Recomeço

1 Capítulo 1 - Velozes e Furiosos


Notas iniciais
Sobre o primeiro capítulo, eu estava meio insegura em relação à ele. Mas, porém, no entanto, todavia e doravante, eu acho que para um primeiro capítulo ele cumpre bem o papel.Teremos humor, momentos fofos e um pouquinho de saliência, Mia lidando com as complicações de ser uma vampira entre caçadores e um pouquinho de mistério...Lá vai!

Eu sabia que ele estava adorando fazer aquilo. Me torturar psicologicamente enquanto andava à minha volta segurando aquela maldita estaca. Uma arma fatal para vampiras como eu. Acerte o coração e nós morremos rapidamente.

Nós estávamos no que os Winchester costumam chamar de masmorra. O lugar fica no subsolo do bunker e nada mais é do que um enorme porão com uma grande armadilha do diabo no centro. Um lugar onde os Homens das Letras costumavam prender demônios para exorcizá-los com bastante calma.

Dentro da armadilha havia uma cadeira desgastada pelo tempo e correntes de ferro por toda a parte que se interligavam e ficavam presas aos pés da cadeira. Em cada corrente havia outras pequenas armadilhas entalhadas impedindo que um demônio que fosse preso ali conseguisse escapar de alguma forma.

No entanto, lá estava ele. Há poucos metros da cadeira, livre de qualquer armadilha e pronto para me matar. Segurando a estaca enquanto se aproximava lentamente de mim.

E quando Crowley finalmente parou na minha frente, ele me encarou por algum tempo. Em seguida, afastou as mechas de cabelo que caíam sobre o meu rosto usando o objeto de madeira. Eu mordi os lábios com raiva e virei o rosto. Mas antes disso, eu pude ver o sorriso cínico se formar nos lábios do demônio. E como se aquilo já não fosse tortura suficiente, eu ainda tive que ouvir ele perguntar enquanto a estaca descia devagar até o meu peito:

– Então... Como vai ser?

Não existe nada de poético em morrer. Morrer é trágico e doloroso. Quem diz que morrer não doí está mentindo e geralmente está vivo. Mas pergunte aos fantasmas e qualquer um deles irá te contar a verdade. Morrer doí sim. E muito, aliás. Eu já morri algumas vezes e por experiência própria, acredite, morrer não é nada agradável. E eu estava prestes a vivenciar aquela dor mais uma vez.

No entanto, quando você já está morta, a sua perspectiva de dor muda um pouco. Então eu resolvi enfrentar aquilo de uma vez. Olhei Crowley com ódio e desafiei:

– Faça.

Crowley sorriu. E desta vez fez questão de mostrar que estava sorrindo. Então ele observou a estaca na altura do meu coração e depois me olhou enquanto seus olhos ficavam vermelhos.

– Com todo o prazer, sweetie. — concordou ele e sem hesitar forçou a estaca contra a minha pele.

– Não! — gritou uma voz familiar de alguém que entrava no porão naquele momento.

Mas já era tarde demais e eu senti a madeira perfurar o meu peito e atingir o meu coração certeiramente.

O grito soou abafado e logo eu senti o gosto de sangue invadir a minha boca enquanto minha visão começava a ficar turva. Não demorou muito para que eu perdesse o controle das minhas pernas e sentisse o meu corpo cair. Mas antes de atingir o chão alguém me segurou.

– Não! Não! Mia... Por quê? Por quê você fez isso? Mia... Não morra...

Eu vi o rosto de Castiel se apagar diante dos meus olhos enquanto a vida se esvaía de mim pouco a pouco.

– Não... Mia... Não morra... — implorou ele vendo os meus olhos ficarem paralisados quando finalmente eu parei de respirar.

E então eu morri.

XXX

Um mês antes

– Mia? Acorda... Mia? Acorda!

Mia ouviu a voz de Castiel e o som de buzinas ao longe e abriu os olhos aos poucos. Afastou a cabeça do vidro da janela e olhou em volta um tanto zonza.

A luz do Sol a cegou por um instante. Era pouco mais de nove horas da manhã e o céu estava completamente limpo. Logo, ela percebeu que estava no Mustang e em frente a uma lanchonete de beira de estrada.

Olhou para o lado e viu Castiel segurando um copo descartável em sua direção. Ele deu um leve sorriso e explicou:

– Eu te trouxe café.

Mia sorriu, se ajeitou melhor no banco e passou as mãos pelo cabelo antes de pegar a bebida e agradecer:

– Obrigada, anjo.

Castiel observou a garota beber o café e perguntou:

– Você está bem?

– Sim, eu estou ótima. Por quê?

– Eu não sei. Eu saí do carro por cinco minutos e quando volto, encontro você dormindo. Pesado, aliás... — observou ele — Tem certeza que está tudo bem?

– Eu dirigi o dia e a noite inteira enquanto você babava no meu banco de couro. Eu só estou cansada. — explicou ela e depois de tomar mais um gole do café resolveu mudar de assunto — E Sam e Dean?

– Estão tomando café na lanchonete. — respondeu Castiel e depois lamentou um tanto constrangido — E eu sinto muito sobre... O seu banco de couro.

Mia sorriu e o tranquilizou antes de lhe dar um selinho:

– Eu estava brincando, anjo. Não se preocupe, você não estava babando, só... Roncando um pouco.

– Desculpe... — lamentou ele mais envergonhado.

– Está tudo bem, Cas. Você não precisa se desculpar por ser um humano agora. — tranquilizou Mia novamente e em seguida acrescentou sorrindo — Além disso, eu achei bonitinho. Era quase como um gato ronronando no meu ouvido. Eu gosto de gatos! Inclusive eu tive um quando eu era criança. O nome dele era...

– Por favor... Apenas tome o seu café. — interrompeu Castiel sem gostar muito daquela comparação e depois ficou olhando para o lado de fora em silêncio.

