Racers of Life
34 O cara do carro prata
Notas iniciais
– Sasuke, tem uma coisinha que você precisa saber antes de... aí que problemão! — Sakura tapa o rosto com as mãos dentro do carro. Os dois estão parados em frente a casa dela e essa fala fez Sasuke quase surtar de nervosismo.
– Ele tem uma arma... taco de baseball? — Sasuke arrisca tirando uma risada de Sakura.
Ela tira as mãos do rosto dando um sorriso amarelo.
– Eu... sabe... não desmenti que... — ela respira fundo olhando para os olhos dele e acaba dizendo tudo de uma vez – Ai, ele acha que você é gay! Pronto, falei.
Sasuke continuou olhando-a com a boca ligeiramente aberta, incrédulo com a afirmação.
– Por que...? — Sasuke pergunta num sussurro de ego ferido.
– Sabe, é que... — Sakura olha para o colo apertando as mãos em nervosismo e constrangimento. — Se ele ao menos desconfiasse que você é... sabe... homem, ele não deixaria você passar pelo portão de entrada...
– E você nunca pensou que seria pior se ele descobrisse? — Sasuke indaga sentindo a respiração falhar tamanho o nervosismo. Algo totalmente novo na vida dele.
– Bom... eu nunca achei que chegaríamos onde chegamos. — Sakura se defende desarmando o Uchiha.
Sasuke suspira pousando a cabeça no banco e respirando fundo compassadamente.
– Acelera um pouquinho. — Sakura diz baixinho. Sasuke não sabe se isso é um conselho ou um pedido, mas ele o faz sentindo seu corpo relaxar ao som da música de Mustang.
Os dois fecham os olhos e Sasuke sente sua mãos ser segurada. Ao abrir os olhos vê a luz da sala se acendendo e um ruivo de quase 2 metros sair de cara fechada para ver de onde vem aquele barulho.
Sasuke ergue uma sobrancelha e Sakura força um sorriso encorajador.
– Sakura? Pra dentro! — Sasori grita da porta cruzando os braços por cima do peito sem camisa.
– Vamos acabar com isso logo.
(…)
Não seria exagero dizer que a qualquer momento a cabeça de Sasori poderia explodir.
Sentado em frente a ele estava um Sasuke sério e imperturbável e perto da porta que dá para a oficina, uma Sakura trêmula e extremamente nervosa.
Sasuke decidiu não perguntar, mas achou muito estranho ela ter se prostrado bem ali.
– Deixe eu ver se entendi direito – Sasori respira fundo olhando fixamente para os olhos frios de Sasuke – Você quer namora a minha irmã?
– Não, estou avisando que estou namorando a sua irmã. — Sasuke diz com uma calma que deixa Sakura surpresa. — Eu pedi, ela aceitou. Vou ser sincero, só vim pra não deixar mal entendidos... — Sasuke joga um olhar em Sakura que se encolhe perto da porta.
– Você não vai namorar ela. — Sasori fica de pé estufando o peito.
– Não vamos deixar isso difícil. — Sasuke diz em tom amistoso com um leve sorriso sarcástico – Você sabe que eu não vou largar ela só porque você não deixa ela viver.
Sakura prendeu a respiração ao ver o irmão fazer a mesma coisa. Sasori olha o Uchiha com uma fúria inominável e se vira de uma vez indo na direção de Sakura.
– Sai da frente, Sakura! — rugi quando a irmã se coloca na frente da porta com os braços abertos.
– Pára com isso, Saso! — Sakura suplica não saindo do lugar.
– Sai. Daí! — Sasori diz entre dentes vermelho até a alma.
– Não, não ,não...
Num movimento simples ele tira Sakura de frente da porta e entra na oficina.
Sasuke olha para Sakura com um gota de suor escorrendo pela testa e engolindo em seco a cada pancada que escuta sendo dado em algum lugar dentro da oficina. Sakura não olhava para ele, olhava para dentro da oficina se encolhendo antes de cada barulho.
– Você é uma criança, Sakura! — Ssori berra de algum lugar e Sasuke faz menção de se levantar para ir ficar ao lado dela, mas Sakura faz que não com a cabeça e ele se senta receoso.
– Eu tenho 19 anos, Sasori! — Sakura esbraveja olhando para dentro da oficina silenciosa. — Que droga! Quando vai parar com isso?
Sakura ofegava com a mão no batente olhando com determinação para dentro da oficina.
– Sakura, ele vai...
– Ele não vai nada! — Sakura o corta – Eu não sou criança, poxa, eu sei me defender!
– Você mal conhece ele! Até ontem ele era gay!
– Você mal conhece a Rin! — Sakura rebate cruzando os braços.
Outro barulho é ouvido e Sasuke não aguenta mais ficar sentado sem fazer nada. Ele se coloca ao lado de Sakura passando a mão pela cintura dela e olhando firme para Sasori. Firmeza que dá uma estremecida ao ver o tamanho da chave inglesa na mão do ruivo.
