Realidade ou Fantasia?
2 Capítulo 2 A Fronteira.
Capítulo 1: A Fronteira
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O acampamento de férias da Armstrong High School mal tinha começado e Scarlet já queria sair daquele lugar o mais rápido possível, sendo que ainda era o terceiro dia − faltavam mais outros vinte dias pela frente.
Não era a toa que ela considerava aquele acampamento um inferno − ele reunia as duas coisas que ela mais odiava.
A primeira era passar muito tempo sem nenhum tipo de passatempo, uma distração, como qualquer tipo de vídeo game − não a deixaram trazer o seu velho Game Boy Color, um vídeo game portátil que dependia de apenas duas pilhas para funcionar.
A segunda era nada mais, nada menos do que Lauren Bourne − a popular, esnobe, bela e totalmente superficial como todas as outras líderes de torcida devem ser, o que fazia com que ela suspeitasse que todas elas compartilhavam o mesmo sangue −, que por sinal era a líder do grupo 5, o mesmo em que Scarlet estava.
E folgada como só ela é, vive distribuindo ordens e mais ordens em tudo e a todos, principalmente nela, Scarlet − desde que teve seu braço direito quebrado por ela porque exagerou nas “brincadeiras” de chamá-la de “machona” no colegial, seu objetivo tornou-se atingi-la de qualquer maneira, desde que não resulte em outro braço quebrado; aquela ocasião era perfeita para isso.
Não demorou muito para que Lauren mandá-la fazer algo.
− Scaliburth! − Era assim como chamava as suas rivais − pelo sobrenome delas.
Scarlet, que estava sentada numa pedra perto de sua barraca, virou-se sem vontade nenhuma, com a cara mais horrível do mundo − resultado da soma das tais duas coisas que ela odeia em um só lugar e aturar aquilo por muito tempo; já estava farta de tanto ouvir aquela voz aguda; mais um pouco e ela enlouquecia.
− Ah, você está aí. Pensava que era um menino de outro grupo − comentou, finalizando com uma risadinha. − Enfim. Vá buscar a lenha, agora.
Ela levantou-se da pedra, rangeu os dentes e respondeu:
− Faça isso você, sua inútil.
Lauren simplesmente jogou seu enorme cabelo loiro para trás, indiferente.
− Não reclame; não diga nada. Apenas me obedeça. Vá. − Disse, enquanto olhava as suas enormes unhas pintadas de rosa-bebê.
− Ora, sua...! − Murmurou.
E explodiu. Não literalmente, claro.
Ergueu seu braço e fechou o seu punho direito para socá-la, mas infelizmente foi interrompida pela voz grave e autoritária da srta. Hill, a coordenadora da Armstrong High School e responsável pelo acampamento.
− O quê está havendo aqui, meninas?
Scarlet abaixou o braço e pôs suas mãos no bolso de seu moletom preto que tinha uma estampa de caveira em vermelho, virando-se para trás.
− Nada. − Respondeu, em voz baixa.
E logo em seguida, baixou o seu boné igualmente preto e saiu andando, entrando na floresta, à procura de lenha.
O sol já estava se pondo. Já era a hora de voltar para o acampamento antes que escurecesse.
Sem nenhuma lenha.
Mas, como não tinha mais escolha, decidiu deixar o seu orgulho de lado e voltar para o acampamento de mãos vazias − e ainda por cima receber uma bronca de sua rival, o que seria humilhante −... mas por onde? Ela não conhecia aquela floresta − era a sua primeira vez que entrara nela − nem um pouco.
Scarlet olhou para a velha árvore sem folhas que ficava ao lado de uma pedra que era perfeitamente quadrada. Sentou-se em cima dela e suspirou, cansada.
“Eu já passei por essa árvore umas cinco vezes, se não me engano”, pensou.
Ergueu sua cabeça e olhou para o céu. Já estava escuro − e sem nenhum sinal de lua e nem estrelas; provavelmente devem ter sido cobertas pelas nuvens.
De repente, ao levantar-se, sentiu uma gota d’água cair na ponta do seu nariz. E logo depois, várias gotas que foram aumentando cada vez mais e mais...
− Ah, não. − Resmungou.
O chuvisco inocente transformou-se numa tempestade, com direito a raios e trovões. Então começou a correr pelos arredores da floresta, à procura do acampamento e tentando evitar ficar debaixo das árvores por causa dos raios. O estrondo dos trovões a assustava.
Minutos depois de tanta correria, acabou avistando um tipo de caverna entre as sombras das árvores. Não pensou duas vezes e correu para lá, abrigando-se na caverna.
Tirou o seu boné, que estava tão encharcado como toda a sua roupa. Balançou sua cabeça como se fosse um cachorro molhado, respingando água para todos os cantos.