– Humm... Você disse que Sam e Dean estão na lanchonete? Ótimo! Isso nos dá certa vantagem! — animou-se a garota de repente entregando o copo vazio para Castiel e ligando o carro.

– Mia, você está mesmo disputando com o Dean pra ver quem chega primeiro? — indagou ele franzindo a testa enquanto ela dava partida.

– Claro que não. — respondeu a garota, embora estivesse sim disputando com Dean desde que saíram de Mystic Falls no dia anterior — Eu só quero chegar logo no hotel. Tomar um banho, trocar de roupas. Uma cama seria ótima.

– É. Com certeza seria. — concordou Castiel a olhando com certa malícia.

Ao ouvir isso a garota sorriu para ele e se distraiu por um instante. E quando olhou para frente, teve que frear bruscamente para não atropelar Dean em pleno estacionamento. O Winchester bateu na frente do Mustang e resmungou:

– Barbeira!

Em seguida Dean deu a volta no carro e se apoiou na janela ao lado de Mia enquanto ela via Sam sair da lanchonete e entrar no Impala estacionado logo a frente.

– Eu já vi pessoas que dirigem mal, mas atropelar alguém num estacionamento é a primeira vez. Sempre se superando, não é, Mia? — provocou ele com um sorriso sarcástico.

– Desculpe. Eu sempre esqueço que tenho que desviar dos animais. — devolveu ela também com sarcasmo fazendo Castiel sorrir e Dean ficar sério imediatamente e em seguida começar a se afastar.

– Não importa o quanto você tente, Mia. Você não vai ganhar do meu bebê. — afirmou Dean, mas ao virar para ver o Mustang quase foi atropelado de novo.

Uma nuvem de poeira se levantou quando Mia passou por ele. Então ela colocou a cabeça para fora da janela e gritou:

– Desculpe, o que você disse mesmo?

Em seguida Mia sorriu e voltou a se concentrar na direção. Ao perceber que tinha ficado pra trás, Dean correu até o Impala e entrou rapidamente.

– Acelera, Sammy! Acelera! — ordenou ele que estava revezando a direção com o irmão.

– Dean, isso é ridículo... — discordou o mais novo.

– Acelera! — repetiu Dean ansioso.

Sam suspirou e deu partida, mas ao contrário do que Dean queria, ele manteve uma velocidade segura. O mais velho respirou fundo irritado, mas logo abriu um sorriso ao ver que o Mustang havia parado logo adiante. Ao passar por Mia, ele provocou de novo:

– Parece que alguém esqueceu de abastecer.

Mia fez um esforço para disfarçar a derrota e acenou para os dois enquanto eles se afastavam. Em seguida tirou as mãos do volante e encostou as costas no banco sentindo-se frustrada. Acabou admitindo para si mesma que era uma péssima motorista. E tendia a ficar pior com Castiel ao seu lado tirando o pouco de concentração que lhe restava.

O pior é que ainda tinham praticamente um dia inteiro de viagem pela frente já que Dean só queria parar quando eles deixassem o estado da Virginia e, consequentemente, Mystic Falls completamente para trás. Ele queria se distanciar o máximo possível dos Salvatore e daquela cidade maluca.

Ou seja, até chegarem em Kentucky, eles ainda tinham um longo percurso pela frente. E Mia teria que aguentar as provocações de Dean caso não chegasse primeiro do que ele e Sam ao hotel no final do dia.

– Awesome... — resmungou ela.

– Não se preocupe. Nós vamos resolver isso. — tranquilizou Castiel mostrando que do lado da lanchonete havia um pequeno posto de gasolina.

Castiel teve que empurrar o carro até lá, mas por sorte eram poucos metros. E depois que eles reabasteceram, voltaram imediatamente para a estrada. E Mia dirigiu por mais umas quatro horas até que o casal parou em frente a mais um restaurante. Mia preferiu ficar no Mustang descansando um pouco e Castiel saiu do carro e se juntou aos Winchester que haviam chegado um pouco antes.

Meia hora depois, eles saíram do restaurante e retomaram a viagem. Sam e Dean estavam logo a frente, mas logo se distanciaram consideravelmente de Mia e Castiel, deixando a garota frustrada mais uma vez.

E no começo da noite, eles fizeram a última parada para jantarem. E mais uma vez, os Winchester chegaram primeiro na lanchonete.

Ao sair do Mustang, Mia viu o Impala estacionado e parou ao lado dele enquanto tinha uma ideia. E como se tivesse lido os seus pensamentos, Castiel balançou a cabeça em discordância. E Mia sorriu mostrando que embora fosse errado, achava aquilo divertido.

Momentos depois, os dois entraram na lanchonete. Mia com um sorriso e Castiel um tanto tenso. Ao vê-los, Dean provocou novamente:

– Oh! Aí estão vocês! Eu já até pedi a sobremesa.

– Deixa eu adivinhar! Torta? — sugeriu Mia sentando ao lado de Sam enquanto Castiel sentou ao lado de Dean.

– Sempre! — respondeu Dean animado enquanto Sam permanecia em silencio e concentrado em uma pesquisa que fazia pelo notebook.

Neste momento, uma jovem garçonete com longos cabelos loiros e rosto delicado se aproximou da mesa deles. Devia ter no máximo vinte e cinco anos. E sorrindo para Castiel, ela perguntou:

– O que o senhor vai querer?

Mia franziu a testa e observou a garota enquanto Castiel folheava o cardápio e respondia ao mesmo tempo em que ela anotava o pedido rapidamente:

– Ãn... Eu vou querer, um X-Bacon completo, uma porção de batatas fritas com molho babercue, uma Coca-Cola e um... Mill Shake de chocolate com cobertura extra de caramelo de sobremesa! Ah! E um pedaço de torta de frutas vermelhas também. Por favor.

– Nossa! Que apetite... — elogiou a garçonete passando levemente a mão no ombro dele e sorrindo — E você? — perguntou para Mia desmanchando o sorriso.

