Reason
9 Reciprocidade?
Notas iniciais
Quatro semanas se passaram após aquela tarde de cinema na casa do Marcelo. Luiza sentia que a cada dia que se passava sua situação ficava ainda mais incontrolável, e por vezes, ela sentia uma certa reciprocidade, mas quando via o homem por quem estava apaixonada olhando para Joaquim de modo perdido, sabia que ele estava pensando nela e qualquer possível retribuição de sentimentos caia por terra no mesmo instante. O amor é inevitável por muitos motivos, bom seria se pudéssemos escolher a quem presentear com o nosso amor, mas isso não existe.
Era uma segunda feira como qualquer outra, Luiza já estava a caminho da casa de Marcelo, no ônibus seus pensamentos estavam a mil e ainda não havia dado nem mesmo 07:00Hrs da manhã. Pedro havia levado-a ao cinema de verdade após a tarde em que todos se reuniram na casa do seu patrão para assistir um filme qualquer, ela estava feliz, Pedro era legal e aparentava gostar dela realmente, em contrapartida saber disso a deixava receosa, ela não queria continuar a usá-lo, mas ela precisava daquilo, ela precisava fazer-se esquecer de Marcelo, ela precisava se apaixonar por outra pessoa e talvez, essa pessoa fosse o Pedro.
—Bom dia, meu pequeno príncipe! Como você está, heim? –perguntou gentilmente fazendo aquela voz boba que todos usam com crianças.
—Oi, Luiza, tudo bem com você? –perguntou Marcelo olhando para a moça atentamente.
—Tudo ótimo, Marcelo, e por aqui como vão as coisas? –perguntou aleatoriamente.
—Está tudo tranquilo, vem, entra! Eu já estou de saída, o Joaquim está um pouco enjoado hoje, não sei, mas acho que está com cólicas... temo que alguma coisa que ele comeu tenha lhe feito mal. –disse olhando para o pequeno que já estava nos braços de Luiza.
—Tudo bem, vou preparar um chá pra ele, e lhe dar muita água, não se preocupe, ele vai ficar bem! –falou gentilmente olhando para o pequeno com carinho, ele por sua vez chupava o dedão de sua mãozinha direita e olhava para o pai.
—Eu agradeço, creio que não volto na hora do almoço, pois estou com muitas coisas para resolver, mas chego antes do seu horário de saída. Até mais, Luiza! –disse olhando para ela diretamente em seus olhos, aquele olhar dizia que ele queria falar mais alguma coisa, porém, como sempre, ele preferiu trancar as palavras num lugar que Luiza jamais teve acesso.
—Até. –sua voz saiu desanimada, tudo o que ela queria era algumas palavras mais amistosas e um beijo na testa em sinal de carinho como ele fazia no começo, mas desde aquela tarde ele havia se retraído bruscamente e suas conversas não passavam de formalidades idiotas regadas por poucas palavras.
Joaquim realmente estava enjoado, Luiza lutou muito para que ele tomasse o chá, por volta das 10:00Hrs da manhã ela já havia lhe dado banho e comida, pouca porque o pequeno não queria comer nada, mas com muita habilidade e esforço ela conseguiu fazê-lo engolir umas 5 colheres da sopinha que havia preparado. O menino adormeceu em seus braços, antes de coloca-lo no berço a moça verificou se ele estava com febre, obtendo resposta negativa ela desceu as escadas e foi preparar alguma coisa para o almoço. Sozinha, Luiza optou por fazer uma simples macarronada de carne com um pouco de salada e suco de maracujá. Após o almoço, o menino já estava se sentindo um pouco melhor, e acabou por defecar de forma rala, mostrando que tudo não passava de cólicas. Joaquim brincou a tarde inteira com Luiza, como se quisesse descontar tudo o que não brincara pela manhã. Já passava das 13:00Hrs quando Marcelo ligou para casa, afim de saber do seu filho.
—Então, ele está melhor? –perguntou aliviado.
—Sim, já está me fazendo suar correndo atrás dele! –disse animadamente.
—Graças a Deus! Fico feliz por saber, me deixa falar com ele rapidinho. –pediu com um largo sorriso no rosto.
—Papaaaiiiiiiii! –ouvindo a linda voz do pequeno, Marcelo respondeu perguntando se ele estava bem e recebeu como resposta apenas um emaranhado de sons. Ele sorriu satisfeito e despediu-se do filho com um “eu te amo, meu amor!”
—Tchau, Marcelo, até mais! –disse Luiza despedindo-se rapidamente, pois depois que tirou o telefone de Joaquim ele correu em direção a cozinha.
—Luiza, espera! –pediu inesperadamente.
—Oi, fala rápido! Preciso ir atrás do Joaquim! –disse sorrindo.
—Tudo bem, eu só queria te agradecer por cuidar tão bem do meu filho, eu não sei o que faria sem você! –falou sinceramente.
