Rainbow War

38 Os opostos se atraem


Notas iniciais
Minna, sei que demorei muito, mas voltei novamente com um cap fresquinho... Quem me diz o que achou?

Desci a escada e quase me estatelei no chão quando tropecei e tive que me segurar no corrimão para não cair. Mamãe ouviu a confusão e apareceu para averiguar os fatos e tive de inventar uma desculpa bem esfarrapada pra ela me deixar sair de casa sem almoçar. Tentei pensar rápido, mas ninguém consegue perceber melhor que eu estou com fome do que mamãe.

– Jack, quer comer alguma coisa? Vai lá na cozinha que hoje eu fiz o seu prato preferido: macarronada ao molho parmeggiana e lasanha ao molho branco. – disse a carrasca da minha mãe. Essa sim, sabe como me fazer comer até explodir. Resignado, fui para a cozinha e comi até encher. Depois escovei os dentes e capei o gato.

Assim que estava na garagem, peguei minha moto e fui embora até a casa do Hikari. Não adianta poder voar e ter asas de fogo se não pode usá-las em uma perseguição que deveria ser seguramente silenciosa e discreta. Eu tenho que fazer isso como humano pelo menos até a hora de ir embora. Podia abandonar a moto e partir pra pancadaria pura e simples com punhos de fogo e outras partes que conviessem.

Não demorou até chegar até a casa do famigerado. E também não demorou até que ele saísse de casa. Parecia que tínhamos combinado. Mas o que me deixava instigado a segui-lo era o fato de ele estar saindo de casa com algo que jamais costumava usar: casaco comprido. Ele jamais usa esse tipo de roupa, mesmo porque aquilo é calorento como nunca antes fora visto.

– O que você está aprontando, Hikari? – disse eu, numa leve retórica.

Não deu pra pensar no assunto. Ele saiu de casa e se dirigiu até o ponto de ônibus. Fiquei observando-o de longe e assim que passou o ônibus conveniente, segui-o a uma distancia segura. Não queria passar do ponto ou mesmo saltar adiantado. Se bem que não tinha muito sentido segui-lo de moto, enquanto ele ia de busão. Mas não tinha outra alternativa.

Depois de alguns minutos, chegamos ao ponto do Hikari e ele saltou. Reconheci mais ou menos a paisagem, mas não notei de fato de onde eu conhecia aquele lugar. E isso me inquietava muito. Continuei a segui-lo, mas me distraí com uma bola que atravessou a rua e me obrigou a parar para que crianças pudessem pegá-la e voltar a brincar em um campinho do outro lado. Nessa brincadeira, perdi o Hikari.

– Muito bem! Hoje é meu dia de sorte! – ironizei a mim mesmo.

Não tive outra opção a não ser dar meia volta e ir pra casa. Não dava pra procurar o Hikari naquele lugar, que detalhe, eu nem sabia onde era. Eu poderia perguntar pra qualquer pessoa dali, mas caso ele estivesse por perto, estragaria o disfarce. E isso, ninguém queria. Hora de retornar pra pokebola como um bom perdedor e tentar de novo amanhã.

Só que não foi exatamente assim que as coisas aconteceram. Do nada, uma bola de água me acerta em cheio, me derruba da moto e me encharca com minha linda roupa nova em um chão bem quente. Quando fui olhar para quem tinha atirado o balão de água me dei conta de algo: não havia restos de balão perto. Só água. Olhei para a direção que o golpe veio e minha suspeita se confirmou.

Levantei a moto e fui escondê-la em algum lugar que por acaso, foi no estacionamento de um supermercado a duas quadras dali. Eu não tinha me enganado, eu tinha visto alguém manipulando água. Isso queria dizer que Hikari era mesmo quem eu temia que fosse e que ele estava atrás de mais um alien para levar para seu lado sombrio. Eu tinha que detê-lo.

Comecei a correr pelo bairro tentando achar alguma pista de alguém usando água, e me lembrei subitamente de onde estávamos: Direita do Pai. O alien novo morava na Direita do Pai? A Marie morava ali também! O que isso queria dizer? Minha cabeça está tão quente que eu poderia andar por aí acendendo cigarros nos cabelos. Outra bola de água vinda de uma casa à esquerda me acertou, e dessa vez, eu corri para pegar quem quer que tenha jogado.

E a corrida foi se prolongando, por entre becos e ruelas. Sempre aquele ser de água escorregando por entre meus dedos até que em um gole de pura sorte, ele entrou em um beco sem saída escuro e fedido. E como aquela parte estava bem deserta, eu acho que descobri como os assassinos se sentem ao encurralar a presa. Eu fiquei muito contente de saber que agora aquele rato era meu!

– Muito bem, maldito. Você controla a água e eu controlo o fogo! Quem será que está em desvantagem? – perguntei eu, acendendo meu fogo nas mãos. Hoje queria brigar no punho.