– Sasori, me escuta. — ele diz em tom baixo e o ruivo o lança um olhar assassino. — Eu vou cuidar dela, eu... gosto dela.
Sakura o olha encantada e Sasuke faz de tudo para não desviar os olhos de Sasori que encara os dois relaxando um pouco os ombros e deixando a chave inglesa em cima de uma mesinha.
No chão, Sasuke vê várias ferramentas caídas e uma lata de parafusos esparramada pelo lugar como se tivesse sido chutada.
Sasori respira fundo passando as mãos no cabelo como se fosse arrancá-los.
– Tudo bem – ele diz por fim fazendo Sakura agarrar a blusa de Sasuke – Tudo bem, vocês podem namorar, mas que fiquem cientes que se qualquer coisa acontecer antes do tempo, se fizer a Sakura sofrer... eu te quebro, escutou?
Sasuke aperta mais Sakura a seu lado dando de ombros. Sasori sai pelo portão da oficina para espairecer e Sasuke sente o corpo de Sakura e o próprio relaxando.
– Não foi tão ruim – Sakura diz por fim. Sasuke arqueia uma sobrancelha incrédulo – É sério, você não conhece o Sasori.
Sasuke dá um mínimo sorriso aliviado, mas sem demonstrar. Ele a abraça chegando perto da boca dela.
– Me mostra seu quarto – ele sussurra dando um risada quando vê a careta de pavor da Sakura.
– Você é maluco? Suícida?
Sasuke a beija com cautela, atento aos barulhos do lado de fora. Quando se separam a porta da sala se abre e Sasori entra como um furacão, olhando acusador para os dois abraçados.
Sakura fica vermelha e se separa de Sasuke.
– Eu vou pegar aquele colar pra você ver. — ela sussurra e ele assente se sentando no sofá.
Sasori, com cara de poucos amigos se senta em frente a ele. Nenhuma palavra é dita, mas os olhares trocados dizem tudo.
O ruivo e o moreno se encaram num batalha de quem assusta mais, e o Haruno leva vantagem devido a situação dos dois. Sakura pula os degraus rapidamente chamando Sasuke com um aceno de cabeça para fora da casa.
– Saso, vou ficar ali fora.
Sasori não responde, só segue os dois com os olhos.
Sakura se senta no banquinho em frente a casa.
– É esse colar. — ela diz rapidamente não querendo tocar no nome do irmão. — eu tinha me esquecido dele, mas com a ligação da minha mãe eu acabei lembrando.
Sasuke analisa a joia de cenho franzido. Sabe, só de olhar, que aquele cordão fino é de ouro e o pingente parece um cristal caro.
– Acho que foi minha mãe quem deu... — Sakura comenta depois de um tempo apertando a barra da camiseta.
– Parece ser uma jóia cara. — ele diz devolvendo o colar nas mãos de uma Sakura pensativa.
Ela respira fundo e Sasuke começa a estranhar o presente ainda mais. Conhecendo Sakura, sabia que aquele não era o presente de um homem, ela saberia se fosse, mas a mãe, pela descrição de Sakura, pareceu uma pessoa humilde, simples. Mas aquela histpria toda ainda estava muito mal contada.
– Você vai amanhã? — ele pergunta vendo-a enrolar a corrente no dedo anelar.
Mebuki havia pedido que Sakura a encontrasse novamente no dia seguinte, a garota estava mal com isso, não sabia o que pensar, o que fazer.
– E acho que sim. — ela responde num miado e Sasuke balança a cabeça.
– Quer que eu vá?
– Não, pode ir pro hospital, você pode me buscar depois, quero te levar num lugar. — Sakura sorri e Sasuke a beija no topo da cabeça.
– Ok. Amanhã o Gaara sai de lá. Vamos fazer algo pra animar um pouco.
– Coitado. — Sakura lamenta e Sasuke faz um barulho de graça.
– Nunca diga isso perto dele! — Sasuke diz com um sorriso – Gaara é forte, vai passar essa... a gente tá aqui pra isso, não é?
Sakura afaga o braço dele e descansa a cabeça em seu ombro.
Um carro prata de vidros escuros abriga uma pessoa que observa toda a cena com um radio comunicador e uma prancheta com as fotos de Sasuke e Sakura anexadas.
O rádio faz um barulho e uma voz masculina rompe pelo aparelho.
– Confirma as identidades?
– Sim, são Sakura Haruno e Sasuke Uchiha.
– Ótimo – uma risada sinistra se faz e a pessoa no carro ri junto tirando mais fotos do casal – Pode voltar pro hotel, amanhã de manhã começaremos a nos movimentar.
– Nos movimentar? — a pessoa solta uma risada.
– Não force a minha paciência...
– Ok, ok! Já estou indo. Continuo hospedado aqui?
– Sim, amanhã eu chego em Konoha.
– Ótimo, não aguento mais isso, pai.
– Pare de reclamar. Deixe tudo pronto, amanhã nós os teremos na mão, Sai.
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