Notas iniciais
Ola pessoas, bem espero que gostem. Qualquer coisa me avisem.

Aiden Smith

Deveria ser quase seis da manhã, infelizmente já estava acordado e precisava me esgueira pelo quarto no intuito de sair dali sem acordar a mulher que estava adormecida. Bom, esse era para ser o plano, mas quando estava a poucos centímetros da porta pude ver algum objeto refletindo a luz do sol que invadia o quarto por uma fresta no meio das cortinas. Coisas que brilham costumam ser valiosas demais para serem deixadas para trás, acho que esse é o básico a se saber.

Um pequeno sorriso surgiu em minha face enquanto esticava meu braço esquerdo na direção do objeto que se encontrava preso em meio ao tecido das roupas femininas que estavam completamente amarrotadas sobre aquele velho tapete com um forte cheiro de licor impregnado. Aquele motel realmente era um lugar muito aconchegante.

O sorriso em meus lábios ficou um pouco maior ao perceber que o objeto que refletia era o colar que aquela mulher usara noite passada, não parecia muita coisa e o ‘’diamante’’ preso não deveria me render muito, mas se conseguir vender para o idiota certo. Realmente essa noite foi bem produtiva, consegui uma carteira cheia de dinheiro, um colar, a transa não posso dizer que foi uma das melhores, uma pena que não vou poder ver a expressão da humana quando acordar e perceber que foi roubada. Claro que a culpa não é minha, humanos que são fracos demais a qualquer poder mutante.

O sorriso idiota ainda estava em minha face e já me preparava para deixar o quarto quando fui pego em um susto ao sentir os braços finos da mulher envolver meu corpo e seus lábios tocarem minha nuca. Um pequeno arrepio percorreu meu corpo e tive que agir de uma forma rápida para esconder o colar no bolso do meu casaco antes de ser pego. Há quanto tempo ela estava acordada e como pude me distrair tanto a ponto de não escuta-la?

–Aonde vai? –perguntava a mulher com uma voz ainda sonolenta. –Achei que íamos tomar café juntos.

–Eu ia buscar agora nosso café para fazer uma surpresa. –menti. –Mas por que já está acordada, Nathali?

–Nathali...? –a morena bufou e me soltou na mesma hora. Merda. Havia esquecido que não faço a menor ideia do nome dela. Deveria tê-la chamado de amor ou qualquer coisa desse gênero. –Vai me dizer que tenho cara de Nathali agora? Noite passada disse que tinha cara de Vanessa. De qualquer forma tanto faz. Já é quase meio-dia e tenho um plantão daqui uma hora, lembra?

Não. Nem sei seu nome, acha mesmo que vou lembrar-me da sua rotina?

–Claro. –respondia com o mesmo sorriso amigável de antes. –Eu vou buscar algo para comermos. Vai se arrumando que já volto.

Pude escutar um resmungo da parte da morena, mas não me importei muito com isso apena me virei na direção da mesma para poder selar nossos lábios mais uma vez. Agora que podia vê-la direito, até que era bonita. A mulher era consideravelmente alta, deveria ter quase a mesma altura que eu, considerando que tenho 1,75 cm. Sua pele era morena e combinava de um jeito assombroso com seus olhos amendoados e cabelo negro. Na parte de dentro da sua coxa esquerda havia uma pequena tatuagem, mas não observei muito para ver o desenho.

–Você nem lembra meu nome, como espera que acredite que vai voltar. –resmungava a mesma enquanto cruzava seus braços e virava o rosto.

Não pude deixar de ri baixo e envolve-la por um breve momento, aproximei meu rosto da orelha da mesma dando uma mordida fraca sem seu lóbulo para depois poder sussurrar:

–Eu juro que vou voltar e você sabe disso.

Com isso dito o comportamento da morena mudou por completo, ela havia voltado para aquela postura mais dócil e amável de antes. Beijou-me uma ultima vez antes de começar a catar suas roupas pelo quarto e dizer que me esperaria voltar e assim finalmente consegui deixar o quarto sem nenhum problema e como o mesmo pensamento de antes.

