Rainbow War
17 Treinamento pesado
Notas iniciais
E um pequeno Spoiler: o proximo cap vai ser -> A volta dos que não foram parte dois
KKKKKKKKKKKKKKKKKK, mandem ver no cap
Sábado passou voando, sem maiores acontecimentos importantes, e domingo chegou correndo sem pedir licença. Imaginei o que faria quando descobrisse quem tinha inventado o fim de semana. Não, decididamente não era uma boa idéia pensar nisso. Quando finalmente acordei no domingo, liguei pra única pessoa que eu queria ouvir a voz. Simplesmente não queria ouvir outra voz que não fosse a dele nesse momento.
– Alô?
– Ainda bem que você atendeu, eu não agüentava mais esperar – sério, eu me arrepiei ouvindo a voz dele – Kahel, como foi na sexta? Conseguiu resolver o lance do vídeo?
– Jack, eu juro que nunca tive tanto trabalho com um único vídeo em toda a minha vida! Teu namorado é um louco, botou tanto código e tanta proteção em um único arquivo que o notebook dele tava dando tiut a cada dois segundos. Mas no final, eu consegui deletar aquela coisa e consegui sair antes dele chegar. Falando nisso, que horas você deixou ele em casa?
– Bem, eu acho que cheguei com ele umas 7 horas da manhã, por quê? – por que eu estou com um pressentimento terrível quanto a essa pergunta dele?
– Jack, eu não conheço boate. Mas sei muito bem que tem uma lei que diz que festa só pode ira te 3 horas da manhã, e as boates seguem isso a risca! Vocês ainda ficaram vadiando na rua durante 4 horas?
– Eu realmente não sei te dizer se vadiar a é termo certo. Acho que o termo certo tem duas dessas vogais, uma dessas consoantes repetida, mas eu vou direto ao ponto. Hikari e eu tivemos um lance.
– Quem comeu quem? – esse demônio não perde chance de nada.
– VAI A MERDA, KAHEL! – gritei mesmo sabendo que mamãe e papai me fariam um zilhão de perguntas se encontrassem as cortinas do meu quarto chamuscadas.
– Jack, querido! Está tudo bem aí em cima? – gritou minha mãe lá da sala.
– Está tudo excelente, mamãe, não podia estar nada melhor! – gritei de volta, e voltei a conversar com mais educado e baixo que conseguisse com Kahel. Mas é lógico que eu não pude descansar muito, pois logo não eram as cortinas que estavam pegando fogo, mas sim a cama.
Dei um pulo mortal de cima dela, e corri pro banheiro e joguei água com a mangueira que tinha do vaso. Quase consegui salvar, mas infelizmente, meu colchão estava inutilizado, a não ser que eu gostasse de dormir em cima de molas de ferro chamuscadas. Detalhe, nenhuma queimadura em mim ou em minhas roupas, e eu estava começando a agradecer que meu poder de fogo se estendesse a elas.
– Kahel, por sua causa eu consegui queimar meu colchão e nem consegui reparar. Aonde que eu vou dormir agora? – tentei ao máximo controlar minhas emoções pra não causar um incêndio logo.
– Calma que pra tudo nessa vida dá-se um jeito, e pra isso não é diferente – disse ele – Somente controle suas emoções. Escuta, eu não posso te treinar hoje, mas o Romolo tem um excelente treinamento e pode te ensinar o básico. Vai lá e eu te arrumo um lugar pra dormir hoje, viu?
– Ta bom, mas eu queria mesmo era comprar um colchão novo pra mim. E uma boa explicação de como consegui queimar o colchão. – Já podia sentir os dedos de mamãe no meu pescoço. Papai não me preocupava muito, porque ele nunca me bateu. Já mamãe…
– Isso está fora da minha jurisdição. Sinto muito, mas você vai ter que se virar com seus pais sobre isso. Tchau, Jack. Eu tenho que ir, mas depois nos vemos.
– Tchau, Kahel. E obrigado mais uma vez (por não ajudar em porra nenhuma!).
Desliguei o celular e comecei a discutir comigo mesmo que não seria nada mal se eu pudesse aprender um pouco sobre o controle dos meus poderes e ainda por cima ver Romolo. Seria duplamente bom, e eu não me importaria nem um pouco de machucá-lo um pouco, se eu pudesse ter essa oportunidade. Ele ainda não me pagou pelo ônibus.
– Mãe, vou pra casa do Romolo. Talvez eu passe o dia lá, ta bom?
