Ao chegar em Hogwarts, já percebi que ali era realmente diferente de Castelobruxo. O castelo era feito em pedra, bem bonito, grande e majestoso, as luzes davam um “que” a mais no meio da noite. Ao descer da carruagem, uma mulher gorda me esperava. Ela tinha um sorriso um tanto gentil, mas não parecia lá muito alegre.

— Finalmente te achei, Srta. Castellyn – disse, indo ao meu encontro quando desci da carruagem com Alice. – Srta. Longbottom – deu um leve aceno para a garota.

— Profa. Mitchell – cumprimentou Alice em troca.

— Srta. Longbottom, pode ir para o Salão Principal com seus colegas – ordenou, depois virou-se para mim. – Srta. Castellyn, os Monitores-Chefes e a Diretora McGonagall a esperam na Sala da Diretora.

Odiava sala dos diretores. Deveria ser pelo fato que sempre que entrava em uma levava uma bronca acompanhada de uma detenção bem ruim... a parte boa era que havia acabado de chegar em Hogwarts e ainda não havia feito nada de errado, o que levava a ter certeza que não levaria uma detenção.

Pelo menos eu acreditava nisso.

Alice se despediu de mim e foi correndo para o castelo enquanto eu acompanhava a Profa. Mitchell. Entrando no castelo de Hogwarts, percebi que por dentro era ainda mais bonito. Era iluminado por tochas, em suas paredes tinham vários e vários quadros, os corredores eram bonitos e tudo parecia bem convidativo. Eu deveria ter lido sobre o castelo, pensei depois, mas na realidade apenas quando eu havia chegado ali que Hogwarts realmente havia me deixado encantada.

Mas ainda preferia Castelobruxo.

Chegamos em uma gárgula. Paramos em sua frente e a Profa. Mitchell disse “torta de abóbora” e, por fim, a gárgula começou a subir e mostrar uma escada em espiral. A Profa. Mitchell me chamou para subir com ela e fui, sem medo. Quando chegamos no topo, passamos por uma pequena sala de espera e afrente estava uma porta aberta; dentro da sala havia alguns professores, assim como quatro alunos de cerca de dezessete anos. Uma parecia-se muito com Dominique, ainda que eu ache pessoalmente Dominique mais bonita. A garota loura usava roupas azuis e pretas com o símbolo da Corvinal.

Havia um garoto alto, com cabelos negros, olhos castanhos e uma face fria e calculista. Ele usava roupas verdes e negras, com o símbolo da Sonserina.

Outro garoto tinha cabelos castanhos escuros, olhos de mesma cor, um pouco menor que o sonserino, com um sorriso gentil no rosto. Ele usava roupas vermelhas e negras, com o símbolo da Grifinória.

A outra era uma garota, pequena, com olhos gentis, cabelos negros, olhos de mesma cor e uma face adorável. Ela usava roupas amarelas e negras com o símbolo da Lufa-Lufa.

Uma das professoras tinha os cabelos brancos e espetados, um pouco de rugas e usava roupas negras. O outro professor era bem pequeno, provavelmente um meio-duende. Era bem velho. O outro professor vestia-se de verde escuro e preto, tinha uma cara um pouco mal-humorada e superior. Esses eram os professores.

Todos me encaravam. Como eu odiava ser o centro das atenções... mas sendo uma delinquente juvenil metamorfomaga, eu simplesmente era o centro das atenções mais vezes do que queria (levando em consideração que não queria nenhuma).

— Ramona Castellyn – uma mulher enrugada que deveria ser a diretora me chamou. Eu segui até ela, ela segurava um chapéu velho e feio. – Pode se sentar.

Eu me sentei em uma das cadeiras em frente a sua mesa. Ela colocou suavemente o chapéu em minha cabeça, tirando o que estava antes, e consegui ouvir uma vozinha em minha cabeça...

“Hm... vejo muitas coisas, é uma mente bem interessante e turbulenta. Espera mesmo fazer tudo isso em Hogwarts? É um novo tipo de ambição, eu diria. Também vejo coragem e uma facilidade enorme de aprendizado... isso será difícil. Onde eu poderia coloca-la? Acho que já sei, será um lugar que poderá desenvolver bem todas as suas qualidades”.

— Lufa-Lufa! – Minhas roupas se transformaram nas cores da Lufa-Lufa.

