ela em seu ouvido.
Mia parou um pouco e percebeu que sentia-se incrivelmente bem. Pelo visto, aquilo que aconteceu no dia anterior foi apenas algo passageiro e isolado. Agora ela sentia-se inexplicavelmente bem e disposta. Sentia-se ela de novo.
Pensando em recompensar Castiel por não ter sido muito carinhosa com ele, na noite anterior, a garota se aproximou mais dele e começou a roçar seu rosto no pescoço do ex-anjo. Ele sentiu um leve arrepio, mas não chegou a acordar.
Então Mia tocou seus lábios sutilmente e se moveu devagar ficando em cima de Castiel.
– Acorda, anjo... – disse antes de morder o queixo dele levemente.
Ele continuou dormindo e Mia começou a beijar toda a extensão do seu pescoço enquanto levantava um pouco a camiseta dele e acariciava a sua barriga subindo em direção ao seu peito tentando tirar a peça de roupa.
– Cas... Acorda... Tem uma vampira aqui que acordou com muita disposição pra fazer nada... Anjinho.... — sussurrou ela até que finalmente Castiel sorriu e abriu os olhos.
– Bom dia... — murmurou ele.
– Finalmente. — comemorou Mia partindo de vez pra cima dele e beijando seus lábios intensamente.
Castiel a envolveu em seus braços e a virou na cama ficando por cima da garota. Os dois se olharam por alguns instantes enquanto Mia acariciava suavemente um dos braços dele com as pontas dos dedos.
No entanto, quando Castiel ia se aproximar para beijá-la de novo, Mia viu algo na mão que mantinha no braço dele e, enquanto o afastava, pediu:
– Espera.
Mia sentou na cama e observou confusa a mancha vermelha e arredondada que havia na sua mão. Sem notar nada de diferente na garota, Castiel a abraçou por trás, afastou os seus cabelos e beijou o seu pescoço enquanto a puxava de volta pra cama.
– Como assim "espera"? Você me acordou, Mia... Você me provocou... E agora...
– Espera! É sério! — pediu Mia novamente enquanto novas manchas surgiam em suas mãos e em seus braços — O que é isso? — perguntou a garota ficando aflita.
Castiel olhou os braços de Mia e não viu nada de estranho neles. Franziu a testa confuso e perguntou:
– Isso o quê?
– Isso! — mostrou ela e em seguida levantou da cama e correu em direção ao banheiro.
Se aproximou da pia, abriu a torneira, começou a jogar água sobre os braços e a esfregá-los com força para que aquelas manchas desaparecessem. Mas, ao invés disso, elas apenas se multiplicavam cada vez mais, para desespero da garota.
Mia parou por alguns instantes e notou que além das manchas, veias vermelhas começavam a aparecer por toda a extensão dos seus braços e nas suas mãos. Desesperada, ela voltou a lavar os braços. De frente pra pia, ela acabou se olhando no espelho e parou novamente o que estava fazendo. Se aproximou do espelho atônita enquanto via veias vermelhas se destacando em volta dos seus olhos que também estavam ficando da cor de sangue. As veias começaram a se espalhar por todo o seu rosto e ela começou a jogar água nele também.
Castiel apareceu no banheiro neste momento e Mia cobriu o rosto.
– Cas... Saí daqui! Eu não quero que você me veja assim! — gritou ela constrangida com aquela situação.
– Assim como? — não entendeu ele e em seguida se aproximou.
– Saí daqui... Eu estou horrível... — desesperou-se ela e voltou a lavar o rosto e os braços os esfregando com mais força enquanto começava a chorar.
– Mia, pare. — pediu Castiel se aproximando da pia e em seguida tentou afastar as mãos da garota da torneira.
– Não! — relutou ela voltando a esfregá-las — O que está acontecendo comigo? Cas... Saí daqui... Por favor...
– Mia, não tem nada nas suas mãos. Nem nos seus braços. Muito menos no seu rosto. — explicou ele sem entender por que Mia insistia naquilo.
– Como não? Você não está vendo? Aqui! Aqui! E aqui! — mostrou ela desesperada.
Assustado com a forma como Mia estava agindo, Castiel fechou a torneira e a afastou da pia com muito esforço.
