R&I - Wish You Were Here

24 Capítulo 23 - Marry Me?


Notas iniciais
Outro capítulo fresquinho porque estou inspirada essa semana.

Capítulo dedicado a Jú, mesmo ela nunca tendo feito sequer um comentário por aqui, ela acompanha a fic desde o início e comenta no twitter, mesmo sendo uma farofeira de primeira também u.u

No início da manhã de sábado, Maura ainda dormia de forma tranquila e pesada, pois estava realmente cansada após perder quase toda a madrugada fazendo amor daquela forma selvagem e deliciosa. Jane, por outro lado, já estava acordada, pois não podia se dar ao luxo de dormir até mais tarde com sua amada naquele dia. Ainda precisava arrumar os últimos detalhes de suas surpresas.

Com o maior esforço e cuidado do mundo, ela conseguiu sair da cama sem acordar Maura. Tomou um banho, não no banheiro do quarto dela, para não acordá-la e vestiu uma roupa qualquer que ela havia deixado na casa da loira. Lavou o strap-on e o guardou junto com seu uniforme de policial numa sacola que deixou em seu carro. Foi até a padaria buscar algumas coisas, passou na floricultura e voltou, por sorte, Maura ainda dormia. Preparou um belo café da manhã para ela e deixou um bilhete em cima do balcão com o café todo posto antes de ir embora.

Maura acordou e já eram pouco mais de 10:30h. Se espreguiçou toda espaçosa na cama e assim que viu que Jane não estava ali, despertou de vez, chamou pelo seu nome, procurou-a no quarto mas não encontrou. Vestiu sua camisola e assim que saiu para fora do quarto, viu pétalas de rosas de todas as cores fazendo uma trilha pelo corredor de sua casa. Ela foi seguindo a trilha com um sorriso bobo e a cada passo que dava, um cheiro delicioso de coisas gostosas ficavam mais fortes. Assim que ela chegou na sala, pôde ver no balcão da cozinha um café da manhã maravilhoso. Quando se aproximou, ela viu frutas, croissants de vários sabores, pão francês, torradas, biscoitos, suco de laranja, uma variedade de geléias, cereais daqueles saudáveis e nutritivos que Maura adorava e café com grãos selecionados, e não café instântaneo. Maura abriu um sorriso enorme com aquele café da manhã tão maravilhoso e logo achou o cartão de Jane.

"Bom dia, meu amor.

Espero que você aprecie esse café da manhã. Tentei fazê-lo o melhor possível para minha aniversariante mais linda e maravilhosa. Queria estar aí contigo para tomá-lo, mas infelizmente não posso, preciso resolver os últimos detalhes da surpresa que preparei para você, porque definitivamente eu não esqueci que hoje é seu aniversário.

Só poderemos estar juntas no final do dia, por isso quero te pedir para que em hipótese alguma você venha até meu apartamento ou a qualquer outro lugar para me procurar. Fique em sua casa, porque você receberá algunas encomendas ao longo do dia. E não se preocupe, mandei dois palhaços para alegrarem seu dia. Eles devem chegar na hora do almoço.

Que o seu dia seja doce e maravilhoso. O meu com certeza vai será só pela expectativa de que estaremos juntas à noite.

Eu te amo, muito. Até mais tarde.

Feliz aniversário!

Sua Jay."

Sabendo que teria que ficar em casa, sozinha, e aguardar até o fim do dia para encontrar com Jane, Maura decidiu relaxar e aproveitar, porque era o seu dia. Ela voltou a passar os olhos novamente no belo café da manhã que estava ali, exposto somente para ela, e deu literalmente pulinhos de alegria, batendo palma. Ela sentou e começou a degustar um pouquinho de cada coisa. Pegou alguns morandos frescos que haviam ali e deu para Bass.

– Vou compartilhar com você um pouquinho do meu café da manhã especial — Ela disse ao cágado — Jane que preparou tudo isso para mim. O que você acha? — O animal mal se movia, apenas os olhos, enquanto mastigava lentamente — Sim, Jane é a melhor noiva do mundo.

Depois que terminou de tomar seu café, Maura foi novamente para seu quarto e para o banheiro. Notou que o brinquedo da noite anterior não estava mais ali e ao pensar nele, lembrando-se de tudo que ocorrera na madrugada, ela deixou um sorriso malicioso brotar em seus lábios. Após seu banho rápido no chuveiro, vestiu uma roupa leve e aeróbica para ficar em casa, e mal havia terminado de se arrumar e a campainha tocou.