Quando terminou de dizer, os demais deram aplausos, mas nenhum deles foi mais caloroso que a morena com roupas pretas e amarelas. Quando a Diretora McGonagall tirou o chapéu de minha cabeça e colocou o meu, a garota voou nos meus braços e deu um abraço bem caloroso, deixando meu chapéu cair. Eu retribui, afinal, abraços são bons. Ela se afastou, sorrindo, pegou o chapéu que tinha derrubado e colocou na minha cabeça.

— Vai ser ótimo recebe-la em nossa casa, Ramona.

— Vai ser ótimo ser recebida em sua casa, lufana – respondi sem saber bem o que falar, arrancando dela mais um sorriso caloroso.

Foi quando me dei conta que Lufa-Lufa era a casa de Alice. Aquilo era bem mais do que bom!

— Bom, depois disso podemos seguir para o Salão Principal. Srta. Leone, acompanhe a Srta. Castellyn. Deixo com você a recepção, Profa. Mitchell.

Todos começaram a sair da sala. Srta. Leone, que provavelmente era a minha monitora, me deu um meio abraço enquanto saiamos da sala juntas. O monitor da Sonserina parecia realmente de mal humor enquanto a provável irmã de Dominique conversava com o garoto da Grifinória, que parecia bem interessado na menina.

— Eu te chamo de Srta. Leone? – Perguntei, tentando quebrar o gelo enquanto andávamos.

Ela sorriu.

— Pode me chamar de Poly – ela respondeu. – Os professores costumam me chamar de Srta. Leone, mas eu não gosto muito.

— Entendi.

Chegamos no Salão Principal e logo consegui ver Alice sentada sozinha na mesa da Lufa-Lufa. Não bem sozinha, afinal tinha muita gente, mas ninguém conversava com ela. Eu me despedi de Poly, dizendo que já tinha com quem sentar, me rumando até Alice e sorri ao abraçar ela e a deixar espantada, se virando rapidamente e soltando um sorriso ao me ver.

— Olá! – Disse.

Ela sorriu ainda mais ao ver minhas vestes.

— Você está na Lufa-Lufa! – Ela me abraçou. – Senta do meu lado – ela me puxou e me sentei.

Assim que me sentei, a Diretora McGonagall começou a falar e, como não prestei atenção, cheguei à conclusão que mandou os alunos novos entrarem, já que a Profa. Mitchell entrou com um monte de pequeninos. Estavam chegando perto e Alice sorriu, me cutucando.

— Aquela ali é minha irmã, Scarlet – ela apontou para uma menininha pequena, com cabelos mais claros que os de Alice, mas possuía os mesmos olhos. – Aquela ali é prima da Dominique e da Lucy, Rose Weasley – ela apontou para uma ruiva de olhos castanhos. – Ali é Albus Sererus Potter – apontou para um menino ao lado de Rose.

— Você conhece o pessoal – sorri, tentando prestar atenção e fingir que me importava. Afinal, éramos amigas e eu estava realmente querendo preservar a amizade.

— É que nossos pais são amigos – comentou ela. – Ali o meu irmão, sentado na mesa da Grifinória – ela apontou para a mesa da Grifinória, em nossa frente, depois da mesa da Corvinal. A cópia masculina de Alice estava sentada com o garoto moreno, o ruivo e o negro. Eles riam bastante, pareciam com uma piada interna. Eu assenti.

— Vocês são muito parecidos e tem a mesma idade. São gêmeos?

— Sim – ela sorriu. Estava bem animada.

E, enquanto ela falava, a seleção ia. Ela apenas parava de falar quando alguém que ela queria saber que casa iria era anunciado. Scarlett foi para a Grifinória, o que deixou Alice bem desanimada, enquanto Albus Potter também foi para a Grifinória (o que ela comentou “isso nem é novidade) e, quando um garoto louro branquíssimos e de olhos cinzas chamado Scorpius Malfoy foi para a Grifinória, ela arregalou os olhos. Assim como todos que começaram a cochichar muito, Alice se virou para mim.

— Um Malfoy. Na Grifinória.

Essa guria é uma fofoqueira nº 1. Gostei disso. Mas, infelizmente, eu não entendia aquela fofoca que parecia quentíssima.

— Que coisa em – tentei entrar, então ela me encarou e percebeu que eu não entendia o fato disso ser tão emocionante.

— Os Malfoys sempre foram da Sonserina. A Sonserina e a Grifinória têm uma rixa desde a fundação de Hogwarts, um Malfoy na Sonserina é algo realmente novo – ela tentou me explicar de forma simples. Eu assenti. Até parecia um pouco interessante. Para eles. Eu apenas dei de ombros.

