Reason
13 Apenas uma dança?
Notas iniciais
Dois dias se passaram desde a quase primeira noite de Luiza e Pedro. A moça estava naqueles dias que você pensa não saber o que realmente quer ou quem realmente é. Ao seu lado, na varanda da casa do seu patrão, estava Joaquim brincando feliz num tapete de emborrachado colorido, ela ora o observava ora presenciava o pôr-do-sol. Mais uma vez, Marcelo estava atrasado, mas aquilo não a importava muito, lhe faltava vontade para ir à faculdade naquele dia.
—Eu espero que quando você estiver com seus 20 e poucos anos, alguém muito especial entre em sua vida e lhe tome o coração completamente, e que tudo seja felicidade no relacionamento de vocês, talvez existirão problemas, mas então, por se amarem muito, irão enfrentá-los e superá-los juntos! –a voz de Luiza soou de modo engraçado aos ouvidos do pequeno de modo que tudo nele eram sorrisos.
A moça pegou-lhe nos braços, não tinha como ficar triste perto dele, então ao olhar para a rua viu o carro de Marcelo se aproximar, em vez de entrar na garagem como ele sempre fizera o jovem escritor estacionou na frente da casa e subiu em direção aos dois a passos largos.
—Hey, vocês estão aqui fora! –falou animado ao vê-los, fazendo Luiza sorrir com sua incrível constatação.
—Sim, estamos aproveitando esse espetáculo! Mas o que houve? Por que não entrou na garagem? –perguntou curiosa vendo que Marcelo escondia algo aparentemente muito bom.
—Porque vi vocês aqui e resolvi não prolongar mais o que tenho para te dizer. –falou fazendo o coração de Luiza quase saltar.
—Então fala, Marcelo! –foi tudo o que conseguiu dizer olhando diretamente nos olhos do homem a sua frente.
—Seu livro! amanhã será nossa última reunião antes da publicação oficial e já temos o primeiro exemplar. Preciso que você me acompanhe até o escritório, deixaremos o Joaquim com a mamãe. –disse com um sorriso largo, porém notou que algo se passava na mente da loira, surpreendendo-a de um jeito não muito bom. _O que houve? Não está feliz? –a voz de Marcelo soou preocupada tirando Luiza do mundo de expectativas onde se encontrava a poucos segundos atrás.
—Ahh! era isso!? –disse baixando a voz e o olhar, logo Joaquim reclamou e Marcelo o pegou nos braços dando um beijo carinhoso na sua cabeça balançando-o levemente de um lado para o outro.
—Sim, era! O que foi, Lú, disse algo errado? Não gostou da notícia? –perguntou sem entender ao certo o que estava acontecendo ali.
—Não foi nada, Marcelo, é... Eu já vou, tenho algumas coisas para organizar em casa. Mas muito obrigada por tudo, isso é incrível! Obrigada! –disse rapidamente passando as mãos pelos cabelos, preparando-se para entrar na casa e pegar sua bolsa.
—Espera! Você está bem? – disse seguindo-a para o interior da casa.
—Estou, só preciso ir embora. Desculpe! –falou sem olhar para ele, pegando sua mochila.
—Você não vai a faculdade hoje? –perguntou rapidamente olhando para ela.
—Não, não estou muito afim! –falou pegando seu celular numa voz um pouco baixa.
—Então fica aqui! Digo, poderíamos comemorar, posso pedir alguma coisa legal para jantarmos! –falou rapidamente de modo que ao ouvir suas palavras Luiza levantou o olhar e o encarou confusa.
—O que? Ficar aqui, e jantar com você? –perguntou de maneira retorica sem acreditar no que de fato havia escutado.
—Sim, se você quiser... Você está bem, Luiza? –a voz de Marcelo estava ficando um pouco insegura, talvez ele estivesse começando a entender o que realmente estava acontecendo.
—Marcelo, você mal estava falando comigo desde que... Enfim, e agora vem todo alegre e me convida para jantar com você? Para passar a noite aqui? –perguntou sentando-se no sofá atônita.