– Entrega para Maura Isles — Disse um rapaz uniformizado, de olhos e cabelos escuros e um sorrisinho gentil.

– Sou eu! — Ela disse e se surpreendeu ao ver o enorme buquê de rosas amarelas acompanhada de um cartão. — Obrigada!

O rapaz foi embora e ela fechou a porta. Sentiu o aroma das rosas e abriu o cartão.

"Essa é uma das razões para que eu tenha pedido que ficasse em casa. Ao longo do dia, você receberá mais alguns buquês. Como eu sei que você gosta de flores, espero que não vá se importar de ter sua casa redecorada assim.

A gente só conhece bem as coisas que cativou."

Jane sabia que Maura amava "O Pequeno Príncipe." Desde pequena, até os dias atuais, Maura continuava achando aquela obra de Antoine de Saint-Exupéry algo extraordinário, que causava uma profunda reflexão em qualquer um que se dispor a lê-lo.

Até o horário do almoço, Maura ficaria sozinha e não teria o que fazer. Já estava se sentindo entendiada, e ansiosa, o que fazia o tempo parecer passar mais devagar, então ela desfez todo aquele belo café da manhã que já havia desfrutado e foi lavar louça. Durante menos de uma hora e meia, ela recebeu mais três buquês.

Recebeu um buquê de flores do campo, coloridas, um buquê de rosas champanhe e um buquê de rosas brancas para trazer paz, segundo o cartão de Jane. Era sempre o mesmo entregador que trazia os buquês e curiosa, Maura o indagou quandos ainda faltavam, mas ele dizia que não podia falar nada, e sorrindo, ia embora, para retornar mais tarde. Maura ficava sempre surpresa cada vez que sua campainha tocava e um sorriso bobo fugia de seus lábios a cada novo buquê que surgia para enfeitar sua casa, e sua vida.

12:00 em ponto, sua campainha tocou e agora não era mais entrega de buquês e sim Jonathan e Lauren, que mal esperaram ela abrir a porta e simplesmente saíram se empurrando para ver quem a abraçava primeiro. Acabou que os dois abraçaram ao mesmo tempo, um abraço duplo, forte e carinhoso, desejando aos berros e aos risos feliz aniversário.

– Vocês são "os dois palhaços" que Jane disse que mandaria para me fazer companhia? — Maura perguntou aos risos, toda encantada com tudo que estava acontecendo.

– Somos sim, e adivinhe! — Disse Lauren.

– Trouxemos presente! — O amigo disse super excitado.

Ele e Lauren saíram e foram até o carro, quando voltaram estavam cheios de caixas e sacolas.

– Meu Deus, mas tudo isso é presente só de vocês dois?

– E o que tem demais nisso? Descobri que Lauren é ótima em compras, não é, querida? — Ele disse olhando para à ruiva — Passamos dois dias inteirinhos essa semana comprando coisinhas. Vem, senta, vamos abrir tudo!

Maura se deixou ser guiada pelos dois até o sofá. Eles haviam comprado várias coisas, várias peças de roupa, incluindo dois vestidos lindos, Lauren comprou um livro gigantesco sobre mitologia grega, que Jane havia dito que à loira gostava, e Jonathan comprou também três livros científicos, um deles falando sobre vulcões, cheios de imagem e tudo que Maura adorava.

Eles a fizeram experimentar os vestidos e ficar desfilando para eles avaliarem. Maura ria demais dos comentários que eles faziam, inclusive das "notas" que eles davam para cada parte do corpo dela.

– Eu acho que ela tem uma bunda legal — Maura do corredor pode ouvir Lauren dizer.

– Que isso, garota assanhada! Já pegou a noiva detetive, agora tá de olho na noiva médica? Por favor, você se respeite que minha melhor amiga vai se casar com sua ex e você está namorando minha outra amiga que também é detetive. Isso acabaria em tiros.

– Eu só elogiei a bunda dela, ok? — Disse aos risos — Prefiro a bunda da minha Alex.

– Hum... lésbicas! Todas assanhadas...

Maura soltou um riso. Com certeza seria divertido passar o dia ao lado daqueles dois.

[...]

