Rayon

2 Blood Night I - Hasari


Notas iniciais
acho que o pouco que escrevi no prologo eu compensei nesse capitulo ^^

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\"\"Blood Night I – Hasari


Anos se passaram durante a ausência de Atlas. Seus seguidores numa forma de homenageá-lo. Seus seguidores numa forma de homenageá-lo declararam publicamente uma guerra contra a Cúpula mundial. Duas cidades sempre foram os pilares da resistência atlaniana, Hasari e Assik, localizada nos distantes territórios das republicas livres do controle de qualquer instituição do governo mundial. Porém, após a partida de Atlas, Assik retirou seu apoio ao movimento atlaniano. Restou somente a Hasari, uma pequena cidade próxima ao deserto de Alebi, ser o principal refúgio da resistência


Conflitos com pequenas cidades e aldeias se tornaram constantes, mas era apenas o que conseguiam. Suas ínfimas tentativas de chamar a atenção da cúpula eram em vão, pois os atlanianos não se atreviam a atacar nenhuma das cinco metrópoles. A resistência era inútil sem Atlas. Eram as vésperas de uma nova década. Klaus, o atual líder atlaniano, esperava em sua casa a chegada de seu espião infiltrado nas raízes da Cúpula. Andava impacientemente por toda a casa. Era uma simples mobília de madeira, cadeiras estavam espalhadas por toda parte. Uma grande mesa em frente a elas ocupava o centro da sala. No lado inferior havia uma única porta de saída e duas janelas em cada lado. Eram todas de uma madeira negra que crescia abundantemente nas florestas de Hasari. A porta foi aberta. Um visitante adentrou a sala. Era um belo rapaz de cabelos loiros e olhos verdes, ele pediu licença, Klaus assentiu e indicou ao jovem uma cadeira para sentar, e assim também o fez. O líder atlaniano o encarou, sorrindo gentilmente.

– Então Lenard, quais notícias o trazem a Hasari?

– As melhores, senhor! – Lenard suspirou e ajeitou-se na cadeira. – Korsack, o secretario do Chanceller, depois de 143 anos sem sair do seu lado, partiu numa viagem em direção a Nedland, uma das cinco metrópoles.

Klaus alegrou-se com a notícia, mas, uma pontada de desconfiança o perturbou.

– E qual a razão? Ele jamais saiu de perto do Chanceller...

Lenard suspirou novamente e disse:

– Pela necessidade de renovar o tratado das metrópoles. Há um novo governador em Nedland.

– E o antigo? – Perguntou sarcasticamente.

– Morto há duas semanas. Pelo mercenário que atende pelo nome de Estrela Vermelha.

Klaus sorriu, seu ego inflou-se de alegria. Pois o sangue do homem também estava em suas mãos

– Contrata-lo custou-me todo o dinheiro que tínhamos, mas... Valeu por cada moeda de ouro gasta. Conseguimos um golpe considerável contra a cúpula. Nedland ficara instável.

Lenard hesitou por segundo antes de perguntar.

–Então atacaremos senhor?...

–Sim... Ter Korsack morto é uma oportunidade que não pode ser perdida!

O rapaz levantou da cadeira e tentou argumentar – Não seria mais proveitoso toma-lo como refém?

– Esta fora de questão! Sua morte será mais eficaz. Mostrará ao mundo inteiro do que os Atlanianos são capazes!

Klaus se levantou. Assimilou uma postura mais séria e ordenou:

– Chame o capitão da guarda, Miles e retorne Lenard, precisa continuar nos mantendo informados...

O jovem fez uma reverência e saiu apressadamente. Estava nervoso. Klaus ficou sem perceber. Era um bom líder, todos eram unanimes quanto a isso, porém, cometia erros muito graves. Um deles sempre foi confiar cegamente em seus aliados. Tal prepotência poderia um dia trazer sua própria ruína. Lenard caminhava assustado pelas ruas de areia branca. Alguns moradores o reconheciam e acenavam, muitos conviveram com ele desde criança. Na época era um órfão perdido. O único sobrevivente. Seus familiares foram todos mortos pelos desconhecidos monstros que habitavam o deserto de Alebi. Conseguira de alguma forma chegar vivo em Hasari. Miles foi quem o encontrou, tratou de suas feridas e o adotou como seu verdadeiro filho.

Chegou próximo de sua antiga casa, uma cabana de madeira transmorfa. Sua coloração era alterada de acordo com o clima, nesse dia estava no tom de um azul suave que representava a chegada de um rigoroso inverno em poucos dias. O telhado começara a ruir. Havia algumas telhas vermelhas espalhadas pelo chão.

– Pai, abra a porta! – Gritou Lenard

Reconhecendo a voz familiar, Miles levantou da cama, andou a porta e a abriu.