—Você não precisa passar a noite aqui, posso te deixar em casa antes das 22:00Hrs. –falou sorrindo sentando-se ao seu lado.
—Como é que é? Agora quem pergunta sou eu, você está bem? –Luiza já estava ficando um pouco histérica.
—Hey, calma! Eu gosto muito de você, Lu, não quero continuar nesse clima chato, quero voltar a ser seu amigo, entende? Sei que o que aconteceu não foi legal para nenhum de nós, mas eu simplesmente desaprendi a viver sem a sua amizade. –falou sinceramente, olhando diretamente em seus olhos.
—Tem certeza? –foi tudo o que conseguiu dizer, seu coração acabara de se desmanchar naquele exato momento.
—Tenho. E então, aceita jantar com esse pobre pai viúvo que não sabe cozinhar? –ele já estava sorrindo, tudo o que havia dito era a mais pura verdade.
—Sim, aceito. Obrigada por tudo! –falou sorrindo com uma lágrima escorrendo por seu rosto ao perceber que estava prestes a se tornar uma escritora profissional, e além disso, voltar a ter o carinho que a amizade de Marcelo lhe trazia por perto novamente.
Após se abraçarem meio desajeitadamente, pois um abraço que era pra ser a dois foi a três, quase esmagando o pequeno Joaquim no meio, selou um clima melhor entre eles.
Luiza subiu até o quarto do pequeno com ele nos braços afim de trocá-lo , pois ele também participaria do tal jantar. Após fazer o pedido em um restaurante bem conceituado do Rio de Janeiro, Marcelo subiu em direção ao seu quarto, mas antes passou no quarto do filho para deixar a mochila de Luiza. Sorrindo ao ver o jeito doce da moça ao cuidar do pequeno ele disse:
—E então, como vão as coisas? Está tudo bem entre você e o Pedro? –Luiza que já havia virado para agradecer a gentileza, sentiu suas bochechas queimarem ao lembrar do ocorrido na última sexta-feira. “Ele tinha mesmo que perguntar sobre aquilo?”
—É... está tudo bem, Marcelo, estamos bem. –falou voltando seu olhar para Joaquim que brincava com um ursinho de pelúcia, que naquele momento já tinha a orelhinha completamente encharcada de baba.
—Fico feliz, ele parece está realmente apaixonado... Acho que vocês darão certo juntos. –falou com uma voz um pouco flutuante.
—Assim espero! –falou apenas tentando manter o tom mais neutro possível.
Marcelo saiu do quarto avisando que iria tomar um banho rápido, ela disse que tudo bem e logo estaria descendo. Luiza não tinha muita coisa além de uma calça Jeans surrada, duas camisetas, uma roupa para dormir, e um vestido leve que havia usado para há algum tempo atrás no cantinho do guarda roupas de Joaquim. Então, a única opção plausível seria o vestido simples. A moça já estava pronta, seu cabelo permaneceu no rabo de cavalo, mas agora o simples vestido a deixava mais feminina, seu corte era comum, colado na cintura e rodado até um pouco acima do joelho, flores minúsculas o estampavam contrastando com a cor preta. Em Joaquim, ela colocou uma camisa polo branca e uma bermudinha jeans, que nele parecia mais uma calça, penteou os cabelos do pequeno de lado, de modo que ele parecia um rapazinho.
—Nossa! Acho que vou trocar de roupas! –disse Marcelo ao ver Luiza e Joaquim na sala de estar perfeitamente arrumados, enquanto ele vestia uma bermuda jeans e uma camisa preta de malha.
—Nem pense nisso! A qualquer momento o jantar irá chegar e eu estou morrendo de fome! –disse sorrindo com uma voz firme.
—Tudo bem, mas da próxima vez você pode soltar um “Marcelo, coloca aquela camisa de botões azul marinho que eu tanto gosto e uma calça elegante!” –falou também sorrindo.
—Como você sabe que eu gosto dessa camisa? – perguntou sentindo que estava virando um tomate.