Se Jane pensou que teria tempo para ficar sozinha e tentar relaxar até a hora do pedido que faria para Maura, ela estava muito enganada. Assim que saiu da casa da loira e foi para a sua, só teve tempo de tomar um bom banho, cuidar de Jo, se organizar, preparar sua roupa e já saiu de casa, foi para casa de sua mãe, onde seus irmãos e Alex estavam reunidos. O bolo já estava pronto, assim como todos os salgadinhos e docinhos que sua mãe havia ficado preparando com Lydia ao longo da semana. Era só transportar tudo para o Dirty Robber e fritar. Eles haviam reservado àquela noite de sábado no Dirty só para eles.

Jane e todos os outros ajudaram Angela a transportar o bolo e cia com cuidado até o estabelecimento. É claro que o caminho todo até lá eles foram discutindo e berrando, típico de uma família de italianos. E Alex também não era uma das pessoas mais tranquilas do mundo.

Já no Dirty, Susie e Frost apareceram cedo, pois haviam prometido ajudar com a decoração. Espalharam os balões, às bexigas, pendurando-as. Alex e Jane em cima de escadas erguiam uma faixa enorme que dizia "Feliz aniversário, Maura!". Angela fez as duas ficaram quase uma hora em cima das escadas, dizendo que a faixa estava torta.

A festa começaria umas 19:00h, então eles tinham tempo para arrumarem qualquer detalhe que faltasse e afins. Jane já tinha se certificado da maior parte das coisas, deixando poucas tarefas para os outros. Ela havia levado um pen drive com todas as músicas possíveis que sabia que Maura gostava para tocar no Dirty. Depois de passar quase o dia todo ali, ajudando a todos com os fins dos preparativos, Jane precisava passar em um lugar primeiro.

Ela não sabia se estava ficando realmente louca, ou se a influência de Alex, Lauren e Jonathan era assim tão forte e negativa ao ponto de fazê-la cometer certas loucuras. Na noite anterior já havia feito algo totalmente inusitado e que talvez nunca tivesse tido coragem de fazer se não fosse o incentivo de Alex. Mas aquela loucura que estava diante dos seus olhos agora era muito maior. Essa loucura havia sido colocado em sua cabeça há muitos dias atrás, assim que comprou às alianças e teve a ideia brilhante de surpreender Maura. Os "três patetas", como Jane gostava de chamar Jonathan, Alex e Lauren, haviam convencido-a a fazer aquilo.

Ela estava diante da maior e melhor loucura da sua vida. E não conseguia não sorrir ao ver aquilo. Aquela casa era realmente o que Jane sempre imaginou para ela e Maura. Uma casa que unia o conforto e sofisticação que Maura gostava, com a simplicidade de Jane. Era um misto delicioso das duas mulheres, que também faziam uma dupla totalmente diferente e complementar.

[...]

No final do dia, a casa de Maura estava lotada de tantos buquês diferentes e coloridos que Jane havia mandado. No total deviam ter uns trinta. Sorte que ela tinha vários vasos guardados e Jonathan e Lauren a ajudaram. Quando foi se aproximando do final do dia, os dois foram embora porque ainda tinham que se arrumar para a festa dela, que naquela altura, Maura já imaginava que aconteceria.

Ela foi tomar outro banho, esse mais demorado e de banheira, para relaxar e conter sua ansiedade. Quando saiu do chuveiro, passou seus hidradantes, perfume e se vestiu. Colocou um vestido vermelho bem colado, para dar vida a suas curvas e um casaquinho preto por cima, além dos seus inseparáveis saltos. Se maquiou de forma leve, realçando seus olhos verdes com o delineador e deixou os cabelos perfeitos soltos após secá-los. Não faziam nem dois minutos que estava pronta e seu celular vibrou com uma mensagem.

"Espero que você já tenha começado a se arrumar,

porque daqui meia hora estou passando para te buscar."

E nunca uma meia hora demorou tanto para passar. E quando finalmente a campainha tocou, Maura não demorou nem cinco segundos para abrí-la. E se surpreendeu ao ver o quão linda sua noiva estava. Jane usava calça jeans com uns rasguinhos, uma camisa branca, que só a gola ficava à amostra porque por cima ela usava uma blusa azul e preta listada, de linha, e um par de all star preto de couro, e os cabelos estavam presos num volumoso rabo de cavalo. Maura a olhou muito surpreendida por ela estar vestida daquela forma, porque era normal Jane ser básica e usar jeans e tênis, mas não era normal ela ser tão descolada. Claro que isso era influência de Alex e Jonathan.