—Não há o que agradecer, só estou cumprindo minhas obrigações como babá! –disse apenas.
—Tudo bem, até daqui a pouco! –disse ouvindo apenas um “até” de Luiza.
Marcelo desligou o telefone e se pôs a pensar no quanto o seu relacionamento com Luiza havia retrocedido. Entretanto, era melhor que continuasse assim, ele não queria que sua relação com ela virasse uma amizade profunda, pois era tudo muito inseguro, vulnerável... Ela era linda, inteligente, doce, um pouco impulsiva e destrambelhada, mas o seu todo era fascinante. Ela o encantava, não podendo negar isso, ele preferiu se afastar, até porque o Pedro estava investindo com todas as suas armas e parecia que ele estava levando aquilo a sério, talvez pela primeira vez em sua vida ele estivesse apaixonado... Mas como não se apaixonar por ela?
Luiza já estava arrumada com Joaquim no colo tentando mantê-lo intertido com um livrinho de figuras coloridas quando Marcelo entrou em casa. Ele sorria amigavelmente sentando ao lado de Luiza no sofá. Observando os dois ele sorriu tocando a cabeça do filho carinhosamente que sorriu e soltou um “Papai” estendendo os braços para que ele o pegasse no colo.
—Pronto, já perdi a preferência! –falou Luiza sorrindo.
—Alguma recaída? Ele está mesmo bem? –perguntou preocupado.
—Ele está ótimo! Não se preocupe! E já que você chegou eu vou indo, se não acabo me atrasando. –falou rapidamente ficando de pé.
—Quer que eu te leve? Posso te dar uma carona sem problemas. – a voz de Marcelo soou educadamente gentil, surpreendendo-a.
—Não precisa, vá descansar! Deixei um pouco de macarronada no micro-ondas para você e tem suco e salada na geladeira. –disse enquanto colocava sua bolsa nas costas.
—Obrigada, tem certeza que não quer que eu te leve? –ele insistiu ela parecia apressada.
—Tenho sim, até amanhã, Marcelo! –disse beijando a cabeça de Joaquim, ela posicionou a bochecha perto do garoto e ele lhe deu um beijo que ficou um pouco babado, mas não importava. Sem pensar duas vezes, ela se aproximou e deu um beijo rápido na bochecha do pai do garoto que surpreso sorriu com a impulsividade da moça.
Marcelo brincou um pouco com o filho e depois o colocou no quadrado, afim de tomar um banho e jantar, quando ele já estava terminando o jantar, Joaquim chorou agitado e entediado por estar a tanto tempo dentro do quadrado, entretanto não passara nem mesmo quarenta minutos.
Luiza assistiu duas aulas de Linguística, duas de compreensão e produção de textos, e quando o professor de literatura entrou na sala, ela já estava sonolenta, então resolveu que precisava de café para conseguir sobreviver a mais duas aulas acordada. A moça comprou um copo de café e voltou para aula, quando o relógio marcava 22:00Hrs em ponto, ela saiu da faculdade rumo a parada de ônibus, entretanto algo a surpreendeu do outro lado da rua, um rapaz bonito parado próximo a um carro preto, ele a olhava diretamente. Ela o observou melhor e percebeu que era o seu pesadelo ali, o homem a quem havia dedicado 4 anos de sua vida, o homem que havia lhe feito mulher, mas que ao mesmo tempo havia transformado sua vida num verdadeiro inferno.
Tudo o que ela queria era que seu ônibus chegasse, mas isso não aconteceu, então sem demora o rapaz atravessou a rua e parou a sua frente. Olhou em seus olhos de modo que ela conseguiu sentir seu cinismo, uma raiva profunda o percorria, ela estremeceu só de encará-lo.
—O que você está fazendo aqui? Resolveu me seguir agora? –perguntou rapidamente com a voz um pouco embargada.
—Não, mas que história é essa de estar namorando um cara? –perguntou com a voz baixa e ríspida ele não queria que as pessoas notassem qual era o tipo de relacionamento que eles tinham.
—Eu não lhe devo satisfações, Thiago, não temos mais nada! Me deixe em paz! –ela precisava manter-se firme, ele precisava entender que não havia mais nada ali.
—Mas é claro que ainda temos, eu amo você, sua vadia idiota! Quando é que você vai entender que você pertence apenas a mim e a mais ninguém? –perguntou tocando o seu rosto levemente de forma irônica, quem os olhasse iriam achar que se tratava de um casal de namorados.
—Não toque em mim! Eu não pertenço a ninguém! Enlouqueceu? –ela começou a alterar a voz, nervosa e irritada com a pretensão dele.
