Notas iniciais
Oi, amores. Meu Deus, quanto tempo! Só tenho que lhes pedir minhas sinceras desculpas, a vida foi se atrapalhando e ficava cada vez mais difícil escrever. Bom, sem mais, desejo que você curtam esse capítulo. Não ficou como eu queria, mas foi o melhor que pude fazer. Obrigada pelo carinho, galera! Música para leitura: https://www.youtube.com/watch?v=hMoG5KhAgmk

De volta ao Rio de Janeiro, Luiza sentia-se completamente em paz, pois a publicação do seu primeiro livro estava a todo vapor, e assim como os abraços que ela havia recebido na manhã de autógrafos, tudo demonstrava que as pessoas o receberam de bom gosto. Se não fosse pelo homem ao seu lado, ela jamais teria conseguido chegar tão longe num período tão curto de tempo após o término da escrita.

Marcelo estava brincando com Joaquim no chão de sua sala, enquanto Luiza esperava por Pedro que mais cedo havia marcado de encontrá-la lá para irem os dois juntos para casa. Infelizmente ou felizmente, vez por outra ela sentia o peso do olhar afetuoso de Marcelo sobre si, uma vontade imensa de sorrir largamente a tomava ao notar que quando seus olhares se encontravam ele se atrapalhava todo para disfarçar, afim de que ela não percebesse que ele estava observando-a. Para o jovem, pai tudo estava muito claro, uma vez que após o lindo sonho que tivera na noite anterior havia feito com que, finalmente, a paz preponderasse em seu coração. No fundo, ele sabia que Verônica jamais o impediria de seguir em frente, afinal tudo o que ela sempre deixou claro era que o queria feliz, mas as reservas de Marcelo não o deixavam se permitir viver o que estava sentindo. Ele amava a mãe do seu filho, mas assim como ela afirmara em sonho, a paixão que queimava no peito dele não mais a pertencia.

Por volta das 20:30, Pedro chegou acompanhado por Rafaela a casa de Marcelo. Luiza abriu a porta e abraçou fortemente o namorado, ao se afastar olhou para a mulher e notou que a mesma estava um pouco abatida, ela não entendia o motivo, mas deixou-se apenas cumprimentar com os dois beijinhos superficiais tão típicos de Rafaela.

— Hey, cara, boa noite! Já estou sabendo que o lançamento foi um grande sucesso. Muito obrigado por ter cuidado tão bem de tudo, irmão. -Pedro falou sinceramente ao abraçar rapidamente seu grande amigo de infância.

— Não há o que agradecer, é a Luiza dona de todo o crédito; eu apenas fiz o meu trabalho. Você tem não só uma grande escritora, mas também uma grande mulher ao seu lado, Pedro. -falou sem medo algum do que suas palavras poderiam significar.

— Hãn, obrigado! -disse apenas achando muito sugestiva aquela constatação.

— Pessoal, que tal pedirmos uma pizza para comemorar o sucesso do lançamento? Estou faminta! -Rafaela se pronunciou rapidamente com um sorriso estudado, olhando diretamente para Marcelo.

— Rafaela, boa noite! Não esperava encontrá-la aqui hoje. -Marcelo não ponderou em momento algum suas palavras. Ela havia agido de má fé ao tentar seduzi-lo na última tarde que se encontraram e seu comportamento o decepcionou ao ponto de ele duvidar um pouco do caráter da moça.

—Bom, eu acho uma ótima ideia! Acho que essE moçinho já está um pouco sonolento, vou subir para niná-lo enquanto vocês pedem a pizza. Pedro, será que você poderia esquentar a mamadeira na cozinha e levar lá em cima? -Luiza notou o tom rude de Marcelo e preferiu se retirar para dar-lhes um pouco mais de privacidade.

—Claro! Rafa, pode pedir uma grande mista, tudo bem!? -Falou já caminhando para cozinha.

Marcelo sentou no sofá enquanto observava os movimentos da mulher ao procurar o número da pizzaria predileta deles em sua lista de contatos. Assim que ela terminou o pedido, ele levantou e foi ao seu encontro.

—Qual é a sua, Rafaela? Acho que está muito cedo para você vir até aqui e bancar a doce amiga outra vez, não acha? -Marcelo estava nitidamente impaciente com aparente encenação da jovem. Ele sentia-se imensamente magoado com as palavras que ela proferiu a respeito de Luiza, revelando o quanto de inveja havia dentro de si.

