Razão ou Coração
5 O Peso da Coroa
Este é um momento crucial, onde as máscaras caem e a verdadeira política dos Tudor entra em cena.
O escritório do Rei era um lugar onde o sol raramente entrava por completo. As paredes eram cobertas por mapas de guerra, genealogias e prateleiras carregadas de tomos antigos. O cheiro de couro e cera de lacre dominava o ambiente.
William mal havia se sentado quando a porta foi escancarada. Charles entrou como uma tempestade, chutando a porta para trás antes de se apoiar com as duas mãos na mesa de carvalho, encarando o irmão com olhos que queimavam em ódio.
— Você perdeu o juízo, William? — Charles rosnou, a voz baixa e vibrante. — Sabrina Drake? Ela é uma menina! E eu não sou um dos seus generais que você pode mover pelo mapa conforme sua conveniência.
William nem sequer levantou os olhos dos papéis que assinava. Ele terminou uma rubrica, polvilhou areia sobre a tinta fresca e só então cruzou as mãos, olhando para o irmão com uma calma glacial.
— Sabrina tem dezessete anos, Charles. Em nossa linhagem, isso é idade de Rainha. E você... — William fez uma pausa deliberada, medindo o homem à sua frente. — Você tem trinta e dois anos, nenhuma terra em seu nome, nenhuma lealdade comprovada e uma reputação que mancha o nome de nosso pai toda vez que você abre o zíper das calças em uma capital estrangeira.
— Eu não pedi para voltar! — Charles disparou.
— Mas voltou. E o testamento de nosso pai diz que você tem direito a um ducado e uma posição na corte. Eu não vou lhe dar exércitos, Charles. Não confio em você para isso. Mas vou lhe dar uma esposa que trará o respeito que você não tem.
William levantou-se, contornando a mesa. Ele era mais baixo que o irmão, mas a autoridade que emanava o tornava imenso.
— Sabrina Drake é a minha protegida. Ela é o que há de mais puro nesta corte. Casando-se com ela, você se torna intocável. Seus inimigos não poderão atacá-lo sem atacar a pupila do Rei. E ela... ela é a única pessoa que eu vi, em dez anos, capaz de calar a sua boca com uma única frase.
Charles soltou uma risada amarga, afastando-se da mesa.
— Você quer me dar uma babá, é isso? Uma babá bonita com uma língua de chicote para me manter na linha enquanto você governa em paz.
— Eu quero que você cresça! — o Rei gritou, sua voz ecoando pelas paredes. — O reino está mudando. Alianças estão sendo feitas. Alexander vai se casar com a Noruega. Eu preciso que você esteja estabilizado. Se você se recusar, eu o declararei traidor da vontade real. Você perderá o título, perderá a proteção e será expulso destas terras sem um único centavo.
Charles paralisou. O silêncio que se seguiu foi denso. Ele sabia que William não estava blefando. O irmão sempre fora movido pela razão de estado, nunca pelo sentimento.
— Ela não vai aceitar — Charles disse, tentando encontrar uma saída. — Você viu os olhos dela. Ela me despreza.
— Sabrina sabe o seu dever — William respondeu, voltando à sua cadeira. — E você vai aprender o seu. O anúncio oficial será feito no baile de noivado de Alexander. Até lá, sugiro que comece a agir como um homem que pretende conquistar sua futura esposa, e não como um animal ferido.
Charles apertou os punhos até os nós dos dedos estalarem. Ele sentia-se preso em uma armadilha que ele mesmo ajudara a construir ao retornar.
— Você venceu esta rodada, Majestade — Charles cuspiu as palavras com veneno. — Mas não espere que eu a faça feliz. E não espere que ela me perdoe por isso.
— Eu não espero felicidade, Charles — o Rei disse, voltando sua atenção para os papéis. — Eu espero obediência. Agora, saia.
Charles saiu do escritório sem olhar para trás, a mente fervilhando. Ele precisava de ar, precisava de espaço... e, acima de tudo, precisava encontrar Sabrina. Se ele estava condenado, queria ter certeza de que ela sabia exatamente o tipo de "lobo" com quem estava prestes a se casar.
Fale com o autor