R&I - Wish You Were Here
29 Capítulo 28 - Vida que Segue
Notas iniciais
Não me matem.
Finalmente um pesadelo que durou apenas dois dias, mas que parecia ter durado anos, chegou ao fim. Mesmo com as dúvidas que Maura e Lauren tiveram de que iriam sobreviver ou não, o pesadelo havia acabado e elas estavam vivas, apesar de estarem bem machucadas.
\n\nAssim que Alex carregou Lauren até a estrada onde estava o carro, encontrou com Jane e Maura e todas ficaram aliviadas. A polícia, incluindo Tenente Cavanaugh, Frost, Korsak e os agentes do FBI não tardaram a chegar, assim como às ambulâncias e os bombeiros, pois Jane avisou sobre a casa pegando fogo e pessoas feridas. Mesmo com o término daquele pesadelo, tiveram grandes dores de cabeça, especialmente Jane e Alex que ouviram muitas broncas do Tenente Cavanaugh, que teve que fazer isso, mesmo achando o ato delas heroico, porque estava na frente dos agentes do FBI que não se conformavam que os três sequestradores que estavam esperando prender a tanto tempo haviam acabado mortos, e pelas mãos de simples civis, e ainda do sexo feminino.
\n\nPelo fato de Maura e Lauren estarem machucadas e muito abaladas psicologicamente, Jane e Alex tomaram a frente, não deixando que colhessem nenhum depoimento das duas antes delas irem para o hospital cuidarem de seus ferimentos e descansarem. E as duas se adiantaram em dizer que tirando Jason, que o corpo estava na floresta e havia sido morto por um tiro de defesa de Alex, os outros dois haviam morrido dentro da casa queimados. Jane não sabia da história, mas seguiu as palavras de Alex, que não diria que Lauren havia assassinado-o, mesmo sabendo que foi para se defender e que isso não resultaria em nenhum tipo de processo. Ela não queria expôr aquele fato que com certeza traumatizou sua amada ruiva.
\n\nJane e Alex não queriam saber de mais nada. Não estavam se importando com as consequências de seus atos, se Cavanaugh as deixariam suspensas, ou sabe-se lá o que. O importante é que haviam salvo a vida das mulheres que amavam e só pensaram em ficar com elas naquele momento. Cada uma entrou na ambulância onde sua amada estava e deixaram tudo para trás. Os outros que resolvessem as burocracias do caso. Elas iriam ficar com suas mulheres.
\n\nNo hospital, Maura e Lauren receberam todo suporte necessário. Além dos hematomas e arranhões, Maura havia fraturado duas costelas e também a perna esquerda, por isso sentia muita dor e não conseguiu nem ficar em pé quando Jane fora resgatá-la. Lauren também tinha algumas fraturas, nas costelas e no braço, mas nada grave. A verdade é que ambas só precisavam mesmo de muito repouso, de descanso. Porque mais do que os ferimentos físicos, o pior, de fato, eram os ferimentos psiquicos e estes com certeza demorariam muito mais tempo para passarem, e ainda assim, não seriam esquecidos, especialmente por Lauren, que matou um homem.
\n\n– O que você e Jane disseram a eles? — Lauren perguntou para Alex, que estava no quarto da CTI ao seu lado, sentada na beirada da cama. Ela estava preocupada que mais alguém soubesse do que tinha acontecido com Edward.
\n\n– Contamos da nossa iniciativa "errada" de irmos sem a autorização ou ajuda deles resgatarem vocês, e que quando chegamos a casa estava já pegando fogo e não havia mais ninguém além do Jason. E que eu atirei nele — Ela sabia que Lauren estava preocupada com o assunto de Edward, podia ver em seus olhos a culpa, a dor. Pegou suas duas mãos machucadas e segurou delicadamente — Dissemos que os outros dois não foram encontrados, porque estavam dentro da casa e provavelmente morreram queimados. Eu não disse, e você também não irá dizer o que aconteceu lá dentro, ok?
