Racers of Life
25 Presentes para Sakura
Notas iniciais
Sasuke está rodando em sua cadeira distraidamente, olhando para o nada. A cadeira pára de rodar e ele fita o céu e os arranha céus a sua frente.
Fechando uma mão em punho, ele descansa a cabeça sobre ela e viaja para longe de suas obrigações.
O que ele esteve a ponto de fazer no hospital? Queria apresentar Sakura como alguma coisa sua. Na hora parecia tão certo, sendo levado pela iniciativa de Shikamaru. A viu ali, quietinha, envergonhada...
Mas o que ele iria dizer?
Não eram namorados, isso nunca passou pela sua cabeça. Eles só saiam juntos e davam uns amassos... O que passou pela sua cabeça, então, quando decidiu puxá-la pela mão e apresentá-la como algo?
Não era homem de relacionamentos, gostava de curtir e ser discreto. Não estava nos seus planos que seus amigos soubessem seu envolvimento com ela, mas ele se entregou sem hesitar.
Sakura não era o tipo de garota que chamava a sua atenção. Era ingênua demais e um tanto infantil, mas ao mesmo tempo era audaciosa. Era curiosa e falava bastante, mas falava sobre coisas que lhe é interessante. Gostava de coisas que normalmente garota nenhuma gostava... E nunca tinha beijado antes.
Sasuke sorriu sem perceber balançando uma caneta, distraído, entre os dedos.
Essa era uma das coisas que o fez ficar ainda mais interessado nela. Tinha esse problema — e era consciente disso — de ser possessivo. Ser o primeiro dela, em todos os sentidos o fazia bem, fazia bem para seu ego.
Aquilo estava incomodando-o.
Primeiramente achou que sentia gratidão pela garota, afinal salvou sua mãe. Sua presença era bem vinda e ganhava toda a sua atenção do Uchiha naturalmente. Mas, agora... tinha desejo envolvido.
Diferente das outras, ela não saia de sua cabeça e, estranhamente, qualquer coisa o remetia à ela.
Gostava do cabelo diferente, do perfume, da boca, das pernas grossas, do sorriso, dos olhos, de sua risada...
Largou a caneta em seu colo e passou a mãos pelo rosto.
"O que tá acontecendo comigo?"
Era a pergunta que mais se fazia desde que suas horas passavam sem perceber, somente pensando na garota e em seu sorriso...
– Sasuke, onde está seu irmão? — Fugaku entrou na sala despertando Sasuke, que quase se entregou num pulo. Conseguiu manter a pose e retornou a caneta aos dedos, girando-a habilmente. Ele se virou lentamente dando pouca atenção para a presença do pai e vasculhando sua gaveta.
– Foi buscar a mãe no hospital — respondeu simplesmente — Algum problema?
Pelo olhar, Fugaku percebeu que a pergunta não se dirigia a algum problema na empresa, mas sim ao fato de Itachi ter feito o que fez.
Fugaku parou um instante olhando para o filho. A troca de olhares foi gélida. Sem dizer mais nada, se virou e saiu.
Sasuke soltou todo o ar de seus pulmões e o peso em sua cadeira. A visita repentina do pai o fez clarear a mente e Sakura fugiu um pouco de seus pensamentos. Com uma nova vasculhada na gaveta, achou o que queria. Seus olhos, acostumados com números e valores, passou rapidamente pelos papeis em sua mão.
A esperança se transformou em frustração. Seu pai teve o cuidado de não envolver a empresa da família nos seus negócios sórdidos. Nenhuma vírgula estava fora do lugar e isso o fez bufar desgostoso.
Teria que mexer um pouco mais na lama pra conseguir algo.
***
Manu olha para Itachi, com a mão estendida, e sente seu corpo relaxar. O constrangimento pela situação em que se encontrava era grande, mas decidida como era, não deixa transparecer — ou acha isso.