Ele virou-se com muita calma e revelou um rosto com traços de índio jovem, muito bonito, um cabelo bem liso, mas raspado dos lados e apenas o moicano no alto, camisa de Sexy Pistols, colete, calça jeans clara bem rasgada e desbotada, com botas de cano alto de couro preto. Esses aliens são bem criteriosos com a imagem que escolhem.

– Bem, eu nunca disse que controlava a água – disse ele, apontando em minha direção – e eu nunca fico em desvantagem.

Não sei o que ele fez comigo, mas eu comecei a me sentir estranho por dentro. Tinha a sensação de que alguma coisa estava formigando dentro de mim, e que estava me corroendo. Aquilo podia me matar, e eu não conseguia me mover de jeito e maneira. Senti algo no meu braço e só consegui olhar com o rabo do olho, e vi que tinha um longo corte sendo produzido, não na superfície, mas de dentro pra fora. Meu sangue saiu de dentro de mim e me deu um soco. Sim, eu levei um soco de sangue.

– Espero que tenha aprendido a lição de que não se deve brincar com alguém como eu! E se eu estivesse realmente irritado com você, explodiria o sangue e a água dentro de você em uma linda pintura líquida. Mas vou apenas retirar todo o sangue do seu corpo e secar-lhe como um vampiro. Você vai virar uma escultura de pedra linda! Será minha primeira escultura humana!

– Vai sonhando! – sussurrei e projetei minhas garras de fogo, que para a minha sorte, saíram das minhas mãos. Foi uma verdadeira obra de arte o encontro dele na parede, enquanto ele gritava de dor no meio das minhas chamas.

Mas nada que é bom, dura muito tempo. Uma grande quantidade de água se elevou das casas aos lados e apagou o fogo que o consumia, e investiu em minha direção. Ativei minhas asas e voei para escapar da água, ativei meu disfarce também e usei minhas garras de fogo pra ver se rasgava a água ao meio. Meu fogo apagou, mas me deu uma idéia. Voei mais alto ainda e soltei todas as penas que consegui. Bingo!

Quando as penas se chocaram contra a água, criou um vapor que foi forte o bastante para me encobrir. Isso significava que eu poderia me esconder e atacar por cima de surpresa. Eu já tinha sacado o poder dele, e agora eu conheço a fraqueza, vou utilizá-la de todas as formas possíveis. Desci como uma águia e tentei surpreendê-lo com minhas garras de fogo, mas ele já tinha sumido.

Tentei juntar as peças de um imenso quebra-cabeça e tive praticamente visões do que estava acontecendo nesse momento. O novo alien era provavelmente de Netuno, e isso queria dizer que agora só faltava um planeta mostrar seu descendente. O que me incomodava era o motivo de ele estar ali. No mesmo lugar que Hikari? Darkshadow, digo. Preciso me acostumar com o fato de meu melhor amigo ser um ser sombrio.

Só que não tem sentido Darkshadow achar um alien antes de nós. O modus operandi foi modificado, pois ele sempre espera que eu ou os outros encontremos o alien primeiro. Mas esse já tinha se revelado! No shopping, no mesmo dia do terremoto, o netuniano agiu contra o ataque de Nanda e Jade. E agora, este mesmo alien me atacou por motivos desconhecidos, será que foi porque Hikari chegou antes?

Mas tem algo que não se encaixa. Um alien sempre ligado ao outro. Sempre! Não faz sentido esse cara aparecer do nada, sem nenhuma conexão! Tem uma peça faltando e eu preciso encontrar antes que seja tarde demais. O problema é que pode ser qualquer coisa. O link pode ser um lugar, uma época, uma pessoa… Epa! Direita do Pai! A Marie mora na Direita do Pai! E ela é namorada da Nanda, que luta no nosso grupo! Essa é a peça que faltava, e a que provavelmente está correndo perigo agora!

Eu tinha que dar um jeito de chegar à casa da Marie antes daquele maluco, e se der certo, arrancar a cabeça dele com uma mordida! Pousei finalmente e comecei a correr pra chegar até minha moto. Quando cheguei, dei a partida e voei raso até a casa da loirinha. Meu coração batia como um tambor dentro do peito, eu estava suando de medo do que eles poderiam fazer com aquela menina doce.

Quando finalmente cheguei à casa dela, chamei, bati, fiz e aconteci, mas ninguém respondeu. Não tinha ninguém em casa. Alcei um discreto vôo para pular o muro e ver por dentro, mas o resultado foi desanimador. Tudo trancado. Então das duas uma: ou eles tinham seqüestrado Marie e coberto todos os rastros, ou ela tinha ido com eles por vontade própria e agora era nossa inimiga.

Notas finais
Eaí? Quem arrisca algum palpite?