–Humanos. –murmurei puxando o colar do meu bolso para poder examina-lo com mais calma, claro que não fiz isso. Simplesmente caminhei na direção das escadas e as desci girando o objeto em meu dedo indicador sem nenhuma preocupação aparente.

–Aid! –chamou Peter do pequeno e simplório hall do motel.

Peter era um garoto de mais ou menos uns 17 anos, mas com aparência de um moleque de 13. Ele não tinha nada de especial, para falar a verdade sua face era uma daquelas que você esquece em poucos segundos mesmo convivendo com ele com certa frequência. Seu cabelo castanho avermelhado quase sempre estava bagunçado e as sardas tomavam conta da face pálida. Seus olhos tinham um tom escuro de castanho e quase sempre estava usando aquele mesmo moletom cinza. Petey era o filho do dono do motel por isso ele era o mais perto de ‘’família’’ que tenho, mas acho que não é preciso dizer que não confessaria isso em voz alta tão cedo.

–Peter. –respondi ao chegar ao primeiro degrau.

Os olhos castanhos do menor fitaram de primeira o colar que estava em meus dedos, não foi preciso de muito para o ruivo começar um pequeno interrogatório de como havia conseguido aquilo.

–Eu ganhei da Nathali. –respondia enquanto jogava o colar na direção do menor.

Petey agarrou o objeto no ar e fico analisando por um curto período de tempo antes de me lançar um olhar de desaprovação e arquear suas sobrancelhas.

–Pensei que o nome dela fosse Vanessa.

–Da na mesma. Mas eu preciso de você para um serviço muito importante. –dizia com um largo sorriso nos lábios e envolvia o pescoço alheio com meu braço.

Peter sempre foi meio bobo e aceitava meus planos sem muito esforço da minha parte.

–Eer... Eu acho melhor não... -hesitava Petey abaixando sua cabeça. –Eu quase apanhei daquele cara da ultima vez que pediu um favor para mim.

–Mas não apanhou e como terminou a historia?

–Você dormiu com o cara... Olha, você é melhor nessas coisas que eu... As pessoas te amam com facilidade e eu sou tipo um saco de pancadas com pernas. –não era normal Petey hesitar tanto para um dos mus planos, provavelmente aquele velho do pai dele colocou ideias erradas na cabeça dele.

–Mas... Como vou arrumar comida se não me ajudar? –começava a apelar para o lado sentimental, podia usar meus poderes sobre Petey, mas sei lá... Não parece certo usar seus poderes com alguém que seja da família, mesmo que não seja.

–Você come aqui toda noite praticamente, tem sorte do meu pai não te cobra nada. –rebatia o menor que se desvencilhava do meu braço.

Estava sendo legal demais, só pode ser isso. Estava prestes a agir de uma forma mais impulsiva com o menor, mas fui interrompido por um estrondo que simplesmente foi capaz de abalar toda a estrutura do motel, os vidros tremeram de uma forma assustadora que posso jurar que parecia que cederiam a qualquer momento, mas isso não aconteceu. Uma cortina de fumaça havia tomado conta do exterior e agora olhando para os lustres posso dizer com certeza que ocorreu um breve tremor.

–O-o que foi isso...?-gaguejava Petey que já estava parado ao meu lado agarrado ao meu casaco.

–Eu não sei. –respondia e tentava forçar minha visão através da cortina de fumaça. – Fique aqui.

–O que!? Você vai lá fora? Ficou louco? –gritava o ruivo tentando me impedir.

Simplesmente ignorei aqueles gritos e me soltei, não foi muito difícil já que Petey era tão forte quanto uma folha.

xXXXx

April C. Jones

Mantinha um passo apressado enquanto cruzava as ruas do centro da cidade, a cada segundo puxava meu celular do bolso para ver as horas. Claro que não seria a primeira vez que chegaria atrasada em algum lugar, para falar a verdade isso já havia se tornado certo habito em minha rotina.

Tentava manter meu olhar focado na rua, mas quase todo momento perdia o foco por causa das mensagens que chegavam ao meu aparelho celular. Podia simplesmente ignora-las, mas hoje era uma daqueles dias que se alguma coisa fosse ignorada poderia acabar perdendo alguma questão da prova, já que muitas vezes as pessoas de minha classe conseguem algumas respostas antes mesmo do professor pensar na questão.