– Jack, você pensa que aqui é casa de pensão? Se eu descobrir somente uma nota baixa nas provas, eu juro que faço você engolir os livros pagina por pagina!
Tinha esquecido a semana de prova. Era bem melhor então eu estudar agora de manhã e falar com Romolo pra ir treinar com ele de tarde. Então é isso.
– Então façamos o seguinte: eu estudo agora de manhã e vou sair à tarde. Beleza pra você?
– Eu só to te avisando. Não quero ver uma única nota baixa, ouviu bem? – mamãe nunca brincava quando o assunto é nota de escola. Ela quase me engole quando eu tirei 7,5 no ultimo bimestre em física.
– Vou encarar como um sim. – e agora é estudar pra valer.
Pronto, agora eu estou liberado pra sair, e mamãe ainda não se aproximou no meu quarto, o que por um lado é maravilhoso, porque eu preciso viver por mais tempo, mas por outro lado significava que ela logo logo iria passar pros quartos e o meu devia ser uma prioridade da lista. E isso significava que eu precisava sair de casa urgentemente se quisesse ter filhos um dia.
– Mãe, to indo. Tchau! – e sai o mais rápido que pude sem levantar suspeitas.
Quando já tinha atravessado o portão, comecei a andar na direção da casa do Romolo, que por sinal era uma parada de ônibus acima da minha. Mal eu tinha dobrado a esquina e ouvi o grito horripilante da minha mãe. Pernas pra que te quero! Cheguei a casa dele rápido como um trem-bala, e falei o necessário somente pra que ele me deixasse entrar.
– Jack, você está fugindo da polícia? Parece que tem uma turba enfurecida te perseguindo. – Romolo podia dizer que a mãe tinha morrido, mas a calma não alterava a voz dele.
– Pior que isso. Quem vai me perseguir é minha mãe, porque eu botei fogo no colchão, e antes que as coisas piorem, eu vim pedir que você me ensinasse a controlar meus poderes.
Aí veio o clássico suspiro seguido do: “Ai ai”.
– Jack, tem uma maneira muito simples de controlar seus poderes. Na verdade, me surpreende que você ainda não tenha descoberto isso. Vamos praticar um pouco pra ver se você entende o que quero dizer.
Ele me conduziu então até os fundos da casa dele, que ficava ao lado de um terreno baldio que tinha varias árvores e coisas afins. Acho que lá poderíamos realmente praticar nossos poderes sem medo de sermos descobertos. Pulamos o muro e caminhamos pelo terreno até encontrarmos uma parte mais escondida e com menos árvores, para facilitar as coisas.
– Aqui está bom. Agora, caminhe para trás 20 passos na minha direção.
Fiz o que ele mandou, mas não entendi o porquê de praticarmos nossos poderes um de frente pro outro. Isso era perigoso, algum de nós poderia se machucar.
– Jack – chamou-me ele.
Virei-me e só tive tempo de fazer isso, e uma flecha de ouro passou rente a minha cabeça, e eu juro que errou meu rosto por milímetros. Mas não tive muito tempo de ter medo de pensar no que aconteceria se minha cabeça estivesse um tanto a mais pro lado direito, pois uma saraivada completa de flechas choveu na minha direção. Minhas asas apareceram imediatamente quando gritei e fizeram um escudo de fogo que derreteu as flechas e impediu que elas me matassem.
– Romolo, o que você está pensando? Podia ter me matado! – gritei com a voz tremula, de medo. Nunca tinha visto o Romolo em batalha, mas tinha certeza de que não seria uma experiência agradável, ainda mais sendo eu o inimigo.
Ele não falou nada, mas ergueu a mão e uma corrente de ouro surgiu do chão e me acorrentou com uma bruta força. Olhei pro rosto de Romolo decidido a implorar por clemência, mas achei um rosto tão duro e impenetrável que só vi uma saída. Usei minhas asas pra cortar a corrente, e joguei uma delas como um punho contra ele.
Quem me dera não precisar lutar com ele, mas era necessário. E ao que parece ele não estava nem ligando: invocou a cúpula de ouro do chão e se protegeu dentro dela. Transformei o punho e asa novamente e cortei a cúpula ao meio e afastei uma metade dela, e outra surpresa me esperava: ele não estava mais dentro dela.
– Você vai mesmo lutar serio, não é? – disse eu, esperando ao menos uma resposta decente.
E ela veio. Mas não da forma esperada, não. Era muito lugar comum pro Romolo aparecer e declarar abertamente suas intenções. Ele jogou uma bola de ouro do tamanho de uma bala de canhão nas minhas costas com uma força considerável. Caí no chão com as costas tendo pesadelos, mas me levantei rápido com a ajuda das asas e alcei um vôo a 1 metro do chão.
