Realidade Inversa
8 Capítulo 8 - A estranha resposta
Eu havia acabado de sair da pequena cabana, já era noite. O céu iluminado pela beleza de duas luas — Hersya, o lar dos alados e Nynev a morada dos proibidos. Uma grande selva recobria as pequenas cabanas de poucos metros e o som dos seres noturnos podiam ser ouvidos. Ignorei os chamados dos pequenos habbys e segui em direção a um pequeno lago que ficava um pouco distante da aldeia- me parecia um lugar calmo e seguro, onde eu poderia pensar em algo.
\"Porque Daven me deixaria para trás? Ele mesmo me pediu que o seguisse... eu não entendo... não seria mais fácil me pedir que não fosse com ele do que me largar nessa droga de aldeia? ... \" *Retirei minhas mãos de fora do bolso, onde elas geralmente costumavam estar e as coloquei na água, pensando*
\"Maldito, vai pagar por isso... ele me devia explicações\" — O que foi isso!? *Ouvi algo se mexendo em meio as árvores, mas não dei tanta importância e voltei a pensar* \" Eu devia voltar naquele palácio e perguntar a Tray, ele ainda me parece uma pessoa de mais caráter ... ou será que eu deveria matá-lo?...afinal, ele pode estar por trás disso tudo\" *O barulho se repetiu* — Está bem, cansei de brincadeiras, aonde você está anãozinho imundo!? *Me levantei examinando a minha volta* — Vamos, não se esconda! *Vi uma espécie de vulto passando pela minha frente* — O que diab... isso não é um anãozinho! *Ouvi uma espécie de sussuro em uma lingua estranha, era fantasmagórico* — Ok, a coisa está começando a ficar estranha... *Meus olhos ficaram vermelhos, minha visão apurou* -Apareça! *Ouvi o sussuro por trás de mim e quando me virei vi o vulto fugindo* -LUTE COMO UM HOMEM!
- Não sou um homem... *Disse uma voz feminina próxima ao meu ouvido, eu pude sentir a respiração* — Mas que diab... *Virei-me rapidamente com um golpe, mas ela desaparesceu esfumançando-se e reintegrando-se atrás de mim novamente*
-Olá Alan! *Disse ela*
Virei novamente com um soco mas ela parou minha mão segurando-a sem esforços.
-Finalmente, eu e você! *Ela usava uma capa amarela que continha um capuz da mesma cor, as bordas eram bem terminadas em detalhes, usava luvas, sua pele era morena de sol e tinha uma estranha marca de no rosto que lembrava uma estrela. Ela soltou minha mão me empurrando*
Em resposta, preparei rapidamente um encantamento com minha mão e o lancei contra ela que com alguns gestos com a mão direita evitou que à acertasse. Ela começou a andar em minha direção. Usei uma de minhas habilidades, fazendo uma movimentação com os braços parte da água do lago ficou em minha volta na forma de uma serpente.
Ela continuou se aproximando, desta vez com um sorriso sínico — movi meus braços em direção a ela e Okí, a serpente voou para cima dela, dando um leve rugido. Vi que os olhos dela se azularam e luminesceram-se, ela se esquivava perfeitamente de todas as investidas de Okí — fiquei pasmo quando ela a partiu em dois com um golpe que estremeceu as folhas das árvores. Em seguida ela esfumaçou-se e reapareceu com os braços em meu pescoço, pronta para uma chave e disse : — Da próxima vez que pensar em me atacar, que não seja de noite... e, treine um pouco antes! *Ela se desintegrou novamente e reapareceu sentada na beira do lago, de costas para mim — mostrei o dedo do meio .
- Não faça esse sinal para mim Alan...
\"Mas o que diabos era ela?\" Me aproximei lentamente, temendo uma investida e fui surpreendido por ela dizendo:
-Não precisa ter medo, eu não sou uma inimiga...
Ainda meio em dúvida, continuei andando para perto dela e sentei-me ao seu lado – assustado olhei para o rosto dela que começou a rir de mim.
-Do que está rindo? *Perguntei*
-De você! Hahahaha! *Ela ria*
- Hey da pra parar de rir?
- Ok, parei.. *alguns segundos se passaram* hahahhahaha!
-Pare!
- Não se irrite....Prazer, me chamo Airen...e você é Alan*Disse ela com o sorriso no rosto e a mão estendida para um cumprimento – seu sorriso era contagiante*
-Prazer? Você só pode estar brincando né!? Você me atacou! *Estendi a mão, cumprimentando*
- Na verdade, eu só me defendi... *Ela retirou as botas e colocou os pés no lago*
-Como sabia meu nome? Agora todos me conhecem? Já basta aqueles anõezinhos!
-Eles não são anões, são Hodins...*Disse ela inclinando a cabeça*
-Tanto faz! Como sabia meu nome?
-Um pássaro me contou...mas na verdade eu já o esperava já há algum tempo...
-Há algum tempo?
-Esta nas profecias : “O sol azulado fará com que a lua rebaixe a verdadeira face de todos, a lua vermelha será a morada dos incapacitados – Diante do que vem do outro lado os universos hão de colapsar – serão tempos de...” *Ela foi interrompida*
-Espere! “O sol azulado fará com que a lua rebaixe a verdadeira face de todos”?
-Alguns acreditam que seja Nynev e...
“Aquele papel na porta da minha casa...Não, não vou falar à ela” – Não é porque sou do outro lado que tenho de ser o...esse ai...
*Airen olhou para ele* — Alan, pessoas não cruzam universos há séculos...
- Eu não sou quem você procura!
- E o colapso!? Hã!? Você cruzar momentos antes do colapso!? Você acha que tudo isso é coincidência!?
-Pode ser qualquer coisa! Depois de tudo isso que eu já passei as coisas não estão fluindo muito bem em minha mente... está tudo muito... confuso
*Airen levantou-se com uma expressão de raiva, vestiu as botas e começou a andar em direção a selva me ignorando – será que ela havia desistido?*
-Supondo que eu seja esse alguém por quem você procura... o que você quer de mim? *Gritei*
- Algo que só o enviado poderia resolver...mas,não creio que ele duvidaria de si mesmo..
- Mas eu cruzei o universo... e isso não ocorre há centenas de anos ... *Sorri, melancólicamente*
Ela virou a cabeça em minha direção: — Antes, preciso ter certeza de que você é quem procuro...
-E eu preciso de algumas respostas! *Me levantei*
- O acampamento fica a algumas milhas daqui, vamos...o dia já vai amanhecer *Disse ela seguindo em frente e acenando com a mão*
Apesar de estar um pouco mais confuso com todo aquele papo de enviado e profecias, a segui, afinal – as respostas viriam no dia seguinte e minha mente finalmente estaria livre daquelas perguntas. Será que sou o enviado?
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