R&I - Wish You Were Here

23 Capítulo 22 - Surpresa!


Notas iniciais
Não, esse ainda não é o capítulo do aniversário da Maura com sua surpresa, pelo menos não com toda a surpresa, rs.

Capítulo dedicado a Kel e Nize, as farofeiras mais pervertidas desse fandom... não me matem caso o capítulo não tenha superado a expectativa de vocês. Devo avisar que escrevi certas cenas quando estava um pouco alta do vinho, porque olha...

Aprecie sem moderação.

Os dias estavam passando mais rápidos, mesmo todos eles sendo carregados de afazeres infinitos para Jane e seus "companheiros". Ela tinha que fazer muitas coisas até o dia do aniversário de Maura, porque ainda que ela pudesse esperar mais algum tempo para resolver algumas questões, ela não queria esperar. Ela queria que tudo ficasse pronto, organizado e resolvido até o dia do aniversário do amor de sua vida, para que ela tivesse todas as surpresas que uma verdadeira Rainha merecia ter. Jane queria fazer isso por Maura. Queria por várias razões. Porque amava Maura mais do que tudo e sabia que ela merecia até mesmo as estrelas, se Jane pudesse lhe dar. Porque Maura era uma verdadeira Rainha e nada do que ela fizesse nunca seria suficiente, em seu pensamento. Porque queria fazer um pedido de casamento mais especial, à altura da loira, justamente no dia do seu aniversário, para fazê-la se sentir ainda mais feliz e especial e também, porque Jane jamais esqueceria o seu aniversário de dezoito anos, a maneira como Maura conseguiu enganá-la mesmo sem poder mentir e criou toda aquela surpresa emocionante e linda, que Jane jamais esqueceria pelo resto de sua vida. Toda aquela surpresa que estava arquitetando para Maura era pouco perto de tudo que à loira lhe dava todos os dias.

Maura podia não ser tão esperta para entender ironias e acompanhar certos raciocínios estranhos de Jane e Alex, mas ela não era boba e estava notando uma diferença no comportamento não só das duas, mas de todos ao seu redor. Os detetives, Angela, os irmãos de Jane, e até mesmo seu melhor amigo. Eles agiam de forma estranha, especialmente quando Maura fazia alguma pergunta de onde eles estavam indo juntos, ou quando ela decidia desabafar com algum deles que Jane estava muito "ausente" naqueles dias, sempre correndo de um lado para o outro e nunca lhe dando informações exatas do que estava fazendo. Não que ela desconfiasse que a noiva estivesse fazendo algo errado, claro que não, até porque se estivesse e todos soubessem, eles não iriam acobertar, muito menos seus amigos. Só que ela realmente sentia-se chateada por estar excluída de algo que todos estavam fazendo juntos. E não, ela não desconfiava que fosse porque seu aniversário estava próximo, e que eles iriam lhe dar uma festa surpresa. Até porque Maura não ligava muito para seu aniversário.

Como Jane havia notado o certo desânimo da namorada por causa disso, decidiu alegrá-la um pouco. Naquela noite, Jane convenceu Maura com muito esforço a saírem com Lauren e Alex. Maura não tinha mais nenhum sentimento negativo em relação à ruiva, já que não havia motivos. E pelo que Alex contava, ela ganhava cada vez mais simpatia da loira por estar fazendo sua amiga feliz.

As quatro foram se encontrar no Dirty Robber.

- Esse lugar é tipo o ponto de encontro das sapatonas da Homicídios, é isso? — Lauren perguntou bem humorada assim que se sentou ao lado de Alex de frente para Jane e Maura.

- Eu não sou sapatona — Maura disse meio ofendida — Esse termo é muito pejorativo e inapropriado, tanto que eu fui descobrí-lo recentemente.

- Você não sabia o que significava "sapatona" antes? — Alex a olhou perplexa, assim como Lauren e Jane, como se ela fosse uma estranha e Maura não ligou, dando de ombros. — Eu ein. Mas é. Dirty Robber é tipo isso mesmo. As comemorações de casos resolvidos são aqui, os almoços quase sempre são aqui, qualquer encontro é aqui...

- Sim, porque aqui servem os melhores hamúrgueres e tem minha cerveja favorita.

- Jane só pensa em comer essas porcarias gordurosas. Tem sorte de ter uma genética boa, como sempre digo. Do contrário seria uma obesa — Murmurou Maura enquanto bebia um gole do seu vinho na taça.

- Eu não tenho só genética boa não, ô sabichona. Eu me exercito, ok? São anos de treino!

- Ah, me poupem! — Alex disse impaciente — Foda-se se essa sua barriga sarada é treino ou genética boa, o importante é que você tem. Vamos pedir logo a comida porque estou com fome.

- Isso, boa ideia. Estou morrendo de fome também.

Lauren e Maura olharam para suas respectivas companheiras, com a mesma expressão.

- Você só pensa em comer, Jane?

- Alex, nós comemos antes de sairmos do seu apartamento!

As duas morenas reviraram os olhos e se olharam.

- A sua é chata assim todo dia ou hoje é ocasião especial porque estamos todas juntas? — Jane perguntou ironicamente.

- Todos os dias.

Lauren beliscou com força o braço de Alex que quase berrou.

- Oh merda! Nossa, que isso? Quer arrancar um pedaço de mim? Ainda se fosse com a boca eu até acharia legal, mas...

- Alex! — Lauren disse constrangida ao ver o riso contido de Jane e Maura. — Pare com isso. O que suas amigas vão pensar de mim?

- Que você, embora não pareça, é tão safada quanto a Maura — Jane disse provocativa antes de beber um gole de sua cerveja e então foi a vez de Maura ficar constrangida e olhá-la assustada.

- Jane Clementine Rizzoli — Disse séria, imitando Angela e fazendo a noiva revirar os olhos.

- Que? Clementine? — Lauren e Alex estavam surpresas.

- Que porra de nome feio do caralho é esse?

- Dois palavrões em uma frase pequena. Você precisa parar com isso, amor — Lauren disse de forma suave, e logo voltou a rir — Clementine? Sério? Quem coloca um nome desses na filha?

- Ah, mas que maravilha ein Maura — Jane olhou irritada para a noiva, que deu de ombros — Eu sei, esse nome é uma merda, mas reclamem com minha mãe. Eu não tenho culpa. E só queria avisar vocês que Maura se chama Maura Dorthea Isles.

Maura virou de forma meio bruta e olhou para Jane com os olhos arregalados, como se dissesse "como você pode?"

- Dorthea? — Alex começou a gargalhar alto, junto de Lauren — Dorthea e Clementine. Tá aí. Vocês combinam pra caralho.

- Dorthea e Clementine não são nomes feios, eu gosto — Maura disse com um ar superior, fazendo as três olharem para ela com cara de nojo.

