Realidade ou Fantasia?
3 Capítulo 3 Bem-vinda à Daeron.
Scarlet o encarava, perplexa.
− Desculpe. Acho que não ouvi direito... o quê você disse? − Perguntou, unindo suas sobrancelhas.E James simplesmente riu. Parecia estar se divertindo com aquilo... o que a enraiveceu profundamente.− Hei! O que tem de tão engraçado nisso? Eu estou perdida no meio do nada, sem lenha... sem o meu Game Boy...! − Exclamou.− Não dramatize as coisas − comentou, gracejando. − Por acaso todos vocês são assim?− \"Todos vocês\"?! A quem você está se referindo? − Indagou, erguendo sua sobrancelha esquerda.Ele suspirou, como se aquilo fosse a coisa mais óbvia do mundo.− Todos vocês... ah, você sabe. Humanos. − Respondeu, revirando os olhos. − Não que eu não seja um também... mas não totalmente.− O-o quê você está querendo dizer com isso?! − Ela perguntou, assustada.− Sou um mago do fogo, sou capaz de controlar o fogo − o que os humanos não são capazes de fazer. Entende?\"M-mago... do fogo... CAPAZ DE CONTROLAR O FOGO...?!\", pensava, repetindo as palavras que ele acabara de dizer.− IMPOSSÍVEL! − Vociferou. Seu berro ecoara por toda a caverna.− Vai ser difícil aceitar o fato de que, infelizmente, não será possível voltar para terra. − explicava. − Todos os humanos que passam pela fronteira, mesmo que seja acidentalmente... nunca são capazes de voltar. É inútil tentar.O encarou, sem enteder absolutamente nada do que ele realmente estava querendo dizer com aquilo. Mas permaneceu em silêncio.− Aqui é um outro mundo − ou uma \"dimensão\", como vocês dizem − diferente do seu. Em partes, logicamente, pois há algumas semelhanças. Veja: eu sou bem parecido com um humano, certo? − Gesticulava, apontando para si mesmo.Ela assentiu. − Por mais que eu me pareça com um, fale como um... eu não sou. Eu sou um beorc, e descendo dos humanos. Mas ao contrário de vocês, nossa raça é capaz de controlar o fogo, a água, a terra, o trovão, o vento, a luz e a escuridão, além disso, alguns conseguem dominar o poder da cura. Mas nenhum de nós somos capazes de controlar todos os elementos ou poderes.− ...Mas isso... − ela dizia − ...não faz o menor sentido.James teria de pensar em algo que resumisse absolutamente tudo o que ele queria dizer, de uma forma clara. Algo que a convencesse que ela não estava mais na Terra. E fazer isso seria fácil, porém, arriscado.Virou a cabeça para a esquerda, olhando para o lado de fora. Não havia ninguém por perto, a não ser sua égua, que relinchou para ele assim quando o viu. Era inseguro e estúpido fazer aquilo naquele momento e naquele lugar; a floresta era densa demais e isso dificultava sua visão − era quase impossível enxergar alguém ali. Poderiam vê-lo. Mas não lhe restava outra opção, porque seria impossível convencer um humano teimoso somente com meras palavras... e se a deixasse, com certeza a venderiam como escrava para alguém − e isso ele não queria que acontecesse de forma alguma.− Veja com seus próprios olhos. Assim você finalmente entenderá o que eu estou querendo dizer. Espero que isso a convença, porque é o máximo que eu posso fazer − disse, com sua voz calma e suave.Ele fechou seus olhos e estendeu os braços, abrindo suas mãos, deixando os palmos para cima. Uma magnífica tocha de fogo apareceu na palma de suas mãos como num passe de mágica, deixando Scarlet boquiaberta, não só por aquilo, mas também pelo fato de que o fogo não parecia estar queimando-o. Pelo contrário, o fogo não encostava em sua pele. Era como se a tocha flutuasse...Foi então que tudo o que ele dissera para ela começou a fazer sentido. De repente, a tocha tomou uma forma de dois grandes cavalos feitos de fogo, que começaram a cavalgar por toda a caverna, iluminando-a. Suas mãos faziam movimentos estranhos... parecia que ele estava controlando-os. E então, jogou seus braços para a esquerda, o que fez com que os cavalos passassem por eles. Ao sairem da caverna, transformaram-se em pássaros feitos igualmente de fogo, que voaram para o horizonte até que não fosse mais possível enxergá-los.