Rainbow War
18 Alma minha gentil que retornartes
Notas iniciais
;D
“Porra, por que ele tem que ter esse efeito avassalador sobre mim?”
“O que diabos está acontecendo comigo pra ficar tão assustado com apenas um olhar?”
“O que eu faço pra tirar esse cara da cabeça?”
“Como eu continuo a esconder o efeito que ele tem sobre mim?”
Eram essas as perguntas que rolavam pela minha cabeça enquanto eu voava pelos céus da cidade como um verdadeiro pássaro. Sem dono e nem destino. Não existiam limites que me impedissem de prosseguir, e meu único horizontes estava constantemente se renovando na minha frente, de modo que eu jamais precisaria chegar ao fim da jornada.
E depois, voar me ajudava a pensar com clareza. Se por um lado, eu não tinha tempo de discutir assuntos como a política mundial e o aquecimento global também não tinham tempo de pensar sobre Romolo, seu rosto perfeito, sua voz grave e melodiosa, seus cabelos negros encaracolados e compridos até os ombros. Não tinha tempo de pensar em nada daquele garoto que conseguia me deixar com medo.
Tinha apenas espaço na minha cabeça pra uma coisa: me manter flutuando nos ares e conseqüentemente, me manter vivo. Lembrei de uma musica que Romolo não gostava, mas tinha aprendido a tocar no violão por minha causa: Dear God de Avenged Sevenfold. Se ele fosse uma garota, talvez essa musica se encaixasse em nós dois.
“– Obrigado, cara. Sabe, em pouco tempo você se tornou um dos meus melhores amigos. Nunca conheci alguém como você antes em toda a minha vida.”
Eu tinha dito isso para ele quando perdemos a Tati. E agora que eu estava sem pensar no que poderia fazer a respeito dele, percebi que ele devia saber o que eu quisera dizer quando disse aquilo. E se ele tinha percebido, então não era uma má idéia me afastar dele e nunca mais encará-lo na vida. Na verdade, eu fazia questão de me afastar dele, porque uma coisa é amar sabendo que a pessoa não sabe que você ama, outra coisa é amar sabendo que o outro sabe e sabendo que mesmo ou outra sabendo, você não sabe o que ele sente.
Aff, que ódio! Eu confesso, eu confesso! Romolo meche desse jeito comigo porque simplesmente eu o amo. Amo-o mais do que o céu ama as estrelas, mais do que o mar ama os peixes, mais do que a terra ama as árvores. E amá-lo não é algo fácil, simplesmente é algo que você não escolhe se quer parar ou se quer continuar. No caso dele, amá-lo te faz sofrer, e você vira masoquista com isso. Você se apaixona pelo sofrer, porque você ama Romolo.
E eu era fogo e água ao mesmo tempo. Nas minhas costas, o calor agora era horrível. Eu que tinha resistência ao fogo, estava sentindo queimar. E meu rosto estava se desfazendo em lagrimas quentes, que escaldavam meu rosto a medida que percorriam seus caminhos. Odiava a mim mesmo por ter deixado que ele descobrisse, mas odiava-o acima de tudo por ele ter feito com que eu o amasse. “A energia do amor e do ódio é a mesma, só muda a polaridade”. E o pior é que isso é verdade.
Fui dar por mim, quando estava chegando à praia, e com um surto momentâneo de lucidez, dei meia voltar e rumei de volta ao meu destino. E dessa vez me concentrei até não poder mais. Quando finalmente cheguei a casa dele, aterrissei e apaguei minhas asas de fogo com a velocidade instantânea. E nisso, fui até a porta da casa dele e toquei a campainha.
– Já vai! – a voz do outro lado da porta não era de Hugo, mas supus que fosse do pai dele. Depois, a porta se abriu e vi um garoto de uns 18 anos com cabelo até os ombros lisos e negros, um cavanhaque também negro, alto e branco, com os olhos negros como a noite. Usava um short verde de tacktell e só. E ele me lembrava muito meu próprio corpo: magro e espichado. Mas eu era definido, e ele não.
– Boa noite. Eu gostaria de falar com o Hugo, por favor – disse eu, um pouco envergonhado.
– Ele não ta em casa, mas se bem me lembro ele disse que iria à casa de uma amiga – disse ele, coçando a cabeça – Acho que é aquela casa ali.
E apontou na direção de uma casa que ficava no mesmo lado da casa dele, a terceira contando a partir daquela. Tinham duas pessoas na porta, e uma delas devia ser o Hugo. Agradeci e fui conversar com ele, na esperança de que tudo desse certo. Mas ao me aproximar, a sombra da segunda pessoa que estava junto com ele e de costas pra mim, se tornou um pouco mais clara e visível, revelando cabelos negros e ondulados.
– Jack! Ei Jack vem cá! – gritou ele, com um sorriso nos lábios.
Corri um pouco e quando cheguei, levei um choque tão grande que devo ter ficado paralisado. Metade do meu cérebro apagou e não dava sinais de querer voltar a funcionar, e a outra metade tentava entender o que de fato tinha acontecido naquele dia. Enquanto essa metade do cérebro trabalhava, Hugo dizia algumas palavras que eu não dava a mínima atenção e meu rosto se tornava um verdadeiro vale de lágrimas. Ali estava ela. A bela índia de cabelos negros, olhos castanho-escuros, corpo formoso e alma gentil. Ali estava ela. Tatiana Christine Sanches, minha doce Tati.
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