—Notei seu olhar quando a usei, e todo mundo gosta muito, inclusive eu! –falou sorrindo de lado, indo em direção a porta pois a campainha tocou assim que ele terminou de falar.
Enquanto Marcelo preparava a mesa do jantar, Luiza foi esquentar a mamadeira que havia deixado pronta para Joaquim. Ela deu o mingau do pequeno que tomou tudo sem reclamar e o colocou na cadeirinha entre ela e Marcelo.
—E então, gostou? –perguntou Marcelo ao ver que Luiza estava silenciosa demais enquanto degustava o fricassé de frango.
—Está maravilhoso, você fez uma ótima escolha! –disse colocando a mão na boca de modo que escondesse a boca cheia.
—É um dos meus pratos preferidos! –falou sorrindo ao notar a espontaneidade da moça, pois se fosse qualquer outra mulher, como por exemplo a própria Rafaela, jamais falaria de boca cheia.
O jantar continuou com Marcelo puxando um pouco de conversa, Luiza respondia de forma alegre e um pouco descontraída. Quando os dois terminaram, foram para a sala e sentaram no sofá, conversaram um pouco mais sobre o dia seguinte e outros assuntos banais, quando Marcelo notou que Joaquim pegou no sono em seus braços. Ele pediu um momento e foi colocá-lo no berço.
Com o pequeno dormindo confortavelmente, Marcelo ligou a babá eletrônica e desceu para encontrar Luiza novamente. Quando chegou a cozinha, Luiza estava lavando os pratos do jantar, ele se aproximou e começou a enxugar a louça. Vez por outra olhares eram trocados, algumas conversas bobas ecoavam na cozinha até que Marcelo começou a falar algo que realmente chamou a atenção da moça:
—Você é tão natural, Luiza, tão simples! Seus pais lhe educaram muito bem! –falou terminando tudo e voltando seu olhar apenas para aquele rosto doce e adorável.
—Sim, eles fizeram o melhor que podiam. Mas eu não sou isso tudo não, acontece que hoje em dia os valores estão escassos, entende? Então, quando vemos pessoas assim do jeito que você me descreve achamos diferente, inédito, anormal, quando, na verdade, é o que deveria ser essencial. –falou sinceramente encostando-se na pia ao lado dele.
—De fato, essa é a mais pura verdade. Falando assim, pareceu até a Verônica! Ela sempre prezou muito pela humildade e simplicidade, nunca deixou-se enganar pelo status ou dinheiro, sabe? Ela era uma grande mulher! –disse olhando para um canto especifico da cozinha.
—Mas você também preza por esses valores Marcelo, você é um exemplo de homem. E se você acha incrível encontrar uma mulher assim, é mais difícil ainda encontrar um homem de verdade, entende? Hoje em dia eles julgam tudo muito fácil. Para a maioria dos homens de sua idade, uma boa mulher não passa de um bom pedaço de carne. –falou olhando para ele.
—Pois é, mas isso nunca me chamou atenção, nem mesmo na adolescência... sempre fui o estranho da turma, o vulgo Nerd, na verdade, o que faz de uma mulher interessante e sexy, na minha opinião, não é o corpo dela ou como ela se veste, mas sim seus pensamentos, seus sonhos, seus valores... Você é muito interessante, sabia? –um sorriso bobo brincava no seu rosto.
—Para com isso, Marcelo! –disse apenas, sabendo que já estava quase rocha.
—Não, Luiza, sem constrangimentos, falo com todo respeito! Você é uma mulher extremamente intrigante, e muito bonita também. –falou sinceramente , mas como viu que ela não parava de ficar vermelha, tentou apaziguar as coisas sugerindo um brinde.
—Iremos brindar a que exatamente? –perguntou a moça enquanto Marcelo colocava um pouco de champagne na taça que ela segurava.
—A simplicidade! A você! –falou com um largo sorriso no rosto.
Luiza sorriu amavelmente e brindou, logo após com o mesmo sorriso ela caminhou até a sala de estar e anunciou que iria subir para dormir.
