Rainbow War
15 Pê-chan evolui para...
Notas iniciais
Sabe, se por um lado essa teoria era provável, por outro ela é bombástica e faria muita coisa dar errado se não conseguirmos provar exatamente quem era quem nessa historia. Mas não dava pra voltar atrás agora, e eu teria que prosseguir até o final de tudo com a certeza de que eu saberia o que fazer quando fosse à hora.
– Não sei se vocês vão acompanhar meu pensamento, mas presta atenção: nós viemos até a casa de uma das aliens mais gentis que já apareceu e conseguimos o apoio dela de primeira. Logo depois aparece Darkshadow e usa os poderes dela CONTRA ela, fazendo com que ganhemos uma nova inimiga, sendo a mesma uma das potencialmente mais perigosas que existem.
Diante das caras deles, continuei ganhando confiança.
– E tem mais, com todo mundo foi basicamente assim: um alien despertou o poder de outro alien. Meu poder só despertou quando Darkshadow tentou me matar, o poder de Romolo foi despertado quando ele tentou salvar a própria vida na batalha entre eu, Kahel e Darkshadow, e a Tati só usava um percentual muito baixo dos poderes, mas quando todos que já tinham despertados se reuniram, o poder dela ficou completamente estrondoso. Temos uma relação direta com o despertar de um alien!
“E voltando ao ponto da Tati. Ela estava aqui usando os poderes dela com alguma habilidade, mas não era forte o suficiente para atrair ninguém até ela. E nós usamos nossos poderes com um pouco de exagero, deixando muito poder a vista. Deve ter sido fácil pra Darkshadow perceber onde estávamos, mas ele não teria uma localização tão precisa nossa se não tivesse alguma noção antes. Algum de nós deve ter deixado vazar informação pra alguém e esse alguém é informante de Darkshadow.”
– Tem razão, Jack – disse Romolo – Eu não consegui acompanhar teu raciocínio.
Ah porra, Romolo! E não fui só eu que falei não! Kahel deve ser meu irmão gêmeo.
– Ah porra, Romolo! A teoria do Jack é incrível. Deve ser assim que ele sempre consegue saber onde estamos e se vamos descobrir um novo alien. Mas quem de nós deixou informação vazar e pra quem?
Pra isso eu tinha outra teoria, mas eu não era nem doido de dizer.
– Sei lá, gente! Vamos pra casa que eu to quase pra morrer.
– Sem falar que amanha você tem que levar seu namorado na boate – falou Romolo sem pensar duas vezes.
– Você é gay? Jack, eu não acredito!
– Sou bi, Kahel. Se você quiser eu te dou um tratamento vip – minha cara de safado foi perfeita nessa hora.
Embora tivéssemos mais uma meia hora só de besteira e putaria na cozinha de outra pessoa, nós realmente precisávamos ir embora antes que as pessoas chegassem e a gente se ferrasse. Eu e os outros resolvemos ir embora antes que alguma coisa acontecesse e a gente fosse os responsáveis. Então quando nos demos por nós, estávamos na rua capengando (ainda bem machucados, pra falar a verdade), sem nenhuma energia pra usar e com medo nenhum de sermos assaltados. Que é? Alien também é gente, sabia não?
Enfim, chegamos à parada e Kahel pegou o ônibus dele primeiro só de sortudo que ele é. Fiquei feliz e com raiva ao mesmo tempo, e ambas as coisas pelo mesmo motivo: eu estava sozinho com Romolo.
– Jack, você está bem? – perguntou Romolo, me olhando nos olhos.
– Eu to é frustrado! Nunca passei por uma situação como essa! Estamos com a nossa nova integrante nas mãos e a perdemos pra um maldito que saiu do quinto dos infernos pra atormentar nossa vida!
– Eu entendo como se sente, afinal eu me sinto do mesmo jeito. E mesmo tendo conhecido-a a poucas horas, já sinto que ela é uma boa amiga. Assim como você.
– Obrigado, cara. Sabe, em pouco tempo você se tornou um dos meus melhores amigos. Nunca conheci alguém como você antes em toda a minha vida.
– A maioria das pessoas me diz isso. Eu sou mesmo bem incomum, mas vai de cada pessoa dizer se esse incomum lhe agrada ou não.
E a luz dos faróis do ônibus iluminou a parada e Romolo fez sinal. Agora era um momento feliz, pois eu iria poder pensar claramente sem ter interferência dele. Não, vou refazer isso: agora era um momento triste, já que eu iria ficar longe dele outra vez.
– Jack.
– O que foi?
E ele fez o improvável: subiu no degrau do ônibus e puxou a gola da minha camisa pra si, e quase nos beijamos. Quase. No ultimo minuto, ele se afastou e eu subi no degrau do ônibus quase que conectado por um fio invisível que ligava todo o meu corpo ao dele, e eu acabei subindo no ônibus também. Claro que eu fiquei muito confuso e quis uma explicação pra tudo aquilo.
– Esse ônibus serve pra nós dois, Jack – disse ele com a cara mais limpa do mundo – Achei que você gostaria de vir comigo.
AH PORRA, ROMOLO!!!
