Raposa Mafiosa
2 Capítulo I - A Família (parte II)
Notas iniciais
Dividi para facilitar a leitura e animar o pessoal a ler! XD
- Alô? Schneider? Klinsmann falando. Já souberam de alguma notícia sobre a Família?
- Não senhor, nenhuma informação nos foi passada desde a morte do Raposa.
- Vocês conseguem localizar uma nave?
- Somente se houver um registro da mesma.
- Duvido que haja algum pra esta que eu procuro... há outra maneira?
- Bem... Qualquer eletrônico registrado e que esteja ligado ao sistema central de comando da nave pode ser localizado pelo nosso sistema, Capitão Klinsmann. – informa o comandado.
- Mesmo? Se minhas suspeitas estiverem certas, acho que na nave que procuro estão os computadores roubados ontem à noite da Miyamoto Eletronics Inc. Estou mandando os registros agora. Acredito que estão em movimento no momento. Localizem-nos o mais rápido possível e me informem.
- Entendido Capitão! Vou acionar as equipes de busca. – responde o subordinado desligando.
Absorto em seus pensamentos, o Capitão Klinsmann se lembra da noite anterior. Quem era aquela mulher? Aliás, aquela garota! Mulher... Era apenas uma menina de 17 anos. Cujo corpo parecia mais de 17... Mas isso também não importava! O que importava era o que ela fazia naquele lugar?
A noite anterior foi a primeira tentativa da WP de subjugar os tão falados mafiosos depois da morte de seu chefe – o famigerado Raposa – porém, a operação fracassou devido a intervenção de uma civil que correu no meio do tiroteio para pegar algo que caíra no chão.
***
Acariciando o anel que o pai havia lhe dado – era o mesmo que sua mãe tinha usado enquanto noiva –, Antonieta espera ansiosamente pela negociação com os chineses que iriam pagar uma quantia realmente grande pela mercadoria. A China tinha diminuído drasticamente seu número de habitantes devido às guerras. Na verdade toda a Terra se encontrava nessa situação. Mas apesar dificuldades, uma das tríades chinesas conseguiu grana o suficiente para comprar alimento, água e sementes. As sementes continuavam tendo sua função natural de gerar vida vegetal, porém eram modificadas geneticamente para assim obter-se um crescimento mais rápido. O único problema é que as plantas tinham um tempo de vida menor também.
Tinha que colocar o paletó do terno. A nave parou. Resolveu descer pra cabine e assim certificar-se de que a irmã caçula iria realmente pra aula, quando...
- Irmãaaaaaaaaaa!!!! – vem gritando pelos corredores Teresa com um olhar apavorado – tem... Vai me... Matar... Socorro! – diz perdendo o fôlego quando chega perto da irmã.
- O que aconteceu Teresa? – pergunta sem hesitar.
- Tem alguém me perseguindo. – olha pra trás e fica surpresa ao ver que não há ninguém no encalço dela.
- Não tem ninguém te perseguindo... – afirma Antonieta, mais calma – pegue suas tralhas que chegamos na sua escola.
A nave havia parado exatamente na frente da escola de Teresa – atrapalhando os demais transeuntes – que ficava no subúrbio de uma cidade subterrânea fundada sob os escombros do metrô italiano. Basicamente todas as cidades subterrâneas eram assim. Teresa desceu, ainda que desconcertada pelo ocorrido.
A garota que tinha entrado no quarto dos computadores, logo após ameaçá-la, quase a matara. Ela era tão rápida que ficou atrás de Teresa e a mesma nem tinha conseguido assimilar suas palavras. Só ouviu o sussurro: “corre...” e obedeceu, mais por medo do que qualquer outro pensamento pudesse mandar antes.
Teresa pegou sua mochila e desembarcou. Tinha sido ameaçada de morte e ainda a irmã “estaciona” no meio da rua — e da calçada também!
***
- Trabalho feito... É hora de MOFAR!
- Michael... Você me dá medo às vezes... – diz Katarina com um olhar de pavor, afastando a cadeira.
- Que foi? – pergunta, sem ganhar uma resposta – Então ta... Tô indo pra casa! Tchau pra você que fica! – e sai pegando o casaco.
- Ele realmente me dá medo... – resmunga Katarina, continuando a digitar.
Michaël era muito responsável quando o assunto era trabalho. Mas quando terminava o serviço parecia que se transformava. Era piadista o tempo todo. Porém, fora do trabalho, ele se soltava completamente. Desde que entrou para a WP como Capitã-assistente – há um ano – Katarina nota que seu chefe muda bastante de humor e ao mesmo tempo não muda. Era complicado pensar assim, contudo era sua única definição. Ele podia estar bem ou triste que não falava, por mais que precisasse. Às vezes demonstrava impaciência quando o trabalho não estava bem feito, mas na verdade ela sabia que estava realmente bravo. Só não sabe dizer o quão bravo ele pode ficar. Enfim, não sabia dizer como sabia o que seu capitão sentia, só sabia quando ele estava bem e quando não.