—Não vai ainda, quero te mostrar uma coisa! –pediu segurando em seu braço esquerdo de modo que a fez parar e olhar diretamente em seus olhos.
Aquele olhar perdurou um pouco mais do que devia fazendo Marcelo sorrir levemente como se constatasse alguma coisa que pairava no ar, então recuou e conectou seu iPhone no som, quando uma bela introdução começou a tocar, Luiza sorriu largamente e sussurrou “John Mayer”.
Apertem o play!
—Me concede essa dança, senhorita? –a voz de Marcelo soou rouca e ao mesmo tempo sorridente.
—Será que é mesmo uma boa ideia? –perguntou surpreendendo-se com o pedido de Marcelo e com seu jeito espontâneo e galanteador.
—Sim, porque não seria? É só uma dança! Vem, não deixemos o John Mayer esperando! –disse segurando a mão da moça suavemente.
Com uma mão Marcelo segurou a cintura de Luiza e a outra ele entrelaçou na sua. Um pouco tímida ela começou a acompanha-lo, ele olhou em seus olhos e sorriu, então rapidamente mais como uma fuga, ela aconchegou a cabeça no peito dele e sentiu seu perfume amadeirado invadir suas narinas. Luiza já estava embriagada, não sabia mais o que era certo ou errado, Marcelo a conduzia na dança fazendo-a flutuar, até que a música foi acabando o som foi ficando escasso e ele parou. Lentamente ela afastou a cabeça do peito dele, e seus olhares se encontraram.
Não havia como definir quanto tempo se passou enquanto um investigava as emoções do outro através de um olhar penetrante, mas como se fosse automático ou algo do tipo, Marcelo soltou a mão de Luiza e a posicionou em sua nuca e a outra a puxou pela cintura afim de que ela ficasse mais perto. Poucos centímetros os separavam, ela tentou ver o que se passava por seus olhos, mas um turbilhão de sentimentos a invadiu, de repente sentiu seu corpo tremulo e pouco a pouco o olhar de Marcelo desviou do seu para observar os lábios rosados dela. Respirando fundo ela fechou os olhos, mas então, o telefone tocou e despertou os dois do transe que estavam.
—Você não deveria atender? –perguntou Luiza afastando-se rapidamente.
—Sim, sim. Desculpe! –falou meio sem jeito deixando Luiza para trás.
Marcelo atendeu ao telefonema, e Luiza o observava de longe, ela não esperava por aquele comportamento, "como ele poderia agir daquela forma?" " O que estava acontecendo?" Ela não sabia ao certo, mas expulsou esses pensamentos quando notou um tom diferente na voz de Marcelo.
—Sim, sim. Mas a que horas isso aconteceu, mãe? –Marcelo parou de falar e começou a respirar fundo, era óbvio que ele estava reprimindo um choro. _Vocês estão em que hospital? E por que não me ligou antes? –Marcelo escutou mais alguma coisa e Luiza se aproximou ficando ao seu lado. _Desculpe, desculpe! Eu já encontro vocês! Não vou demorar! –falou e desligou a ligação, assim que colocou o telefone no gancho passou as mãos exasperadamente nos cabelos e deixou algumas lagrimas escorrerem.
—O que houve? –perguntou Luiza segurando em seu braço.
—Meu pai! O meu pai está internado, ele teve um ataque de dores no estômago e vão operá-lo daqui a pouco. Um tumor, Luiza, um tumor! –falou enxugando o rosto rapidamente já caminhando a passos largos até a escada com Luiza seguindo-o.
—Olha, calma, tenta manter a calma, sei que é difícil mas vai ficar tudo bem. Ele é forte, vai resistir. –disse meio exasperada.
—Os médicos suspeitam de câncer, eu achei que ele havia melhorado daquelas dores, entende? Não sei ao certo o motivo pelo qual minha mãe maquiou as coisas... –disse pegando a carteira e as chaves extremamente apressado.