Ela respira fundo e estala os dedos das mãos sentindo-as suadas. Vê Itachi se iluminar num sorriso surpreso quando ela dá um passo para frente, em sua direção. Ele diz algo para a mulher á sua frente e Manu se arrepende do que está fazendo a cada passo dado.
– Pimen... Você. — Itachi a cumprimenta parecendo sem jeito, quando ela adentra o local e se aproxima.
Manu continua com a cara fechada e dá um mínimo sorriso para ele.
– Uchiha. — cumprimenta-o de volta satisfeita por sua voz ter saído firme.
Itachi mexe nervosamente no blazer não sabendo o que fazer.
– Er... hã... Mãe — ele se vira para a mulher à sua frente e Manu não consegue segurar o queixo. Ela olha surpresa para a mulher que lhe dá um sorriso gentil. Ainda de perto parece muito nova para ser mãe dele, apesar de estar com um aparência cansada, ainda era muito bela. — Essa é a...
Itachi morde o lábio nervoso e Manu acha até engraçadinho essa nova face dele.
– Manoela — se apresenta desfazendo a surpresa e estendendo a mão para a Mikoto. — mas pode me chamar de Manu.
Itachi solta o ar aliviado vendo o sorriso bonito da garota.
– É um imenso prazer finalmente conhecer a tão famosa Pimentinha. — Mikoto diz bem humorada deixando Itachi roxo de vergonha pela primeira vez. — Meu nome é Mikoto, Manu.
A garota deu um olhar zombeteiro para Itachi e reparou como ele estava excepcionalmente bonito àquele dia. Lembrou-se dos dilemas que sofria durante as noites. Da falta, que inevitavelmente aquele idiota a fez sentir...
– Quer tomar um café com a gente? — Itachi rapidamente se apruma arrumando o blazer novamente.
Mikoto se diverte vendo o filho tão sem jeito.
– Hã... — Manu olha ao redor e pensa em algo — na verdade só vim buscar uma cappuccino pro chefe.... sabe como é, né? — ela diz gesticulando como se fosse algo comum e ele tivesse que estar ali de qualquer maneira. — Bom... foi bom conhecer a senhora, aparece na loja... qualquer dia desses... — ela termina olhando para Itachi e dando uma piscada marota, saindo em seguida sem pegar o cappuccino.
– Ela é uma graça, querido — diz Mikot olhando para trás e vendo a garota correndo em direção a loja sendo alvejada por broncas do chefe — Não parece que ela lésbica...
Virou-se com um sorriso divertido para o filho e o viu olhando para a livraria ainda atônito.
– Eu sabia que era bonito, mas não sabia que chagava a tanto . — Itachi olhou para a mãe com um sorrisão — Orgulhe-se mãe, eu sou a cura gay!
***
Aquela segunda-feira estava sendo estranha para Sakura. Acordou sozinha antes do despertador berrar. Encontrou Sasori cantarolando alguma música romântica demais para a macheza dele, enquanto fazia o café dela sem reclamar de nada. E por último e mais estranho, recebeu uma caixa bem embrulhada e sem cartão ou qualquer sinal de quem a enviara. Escondeu de Sasori pensando ser de Sasuke e correu para o quarto.
Agora está atônita olhando o bonito colar em suas mãos. Um colar delicado de ouro com um pequeno ponto de luz. Sakura manuseava o cordão com extremo cuidado, como se ele fosse arrebentar em suas mãos.
Revira a caixa mais uma vez e não encontra nada.
– Só pode ter sido ele — pensa alto com um sorriso enorme.
Empolgada, ela gira pelo quarto guardando o presente delicado em sua gaveta de roupa íntima, sabe que ali Sasori nunca irá mexer. Vai até seu celular na mesma hora e digita o seu agradecimento.
"Obrigada pelo presente, usarei quando formos correr no sábado. Beijos, Sakura."
A resposta chegou quase instantaneamente.
"Não entendi. Que presente?"
Sakura riu e digitou novamente.