− Eu sei que não era necessário fazer tudo isso, mas eu queria apenas impressioná-la. − Ele disse. Parecia indiferente ao que acabara de fazer.Scarlet permaneceu pasmada e inerte como uma estátua. Mas, mesmo assim, estava maravilhada com tudo aquilo. Era incrível, inexplicável... era um momento único que marcaria sua vida para sempre.− É, parece que eu realmente a impressionei − murmurou para si mesmo, ao observar reação dela.Ela demorou até que o estado de choque passasse e o nó em sua garganta se desfizesse, o que aconteceu apenas segundos depois − mas que pareciam uma eternidade para James.− C-como você fez aquilo?! − Gaguejou.− Ora... fazendo. Eu não já lhe disse que sou capaz de controlar o fogo? − Respondeu.− Já, mas eu...− Então. − Ele a interrompeu. − Acho que você deve estar com fome. Vocês, humanos, comem algo de manhã?
− Sim, mas eu não estou com... − dessa vez não foi James que a interrompeu. Foi o ronco estrondoso que saiu de sua barriga. Ela não comera nada desde o almoço do dia anterior, quando ainda estava no acampamento...O que fez com que James começasse a rir incessamente e Scarlet exasperasse, dando-lhe outro soco em sua bochecha, que por sinal, ainda estava dolorida. Ela odiava quando os outros riam dela.− Que seja. O quê você tem? − Perguntou indiscretamente − a fome já estava dominando-a.− Vamos, pode subir. − James disse, tentando acalmá-la. − Se quiser, eu te ajudo. O dia continuava belo, porém o sol estava à pino já que era quase meio-dia. E como a pequena área que ficava em volta da caverna não havia nenhuma árvore, nenhuma cobertura, o sol queimava a pele de Scarlet, que era extremamente sensível perante a luz do sol.Subir em Peggy era impossível para ela, pois Scarlet tem um certo trauma de cavalos − já levou um coice por um deles quando tinha apenas sete anos, na fazenda de sua avó, quando ela ainda estava viva. E naquele momento, ela estava se debatendo como fez no dia em que isso ocorrera, quando sua mãe obrigou-a a subir num pônei para tirar uma foto. Só que não estava chorando, logicamente.− Mas eu tenho trauma. Prefiro ir andando − reclamava.Dessa vez, ele não disse mais nada. Simplesmente desceu de sua égua e pegou Scarlet pela cintura, levantando e colocando-a em cima dela. Então rapidamente sentou-se atrás dela e sussurrou em seu ouvido:− Acho melhor você se segurar, ou iremos cair no chão, e isso é pior do que um coice − Então, logo aumentou o tom de voz: − Vamos, Peggy! Corra como nunca correu antes!E ela obedeceu-o. Os cavalos de Daeron são muito mais inteligentes do que os da Terra, pois todos eles são o resultado de um cruzamento de cavalos normais com outros seres misteriosos − que existem apenas em Daeron − que fizeram com que surgisse uma raça que conseguisse entender comandos, e até mesmo se expressar − mas não falam, logicamente.Scarlet agarrou-se rapidamente ao pescoço da égua por impulso. Já James agarrou-a pelos ombros e, logicamente, aproveitou-se da situação vulnerável dela e \"deslizou\" suas mãos até sua cintura. Ao sentir que as mãos dele estavam ali, não demorou muito para que berrasse a ele:− Ah, seu...! − E logo deu-lhe um belo chute em sua perna.Rapidamente