- Pelo amor de Deus, Maura. Nem eu gosto do meu nome.

- Porque você é chata.

- Você é chata, eu não sou chata.

- Continuem, continuem — Lauren disse, soltando risos — Vocês duas discutindo é super divertido.

- Demais, né ruivinha? — Alex passou o braço por cima dos ombros da namorada e deu um beijo em sua têmpora — Duas babaconas.

- Babaca é você — Jane disse fazendo careta, e Maura não disse nada, ficou séria fitando o nada até sentir a mão de Jane segurar na sua delicadamente — E nós não estamos discutindo. A gente quase não faz isso, não é, Maur?

A loira olhou para ela com um sorriso doce e sua vontade era de beijar Jane ali mesmo.

- Quase nunca, Jay.

- Tá, chega dessa melação, vamos pedir logo a comida! — Alex ergueu o outro braço para chamar o garçom.

Elas fizeram seus pedidos que logo foram entregues. Até Maura acabou comendo um lanche gorduroso com batatas fritas e nem reclamou, porque a verdade é que tudo aquilo era mais do que delicioso. Enquanto comiam, elas conversavam sobre todos os assuntos e davam boas e altas gargalhadas, até chamando atenção das outras pessoas as vezes. Estavam se divertindo muito. Quando o assunto chegou em ciúme, Lauren e Maura viraram praticamente melhores amigas para zoarem suas namoradas.

- Não! Maura, você tinha que ver essa daqui... ela ficou enlouquecida! Eu tava meio alta por causa das bebidas, tava dançando de boa e um carinha começou a dançar comigo, só dançar, nada demais. E ela foi buscar as bebidas, quando voltou e viu a gente dançando... Meu Deus do céu, a bichinha ficou louca, não foi amor? — Lauren ria muito e Alex estava com a cara séria, fechada.

- Só dançando? O cara tava quase te comendo com os olhos e ficava te encoxando!

- Besteira, besteira. Deixa eu continuar contando pra Maura...

- Conta, conta.

- Aí o cara começou a dar em cima da Alex!

- Sério?

Jane e Maura riram junto de Lauren e Alex revirava os olhos enquanto comia suas batatas fritas.

- Sim! Eu não lembro direito, acho que ele falou uns negócios sobre menage e PUM, Alex meteu um soco na cara dele! Acertou o nariz em cheio! O cara caiu igual bosta... — As três estouraram numa risada alta.

- Really? Você estourou o nariz do garoto? — Jane olhou desacreditada para Alex, imaginando a cena e então ela riu ainda mais — Você é muito malvada, cara.

- O cara folgado tava dando em cima da MINHA namorada, depois veio dar em cima de mim, o que você queria que eu fizesse? Tive que impor respeito.

- Gente, como vocês são violentas — Maura ria também — Jane também é dessas. Inclusive não sei como esses dias ela não estourou o nariz de um homem também.

- Ah, não, não Maura. Você não vai falar sobre isso...

- Vai sim, conta aí Maura, eu quero saber! — Lauren disse empolgada — Deixa de ser chata, Rizzoli.

Maura contou detalhadamente tudo que aconteceu, porque ela amava dar detalhes, e Jane ficava bufando e fazendo caretas enquanto Lauren e Alex riam sem parar, imaginando toda a cena.

- Isso foi engraçado, mas você devia ter metido a porrada no cara, Jane! — Incetivou Alex.

- Eu teria metido se não estivéssemos dentro de uma exposição. Eu seria expulsa ou eles até acionariam a polícia... e eu sou a polícia...

- Vocês precisam parar de serem tão violentas!

- Precisam mesmo. Qualquer dia vão se meter com o cara errado, desses que batem em mulher e aí eu quero só ver.

- E você acha que eu tenho medo? — Alex olhou para sua namorada — Se o cara vier pra me bater, aí que eu dou um pau nele mesmo.

- Isso mesmo. Tá certa.

O assunto logo mudou e a conversa continuava. A comida acabou, as bebidas também, mas logo pediram mais. Continuaram bebendo e conversando. As quatro tinham um introsamento muito bom e nem parecia que um dia Jane e Lauren havia tido qualquer coisa, porque não havia ficado um clima ruim, nem aqueles comentários tensos no ar que causam ciúmes nas namoradas atuais. Era tudo natural e tranquilo. Maura e Lauren estavam se dando muito bem, e isso era ótimo para Alex e Jane. Ninguém sabia como e nem por quê, mas de repente o assunto era sexo e do nada o tema "strap on" surgiu na conversa, causando polêmicas.

- Vocês nunca usaram um strap on? — Alex olhou horrorizada para Jane e Maura. À loira sabia o que era um, na verdade Maura sabia praticamente tudo, porque ela era um google, então o fato dela conhecer tecnicamente falando um strap-on não seria novidade, mas nunca havia usado.

- O que é isso? — Jane perguntou já preocupada. Tudo que vinha de Alex cheirava à malícias.

- Strap-on dildo, na verdade, é um "brinquedo erótico", é um pênis artificial preso à uma cinta que é amarrada ao quadril de uma mulher para que essa faça o "papel" de homem numa relação homossexual feminina, e também podem existir casos em que a mulher usa esse brinquedo com um homem — Jane fez uma expressão de horror com a explicação de Maura e Lauren e Alex se controlavam para não rir alto — Geralmente esses strap-on possuem uma saliência que pode ou penetrar na vagina ou massagear o clitóris de sua usuária, para que essa também sinta prazer durante o ato.

- Que bela explicação ein — Lauren ironizou, vendo que Jane estava cada vez mais chocada.

- Que porra é essa? — Jane perguntou — Um pau de amarrar na cintura?

- Jane! Eu acabei de explicar e dar o nome completo!

- Ué, mas não deixa de ser uma espécie de "pau" que amarra na cintura.

- Maura, pare de ser tão científica. "Nós" costumamos brincar chamando de cinta pau.

- Nós quem? — Lauren olhou enciumada para Alex.

- Calma, ruivinha. "Nós" eu quero dizer a comunidade lésbica, quando nos reunimos para falar sobre isso, rola essas brincadeiras com o nome. Mas na hora do vamo ver ninguém fala "cinta pau" e nem "strap-on". Porque não precisa dar nome pra essa porra.

- Sei, sei. E então você já usou isso? — Tom de ciúme permanecia na voz da ruiva.

- Já... — Alex respondeu baixo, com medo de deixá-la ainda mais nervosa — Mas não precisa ter ciúme, ruivinha. Eu nem te conhecia ainda, faz tempo isso.

- Meu Deus Alex, o que você não fez ainda nessa vida que nós não sabemos? — Jane perguntou ainda chocada.