\n\n– Mas Alex... eles vão me interrogar, vão interrogar Maura... — Já estava choramingando, duas lágrimas rolaram, Alex então soltou uma das mãos dela e levou ao seu rosto.
\n\n– Calma, fica calma. Eu contei a Jane e ela confirmou o que eu disse ao Cavanaugh e ao FBI. Ela vai conversar com a Maura e ninguém dirá nada. Nós somos todas amigas e só queremos esquecer isso. Eles vão interrogar vocês, e eu e Jane também, e vamos dizer a mesma coisa, sem contradições, sem detalhes adicionais. Todos que poderiam falar além de você e Maura estão mortos.
\n\nLauren assentiu com a cabeça, os olhos marejados e uma expressão tão inocente em seu rosto que ela parecia até uma criança que havia feito algo errado sem querer.
\n\n– Está tudo bem, você está bem, viva, a salvo. E eu tô aqui contigo, Lauren. Não vou a lugar algum, a menos que você queira... — Disse, abrindo aquele sorrisinho de lado, todo luminoso, sorriso esse que ela só dava para Lauren, e que derretia à ruiva completamente.
\n\n– Eu quero você do meu lado pra sempre.
\n\nDepois de uns dias, a poeira abaixou. Os agentes do FBI foram embora e todos na Central estavam calmos, tranquilos, até porque não havia aparecido nenhum novo homicídio, coincidindo para que todos tivessem tempo suficiente de se acalmarem, de se tranquilizarem após um caso tão grave daqueles que havia envolvido inclusive seus funcionários.
\n\nMaura, assim como Lauren, tiveram que ficar uns dias no hospital em observação, e esses dias que deveriam ser descansos, foram bem agitados. Os pais e a irmã de Lauren praticamente se hospedaram no hospital. Estavam lá dia e noite cuidando da recuperação da filha, certificando-se de que ela estava mesmo bem. Pareciam não acreditar que ela estava de volta. Por um momento, por conta da gravidade do sequestro, eles pensaram que o pior pudesse acontecer, mas graças a Deus e Alex ela estava bem, e viva. E esse fato contribuiu para que os pais de Lauren gostassem de Alex, à primeira vista, mesmo ela não sendo exatamente o tipo de mulher que imaginavam que sua filha iria querer ter uma relação séria e estável.
\n\nLauren praticamente teve que expulsar sua família de Boston, ou eles não iriam querer voltar para Wyoming, iriam querer ficar lá para sempre, de preferência morando com ela e tratando-a como criança. Mesmo assim, ela não podia negar que havia lhe feito muito bem ficar esses dias tão próxima de sua família. E ela não contou sobre o que aconteceu com Edward. Não contou e não falou sobre isso com ninguém, nem com Jane que fora visitá-la, já que estava vivendo no hospital também, só que no quarto de Maura.
\n\nA verdade é que Lauren queria apenas esquecer absolutamente tudo que havia ocorrido naquele sequestro, menos o resgate, o momento em que Alex segurou-a em seus braços e disse que estava com ela na escuridão e que a amava. Essa sem dúvida alguma era uma das cenas que ela jamais iria esquecer, e não queria.
\n\nMaura, mesmo não tendo pais ou uma família como de Lauren para ir visitá-la, além da companhia constante de Jane, que como Alex também estava afastada de seus cargos na Central, ela contou com a visita dos irmãos de Jane, Angela, que vivia por lá, falando alto e fazendo-a rir, levando também comidas deliciosas, Lydia e até mesmo o pequeno TJ, que alegrava Maura e fazia pensá-la que não demoraria muito para que ela e Jane tivessem um daqueles. E então lembrou do casamento.