– Lennie! Quando voltou? – Disse surpreso.

– Há poucas horas, pai, dê-me um abraço, seu filho retornou! Senti tanto a sua falta!

– Eu rezei para Atlas todos os dias para que voltasse em segurança...

Miles concedeu-lhe um apertado abraço que durou longos segundos. Lenard foi com ele até o antigo quarto que dividiam e foram conversar. Contou ao seu pai tudo o que tinha discutido com Klaus.

– Precisarei ir vê-lo, você me espera aqui? – Perguntou enquanto vestia sua armadura.

– Desculpe, tenho que voltar, pai – Respondeu com uma voz amargurada.

–Entendo então até breve meu filho. – E saiu da casa junto com Lennie.

Após trancarem as portas eles se cumprimentaram e despediram-se. Quando Miles já estava distante, ele sussurrou algo. Um breve pensamento em voz alta.

– Você era o único que eu não queria trair. – Uma pontada de remorso fez doer seu coração.

Andou até ultrapassar os portões sem olhar para trás. Caminhava solitariamente pelos bosques de Hasari quando um homem surgiu da escuridão.

– Fez um bom trabalho – Sua voz era fria como o gelo, seu rosto era inexpressivo e rígido.

– Não precisava ter me vigiado o tempo todo. Dê-me agora, Korsack, aquilo que me prometeu!

Korsack indicou um lugar ao seu lado. Diversas lápides surgiram e flores brotaram acima de todas elas instantaneamente.

– Resolvi dar a eles um lugar especial... – Disse serenamente. Sua expressão gélida se desfez.

– Eu lhe agradeço... – Ajoelhou-se diante dos túmulos, lágrimas vieram aos seus olhos. Seu coração agora se enchia de paz e saudade – Sinto muita falta de todos vocês e peço perdão por não ter tido forças para protegê-los. Nos encontraremos um dia. Pai, mãe, irmãos, eu amo todos vocês!

Korsack caminhou devagar até ele, esperando que não percebesse. Lenard, porém, percebeu suas intenções.

– Vai me matar?...

– Nosso acordo eram os corpos de seus familiares, nada dizia sobre sua vida. Sinto muito, não posso correr o risco.

– Seja rápido... –respondeu indiferente.

Uma adaga se materializou em suas mãos. Puxou sem muita força os cabelos loiros de Lenard. Posicionou a lâmina ao encontro de sua garganta

– Algum último desejo?

– Enterre-me... Perto de minha mãe.

– Será feito... – Prometeu.

Em um gentil movimento, o aço rasgou-lhe a goela, o sangue jorrou e assim sucedeu-se. Diante do túmulo de seus pais o destino não lhe concedeu piedade. Morreu sorrindo com lágrimas ainda recentes em seus olhos esverdeados. Um novo túmulo materializou-se ao lado do maior deles. Korsack carregou seu corpo e o deitou no caixão. O qual se fechou assim que ele se afastou. A terra começou a se abrir e engoliu o caixão até as profundezas. Ao mesmo tempo em que a terra se fechava, flores negras nasceram e uma nova lápide surgiu. Nela, letras de ouro foram gravadas sozinhas.

‘’Aqui jaz Lenard Raik’’

‘’Amado filho bastardo, irmão e tio protetor’’

– Acredito que ficaria muito feliz se soubesse que tem uma sobrinha. Iria gostar de conhecer Allana... Infelizmente ninguém jamais encontrará este lugar. Feche-se – Ordenou.

Toda a área foi distorcida, as plantas, as arvóres, as lápides e todo o resto. Foram todos consumidos por um extenso vazio. A escuridão se condensou e tomou a forma de uma esfera negra. Korsack a segurou entre as mãos e a fez desaparecer. Era conhecido como o homem das ‘’mil dimensões’’. Tinha o poder de cria-las e manipular tudo o que ocorria dentro delas. Pessoa alguma poderia encontrar o corpo de Lenard, a não ser que Korsack permitisse.

–Perdoe-me Hellio... Por matar seu único filho homem, mas foi necessário.

Uma nova esfera surgiu em suas mãos e expandiu. Entrou dentro dela e exclamou:

–Abra-te dimensão em Nedland! – Disse o homem.

A esfera negra reduziu junto com seu criador e desapareceu. A floresta foi novamente distorcida e retornou ao normal em poucos instantes. Sua habilidade era capaz de quebrar diversas leis naturais e físicas. Isso causava as distorções. Klaus poderia ter sentido a energia do fenômeno, porém, estava mais preocupado em reunir homens suficientes para compor o seu exército.

– Quantos poderemos juntar em poucas horas? – Perguntou a Miles.

– Aproximadamente cinco mil, mas, é mesmo necessária tanta pressa? – Tentou argumentar.