- Qual é cara, vai dizer que nunca fez algo inusitado? E usar strap on nem é nada demais comparado há uns fetiches bem loucos e estranhos que existem. Sabe que na Europa é super comum as lésbicas usarem?

- Mas... eu não entendo bem isso... — Jane coçou a nuca — Qual é a graça? Porque, se eu sou lésbica, é porque eu sou uma mulher e gosto de outra mulher. Se eu quisesse um pênis eu estaria com um homem, certo?

Laure e Maura observavam agora as duas falarem sobre aquele assunto estranho e não faziam colocações, apenas observavam e refletiam.

- Esse pensamento é coisa de gente brega e de mente fechada — Alex retrucou, irritando Jane. Ela detestava ser taxada por qualquer coisa que remetesse gente velha e antiquada — Não é porque você tá usando um negócio desse no quadril que isso significa que você seja ou queira ser um homem. Assim como não é porque uma mulher está usando um desses em você, e você está gostando, que isso indique que você seja hetero ou bissexual. O que eu vou dizer agora é comprovado científicamente e Maura pode confirmar pra mim. Toda mulher, até aquelas sapatonas escrotas que pagam de macho-ativas sentem prazer ao serem penetradas, porque a anatomia do corpo feminina é feito para isso.

- Alex tem razão — Maura concordou.

- Então, independente se você gosta de outra mulher, de homem ou até de cavalo — Ironizou, fazendo Lauren e Maura a olharem com caras de nojo — Você vai sentir prazer ao ser penetrada. E imagine o quão legal seria se sua parceira pudesse te dar prazer da penetração enquanto as duas mãos dela estariam livres para te segurar ou vasculhar o resto do seu corpo? E imagine as posições que vocês poderiam fazer tendo essa liberdade de mãos? Um simples brinquedinho pode te dar tudo isso, e isso não significa que você goste de homem, ou no caso, se for você a usar o negócio, que você queira ser um.

Jane parecia pensativa, assim como Maura e Lauren. Nunca nenhuma das três havia parado para refletir aquele assunto, e Alex sendo safada e meio ninfomaníaca como era, chegava a ser estranho ela dar aquela explicação sem fazer zueira ou falar palavrões. Qualquer um que visse a cena daria risada. Mulheres refletindo seriamente a respeito de um strap-on.

- É, pensando por esse lado... mas mesmo assim... acho um pouco estranho... não sei se eu me sentiria confortável usando algo assim... qual é a graça pra quem usa?

- Alguns desses strap-on's possuem o estímulo no clitóris — Maura disse numa expressão normal, como se estivesse falando sobre qualquer assunto comum.

- Sim, e não só isso. Cara, é uma sensação bem louca... tipo, Maura pode te confirmar isso também. O prazer está mais ligado ao nosso psicológico do que nosso físico. Com ou sem esse estímulo, quando você tá ali, com as mãos livres, segurando uma mulher, tocando ela do jeito que quiser enquanto a faz gritar feito louca... é muito foda!

- Gritar feito louca? — Lauren olhou para Alex — Meu Deus do céu, esse assunto não está muito adequado. E eu nem quero imaginar quantas mulheres antes de mim você fez gritar feito louca! — Ela deu um tapa no braço de Alex, fazendo Jane e Maura rirem.

- É, esse assunto está estranho mesmo.

- Eu não acho — Disse Maura para surpresa de todos — Achei interessante Alex abordar esse assunto e dar toda essa explicação. Eu já havia lido a respeito disso algumas vezes e existe mesmo um tabu em certos países, onde as lésbicas possuem pensamentos muito tolos em relação ao strap-on. A maioria delas apresentava pensamentos respectivos aos seus, Jane. Eu concordo com Alex e tenho curiosidade em usar.

- Uou — Alex disse e Lauren colocou uma das mãos sobre a boca para não rir ao ver a expressão que Jane fez.

- O que? Você tem vontade de usar esse negócio? — Jane olhou para Maura, que ficou sem graça ao ver que havia confessado aquilo na frente dos outros.

- Sim, não, quer dizer... bom, eu tenho curiosidade e... do jeito que Alex falou... parece... parece interessante.

- Prepara ein Jane — Alex disse em tom de brincadeira e ela e Lauren ficaram rindo da morena.

[...]

Quando chegaram no apartamento de Jane, já estava um pouco tarde e ambas sentiam-se exaustas. Haviam bebido um pouco além da conta e se divertido muito na presença de Alex e Lauren.

Agora era quase todo dia assim. Jane dormia na casa de Maura e no outro à loira dormia em seu apartamento.

Mesmo o momento tendo sido descontraído, todas rindo e levando tudo numa espécie de brincadeira, Jane conhecia Maura o suficiente para saber que se ela havia dito aquilo em respeito ao tal do strap-on, era porque ela realmente devia ter curiosidade, ou vontade mesmo de usá-lo e isso ficou martelando em sua cabeça.

Elas já haviam trocado de roupa e Maura estava deitada, em baixo dos lençóis, daquele jeito toda encolhida e quase dormia, quando Jane terminou de vestir seu pijama e sentou na cama.

- Maura...

- Sim?

- Sobre aquele assunto do strap-on...

- O que tem?

- Você tem mesmo vontade de usar? — Ela olhava para à loira que até então estava de olhos fechados e os abriu para encará-la.

- Porque está me perguntando isso? — Respondeu meio nervosa. Pelas coisas que Jane havia dito no Dirty, Maura achava que ela continuava não gostando da ideia mesmo com a explicação de Alex, e que ela não iria querer usar.

- Curiosidade. Queria saber.

- Deixa isso quieto. Eu sei que você não gosta e...

- Maura, eu te fiz uma pergunta. Você tem vontade de usar?

A loira não podia mentir por causa das urticárias e não estava entendendo o por que da insistência da noiva naquele assunto. Soltou um suspiro alto.

- Tenho, Jane. Eu... — Sentiu-se um pouco constrangida — Bom, como eu disse, já havia pesquisado algumas coisas a respeito e fiquei pensando sobre o que Alex disse. A comodidade de ficar com duas mãos livres e tudo... Já nos imaginei usando algumas vezes e isso me deixou com curiosidade. Mas é só isso. Não fique chateada e nem pensando bobagens... — Maura disse preocupada e para sua surpresa recebeu um sorrisinho.

- Eu não estou chateada e nem pensando bobagens.

- Não? Não acha que o fato de eu ter curiosidade de usarmos isso signifique que eu sinta falta ou vontade de um homem? Porque isso é um pensamento totalmente inadequado, como Alex disse, porque usar um brinquedo com formato igual ao de um pênis não significa que...