—Marcelo, eu conheço você desde sempre. Não vejo problema algum em visitar sua casa, somos amigos, lembra? -falou rapidamente passando a mão direita no ombro dele.

— Eu não sei mais o que somos. Não foi isso o que pareceu da última vez. Por que, Rafaela? Por que está fingindo ser uma pessoa que, obviamente, não é? Você não gosta da Luiza. Uma pessoa que nunca te fez nada de errado. Não me venha agora com essa história de pizza para comemorar o sucesso dela. – disse olhando nos olhos da moça severamente.

— Por que você se importa tanto com essa garota, Marcelo? O que viu nela? Pelo o amor de Deus, fui eu quem segurou sua mão durante o enterro da Verônica. Fui eu quem enxugou suas lágrimas. Fui eu quem esperou uma vida inteira para poder ter a chance de conseguir um olhar seu. Ela não merece você! Essa mulher não passa de uma interesseira! – disparou num tom de voz mais alto.

— Você não tem ideia do quanto a Luiza merece de mim, Rafaela. Ela é simplesmente a mulher mais incrível que já conheci. Não há interesse algum dentro dela por minhas posses. Você não sabe o que está falando. Está completamente fora de si! Por favor, queira sair daqui. -pediu conduzindo-a pelo cotovelo, enquanto Pedro se aproximava para saber o que estava acontecendo.

— Por que você está colocando a Rafa pra fora? O que diabos está acontecendo aqui? -falou rapidamente, notando que sua velha amiga estava impassível com lágrimas nos olhos.

— Não me diga que você não sabe exatamente o que está acontecendo, Pedrinho? Meu Deus! Você é bobo ou só finge? Pedro, acorda! O Marcelo e a Luiza têm um caso. Ou você acha que isso é só amizade? Acha mesmo que todos esses olhares trocados são apenas o resultado de um carinho entre amigos? Acha mesmo que ele não premeditou a reserva do quarto casal nessa maldita viagem? -suas palavras afetaram Pedro em cheio. Ele jamais esperava ouvir algo tão duro e chocante. Como seu melhor amigo pudera estar fazendo algo assim com ele?

—Não. Isso não é verdade, Pedro. Eu jamais faria algo do tipo. Sim, eu admito que sinto algo que vai muito além da amizade pela Luiza, mas sempre respeitei você e a memória da Verônica. Ela também te respeita muito, nunca permitiu que algo a mais acontecesse entre nós. -disse sinceramente olhando diretamente nos olhos do amigo.

—Aahhh, por favor! Parem com isso! Será possível que ninguém aqui tem maturidade o suficiente para admitir o obvio? – Rafaela estava inflexível em suas palavras, ela pouco se importava com o peso e o dano que essas poderiam causar.

—Mas o que está acontecendo aqui? -Luiza estava atônita ao ouvir um pouco de toda aquela discussão.

—Você quem deve me explicar, Luiza. É verdade que você está tendo a por#*! de um caso com o meu melhor amigo? – perguntou severamente olhando em direção a reação assustada da loira. _ Chega a ser ridículo ter que te perguntar isso. Mas é claro que é verdade! Quantas vezes eu presenciei a troca de olhares entre vocês dois... o cuidado que um tinha com o outro. Merda, Marcelo! Eu sempre confiei em você, sempre te tive como um irmão. -Pedro estava completamente descontrolado. Sua respiração estava acelerada e os olhos eram pura raiva e decepção. Já Rafaela parecia apreciar tudo aquilo com um gostinho de satisfação.

Luiza olhou a de Marcelo para Pedro com uma ruga na testa, seus olhos já estavam marejados, mas ela havia prometido para si mesma que não iria perder o controle daquela situação. Uma dor profunda emergia dentro do seu coração, humilhação, decepção e raiva a consumiam. Como ele poderia duvidar do seu caráter daquela forma? Ela estava sendo fiel a todo tempo, dando tudo de si por mais que as circunstancias muitas vezes a levasse ao encontro de Marcelo. Não. Ele não iria trata-la como qualquer uma e ficar por isso mesmo.