\n\nO casamento, que aconteceria em menos de dois meses, teve que ser adiado pelo ocorrido. Precisavam de mais tempo para que Maura ficasse totalmente bem e pudesse resolver os detalhes que faltavam. Seu vestido já estava quase pronto, às questões do buffet estavam também quase todas resolvidas. Maura com a ajuda de Angela, antes do sequestro, já havia adiantado e resolvido muita coisa da decoração, da comida e das bebidas que seriam servidas. Só uma coisa que ela ainda não havia decidido: o local do casamento. Mas Maura se surpreendeu quando no último dia que estava no hospital, Jane disse que ela cuidaria disso, e que seria uma surpresa. Era novidade Jane tão interessada no casamento ao ponto de querer se manifestar em fazer alguma coisa que não fosse reclamar do vestido, ou do falatório sem fim de sua noiva e sua mãe. Mas Maura não contestou. Deixaria que ela fizesse a surpresa.
\n\nQuando sairão do hospital, Maura e Lauren ainda precisavam de mais alguns dias de descanso por causa dos machucados e também pela parte psicológica, especialmente Lauren que andava tendo pesadelos todas às noites no hospital com o que tinha acontecido e acordava quase aos prantos se não fosse por Alex estar ali ao seu lado, segurando sua mão.
\n\n[...]
\n\nLauren estava deitada no sofá do apartamento de Alex, vestindo apenas uma calcinha de desenho e uma blusa de moletom fechada e com capuz azul marinho, pertencente à Alex. Embora não vestisse nada da cintura para baixo além de calcinha, suas pernas estavam protegidas e quentes por causa do edredom que lhe cobria. Ela estava assistindo desenho animado na televisão. Já faziam duas semanas que tinha saído do hospital, e desde então ela estava no apartamento da morena.
\n\nNão sabia se era por causa do trauma do sequestro, por quase ter sido abusada sexualmente por Edward e por ter matá-lo depois, se era pelo medo absurdo que sentiu de nunca mais ver o sorriso de Alex, se era pelas brigas e término que tiveram anteriormente aquele ocorrido, mas Lauren estava bloqueada para sexo. E não só o sexo em si, mas ela parecia diferente. Menos solta, menos risonha, ainda que estivesse feliz sob os cuidados de sua detetive. Ela não parecia estar completamente liberta e recuperada do ocorrido, mesmo seus ferimentos quase todos já tendo desaparecido.
\n\nPegou no sono. Já estava quase dormindo desde que tivera deitado ali, há vinte minutos atrás. Adormeceu com a televisão ligada. Alex, que estava na cozinha, sem fazer barulho caminhou até a sala notando que Lauren havia parado de falar. Porque quando assistia qualquer coisa, ela costumava falar o tempo inteiro, comentar e principalmente rir. Como estava silenciosa, a morena desconfiou que ela já estivesse dormindo e acertou. Ao vê-la ali, adormecida, Alex desligou a televisão, tirou o edredom de cima dela e com todo cuidado do mundo pegou-a no colo, sentindo Lauren resmungar alguma coisa e se mover, abraçando seu pescoço, ainda que estivesse meio adormecida.
\n\nLevou-a até o quarto e lá a deitou delicadamente na cama e depois correu buscar o edredom na sala, que usou para cobrí-la até quase o pescoço. Olhou pela janela e não fazia sol, o tempo era fechado, combinando com a estação, com o frio e com a neve lá fora. Soltou um suspiro baixo. Se inclinou e deu um beijo na têmpora de Lauren e quando foi se afastar para sair do quarto, sentiu a mão da ruiva segurar-lhe o pulso. Olhou-a e então ela abriu aqueles olhos azuis radiantes.
\n\nComo que entendendo o que aquele olhar queria dizer, Alex se apressou na resposta:
\n\n– Eu estou aqui. Só vou guardar às compras na cozinha.
\n\nSe virou novamente e tentou dar um passo, mas Lauren permanecia segurando em seu pulso. A ruiva sentou na cama e seu olhar permanecia fixado nos olhos também azuis da sua morena.
\n\n– Não. Fica aqui, Alex. Eu quero você.
\n\nEla tinha mesmo acabado de ouvir aquilo que achava ter ouvido? Desde o retorno de Lauren do sequestro, ela estava diferente, contida. Não tinha aquela chama, aquele fogo exasperado. Somente duas vezes o clima entre elas tinha esquentado, mas não chegaram a fazer nada, porque à ruiva ficou bloqueada antes de qualquer mínimo avanço da parte de Alex, que mesmo desejando-a muito respeitava seu tempo de recuperação. E até agora, ela não havia dado sinal de muita melhora evidente, e no entanto, estava olhando-a nos olhos daquele jeito fixo e dizendo que a queria.