Demorou um pouco para os cochichos cessarem. A Diretora McGonagall começou a falar mais coisas, e eu que sempre dou ouvidos para as autoridades escolares, não ouvi nada, apenas fiquei observando minhas mãos que pareciam bem mais interessantes. Alice ouvia tudo, então eu sabia que futuramente iria saber. Isso me deixava mais à vontade em não ouvir.

Quando a comida apareceu, eu me deliciei muito com aquelas comidas bem diferentes das de Castelobruxo. Era tudo tão diferente. Até que era legal a diferença, experiências novas e tal... e pensar que mesmo com tanta comida ainda havia gente comentando sobre Scorpius Malfoy. Eu senti dó do garoto de onze anos que não tinha feito absolutamente nada e agora era o assunto do momento. Então pensei que o Albus também deveria ser popular, levando em conta que é Potter.

E a Alice, logicamente, não deve ser muito sociável: primeiramente não tem muitos amigos, fala demais quando está animada (havia feito isso no Beco Diagonal, mas lá eu também estava animada e nem tinha percebido, enquanto no Expresso de Hogwarts ela não estava falando muito, na carruagem também não e agora ela falava bastante e eu não estava entendendo quase nada, afinal, era assunto de Hogwarts), é filha de um professor e tem uma arquirrival (a tal de Isabelle) que parecia ser bem popular. Os únicos motivos para uma menina como Isabelle não gostar de Alice era o nome e o fato do irmão dela parecer popular (tinha muitas meninas que encaravam os quatro).

Eu estava animada por ninguém me conhecer, apenas Alice, os Monitores-Chefes, os professores, Dominique e Lucy. Era bom não ser conhecida, levando em consideração as muitas coisas que eu queria fazer – e tinha que manter certa privacidade para não ser expulsa. Ter uma certinha como Alice do lado também era bom. E eu gostava muito dela, de verdade.

Tudo terminou e nos levantamos. Alice me levou até a entrada da Lufa-Lufa, atrás do Salão Principal, o que era bom por ser perto e ser ali que eu tomaria café todos os dias. Lá havia muitos barris, muitos, e nossos colegas de casa se posicionaram em frente ao segundo barril da segunda fileira e bateu em um ritmo. Eu a encarei.

— Como entra na Sala Comunal? – cochichei para Alice.

— Tem que tocar no barril no “ritmo da Hufflepuff” – ela respondeu, sorrindo. – É bem legal.

O cara tocou e o barril se abriu. Os alunos começaram a entrar e Alice me deixou ir na frente. E eu me encantei bastante com o que vi.

Aparecia em minha frente uma passagem terrosa e íngreme por dentro dos barris e subindo o pequeno trajeto até uma sala circular baixa e aconchegante, com luzes um pouco fracas e fazia lembrar a toca de um texugo, o que era de muita lógica. As cores da decoração eram alegres amarelo e preto, destacados com o uso da madeira cor de mel muito polida nas mesas e nas portas redondas que levavam aos dormitórios e me faziam lembrar das tocas dos hobbits, o que me deixou muito mais alegre.

As paredes tinham uma colorida e abundante quantidade de plantas e flores que deixavam o salão comunal ainda mais encantador. Haviam também diversos cactos colocados em prateleiras circulares de madeira (curvadas para se encaixarem na parede), muito deles davam thauzinho e dançavam para quem passava, o que deixava naquela hora tudo uma grande festa, e enquanto isso portas-plantas de cobre balançavam pelo teto fazendo com que gavinhas de samambaia e heras roçassem no cabelo quando passa por baixo dela, era algo que eu nunca havia visto.

Havia também um retrato de uma mulher sorridente de cabelos castanhos com um chapéu pontudo, mostrando uma linda taça de ouro e outra mão uma varinha, usava um vestido preto e amarelo, a moldura era de madeira repleta de entalhes de texugo dançantes, aquela deveria ser Helga Hufflepuff. Ao olhar o rosto tão bondoso da mulher eu agradeci por ser lufana. As janelas pela sala eram redondas e no nível do chão do castelo e mostravam a agradável visão da grama e dos dentes-de-leão ondulantes e, provavelmente, deveria dar para ver pés passando pelo lado de fora quando alguém andasse ali perto. Essas janelas baixas faziam com que a sala parecesse permanentemente ensolarada. Era um ótimo lugar, eu havia amado.

— Isso é incrível – comentei para Alice.