Maura estava tão feliz com à noite anterior, o café da manhã, todas às flores que Jane mandou entregar e seus respectivos cartões que ao ver sua amada ali, ela esboçou um sorriso enorme e queria pular no colo de Jane, enchê-la de beijos e fazer amor novamente até o dia raiar, mas ela precisava se conter, pois sabia que a surpresa não havia terminado, ainda faltava — em sua mente — apenas a festa.

– Jane, você está linda! — Disse radiante — E eu amei o café da manhã e todas aquelas flores. Você precisa ver como minha casa está linda e cheia de vida agora... — Ela sorria feito boba e Jane também sorria e olhava à noiva de cima para baixo. Estava deslumbrante e isso não era novidade.

– Você também está linda. E fico feliz que tenha gostado das flores. Eu fiquei em dúvida. E eu mandei tantos buquês que quase não teve variedade suficiente de rosas e tulipas. Mas acho que ficou faltando isso aqui... — Maura nem havia reparado que Jane estava com os braços para trás, e quando os mesmos foram para frente, ela mostrou um enorme e lindo buquê de rosas vermelhas. — Será que tem espaço para mais esse?

– Claro que sim! Oh Jay — Maura segurou o rosto da noiva rapidamente e selou seus lábios antes de segurar o buquê com carinho e cheirar suas rosas — Elas são lindas assim como todas as outras. Obrigada.

– Me agradeça indo colocá-la no vaso rápido, porque nós temos que ir... Sua festa começa às 19:30.

– Ué, mas agora são... — Ela olhou em seu relógio de pulso — 17:50.

– Temos que ir em um lugar antes.

– Um lugar? — Olhou-a desconfiada.

– Não vou dizer. É surpresa. Agora vai, Maura. Rápida!

– Ok!

Ela correu pela casa, toda empolgada, arranjando mais um vaso e colocando o buquê antes delas irem.

[...]

O caminho todo Maura ficou insistentemente indagando Jane a respeito de onde estavam indo, porque pelo que Jane já havia confirmado, definitivamente não era para sua festa surpresa, e Maura não imaginava que Jane preparasse outra surpresa além dafesta.

Assim que desceram do carro, Jane segurou-a pela mão e a conduziu até um pequeno portãozinho, muito singelo e bonito por sinal, abrindo o mesmo e levando-a para dentro de um jardim imenso pertencente à uma casa também grande e que ela não fazia ideia de quem fosse.

A grama estava aparada e do lado esquerdo do jardim haviam várias flores nascendo, que haviam sido plantadas ali, tinha uma variedade de espécie de flores e de cores que em uma rápida olhada Maura não poderia reconhecer todas. E como o sol estava quase se pondo, aquela luz meio laranja no céu refletia nas flores dando uma beleza ainda maior. Maura sorrio e continuou caminhando com Jane.

– Que lugar é esse?

– Logo você vai saber...

Do lado direito no jardim haviam alguns brinquedos simples de criança, incluindo um balanço. Mais para frente, uma única e enorme árvore e numa altura relativamente alta havia uma casa da árvore bem parecida com a casa da árvore que Maura teve em sua adolescência, na casa que morou no ano em que ela e Jane se conheceram.

Mesmo não tendo entrado na casa ainda, era percetível que ela era grande. E por fora parecia muito bonita e encantadora. Era uma casa toda branca e passava uma impressão de imponência. Maura olhou-a de cima a baixo e reparou que nas janelas dos quartos haviam grandes sacadas. De um deles a sacada era bem extensa.

Maura só foi reparar na casa da árvore quando Jane a puxou para bem perto da mesma e então ela viu uma escadinha.

– Vamos subir.

– O que? Jane... — Maura soltou um risinho meio boba, não estava mesmo entendendo qual era aquela surpresa e nem que lugar é aquele. — Onde nós estamos? Porque vamos subir na casinha da árvore dessa residência? Isso não é invasão? Você conhece os donos?

– Sh! Você fala demais. Me acompanhe.

Jane subiu às escadas primeiro e esperou Maura subir e a ajudou, porque ela estava de vestido e salto, o que dificultava um pouco a subida.

Já lá em cima, Jane e Maura se encostaram na sacadinha de madeira. Jane apontou para o céu, com um sorriso singelo nos lábios, um sorriso sereno que sua noiva não conseguia deixar de olhar.

– Olhe para o céu. O Sol está se pondo. A vista do pôr do Sol daqui é muito melhor que a convecional, não acha?