\n\nAlex lentamente sentou na beirada da cama, de frente para Lauren, sem parar de encará-la. Estava com receio de ter entendido errado, de fazer qualquer coisa e ela recuar.
\n\n– Lauren... você está se recuperando ainda... — Disse baixinho, na defensiva e agora a mão de Lauren segurava a sua, e logo ela pegou a outra mão de Alex.
\n\n– Eu quero você — Repetiu, com um jeito embriagado, ignorando o que a morena acabara de dizer, sabendo dos receios dela, mas querendo mostrar-lhe que não eram necessários. — Faça amor comigo, Alex — Sua voz saiu num sussurro rouco, arrepiando a morena por inteira.
\n\nLauren guiou as mãos da morena até seus seios por cima do moletom. Elas estavam bem próximas e suas respirações já se alteravam, tornando-se mais forte, só pela expectativa do momento, do que aconteceria a seguir. Estavam com tanta saudade uma da outra. E seria à primeira vez que se amariam após Alex declarar de seus lábios aquele amor que existia entre elas desde o primeiro momento.
\n\n– Lauren... — Sussurrou, ainda imóvel, ainda sem reação, com suas mãos sobre os volumosos seios. Alex podia sentir o pulsar, o bater do coração de sua amada. O coração dela batia tão forte quanto o seu. — Você... tem certeza? Eu quero muito fazer isso, mas...
\n\n– Absoluta — Se no olhar de Alex existia insegurança, no olhar de Lauren não havia nada além de certeza e do sentimento que a consumia desde o primeiro instante em que se permitiu conhecer Alex: amor. — Eu te amo, Alex. E eu quero ser sua, agora.
\n\nPronto. Aquilo foi o suficiente para derrubar qualquer muro de insegurança, qualquer barreira que pudesse existir ainda separando-as. Não importava mais nada do que havia acontecido. Elas estavam ali, e se amavam. Elas se pertenciam e tinham a urgência de quem ama. O desespero, o desejo, a paixão. Todos os sentimentos juntos, ao mesmo tempo.
\n\nAlex apertou os seios da ruiva, que ainda com as mãos sobre as suas ajudou na pressão e em seguida Lauren segurou no rosto dela quando seus lábios se encaixaram num beijo que já começou intenso. Em instantes Lauren foi derrubada na cama e Alex estava por cima dela, beijando-a daquela maneira que fazia até sua alma se sentir beijada.
\n\nEm poucos minutos, Lauren estava deitada na cama, completamente nua, e o corpo também nu de sua amada cobria os seus. Os lábios ardentes de Alex foram descendo pelo seu corpo, cheios de volúpia, beijando e mordiscando cada pedacinho de pele, explorando lentamente o pescoço, clavícula, colo e seios, enquanto suas mãos firmes apalpavam cada parte do corpo, até que estacionaram na cintura delgada, segurando com firmeza, quando seus lábios desceram lentos e carinhosos pela barriga, criando a expectativa do que ainda viria na ruiva.
\n\nAutomaticamente Lauren abriu suas pernas, querendo dizer que era de Alex e precisava senti-la, e é claro que a morena entendeu o recado, tanto que imediatamente afundou o rosto entre suas coxas e começou a explorá-la no meio das pernas com a língua ávida. Tocou meticulosamente cada cantinho com a ponta da língua, o toque tão delicado que dava agonia até que começou a tomá-la para si com intensidade, agarrando suas coxas e mergulhando a língua em seu interior, enquanto arrancava-lhe gemidos e suspiros. Sua respiração estava muito irregular e o coração batia tão forte que a ruiva poderia jurar que Alex estava ouvindo-o.