—Fala baixo, sua louca! Mas é claro que me pertence. Eu nunca vou perder você para ninguém, Luiza, se eu não puder ter você ninguém mais terá. –disse olhando-a nos olhos segurando seus braços de maneira forte a ponto de faze-la sentir dor com a pressão.
—Vai me matar Thiago? Você só pode estar ficando louco, foi você quem terminou comigo. Mas sabe de uma coisa, eu já estava cheia de você e de suas idiotices, se não tivesse acabado eu o faria, seu machista imbecil! -falou sentindo as lágrimas escorrerem por seu rosto.
—Não me desafie, Luiza, você não tem ideia do que eu sou capaz! –falou entre dentes. _Vem, vamos embora! –mandou puxando-a para atravessar a rua.
—Eu não vou a lugar nenhum com você, seu covarde! Me solta! –gritou e para sua surpresa um ônibus chegou, ela conseguiu se soltar e correndo entrou no ônibus, sem nem mesmo olhar o nome do mesmo. Pela janela ela viu quando Thiago lhe soltou um beijo com um sorriso maquiavélico.
Luiza sentou numa cadeira vazia e seu coração batia forte, ela controlou as lágrimas e perguntou a pessoa que estava ao seu lado o nome daquele ônibus. Quando ela soube o nome, percebeu que aquele era o ônibus que a levava para a casa do Marcelo. Rapidamente ela levantou-se para descer, não poderia chegar lá daquele jeito, mas ponderou e sentou-se novamente sabendo que Thiago poderia encontra-la na rua.
A moça começou a se controlar um pouco e as lagrimas secaram, contudo o medo ainda a corroía. Após quarenta minutos de viagem, ela chegou ao seu destino, desceu do ônibus a passos largos e caminhou até a casa do seu patrão. Luiza não queria incomodá-lo daquela forma, mas ela não tinha escolha.
Nervosa e ainda com muito medo ela tocou a campainha, no terceiro toque Marcelo abriu a porta com uma calça de moletom e sem camisa, os óculos de grau estavam no rosto. Provavelmente estava trabalhando, pensou Luiza. Quando ela viu seu rosto, não conseguiu resistir e acabou chorando capciosamente na frente dele, fazendo-o abraça-la fortemente.
—O que houve? Calma, calma! Está tudo bem! –disse alisando seus cabelos.
—Eu... ele... me desculpe! –falou entre soluços.
—Não precisa se desculpar! Entra! –pediu gentilmente e extremamente preocupado.
Após pegar um pouco de água para a moça ele sentou-se ao seu lado e nada disse, apenas esperou que ela falasse. Quando Luiza se sentiu mais calma ela começou a falar:
—Me desculpe, por favor, eu não queria lhe incomodar, mas quando eu vi já estava a caminho daqui. –falou ainda com a voz embargada sem olhar para ele.
—Não se preocupe, você nunca será um incomodo, eu estava trabalhando! –disse sorrindo levemente tocando na mão da moça. _Mas agora, me conta o que aconteceu! Estou preocupado! –disse olhando-a atentamente afim de ver se havia algum machucado, encontrou apenas um vermelho quase roxo em seu braço como se alguém tivesse lhe segurado com muita força. _Você foi assalta? –perguntou segurando seu braço para ver melhor.
—Não, está tudo bem. Mas eu não quero falar sobre isso, Marcelo, ao menos não agora. –disse olhando pela primeira vez em seus olhos.
—Mas, você está machucada e cehgou chorando, Luiza. Por favor, confie em mim, eu preciso saber o que houve. –disse preocupado segurando em suas mãos.
—Eu... Bom, eu não quero lhe preocupar com esse assunto, isso é um problema meu, Marcelo. –disse deixando escorrer mais uma lágrima.
—Não, a partir do momento em que você bateu em minha porta, machucada e chorando as 22:50 da noite, isso se tornou um problema meu também. –sua voz estava um pouco agitada, mas de modo firme, afim de que ela acreditasse e confiasse nele.
—Bom, eu... eu tenho um ex-namorado. Ele é rico, irmão do meu último patrão. Eu não sabia disso até conhecer a família do meu ex-patrão. Foi uma surpresa, pois ele não me disse que era rico e sempre me escondeu suas origens. Mas desde então, nosso relacionamento virou um inferno, ele se tornou possessivo e um pouco violento, tinha vergonha de mim porque eu era pobre e foi então que eu descobri tudo o que ele realmente era... Fui covarde, contudo ele não aguentou a pressão da família e terminou tudo assim que soube, eu o amava, mas aquilo já era demais. Ele como eu poderia esperar não aceitou o fim do nosso relacionamento, e começou a me procurar em vários lugares. Eu mudei o meu número do telefone, e eu e a Júlia trocamos de apartamento, mas hoje ele me encontrou, e acha que eu o pertenço, como se eu fosse um dos seus carros de luxo ou ao algo assim... Ele é um tremendo idiota, e eu... eu... –as palavras se perderam em meio a angustia, vergonha e dor que tomaram a moça, as lagrimas voltaram a rolar por seu rosto e tudo o que Marcelo pode fazer foi abraça-la com todo seu carinho, afim de que ela entendesse que ele estava ali por ela.
