Rayon

3 Blood Night II - Nedland


Notas iniciais
Climax do primeiro arco =)

\"\" Blood Night II – Nedland

- Devemos avançar? – Perguntou um dos soldados do batalhão principal.

- Esperaremos o ponto máximo da lua, e que Atlas nos proteja – Respondeu o comandante.

Suas mãos tremiam. Suava descontroladamente. Era um homem de muitas batalhas, mas nunca tinha invadido uma das metrópoles. Sua inexperiência era evidente, e ela foi o desencadear do resultado daquela noite.

A lua vermelha crescia no céu. Sua intensa luz rubra foi o sinal silencioso para o exército avançar.

- Tenho 5 mil homens em meu comando, nenhum mal me acontecera – Pensou o comandante, buscando se tranquilizar — Mataremos Korsack e fugiremos. Não precisamos provar nada a ninguém. Cumprir a missão é a prioridade.

- Senhor? Senhor? – Chamou o capitão dos guardas – Os soldados de Nedland já não deviam ter nos notado?

- E verdade. – Concordou Klaus – Cercamos as muralhas. Normalmente já estaríamos sobre ataque antes mesmo de nos aproximarmos da cidade... – Afirmou pensativo.

Nedland era uma cidade conhecida por seu enorme poder militar. Fazia parte das grandes metrópoles de Rayon. Era cercado por vales, um riacho raso cortava as entradas. Era a fonte de abastecimento dos moradores. Na entrada principal estava um grande portal de ferro escarlate que se destacava em sua gigantesca muralha de marfim. Tais muralhas eram a maior preocupação do comandante Klaus. Porém, os portões estavam abertos, era como se estivessem os convidando a entrar com uma facilidade que parecia até amigável. Com os portões inferiores da grande muralha circular não foi diferente, a cidade estava suspeitamente vulnerável.

- Tolos confiantes, deixaram os portões abertos por que Korsack esta aqui!- Gritou Klaus para os soldados – Devem estar se sentindo seguros com sua presença. Isso explica nossa facilidade de entrar – Em concordância, os soldados o seguiram e atravessaram o portão.

O exercito foi dividido em três. As duas partes invadiram pelas áreas inferiores da muralha enquanto a terceira esperava o sinal de que era seguro avançar. Klaus ficou para aguardar e pôs-se a observar a estrutura da cidade e ficou impressionado com a grandiosidade de Nedland.

Eram todas grandes casas, construídas da mais fina e rara madeira branca. Estranhamente os telhados também eram brancos, as construções eram ausentes de qualquer existência de cores que não fosse o branco. Nos pontos mais afastados havia torres imensas, eram muito altas, o suficiente para chegar até a altura das nuvens, as sombras se projetavam fazendo uma espécie de símbolo no meio da cidade. As ruas eram o único contraste, eram todas asfaltadas com safiras negras. Era um ambiente de luz e trevas. Klaus sentiu um completo desconforto ao perceber o quanto a cidade era incomum e ao sentir uma aura completamente hostil pairando pela cidade que até o momento estava completamente deserta.

- Homens, avancem! – Ordenou o comandante.

- Mas e o sinal, senhor? – Questionou o capitão dos guardas.

- Esqueça o sinal, Miles tem algo errado com esse lugar! Você sente?

Nervoso e sentindo o mesmo desconforto, Miles afirmou:

- Todos estão sentindo, senhor – Respondeu sem animo em sua voz.

A terceira parte avançava rapidamente pela rua principal que dividia os extremos da cidade, Klaus e Miles guiavam os homens, tentando quebrar o gelo que a tensão causou em todos, o comandante tentou novamente retomar a conversa.

- Miles, diga-me, Nedland sempre foi assim? Um lugar tão sem vida? – Havia certo medo em sua voz.

- Eu fiz parte da guarda pessoal do antigo governador antes de vir para Hasari. Apesar de fazer um bom tempo, não me sinto nostálgico, pois me parece que jamais estive nesse lugar, não me lembra em nada a Nedland onde nasci e vivi toda a minha infância – Lembranças dolorosas vieram a sua mente enquanto falava, expressava explicitamente a dor em sua face. Klaus ficou sem saber oque dizer a ele.

- Até mesmo um homem como você sente medo – Disse o comandante para si mesmo.