\n\nSentir-se tocada por Alex era algo sem narração. Ela era incrivelmente delicada e ao mesmo tempo tão selvagem que chegava a assustá-la, num maravilhoso sentido. Se por um lado tivesse ciúme pelo fato dela já ter tido tantas outras pessoas antes de si, por outro, Lauren precisava admitir que isso devia ter contribuído e muito para ela se tornar aquela amante tão boa e dedicada.
\n\nAquela noite seria longa, repleta de paixão e de tantos outros sentimentos que estavam sentindo e que transbordava, mas que poderia se resumir num único: amor.
\n\n[...]
\n\n– Jane? — Maura havia acabado de sair do quarto, após fazer sua higiene pessoal e vestir seu pijama, que havia ficado sem pela noite toda, mesmo com o frio de rachar que fazia. A casa estava com os aquecedores ligados. — Jane? Cadê você? — Maura foi caminhando por sua casa quase se arrastando, porque ainda sentia sono, os olhinhos meio fechados.
\n\nQuando chegou na sala, avistou Jane em pé, na cozinha, atrás do balcão, fazendo café. Usava uma calça de moletom cinza, um par de meias brancas e uma camiseta 3/4 preta. Imediatamente Maura sorrio. Nessas duas semanas em que Jane não saía de sua casa, ela estava tratando Maura feito uma rainha. Ao contrário do habitual, Jane praticamente não reclamava de nada, nem das comidas excessivamente saudáveis, nem das frescuras de Maura e sempre levantava antes que ela para preparar o café, do jeitinho que ela adorava.
\n\nJane não havia escutado os chamados de Maura, porque eram baixos, ela não gritava, especialmente logo cedo. Então ela foi se esgueirando sorrateiramente até estar atrás de sua morena e envolver-lhe o corpo quentinho e encostar o rosto em suas costas, fazendo Jane sorrir.
\n\n– Já acordada? — Maura perguntou — Não sei como tem conseguido levantar todos esses dias sem me acordar. Geralmente você é tão desastradamente barulhenta... — Apertou-a mais e beijou suas costas por cima da blusa, sentiu o cheiro do café que já estava quase pronto e sorrio — E agora me prepara café da manhã todos os dias. Estou gostando muito disso tudo, não me entenda errado, só não estou entendendo.
\n\n– Bom... — Ela suspirou e se soltou delicadamente dos braços de Maura, para virar-se de frente e encará-la com os olhos escuros que eram tão lindos que ela parecia sorrir por eles — Aconteceram tantas coisas, você naquele cativeiro... machucou sua perna... Eu estou aqui para cuidar de você, certo? — Maura assentiu com a cabeça — Então, é só o que estou tentando fazer. Cuidar da minha mulher e futura esposa!
\n\n– Isso me soa tão gostoso! "Futura esposa". E pensar que logo estaremos vivendo assim, juntas, mas na nossa casa... — As duas estavam ansiosas e isso era notório em seus olhares.
\n\nJane envolveu-a pela cintura, colando seus corpos e selou seus lábios lentamente.
\n\n– Será maravilhoso acordar todos os dias ao seu lado, sabendo que é definitivo, sabendo que somos casadas e que o Estado e todo o resto reconhecem isso.
\n\n– Ainda dá tempo de desistir — Disse em tom de brincadeira, vendo a reação de Jane, que continuava com o olhar fixo no seu e aquele sorriso de encantamento.
\n\n– Eu não vou desistir, Dra. E mesmo que você desista, eu estarei no altar te esperando...
\n\nMaura não resistiu, teve que beijá-la.
\n\n[...]
\n\nO casamento foi remarcado para o início da primavera, porque naquele frio e com neve, definitivamente era impossível realizar a cerimônia que Jane almejava. Maura concordou e nem ao menos desconfiava de onde seria. Ela não era boa com adivinhações e Jane não era do tipo que deixava escapar informações. Ela realmente queria surpreender Maura.