- Sh, pare de ser boba — Jane deitou na cama ao lado de Maura, em baixo das cobertas . — Eu sei que você não quer nenhum homem, e também nenhuma mulher além de mim.

- Então porque me fez essa pergunta?

- Por curiosidade.

[...]

Todos os preparativos da festa surpresa de Maura ficaram sobre a responsabilidade de todos, menos Jane e Alex que estavam ocupada com às outras questões.

Angela, que era uma cozinheira de mão cheia, com a ajuda de Lydia e Lauren, faria o bolo, e esse seria trabalhoso de se fazer, além dos salgadinhos e docinhos servidos em festa de aniversário.

Frankie, Tommy e Frost ficaram encarregados de comprar balões e coisas utilizadas para enfeitar uma festa, além também de terem eles mesmos que fazerem a decoração do lugar no dia da festa.

Jonathan era encarregado de convencer Maura que Jane havia se esquecido de seu aniversário, e não deixá-la desconfiar de nada. Ele tinha que ficar perto dela quase que o tempo todo e isso não era grande trabalho para ele.

Até Cavanaugh estava sabendo sobre a festa e que Jane também planejava algumas outras surpresas que aí só Alex e Jonathan mesmo sabiam com detalhes, e por isso ele facilitava a saída de Frost e Frankie do trabalho do nada, quando não havia serviço, para que fossem comprar às coisas.

Jane estava horrorizada. Era à primeira vez na vida que entregava em um lugar daqueles e até agora não sabia o que havia ido fazer ali. Seus olhos se vinham confusos com tantas coisas estranhas e diferentes para olhar. Cada hora ela olhava para um lado e tudo parecia muito bizarro, especialmente porque as duas atendentes da loja tinham cara de safadas, eram cheias de tatuagem e pircing e olhava para ela e Alex como se fossem devorá-las.

- Eu não acredito que te deixei me trazer nesse lugar... — Jane resmungou baixo, perto de Alex, que apenas ria do comportamento da amiga.

- Qual é, relaxa. Nós não estamos num presídio e nem num hospício, só em um sex shop. Você nunca entrou mesmo em um antes?

- Claro que não. Você acha que eu sou igual a você?

- Com certeza não, para o seu pesar — Alex provocou e a outra revirou os olhos. — Pare de reclamar. Aqui é legal. Olha quanta coisa...

Jane olhava e via fantasias, uma variedade infinita, dildos e vibradores de todos os tamanhos, grossuras, cores e texturas, óleos, calcinhas comestíveis, algemas, chicote e váriso tipos de apetrechos que ela nem imaginava que alguém pudesse vir a usar entre quatro paredes. Eram tantas coisas diferentes e inusitadas que ela não parecia estar num lugar onde o artigo era sexo, mas sim em uma loja que vendia coisas para o circo.

- O que vocês vão querer, garotas? — Uma das mulheres, uma ruiva, que lembrava um pouco Lauren, mas tinha pircing no septo, no nariz, no lábio e um alargador em cada orelha, além dos dois braços cobertos de tatuagens.

- Strap-on, você pode arranjar um pra gente, gata? — Alex perguntou com um sorrisinho brincalhão que a garota correspondeu de forma maliciosa.

- Meu Deus... deixa Lauren saber disso...

- Relaxa, Rizzoli. É um flerte do bem. Não tem malícia.

- Da sua parte, porque da parte dela eu já não sei — Jane disse após a mulher se afastar e ir caminhando até o balcão, dando a volta por de trás do mesmo que era enorme.

- E como vocês querem? Qual material? De que tamanho? Circunferência? Cor?

- Isso é com a minha amiga — Alex disse apontando para Jane com o dedão.

- Comigo? Que? Eu que tenho que dizer? Mas eu nem entendo dessas coisas.

- Não tem mistério. O cinto é normal. Você tem que se preocupar é com o dildo em si, porque é ele que vai "entrar em ação" e por não ser um pênis de verdade, você não vai sentir ao penetrá-lo na Maura, mas ela vai. Então se preocupe no conforto dela.

- Tá... hãm... — Jane parecia confusa e constrangida, a mulher olhava para ela e tentava não rir, assim como Alex. — E o que seria mais confortável para ela?

- Eu recomendo material de silicone. É menos duro e mais elástico — Disse à ruiva em tom malicioso.

- Oh, sim...

- E o tamanho? E a grossura? — Alex perguntou para a amiga.

- Eu não sei... Maura não me disse qual é a preferência dela no dia que eu perguntei se ela tinha mesmo vontade de usar isso — Jane resmungou.

- Você devia ter perguntado!

- Mas aí ela iria desconfiar!

- É verdade...

- O tamanho e a circunferência eu posso ajudá-las a escolher tranquilamente. A maioria das mulheres levam em média mais ou menos o mesmo tamanho. Mas como você quer o dildo em si? Mais realístico, parecido com um pênis? — Jane fez uma expressão de repúdio tão estranha que a vendedora soltou um risinho — Não, você não quer um muito realístico. Esperem...

A mulher se encaminhou para dentro de uma porta que havia atrás do balcão e voltou minutos depois com uma cinta preta e um dildo relativamente grande e grosso, como um pênis de um homem bem dotado seria, ele, ao contrário da maioria que Jane já havia visto — sem querer — em vídeo pornô, não era cor de pele, rosado e nem possuía aquelas veias e cabeças desenhadas como se fosse realmente um pênis. De pênis mesmo ele só tinha o formato, tamanho. Era todo vermelho.

- Vermelho? — Jane tombou a cabeça um pouco para o lado e coçou o queixo. A cada instante naquela loja ela se sentia mais constrangida e careta por não entender daquelas coisas.

- Tem outras coisas, se preferir. Mas eu acho que vermelho combina com você, ainda mais por causa dessa sua pele morena. Dá um contraste bacana — A mulher disse dando uma piscadela.

- Contraste bacana? Como ela sabe que eu que vou usar isso? — Jane perguntou baixinho para Alex que se controlava para não rir. — Hum... e qual é o tamanho disso aí? Tá parecendo grande...

- 20 centímetros e 3.75 de diâmetro.

- Porra... tá bem dotada ein Rizzoli — Alex brincou, dando um tapa no braço dela. — Vai, leva esse mesmo. Eu gostei.

- Mas... mas será que a Maura vai...

- Leva esse e cala a boca. E pare de fazer essa cara de idiota. Isso é comum. Até Maura que nunca usou acha comum e concordou comigo. Vê se não vai fazer essa cara de imbecil na hora em que for usar senão ao invés de ficar excitada, ela vai é rir da sua cara!

- Me respeita! Eu sei muito bem o que fazer e como fazer pra excitar minha mulher.

- Hum... assim que se fala!

[...]