– Mia! Olha pra mim! — gritou ele tentando chamar a atenção da garota — Olha pra mim, Mia! Não tem nada de errado com você! — e segurando o rosto da vampira entre suas mãos, e olhando nos seus olhos com firmeza, ele pediu de novo — Olhe pra mim!
Por fim, Mia obedeceu e o olhou de volta. E com muita vergonha, repetiu:
– Eu não quero que você me veja assim... Eu estou horrível...
Castiel a olhou com carinho e tentou fazer com que ela enxergasse a verdade:
– Não tem nada nos seus braços, Mia. Olhe para eles. Olhe.
A garota relutou um pouco, mas por fim olhou para os braços. Castiel tirou as mãos do rosto da garota ao perceber que ela tinha entendido o que ele queria lhe mostrar.
Confusa, Mia procurou pelas manchas e veias nos braços, mas tudo que encontrou foi uma leve vermelhidão causada por ela mesma enquanto lavava os braços momentos antes.
– E o meu rosto? — perguntou ela com medo de se olhar no espelho.
– Lindo. Como sempre. — tranquilizou Castiel e só então Mia caminhou até a pia e se olhou no espelho.
E ela viu que Castiel tinha razão. Não havia nada de errado com o rosto dela. Estava perfeitamente normal. Assim como as suas mãos e braços.
Após um longo momento de silêncio, pensando e tentando encontrar uma explicação para aquilo, Mia perguntou:
– Tem certeza de que você não viu nada?
– Tenho. Porque não havia nada para ver, Mia. — confirmou Castiel e depois que ela se virou, ficando de frente pra ele, e se apoiou na pia, ele continuou — Parece que você teve uma alucinação. A questão é: Por quê?
– E você acha que eu sei? — indagou a vampira um pouco nervosa.
– O que eu sei é que você está mentindo pra mim desde ontem, Mia. — lembrou Castiel e em seguida a pressionou — E então? Você me contar o que está acontecendo ou não?
– Acredite, eu contaria... Se eu soubesse, Cas. — respondeu Mia com certa tristeza e após alguns instantes, acrescentou visivelmente atordoada — O problema é que eu não sei. Eu não sei, ok? Ontem eu vomitei sangue, mas e daí? Eu não sei por que aquilo aconteceu e desculpe por não ter te contado, mas a questão é que eu não tenho ideia do que está acontecendo comigo, anjo... Eu não sei o que isso significa. Eu não sei... Mas eu estou com medo. Eu só sei que eu estou com muito medo...
Ao ver o desespero e o medo crescerem no olhar perturbado da garota, Castiel se aproximou e a abraçou forte.
– O que está acontecendo comigo? Por que essas coisas não param de acontecer comigo? O que está acontecendo? — perguntou-se ela enquanto voltava a chorar e abraçava Castiel de volta.
Ele passou as mãos pelos cabelos dela e tentou tranquilizá-la:
– Nós vamos descobrir, Mia. Juntos. E vamos dar um jeito nisso. Não importa o que isso signifique, nós vamos encontrar uma saída. Eu estou aqui. Fique calma. Vai ficar tudo bem. Eu prometo.
Mia fechou os olhos tentando se acalmar enquanto Castiel a abraçava mais forte.
Dean entrou no Impala e pegou o celular que havia esquecido no banco na noite anterior. Viu que tinha várias ligações do irmão e resolveu ligar de volta enquanto colocava o cinto de segurança.
Em Kansas City, Sam estava esperando Claire do lado de fora do hotel, apoiado no carro da garota quando ouviu o celular tocando e atendeu um tanto nervoso:
– Dean? Que droga... Onde você se meteu ontem? Eu te liguei umas mil vezes!
– Ei! Vai com calma, Sammy! E bom dia pra você também. Eu estou ótimo! Obrigado! — ironizou o mais velho e depois de alguns instantes, perguntou — Algum problema? O que aconteceu?
– Você está sentado? — quis se assegurar Sam.
– Sim... — respondeu Dean sem entender porque aquilo era importante.
– Bem, é que eu descobri uma coisa sobre a Claire. Uma coisa importante, Dean.- começou Sam e então, resolveu dizer de uma vez — Ela tem... O DNA do Bobby.