– Que você desapareça. — respondeu a garota dando um sorriso irônico.

Dean olhou surpreso para Mia enquanto a garçonete indagou também surpresa com a rispidez da cliente:

– Desculpe, o que você disse?

– Isso mesmo que você ouviu, querida. Eu quero que você suma daqui. Tipo... Agora. — repetiu a garota calmamente, mas por dentro sentia vontade de pular em cima dela.

A garçonete olhou para todos na mesa um tanto constrangida e Dean repreendeu:

– Mia, isso não foi gentil.

– Nada gentil. — concordou a garçonete um tanto ofendida — Eu só estou tentando fazer o meu trabalho. Tem certeza que não há nada que a senhorita queira? Talvez um suco? — insistiu ela e em seguida se curvou um pouco na direção da garota e lhe estendeu o cardápio.

Mia sorriu irritada e também se aproximou um pouco da mulher. Em seguida a olhou fixamente e esclareceu enquanto a compelia:

– Eu já disse. A única coisa que eu quero é que você suma da minha frente. Ah! E também que peça para um colega seu, do sexo masculino de preferência, trazer o pedido do meu anjo. — e depois de ler o nome da funcionária no uniforme, Mia acrescentou — Eu não quero mais te ver perto desta mesa, entendeu, Cindy?

A garçonete piscou voltando a si e em seguida assentiu:

– Claro. Como quiser.

– Agora vá. — dispensou Mia e a mulher se afastou rapidamente.

Castiel deu um leve sorriso e disse cheio de si:

– Eu não sabia que você era ciumenta.

– Eu não sou. — garantiu Mia, mas como ele e Dean a encararam, ela reforçou — Eu não sou, ok? Eu só acho que as pessoas devem ser profissionais ao invés de ficarem assediando os clientes descaradamente. É completamente anti-profissional. — mas como eles continuaram a olhando, ela admitiu por fim — Ok. Eu sou ciumenta. Grande coisa!

Então Castiel segurou a mão dela por cima da mesa e tranquilizou olhando em seus olhos com carinho:

– Você não precisa ter ciúme, Mia. Ela não faz o meu tipo.

Ao ouvir isso, a garota sorriu e segurou a mão do anjo de volta. Os dois se olharam apaixonadamente e Dean revirou os olhos antes de resmungar:

– Oh... Por favor... Se contenham.

Mia olhou para o Winchester mais velho e ficou séria antes de dizer com pesar:

– Dean, eu não tive tempo tempo de dizer isso, mas eu quero que você saiba que eu sinto muito. Sobre Bonnie... — e ao perceber que Dean havia ficado incomodado ao lembrar da bruxa, Mia sorriu e tentou animá-lo — Sabe o que você precisa?

– Que você cale a boca? — sugeriu ele.

– Não... Se apaixonar de novo. — corrigiu Mia.

– Não, eu preciso que você cale a boca. Por favor. — reforçou ele antes de tomar um pouco do refrigerante.

– Eu estou falando sério, Dean! Deve existir alguém para você. Alguém especial. E eu tenho certeza que mais cedo ou mais tarde ela vai tropeçar em você por aí. — insistiu a garota.

– Mia... Calada. — pediu Dean sem querer pensar sobre relacionamentos naquele momento.

Aliás, ele não queria pensar ou falar sobre aquilo em momento algum. Estava completamente convencido de que ele e seu irmão nunca poderiam ficar com alguém de verdade. A vida de caçador era solitária. De certa forma, eles eram homens amaldiçoados. Não fazia sentido continuar se iludindo. Era melhor se conformar e se concentrar apenas no trabalho. E com certeza, eles tinham muito trabalho pela frente.

Mia encostou as costas na cadeira e só então percebeu que o Winchester mais novo estava calado demais. Aliás, Sam não havia dito uma palavra sequer desde que ela e Castiel se sentaram à mesa. Então Mia olhou para ele e brincou:

– Terra chamando Sam Winchester.

Mas para sua surpresa, ele não esboçou qualquer reação. Estava completamente concentrado no que estava vendo na Internet. Então Mia se inclinou para ver o que Sam estava lendo e perguntou:

– Ok, o que você está vendo aí, Rapunzel?

Mas ao perceber a intenção da garota, Sam fechou o notebook imediatamente e respondeu enquanto olhava de um jeito suspeito para o irmão:

– Desculpe, é particular.

Mia o olhou desconfiada e abriu um sorriso antes de perguntar:

– Humm... Quem é ela, seu danadinho?

– Ela quem? — não entendeu ele.

– A garota que estava conversando com você pelo Facebook. — arriscou Mia.

Sam sorriu incrédulo e esclareceu:

– Não existe garota nenhuma, Mia. E eu não tenho Facebook. Aliás, eu não saberia o que fazer se um... Demônio ou coisa do tipo me cutucasse.

– Cutuque de volta. Sempre. — aconselhou ela.

– Do que exatamente vocês estão falando? — indagou Castiel confuso.

– Redes sociais. — respondeu Dean — O único lugar do mundo onde todas as pessoas são perfeitas. Exceto quando tiram fotos estranhas em frente ao espelho.

Mas como Castiel continuou confuso, Mia acrescentou:

– É uma longa história, anjo. Um dia eu te conto e até te ajudo a criar um perfil. Aliás, eu devia atualizar o meu status. Em um relacionamento instigante com um ex-Anjo do Senhor. Gostei. Soa divertido.

– Relacionamento instigante? — repetiu Castiel com um leve sorriso.

Mia retribuiu o sorriso e o olhou com carinho. E desta vez foi Sam que cortou o clima dizendo:

– Oh... Por favor... Se contenham.

– Sam, sabe o que você precisa? — indagou a garota se voltando para ele.

– Cala a boca, Mia. — cortou ele e em seguida acrescentou — E você não devia ter Facebook. É perigoso. Algum demônio pode te rastrear.