Mesmo não entendendo nada e morrendo de curiosidade, Maura olhou para o céu como Jane havia pedido e pode contemplar aquele espetáculo de cores no céu, o Sol se pondo cada vez mais, sumindo no horizonte. A natureza realmente era algo fantástico. Possuía uma beleza que encantava e fascinava todos ao redor do globo.

– Sim. Muito melhor...

– Vem, vamos entrar na casinha!

Elas entraram e Maura sorrio de imediato. Era pouco maior que a casinha que ela tinha. Dava para colocar ali dentro vários brinquedos, colchões, puff's, fazer toda uma espécie de "acampamento" dentro da casinha perfeita. Fora que ela cheirava gostoso.

– Que achou dessa casa na árvore?

– Jane... — Ela olhou para a noiva meio de lado, com um sorriso, sabia que não adiantaria perguntar, então se limitou a responder o que ela queria saber — Eu gostei. Ela é bem confortável e bonita. Se não me falhe a memória é até maior do que a que eu tinha. Por quê?

– Gostou mesmo?

– Sim, por quê?

– E dos brinquedos no jardim? As flores? Você reparou nas flores?

– Foi à primeira coisa que reparei! O jardim é lindo e os brinquedos ficaram perfeitos do outro lado, dando um contraste, dando toda uma beleza especial — Maura respondia empolgada e com um sorriso doce, e ela nem sabia o que aquela resposta estava causando em Jane, que já sentia um reboliço no estômago. — Que foi, Jane?

– Então você acha que nossos filhos vão gostar do jardim, dos brinquedos e dessa casa na árvore?

– O que? — Maura ficou com a boca aberta, querendo falar algo mas não conseguindo, tentando raciocinar o que a noiva acabara de dizer.

Jane soltou uma risadinha nervosa, a lerdeza de Maura era adorável, mas naquele momento só a deixava ainda mais nervosa.

– Você disse que gostou de tudo. Agora eu quero que me diga se acha que nossos filhos vão gostar também.

– Jane, você... — Ela não podia acreditar.

– Eu ainda não conclui a venda completa do meu apartamento e estou esperando a resposta para o empréstimo no banco que com certeza vai sair, mas o corretor disse que à casa já é minha. Nossa. Se você aceitar ser minha esposa... — Ela encarava os olhos verdes que estavam brilhando e Maura continuava com a boca aberta, sem reação específica, seu rosto alternava entre um sorriso enorme e bobo e expressões de confusão.

– Você... essa casa... é... Jane... mas eu já aceitei ser sua esposa... eu não estou...

De repente Jane ajoelhou na frente de Maura, se apoiando no joelho esquerdo. Puxou uma caixinha preta de veludo do bolso da calça jeans e fixando sem parar os olhos da loira, ela abriu a caixinha, exibindo o anel mais lindo que Maura já havia visto em toda sua vida, ela perguntou:

– Maura Dorthea Isles, você quer mesmo ser minha esposa?

Ficou sem fôlego. Ficou sem fôlego por vários instantes, por um minuto, talvez dois ou mais. Mais do que ficar sem fôlego, ficou sem reação, sem palavras. A resposta do pedido era óbvia, já que ela havia respondido a mesma pergunta há pouco tempo atrás. Mas Maura realmente estava muito surpreendida e encantada com todas aquelas surpresas.

Até um dia atrás ela estava preocupada, achando que Jane pudesse estar apaixonada por outra pessoa por conta da sua aparente perca de interesse em Maura, pensou que ela houvesse esquecido de seu aniversário e rapidamente tudo mudou. Jane apareceu cheia de amor e paixão em sua casa, passou à noite com ela, começou a presenteá-la na madrugada e isso se estendeu pelo resto do dia de sábado, desde um café da manhã maravilhoso, seguido por uma infinidade de buquês entregues em sua casa e agora Jane estava ali, diante dela, de joelhos, dentro de uma casa da árvore que pertencia à casa que pelo que sua noiva havia dito seria a casa delas, se Maura aceitasse casar-se com ela. O quão louco e surpreendente tudo aquilo poderia ser?

Jane não era rica, não tinha metade do dinheiro que Maura possuía no banco, e no entanto se desdobrou para preparar-lhe várias surpresas, para comprar um anel de noivado daqueles que Maura em uma única olhada podia constatar ser de verdade e não uma bijoteria e ainda por cima estava negociando à compra de uma casa daquelas sem que ela soubesse, sem lhe pedir ajuda nenhuma, o que seria normal, já que as duas se casariam, as duas deveriam pagar pela casa. E no entanto Jane estava fazendo tudo sozinha, em suas costas, sem que ela sequer desconfiasse. Tudo isso para surpreendê-la daquela maneira linda e encantadora justamente no dia do seu aniversário...