—Ela devia ter bons motivos. Mas você vai dirigir assim? quer que eu vá? Posso ir com você, eu ligo para Júlia e ela vem ficar com o Joaquim. –disse rapidamente olhando para ele que a encarou no mesmo instante.
—Não, não quero incomodar. Fique aqui com meu filho, eu dou notícias. Qualquer coisa estarei no hospital São Lucas em Copacabana. –disse saindo do quarto descendo as escadas correndo.
—Espera! –disse Luiza quando ele já estava na varanda. _Ela correu e lhe abraçou, olhou em seus olhos e disse que iria ficar tudo bem.
Assim que Marcelo foi embora, ela entrou na casa e ligou para Júlia que atendeu no terceiro toque.
—Jú? Preciso da sua ajuda! –falou rapidamente assim que ouviu a voz da moça.
—O que houve? Está tudo bem? Onde você está? –perguntou notando que a voz do outro lado estava extremamente nervosa.
—Depois eu te explico, amiga, por favor, pega um táxi e vem pra cá, preciso que você passe a noite com o Joaquim. –disse torcendo para que Júlia pudesse ajuda-la.
—Lú, você quer que eu vá dormir na casa do meu patrão? –perguntou atônita.
—Jú, pelo o amor de Deus, não é como se fosse um estranho! Vem pra cá, é urgente! –disse agitada.
—Tudo bem, daqui a uns 40 min chego ai! –falou rapidamente notando a urgência da situação.
—Certo, não demora! –Luiza desligou e foi até o quarto de Joaquim afim de trocar de roupa.
Quando Júlia chegou, Luiza já estava pronta esperando-a na sala. Ela passou algumas coordenadas sobre Joaquim e disse que provavelmente estaria de volta pela manhã ou antes disso, lhe explicou toda a situação e foi embora.
Luiza não pensava em nada além do sofrimento que a família de Marcelo estava passando, e em como ele poderia estar, mas tirando-a de seus pensamentos, seu telefone tocou e era Pedro.
—Oi, tudo bem? –disse a voz masculina assim que a moça atendeu.
—Oi, você já está sabendo? –perguntou rapidamente.
—Sim, mas infelizmente não poderei descer a serra agora. Pois, está chovendo muito por aqui e daqui que eu chegue... –disse lamentando-se.
—Sim, não se preocupe, volte amanhã. Estou indo para o hospital encontrar o Marcelo. –disse sinceramente sabendo que Pedro não a impediria.
—E meu afilhado? –perguntou achando aquilo estranho.
—Está com a Júlia! Acho que a mãe do Marcelo está sozinha lá, quero dar uma força para os dois. –disse explicando-se demais para o seu gosto.
—Tudo bem, estarei no rio pela manhã cedinho, qualquer coisa te ligo! Se cuide, minha linda! –falou carinhosamente sabendo que se ela não fosse ao hospital não iria sossegar.
—Okay, boa noite! –disse apenas desligando.
A moça chegou ao hospital por volta das 23:30. Por um milagre, conseguiu chegar rapidamente a ala de cirurgias emergenciais onde Marcelo estava quase no último andar do hospital. Ao sair do elevador, viu Marcelo caminhando de um lado para o outro, sua mãe estava sentada numa poltrona falando com alguém ao telefone. Ele olhou na direção dela e ela correu para abraça-lo.
—Você veio, Luiza!? –perguntou atônito olhando-a nos olhos.
—Vim! não se preocupe, o Joaquim está bem com a Júlia, não foi incomodo nenhum. Me desculpe, mas eu precisava vir. –falou com a voz embargada notando que os olhos de Marcelo estavam irritados. Ele havia chorado muito.
—Tudo bem, tudo bem! Muito obrigada por ter vindo! –falou abraçando-a ainda mais forte.
Ela não sabia qual era o nível da gravidade da situação, mas sabia que precisava ser forte, por Joaquim e por Marcelo, e no que dependesse dela nada iria impedi-la de dar todo o seu apoio para aquela família, e principalmente, para ele.
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