– O quê? Você acha que o Crowley vai me cutucar? — brincou ela e em seguida esclareceu — Não se preocupe, eu não tenho mais Facebook. Na verdade, eu desfiz meu perfil quando... Entrei pro negócio da família. Nessa vida não podemos deixar rastros para os bandidos...

– Desculpe, mas como essa conversa surgiu mesmo? — interrompeu Dean antes de tomar um pouco de refrigerante.

Mia sorriu também sem entender por que eles estavam falando sobre redes sociais e esperou alguns segundos antes de apoiar a cabeça no ombro do Winchester mais novo e retomar o assunto inicial:

– Sam... Sammy... Eu já disse que eu te amo? E que eu tenho uma certa inveja do seu cabelo? Inveja branca, é claro, não se preocupe.

– Mia, o que você quer? — desconfiou ele.

A garota passou os dedos pelo notebook e respondeu tomada pela curiosidade:

– Saber o que você estava lendo bem aqui.

– Eu já disse. Nada demais. — desconversou ele olhando para Dean novamente.

– Nada demais? — repetiu ela sem acreditar — Então deixa eu ver...

– Não! É particular. — respondeu Sam afastando o notebook e rapidamente mudou de assunto — Por falar nisso, eu posso te fazer uma pergunta?

Mia olhou para ele e para o notebook ainda desconfiada, mas resolveu esquecer aquilo pelo menos por enquanto porque percebeu que Sam não diria nada naquele momento. Ou talvez fosse realmente particular e ela devesse respeitar isso.

– Claro. O que é? — assentiu ela.

– Como você está? — perguntou ele.

Mia suspirou e encostou as costas na cadeira antes de resmungar:

– Pronto! Vai começar o interrogatório. Eu estou bem, ok?

– E qual foi a última vez que você... Se alimentou? — quis saber Dean.

– Há algumas horas. Por quê? — resmungou ela de novo.

– Nós só estamos querendo entender como você tem feito, Mia. — esclareceu Sam.

– Ok. Eu tenho uma caixa com algumas bolsas de sangue no Mustang. E quando eu sinto fome, eu me alimento. E o meu tipo favorito é A positivo. É assim que eu estou fazendo, gênios. Satisfeitos? — explicou ela.

– E por acaso você... Tem sentido vontade de...? — insinuou Dean sem conseguir terminar a frase.

Mia o olhou um tanto ofendida e respondeu:

– Não, Dean. Eu não estou com vontade de beber de outras fontes. E eu não vou atacar ninguém, não se preocupe. Eu pensei que isso tivesse ficado bem claro depois de tudo que nós passamos em Mystic Falls.

– Desculpe, Mia. Nós só queremos nos certificar que você está bem. — explicou Sam.

– Que eu estou bem ou que eu estou sob controle? — indagou ela ainda ofendida.

– Mia... — começou a dizer Dean.

– Ok. Não importa. De qualquer forma, eu estou ótima. — afirmou ela o interrompendo, depois cruzou os braços, olhou para o lado e acrescentou — Obrigada por perguntarem e por serem tão sutis.

Sam e Dean se entreolharam e o mais novo ia dizer algo, mas parou ao ver que um garçom se aproximava da mesa trazendo o pedido de Castiel, a torta de Dean e o seu café.

Ele serviu Dean e Sam e depois colocou o lanche de Castiel sobre a mesa enquanto encarava o cliente com um leve sorriso. E então colocou a mão no ombro dele e elogiou:

– Nossa... Que apetite...

Os quatro se olharam confusos enquanto o garçom se afastava. Castiel olhou para Mia e esclareceu rapidamente:

– Ele também não faz o meu tipo.

Ela sorriu achando aquela situação inusitada, mas em seguida olhou para o lado ao ouvir um barulho de algo caindo no chão.

Ao se afastar da mesa deles, o garçom esbarrou na garçonete que também havia cantado Castiel momentos antes e que passava entre as mesas naquele exato momento. Então, uma bandeja cheia de copos vazios caiu no chão espalhando cacos de vidro por todos os lados. Os dois se abaixaram e começaram a recolher os copos quebrados quando a garçonete acabou se cortando acidentalmente com um deles.

– Ai... — reclamou Cindy levando o dedo ferido à boca enquanto Mia observava o gesto atentamente.

Sam, Dean e Castiel olharam para a vampira e ficaram apreensivos diante daquela situação e de como aquilo poderia terminar.

Mia sentia o cheiro do sangue a invadir aos poucos e seu coração acelerar até que a garçonete percebeu que estava sendo observada e olhou de volta para a garota. E o que Cindy viu no rosto de Mia a deixou assustada e confusa.

– Seus olhos... — observou a garçonete enquanto Mia virava o rosto rapidamente.

E tanto Castiel como Dean e Sam notaram que havia alguma coisa diferente nos olhos da garota. Eles estavam reagindo ao efeito do sangue. Estavam avermelhados e a pele em volta havia escurecido de repente.

Mia olhou para eles constrangida com aquela situação e levantou dizendo:

– É melhor eu esperar lá fora.

Enquanto ela deixava a lanchonete, Dean sorriu para a garçonete e tentou explicar:

– Ela está com conjuntivite.

Mia caminhou pelo estacionamento e logo entrou no carro. Se olhou pelo retrovisor e observou seus olhos sedentos. Tentou se controlar e aos poucos seus olhos voltaram ao normal. Em seguida se virou e pegou a caixa com sangue no banco detrás. Pegou uma bolsa, olhou em volta para se certificar de que não havia ninguém olhando e bebeu com ímpeto enquanto se olhava no espelho novamente. Seus olhos voltaram a ficar sedentos como se quanto mais sangue ela bebesse, mais o seu corpo quisesse. Fechou os olhos com força enquanto continuava bebendo o líquido e quando terminou abriu os olhos e viu que eles haviam voltado ao normal. Colocou a caixa no banco de trás e a cobriu com uma blusa que havia largado por lá no dia anterior. Depois saiu do Mustang e caminhou até uma lixeira enquanto olhava em volta. Jogou a bolsa vazia fora e depois se apoiou no carro. E foi inevitável não lembrar do que havia acontecido no restaurante momentos antes. E acabou admitindo para si mesma que havia sentido vontade de atacar a garçonete. Ela que achava que estava se adaptando bem à nova condição, por um momento ficou cega pelo sangue e pelo instinto de atacar. Sentiu-se péssima com isso.