Jane estava escondendo o strap-on dentro de uma caixa no topo do armário. Enquanto não chegasse o dia de usar, não queria correr o risco que Maura ou até mesmo sua mãe vasculhando seu apartamento encontrasse aquele acessório. Lauren estava no apartamento de Jane também.

- Uniforme de policial? Tem certeza? — Jane a olhou de forma estranha da cozinha, enquanto pegava um copo de água — Eu nunca gostei muito daquele fardamento preto, ainda mais tendo que prender o cabelo igual vovó...

- É, a parte do cabelo é zuada mesmo, mas você não vai usar isso oficialmente, então não precisará prender o cabelo, otária. Vai por mim, vai ficar legal.

- Eu não sei não... porque não posso ir com uma roupa normal?

- Caralho, como você é difícil! Porque não vai ser um dia normal, vai ser uma coisa especial. Vai, pega lá a porra da farda e veste e vem aqui de cabelo solto pra eu ver como vai ficar.

- Really? Quer mesmo que eu vá me trocar?

- Agora, Rizzoli, vai!

Jane soltou um bufo alto e foi batendo suas botas com força no chão enquanto caminhava para seu quarto, dando a entender que não gostava de receber ordens de Alex.

Enquanto Jane demorava uma eternidade para se trocar, Alex pegou uma cerveja em sua geladeira e se sentou folgadamente no sofá, ligando a televisão, colocando os pés sobre a mesinha e acariciando com a mão livre Jo Friday que deitou ao seu lado para assistir ao jogo do Red Sox vs. Yankess que passava na televisão.

- Alex... — Jane chamou baixinho, tímida, escondendo-se ainda na parede do corredor.

- Vai, vai! Ah, não, droga! — À amiga resmungava olhando a televisão.

- ALEX! — Jane berrou e então ela ouviu, tirando os pés da mesinha e se virando num susto.

- Está pronta?

- Sim. Não sei se está bom.

- Apareça pra eu poder ver, né. Eu sou o Batman, você é o Superman. Não enxergo através das paredes, bonitona — Disse com ironia e Jane deu um sorrisinho amarelo.

- Imbecil...

Ainda hesitante, Jane saiu do corredor e surgiu, podendo ser vista dos pés a cabeça por Alex. Estava usando aquele uniforme preto que só os policiais usavam e seus cabelos estavam soltos e rebeldes, como sempre.

Alex ficou encarando-a, subindo e descendo o olhar sem dizer nada. De repente ela levantou do sofá e deixou a cerveja em cima da mesa. Parou em frente a Jane e continuou com aquele olhar, como se a estudasse.

- E então? Não vai dizer nada? Tô parecendo uma idiota tentando ser sexy nesse fardamento, não tô?

- Eu acho que só falta uma coisa...

- O que?

- Cadê sua arma e seu distintivo?

- Hã?

- Cadê, Rizzoli? — Alex começou a olhar ao redor do apartamento, procurando.

- Tá no quarto, no cinto da minha calça, mas por quê?

- Cala a boca e espera aí.

Alex correu para o quarto de Jane e voltou segurando ambos. Colocou o revólver no coldre que já vinha no uniforme de policial e prendeu o distintivo na cintura dela. Se afastou alguns centímetros e olhou-a de cima a baixo novamente.

- E então? Estou bem? Não estou ridícula?

- Com certeza a Maura vai querer que você coma ela com um dildo de 20 centímetros se aparecer vestida desse jeito na porta de sua casa. Eu pelo menos iria querer...

As duas começaram a rir alto.

- Não deixe Maura ouvir você dizer isso, por favor. Não vamos querer estragar uma grande amizade.

- Claro. E por favor, não conte isso a Lauren, ou ela vai dar um jeito de arranjar um uniforme igual a esse.

[...]

Maura estava inquieta, impaciente e irritadiça nos últimos dias. Ela simplesmente não suportava mais o fato de que todos estavam escondendo algo dela, e não estava especulando em sua mente se era algo bom ou ruim, se uma surpresa ou não, ela só sabia que escondiam algo e não aguentava mais. Andava estressada e descontava isso em qualquer um que ficasse perto dela por mais que cinco minutos. Jonathan era uma dessas pessoas.

- Querida, será que você poderia parar de andar de um lado para o outro por um instante? Está me deixando meio tonto — Jonathan disse, com o queixo apoiado em sua mão, sentado no imenso e extenso balcão da cozinha da loira.

- Eu estou nervosa, ok? E se você quisesse mesmo que eu me acalmasse, você me diria a verdade.

- Que verdade, Rainha do meu coração? — Ele se fazia de bobo.

- Porque todos estão agindo assim? Como se estivessem escondendo algo? — Ela parou de caminhar e olhou para ele — Se eu apareço no escritório, todos param de falar imediatamente e me olham de uma forma estranha. Se eu chego no Dirty e encontro Jane e Alex, elas param de falar. Esses dias elas estavam almoçando com a Lauren e até a Lauren não quis me dizer o que elas falavam!

- Porque o assunto deve ser particular, sei lá. Elas podiam estar falando de alguma privacidade da Lauren? — Ele sugeriu com um sorrisinho.

- Mas isso não explicaria não me contarem todas as outras conversas que aparentemente eu interrompi.

- Querida, isso deve ser coisa da sua cabeça. Relaxa! Seu aniversário é amanhã e ficar estressada logo agora não é uma boa ideia.

- Isso! Exato! — Ela apontou o indicador em alguma direção — Esse é o ponto.

- O que?

- Amanhã é meu aniversário.

- Eu sei.

- Só você sabe, porque eu não contei a ninguém, porque não me importo em fazer aniversário e ter comeramoções e aquelas coisas. Você e a Jane sabem.

- E?

- E você fala sobre isso comigo. Você fala tranquilamente... você está me lembrando todo dia que amanhã é meu aniversário e está me perturbando com a ideia de sairmos para comemorar, mesmo sabendo que eu não vou aceitar, que eu não quero ir porque estou estressada. Mas a Jane... a Jane não tocou no assunto! Nem sequer mencionou fazermos nada amanhã. Como se ela não se lembrasse...

- Você acha que ela pode ter se esquecido do seu aniversário? — Ele perguntou fingindo espanto. Sabia que Maura acabaria tendo esse pensamento, e era a intenção dele e de Jane que ela pensasse exatamente assim. — Será mesmo?

- Só pode ser! Além de não ter mencionado nada, ela anda estranha nos últimos dias. Nós não transamos essa semana, acredita nisso? Não transamos desde domingo! Domingo de manhã!

Jonathan deixou escapar um risinho.

- E você está assim porque fazem uns dias que não transam? Mas querida, vocês trabalham demais, quase não tem tempo e...

