Rainha De Copas

7 Capítulo sete


Notas iniciais
está gostando? me deixe saber. :)

Queria poder me despedir, mas nosso acordo não permitia isso, pude apenas olhá-lo enquanto passava com a escolta pela multidão. Era uma cena tão familiar. Uma pessoa amada na jaula acorrentada forçada a ficar de joelhos dentro das grades, meu irmão transmitia tranqüilidade mesmo cercado por tantos guardas, o medo dele reagir era grande, dava para sentir no ar. Queria ter visto seu rosto, mas do ângulo que estava não era possível.

A multidão foi afastada à medida que a escolta avançava, mas não deixavam de lançar olhares curiosos “por que estavam escoltando uma de prata?”

Caminhamos até minha casa, onde os guardas ficaram do lado de forma de forma protetora. Corri para dentro para fazer minha mala. Quando fechei a porta fui finalmente atingida pelo turbilhão de emoções que até o momento se mantinham atordoadas.

“vou me casar!” parecia um conto de fadas. Tudo tinha dado certo. Leif seria solto e inocentado, eu me casaria com um homem poderoso e importante, seria a rainha de Wonderland. Com certeza era um conto de fadas.

Minha mente mergulhou na lembrança dos acontecimentos recentes:

—-- E seu disser que há uma forma de salvar seu irmão? Você faria?

—-- Sim.

—-- E se for algo que não goste?

—-- Faço qualquer coisa por meu irmão.

—-- Case-se comigo então. --- não acreditei no que meus ouvidos tinham acabado de escutar.

—-- Hã... ---“parabéns, resposta maravilhosa”. Ele riu, levou uma das minhas mãos até seus lábios e a beijou de forma carinhosa.

—-- Estou pedindo a senhorita em casamento. Se aceitar inocento seu irmão. Você quer vê-lo livre, não? --- Disse ainda com a boca em minha mão.

—--Sim!--- respondi rapidamente, era obvio que queria meu irmão livre.

—--Então está decidido. ---Levantando me puxou gentilmente com ele, pondo-me de pé. --- A partir de hoje você é minha noiva, vamos nos casar assim que voltarmos para o castelo!--- Disse empolgado.

—-- O quê? ---Perguntei confusa. Mas ele ignorou.

—-- Uma escolta te levara em casa para fazer as malas, e assim que resolver aqui nos partiremos.

—-- Espere... eu ...

—-- Mudou de idéia sobre seu irmão?

—-- Não!

—-- Então o que foi? --- Disse com um sorriso reluzente. Sabia que eu não recusaria, recusar era matar meu irmão.

—--Posso vê-lo? Antes de ir?

—--Não.--- Vendo minha cara de tristeza completou. ---Chamaria muita atenção com essa multidão do lado de fora, temos que ser rápidos antes que percebam que te escolhi.

—-Hã, por que?

—-- Ora, podem tentar te fazer algum mal. --- Tinha algo errado, mas no momento eu não percebi.

—-- Meu tio... ele é meu guardião.--- Pensei se ainda poderia pensar nele assim, afinal ele não tava nem aí para mim no ataque.

—-- Não se preocupe falarei com ele no meio tempo que se arruma, tenho certeza que ele vai entender. Somos feitos um para o outro.

Seu sorriso se tornou diferente, seus olhos pareciam desfocados, mas no momento isso não me alarmou. Leif estava salvo.

O barulho de cavalos chamou minha atenção de volta para o presente. Fui até a janela e dei uma espiada não era apenas cavalos era uma bela carruagem, a carruagem real. A porta abriu e dela saiu o Valete, que parecia esta tendo um dos seus piores dias.

Ele veio marchando até a minha casa, me afastei da janela com medo de ter me visto espiar. A batida na porta foi suave, mas firme. Tive que abrir, fingir que não estava em casa não era uma opção.

—-- A carruagem e o rei lhe aguardam senhorita. --- Deu ênfase no rei. Meus olhos desviaram e tentaram olhar atrás do soldado, não dava para ver dentro da carruagem. --- Está pronta?

—-- Q ...quase--- Gaguejei. Corri para minha mala e terminei correndo, era pouca coisa que eu tinha então foi rápido, o que demorou foi a carta de despedida que deixei para Leif. Poderia sentir os olhos curiosos do valete queimando minhas costas, mas não me importei, meu irmão era mais importante que o rei.

Quando terminei, peguei minha mala e fui até a porta, valete a pego de minhas mãos e fez sinal para que eu fosse em frente.

Subi os degraus e entrei. Sentado na janela estava o rei sustentando o sorriso encantador.

—-- Bem vinda, preparada? --- Disse com entusiasmo.

—-- Sim.--- Fiquei surpresa com a convicção em minha voz, pois não sentia nem um pouco disso.

—-- Maravilha.

De canto de olho percebi que estava satisfeito, possuía um sorriso bobo enquanto lançava seu olhar pela janela. Estávamos de lados opostos da carruagem cada um em uma janela, a beleza da carruagem estava perdida em mim.

Não conversamos mais durante a viajem, e fiquei agradecida por isso, meu pensamento não parava quieto, estava nervosa.

Eu sei e eu sabia que Leif não cometeria tal atrocidade. Fiquei remoendo a viagem inteira. “talvez seja porque ele é um de sangue.” Pensei. Era como quando crianças, donos de quitandas acusarem Leif de roubo para metê-lo em encrenca, mas não havia como ele ter feito aquilo às vezes ele nem tinha entrado na loja, mas mesmo assim ele era o culpado para o vendedor.

“Poderia ser isso? Queriam que o reino fosse responsável pela execução, pois sabem que eles não se importam com a lenda?” Refleti.

Mesmo com tudo isso, senti minha fé na deusa da Vida aumentar, pois quem mais poderia ter proporcionado meu encontro com o rei e feito ele se encantar comigo? Um encanto que o levou a interferir em favor de meu irmão.

Agora seguiremos caminhos afastados, mas talvez Leif consiga juntar o dinheiro para vir até a capital e abandonar a vila ou eu mesmo consiga trazê-lo para a capital. Mas para isso teria que convencer o rei, e ele não parece se importa com meu irmão nem um pouco, esperava que não o considera-se culpado.

Entretanto, no fim, só sabia que seguiríamos caminhos diferentes. E desejei que a vida soubesse o que estava fazendo.

Notas finais
o que será que vai acontecer?