Realidade Inversa
7 Capítulo 7 : Traição
- Mestre Alan? ... Mestre Alan? Acorde Sr.Alan!
Abri os olhos lentamente e minha visão começou a desenbaçar — eu havia perdido a consciência. Tudo o que eu via era uma espécie de véu branco recobrindo a pequena cama onde haviam me colocado, parecia um berço, não me lembrava de nada depois do terraço do palácio e muito menos como havia parado ali.
-Mestre Alan!? Você está me ouvindo!?
- Chega Elsh! Não ve que ele ainda não se recuperou!?
Eu ouvia vozes conversando algo que eu não conseguia desemaranhar, ainda estava tonto e não podia enchergar direito — de quem eram aquelas vozes?
-Aaargh...e-eu.... onde eu es...estou? *Perguntei, mas minha voz saiu rouca, parecia estar sussurrando*
-Você ouviu!? O mestre acordou! Venham todos!
-Hã? O q-que está..acontecendo?
Vi duas pequenas criaturas de no máximo um metro levantarem o véu e começarem a me observar. Suas orelhas eram pontudas e tinham olhos bem grandes em relação ao resto do rosto,usavam pequenos macacões e uma espécie de elmo sob a cabeça mas o mesmo não chegava a cobrir a face inteira deixando parte dos focinhos a mostra.
-Veeeeejaaa! Ele acordou! *Disse um deles dando um sorriso em parte desdentado e, os poucos dentes que tinha amarelados. Ele sorria enquanto me observava*
-Quieto Elsh...deixe me verificar! *Disse outro com uma aparência mais velha que tinha um grande cavanhaque escorrido pelo queixo e um elmo dourado, colocando uma lente de aumento em um dos olhos* ....vejamos ...vejamos...ELE DESPERTOU! *Gritou o velho pulando de ciima da pequena cama, abrindo o véu e esperniando de alegria para os outros que ali estavam*
No instante em que o velhote gritou ouvi uma espécie de banda tocando uma música estranha seguido de confetes e folhas de árvore caindo enquanto dezenas daquelas criaturinhas dançavam espergindo alegria uns para os outros — o que diabos era aquilo tudo? Aonde eu estava? Onde estava Daven?
-CHEGA! *Gritei, me sentando na pequena cama e retirando o pequeno lençol*
As criaturas, a música e os confetes pararam — eles me olhavam espantandos. Um silêncio seguiu durante alguns segundos até que fui obrigado a quebrá-lo:
-O que diabos está havendo aqui!?
O velhote levantou a mão lentamente, trêmulo — pude ver em seus olhos um tom de inocência e temor : — M-m-mestre Alan...e-eu posso explicar s-só fique calmo por favor!
-Eu estou calmo! ... Quem diabos são vocês!?
— Somos o humilde povo de Tranuvya, e por favor não nos machuque mestre! *O velho abaixou a cabeça e colocou seu pequeno cajado em sua frente*
— Tranuvya?
— A pequena aldeia localalizada atrás do grande palácio... somos da pequena aldeia mestre...
— O Palácio das ilusões?
— Sim, aquele que foi arquitetado pela mente de nosso Rei...mestre.
— Rei!? Quem é seu Rei?
— Davendithas Foheck, mais conhecido como Daven...mestre.
— Daven?
— Sim mestre, ele partiu há dois dias...
— Do que você está falando!? Ele mesmo me pediu para que o seguisse!
— Não mestre, o rei partiu há dois dias.
- Então estou desmaiado há dois dias!?
— Dois dias e...*ele olhou em um pequeno relógio que retirou do bolso* ... dois dias e sete horas, foi tempo suficiente para que o encantamento acabasse mestre.
— Encantamento!? Mas o que diabos!?
— O rei nos pediu para que o colocassemos sob o sono profundo até que ele já estivesse bem longe de nossas fronteiras, receio que foi tempo o suficiente! *O velhote sorriu*
— Seu maldito do que está falando!? * Levantei e peguei-o pela gola, colocando-o olho no olho. Os outros assustaram-se*
— M-m-mestre por favor! Me solte! *O velho fechou os olhos*
— Não até que você me explique o que está acontecendo! Seu velho escroto!
— M-m-mestre me solte por favor ..*O olho do velho lacrimejou. Eu o soltei encima da cama*
— Agora me explique!
— B-bem, mestre...
— Espere, porque fica me chamando de mestre!?
— Pois o rei pediu para que o servissemos até que...
— Agora essa!? Chega de baboseiras! *Saí da sala abaixado, no caminho tropecei em alguns. Era na verdade uma cabana*
— O rei disse que você seria inútil para ele e, desde de quando estavam no terraço ele o manipulou até os portões do nosso vilarejo.
* Virei-me para o velho. Ele tapou a boca, como se tivesse falado demais. Os outros olhavam para o velho com um olhar lamentativo*
— Inútil? *Parei*
-Você falou de mais ancião Vanuk! *Gritou um deles no meio da multidão, jogando uma pequena pedra nele*
-O r-rei não queria incômodos, ainda mais um incômodo fraco e sem poder algum... ele...ele pediu para que eu não falasse nada disso a você e...
Virei-me para frente e segui saindo da pequena cabana — estava confuso. A aldeia e Tranuvya era habitada por pequeninos seres conhecidos como \"Hodins\", eram menores do que anões e se organizavam em vilarejos não tão nobres, cada um mais distante do que o outro e por este motivo sempre tinham um ponto peculiar, os de Tranuvya era um estranho concelho onde todos os moradores se juntavam para debater como que em uma grande feira, mas, naquele momento eu não me importava com nada daquilo — como Daven poderia ter o traído daquela forma?
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