Após um longo momento de silêncio, Dean indagou surpreso:
– O quê?!
– Isso mesmo que você ouviu, Dean. O Bobby teve uma filha. Claire. Até onde eu entendi, ele nunca soube disso. Mas há vinte e cinco anos, o Bobby foi investigar um caso no Texas e se envolveu com uma pessoa por lá. A Sra. Rachel, mãe da Claire. — explicou Sam e diante do silêncio do irmão, perguntou — Dean, você ainda está aí?
– Sim... É só que... Por um instante, eu imaginei o Bobby fazendo sexo. E foi estranho... — respondeu Dean.
Sam sorriu levemente e continuou:
– E não é só isso. O Bobby exorcizou um demônio naquela época e ele voltou há alguns meses e possuiu a Sra. Rachel. Natalie fez o exorcismo, mas houve consequências e a mãe da Claire entrou em coma. É por isso que ela quer encontrar Ezekiel. Ela precisa da ajuda dele para curar a mãe. — acrescentou Sam.
– Claire é filha do Bobby... — murmurou Dean ainda tomado pela surpreso com aquela revelação.
– E tem mais. O tal demônio se chama Belial e é irmão de Abaddon. E ela está atrás da Claire. E provavelmente da Natalie também. — contou Sam.
– Puxa, Sammy! Quantas notícias maravilhosas logo de manhã! — disse Dean com sarcasmo — Eu ainda estou tentando me acostumar com o lance da Claire ser filha do Bobby. Espera um pouco, cara. Você tem certeza disso?
– Sim. Inclusive, o Garth já sabia. Ele me contou tudo esta madrugada. — confirmou Sam.
Dean olhou para o hotel e viu Natalie saindo do quarto. Por mais que estivesse em choque e quisesse saber mais detalhes, não podia fazer isso com Natalie por perto. Ficou se perguntando se a loira sabia que o pai de Claire era o mesmo caçador que a ajudou a exorcizar o demônio que matou os seus pais.
Dean chegou a conclusão de que não. Natalie não devia saber o nome do pai biológico de Claire. Se ela soubesse, teria mencionado alguma coisa quando contou para ele como virou caçadora.
Aquilo era confuso demais. Tanto Claire como Natalie tinham uma conexão com Bobby. Era muita coincidência para não significar alguma coisa.
A cabeça de Dean estava dando um nó e ele resolveu encerrar a ligação antes que Natalie se aproximasse do carro:
– Sammy, leve a Srta. Singer pro bunker. Eu vou ligar pro Kevin e ver o que ele consegue descobrir sobre Belial.
Em seguida, os dois desligaram e Sam viu Claire sair do quarto do hotel e se aproximar.
– Você pode dirigir desta vez? — propôs ela jogando as chaves para ele.
– Claro. — assentiu Sam, mas em seguida perguntou preocupado — Mas está tudo bem?
Claire abriu a porta do carro e se apoiou no capô antes de responder:
– Sim. Eu só não dormi muito bem esta noite.
Sam a observou por alguns instantes e pensou em perguntar qual foi o motivo da insônia, mas, por algum motivo que ele não entendia direito, preferiu ficar em silêncio. A verdade, é que ele também não tinha dormido muito bem. Primeiro porque ainda estava digerindo o fato do Bobby ter tido uma filha e segundo porque Sam ficou lembrando da expressão da garota quando ele abriu a porta só de toalha. Por mais que não quisesse admitir, Sam sabia que Garth estava certo. Aconteceu alguma coisa naquela porta enquanto eles se olhavam.
– Ok. Eu dirijo. — assentiu Sam afastando esses pensamentos.
Em seguida os dois entraram no carro e ele deu partida enquanto Claire evitava olhar para o motivo da sua insônia.
Enquanto isso, Mia e Castiel também saíam do quarto de hotel em Little Rock. A garota se aproximou do Mustang e colocou Vincent no banco de trás. Mas ao se virar para falar com Castiel, viu ele andando em direção ao Impala. Ele olhou pra trás e a encarou por alguns instantes. Mia entendeu o que ele estava planejando e por um instante pensou em impedí-lo. Mas em seguida, hesitou. No fundo, ela sabia que precisava de ajuda e sabia que era exatamente disso que Castiel ia falar com Dean.