- Não, não. Mesmo se o presidente tivesse sido assassinado, nós estaríamos transando. Nem que fosse cinco minutos trancadas na minha sala, ou no banheiro da central. E mesmo exaustas, se pudéssemos ir para casa à noite, nós transaríamos. Mas essa semana ninguém de especial morreu. Só morreu um cara numa briga doméstica e ela nem sequer demonstrou interesse em transar!

- Isso é preocupante? — Ele estava com a mão sobre a boca contendo seus risos, o que deixou Maura ainda mais irritada.

- É sério, Jonathan! Jane é... ela é insaciável, ok? Ela quer transar comigo o tempo todo! E é normal porque somos jovens ainda, e estamos apaixonadas, vamos nos casar, certo? — Ela parecia meio desesperada — E do nada Jane perde o interesse de transar comigo, e ela não parece tão próxima, esquece do meu aniversário... isso... isso não é bom... — Fez uma carinha de choro, os lábios se comprimindo num beicinho infantil — E se ela... se ela não quiser mais casar comigo? E se ela estiver apaixonada por outra?

- Oh Maura, não! — Ele levantou do banquinho e foi na direção da amiga, abraçando-a de forma reconfortante ao vê-la chorar — Nunca que Jane se apaixonaria por outra. Não seja tolinha, meu doce. Ela ama você e nós sabemos disso, ok? Vocês podem estar uns dias sem transar, ela pode estar com algum problema que a fez se esquecer do seu aniversário amanhã, mas... ela te ama! Ok? — Ele soltou-a do abraço e tocou seu rosto, limpando suas lágrimas. — Diga, Maura, ok?

- Ok!

- Agora, já que você se recusa a sair comigo amanhã para comemorarmos, você vai me deixar pelo menos ficar aqui na sua casa até a hora do sono da beleza. Vamos pedir pizza, beber um vinho, falar bobagens, falar mal dos homens, porque mesmo você estando noiva de uma mulher, eu amo os homens e ao mesmo tempo os odeio e quero que eles morram!

Maura soltou uma gargalhada e já estava de bom humor novamente. Jonathan conseguia fazê-la rir em qualquer situação, mesmo quando sua vontade era chorar.

Sem desconfiar de absolutamente nada, Maura ficou em sua casa com Jonathan e fizeram exatamente o que ele disse. Pediram pizza e beberam vinho. Ela comeu sem se importar com as calorias extras. Que elas fossem se foder. Maura era linda, magra e gostosa. E estava deprimida, de qualquer maneira, porque todos estavam parecendo ignorá-la ultimamente, e sua noiva aparentemente tinha esquecido seu aniversário e elas não transavam há quase uma semana. Ela tinha o direito de comer aqueles pedaços de pizza.

Conversaram e riram bastante, já sobre o efeito do alcoól. Quando o relógio indicou 22:30, Jonathan se despediu e foi embora. Sozinha, Maura voltou a se sentir ainda mais deprimida. Conversou com Bass, pesquisou alguns documentários na internet e então finalmente foi dormir. O vinho havia deixado-a sonolenta.

Como ela já havia tomado banho assim que chegou do trabalho, só trocou de roupa, colocando uma camisola, pois fazia calor. Sua camisola era branca e com rendas. Depois de vestí-la, caiu em sua cama e em poucos minutos adormeceu. Maura dormia tranquilamente quando foi despertada de seu sono ao ouvir o barulho da campainha. Acordou logo de primeira, mas não quis saber de abrir os olhos. A campainha tocou de novo, por um tempo mais prolongado.

- Deus, não se pode mais dormir! — Resmungou, esticando a mão e acendendo seu abajur. Olhou no relógio da cabeceira e ele marcava 00:00 — Quem bate na casa de alguém uma hora dessas? — Ela estava tão mal humorada nos últimos dias e estressada, que suas teorias assustadoras de assassinos ou bandidos foi descartada. Com certeza ninguém estava tocando sua campainha aquela hora para assassiná-la. — Mas eu vou assassinar quem me acordou uma hora dessas... — Ela disse com um sorrisinho irônico enquanto saía da cama.

Antes de deixar seu quarto, Maura pegou um robe branco e transparente que estava sobre a poltrona e vestiu. Nem se preocupou em calçar nada. Foi perambulando pela casa igual a um zumbi, os cabelos loiros levemente amassados e desarrumados, seus olhos meio borrados do delineador, já que ela estava tão cansada que nem quis se dar ao trabalho de retirar sua maquiagem. Caminhou até a porta e nem olhou pelo vidro, abriu-a direto, de forma meio bruta e se surpreendeu e muito, sua boca pendendo, seus olhos descendo lentamente, avaliando o que estava enxergando: Jane. Jane vestida de policial, como se ainda fosse uma, com revólver e distintivo na cintura, como se estivesse trabalhando, mas os cabelos estavam soltos e ela não usava seu quepe. E coincidentemente ou não, os cabelos de Jane estavam mais emaranhados que o normal, e extremamente sensuais.

- Ei, Maur — A morena disse, quebrando o silêncio, ao ver que sua noiva estava sem reação. Embora Jane estivesse nervosa por motivos óbvios, ela não poderia vacilar na "missão" daquela noite.

- Você está... está vestida de... policial. Por quê? E são 00:00h.

- Sim, são 00:00. Sabe que dia é hoje, Maur? — A voz dela permanecia mais sexy que o normal, aquele tom excessivamente rouco causando arrepios em Maura.

- Hoje é... sexta, quer dizer, sábado.

- Hoje é seu aniversário — Maura ficou surpresa ao ver que ela se lembrava. — Achou que eu tivesse esquecido, não é? — A loira assentiu, ainda surpreendida com tudo aquilo, com Jane vestida daquela forma e com o jeito extremamente sensual que ela estava agindo. — Eu não esqueci. Estou aqui para te dar o seu presente... — Seu tom ainda mais malicioso e então ela deu uma leve mexida no quadril e colocou sua mão direita pouco a baixo da sua cintura, em cima do dildo que estava dentro de suas calças. Sim, ela estava vestindo o strap on e só então, ao ver a mão da morena ali, é que Maura fixou seu olhar na calça e reparou um volume absurdo. Aquilo realmente era o que ela imaginava que era?

- Jane... — Maura disse quase num sussurro, seus olhos ainda fixados no volume da calça dela, então subiu o olhar e voltou a encarar os olhos escuros, que pareciam sedentos de desejo. — Isso é o que eu estou pensando que é? — A morena assentiu com um leve balançar de cabeça e sem pensar duas vezes ela avançou para dentro da casa, já agarrando Maura pela cintura e puxando-a para si enquanto se beijavam de forma intensa.