Não, Maura não conseguia acreditar que um ser humano era capaz de amar tanto o outro ao ponto de fazer aquelas coisas. Jane não podia ser humana, não podia ser real. Sua perfeição era incabível para qualquer humano. Ela só podia ser de outro mundo.

Com os olhos cheios de lágrimas, e que por sorte não borravam sua maquiagem porque ela era a prova d'água Maura abriu um sorriso enorme e estendeu sua mão direita para Jane.

– É claro que eu aceito ser sua esposa. Pelo resto da minha vida.

Finalmente Jane conseguiu voltar a respirar, porque ela também havia ficado sem fôlego. Mesmo com Maura tendo aceitado seu pedido da primeira vez, Jane ficou tão nervosa, senão mais naquele momento, porque agora, ali, colocando um anel em seu dedo, fazendo o pedido dentro da casa da árvore que seria de seus filhos, tudo se tornava concreto, se tornava real.

Trêmula igual Maura, Jane pegou o anel da caixinha e delicadamente o colocou no dedo anelar da mão direita, empurrando-o até o final. Nesse momento as duas se olharam de forma fixada, e o que enxergavam na imensidão dos olhos da outra era inenarrável.

Jane mal teve tempo de colocar a caixinha no bolso e se levantar que Maura a agarrou pelo pescoço, a beijando de forma apaixonada, e claro, foi retribuída da mesma maneira.

Depois elas desceram e como Jane já estava com a chave, decidiu mostrar a casa para Maura. A sala era enorme e pouco mais a frente, no seu fundo, tinha uma escada que levava ao segundo andar. Do lado esquerdo, podia-se ver à cozinha que assim como na casa de Maura era separada da sala por causa do seu balcão extenso e largo. A cozinha também era grande. A casa não possuía nenhuma mobília além dos armários da cozinha. Ainda no primeiro andar, tinha um banheiro e mais um pequeno cômodo que não precisava ser necessariamente um quarto. Elas podiam escolher o que fazer com ele. Subiram às escadas e o corredor era enorme lá em cima. Tinham três quartos, todos espaçosos e arejados e uma suíte, ainda maior que os quartos. Todos eles possuíam a sacada, e a sacada mais extensa que Maura havia visto lá de fora era da suíte, que seria delas. E lá em cima também tinha outro banheiro. Mesmo a casa grande estando completamente vazia, Maura olhava para cada pequeno metro quadrado e podia visualizar os móveis escolhidos minunciosamente por ela e Jane decorando o ambiente, ela podia enxergar as duas se amando por todos os cantos, suas risadas ecoando, podia ouvir até mesmo o choro dos bebês... Ela sorria o tempo todo em encatamento.

De volta ao primeiro andar, na sala, Jane disse:

– Eu sei que foi uma loucura da minha parte procurar uma casa, a nossa casa, sem te consultar, sem te trazer junto, mas os três patetas me disseram que seria muito melhor se eu fizesse disso uma surpresa... mas se você não gostou de alguma coisa, da casa, se quiser, nós podemos procurar outra, eu só preciso conversar com o...

– Jane, eu amei tudo! Sério, mesmo. Eu não sei como você fez para achar essa casa, mas você achou e ela é perfeita para nós. Desde o portãozinho delicado da entrada até os detalhes mais sútis da casa são maravilhosos! Ela é perfeita para nós.

– Isso significa?

– Que nós vamos ficar com ela! Mas eu quero ir com você no encontro para fechar a negociação, antes só vou ter que passar no banco e conversar com o meu gerente, porque a casa será nossa, e não importa o quanto você seja teimosa, eu também vou ajudar a comprá-la e isso está fora de discussão — Maura dizia séria e firme, para convencer Jane, mas a morena estava num estado de felicidade agúda tão grande que ela nem mesmo ouvia Maura e não se importaria de fazer o que ela quisesse.

– Eu te amo, Maur.

A loira parou de falar imediatamente e olhou para a morena com um sorriso. É claro que ela amava. As duas sabiam disso. E antes que Maura respondesse, ela continuou:

– Eu te amo desde à primeira vez que pus os olhos em cima de você. E de alguma maneira eu sabia que se não fosse com você, não seria com mais ninguém. Casar, ter um lar, ter filhos... construir uma vida. Eu não poderia fazer isso com outra pessoa. Você é minha alma gêmea.