Começou a pensar em como era difícil ser uma vampira no meio de caçadores. Até pouco tempo ela estava morando com vampiros numa cidade onde isso é relativamente normal, mas agora estava na estrada com Sam e Dean, os caras que matam esse tipo de... Coisa como ela.

Mia sacudiu a cabeça afastando aqueles pensamentos. Tinha certeza que os Winchester não a viam daquela forma. Ela não era um monstro. E ela sabia se controlar e podia fazer isso como havia se controlado diante do sangue de Sam e Dean em Mystic Falls. Repetiu mentalmente que o quê ocorreu na lanchonete foi apenas um pequeno incidente. Mas ela conseguiu se controlar e agora estava tudo bem. Ia ficar tudo bem. Se convenceu que estava dando importância demais para aquele assunto e afastou aqueles pensamentos novamente.

Momentos depois, ela viu Dean sair do restaurante e caminhar em sua direção. Tentou sorrir para mostrar que estava tudo sob controle, mas não pareceu adiantar muito. Logo Dean ficou ao seu lado e se apoiou no Mustang.

– Se você perguntar como eu estou, eu te atropelo. De verdade. — brincou ela tentando parecer natural.

– Ok. Eu não vou perguntar. — assentiu ele, mas em seguida deixou escapar — Se você prefere assim...

– Dean, foi um acidente. — afirmou Mia — Mas eu estou bem. Quantas vezes eu vou ter que repetir que eu estou bem?

– Tudo bem. — concordou ele — Mas mesmo assim eu quero que você saiba que se em algum momento, você achar que não está bem como você diz que está agora, se as coisas mudarem de alguma forma, se complicarem e de repente você perceber que não está mais conseguindo lidar com a sua vampira interior, mesmo que seja só uma dúvida e só por um instante, eu quero que você saiba que eu estou aqui para o que você precisar. Nós estamos.

Mia o olhou mais tranquila e confortável por ouvir aquelas palavras e respondeu:

– Obrigada, Dean. Mas eu não estou dizendo que eu estou bem, eu estou bem. De verdade.

– Ok. Mesmo assim eu quero que você saiba que pode contar comigo e com o Sam se alguma coisa não sair como o esperado. — reforçou ele e depois de alguns instantes em silêncio, acrescentou — Mia, eu sei que você deve achar complicado se abrir comigo e com o Sam por causa do que nós fazemos, mas nós não te enxergamos como os monstros que costumamos caçar. Você é nossa amiga. Mais do que isso, você faz parte da nossa família agora. E nós perguntamos mil vezes se você está bem porque nos importamos com você. Só isso.

Mia olhou Dean por algum tempo e se sentiu melhor. Percebeu que por um momento havia esquecido que acima de tudo, ele e Sam eram seus amigos e sua família. É claro que eles não a viam como um monstro. Eles só se preocupavam com ela. Claro que eles tinham aceitado o que havia acontecido com ela e quem ela era agora, mas mesmo assim sempre se preocupariam com o seu bem estar.

Dean começou a se afastar quando viu que Sam e Castiel estavam saindo do restaurante e Mia disse fazendo com que ele se virasse para ela:

– Obrigada. E desculpe...

Mia sorriu como uma criança que havia aprontado alguma travessura e entrou no Mustang. Logo Castiel sentou ao seu lado, fechou a porta e colocou o cinto.

– Desculpa pelo quê? — desconfiou Dean e em seguida viu que Sam estava abaixado ao lado do Impala ao notar que um dos pneus estava furado.

Ao passar por eles, Mia buzinou e Dean irritado perguntou para o irmão:

– Eu posso matar ela? Se eu quebrar o pescoço dela, ela volta, certo?

– É só um pneu, Dean. — tranquilizou Sam e em seguida levantou, abriu o porta-malas e pegou um novo pneu.

Enquanto isso, Castiel terminava de tomar o Mill Shake e observava a garota dirigindo.

– Mia... — começou a dizer ele.

– Eu estou bem. — antecipou-se ela.

– Tem certeza? — duvidou Castiel.

– Sim, eu tenho certeza. — afirmou Mia um tanto impaciente — E a próxima pessoa que me perguntar como eu estou, vai levar um soco no meio da cara. Ou um tiro, talvez. Eu ainda estou decidindo.

Castiel olhou para a estrada e pensou um pouco antes de dizer:

– Eu só quero que você saiba que você não está sozinha, Mia. Eu estou aqui. E... Nós vamos dar um jeito nisso tudo. Eu prometo.

– Nós já temos problemas demais para resolver, Cas, e eu não quero ser mais um deles. Eu estou bem e vou continuar bem. Me tornar vampira não estava nos meus planos, mas aconteceu. E quando a vida te dá um limão, você deve fazer uma caipirinha bem gelada e não ficar se lamentando por coisas que você não pode mudar. E eu não posso mudar quem eu sou ou... O quê eu sou, então a melhor coisa que eu posso fazer é aceitar e seguir em frente. — esclareceu ela.

Castiel a observou por mais alguns instantes enquanto pensava no que a garota havia dito e então cogitou:

– Talvez eu deva aceitar o que aconteceu comigo e seguir em frente também.

– Fora de cogitação, anjo. — discordou Mia imediatamente — Eu posso ser as duas coisas, vampira e caçadora. Eu me viro bem, mas você como humano é um completo desastre.

– Obrigado... — disse ele um tanto ofendido.