\n\nNo começo de dezembro a vida das quatro voltaram ao normal. Alex e Jane se apresentaram na Central e depois de uma longa reunião de portas fechadas com o Tenente Cavanaugh, elas receberão os boas vindas ao trabalho dos colegas. Maura também foi bem recepcionada pelo pessoal do necrotério e pelos detetives e Lauren voltou a faculdade, mas só para se despedir. Resolveu trancar o curso, porque aquilo não a fazia realmente feliz e ela só conseguiu enxergar isso depois de muita reflexão após o sequestro e todos aqueles ocorridos. Ela decidiu que começaria de novo e faria Psicologia, e teve o apoio da família e especialmente de Alex, que sugeriu que ela fosse morar em seu apartamento, o que deixou Lauren muito feliz.
\n\nA vida seguia seu curso normal e o tempo passava rápido, o que era ótimo para Jane e Maura que não viam a hora de se casar. A morena, com a ajuda de seus amigos inseparáveis estava cuidando de sua surpresa para Maura, que com a ajuda da sogra cuidava dos outros detalhes.
\n\nO natal chegou e foi maravilhoso, mesmo com tudo que tinha acontecido em novembro. Jane e Maura se reuniram com a família Rizzoli para comemorar e Alex se reuniu com a família de Lauren, em Wyoming e fez a festa ao lado de Elizabeth, que a adorava por causa do seu jeito descolado e despreocupado.
\n\nE Jonathan arranjou um namoro, o que surpreendeu a todos, especialmente Maura, que não estava acostumada a ver o amigo apaixonado e muito menos num relacionamento sério.
\n\nDepois de contar toda a história sua e de Maura com detalhes adicionais a Jonathan, Lauren e Alex, Jane os levou até o lugar onde ela pretendia realizar a cerimônia do casamento. Estava nervosa e apreensiva. Precisava da opinião de alguém e nada melhor do que pedir a opinião dos amigos, especialmente porque eram amigos de Maura também e saberiam lhe auxiliar da melhor forma possível — ou era o que ela esperava.
\n\n– E então? O que acharam? — Perguntou apreensiva, ao ver os três, silenciosos e com expressões de estudo nos rostos, observando o lugar ao redor.
\n\nIgnoraram a pergunta dela e continuaram olhando ao redor, sentindo o cheiro do lugar, a brisa, o vento voando em seus cabelos. Não se podia negar que havia um espaço amplo para realizar não só a cerimônia como também a festa, e era um lugar muito agradável, especialmente naquela época do ano. Depois de minutos intermináveis de silêncio, os três se entreolharam e olharam para Jane.
\n\n– Meu Deus, você arrasou, Jane! Até eu estou surpreendido com essa sua sensibilidade para ter esse tipo de ideia. Estou sem palavras.
\n\n– É incrível, cara. A Maura vai amar. Que ideia do cacete você teve!
\n\n– Eu amei, Jane. De verdade. E aposto que Maura vai amar muito mais. Esse lugar é perfeito, ainda mais depois do que você nos contou...
\n\n– Isso significa, então, que devo mesmo fazer a surpresa?
\n\n– É claro que sim! Nem pense em fazer o casamento em outro lugar! — Jonathan disse sério, tirando um riso de alívio da morena. — Estou realmente surpreso com você, be. Se continuar assim, Maura vai se apaixonar ainda mais.
\n\n– Assim eu espero, assim eu espero.
\n\n[...]
\n\nTudo estava perfeito para Jane. Em duas semanas ela e Maura estariam casadas. Já haviam ido ao banco, feito empréstimo e comprado a casa, que já estava totalmente mobiliada e do jeito que elas queriam. Seu smoking já estava pronto, o lugar onde faria o casamento, a surpresa de Maura, ela também já havia deixado tudo combinado, era só esperar e tudo seria feito de forma perfeita, do jeito que Maura queria, mas em um lugar que ela nem ao menos imaginava. O bolo também havia ficado por sua conta, e seria só mais uma surpresa. Ela mal podia esperar para ver a felicidade de Maura com estas surpresas, e mal podia esperar para colocar uma aliança no dedo dela e de chamá-la de sua esposa. Com certeza esse seria o dia mais feliz de toda sua vida.