Se Jane não fosse forte e rápida, as duas teriam caído no chão com o pulo empolgado e descordenado que a legista deu em cima dela, envolvendo-a pelo pescoço enquanto a enchia de beijos.

[...]

Assim que Maura e Jane entraram de mãos dadas no Dirty Robber, que estava todo escuro, luzes se acenderam e um grito em coro de "Surpresa" no último volume foi ouvido. Maura olhou ao redor e haviam várias bexigas e balões coloridos, todos usavam o adorável e ao mesmo tempo ridículo chapéuzinho de aniversário. Angela, Frankie e Tommy, Lydia, Frost, Korsak, Alex, Lauren, Jonathan, Susie e os outros médicos e cia que trabalhavam com Maura diariamente, estavam todos ali, sorrindo, prestigiando o aniversário da loira. Por um instante ela pensou em seus últimos aniversários, que havia passado completamente solitária, porque faziam anos que não tinha mais contato e nem mesmo notícia de seus pais. E agora ela estava ali, recebendo todo afeto e carinho do mundo.

Um por um, Maura foi abraçada e cumprimentada da forma mais singela do mundo. Os presentes, que eram aos montes, estavam todos sendo colocados dentro de uma caixa enorme no canto do bar. Depois de tantos abraços, só faltava Lauren, Jonathan e Alex. Que sim, eram os mais especiais de todos. E o abraço foi coletivo, e Jane enciúmada entrou no meio.

Depois de comerem salgadinho, beberem, conversarem sobre coisas diferentes, cantarem parabéns e Maura cortar o bolo, logo todos estavam reunidos, Maura, Jane, Alex, Lauren e Jonathan no meio, sentados em uma mesa e o resto deles sentados nos bancos ao redor.

– Nós somos uma equipe muito unida — Disse Jonathan. — Ajudamos sua noivinha a preparar todas as surpresas possíveis!

– Todas? — Maura fez uma expressão estranha e lembrou do strap-on, sentiu-se constrangida e ao ver a expressão de confusão no rosto de Jonathan e Lauren, soube que eles não sabiam dessa parte, mas ao ver o sorrisinho contido da Alex, Maura sabia que ela tinha ajudado e então soltou uma risadinha. — Vocês todos são ótimos! A festa estava ótima...

– Mas e esse anel brilhando aí no seu dedo? — Alex perguntou- Até agora vocês não se pronunciaram sobre ele.

Jane e Maura se entreolharam com um sorriso derretido.

– Como se nós não soubéssemos o que significa — Lauren disse.

– Então esse casamento vai mesmo sair? Porque se na festa de aniversário os salgadinhos estão bons assim, eu mal posso esperar pela festa de casamento — Frankie disse em tom de brincadeira.

– Nisso eu tenho que concordar — Alex falou aos risos e deu um soquinho na mão de Frankie, fazendo Jane revirar os olhos.

– Vocês são mortos de fome. Mas sim. O casamento vai sair, não é, meu amor?

Maura se inclinou levemente e selou os lábios de Jane, fazendo todos sorrirem e se derreterem, especialmente Angela.

– Finalmente vou ver minha primogênita se casando! É felicidade demais para uma mãe só... E eu quero netos. Muitos netos.

– Nós já sabemos disso, ma — A filha respondeu meio impaciente.

– E vamos dar vários netos lindos! — Maura sorrio para a sogra.

– Lindos se puxarem a Dra., porque se puxarem a minha irmã... — Tommy começou a dizer e parou ao ver o olhar severo que Jane lhe lançou — Se puxarem a minha irmã serão lindos também, mas endemoníados.

Todos soltaram uma gargalhada.

– É, se eles forem tão estressados quanto a Jane e desorganizados, teremos alguns conflitos, mas nada que com amor e carinho não possa ser resolvido.

– Ok, ok, muita melação, agora eu quero falar — Disse Alex, ficando em pé e todos pararam para prestar atenção.

– O que você quer falar? — Jane perguntou.

– Quero dizer uma coisa para nossa aniversariante, e pra você também porque vocês duas são tipo uma só, então... — Todos soltaram outra gargalhada — Só queria dizer que a vida de vocês ficou ainda melhor depois que eu cheguei. Agora já posso ir embora...

