Raposa Mafiosa

1 Capítulo I - A Família


Notas iniciais
Dividi em partes para facilitar a leitura, ok?

“A Terra. Um lugar assolado pelo caos. Destruição, fome, desigualdade e guerra são apenas pequenos temperos do que acontece com esse pobre e sofrido planeta. A maioria dos seres humanos está escondida, debaixo da terra – como animais — com medo e passando fome.”

“ Na superfície moram os Genomianos. Seres deformados ou não, muitos com poderes sobre-humanos adquiridos devido ao excesso de radiação jogada na atmosfera por causa das guerras nucleares e degradação ambiental ocorridas no planeta.”

“Na verdade, são todos humanos. Não importa a raça, o credo, o país, a informação genética... São todos seres humanos que continuam brigando e destruindo o planeta. E pra completar, algo de dimensões inimagináveis está acontecendo lá fora. Alienígenas estão aqui. Não sei suas intenções, seus propósitos ou como se parecem. Meu único objetivo e responsabilidade é cuidar da Família.”

Capítulo I – A Família.

- Ei, Nini! – aparece à porta de um quarto uma garota de cabelos negros e curtos.

- Bon Journo, Chi.… — diz outra garota que estava deitada na cama, com um braço protegendo o rosto da claridade que adentrava a janela pequena. Ela tinha a voz baixa e sonolenta.

- Já falei pra não me chamar assim... — reclama a amiga de cabelo curto que sentava-se na beira da cama.- então... A noite com o Capitão da World foi agitada, hein?

- Cala a boca... – resmunga “Nini” jogando o travesseiro no rosto de “Chi” e vira-se, encolhida, para o lado da parede.

- Tudo bem... Você pediu! – afirma “Chi” – vou ficar aqui até você resolver se levantar... – “Nini” levanta a cabeça e lança um olhar fulminante para a amiga – Sim, sua irmã tá fazendo um escarcéu querendo lhe ver, seu irmão continua sem dar sinal de vida, a Família tá maluca com o seu envolvimento com o alemão da WP... Já viu, né? E hoje ainda você tem aqueles chinas pra acertar um negócio...

- Porcaria... – ela fica sentada olhando para o teto com os cinzentos olhos avermelhados de sono – na época do meu pai essas coisas não aconteciam...

- Na época do seu pai, — começa “Chi” abaixando o rosto de “Nini” – não havia esses problemas porque ele estava vivo. – “Nini” comprime os lábios numa expressão que mistura raiva e tristeza. – E por causa da morte dele, esses problemas surgiram.

- Eu sei, Chiyeko... – diz “Nini” num tom baixo e triste – mas é que eu não sei por que Marcello desapareceu tão repentinamente e ainda tem a Teresa e... Num dá pra você falar com os chineses pra mim???? – pergunta ela com uma voz quase suplicante.

- Ei, ei, ei! Eu sou japa, não china... Japas e chinas têm uma rivalidade milenar, se você não sabe...

- Tá bem, tá bem... E você também não gosta de servir de negociadora, certo?

- Certa você está! – diz Chiyeko com um sorriso, tocando com o indicador a ponta do nariz da amiga. – agora dê um jeito nessa cara de sono porque temos que ir pra Xang Hai ainda hoje, enquanto isso eu preparo o café pra você! – diz com um grande sorriso enquanto sai do quarto.

“Nini” ficou olhando com uma expressão de incredulidade para a amiga enquanto esta se retirava do quarto. A comida de Chiyeko era terrível e ter de parecer apresentável hoje parecia impossível. Aliás, para a “herdeira” do famoso Raposa, ultimamente todos os dias têm sido muito difíceis de manter as aparências. Ainda mais parecer forte.

Ajuda-me, papa... Está sendo muito difícil sem o senhor aqui. Ajuda-me cuidar da Família, papa!

***

- A Família perdeu o Raposa, Capitão! – diz um soldado batendo continência. Havia as siglas WP no seu uniforme.

- Perfeito! Agora... Diga algo que eu não sei, Layer! – diz o capitão irritado com a notícia velha – Katarina!!!

- Sim, senhor capitão? – entra uma moça de longos cabelos loiros com um sorriso alegre na face.

