Radioactive -interativa

3 Perfeito mundo cruel


Notas iniciais
Gente, desculpe pelo capitulo curto. Eu to tipo muito gripada, dai é meio muito ruim ficar olhando para tela do note que já da uma dor de cabeça. Ae, sobre a capa, deixei essa por enquanto pra ficar um pouquinho mais xavoso. Bom espero que gostem.

Bill J. Colt

–Bill? –chamava aquela voz feminina que já se tornara tão familiar por causa de sua tonalidade suave e sensual.

A dona da voz se chamava Eve Adam, assim que ela se apresentou pelo menos, uma mulher de 34 anos que a primeira vista parecia à princesa mais doce e charmosa de um conto de fadas, talvez suas roupas do século XIX ajudem nisso, mas não era preciso muito de sua companhia para perceber o quão errado estava a respeito de sua pessoa. Seus olhos, que costumavam possuir um forte tom azulado e um olhar dissimulado, naquele momento estavam tomados por uma coloração acinzentada dando assim a impressão de cegueira, o que era uma falsa impressão. Se esconder de Eve era uma coisa difícil, talvez por causa do seu poder. Junto com sua geocinese ela aprendeu a sentir as vibrações da terra e assim tendo a posição de todos que estivesse em seu terreno. Resumindo, se você não sabe voar Eve vai acha-lo e cortar seu pescoço... Oh! Acho que me esqueci de mencionar o fascínio da morena por decapitação.

–Bill? –chamou mais uma vez a morena que dava passos curtos, sempre fazia o possível para não fazer muito barulho, claro que não teria o perigo dela própria se confundir com as vibrações que seus passos criavam, mas só pelo fato da sua vitima não saber sua localização já era tortura o suficiente.

Era preciso controlar minha respiração, para não criar sons, e evitar ao máximo me mover já que qualquer vibração, mesmo que pequena, seria sentida por Eve e assim teria minha posição denuncia em menos de dois segundos.

Os passos da mulher ecoavam por aquele velho prédio, que estava caindo aos pedaços e que não parecia o melhor lugar para uma pessoa que pode criar temores ficar. Sabia que em poucos segundos teria minha posição denunciada, afinal, não poderia esconder-me para sempre. Respirei fundo mais uma vez ao ver as mechas negras surgirem ao lado da coluna, que usava como esconderijo, não pensei que ela estava assim tão próxima, estava sendo descuidado demais.

–Bil... -antes que a morena tivesse mais uma chance de me chamar, agarrei seu pescoço a jogando ,com certa violência, contra a parede. Um barulho alto ecoou a sala no momento que Eve bateu sua cabeça na parede, mas seria ingenuidade de minha parte acredita que tinha conseguido deixa-la inconsciente. A primeira ação da mesma foi ergue sua cabeça e me olhar sorrindo com seus olhos, que haviam voltado para o tom azulado, em seu lábio inferior havia um pequeno corte assim como na sua bochecha esquerda. –Você sempre é muito violento, sabia?

Em resposta um pequeno sorriso surgiu em meus lábios. Eve era uma mulher bonita e a pior coisa na mesma é que ela sabia muito bem disso.

–Por que está me perseguindo? –perguntei enquanto afrouxava um pouco minha mão que estava em seu pescoço.

–Nenhuma mulher gosta de ser deixada para trás depois de uma noite tão romântica. –zombava Eve que não parava de me fitar com seus olhos dissimulados. –Não se lembra?

–Do que deveria me lembra? –nunca conseguia conter aquele sorriso sarcástico durantes as brincadeiras de Eve, acho que a semelhança no humor ajudava a nossa convivência.

–Na ultima vez que nos vimos me chamou de sua vadia. –o tom rouco de Eve sempre conseguia causar arrepios em qualquer homem e até mesmo em mulheres. –Não acha justo sua vadia também te foder?

Apertei o pescoço da mesma com mais força, chegando a erguê-la um pouco. Seus pés procuravam desesperadamente por um apoio, suas mãos se fechavam ao redor de meus punhos na esperança de conseguir afrouxa-los.

–V-vamos... Mate-me... -Eve se esforçava ao máximo para falar aquilo e mesmo na posição que se encontrava ainda tinha aquele sorriso sarcástico estampado em sua face. – A-além de me perder... Meu mestre nunca mais vai fazer contato...

Com essas palavras soltei seu pescoço a deixando cair no chão um pouco atordoada. Suas mãos passeavam pelo pescoço e algumas vezes podia escuta-la tossindo.