Estava a poucos centímetros de uma rua movimentada quando uma nova mensagem chegou a meu celular, dessa vez não era nada relevante e que podia muito bem ser ignorado, mas estava parada esperando o semáforo o que significa que não tem nenhum problema.

‘’Vamos sair hoje de noite?’’ –a mensagem era de Emma, uma garota que fizera amizade comigo super rápido depois conhecermos numa festa.

Revezava meu olhar entre a tela do celular e a rua, nenhum carro a vista. Dei uma boa olhada na rua para ter confirmação de que não havia mesmo carros para então voltar ao celular e atravessar a rua sem nenhuma preocupação. Mantive aquele mesmo passo acelerado de antes e aumentei um pouco a musica dos meus fones por impulso, sempre que ela me parecia baixa demais deslizava meus dedos até os botões ao lado para aumentar, mas não estava alto o suficiente já que consegui escutar a buzina de um carro que parecia estar próximo demais de mim. Quando olhei para esquerda levei um susto ao ver aquele veiculo tão perto assim de mim, o susto me fez derrubar o celular no asfalto, que se quebrou em alguns muitos pedaços. Não tinha como sair da frente do carro já que deveria estar a apenas cinco centímetros, ou menos, de mim, sua velocidade ainda era considerada alta e seria impossível o motorista freia sem me acertar de alguma forma.

Por impulso ergui um pouco minhas mãos no intuito de diminuir o impacto e fechei meus olhos para assim não ver quando isso acontecesse e por sorte não chegou a acontecer. Ao abri meus olhos pude ver que ainda estava parada no meio da rua, o semáforo estava aberto para os pedestres, havia mais pessoas caminhando ao meu redor e meu celular estava em perfeito estado em minhas mãos. O aparelho vibrou uma vez, desbloqueei a tela para ver a mensagem de Emma que havia acabado de chegar:

‘’ ’Vamos sair hoje de noite?’’

Respondi um simples ‘’pode ser’’ e terminei de atravessar a rua, quando olhei para trás vi o mesmo carro que vinha para cima de mim cruzar a rua com a mesma velocidade absurda para um motorista de cidade.

–Tsc... Estou atrasada de novo. –resmungava ao ver o horário em meu celular.

Não fazia muito tempo que descobri meus poderes, para falar a verdade acho que já o tenho a mais de cinco anos, todavia prefiro não usa-los com frequência só em assuntos de vida ou morte, posso acabar criado um paradoxo sem fim e ficar presa no meio dele? Posso e por esse motivo faço meu possível para não brincar com o tempo. Mas uma grande ironia sou logo eu, uma das pessoas que sempre se atrasa para tudo, ter o poder de manipular o tempo...

Desistia dos passos apressados para tentar manter um ritmo mais calmo, já estava atrasada mesmo, não tinha porque continuar a correr.

Durante minha ‘’caminhada’’ acabo por me deparar com uma loja com algumas televisões a venda e quase todas ligadas no mesmo canal, que insistia em repetir pela milésima vez a propaganda politica de um babaca que insistia em falar o quanto a mutação em seres humanos é perigosa e como deveriam ser tratados os ‘‘outros’’. Outros é um termo usado por alguns humanos para nos definir, já que o nome cientifico é um pouco complicado para a classe que os babacas querem atingir. Não sei ao certo desde quando os humanos tem medo de nós, mas sei o quanto é perigoso ser um mutante... Se o governo conseguir captura-lo... Nunca vi ninguém ser levado, mas já ouvi tantas historias.

Fechei meus olhos e balancei a cabeça algumas vezes para afastar aqueles pensamentos assustadores. Preciso voltar a corr ... Ei!