– Sim, capitão, não se sabe por quanto tempo ele ficará na cidade.

– Por favor, me escute senhor – Miles suplicou tentando convence-lo – Esperemos duas semanas e poderemos reunir todos os 10 mil homens com quem contamos. E eu poderia ir para Assik e traria Dante para lutar conosco, seriam mais de 500 mil guerreiros. Pense a respeito, é melhor esperarmos.

Klaus refletiu por um momento, mas já tinha tomado sua decisão.

– Não! Esperar certamente vai nos tirar a oportunidade. Reúna o que temos. Partiremos amanhã! E sua ordem final – Sua voz foi ríspida e não deu a menor chance de argumentação.

Miles desviou o olhar e suspirou. Discordava totalmente daquela atitude.

– Farei o que me pede, com sua licença. – Retirou-se da casa de Klaus aborrecido e sem olhar para trás.

A lua brilhava em um céu sem nuvens. Estava levemente avermelhada. Isso dava a cor púrpura do céu um tom mais rubro. Era uma ocasião que só acontecia no fim de um ciclo, que equivalia a dois anos. Era conhecida como noite sangrenta. Sua aparição, dizia-se, trazia péssimos presságios. Era a própria natureza tentando dar seu aviso. Aqueles que o ignoravam pagariam com sangue.

Klaus observava a lua. Estava em seu ponto máximo de vermelhidão. Era madrugada e o início de uma noite que iria durar 80 horas. Nenhum dos seguidores de Atlas veria o sol por mais de três dias. O fenômeno somente ocorria nas cidades próximas a Alebi devido ao alinhamento dos três sois que aqueciam o planeta com a lua. Ou seja, na metade do continente sul de Rayon iniciara o eclipse sem fim.

Em 4 horas, Miles já tinha os cinco mil que prometeu. Klaus foi avisado e se encaminhou aos portões de Hasari. Seus cabelos castanhos estavam arrumados em uma trança que caia em suas cortas. Fazia uma boa combinação com sua barba delineada e espessa. Trajava uma armadura de couro com ornamentos de prata nos braços. Neles estavam cravejadas belíssimas safiras azuis. Estas serviam para amplificar a força e a velocidade de seu usuário. Foi um dos presentes de Atlas aos seguidores que o acompanharam e sobreviveram ao massacre de Silphid. Provocado pelo próprio Atlas. O atual comandante estava presente nesse dia, e ganhou a safira mais preciosa. Naquela época ocupava o lugar que agora pertencia a Miles, era o segundo em comando. E também ganhou outro presente. A espada dourada que estava em suas costas, a qual diziam as lendas ter sido banhada no sangue de um dragão. Tinha pertencido ao falecido rei Hellio Raik de Silphid. Klaus tinha conhecimento disso, mas nunca teve a devida coragem de perguntar a Atlas como tinha a obtido.

Finalmente chegou aos portões. Um sorridente Miles o esperava, parecia não estar mais tão chateado. Estava com uma armadura simples de couro marrom. Uma couraça azul prendia seu longo cabelo liso e negro. Em suas costas estava presa uma bainha com uma espada de porte médio em seu interior. Na cintura estava preso um cinto de pano negro prendendo uma adaga em seu corpo. Ele encarou com respeito seu comandante, fez uma reverência e lhe deu boas vindas.

– Aqui esta seu poderoso exercito – O sarcasmo ficou explícito em sua voz.

O comandante observou a todos. Alguns acenavam, outros gritavam algum gracejo. Era a maioria nitidamente muito jovem para estar em uma guerra. Isso o desagradou.

– São jovens demais... — Exclamou desapontado.

– É o que temos. Irá andar para trás agora, senhor? – Perguntou ironicamente.

– Não... Agora e tarde. – Posicionou-se a frente do capitão e pediu atenção. Em alguns minutos todos se calaram.

– Obrigado. Sei que para muitos parece uma missão suicida. E eu garanto que ninguém aqui será obrigado a ir! Não pedirei que arrisquem suas vidas. Mas quero que se lembrem que nada disso é por mim! – Ele deu uma pausa e gritou: — POR ATLAS!

– POR ATLAS! – Gritaram todos.

– Pelos seus pais! Seus filhos! E todos aqueles que amamos, juntem-se a mim e traremos a vitória! – Bradou orgulhosamente.

– E a cabeça de Korsack! – Miles berrou.

– KORSACK! – Gritaram os soldados e brandiram suas espadas para o alto.

Seus gritos ecoaram por quilômetros e a marcha dos 5 mil iniciou. Seus corações estavam sedentos pela glória. De corpo e alma estavam preparados para a guerra. Fariam Nedland tremer com seu próprio espetáculo de sangue e dor.

Notas finais
em poucos dias eu posto a segunda parte ^^´