Ela ia responder quando alguém cutucou meu braço. Quando me virei, vi um garoto com cabelos louros, olhos azuis arregalados que davam a ele um tom de surpresa, assim como um rosto um tanto diferente e uma expressão que o deixava um tanto quanto estranho, ele usava um colar com um fio com pedras azuis e uma rolha na ponta. Em suas mãos ele tinha umas revistas.

— Quer um Pasquim? – Perguntou, dando um sorriso amoroso.

Eu sorri de volta e encarei a revista estranha. Eu não sabia o que era aquilo, mas parecia interessante. Peguei uma para dar uma olhada e Alice entrou no meio.

— Esse é Lorcan Scamander – disse. Pera. Scamander? Ele era descendente de Newton Scamander? Eu estava estudando com ele? Parece que Hogwarts poderia ser melhor do que eu pensava. – Ele vende a revista da mãe, Luna. Lysander também...

— Ly resolveu que esse ano não iria vender – interveio Lorcan, agora um pouco triste. – Ele diz que faz ele parecer idiota.

— Foi afetado pela sociedade – quando disse isso, Lorcan me encarou de uma forma diferente. – Do que fala essas revistas? – Eu me sinto até suja em dizer que estava mais interessada em Lorcan depois de saber que era parente de Newton... mas de toda forma ele parecia bem legal e autentico.

Ele sorriu ao perceber meu interesse na revista.

— Publica matérias sobre as aventuras de minha mãe, Luna, e meu pai, Rolf Scamander. Eles viajam bastante pelo mundo enquanto meu irmão e eu estamos em Hogwarts. É bem interessante, eles são Magizoologistas e também postam umas entrevistas que conseguem por aí, falam de outros artigos também. Você deveria ler!

— Sério? Magizoologia é minha matéria preferida em Castelobruxo – soltei, abrindo a revista com mais interesse. – Aqui tem uma parecida, não é? Trato das Criaturas Mágicas.

— Sim – ele parecia animado. – Você não é daqui? – Ele perguntou, deixando as revistas em cima de uma mesa enquanto falava comigo.

— Não. Eu vim do Brasil, fui transferida, esse é meu primeiro ano em Hogwarts... apesar de estar no terceiro.

— Eu também estou no terceiro ano! Isso é bem legal, vamos estudar juntos – ele sorria bastante. – Não é legal, Alice? – Ele virou-se para a morena.

Ela sorriu.

— É sim, Lorcan.

— Estão colocando a lista para os testes de Quadribol – ele disse, mudando de assunto drasticamente quando Poly passou por nós e foi até um tipo de painel. Ela colocou algo lá que atraiu muita atenção. – Estão preocupados que não consigamos sair do último lugar. De novo.

— Isso é ótimo! – Alice falou e chamou a atenção de Lorcan.

— Não sairmos do último lugar no Quadribol? Não me parece ótimo – ele comentou.

Ela riu.

— Não. Ramona joga! Você vai participar, não vai? – Alice estava bem animada.

Eu sorri. Claro que iria! Nunca que deixaria o meu amor por Quadribol acabar... iria nutri-lo.

— Tem uma vaga para artilheiro, uma para goleiro e uma para batedor – ele falou. Alice o encarou.

— Você viu a folha?

— Não – ele respondeu. – Eu só sei. Foram as pessoas que saíram ano passado. É meio vergonhoso sermos os últimos no Quadribol quando a diretora da nossa casa é a Madame Hooch, não é? Ela é professora de voo. — Alice assentiu. Ele continuou: — Dizem que ela está tão chateada com isso que esse ano vai ajudar o capitão do time a treinar e vai participar dos testes esse ano. Tomara que dê certo, ou vai ser ainda mais vergonhoso.

— Você sente vergonha? Sempre achei que esse sentimento era impossível para Lorcan Scamander — Alice sorriu. Eu acabei sorrindo também.

Ele deu de ombros.

— Só estou repetindo o que eu escuto por ai – ele parecia não estar ligando.

— Tome cuidado com isso, Lorcan – Alice advertiu. — As pessoas não gostam muito de você...

Eu iria entra na conversa, agora que entendia um pouco sobre o que conversava, quando Poly chamou a atenção de todos e nos mandaram irmos dormir. Ouve um suspiro coletivo, Lorcan agradeceu por me conhecer (o que eu achei muito fofo), pegou suas revistas e foi para o dormitório masculino. Alice e eu fomos para o feminino, eu fiquei feliz ao saber que nós iriamos dividir o mesmo quarto! Estava tudo perfeito. E ficaria mais amanhã, tinha quase certeza.