Cheguei em casa algum tempo depois, e não satisfeito com nada no mundo. Estava tão irritado que poderia queimar as coisas só usando calor latente. Enfim, fui direto pro meu quarto, morrendo de raiva de duas pessoas: Romolo e suas brincadeiras! Mas eu também estava tão cansado que desmaiei antes de fechar os olhos. E eu tinha que dormir muito bem, porque amanha era o dia fatal da boate e Hikari iria me esfolar divinamente se eu desse mole de noite.
Acordei com um bem estar ínfimo, mas presente. Então fiz minha higiene pessoal e parti pro café da manhã. Acho que não comi meu café da manhã com o devido apetite, pois papai estranhou e me perguntou:
– Algum problema, filho?
– Vou levar meu namorado na boate hoje – falei totalmente desanimado.
– Ah ta. Vai precisar de dinheiro?
– Vou pai, e acho que não vai ser pouco.
– Nossa! Jack, eu já pedi pra escolher melhor as pessoas com quem você namora. Lembra daquela putinha que você namorou e ela sempre pegava uns “trocados” pra voltar pra casa? – disse mamãe levando meu prato da mesa.
– Pior! Era uns 100 reais toda vez que a gente saia, mas não a chame de putinha não. Até que ela era legal. E dessa vez não fui eu que escolhi, me escolheram, por assim dizer.
– Jura?! E quem é o felizardo que você ta pegando agora, filho? – agora vem a bomba.
– É o Hikari, mamãe. – e fechei os olhos pra ver se diminuía a cena que aconteceria em seguida.
– Hum, legal. Conversa com seu pai a respeito de dinheiro, e depois a gente se acerta beleza?
– Ta bom, mãe, e não fala “beleza”. Não cabe pra uma mulher da sua idade.
– Menino, sua mãe tem 37 anos e ainda ta com tudo em cima! Eu sou é jovem!
– E dá no couro que é uma beleza. Espero que você tenha puxado sua mãe na arte de transar, porque ela é uma brasa! – papai sussurrou no meu ouvido e me passou 250 reais pra hoje de noite. Mas depois dessa…
– To indo, gente. Tchau!
E pernas pra que te quero pro colégio. Papai é louco! Na verdade, meus pais são dois doidos que não tem nada na cabeça. Talvez seja por isso que eles aceitem numa boa quando eu namoro meninos, e mesmo quando esses meninos são meus amigos de infância como é o caso do Hikari. Não bem de infância, mas a gente já se conhecia a uns cinco anos, e quase sempre caímos na mesma sala, então já viu, né?
Cheguei à escola em menos de dez minutos, parecendo um furacão. E meu estado de espírito perturbado passou despercebido pra única pessoa que eu queria que percebesse.
– Bom dia, meu querido namorado! – disse Hikari vindo e me dando um abraço bem caloroso, que o tom irônico desmentia – Pronto pro nosso encontro de hoje à noite pra dançar até cair? Eu me preparei pra hoje de uma maneira muito especial, e você não vai querer me desapontar, vai? – embora ele tenha dito essa ultima frase fazendo um carinho no meu rosto com as mãos que foi descendo até o Pê-chan (deduzam por conta própria), eu fiquei vermelho de ódio com o tom de ameaça velada que tinha nessa pergunta. Tive ímpetos assassinos, mas me controlei.
– Você tem idéia do que está fazendo? Ou quer que eu meta a mão na sua cara pra devolver a noção do perigo que você perdeu?
– Nossa, Jack! Como você está irritado hoje. Aconteceu alguma coisa de grave? – seu tom ainda irônico me deixou mais furioso ainda – Eu pensei que você gostava quando mexiam no Pê-chan.
Hikari tinha apelidado meu amiguinho de Pê-chan quando éramos crianças. Isso aconteceu numa viajem que a gente fez pro interior e lá, as crianças nadavam peladas na cachoeira. Eu e ele entramos nessa onda de gaiatos, e apesar disso fazer uns 4 anos, Hikari me importunou a viajem inteira por que o “Pê-chan” era “P” mesmo! Mas hoje a noite ele ia ver que o Pê-chan tinha evoluído pra G-chan!
– Você vai ver o Pê-chan essa noite! – quando eu fico com raiva, minha voz sai mais baixa que um sussurro, e foi isso que aconteceu – É só esperar e ver!
Claro que eu não podia deixar por aí, até porque meu ódio me faz fazer coisas que nem sempre são certas, mas na hora me parecem boas idéias. Eu simplesmente me despedi do Hikari dando uma lambida muito sensual na boca dele, fazendo questão, é claro, de derrubá-lo no chão e de passar zunindo pra longe dele quando terminei.
O sinal tocou pouco depois disso e eu entrei na sala emanando uma aura de Anti-Cristo. Ninguém me atentou por causa da lambida do século, e meus professores não fizeram uma única pergunta pra mim durante o dia inteiro. Só mudou um pouco de figura na hora do recreio, que o Hugo fez questão de conversar comigo.
– Cara, ta tudo bem? – ele tinha no rosto uma expressão de preocupação comovente, então suavizei a minha de demônio canibal – Eu vi que você não ta com uma cara muito agradável hoje, mas não tive muita coragem de chegar a ti depois da lambida. Ele é teu namorado?