\n\nMaura também estava radiando de felicidade, mesmo não fazendo ideia das surpresas que Jane fosse fazer, e ficando receosa, porque deixou que ela cuidasse do local e do bolo, que eram coisas bem importantes, ela confiava na morena e sabia que fosse o que fosse, seria algo ótimo. Desde o começo do ano Maura já estava arrumando suas roupas e todos os seus objetos pessoais, a maior parte já havia levado para a casa nova, assim como Jane e agora faltava pouco... bem pouco para realizar o maior sonho da sua vida.
\n\nEra sábado de manhã. Maura não havia passado à noite com Jane na noite anterior, então estava sozinha em casa. Acordou cedo e foi preparar seu café da manhã quando ouviu batidas na porta e foi correndo, só de camisola atender. Estava assim, agora. Não se importava tanto com o que costumava se importar antigamente, como sempre atender a porta usando um roupão ou qualquer coisa que fosse. Jane a deixava assim, mais leve e despreocupada. E como pensava que era sua noiva que havia tocado, não havia mesmo motivos para usar muitas roupas, pensou, com um sorrisinho levado. No entanto, teve uma surpresa ao ir abrir a porta.
\n\n– Ian? — Gaguejou, olhando o moreno de cima a baixo, usando roupas informais, mas mesmo assim que mostravam sua classe e elegância — O que faz aqui, uma hora dessas?
\n\n– Eu sei que é um pouco cedo e minha visita inesperada, mas... — Seu tom de voz era polido, e ele era tão gentil que disfarçou o fato de Maura estar tão sensual usando apenas uma camisola e fixou os olhos claros nos dela — Eu posso entrar? Gostaria de conversar com você, caso não seja incômodo.
\n\n– Não, imagina. Pode sim... — Ela deu espaço para que ele passasse — Deixe-me só trocar de roupa. Eu acordei há pouco e realmente não esperava por visitas. Só um instante. E se quiser tomar café comigo... — O homem alto e bonito a olhou surpreso, como se fosse algo anormal um convite para um café, mas abriu um sorriso genuíno com a ideia.
\n\n– Claro, eu aceito.
\n\n– Se puder ir pegando às xícaras ali e servindo enquanto eu me troco... senão o café esfria.
\n\n– Claro.
\n\nMaura tentou ser o mais rápida possível indo até o quarto e trocando de roupa, optando por algo aeróbico, confortável. Sozinho na cozinha, Ian viu a oportunidade perfeita para um plano que vinha arquitetando há algum tempo, e que não pensou que seria tão fácil de executar na primeira tentativa. Ele pegou às xícaras que já estavam em seu campo de visão no armário de vidro, serviu-as com o café, colocou açúcar e então rapidamente tirou um pequeno frasco do bolso da calça e despejou um pó branco numa quantidade exagerada em uma das xícaras, escondendo-o novamente no bolso e pegando as duas antes de se encaminhar até o sofá bem a tempo da chegada de Maura.
\n\n– Acho que agora já estou apresentável — Disse a loira, com um meio sorriso, sentando-se no sofá ao lado dele, que também sorria — Eu realmente estou surpresa com sua visita, ainda mais esse horário...
\n\n– É que eu estou prestes a viajar, minhas malas estão no carro — Contou, surpreendendo-a, enquanto lhe entregava a xícara com o café batizado — Eu vou voltar para Londres, Maura.
\n\n– Vai? — Estava surpresa — Viagem de negócios?
\n\n– Viagem definitiva. Estou voltando para residir em Londres. Eu gosto dos Estados Unidos, mas o meu lugar é na Inglaterra, nós dois bem sabemos disso.
\n\n– É, acredito que combine bem mais com você mesmo — Ela deu um meio sorriso ao ver que ele a fitava sem parar, especialmente quanto a observou levar a xícara até os lábios e beber um gole pequeno do café — Mas então veio se despedir?