Eve além de ser uma das mulheres mais traiçoeiras e cruéis que já conhecia,havia um porém que não me permitia mata-la. Eve passara metade de sua vida fugindo do mundo, ela era o tipo de mulher que tinha inúmeros nomes e para falar a verdade nem sei se Eve é seu nome verdadeiro, e a outra metade passou obedecendo a ordens de uma figura totalmente anônima a todos. A única coisa que sabia era que era um mutante, mas não tinha a menor ideia de sua mutação ou até mesmo seu rosto. A minha única ligação com essa figura era aquele mulher.

–Fica mais bonito quando está pensativo. –comentava Eve que já havia se colocado de pé e estava parada ao meu lado. As pontas dos seus dedos deslizavam pelos meus ombros e aquele mesmo tom rouco era mantido. –Quase me esqueci.

–O que? –me virei na direção da mulher. Nossos rostos estavam a poucos centímetros de distância, podia sentir sua respiração batendo contra minha pele e seus lábios quase tocavam os meus.

–Mas um mutante fugiu. Seu nome é Amanda White, acho que não será muito difícil para você.

Fiquei uns minutos parado. Nunca conseguia entender para onde os planos ''Dele’’ estavam indo. A única coisa que tenho plena certeza é que não estamos falando de um cara legal que quer salvar os mutantes, na verdade, já pensei algumas vezes que seus planos se constituem em reunir mutantes e assim destruir os humanos, mas cada dia que passava era tomado por uma nova surpresa vinda da sua parte.

–Por que não vai ser difícil?

Eve riu baixo e aproximou seu rosto de minha orelha:

–Ela tem apenas 13 anos, acho que não deve ser difícil capturar uma criança. Mas se achar difícil demais, pode deixar que faço sozinha.

Fique um pouco surpreso com aquilo, para uma criança de 13 anos conseguir escapar de uma prisão tão fortemente protegida ela só poderia ter algum poder surpreendente ou ajuda de alguém muito poderoso.

–Não irá me contar sobre os poderes dela, certo?

Eve se afastou um pouco e como resposta só abriu um sorriso sarcástico e começou a se afastar de mim.

–Não estou com vontade de conversar muito hoje.

–Nunca gostou de conversar muito, Eve.

–Você me conhece tão bem Bill. –Eve se aproximava de uma velha janela e olhava para baixo, deveríamos estar no decimo andar daquele prédio abandonado. –Uma pena que não nos veremos mais.

–Não é a primeira vez que diz isso. -rebatia enquanto chegava um pouco mais perto da morena. — O que vai fazer dessa vez?

–Apenas parte do plano. –ela sempre mantinha uma calma assustadora, isso já me dizia muito sobre ''Ele''. Eve confiava sua vida e sabia que todos os passos que ele planeja eram detalhados nos menos dos detalhes. Mas dessa vez eu não tinha a mesma confiança que a morena,que tinha seus olhos tomados pelo tom acinzentado de novo. –Como sempre foi.

–Eve! –chamei, mas a morena já estava com sua mão esticada assim criando um pequeno tremor no intuito de me derrubar, por sorte consegui recuperar meu equilíbrio segurando-me em uma pilastra.

O sorriso nos lábios de Eve era assustadores para o que ela estava prestes a fazer. Sempre soube o quanto ela amava a si própria, suicídio nunca entraria em sua lista de tarefas, mesmo que seu mestre a obrigasse, mas agora noto que talvez tenha algumas coisas dela que não sei.

–Pare com isso! –tentava implorar para o lado racional que a mesma ainda tinha, mas ela simplesmente criou um tremor mais forte dessa vez.

A primeira coisa a desmoronar ,no andar que estávamos, foi o chão abaixo de seus pés. Corri na direção da mesma para agarrar sua mão e impedir aquela loucura, mas não tive tempo de chegar à mesma por causa do prédio que agora desabava por completo, o chão abaixo de meus pés já não existia e aquela queda não seria algo fácil de recuperar depois.

xXXXx

Evangeline O. Cross

A poeira tornava a visibilidade zero, além de que respirar tinha se tornado algo difícil por conta da grande quantidade de resíduos que tomara conta do ar. Uma grande parte das pessoas havia procurado abrigo em lugar onde pudesse respirar normalmente, claro que não fui nenhuma exceção.

Algo curioso é um tremo tão forte e ainda mais na nossa pequena cidade, que sempre foi um lugar tão calmo que nem os terremotos ousavam acabar com a tranquilidade, bom, isso até agora. Realmente era algo curioso demais e não tinha muito que fazer além de ficar dentro daquela cafeteria e espera a poeira baixar, não demoraria muito. Pelo lado bom, não tinha nenhum ferido ali dentro.