—Pedro, por favor, suma da minha frente agora! Eu não tenho e nunca tive um caso com o Marcelo. Eu nunca traí ninguém em toda a minha vida. Como você pode duvidar da minha fidelidade dessa forma? Será que tudo o que vivemos em todo esse tempo não passou de uma mera ilusão? Não dá para acreditar que isso está acontecendo! -sua voz soou completamente embargada, porém firme. Ela não iria abaixar a cabeça de jeito nenhum.

—Ahhh tá, falou a mocinha que vive correndo atrás do patrão! Você não tem outra desculpa para inventar, não, Luiza sonsa? – Rafaela perguntou olhando a reação da moça se alterar rapidamente.

—Cala essa boca, Rafaela. Se tem alguém sonsa aqui não sou eu! Você estava sempre à espreita com esse seu ar de superioridade, querendo me inferiorizar para ter uma mísera chance com o Marcelo. Mas olha só, que lástima, não é mesmo!? Ele sempre amará a Verônica e se um dia se apaixonar por alguém, tenho a plena certeza que não será por um ser tão baixo como você. – a loira já não media mais as palavras para se defender. Logo ela havia notado que tudo aquilo tinha sido premeditado por Rafaela.

—Você é uma verdadeira decepção, Luiza. Eu jamais esperei isso de você. Sempre te vi como uma garota acima da média, uma garota que realmente merecia ser amada, ser levada a sério. Mas agora, vejo que você não passa de mais uma, uma verdadeira traidora interesseira, sem princípios. Você é mesmo uma vad... -Pedro não conseguiu terminar o que ia dizer, pois um soco de Marcelo atingiu em cheio o canto esquerdo de sua boca, fazendo-o dar um passo para trás. O rapaz olhou enfurecido para Marcelo com um meio sorriso, limpando o sangue com a mão.

—Saiam os dois da minha casa! AGORA! -gritou Marcelo, fazendo Pedro o empurrar e sair pela porta da frente sendo acompanhado por Rafaela que ainda tentou dizer algo, mas foi conduzida pelo cotovelo por Marcelo até a saída.

Luiza sentou no sofá da sala e abraçou seus joelhos junto ao rosto, escondendo as lágrimas que já não podiam ser contidas. Ela se deixou sentir tudo que estava enfurecendo e magoando-a, seu corpo tremia com os soluços. Em sua mente, um filme dos melhores momentos com Pedro passava em sua mente, a tarde que passaram juntos, onde ela dançou para ele pronta para entregar-se ainda estava viva demais em sua mente. Logo, Marcelo sentou ao seu lado, e sem demora e reservas, a abraçou fortemente trazendo-a para junto de si. A loira não pôde recusar o consolo dele, ela estava devastada, triste e decepcionada.

—Como ele pôde pensar que eu seria capaz de fazer algo tão cruel assim? Eu sempre fui fiel, jamais o trairia dessa forma, Marcelo. -disse com o rosto encostado no peito do homem que amava, enquanto ele passava a mão na cabeça da jovem alisando seus cabelos, percebendo que ela já estava se acalmando.

—Ele não te merece, Luiza. Você, eu e todos que te amamos sabemos que isso nunca poderia ser verdade. Você é uma mulher integra, sincera, leal. O Pedro jamais te enxergou realmente, ele não te amava como dizia que sentia. -disse Marcelo ao segurar o queixo da moça para olhá-lo nos olhos.

— Eu não sei mais o que pensar. Simplesmente, não sei. Ele me magoou demais! Eu prometi para mim mesma depois de tudo o que aconteceu que jamais permitiria alguém me tratar mal novamente, me humilhar sem que eu me defendesse, entende? Eles passaram do limite comigo, eu nunca os tratei mal... -a loira olhava para um canto específico da sala enquanto falava, permitindo, sem medo, que as lágrimas continuassem a rolar.

— Eu entendo perfeitamente, muito mais do que você possa imaginar, Luiza. Eu te conheço o suficiente para sentir o quanto há de verdade dentro de você, eu sei que algo de muito ruim já te aconteceu, e dói, dói muito, por que eu me sinto completamente impotente. Não vejo meios de te ajudar, uma vez que você não revela, não confirma minhas especulações. -falou olhando-a afetuosamente, deixando transparecer toda sua preocupação e amor.