Natalie ia entrar no Impala, quando Castiel se aproximou e segurou a porta.
– Você se importa de ir com a Mia? Eu preciso conversar com o Dean. — sugeriu ele.
– Se eu me importo? — perguntou a loira com um sorriso e em seguida agradeceu fazendo questão de falar bem alto para Dean ouvir — Você é mesmo um anjo, sabia? Muito obrigada, mas muito obrigada mesmo, por me livrar dessa companhia tão desagradável.
Em seguida, Natalie se afastou e entrou no Mustang enquanto Castiel entrou no Impala e perguntou para Dean:
– Vocês estão bem?
– Eu estou ótimo e ela... Bem, eu não ligo. — respondeu o Winchester.
Castiel o observou por alguns instantes e em seguida, começou:
– Dean, eu preciso conversar com você.
– Ok, só um instante. — pediu o Winchester encostando o celular no ouvido e quando a pessoa do outro lado atendeu, ele disse — Kev? Olá! Breaking News! Abaddon tem um irmão e seu nome é Belial. Eu preciso que você descubra o máximo que puder sobre ele, ok?
– Oh! Bom dia, Dean! À propósito, eu estou bem. Obrigado por perguntar. — resmungou Kevin enquanto caminhava pelo bunker.
Dean revirou os olhos lembrando que há pouco, ele disse algo parecido para Sam e resolveu recomeçar :
– Olha, Kev, eu sei que tem sido tempos difíceis, principalmente ficar aí sozinho com um demônio no porão, mas eu preciso da sua ajuda, ok? Nós precisamos. Isso é importante.
– Ok... Eu sei, Dean. — assentiu o Profeta e em seguida, explicou — É só que... Quando eu lembro que o demônio que me torturou e matou a minha mãe está no porão, eu tenho vontade de...
– Ei! Ei! Calma, Kev. Infelizmente, nós precisamos daquele desgraçado. — lembrou Dean — Pelo menos por enquanto, até ele nos dizer o nome de cada demônio sobre a Terra, lembra? Nós já conversamos sobre isso. Vai com calma.
– E você acha mesmo que Crowley vai dizer alguma coisa? — duvidou Kevin enquanto pegava alguns livros sobre demônios e colocava sobre uma das mesas do bunker.
Dean suspirou e resolveu mudar um pouco de assunto:
– Olha, nós estamos a caminho. Com sorte, chegaremos à noite. Aguenta firme, ok? E o mais importante...
– A Mia não pode saber que o Crowley está aqui. — completou o Profeta e em seguida, resmungou — Eu entendi, Dean. Ela é uma vampira agora, está um pouco instável e ninguém quer que ela machuque o infeliz do Crowley, não é?
– Não é com o bem estar do Crowley que eu estou preocupado, Kevin. Mas, neste momento, infelizmente, nós precisamos dele porque ele sabe muita coisa sobre o Inferno. Crowley pode ser útil, mas não pense que eu estou feliz com esta situação. Acredite, eu quero despachar aquele desgraçado tanto quanto você e Mia querem. — esclareceu Dean e em seguida, completou — Mas se nós fizermos isso, não será uma vitória, Kevin. Pra ser uma vitória, o Crowley precisa perder. E pra ele perder, nós temos que tirar tudo dele, cada informação que possa acabar com cada demônio até não sobrar mais nada pra ele. Nenhuma vantagem, nenhum aliado, nenhum truque, nada. E então você e a Mia poderão ter uma longa conversa em particular com ele. Vocês merecem isso. Mas por enquanto, vai com calma, ok? E fique bem longe do porão.
– Ok. Você está certo, Dean. Me desculpe. — concordou Kevin por fim.
– Se cuida. — orientou Dean antes de desligar.
Castiel o olhava intrigado com tantas coisas que havia ouvido e sentiu vontade de perguntar o que estava acontecendo, mas em seguida lembrou de Mia e do que aconteceu há pouco e então resolveu começar:
– Dean, eu preciso falar com você sobre a Mia.
– Ok, o que aconteceu? — perguntou Dean e em seguida deu partida.