\n\n– Sim, mas mais do que me despedir, eu vim me desculpar. Nosso reencontro não foi dos mais agradáveis, por minha culpa. Confesso que fui pego de surpresa pelas revelações que me fez... e agi como um bruto. Eu quis me desculpar logo em seguida, mas resolvi deixar a poeira abaixar e aconteceu aquele sequestro no final do ano passado, fiquei preocupado, pensei em te telefonar, mas eu não sabia como você reagiria... — Dizia, tranquilo e com um olhar de arrependimento, pausou para beber seu café e observou Maura acompanhá-lo, bebericando mais do seu — Eu sinto muito, Maura. E a verdade é que fico muito feliz de saber que você tem alguém que a ama de verdade e que te faz feliz, como você sempre mereceu.
\n\nMaura ficou muito surpresa, porém inegavelmente alegre ao ouvir aquelas palavras. Apesar dos pesares, Ian havia sido um alguém especial em sua vida, e ela gostava bastante dele. Sorrio.
\n\n– Não precisa se desculpar. Às vezes dizemos coisas sem pensar, no calor da emoção. Eu entendo, embora tenha ficado chateada na época. Mas já passou, Ian. Obrigada por se dar ao trabalho de vir até aqui me dizer isso e se despedir. É uma pena que já esteja retornando, eu iria te convidar para meu casamento daqui há duas semanas... — Ele disfarçou a surpresa ao ouvir aquilo, não havia necessidade em se exaltar com aquela informação, porque se seu plano desse certo, não aconteceria mais casamento. Se fixou no café e viu que Maura não havia bebido nem metade ainda, então virou toda sua xícara de uma vez enquanto ela falava e logo Maura fez o mesmo.
\n\n– Eu adoraria ir ao seu casamento, mas infelizmente não posso remarcar a viagem. Preciso voltar hoje, tenho algumas coisas pendentes em Londres para resolver antes de me instalar. Mas te desejo toda a sorte do mundo, Maur — Colocou a xícara sobre a mesinha e se levantou, sorrindo e Maura colocou sua xícara, agora também vazia, na mesinha antes de se levantar e ela já estava estranha, os olhos quase fechando.
\n\n– Nossa...
\n\n– O que foi, Maura? Está tudo bem?
\n\n– Eu... me deu uma tontura de repente, eu... — Ela pôs uma das mãos na testa e sentiu suas pernas falharem, ela quase caiu, ainda consciente, e Ian se aproximou, segurando-a pela cintura e essa foi a última coisa que ela se lembrava de ter visto, o homem se aproximando, antes de desmaiar.
\n\nJane tinha, há muito tempo, a chave da casa de Maura, assim como ela de seu apartamento, o que era normal, já que estavam prestes a se casar. A morena usava sempre essa chave porque engraçado ou não, toda vez que chegava na casa de Maura ela estava tomando banho ou fazendo alguma coisa que a impossibilitava de ouvir à campainha e era muito gostoso entrar sem ela notar e surpreendê-la, por exemplo, com um abraço por trás, a voz rouca em seu ouvido. Naquele sábado, ela quis fazer a mesma coisa que sempre fazia: surpreender a mulher que amava.
\n\nComo não pode sair e nem dormir com Maura na noite anterior, porque teve que ajudar o irmão Frankie em um dos casos que ele estava trabalhando na Unidade de Drogas, para compensar ela quis ir bem cedo à casa da amada entregar-lhe flores e chocolates suíços, os seus favoritos. Jane entrou na casa carregando um buquê e uma caixa não muito grande e nem pequena em formato de coração, com bombons. Chamou pelo nome de Maura baixinho, achando que ela ainda dormisse, mas estranhou ao ver duas xícaras de café sobre a mesinha da sala, então foi caminhando lentamente pela casa até o quarto dela, chamando mais alto por seu nome, mas não havia resposta. Quando chegou a porta do quarto aberta, o buquê e a caixa caíram de suas mãos ao chão, sua boca pendeu, o coração bateu de forma dolorosa e violenta com a imagem que surgiu diante de seus olhos: Maura, completamente nua em baixo dos lençóis com Ian, ambos aparentemente desacordados.
\n\n– Maura?
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