—Eu não me sinto bem em falar sobre isso, Marcelo. Por favor, entenda que não é nada com relação a você, eu confio em você de todo o meu coração, mas é algo que ainda me machuca muito e só de lembrar... – a loira escondeu o rosto com as mãos, pois uma enxurrada de lembranças inundaram a sua mente, era como se ela pudesse sentir a dor que os golpes de Thiago a causavam novamente, sem pensar duas vezes, ela se levantou bruscamente e começou a apressar os passos em direção a escada para buscar sua bolsa e sair dali o mais rápido possível.

O jovem pai não podia deixar a mulher que acabara de se afastar dos seus braços sair de sua casa daquela forma, ela não podia sair dali sem ouvir tudo o que ele tinha a lhe dizer após o sonho que havia tido durante a noite anterior. Luiza agora era, depois do pequeno Joaquim, tudo o que mais importava em sua vida. Ele, finalmente, após tanto acreditar que não voltaria a viver um amor, descobriu que aquilo era possível e que não existia problema algum em deixar-se sentir e envolver por outra mulher. Ele estava apaixonado, e não se permitiria negar viver isso por mais nada nesse mundo.

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—Luiza, por favor, espere. Não vá embora ainda. -pediu segurando a mão da moça prontamente antes que a mesma chegasse ao topo da escada.

—Por favor, eu realmente preciso ir para casa. Preciso muito disso. Eu só quero ficar um pouco sozinha, Marcelo! -pediu num fio de voz.

—Eu estou apaixonado por você! Sim, isso mesmo que ouviu. Não adianta mais fingir para mim mesmo que isso não está acontecendo dentro de mim; Luiza, você é de longe a mulher mais linda que já conheci por dentro e por fora, eu não sei que rumo a minha vida haveria tomado se você não tivesse entrado nela, mas tenho certeza que não seria melhor do que o que tenho vivido ao seu lado. Você consegue me fazer sorrir em meio a escuridão, consegue tornar possível enxergar algo bom, quando estou rodeado de tristeza e saudade. Eu não tenho palavras suficientes para expressar o quanto sou grato a você por tudo que tem feito pelo ser mais importante da minha vida, por meu filho. Eu não quero conhecer nenhuma outra pessoa, eu não quero viver outra experiência, sentir outras emoções. Você me completa, Luiza. Por favor, não vá embora essa noite. -Marcelo tinha os olhos marejados. Ele era um homem sensível e não tinha medo de mostrar suas fraquezas, ele estava apaixonado e precisava fazê-la entender o quanto sua presença era crucial na vida dele.

—Você o que? Sério, Marcelo? Mas até ontem você não queria nada comigo e agora... – Luiza estava perdida, completamente confusa. Não entendia como ele poderia estar falando aquilo. Será que estava sonhando? – a moça não conseguia tirar os olhos dos do moreno a sua frente, era impossível olhar para outro lugar. O amor da sua vida estava se declarando bem na sua frente.

Como se quisesse fazer com que ela acreditasse que aquilo não era um sonho, Marcelo tocou o rosto úmido da moça, deu seu sorriso mais largo e a aproximou de si com sua mão livre tocando sua cintura. Os olhares começaram a se entregar por inteiro, sem reservas, dúvidas ou medo. Estavam ali, prontos para viverem a melhor parte de suas vidas. _Por favor, venha ser minha luz. Fique comigo, Luiza. – a loira tocou o rosto de Marcelo, e deixou uma lágrima escorrer ao sorrir sinceramente.

Não havia mais o que pudesse impedir o que estava prestes a acontecer, ambos já não tinham como evitar ou se esquivar da incrível realidade que os rodeava. Sem mais esperar, Marcelo se aproximou o suficiente para selar seus lábios. Um beijo leve foi seguido por outro, e então algo os tomou e tudo se tornou urgência, as línguas brigavam por espaço, Marcelo segurava a parte de trás do cabelo da moça e a outra mão apertava suas costas, descendo do quadril até as costelas. Já Luiza, passou as mãos pelos ombros largos dele e deixou-se levar pelo momento. Já quase sem ar, os dois se separaram e olharam no fundo dos olhos um do outro, uma alegria imensa abundava dentro de cada um, e finalmente, puderam perceber que um era tudo o que o outro precisava para ser feliz.

Notas finais
Logo, teremos o próximo! beijos e amo vcs *-*