Antes que pudesse voltar a minha rotina pude sentir o chão tremer por um breve momento, mas um abalo forte o suficiente para me derrubar. Um prédio a poucos metros de onde estava simplesmente desabou ,como se tivesse explosivos em sua base, criando um estrondo absurdamente algo e levantando uma grande cortina de poeira que simplesmente cegou a todos que andavam pelas proximidades.

xXXXx

Alastor C. Ward

Annie estava sentada a minha frente resolvendo alguma coisa em seu celular enquanto fazia o mesmo com o meu. Não sei o porquê, mas não tinha nenhuma vontade de conversar naquela manhã, acho que estava cansado demais do falatório de meus pacientes para escutar mais alguma coisa. Na verdade só de lembrar que teria que regressar em menos de uma hora já criava certo desanimo. Suspirei baixo e pude sentir a mão de Annie tocar meu ombro e ver seu olhar um pouco preocupado.

–Tudo bem? –perguntava a garota que abria um sorriso amigável.

–Sim, estou apenas um pouco cansado. –respondia virando meu rosto na direção da janela. As ruas estavam movimentadas como de costume e nada de novo parecia acontecer. Quase sempre vinha almoçar com Annie nesse restaurante e aproveitava para observava a correria da cidade grande.

Annie era a secretaria do meu consultório e assim como eu possui uma mutação, é uma telepata poderosa, mas que ainda não tem tanto controle assim. Mesmo estando com 30 anos, ainda possui feições muito joviais a fazendo parecer ter uns 23 ou 24 anos. Acho que sua franja ajuda bastante nessa hora, já que quase sempre são garotas de 13 anos que cortam o cabelo assim, mas já a vi se a franja e foi como vê-la sem uma parte do corpo.

–Você pare tão distante hoje. –comentava Annie que erguia seu copo e tomava um gole de sua água. Seus olhos permaneciam fixos em mim, mas eu continuava com o olhar fixo na janela ao meu lado.

Quando pequeno pensava que as coisas mudariam se olhasse por muito tempo para um quadro, acho que estou fazendo o mesmo com essa janela. Um sorriso se formou em meus lábios com essa lembrança, mas logo desapareceu ao ver uma garota, que aparentava ter 13 anos, sendo seguida por um homem fardado. O homem disfarçava, mas a garota andava em passos apressados e constantemente olhava para trás.

Estava prestes a me levantar da mesa e ir atrás da mesma, mas pude notar que a garotinha fez um gesto de mãos, foi como se jogasse alguma coisa para trás e logo o militar estava atordoado com as mãos na cabeça. A menina de longos cabelos loiros deu uma ultima olhada para trás e voltou a andar naquele mesmo passo apressado em direção a um prédio que parecia estar abandonado há alguns anos.

–Fique aqui Annie. –falava enquanto me levantava, a todo o momento olhando para janela. –Eu tenho que resolver uma coisa muito rápida.

Ao terminar de falar percebi que o militar havia recuperado seus sentidos e agora corria na direção daquele velho prédio abandonado.

–Aonde vai? –perguntou Annie franzido o cenho. –Não comeu nada.

Eu já volto.

Annie assentiu com a cabeça e focou seu olhar na janela.

Sempre que usava a telepatia com a mesma ela já sabia que era algum assunto urgente a ser resolvido e parava de questionar, por sorte ela tinha a mesma capacidade e conseguia entender tudo que se passava em minha cabeça.

Tome cuidado. –falava a mesma.

–Ainda podemos conversar e sabe disso. –respondia ao sair do restaurante. –Me diga se ver alguma coisa suspeita por perto, ok?

–Ok.

Dei uma olhada ao redor à procura daquele prédio abandonado que via pela janela. Não estava tão longe quanto parecia, mas de qualquer forma tinha que ser rápido, pois aquela garota podia estar em perigo.

–Alguns militares acabaram de entrar em uma construção antiga e abandonada.

Merda tinha mais de uma pessoa atrás daquela garota? Pelo tempo que durou a confusão do militar, não deveria ter uma mutação muito rara e nem um poder muito forte, mas só pelo fato de ter a mutação já se tornava um alvo e por ser uma criança se tornava um alvo mais fácil ainda.

Pus-me a correr na direção do prédio e antes de entrar pude escutar Annie gritando em minha cabeça:

Está louco em entra em um lugar como esse e cheio de militares? Isso é suicídio!

–Tem uma garotinha lá dentro sendo seguida por eles.

–Não tem como você e ela saírem dai!