– É. Cada um tem a cruz que merece carregar, e ele é a minha.
– Você não parece muito feliz com ele. O que houve?
Olhei bem pra cara dele, seguramente com vontade de dar um corte, mas ele é inocente nessa história, e eu gostava demais dele pra ter uma briga logo no inicio da amizade.
– Hugo, quantos anos você tem?
– Treze. E eu sei o que você está pensando, que sou muito novo pra entender os problemas dos adolescentes, mas eu tenho um namoro também e que tem que acompanhar os caprichos de uma mulher adulta! Acho que em questão de namoro, eu tenho mais experiência que você! Mas tudo bem se você não quiser falar a respeito, eu entendo, mas saiba que eu to aqui pra qualquer coisa que você precisar.
E saiu pela tangente, me deixando humilhado, mas com consciência que eu não precisava tentar agir como se fosse o único que tivesse problemas e idade pra lidar com eles, quando pessoas ao meu redor têm menos idade e mais maturidade que eu. Obrigado mesmo, Hugo! Mas eu ainda estava muito preocupado com hoje à noite pra esquecer por completo da minha fúria homicida. Decidi que pelo menos durante as aulas eu ignoraria o desejo ardente de degolar o Hikari na unha.
E assim o dia passou, e a tarde chegou junto. Antes ela não tivesse chegado, porque pra sair de casa, eu sou pior que uma noiva no dia do casamento pra me arrumar. Mas bastou entrar em casa, pra que eu ficasse uma pilha pra ir logo nessa boate e acabar logo com isso. E pra me certificar de que isso ia acabar de uma vez por todas com a porra dessa chantagem, liguei pra uma pessoa muito querida por mim.
– Oi – a voz andrógina de Kahel atendeu depois de um tempo – Jack, eu to meio ocupado agora, mas se você falar rápido…
– Como hoje eu vou levar o Hikari pra boate, é hoje que você vai roubar o notebook dele e apagar o vídeo. Eu vou te passar o endereço por msg, e quando você puder ir eu te aviso, ta?
– Feito!
Desliguei e fui começar a estudar um pouco pras provas, e pra não perder muito tempo, fiz um resumo de matemática, português e ensino religioso, que seriam as três primeiras, depois fiz de física, literatura e inglês, que seriam as de terça. Aí sim fui me arrumar pra execução. Não que eu marcasse o tempo pra ver se eu quebrava meu próprio recorde, mas dessa vez foram três horas e meia me arrumando pra sair, e quando finalmente pude ir pegar meu “querido” namorado na casa dele, me deu uma dor de cabeça horrorosa que praticamente me impossibilitava de sair.
– Ué? Não vai mais sair, filho? – perguntou meu pai.
– To com uma dor de cabeça infernal, pai. Tem algum remédio?
Papai, de boa intenção me deu um comprimido pra dor de cabeça e de boa intenção foi pegar um copo d’água pra mim. Mas de boas intenções, o inferno está cheio! Lotado, eu diria. Como a dor de cabeça não passava, fui pegar mais comprimidos no banheiro de papai, e eram tantos que perguntei pra mamãe:
– Mãe, qual desses é o remédio de papai?
– São os azuis, querido. Mas use com moderação!
Papai sofre de enxaqueca, mas eu e mamãe nunca tivemos esse problema. Esperava que eu não tivesse herdado esse infeliz traço genético. Enfim, peguei uns dois pra fazer bastante efeito e meti pra dentro e fui embora pegar a moto e me encontrar com Hikari.
Dirigi durante um tempinho até chegar a casa dele. Desci da moto e fui tocar a campainha, mas enxuguei as mãos primeiro porque eu estava muito quente e suando dentro das roupas especialmente escolhidas pra essa ocasião. E fiquei esperando na porta imaginando cenas bem quentes entre eu e Hikari. Falando no diabo…
– Jack, você está um verdadeiro Eros. Simplesmente lindo.
Não tive muito tempo pra pensar numa resposta inteligente, porque ele se aproximou e me deu um selinho. O selinho foi da parte dele, porque quando nossas bocas se tocaram, um impulso estranho tomou conta de mim e eu agarrei-o com tanta força e tesão que simplesmente rolamos pelo chão que nem dois animais e quase transamos ali mesmo, se ele não tivesse recuperado o controle e me contido.
– Jack, você ficou louco? O que aconteceu com você?
Ah porra, cara! Eu não acredito que isso aconteceu! Papai também tem outro problema que ficou mais forte depois dos 40. Mamãe dá no couro de papai com muita facilidade, já que ela tem um apetite insaciável, mas papai começou e precisar de certos estímulos azuis, de vez em quando. Eu devia ter especificado pra mamãe o tipo de remédio que eu queria, porque agora eu não podia nem dançar sem deixar todo mundo olhando pro Pê-chan. Se bem que como ele estava na forma evoluída, ele devia se chamar “Lança de 3G-sama”. Resumindo: eu pegara os remédios de impotência de papai, e agora eu estava tão duro que nem conseguia andar direito!
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