– Sem ofensa, ok? — esclareceu Mia e depois de alguns instantes, recomeçou — Você precisa recuperar os seus poderes. E logo, Cas. É uma questão de sobrevivência porque agora você é completamente vulnerável e se alguma coisa acontecer de novo... Eu... Não vou aguentar...

Castiel acariciou o rosto de Mia fazendo com que ela parasse de falar e a tranquilizou:

– Eu não vou morrer, Mia. Eu não vou a lugar algum. Nós vamos resolver a minha situação também.

– É bom mesmo porque se você morrer, eu te mato. — prometeu ela.

Castiel franziu a testa e inclinou a cabeça sem entender o que Mia queria dizer exatamente com aquilo já que não fazia o menor sentido. Em seguida voltou a tomar o Milk Shake fazendo um barulho enorme com o canudo e quando finalmente terminou ficou observando o copo por alguns instantes e disse:

– Eu me lembro quando o homem inventou essa bebida. Veio do sorvete. Você quer ouvir a história?

– Claro. Todo mundo precisa saber como surgiu o Milk Shake. — respondeu Mia com ironia enquanto Castiel sorria satisfeito.

E então ele começou a contar a história para Mia e acabou contando outras em seguida. Milhares delas. De milhares de invenções. Humanas e divinas. E não parou de falar um minuto sequer durante as quatro horas seguintes de viagem. E Mia riu de todas as histórias. Principalmente quando Castiel contou que os humanos aprenderam a mastigar depois de observarem como as cabras faziam.

E Mia ainda ria disso quando os dois estacionaram em frente a um hotel barato no começo da noite. Mas logo ela desmanchou o sorriso quando viu Sam e Dean encostados no Impala um pouco adiante.

– Como isso é possível? — indagou a garota sem acreditar que eles haviam chegado primeiro e em seguida saiu do Mustang com Castiel.

Dean sorriu vitorioso e provocou:

– Por que vocês demoraram tanto, pombinhos?

– Como vocês chegaram tão rápido? — devolveu ela.

– Como eu disse, ninguém ganha do meu bebê. — lembrou Dean com um grande sorriso.

– Nós pegamos um atalho. — entregou Sam enquanto o irmão o encarava com raiva.

Mia observou o mais velho por alguns instantes antes de admitir:

– Ok, Dean, você venceu. Grande coisa! Eu vou pegar a minha mala.

– Eu te ajudo. — ofereceu-se Castiel a seguindo até o carro enquanto Sam e Dean entravam no hotel.

Em seguida, Castiel pegou a mala da garota, a sua e também entrou no lugar. Mas ao tentar passar pela porta, Mia ficou presa na soleira. Era como se houvesse algum tipo de força invisível impedindo a sua entrada. E ela não demorou muito para entender porque aquilo estava acontecendo.

Os Winchester e Castiel a olharam parada na porta e demoraram um pouco mais para entender que como ela era uma vampira, deveria ser convidada. Então Dean olhou para a jovem recepcionista atrás do balcão e começou:

– Boa noite. Desculpe, qual o seu nome?

– Kate. — respondeu a garota sorrindo e passando a mão pelo pescoço um tanto encantada com o rapaz na sua frente.

– Kate, muito prazer, eu sou o Dean. — apresentou-se ele com um sorriso — E eu preciso muito da sua ajuda.

– Claro. O que eu posso fazer por você, Dean? — perguntou ela devolvendo o sorriso e se inclinando um pouco sobre o balcão.

– Bem, na verdade não é por mim... Mas, por acaso você saberia me informar quem é o dono ou dona deste hotel? — indagou ele.

– Você está falando com ela. — revelou Kate e como Dean parecia surpreso por se tratar de uma mulher jovem, ela explicou — Meus pais me deixaram como herança. Eles... Morreram há alguns anos.

– Sinto muito. — disse ele gentilmente e quando ela assentiu, Dean indicou Mia parada na porta e pediu — Bem, Kate, será que você poderia convidar a minha amiga para entrar? Sabe o que é? A Mia faz parte de uma religião daquelas bem conservadoras e só pode entrar em qualquer lugar se for formalmente convidada.

Kate olhou para Dean e Mia e ficou um tanto desconfiada enquanto Sam e Castiel sorriam levemente tentando transparecer tranquilidade. Então, ela perguntou:

– Que tipo de religião prega uma coisa dessas?

– Congregação Cristã da Transilvânia. — brincou Dean e como a garota o olhou confusa, ele consertou — Eu não sei o nome da religião, mas é uma regra essencial para eles. Então será que você poderia...? Por favor? É realmente importante, Kate.

– Claro... — concordou ela por fim e em seguida olhou para Mia e convidou — Você pode entrar.

Lentamente Mia colocou um pé para dentro para se certificar que tinha funcionado e em seguida entrou completamente no lugar agradecendo:

– Obrigada.

– Disponha. — respondeu Kate sorrindo para Dean.

Sam suspirou e interrompeu os olhares entre os dois quando disse:

– Ok! Nós vamos querer um quarto para mim e para meu irmão com duas camas e...

– E um com uma cama de casal! Por favor. — antecipou-se Castiel fazendo um silêncio profundo se instalar em seguida.

Sam e Dean olharam para ele e para Mia que sentiu seu rosto corar rapidamente.

– Ok... Embaraçoso... — murmurou a vampira tentando quebrar o silêncio.

Então Sam pegou um cartão de crédito e entregou para Kate.

– Documentos? — pediu ela e todos entregaram os documentos falsos prontamente — Eu pensei que você se chamava Dean. — disse Kate enquanto olhava desconfiada para o Winchester mais velho e para a identificação com nome diferente.

– Dean é meu nome de guerra. — brincou ele tentando quebrar o clima tenso que se instalou de repente.

– E eu pensei que o seu fosse Mia. — acrescentou Kate observando a vampira enquanto segurava o seu documento — Mas aqui diz Mary Collins.

Houve um longo momento de silêncio enquanto os quatro pensavam em uma forma de reverter aquela situação até que Kate os encarou e deduziu surpresa:

– Esses documentos... São falsos. Vocês não são quem dizem ser... Oh! Meu Deus...