Comecei a ignorar o que era dito pela morena enquanto adentrava o prédio. O lugar estava escuro, mesmo que estivéssemos no meio da tarde à falta de janelas era realmente um incomodo. Foi preciso ligar a lanterna de meu celular para enxergar algo em meio aquele breu. De inicio apenas destroços, mas foi só apontar a luz do celular um pouco mais para esquerda que me deparei com a mesma garotinha de cabelos dourados que fugia há pouco.

A garotinha usava um casaco preto que estava completamente sujo de poeira, assim como seu cabelo. Sua expressão era de pavor e pude notar que estava um pouco ofegante, suas mãos estavam erguidas e seus olhos fixos em mim.

–Quem é você? –rosnou a garota. –Vai embora!

–Calma. –não arrisquei em me aproximar, não sabia ao certo os poderes que a garota tinha e nunca é uma boa ideia chegar perto de alguém tão apavorado assim.-Eu vim ajuda-l...-antes de terminar fui interrompido pela mesma.

–Não preciso de ajuda! Vai embora! –ela realmente estava apavorada e fora de sim, mas não a culpo ela é tão jovem e já está sendo perseguida por um grupo militar... A propósito, onde será que eles estão?

Abaixei um pouco a luz e percebi que sua calça estava rasgada na região do joelho e havia um ferimento enorme. O sangue se misturava com a poeira e algumas pedrinhas que tinham naquele chão imundo.

–Parece doer. –comentei na esperança de conseguir algo.

A loira olhou para o próprio joelho e depois voltou a me encarar.

–Um pouco... Agora saia!

–Está bem. –concordava enquanto dava uns passos na direção opostos a mesma. –Eu poderia ajudar, mas já que não deseja ajuda.

Caminhava para fora na esperança da garota pensar um pouco sobre a situação que ela se encontrava e resolvesse aceitar minha ajuda e por sorte foi exatamente isso que aconteceu.

–Espera... Você não veio me buscar igual aqueles homens, certo?

–Não. –me virei de volta para garota e comecei a me aproximar com cuidado. –Eu vi aqueles homens correndo atrás de você e vim ajuda-la. A propósito, onde estão eles?

A garotinha simplesmente abaixou a cabeça e abraçou as próprias pernas.

–Eu não sei. –sussurrou.

–Como não sabe? –não deveria ser uma coisa muito inteligente insistir perto dela, mas a curiosidade naquele momento me consumia soldados não desaparecem em um estalar de dedos.

–Eu os fiz sumirem... -continuou a sussurrar. –Não foi culpa minha... Eles estavam com as armas apontadas para mim... Não consegui controlar... –ela mesma se interrompeu quando começou a chorar. –E-eu não queria... Eu juro que não...

Tomei a liberdade para sentar ao lado da menor, levei minha mão até suas mechas douradas e tentei consola-la.

–Está tudo bem. Eles eram caras ruins. –não dava para falar de um jeito muito complexos perto de uma criança que estava em pânico por isso às palavras mais simples deveriam ser as mais confortáveis no momento.

–Mas eram pessoas e eu as joguei direto num buraco negro! –ao terminar de falar a garota desabou em lagrimas. –Eu estava com tanto medo deles.

Fui pego se surpresa com essa ultima parte, ela tinha a capacidade de abrir buracos negros? Isso realmente era algo novo e perigoso demais para uma criança.

–Você deve achar que sou louca. –sussurrava a garota que limpava seu rosto com a manga do casaco.

–Claro que não. –respondia enquanto olhava ao redor a procura de alguma coisa, não foi preciso muito esforço para ver uma pequena folhagem crescendo em meio aos destroços. E por sorte nem precisava me levantar para alcança-la. Passei minha mão por cima da folhagem e isso foi o bastante para seu tamanho aumentar e um dente-de-leão nascer em meio aqueles destroços.

Os olhos da garota estavam arregalados ao perceber que eu havia realmente feito aquilo.

–Como?

–Minha mutação me ajuda na fitocinese. –respondia e estendia minha mão na direção da menor. –Me chamo Alastor, mas pode me chamar de Al.

–Amanda. –a garota apertou minha mão de volta. –Tenho consciência dimensional... Um bônus é poder abri buracos para outras dimensões... Mas não sei como usar, simplesmente faço quando estou assustada.