Jane chutou a porta com o pé, fazendo-a bater com força e encostou de forma bruta o corpo de Maura ali, sem parar de beijá-la. Seus corpos estavam tão colados que Maura podia sentir o volume do dildo roçando em seu corpo. Rapidamente Jane se livrou do robe de Maura e suas mãos vasculhavam todo o corpo dela com urgência, erguendo a camisola e enfiando as mãos por dentro, apertando Maura contra si cheia de saudade. Quando o beijo roubou completamente o fôlego delas, pararam.

- Oh meu Deus... você... nossa... faz uns dias que não nos beijávamos assim... — Maura disse ofegante, com um sorrisinho, ainda encostada na porta. As mãos de Jane estavam na porta, uma de cada lado do corpo da Maura. — E você está tão sexy vestida desse jeito... minha policial... — Ela desceu o olhar pela roupa de Jane novamente, então abriu o cinto de sua calça, onde ficava o coldre com o revólver, e deixou o mesmo cair no chão, o barulho da arma batendo sendo substituído logo pelo som dos lábios se colando novamente.

Maura puxou a camisa de dentro da calça e começou a desabotoá-la antes mesmo de sequer fazer menção de tirar sua gravata. Desabotoou a camisa por completo e então enlaçou o pescoço de Jane enquanto se beijavam até ficarem sem fôlego novamente.

Jane tirou a camisola de Maura sem aguentar esperar muito tempo. Deitou-a no sofá e começou a explorar todo seu corpo com sua boca. Ela beijava, mordia e chupava cada pedacinho de pele, em especial o pescoço, os seios, a barriga, às coxas. Sua boca e suas mãos vagavam livremente pelo corpo de Maura que já pegava fogo. Jane subiu sua boca até a da loira novamente e deixou seu corpo pesar sobre o dela, o dildo por dentro da calça roçando na calcinha que Maura ainda vestia. Suas pernas estavam abertas e ao redor do corpo de Jane.

- Está gostando do seu presente de aniversário, Doutora? — Perguntou no ouvido dela em um sussurro que fez Maura se arrepiar mais do que já estava. Mordeu o lóbulo da orelha dela e em seguida foi chupando seu pescoço novamente enquanto sua mão esquerda ia até o meio das pernas de Maura, sentindo por sobre a calcinha o quão excitada ela já estava. — Hum... toda molhada...

- Você me deixa assim...

- E eu mal comecei!

Jane abaixou seu corpo e arrancou a calcinha de Maura, tudo naquele jeito selvagem, desesperado. Abriu as pernas pálidas e macias e não esperou nada antes de afundar o rosto e começar a dar o prazer que sua amada merecia. Sua língua quente e rápida vasculhava toda aquela região. Por várias vezes sua língua penetrava em Maura, quando não estava ocupada brincando de forma rápida em seu clitóris. À loira gemia alto. Porque ela amava o jeito que Jane a chupava. Porque a morena parecia estar chupando o sorvete mais delicioso do mundo. Parecia estar devorando uma refeição, como se ela fosse uma pessoa faminta que não comia há dias. Ela deixava Maura louca só com o toque da sua língua...

Jane a chupou muito, durante longos minutos. Sugava com vontade o clitóris de Maura, fazendo vários barulhinhos e enquanto isso enfiava seu dedo indicador para dentro da loira, sentindo ainda mais sua excitação, seu calor interno. Depois enfiou mais um dedo e começou um vai e vem rápido, frenético, exigindo mais do corpo da loira, que correspondia gemendo alto e se contorcendo toda no sofá, sua pele já ficando avermelhada do tesão que sentia, especialmente as maçãs de seu rosto.

Ela pressionava seus dedos dentro de Maura para cima, estimulando-a no ponto G enquanto a chupava. As vezes afastava sua boca dali por alguns instantes, só para provocá-la, e ficava encarando aquela vagina rosada, que no momento estava avermelhada de tão devorada que estava sendo, e o desejo da morena só aumentava. Retirou seus dedos e voltou a devorá-la somente com sua boca, passando sua língua em todos os lugares possíveis até Maura gozar pela primeira vez.

Jane voltou a subir seu corpo sobre o dela e Maura a puxou com força pela gravata, e a beijou de forma desesperada, sentindo seu gosto na boca de Jane. Arrancou a farda e deixou a gravata em Jane, que combinava com o sutiã, que era preto. Passou suas unhas com força pelos braços da morena enquanto se beijavam agora de uma forma não tão intensa quanto antes, pois Maura estava ofegante. Ficaram se beijando por longos minutos até que Jane levantou do sofá.

- Quer ver o tamanho do seu presente? — Perguntou de forma maliciosa, enquanto abria sua calça.

Maura sentou no sofá, com as pernas abertas e os joelhos dobrados, de forma provocativa, ficando toda exposta para Jane. Seus braços erguidos seguravam na parte superior do sofá.

- Uhum... me mostra...

Sem rodeios, ela abaixou sua calça de uma única vez, exibindo o strap-on que vestia. Jane não usava calcinha, apenas o acessório que segundo Maura pareceu lhe cair muito bem naquele momento. A loira ficou sem fôlego por alguns minutos ao ver o tamanho e a grossura de Jane. Ela sabia que por mais que a noiva tenha se disposto a fazer aquilo, aquela surpresa deliciosa para ela, e até que tenha mudado sua opinião a respeito do acessório, era à primeira vez que Jane usaria e deveria estar nervosa.

- O que achou? — Perguntou levemente insegura, mas sem perder o tom erótico na voz.

- Achei ótimo, mas acho que ficaria melhor ainda com você usando ele dentro de mim... — O tom coberto de malícia na voz da loira causou arrepios na espinha da morena, que tirou sua gravata e sutiã em menos de um minuto.

Jane ajoelhou na beirada do sofá, ali, entre às pernas de Maura. Beijou-a por um momento e a encarou com seus rostos quase colados. Segurou no dildo com a mão esquerda e o ajeitou, encaixando sua ponta na entrada de Maura, enquanto a outra mão segurou na cintura da loira. Lentamente Jane empurrou seu quadril, fazendo o brinquedo deslizar para dentro de Maura bem devagar, sumindo dentro dela. Nesse momento Jane fixou sua atenção no rosto de Maura, vendo-a fechar os olhos e inclinar a cabeça para trás, fazendo uma expressão de prazer e soltando um gemido alto. Suas mãos agarrando nas laterais do corpo da morena com força.

- Oh Jay...

O dildo deslizou até o fundo, entrando totalmente dentro de Maura e então ela cravou suas unhas na pele da morena, fazendo-a soltar um grunhido baixo. Jane segurou com as duas mãos espalmadas e firmes na cintura de Maura e a puxou contra seu corpo, fazendo-a erguer o quadril do sofá e se encaixar melhor no dildo. Então, ela passou as mãos por baixo das coxas, colocando-as em sua cintura e se levantou do sofá com Maura nos braços e o brinquedo afundado em sua vagina.