Castiel pensou um pouco escolhendo as melhores palavras e então começou:
– Bem, ontem à noite, quando eu e a Mia fomos para o quarto... Mais especificamente para a cama... Ela não estava muito disposta e...
– Ei! Ei! Calma aí, Cas. O que exatamente você vai me contar? — temeu Dean arregalando os olhos.
Castiel franziu a testa e respondeu:
– Não é nada disso que você está pensando, Dean. Por favor... Eu sou um cavalheiro. — e após uma breve pausa, retomou — Bem, ontem à noite, a Mia estava um pouco estranha. Por um instante, eu pensei que o problema fosse comigo. Eu cheguei a pensar que talvez ela não me amasse mais.
Dean começou a rir de repente e Castiel parou de falar sem entender qual era a graça. Então o caçador se conteve e explicou:
– Desculpe, Cas... Mas só você pra me fazer rir uma hora dessas. Quer saber de uma coisa? Tem duas coisas que eu tenho certeza nessa vida. Eu sou hetero e a Mia te ama. E mesmo que numa possibilidade remota, ela deixasse de te amar, não seria da noite pro dia.
– Eu sei... Mas é que... Nós já terminamos tantas vezes, por tantos motivos, e agora está tão... Bom, que eu tenho medo de que a qualquer momento, ela mude de ideia, invente alguma desculpa, qualquer coisa, pra gente se separar de novo. — desabafou Castiel e após uma pausa, prosseguiu — Felizmente, não foi nada disso. Ela disse que me ama e me beijou...
– Cas! — repreendeu Dean.
Castiel voltou a si e retomou o assunto:
– Bem, o fato é que a Mia estava estranha, não por minha causa, mas porque... Ela meio que passou mal ontem de manhã.
– Vampiros só passam mal com verbena ou sangue de homem morto. — lembrou Dean.
– Aparentemente, não era nenhuma coisa nem outra. — disse Castiel e então continuou — A Mia passou mal ontem, e hoje, há pouco, ela teve algumas alucinações quando nós íamos... Deixa pra lá.
Preocupado, Dean perguntou:
– Que tipo de alucinações?
– Do tipo maluco e sobrenatural. — respondeu Castiel e em seguida, explicou — A Mia... Tinha certeza de que havia manchas pelos braços dela, pelo rosto... Dean, foi muito difícil convencê-la do contrário. Eu nunca a vi tão assustada. Eu acho que tem alguma coisa muito estranha acontecendo com ela. Nós precisamos descobrir o que isso significa. Nós precisamos ajudá-la, Dean.
Rapidamente, a preocupação de Castiel contagiou Dean, mas embora também estivesse intrigado com as coisas que estavam acontecendo com Mia, o Winchester resolveu manter a calma e tentou tranquilizar Castiel:
– Não se preocupe, Cas. Esta noite, nós vamos chegar ao bunker e vamos começar a cuidar da Mia.
– Como assim? — não entendeu o ex-anjo.
– Não importa o que esteja acontecendo com a Mia, Cas. Meu palpite é de que tudo isso vai parar quando nós a curarmos do vampirismo.- explicou Dean e como Castiel ainda parecia confuso, esclareceu — Cas, nós vamos curar a Mia. Nós precisamos fazer isso. Nós vamos encontrar uma bendita cura pra isso tudo e vamos ajudá-la, ok? Confie em mim. E se mesmo assim, essas coisas não pararem de acontecer com ela, então nós vamos achar outra coisa que a ajude. Não se preocupe, nós vamos encontrar uma saída.
Castiel encarou Dean por alguns instantes e em seguida ficou pensando nas coisas que ele disse enquanto olhava para a estrada logo a frente. Talvez Dean estivesse certo, talvez aquelas alucinações tivessem alguma coisa a ver com o fato da Mia ser uma vampira agora. Ou talvez não. De um jeito ou de outro, eles tinham que ajudá-la.
O único problema é que Castiel não sabia como Mia iria reagir quando soubesse que eles estavam procurando uma cura para ela.
Dean estava mais preocupado por não saber como Mia iria reagir quando descobrisse que ele e Sam mentiram para ela sobre o paradeiro de Crowley. Isso porque o demônio não havia sumido na noite em que os anjos caíram, como eles disseram para ela. Crowley estava no bunker, esse tempo todo. E agora eles estavam indo pra lá também e levando Mia.