- Cadê os relatórios sobre a Família???

- Ué? Aconteceu alguma coisa com os seus pais, capitão? – pergunta ela inocentemente.

- Não a MINHA família, novata... Eu to falando da Família! A organização terrorista que tem agido traficando drogas, água, alimento, armas e que se auto-intitula, “A Família”!!!

- Ah! Os Mafiosos!

- ELES NÃO SÃO MAFIOSOS! – vocifera o capitão.

- Tá bem, não grite... – diz ela com uma voz chateada por causa do grito do chefe.- Aqui, pegue... – entrega os relatórios. – Por que você fica tão brabo por eles serem conhecidos como mafiosos?

- Por quê? Bem por que é isso que eles querem que pensem. Querem amedrontar as pessoas com a idéia de que os mafiosos do século XX voltaram! Mais poderosos e com mais recursos que antigamente. Por isso eu digo que na verdade, eles são “apenas” terroristas. Essa organização só quer amedrontar a população genomiana.

- Você soou como se fosse um genomiano, agora...

- Bem eu defendo a Terra. E a maioria da população atualmente É genomiana!

- Eu acho que é porque a gente não vê tantos humanos como nós andando por aí em muitas cidades da superfície.

- Do que você está falando? Você é mestiça!

- E daí? Como se fosse um grande poder apagar lâmpadas piscando o olho! Chega até a ser meio incômodo isso...

- Ei, não fique toda complexada por causa disso! Além do mais você já controla o seu poder bem... –consola o capitão.

- Isso não chega a ser um poder... – diz Katarina desanimada.

- Talvez seja somente uma questão de tempo pra você aumentar o seu poder... – responde o capitão aproximando-se dela. – Agora, vê se me entrega um relatório sem coraçõezinhos nos pingos dos “is”!!!

O dia no “Quartel General” da World Police (Polícia Mundial) estava cheio de trabalho e o Capitão e sua assistente estão exaustos com tanta burocracia. A WP é uma organização acima de qualquer exército, que tem como tarefa manter a paz entre os países e, principalmente, entre genomianos e humanos. Também é trabalho desta organização, prender procurados internacionais, tratar de questões de território e levar água e alimento aos humanos do subterrâneo.

***

- Ow... Já te falei pra ficar tranqüila, não falei Tetê?

- Mas Antonieta!!! Você sabe que eu fico preocupada com essas coisas... O papai sempre me manteve longe dos negócios dele! Eu era a única que não se envolvia! Agora o Marcello some e você fica tomando conta de tudo sozinha!!! Não acho justo! E também, é perigoso... Ainda mais quando se vê nas noticias essa nova máfia ou sei lá como eles chamam... – dispara Teresa como uma metralhadora em fúria pra cima da irmã.

- Acalme-se! – interrompe Antonieta – isso é só comércio, tá legal? Nada muito difícil... Você só tem 15 anos, devia estar estudando! Aliás... Hoje é dia de colégio, o que você tá fazendo aqui, hein??

- Olha quem fala! Você tem 17!!!

- Quase 18... E eu escolhi assim! Você tem mil planos e não escolhe nenhum! E por que você não tá na aula???

- Oi Povoooo! Café da manhã!!! – entra Chiyeko escancarando a porta do quarto com uma bandeja de café da manhã – vai querer também, projeto de gente?

- Projeto de gente??? Quem você pensa que é sua.. Sua... Programadora inútil! O que você faz nessa nave afinal das contas???

- Eu?? – pergunta teatralmente enquanto coloca a bandeja no colo de Antonieta que olha com medo para a comida – eu fico conversando na internet o dia inteiro! Hahahahaha!!! AH! Temos tempo antes de chegar a Xangai... Quer passar em algum lugar antes Nini?

- Vamos passar em casa... Uma certa pessoa tá atrasada pra aula... – e olha malignamente para a irmã mais nova.

- Mas eu posso faltar um dia e também... – começa Teresa tentando arranjar uma desculpa pra ficar na nave da irmã e bisbilhotar.

- Certo Chefa! Home sweet home, boys!!! – sai gritando para os pilotos.