Dean sorriu sem graça diante daquela situação, em seguida olhou para Mia e pediu:

– Uma ajudinha aqui seria ótima.

Kate olhou sem entender para os quatro enquanto Mia se aproximava mais do balcão ficando de frente para ela. Em seguida, a garota olhou fixamente nos olhos da recepcionista e a compeliu dizendo:

– Olha, Kate, nossos documentos são falsos, mas e daí? Eu vou te contar uma coisa. Nós estamos na estrada deste ontem, estamos exaustos e tudo o que queremos é um lugar para passar a noite. Só isso. E é exatamente isso que você vai providenciar. Agora e sem questionar absolutamente nada. Apenas preencha nossos dados e nos entregue as malditas chaves. Eu fui clara?

– Sim. — respondeu Kate prontamente e minutos depois, ela terminou de preencher os formulários, entregou as chaves para eles e encarando Dean desejou — Aproveite a estadia.

– Com certeza eu vou aproveitar, Kate. Obrigado Você é muito gentil. — agradeceu o Winchester mais velho sorrindo de volta enquanto Mia revirava os olhos e se afastava.

Então os três a seguiram por um corredor e pararam diante de duas portas, uma de frente para a outra.

– Então, acho que nos vemos amanhã. — disse Dean e olhando para o casal, começou a falar — Lembrem-se, se comportem e...

– Dean... — repreendeu Sam e em seguida colocou a chave na maçaneta e abriu a porta.

– Se comporta também, Dean. E isso incluí "fique bem longe da recepção". — aconselhou Mia lembrando do clima entre ele e Kate momentos antes.

– A Kate é legal. E você disse que eu devia me relacionar com alguém, lembra? — argumentou ele.

– Eu disse se apaixonar por alguém e não se envolver por uma noite com a primeira que aparecer na sua frente. — esclareceu Mia e em seguida acrescentou — Dean, você precisa ficar atento aos sinais. A mulher ideal pra você, a sua verdadeira alma gêmea, pode estar em qualquer lugar e quando ela aparecer você não pode estar distraído com qualquer pessoa.

– Qual o problema com a Kate? — perguntou ele intrigado — Minha alma meio que gostou dela...

– Sua alma? Sei... — disse Mia sem acreditar.

– Ok, o que significa tudo isso? — interrompeu Sam de repente — Vocês estão mesmo conversando sobre alma gêmeas num corredor de hotel à meia-noite? E desde quando você virou a guru do amor, Mia?

– Como assim? Quer dizer que vocês podem me encher de perguntas e eu não posso me preocupar com a felicidade de vocês? — indagou a garota.

Sam suspirou e tentou explicar:

– Olha, Mia, obrigado por se preocupar, mas você não precisa, ok? Eu e o Dean estamos bem desse jeito. Sozinhos. No fim, é assim que nós sempre ficamos e quer saber? Por mim tudo bem. É melhor assim. Sem alma gêmea ou garota misteriosa no Facebook. Sem problemas, sem sofrimento e sem... Tragédias. Além disso, nós temos outras coisas em mente no momento e...

– Vocês só vão ficar bem quando superarem Bonnie e Meredith e encontrarem o par perfeito. — insistiu Mia o interrompendo e em seguida tentou tranquilizá-los — Não se preocupem, eu vou ajudá-los a encontrarem as garotas certas. Eu prometo!

Sam e Dean se entreolharam e o mais velho pediu:

– Cas, por favor, faz essa garota calar a boca ou eu juro por Deus que vou quebrar o pescoço dela.

– Claro. — assentiu Castiel e em seguida se aproximou de Mia, a segurou firme e colou os lábios contra os dela.

Sam e Dean reviraram os olhos e entraram no quarto deixando o casal sozinho no corredor. Em seguida Castiel se afastou e Mia olhou em volta procurando pelos Winchester, sem encontrá-los.

– Isso foi golpe baixo, anjo. — murmurou ela o olhando carinhosamente.

– Quem manda falar demais? — indagou ele retribuindo o olhar.

Em seguida, a garota colocou a chave na maçaneta, abriu a porta e entrou no quarto seguida por Castiel.

Ao passar pela porta, Mia acendeu a luz e os dois olharam automaticamente para a enorme cama de casal no centro do cômodo. Depois a garota caminhou pelo quarto olhando em volta e sentindo falta de uma coisa. E quando percebeu o que era, resmungou:

– Ah! Eu não acredito! Não tem poltrona.

Castiel deu um leve sorriso e depois de andar até a cama e se sentar, passou a mão pelo lençol e contrapôs:

– Mas tem isso.

Mia inclinou um pouco a cabeça e indagou:

– Cas... Eu preciso descansar um pouco. Eu estou dirigindo desde ontem, lembra?

– Ah... Você vai descansar. Depois. — insinuou ele.

Mia sorriu intrigada com a desenvoltura de Castiel. Às vezes, era difícil acreditar que um dia ele foi um anjo inocente. Enquanto pensava nisso, Mia caminhou até um cômoda que ficava de frente para a cama, colocou a mala no chão, se apoiou no móvel e perguntou:

– Depois? Depois do quê, anjo?

– Você sabe. — desafiou ele.

– Não, eu não sei. Será que você pode me dizer quais são as suas intenções comigo esta noite? Porque eu estou um pouco confusa. — provocou Mia mordendo o lábio inferior.

Castiel a olhou por alguns instantes com um leve sorriso. Depois se levantou e caminhou devagar até a garota. E quando ficaram frente a frente, ele ergueu Mia do chão a fazendo sentar em cima da cômoda. Ela o olhou surpresa, mas interessada no que Castiel parecia estar planejando. Em seguida ele continuou a olhando de um jeito apaixonado e passou as mãos por sua cintura enquanto se aproximava mais e se posicionava entre suas pernas. Mia envolveu o seu pescoço com os braços e retribuiu o olhar apaixonado e o sorriso. E Castiel não precisou responder a pergunta de Mia porque ela havia entendido perfeitamente quais eram as intenções dele. Então ele aproximou o seu rosto do dela e tocou seus lábios com um beijo suave.