- Katarina, vai ficar aí até tarde? – pergunta Layer, o subcomandante.
- Sim, essa papelada vai demorar... – diz ela com um sorriso disfarçando o cansaço.
- Não exija tanto de você mesma... Se estiver cansada, vá descansar. O Capitão vai entender.
- Não se preocupe, eu sei o meu limite... – responde um pouco impaciente.
- Mas você não precisa ir até o seu limite... – devolve em tom de preocupação.
- ...
- Bem, eu estou saindo. Parece que semana que vem esse trabalho burocrático acaba e nós vamos à ação! – comenta animado – Tchau Kat, se cuida!
- Quem te deu liberdade pra me cham... – começa, mas o oficial já havia saído – Kat... – resmunga.
Sua animação não era tanto quanto a do colega. Katarina só se metia em encrencas nas missões de rua. Além do mais, por que Layer estava se preocupando tanto? Ah! Quem se importa... Precisava terminar aquilo logo, ou então quem vai ficar sem dormir vai ser o chefe.
- Você se preocupa demais com ele, Katarina... – pensa Layer observando-a do lado de fora.
***
- Sabia que só podia ter sido você! – ri Antonieta.
- E tem alguém melhor que eu pra fazer isso nessa nave? – pergunta Chiyeko – hahahah, você tinha que ter visto o susto dela...
- Eu vi quando ela chegou a mim apavorada!
- Hahahah... Essa é a prova de que meu sensor funciona! Acho que a sua irmã vai demorar um bom tempo antes de fuçar nesta nave de novo!
- Ponha este sensor em todos ou cômodos! Por que é capaz da Tetê sair procurando a “ninja assassina” que a perseguiu furiosamente! Hahahahahaha!
- Mas... – retoma o fôlego após rir muito – você ainda num me falou sobre o alemão!
- E tem alguma coisa pra falar? O cara nem desconfiou que eu tava com vocês... Ou melhor, que eu to no comando dessa birosca toda!
- Também! Com essa cara de criança, queria o que?
- Pois é... Ele queria por que queria me levar em casa, que merda! Mas ainda bem que eu o convenci e vocês conseguiram me buscar.
- O que não foi fácil, diga-se de passagem, porque a maldita WP deletou da rede pública todas as casinhas onde o “cachorro morde”, ou seja, fodeu pra nós!
- Num tem jeito de você conseguir isso?
- Bem, eu consigo invadir o sistema da WP na boa, mas duvido que isso esteja lá porque eles sacaram que a gente consegue fazer isso! Era uma boa achar o código de segurança de um desses oficiais de nível um pouco mais baixo que esses já devem ter acesso a essas coisas!
- OK... Amanhã a gente seqüestra alguém então...
- Beleza, depois do escambo com os china eu vou procurar info sobre o oficiais mais tapados da WP!
A nave chega aos subterrâneos de Xangai. Vários seguranças da tríade aguardam a chegada do sucessor do Raposa. Antonieta ajeita a gravata, pega a caixa do seu antigo violino, a mala, põe os óculos escuros – uma das invenções de Chiyeko, mas que não entendera direito qual a função – e manda abrir a porta.
- Você vem comigo? –pergunta para a amiga nipônica.
- Claro, alguém tem que fazer o trabalho sujo de ser uma assassina fria e cruel. – responde ajeitando os óculos estilo John Lennon e colocando a katana no cinto.
- Precisam de mais alguém? – pergunta um rapaz ruivo de cabelo preso e bem arrumado.
- Hoje não, Charles. Acho que basta você ficar de olho fora da casa. – responde Antonieta.
- Pode deixar.
Os três descem e são acompanhados pelos seguranças até um beco sem saída. Pelo menos é o que parece. Charles pára e fica de pé, encostado na parece do fundo. Antonieta e Chiyeko passam através da parede – que na verdade é um holograma – revelando uma escada.
Elas sobem, passam por uma porta e se vêem numa sala. Um chinês, muito bem arrumado está sentado atrás de uma mesa com uma mala prateada em cima dela. Outro homem – também chinês – se encontra em pé ao lado dele. E um terceiro está no canto do quarto encostado na parede fumando um cigarro perto da janela, ele deixa aparecer por baixo do casaco uma arma de cano longo.
Antonieta coloca a sua mala na mesa e senta-se à frente do primeiro homem. Chiyeko por sua vez se posta ao lado da chefe, abrindo um pouco o kimono – ela vestia uma regata preta justa, porém não colada, uma calça jeans e um kimono azul aberto – revelando a espada japonesa embainhada.
- O que temos aqui, srta...?
- Raposa... Pode me chamar de Raposa. – diz tirando os óculos.
Notas finais
Reviews são bem vindas e mostram retorno à escritora.
além de me fazerem feliz!
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