Com o susto da arrancada, metade do café da manhã é derramado no colo de Antonieta que não sabe se fica com raiva pela sujeira ou feliz por não ter de comer aquela gororoba. Enquanto não decide, sua irmã mais nova – que já tinha saído do quarto muito irritada com a irmã e com “aquela japonesa inútil” – resolve dar uma explorada na nave; afinal ela passa bastante tempo sem entrar naquela depois de ser despejada em casa!

Andando pelos últimos níveis – até então desconhecidos – Teresa vê uma porta semi-aberta de onde uma luz de o que parecia ser uma televisão ligada. Ela espia pela abertura e vê uma tela razoavelmente grande e outras de tamanho médio ligadas. Eram monitores de um computador cuja cpu era incrivelmente grande! A cadeira estava vazia, será que tinha alguém naquela sala? Decidindo ir em frente – qualquer coisa ela diria que tinha se perdido – abriu a porta do quarto.

Em outro lugar da nave...

BIP!

- Meu sensor... O que a pestinha ta fazendo no meu quarto?

Sentando-se na cadeira que rodopiava, a irmã mais nova de Antonieta não sabia para onde olhar naquele quarto cheio de aparelhos. Havia computadores, monitores, vídeo games, aparelhos de som e até uma guitarra! Era o sonho de qualquer apaixonado por eletrônicos. Ela notou também que as paredes eram à prova de som, assim quem quer que toque aquela guitarra poderia fazê-lo a qualquer volume. Aproximando-se mais do monitor maior, ela vê muitas janelas de conversa abertas.

- MSN? Que isso...? – pensa consigo mesma, até que uma das janelas de conversa pula pra frente das outras com uma pergunta e a figura de uma garota de cabelos cor-de-rosa com uma expressão de desconfiança surge diante da menina.

- Quem é você??? Ô.o

- Eu sou a Teresa. – escreve em resposta pensando: “como ela sabia que eu estava aqui?”; a seguir, nota que havia uma câmera alojada num dos vários monitores.

A garota da webcam parece ficar em dúvida sobre alguma coisa. Ela parecia ter uns 13 ou 12 anos, segurava o queixo e seu indicador pressionava o lábio. Teresa sentiu que iria ser denunciada mesmo que não fosse pega pelo dono do quarto, então resolveu escrever uma desculpa:

- Me pediram para pegar uma coisa aqui, mas eu não acho...

- Quem te pediu? – escreveu a outra em resposta.

- Ahn... Não sei se posso contar. Não sei quem é você! – retrucou.

- Eu sou apenas Mi. E garanto... A Double H, não deixaria ninguém entrar no quarto dela, a não ser uma pessoa...

- Quem?

- Se não sabe, então não é você... – escreve. Na tela podia ver que ela tinha um sorriso sarcástico e ainda assim infantil.

A porta se abre violentamente! Uma luz ofuscante invade o cômodo. Teresa se assusta e cobre os olhos, não consegue reagir por estar atordoada. Uma figura não muito alta aparece à porta. Seu rosto não pode ser visto, carrega o que parecia ser uma espada japonesa.

- Saia rápido... Enquanto pode... – diz a voz feminina vinda do vulto, seu tom era seco e um pouco abafado. Devia estar usando uma máscara ou algo do gênero.

***

Notas finais
Comentários da autora:

Bem, antes de mais tudo espero que essa história eu termine! XD

Segundo, eu num pus comentários estilo Takaya-sensei porque nessa história eu achei que não ia ficar muito bom, pelo menos numa primeira leitura – e também porque não tem opção de letras coloridas...

Que mais? Ah sim! Eu ia continuar mais um pouco (talvez o capítulo ficasse com umas sete páginas e meia), mas como essa última fala da Antonieta ficou muito, mas MUITO fodástica, eu resolvi parar por aí. XD

E antes que me perguntem: sim! Eu amo personagem ruivo com cabelo cumprido!!! E sim! O estilo é sempre baseado no Kenshin! XD Já personalidade nem sempre...

Espero que tenham gostado, e espero que gostem dos personagens, vou tentar desenvolve-los o máximo que puder!
Até o próximo capítulo!

Bai bai Kissu! And may the Force be with you!
(eu sou nerd demais pra não pôr isso!).

Mila Margarina