– Interessante... — murmurou Mia afastando um pouco o rosto — Muito interessante... — reforçou antes de beijá-lo de novo.

Em seguida Castiel segurou o rosto de Mia entre suas mãos e a puxou mais para perto de si enquanto envolvia seus lábios com paixão.

Mas, momentos depois, enquanto beijava o pescoço de Castiel suavemente, Mia sentiu seus olhos arderem. O cheiro dele enebriou enebriou a vampira em poucos segundos. Mais precisamente o cheiro do sangue sob a pele de Castiel. O sangue quente que corria por aquela região. E pelo reflexo no vidro da janela que ficava do outro lado do quarto, de frente para a cômoda, Mia percebeu o que estava acontecendo com os seus olhos e lutou imediatamente para controlar aquela sede que sentia e aquela vontade de saciá-la enquanto Castiel afastava os seus cabelos e beijava o seu pescoço ao mesmo tempo em que tentava tirar a blusa de Mia.

– Espera! — pediu ela o afastando depois que viu pelo reflexo que o seu rosto havia voltado ao normal.

Castiel parou confuso e perguntou enquanto se aproximava de novo:

– Por quê?

Mia o impediu de se aproximar colocando a mão em seu peito e sugeriu:

– Nós devíamos tomar um banho primeiro.

– Ótima ideia. — concordou ele se aproximando novamente.

– Separados. — esclareceu Mia.

– Por quê? Você não quer ajuda? Eu posso esfregar as suas costas. — propôs ele.

Mia riu e o afastou de novo antes de perguntar:

– Quem é você e o que aconteceu com o anjo inocente que eu conheci no verão passado?

– Ele ainda está aqui, Mia. Bem aqui. Me deixe te mostrar. — respondeu ele a beijando novamente.

– Não! — cortou ela o empurrando mais uma vez.

Desta vez Castiel pareceu entender que havia alguma coisa errada e manteve certa distância da garota. Depois ficou parado a olhando. E como sentiu que havia sido muito ríspida com ele, Mia desceu da cômoda e corrigiu:

– Eu quis dizer "sim". Mas não agora.

Mia se aproximou e então fez Castiel se virar de costas para ela. Em seguida o guiava em direção ao banheiro enquanto tentava explicar:

– Olha, eu quero, ok? Você nem imagina o quanto, anjo... A verdade é que eu também senti a sua falta durante o tempo que nós ficamos separados, brigados e estranhos e acredite, nós vamos recuperar o tempo perdido. Mas primeiro, você vai tomar um banho, colocar uma roupa mais confortável e ficar bem à vontade enquanto eu faço uma coisa.

– Que coisa? — quis saber ele.

Mia revirou os olhos arrependida por ter deixado escapar aquele detalhe. Não era nada romântico dizer para Castiel que ela precisava se alimentar de novo. Então ignorou a pergunta dele e prosseguiu:

– Depois eu vou tomar o meu habitual e relaxante banho de uma hora e...

– Uma hora?! — repetiu ele surpreso se virando para ela e parando na porta do banheiro.

Mia sorriu e lhe deu um beijo rápido antes de responder com certa malícia:

– Acredite, vai valer a pena esperar. Cada segundo... Anjo. Eu prometo.

Castiel sorriu de volta e Mia terminou de empurrá-lo para dentro do banheiro e fechou a porta. Em seguida respirou fundo e saiu do quarto.

No entanto, enquanto caminhava pelo corredor, Mia sentiu um leve calafrio percorrer todo o seu corpo e parou intrigada com aquela sensação. Se virou e teve a impressão de ver algo escuro e borrado passar rapidamente no final do corredor.

Ficou alguns instantes parada e pensou em pegar a arma. Mas em seguida, riu de si mesma e se convenceu de que havia imaginado aquilo. Ou que talvez fosse apenas um hóspede ou mesmo Kate passando por ali.

Mia também lembrou que aquela era a primeira vez que ela ficava em um hotel desde o incidente no surreal Hotel Califórnia. Talvez ainda estivesse impressionada com o que viveu lá e agora estivesse imaginando coisas. Ou talvez estivesse procurando uma desculpa para não voltar para o quarto. Como um fantasma para despachar, por exemplo.

Porque embora quisesse ficar com Castiel aquela a noite, não podia esquecer que as coisas haviam mudado bastante desde a última vez em que estiveram juntos biblicamente. Agora ele era humano e ela uma bebedora de sangue. No fundo tinha medo de machucá-lo de alguma forma, de não conseguir resistir ao instinto e... Mordê-lo. Ou coisa pior. Mas em seguida, ela afastou esse pensamento. Sabia que não seria capaz de ferir o cara que amava. E também sabia que não havia nenhum fantasma para combater ali. Apenas os seus próprios medos por causa da sua nova condição. Esse era o único fantasma a ser vencido.

– Não há nada de maligno neste lugar, Mia Clarke. — afirmou para si mesma antes de voltar a caminhar enquanto alguém a observava à distância.

Notas finais
Well, sobre a primeira cena (Crowley matando Mia) só tenho duas coisas a dizer: nada é o que parece ser e até chegarmos a este momento, muita coisa vai acontecer.Como vocês devem ter percebido, Mia encarnou o Cupido kkkkkkkk e ela realmente não vai sossegar enquanto não acabar com a deprê de Sam e Dean depois dos últimos fracassos amorosos dos dois. E isso trará momentos bem engraçados e instigantes nos próximos capítulos quando novas personagens serão inseridas à trama.O vampirismo trará mais complicações para Mia e muitos conflitos estão por vir...Gostaram? Deixe um comentário e faça uma Hunter feliz!PS: Crowley te cutucou. Cutuque de volta!