Não deu outra: mas dessa vez foi mais difícil do que parece. Bolas de ouro do tamanho de bolas de tênis surgiam de todos os lados, voando velozmente ao meu redor e disparando de vez em quando pra me dar um golpe certeiro. Usei uma das asas pra me proteger e a outra pra rebater os ataques, e não me pergunte como, continuei flutuando.
Consegui rebater uma maioria e as que passavam pelo rebate, derretiam na defesa de fogo da outra asa. Eu estava começando a me dar bem com esses poderes. Mas eu tinha deixado os pés sem muita proteção, e uma corrente pegou meu pé e me puxou pro chão com força. A queda não durou nem 2 segundos, mas eu me estatelei no chão, me desequilibrei e me permiti ser pego pelas correntes e envolto por elas.
E como eu tinha caído de costas pro chão, não podia usar as asas pra cortar, sem que a terra impedisse boa parte do fogo. Parece que Romolo percebeu essa fraqueza da minha parte e apertou ainda mais as correntes ao meu redor contra o chão, e colocou algumas no meu pescoço, e começou a me estrangular. A falta de oxigênio me deixou completamente desesperado. Eu já estava perdendo a consciência e não tinha nenhuma idéia do que fazer. E no desespero, gritei.
– Romolo, você está bem mesmo? – perguntei pela enésima vez.
– Estou sim, Jack. Consegui envolver você em uma cúpula de ouro grande e forte o bastante pra conter sua explosão.
Explosão atômica, eu diria. Ficou uma verdadeira cratera no lugar onde eu explodira com o meu fogo.
– Não era minha intenção me descontrolar daquele jeito. Eu ainda preciso de um pouco de tempo pra controlar meu poder do jeito que você e Kahel fazem.
– Mas lembre-se: seus sentimentos e sua mente têm que trabalhar em perfeita harmonia, senão com certeza você vai perder o controle com facilidade, como é quando você luta contra Darkshadow. Volte mais vezes pra treinar, e aí poderemos fazer você progredir.
– Obrigado. Agora preciso de um lugar pra dormir, porque se eu for pra casa agora, tenho quase certeza de que mamãe vai me arrancar às tripas pelos cantos das unhas dos pés sem anestesia.
– Por que não vai dormir na casa do seu namorado?
Não achava uma boa idéia isso nem que fosse um caso de ultima instancia. Isso era uma péssima idéia e eu não iria executá-la nem mesmo sob pena de morta. Preferia mil vezes dormir na casa da Tatiana a dormir na casa do Hikari. Ai cara, eu não devia falado o nome da Tati. Ainda doía pensar que eu teria que lutar contra ela qualquer hora, e doía mais ainda pensar que ela estava nas garras do Darkshadow e sem que houvesse nada que eu pudesse fazer.
– Eu tenho um lugar melhor pra dormir. Acho que vou mesmo pra casa de outra pessoa. Tchau e desculpe mais uma vez.
– Espera Jack. Deixa eu te levar até a porta…
E antes que eu pudesse levantar, ele segurou minha mão, nos levou até o muro, pulou-o ainda segurando minha mão, entrou em casa, atravessou tudo e me conduziu até o portão, abriu-o e me deixou na rua. Tudo isso sem largar minha mão um único instante. Aff, é sempre assim, agora vem à brincadeira de mau gosto. É por isso que tem horas que ele me deixa morrendo de raiva.
– Jack, por favor, toma cuidado. Não acho que seja uma boa idéia você se envolver demais com esse negocio de aliens e esquecer que a semana de provas é a partir de amanhã.
– O que você quer dizer? – perguntei totalmente desconfiado dele.
– Quero que me prometa que não vai dormir na casa do Kahel hoje. Ao contrario de mim, você é bom de cumprir promessas, então cumpra pelo menos essa – disse ele, me encarando fundo nos meus olhos.
Ele me encarou com tanta força que meu rosto esquentou. Transferi imediatamente esse calor pras minhas costas e deixei minhas asas saírem. Eu queria ir embora dali antes que o olhar dele me puxasse pra frente, e voar era o único jeito de concentrar todo o meu ser e continuar vivo. Larguei a mão dele ou ele largou a minha, eu nem sei, me afastei dois passos e decolei para o céu que escurecia sem me preocupar com o que as pessoas pensariam se vissem um anjo de fogo voando pelos céus.
Notas finais
To esperando, kkk
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