Enquanto Dean pensava nessas coisas e Castiel ficava ainda mais preocupado com Mia, Kevin caminhava por uma sala do bunker repleta de arquivos e livros sobre demonologia. Começou a folhear alguns livros e abrir algumas caixas em busca de qualquer informação sobre Belial até que uma voz familiar começou a chamá-lo:
– Kev? É você?
A voz vinha do porão onde Crowley estava preso dentro de uma armadilha do diabo e amarrado a uma cadeira com algemas que tinham pequenas armadilhas do diabo entalhadas, o impedindo de fugir ou tentar qualquer coisa.
Automaticamente Kevin lembrou das palavras de Dean, sobre ficar bem longe do porão. Então ele resolveu ignorar o demônio e se concentrar na pesquisa.
– Eu sei que é você, Kevin. — insistiu Crowley preso no porão escuro — Eu conheço o som dos seus passos.
Kevin respirou fundo e colocou alguns livros sobre uma mesa.
– Vamos lá, Kevin Tran! Fale comigo! Eu estou entediado! — gritou Crowley.
Kevin controlou a raiva e o impulso de entrar no porão e fazer Crowley calar a boca e continuou caminhando pela sala a procura de mais informações sobre Cavaleiros do Inferno. Não podia esquecer que além de Belial, eles teriam que lidar com Abaddon, e se os dois demônios estavam mesmo juntos, com certeza estavam planejando algo grandioso... E maligno, obviamente.
– Ok, ele vai me ignorar. — recomeçou Crowley e em seguida, provocou — Isso não é nada surpreendente vindo de você, Kevin. Você acha mais fácil fugir de mim, do ter que encarar o demônio que matou a sua mãe. Ela sim era uma lutadora. Forte, corajosa. Bem diferente do filhinho nerd dela. Ah... Kev, você devia ter apreendido alguma coisa com a Sra. Tran. Mas não, você prefere fingir que eu não estou aqui falando com você neste exato momento como se isso fosse diminuir a raiva que você sente. Sabe o que você é, Kevin Tran? Como é mesmo aquela palavra? — e após uma pausa, respondeu — Fraco. É isso que você é, Kevin. Um fraco.
Ao ouvir isso, o Profeta parou de andar pela sala e respirou fundo mais uma vez. Crowley ouviu passos se aproximando e logo as portas à sua frente foram abertas.
– Humm... Aí está você. — disse Crowley encarando Kevin parado na entrada do porão.
Notas finais
Sei que eu mato vcs com tantos mistérios da meia noite, mas, porém, no entanto, todavia e doravante, aos pouquinhos desvendaremos estes mistérios juntos.
Descobriremos de onde Claire e Sam, Dean e Natalie, se conhecem.
Descobriremos o que diabos está acontecendo com a Mia e como e se ela vai ser curada do vampirismo.
Descobriremos onde Ezekiel (Zeke) se meteu e se ele vai ajudar Claire com o lance da mãe dela ou não.
Descobriremos como Belial voltou (ele foi exorcizado pela Natalie, lembram?)
Descobriremos o que ele e Abaddon querem realmente com a Claire. Apenas uma reles vingança? Não se enganem... Eles são demônios fodásticos e, portanto, tem planos fodásticos e escusos e grandiosos. Cuma? Aí tem coisa, sociedade.
No próximo capitulo, descobriremos o que Kevin vai fazer com Crowley (humm... talvez eu me inspire no episódio 9x02 de novo, talvez não), e teremos momentos bem fofis e engraçados com duas conversas, entre Cas e Dean, e entre Mia e Naty sobre... O amor. Hein? PRE-PA-RA.
Sobre o Dean ter desdenhado das pernas da Naty, isso vai ter volta viu... E ele desdenha, desdenha, desdenha, mas no fundo vcs sabem o que isso significa, não?
Também teremos Clammy no próximo capítulo (Claire e Sammy kkkkkkkkkkkkk).
Bem, até lá.
Desculpe eventuais erros no texto, mas é que eu estou na correria aqui pra minha viagem.
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