Maura estava tão excitada, tanto sua parte psicológica quanto física, seu corpo avermelhado, levemente suado, seus braços envolvendo o pescoço de Jane, suas mãos desesperadas arranhando às costas dela enquanto Jane a carregava casa adentro. A morena também pegando fogo, o corpo todo quente e cheio de sensações, seu clitóris sendo estimulado — por algo que ela nem sabia qual era o nome — a cada pequeno movimento que o dildo fazia em Maura.

A loira arranhava tanto suas costas e agora chupava seu pescoço de uma forma tão gostosa que Jane quase perdeu os sentidos e teve que parar de caminhar por um momento, encostando-a na parede e forçando suas coxas mais para cima, pois ela estava escorregando. Maura apoiou as mãos nos ombros de Jane e começou a mover seu quadril, subindo e descendo no dildo enquanto gemia de forma provocativa no ouvido de sua noiva.

- Oh Maur, você geme tão gostoso... você rebola tão gostoso...

Sendo tomada pela vontade louca de possuir Maura de todas as formas possíveis, Jane recobrou os sentidos e a carregou até o quarto, caindo na cama sobre ela, e então passou a mover seu quadril de forma contínua, entrando e saindo com o dildo de dentro dela de maneira rápida, enquanto seus braços a envolviam e a apertavam. Elas voltaram a se beijar.

Os movimentos eram frenéticos e não paravam. O quadril de Jane, o dildo entrando e saindo, o quadril de Maura. Eles não paravam. Elas não paravam. Enquanto Jane fazia Maura enlouquecer, estocando o dildo daquela forma firme e rápida, suas mãos vagavam pelo corpo dela, apertando, arranhando, segurando, comandando. Chupou os seios da loira e logo trocou de posição, colando-a de lado, de costas para si e se encaixando atrás dela, erguendo sua perna e então afundando o dildo novamente em sua abertura. Uma de suas mãos estava no colchão e a outra apertava o seio direito de Maura enquanto seu nariz roçava na nuca dela.

- Você... vai... me deixar louca... desse jeito... — A loira sussurrou entre gemidos, colocando sua mão sobre a mão de Jane e fazendo uma força absurda para deixar sua perna direita erguida, enquanto sentia o dildo em seu interior, até que ela apoiou sua perna na perna da morena. — Vai me matar...

- Vou te matar de prazer...

Quando Jane saiu de trás de Maura, a loira praticamente pulou em cima dela, tomando conta da situação. Sentou no colo de Jane e encaixou o dildo em sua entrada, voltando a gemer alto e fechar os olhos. Apoiou suas mãos no toráx de Jane e logo estava segurando nos seios da mesma enquanto movia seu quadril de forma lenta e sensual, rebolando no brinquedo, fazendo-o deslizar dentro de si, enquanto Jane podia assisti-la naquela performance, absorvendo todas as suas expressões de prazer, vendo seu corpo todo exposto para si, uma imagem realmente excitante. Suas mãos apertavam o quadril de Maura e guiavam seus movimentos. Jane nem podia imaginar o quão boa Maura era "cavalgando".

À noite foi longa e parecia interminável. Elas não se cansavam, mesmo com os corpos suados, queimando, eletrizando e relaxando a cada novo orgasmo que ambas tinham. Jane possuiu Maura em várias posições diferentes e não só na cama. Colocou-a na parede, em pé, depois a fez ficar ajoelhada na poltrona e de costas para ela. Voltaram para cama e Jane novamente foi envolvida no meio daquelas pernas deliciosas. Suas estocadas eram firmes, fortes e rápidas, nem parecia que Jane não havia usado um strap-on antes em toda sua vida. Ela sabia muito bem manuseá-lo e por mais vulgar que o pensamento pudesse parecer, Maura não pode evitá-lo: Ela fodia muito melhor do que muitos homens por aí, e isso incluía Ian na lista.

Depois de longas horas, Maura exausta e com sua vagina toda avermelhada e levemente dolorida, ela ainda teve disposição de devorar todo o corpo de Jane com sua boca, especialmente o meio de suas pernas, depois de livrá-la do strap-on, deixando-o dentro da pia do banheiro para ser lavado e guardado quando as duas não estivessem quase morrendo. Quando finalmente haviam cessado toda e qualquer atividade sexual, estavam mais do que exaustas. Caíram uma de cada lado da cama, suadas, descabeladas, ofegando, os corações acelerados, e os corpos doloridos, porque afinal, não era todo dia que Jane carregava Maura nos braços e nem que elas faziam todas aquelas posições e ainda mais por tanto tempo. Teriam que treinar aquilo para aperfeiçoar e acostumar seus músculos.

Agora elas estavam deitadas em baixo das cobertas, ainda nuas, Maura de barriga para cima e de Jane de lado, encostada nela, seu braço direito passando por cima do abdômen da loira e sua outra mão tocando os cabelos dela enquanto se olhavam de forma mágica, em silêncio, até que Jane decidiu quebrá-lo.

- Que achou do seu presente? — Perguntou com aquele sorriso esboçando as covinhas que à loira tanto adorava.

- Sem palavras... — Disse aos risos. — Eu amei essa surpresa. Você fica tão sexy com aquela farda... nunca tinha visto você usando-a antes.

- É o fardamento da polícia. Como sou detetive, não preciso mais usar, mas eu guardei.

- E eu também amei o seu desempenho, detetive Rizzoli — Falou em tom malicioso — Nunca pensei que você tivesse um movimento pélvico tão bom assim.

- Movimento pélvico? — Jane perguntou com uma careta, se controlando para não rir — Só você mesma, Maura. Eu fiquei receosa que talvez você não fosse gostar...

- Mas eu adorei! Obrigada! — Ela selou os lábios de Jane demoradamente — E eu achando que você tinha se esquecido do meu aniversário... aí dá 00:00 e você me aparece toda gostosona vestida de policial na minha porta e ainda usando um strap-on... devia ter tirado uma foto!

- E iria mostrar para quem a foto? Sua louca! Claro que eu não esqueceria seu aniversário. Agora vamos dormir um pouco. São quase 5:00 da manhã. Vamos descansar... porque eu não sei você, mas eu estou exausta!

- Ah, eu também, eu também... vamos.

Elas se ajeitaram, Maura virou de costas e então Jane a abraçou em uma conchinha deliciosa. À loira foi dormir naquela madrugada feliz e realizada, achando que aquela era sua melhor surpresa de aniversário, quando na verdade ela mal havia começado e ela nem desconfiava do que ainda viria pela frente.

Notas finais
Santa Sasha deu pulos de alegria com esse capítulo. E vocês?