suas mãos sairam de sua cintura e voltaram para os ombros após o chute. − Isso com certeza é bem pior do que um coice! − Grunhiu.A casa de James era localizada no meio da floresta. Era praticamente impossível achá-la no meio dos grandes e suntuosos chorões, uma espécie de salgueiro de ramos compridos, pendentes quase até o chão.Era pequena e totalmente feita com tábuas de madeira mal colocadas, que deixavam um espaço aberto entre si. O telhado era igualmente feito de madeira. Se chovesse muito, com certeza a água entraria, causando goteiras no dia seguinte. Havia um ofurô feito de madeira vazio que ficava ao lado da casa.Se um humano visse a casa de James, a primeira impressão que ele teria seria a enorme semelhança entre uma das casas da história Os Três Porquinhos e a casa de James, porque além de ambas serem feitas de madeiras e serem extremamente pequenas, parecia que se alguém a soprasse, todas as tábuas iriam cair como o Lobo Mau fizera.E essa foi a primeira impressão que Scarlet teve ao ver a \"suposta casa\".− Esta é a minha casa − ele disse, sorrindo.Ela começou a gargalhar, dizendo com um certo ar de deboche:− Pra mim, isto é um barracão.\"Você não é a primeira a achar isso\", pensou, desfazendo o sorriso, indo em direção até a velha porta de madeira, destrancando-a.− Vai ficar aí fora? − Perguntou. Sua cara desanimada era sombria e ao mesmo tempo, engraçada − pelo menos, para Scarlet.Finalmente parou de gargalhar e entrou na casa dele. O interior era como o exterior: extremamente pobre e pequeno. O chão também era feito de tábuas de madeira. Havia um beliche, com colchões finíssimos − e duros feito pedra; um biombo, no qual usavam-no para trocar de roupa atrás dele, em busca de privacidade; uma pia velha e marrom; três estantes pequenas, grudadas uma na outra e em cima delas, haviam pilhas de livros velhos e abarrotados, além de outras coisas das quais nem James sabia o que eram − e o que estavam fazendo ali −; uma mesa que ficava bem no centro do local, com três cadeiras, uma delas com a perna quebrada. Não havia nenhum sinal de banheiro, ou seja, provavelmente ela teria de fazer suas necessidades do lado de fora − ressaltando o fato de que em volta da casa havia um fedor horrível, que agora Scarlet tinha uma certa noção do que seria.− Este será o seu lar − provisoriamente − até eu conseguir juntar moedas de ouro o suficiente para construir um novo − e bem melhor. Você pode dormir na parte de baixo do beliche. − Ele disse, enquanto se redirecionava até uma das estantes, começando a procurar por alguma coisa que despertou curiosidade em Scarlet, que não hesitou em perguntar.− O que você está procurando?Não precisou respondê-la, pois sem demora, retirara um pedaço gasto de papel, colocando-o sobre a mesa. Não precisou chamá-la − ela já tinha sentado numa das cadeiras antes dele fazê-lo também. O tal pedaço de papel era um mapa... o mapa de Daeron. Era impressionante a grandeza daquele novo mundo, pelo menos para Scarlet, que se lembrara por imediato do que ele tinha dito para ela: \"...Aqui é um outro mundo − ou uma \"dimensão\", como vocês dizem − diferente do seu. Em partes, logicamente, pois há algumas semelhanças.\" E, realmente, aquele mapa era parecido com um mapa comum − e antigo − da Terra.
Notas finais
Tentei diminuir o uso de travessões e ponto-e-vírgula, mas tem vezes que é inevitável... D: Inclusive os "parara", "estara", os "ara, ara da vida". (?)
Mas acho que ficou bom :)
Espero que gostem do capítulo!
Mas acho que ficou bom :)
Espero que gostem do capítulo!
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