—Eii, não chora mais, calma, vai ficar tudo bem! –disse baixo perto do ouvido da moça.
—Como você sabe? Você não o conhece... –falou entre lagrimas.
—Mas eu me conheço e te conheço também, não vou deixar que nada de mal te aconteça, Luiza. Confie em mim. –disse olhando-a nos olhos. Ela prendeu os lábios e abaixou o olhar, Marcelo lhe enxugou as lágrimas e ela sorriu de leve.
—Obrigada por isso, obrigada por ser meu patrão e ainda assim se importar tanto comigo... –falou segurando suas mãos.
—Não tem o que agradecer, você faz muito mais por mim. Mas agora, acho que você precisa descansar um pouco. Vem! –disse puxando-a para que ela ficasse de pé.
Marcelo subiu as escadas segurando a mão de Luiza, ela não pode deixar de reparar pela primeira vez desde que havia chegado nos músculos de Marcelo, não eram turbinados, mas eram proporcionais o que o deixava lindo e extremamente sexy.
—Você precisa de alguma coisa? –perguntou gentilmente olhando para a moça.
—Não, eu vou tomar um banho e acho que deixei um pijama aqui. Acho que dessa vez não vou precisar de uma samba canção sua. –sorriu ao relembrar daquela noite.
—É, eu acho que não. Bom, estarei no escritório caso precise de alguma coisa. –falou despedindo-se beijando a testa da moça carinhosamente. Ela sorriu com o gesto e entrou no quarto afim de tomar um bom banho.
Luiza penteava os cabelos molhados, vestindo um shorts de algodão azul escuro e uma blusa estilo casaco cinza. Observou que estava horrível com os olhos inchados e abatida, era incrível como o Thiago mexia com ela. Sem sono ela foi até o escritório de Marcelo, bateu na porta que estava entreaberta e perguntou se poderia entrar.
—Claro! Vem! Está tudo bem? –perguntou olhando-a se aproximar e sentar a sua frente.
—Está, só estou sem sono. Em que está trabalhando? –perguntou rapidamente.
—Estou corrigindo um livro para poder publicá-lo. –falou sorrindo levemente olhando para a moça.
—A história é boa? Perguntou curiosa.
—Vem cá, e veja você mesma. –falou sorrindo largamente.
Luiza desconfiou que havia algo mais naquele sorriso, mas sem demora ela arrastou sua cadeira para o lado de Marcelo e se pôs a ler o livro, mas assim que colocou os olhos nele percebeu que se tratara de "Despertar", era o seu livro ali!
—É o meu livro, Marcelo! –disse surpresa ainda olhando para a tela do Mac.
—É sim, iremos publicá-lo! Era pra ser uma surpresa, mas... –disse olhando para a moça que o olhou emocionada.
—Eu não sei nem o que dizer... isso é incrível! Mas tem certeza que vai publicar mesmo? Digo, é bom mesmo? –perguntou insegura olhando para Marcelo.
—Mas é claro que é bom, Luiza! Nossa editora não publica qualquer livro. –falou sorrindo. _Pare de ser tão insegura, você é maravilhosa como escritora, e como pessoa também, não duvide tanto do seu potencial. –falou sinceramente olhando-a diretamente nos olhos.
—É... Obrigada! Você é muito gentil! Mas acho que vou para o quarto, você precisa ir dormir também! –disse levantando-se.
Marcelo desligou o computador enquanto Luiza saia do escritório a passos largos sem nem mesmo lhe dar boa noite. Ele entendeu exatamente o que havia acontecido ali, e tudo o que ele conseguia pensar era no rosto de Luiza e o modo como ela o olhava. Ele a desejava como mulher, e percebeu o quanto aquilo era forte naquele instante. Sentindo-se determinado, ele fechou o escritório e caminhou até o quarto do filho. Bateu na porta e quando Luiza a abriu ele segurou em sua mão e a puxou sem muita força, mas também sem muita leveza, seu toque foi perfeito para que Luiza entendesse que ele queria falar com ela fora do quarto.
—Você esqueceu de me desejar boa noite! –disse sorrindo com uma mão na parede ao lado da porta, prendendo-a de modo que sobrou apenas um palmo de distância entre eles.
—Desculpe, eu... –ela não conseguiu falar mais nada, pois suavemente Marcelo se aproximou ainda mais, sem nunca desviar seus olhos dos dela, com uma mão dele na parede e outra sem seu rosto, Luiza conseguiu sentir uma corrente elétrica percorrer seu corpo, e quando seus lábios se tocaram o mundo já não existia mais.
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