Sentou-se no chão úmido, recostando sua cabeça na parede, igualmente úmida. Assoprou sua franja, como sempre fazia nos momentos de tensão e fechou seus olhos, tentando relaxar. Ofegava.
Os trovões cessaram rapidamente, mas a chuva continuava no mesmo ritmo.
O barulho da mesma fez com que Scarlet dormisse facilmente em questão de segundos − estava exausta e tinha acordado cedo demais, às 5 da manhã. E então dormiu como uma pedra até... sentir um certo incômodo por causa do sol que batia em seu delicado rosto.
O sol nasceu e o dia revelou-se belo. O céu era de um azul puro, sem nenhum sinal de nuvens. Ouvia-se o canto dos pássaros e o cavalgar de uma égua bege; havia um rapaz de cabelos incomuns − era de um verde mesclado suavemente com castanho −, que vagava pelo mesmo local onde Scarlet se abrigou durante a tempestade, montado nela. Seus olhos eram evidentemente cor de âmbar perante a luz do sol. Sua pele era branca e aveludada − que tinha uma certa palidez.
− Veja só isso, Peggy! Parece que hoje é o meu dia de sorte − ele sussurrou, conversando com a égua. − Fique aí, que eu já volto.
Então ele desceu da égua e adentrou na caverna, agachando-se bem ao lado de Scarlet, observando-a.
“Definitivamente, hoje é o meu dia de sorte”, pensou, enquanto direcionava o olhar para as outras “partes” do corpo dela. Ele era um pervertido, de fato, mas mesmo assim uma boa pessoa.
Logo em seguida, começou a fitar o seu rosto. O rosto dela era feminino, com traços delicados − exceto sua boca, que era grande e carnuda, mas de um jeito harmônico, não exagerado; todos os seus traços são assim. Sua franja caía em seus olhos, que estavam fechados... mas que, de repente abriram-se, o que o fez recuar − mas ele logo voltou a sua posição anterior segundos depois.
Ao abrir os olhos, Scarlet apenas enxergou um vulto com cabelos verdes. Piscou e esfregou os olhos, logo enxergando melhor e deparando-se com o rapaz. Dessa vez, foi ela quem levara um susto.
− Bom dia. − Ele a cumprimentou, rindo.
O rapaz sentou-se ao lado dela. Por impulso, Scarlet se afastou um pouco dele − estavam próximos demais. Suas bochechas coraram levemente − por mais estranha que a cor de seu cabelo seja, ele era atraente, de alguma forma.
− Q-quem é você?! − Perguntou, arregalando seus olhos cinzentos que instantaneamente tornaram-se azuis por causa da cor do céu.
− Meu nome é James Ellegan − disse, sorrindo para ela. − E o seu?
“Bem, ele parece ser uma boa pessoa”, Scarlet pensou, retribuindo o sorriso meio sem graça.
− Scarlet Scaliburth. − Respondeu.
− Scarlet... gosto desse nome. Combina com esse belo par que você tem − comentou, começando a fitar indiscretamente os seios dela.
“Me enganei. Não é”, pensou de novo, fechando a cara e dando-lhe um soco em sua bochecha.
Ao receber o soco − que foi bem forte, aliás; Scarlet tinha uma força incrível −, começou a resmungar palavras ininteligíveis e pôs sua mão em cima da bochecha dolorida.
− Ah, então não era tão frágil como eu pensava... subestimei-a − comentou. Mas ao perceber que Scarlet já estava erguendo o braço novamente para lhe dar outro soco, completou, desesperado, com a primeira pergunta que passou pela sua cabeça: − Que tipo de roupa é essa que você está usando? Nunca vi nada parecido antes. − Então reparou na estampa do moletom de Scarlet. − Um símbolo de caveira... você é uma pirata, por acaso?
Ela o encarou, analisando seu rosto − que estava sério; não parecia estar brincando. Mas não conseguiu se conter e acabou soltando uma risada histérica. Quando conseguiu parar de rir − o que aconteceu instantes depois −, respondeu:
− Você é um caipira, por acaso? Isso é um moletom; e eu não sou pirata. E, bem... onde é que eu estou?
− Ah, agora eu entendi − murmurou, do nada. − Se você não é uma pirata... e ainda está usando essas roupas estranhas... Você deve ser uma humana que atravessou a fronteira.
Scarlet o encarava como se ele fosse um louco, começando a ficar assustada novamente.
“Eu ouvi direito? Provavelmente deve ser uma...”
− Você está em Daeron, baby. − Disse, por fim.
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Notas finais
ai está o capítulo I
espero que gostem...
comentem.
Bjs~kiramya
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