"Oras, o colar de ouro que acabei de receber... Não tinha nome, mas quem mais poderia ser? Obrigada, ele é lindo!"
Demorou um pouco para a resposta chegar e Sakura quase desistiu de esperar, mas o celular vibrou.
"Não é meu."
Sakura estranha a resposta e começa a pensar quem mais poderia estar a presenteando. Ninguém vem a sua cabeça, a não ser Sasuke. A estranheza era tanta, que nem chegou a levar em consideração a pequena tristeza que a abateu por não ter sido Sasuke.
– Sakura? — Sasori bate na porta do quarto — Não vai descer não?
– Já vou! — responde guardando o papel que embrulhava a caixinha em baixo do colchão.
O celular vibra mais uma vez e Sakura vê o nome de Sasuke no visor.
"Passo na sua casa quando eu sair."
Sakura respira fundo sorrindo. Melhor que um presente dele, é a presença dele. Achou que só se veriam no próximo sábado.
Respondendo um "ok" animadamente, ela guarda o celular e volta correndo para a oficina ajudar Sasori.
O almoço chega rápido e com ele o mais estranho dos acontecimentos aconteceu. Sasori volta mais cedo para a oficina e Sakura escuta o telefone tocando. Corre atender e escuta aquela voz.
– Sakura?
– Mãe? — pergunta com a voz um pouco trêmula. Sentia tantas coisas, que não sabia o que estaria a fazendo tremer naquele momento.
– Meu anjo, estou com tanta... saudade. — A mulher soluçava e Sakura não conseguia se pronunciar. Aquilo parecia surreal demais. A figura, a pessoa mãe, não se ligava com aquela voz. Era estranho, como falar com alguém que nunca se conheceu.
– O que você quer? — Sakura perguntou sentindo um gosto ruim na boca e o estômago se retorcendo querendo devolver seu almoço.
A linha ficou silenciosa por um segundo, onde os soluços da mulher aumentaram.
– Quero te ver minha filha.... quero te abraçar, te beijar... — a voz sofrida não comoveu Sakura, mas lágrimas amarguradas caíram dos olhos dela.
– O que aconteceu? Por que você foi embora? — Sakura soltou aquilo que a engasgava durante anos. O rosto inteiro se retorcia tentando segurar as lágrimas que teimavam em lavar seu rosto torrencialmente e a mão tremia como nunca – Por quê? — repetiu com a voz rouca.
– Oh, minha florzinha.... — a mulher chora e os soluços de Sakura a acompanham. — Me... me encontre, por favor. Te imploro minha filha, preciso tanto conversar com você. Contar tudo o que aconteceu esses anos todos...
Sakura tira o telefone do ouvido por um minuto não aguentando aquela pressão toda. Sempre achou que um dia ela retornaria, mas nunca pensou que ela fosse causar tantas emoções e sensações nela.
– Sakura? — a voz da mulher se faz presente assim que ela retorna o telefone no ouvido.
– Estou aqui. — responde limpando a garganta.
– O que me diz, meu anjo?
Sakura umedece os lábios engolindo o bile que sobe. Todo seu interior fica amargo e seu coração bate alucinado. Ela queria respostas. Ela precisava de respostas. Aprendeu a ignorar a falta que sentia da mãe, e acabou substituindo ela por Sasori. Mas...
– Tu-tudo bem. — ela responde rápido pra não se arrepender – Onde?
Um suspiro é ouvido do outro lado da linha. Sakura prende a respiração e aguarda.
– Me encontre sexta, naquele restaurante italiano no centro, não diga nada ao Sasori, ele não entederia. — a mulher diz rápido e em tom mais baixo – preciso desligar, meu amor. Mamãe te ama, obrigada.
Sem tempo de responder, o telefone fica mudo. Ela fica um tempo do mesmo jeito. Nenhum músculo reage e ela não sabe o que pensar.
Tudo iria mudar. Ela queria saber a verdade. Não queria?
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