Escutaram passos. Era o resto do exercito vindo das áreas inferiores. Eles se reuniram e continuaram a avançar e a procurar por toda a cidade. E até aquele momento nenhum morador ou soldado foi visto. Seriam o exército de Atlas as únicas pessoas naquela cidade?

Chegaram a uma capela. Diferente de todos os edifícios já vistos, suas paredes eram de uma intensa cor rubra. Tinha uma estrutura quase tão alta quanto às torres. Algo naquele lugar chamou a atenção dos homens. Estavam os cinco a olhar na direção daquele lugar onde em seu centro estava ostentado o símbolo da assembleia planetária, uma grande árvore. Em suas raízes havia infinitas diversidades de cores representando todas as nações. Eram as fortes raízes que sustentavam a mais poderosa arvore que representava o poder e o orgulho da cúpula mundial.

- Homens! Destruiremos esse símbolo vergonhoso! Korsack nos sabemos que está ai dentro, em algum lugar! Saia agora! – O comandante gritava. Sua voz ecoou pela cidade abandonada sem obter resposta.

Uma janela no andar superior da capela se abriu lentamente. Um homem de cabelos negros estava sentado de frente a ela. Seus olhos eram intensamente azuis como um lago profundo. Usava uma rica vestimenta negra com detalhes vermelhos. A sua frente havia um quadro retratando uma figura masculina.

Todos os cinco mil se direcionaram a ele.

- Vamos lá! Cortem sua garganta! – Gritou um dos soldados.

Klaus teve uma péssima sensação, algo estava errado para ele.

- Ele esta sozinho... Será loucura? Ou existe algo por trás de tudo disso?

O capitão dos guardas tomou a frente e disse:

- Korsack, desça agora. E o fim. Nós o pegamos! – Exaltou com autoridade.

Muitos já gritavam e até comemoravam. Tinham a sensação de terem obtido uma vitória fácil. Era só mata-lo e todos voltariam felizes para casa.

Mas Korsack os ignorava. Seus lábios se abriram e sussurraram uma única palavra.

- Morte...

Ergueu uma das mãos. Nela segurava um pincel. Pintou com tinta vermelha a garganta do homem do quadro e murmurou:

- Mil homens...

O capitão dos guardas gemeu. Algo viscoso começou a sair de sua garganta. Limpou com uma das mãos e gritou. Uma grande abertura tinha surgido em sua goela. Afogou-se no próprio sangue. O mesmo aconteceu a outros soldados. Homens tombavam por toda a parte com as goelas cortadas.

- Quem? Alguém está nós matando, encontrem-no! – Gritou em desespero o comandante Klaus.

Mas os soldados estavam perturbados demais para obedece-lo. E novamente o pincel de Korsack se moveu.

- Morte...

- Quatro mil...

Os braços e as pernas do homem do quadro foram preenchidos com a tinta vermelha. Klaus batia desesperadamente nos portões da capela. Um esforço que se mostrou inútil. Então ele virou e viu seus homens, reduzidos a sangue e ossos, espalhados por toda parte. Quatro mil pessoas gritavam e agonizavam vendo seus braços e pernas serem dilacerados de seus corpos sem nenhuma explicação. Estavam todos inutilizados. Muitos começaram a morrer pela hemorragia. Os que ainda viviam arrastavam o que sobrou de seus corpos até a capela. Eram tantos que Klaus não sabia como agir. Era o único de pé naquele mar de mortos.

As vozes de dor e agonia foram diminuindo com o passar dos minutos e foram desaparecendo até cessarem completamente. O capitão Miles era o único a se mover. Sua perda tinha sido somente a garganta. Cortada tão profundamente que já nem podia mais falar. Klaus correu até ele e o segurou em seus braços

- Miles... Eu lhe peço, Por favor, continue vivo, não me deixe aqui sozinho! – Implorou o comandante.

Em seu rosto abatido escorreram lágrimas. Olhou atentamente para o céu e depois para Klaus.

Murmurou sem emitir um único som:

- Perdoe-me... – Fechou os olhos e no mesmo instante a vida o abandonou. Jazia morto nos braços de Klaus.

A cidade começou a sugar o sangue. Todos os prédios brancos ficaram vermelhos. Klaus observava tudo sem conseguir entender.

- Mas o que é tudo isso? Por quê? O que esta acontecendo?!

Os portões da capela se abriram.

Notas finais
Conclusão desse arco no proximo capitulo ^^´
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.