Não pude deixar de ri com o comentário de Amanda. Pus-me de pé enquanto ajudava a mesma a se levantar.

–Quer que te carregue? –ofereci. O machucado de Amanda podia ser um simples ralado no joelho, mas de qualquer forma ela ainda era uma criança, querendo ou não precisava ser um pouco simpático com ela. Além do que, as feições assustadas e as roupas empoeiradas deixavam meio claro de que Amanda não tivera um bom dia até aquele momento.

–Não. Acho que consigo andar.

–Onde estão seus pais?

Nesse momento Amanda voltou a olhar para o chão, suas mãos se fecharam em punhos e pude escutar alguns soluços.

–O governo está com eles... Na verdade, meus pais me ajudaram a fugir há poucos dias.

–Você era uma prisioneira? Quanto tempo ficou lá?

–Sim... Eu fiquei lá por dez anos. –tomei um susto quando Amanda disse o tempo que ficou presa, não fazia nenhum sentido.

–Quantos anos têm?

–13. –a resposta foi realmente uma coisa chocante. Amanda estava sendo mantida prisioneira desde bebê e essa deveria ser a primeira vez que falava com alguém do lado de fora, isso explica o medo e porque confiou em mim tão rápido. –Meus pais ainda estão lá... Estão sendo obrigados a continuar um experimento... -contava Amanda. –A mutação deles permite o raciocínio mil vezes mais rápido que de um humano normal. Algumas vezes eles eram obrigados a me usar como cobaia já que minha mente pode ir de dimensão em dimensão... Pessoas com regeneração rápida também eram usadas... Vi muita gente morrer... Meus pais imploraram para parar experimentos, mas eles estão obcecados pelos soldados perfeitos.

–Seus pais também são mutantes?

–Claro que sim. Afinal,tudo não passa de genética,certo? -falava a garota sorrindo de canto. -Algum de nossos ancestrais algum momento teve a mesma mutação que nós...Claro que os experimentos ajudaram bastante se revelar de uma forma tão poderosa.

Aquelas coisas que Amanda falava eram perturbadoras demais, só o fato de pensar que ela passou a infância toda sendo torturada pelos próprios pais. Além de que ela era uma garotinha que parecia entender bem mais de mutação do que muitas pessoas que conheço, deve ter sido um verdadeiro inferno para ela passar tantos anos presa em um lugar onde só falavam de seus genes.

–Eu preciso que me ajude a salvar meus pais.

Antes que tiver a chance de respondê-la pude escutar a voz de Annie gritando em minha cabeça:

–Pelo amor de deus, Alastor! Responda-me!

–Oh! Desculpe. Está tudo bem.

–É os militares?

–Bom, minha nova hóspede deu um jeito neles.

–Do que está falando Al?

–Logo explico tudo. Apenas tenha... .-antes de conclui meus pensamentos foi possível sentir o prédio e o chão tremer por uma breve fração de segundos, não foi assim tão forte. –sentiu isso?

–Sentir o que?

–Al... -chamou a garota agarrando em meu braço.

–Está tudo bem... -mais uma vez fui interrompido por causa de um tremor, dessa vez foi mais forte que o ultimo, mas tão breve quanto o anterior. Não consegui manter meu equilíbrio e acabei caindo de joelhos no chão. Amanda também caiu só que de costas, pelo som que fez havia batido a cabeça.

–Al...O que está acontecendo?

–Sentiu também? –enquanto me comunicava com Annie ia à direção de Amanda para tentar socorre-la, mas o som de alguma coisa se quebrando tomava conta do lugar.

Não pensei que isso fosse acontecer, mas em menos de alguns segundos pude ver toda a estrutura do prédio desmoronando sobre minha cabeça, não tinha para onde correr e nem me esconder, não tinha nada para me ajudar naquele momento e minha única esperança havia batido sua cabeça e não deveria acordar assim tão cedo... E agora talvez nunca mais acordasse.

–Amanda! –gritei por impulso no mesmo momento que dei uma sacudida no corpo da menor. Não tive nenhuma resposta, simplesmente vi aqueles destroços vindo contra nós e a poeira se erguendo tornando zero a visibilidade naquela região

...