A televisão da cafeteria estava ligada e não demorou muito para as primeiras noticias daquele ocorrido e a maior surpresa foi ver os tremores sendo associado a mutantes, em outras palavras, um ataque terrorista. Os mutantes já eram tão queridos e como essa noticia, acho que não preciso dizer que os múrmuros de ódio e revolta da parte dos humanos que estavam naquele estabelecimento, tomaram conta por completo do local.

–Como se o objetivo fosse matar alguém. –resmungou um homem que estava a poucos centímetros de mim.

Ele parecia ter uns 30 anos, sua expressão era tão serena que conseguia transmiti certa confiança. Seus cabelos eram negros e sua pele branca, mas realmente a única coisa que chamava atenção em sua face eram os lábios finos com aquele sorriso e suas covinhas que surgiam sem muito esforço.

–Oh! Sinto muito. – ele pediu desculpas de uma forma tão cordial que fiquei um pouco sem jeito. –Não tinha intensão de roubar cena. –brincou o moreno.

–Tudo bem, mas como sabe que o objetivo não era feri ninguém? –questionava enquanto aproximava-me um pouco mais do mesmo, não era uma boa ideia ficar defendendo mutantes, mesmo que fosse um, num lugar tão aberto como aquele.

–O local que ocorreu. Provavelmente um meta-humano estava fugindo de algo e acabou perdendo o controle. –respondia o mesmo. –Se fosse um atentado teria feito um estrago um pouco maior, não acha? O prédio estava abandonado e ninguém se aproximava muito dele por causa das placas de madeira que botaram ao redor para impedir a entrada de vândalos. Não faz muito sentido.

–Realmente não. –respondia enquanto voltava meu olhar para tv. As reportagens ainda eram as mesma, realmente era muito fácil culpar alguém do que por a culpa no verdadeiro monstro que estava a anos matando mutantes sem nenhum sentido.

Um suspiro saiu da boca do moreno e pude vê-lo com seus olhos negros voltados para televisão. Queria falar alguma coisa ou pelo menos entender o que se passava dentro da cabeça daquele homem, nunca cheguei a conhecer um humano que tentasse defender mutantes ou coisa desse gênero e ainda a coragem de falar em um local tão aberto, com toda a caça as bruxas que fazem por nossa culpa.

Algo que me irrita mais que tudo é que me deram certeza que não existia certo ou errado, mas agora vejo que tudo não passou de uma mentira, claro que sempre soube que ser uma mutante era algo errado e que deveria ser escondido, mas só porque todos agem assim não significa que tenho que continuar do mesmo jeito... Queria eu que fosse assim tão fácil, mas se resolver agir da mesma forma que esse cara não vai demorar muito para acabar sendo levada para uma prisão e torturada até a morte.

Fechei minhas mãos em punhos com medo desse pequeno pensamento e certa tristeza por todos aqueles que já foram mortos. Era realmente uma merda viver em um mundo tão cruel como o nosso. Meus olhos estavam fechados, mas ainda escutava os múrmuros de ódio e comentários totalmente desnecessários sobre tudo que acontecera há poucos minutos. Cheguei a encolher um pouco meus ombros para assim tentar me manter mais calma ou simplesmente não estar ali naquele momento, claro que não adiantava de nada me ‘’esconder’’.

–Está tudo bem. –falava aquela voz calma de antes. –Tenho certeza que um dia toda essa bobagem de caça as bruxas vai chegar ao fim.

Abri meus olhos e vi mais uma vez o moreno ao meu lado, seu sorriso ainda estava lá e sua mão esquerda estava sobre meu ombro. Abri um rápido sorriso e tentei voltar a minha posição normal, mas ainda estava um pouco nervosa com tudo aquilo.

–Realmente não existem muitas palavras para conforta alguém sobre esse assunto. –ao terminar de falar o maior riu um pouco. –Parabéns, foi uma das primeiras pessoas a me deixar sem palavras e isso não é normal na minha profissão.

Acho que fiquei um pouco feliz, mas não confortável com aquelas palavras, apenas foi o bastante para esquecer o que acontecia em minha vida a todo o momento.

–Bem, pelo visto já está tudo bem. –comentou o homem olhando para o lado de fora e vendo que a poeira já havia abaixado. –Foi um prazer conhece-la...

–Evangeline. –respondi.

–Me chamo Paul. Espero vê-la de novo Evangeline.