Lauren, Jane, Maura e Jonathan reviraram os olhos, entendiados com o humor típico de Vause, mas acabaram rindo assim como todos os outros. A festa saiu melhor do que o esperado.

[...]

Alex e Lauren caminhavam lentamente pela calçada vazia, rumo ao apartamento da morena. Mesmo já tarde, elas estavam um pouco elétricas e preferiram ir caminhando. Não havia muito movimento de carros nas ruas, e o máximo que viram foi duas pessoas em quatro quarteirões que já tinham ultrapassado. Elas conversavam sem parar. Falavam sobre tudo e sobre nada. Riam. Pareciam duas adolescentes descompromissadas com a vida e com o mundo. E isso era engraçado, porque Alex era uma grande detetive e era compromissada com seu trabalho, assim como Lauren estava compromissada com sua faculdade e seu estágio, pensando em sua carreira. E mesmo assim, elas levavam a vida de maneira parecida, ao contrário dos outros, elas não pareciam estar sempre preocupadas ou sempre em correria. Deixavam a vida fluir naturalmente.

– A gente arrasou na festa, né? Ficou linda e pelo visto Maura adorou. Mais do que a festa, acho que ela adorou especialmente a ideia que demos a Jane sobre a casa e tudo. Achei tão lindo o anel que Jane deu para ela. Você ajudou escolher, não foi?

– Mais ou menos isso. Acho que eu mais confundia a Jane do que ajudava a escolher... — Soltaram um risinho — Mas estou feliz porque tudo deu certo e esse casamento é uma certeza. Elas merecem serem felizes.

– Merecem sim — Ficaram em silêncio por alguns instantes enquanto caminhavam — Eu nunca pensei que Jane fosse dessas que queria casar e ter filhos.

– Aparentemente ela não é, pelo menos não "sozinha". Mas com Maura...

– Eu amo crianças.

Alex se surpreendeu ao ouvir aquilo e a olhou de lado enquanto ainda caminhavam.

– Eu nunca gostei muito de seres humanos no geral, porque a maioria é filha da puta, mas eu amo crianças. E tenho uma paciência inacreditável com elas.

– Eu gosto também... não sei se ao ponto de ter filhos como Jane e Maura pretendem.

– Eu sempre quis ser mãe — Alex ficou surpresa com aquela revelação — Sou oito anos mais velha que minha irmã e sempre fui super protetora com ela. Mais do que nossa mãe.

– Quantos anos sua irmã tem?

– 15. Mas parece ter menos. É uma criançona. Foi difícil quando decidi estudar aqui em Boston e tive que deixá-la com meus pais em Wyoming.

– Eu imagino. Vocês devem ser bem ligadas.

– Bastante. E o pior é que nem posso trazê-la para ficar uns dias aqui, mesmo nas férias. Eu divido apartamento com a minha amiga Karen, não seria legal enfiar uma "criança" lá. Estou com saudades dela.

– Nós poderíamos ir para lá agora no final do ano, antes do Natal.

Lauren parou de caminhar e Alex também. A ruiva a olhou surpreendida.

– "Nós"? Você iria comigo para Wyoming conhecer minha família?

– Sim. Se você não ver problemas nisso... Não sei se seus pais ou sua irmão vão gostar de mim, mas eu iria com prazer te acompanhar.

– Claro que eles irão gostar! Quem não gostaria de você, Alex?

– Se eu for fazer uma lista ficaremos paradas nessa rua à noite inteira...

E logo elas estavam no apartamento de Alex, onde passaram à noite juntas, novamente.

[...]

Jane e Maura já estavam deitadas na cama confortável da loira, quando a mesma, inquieta e sem sono, começou a imaginar o futuro delas após se casarem, vivendo naquela casa maravilhosa.

– Acho que você gostou mesmo da casa — Jane disse feliz, enquanto passava a mão esquerda pelos cabelos de sua futura esposa. — Sabe que eu não dou a mínima pra nada luxuoso, então não seria nenhuma mansão, mas a casa é até bem grande, por causa das crianças que vão precisar de espaço pra brincar e por causa do seu closet. Acho que só suas roupas vão ocupar mais da metade da casa... — Falou em tom de brincadeira, fazendo Maura rir e beliscar seu abdômen — Ai!

– Eu não tenho tantas roupas assim! — Mesmo sem poder olhar os olhos da noiva naquele momento, por estar com a cabeça em seu peito, sabia bem qual era a expressão de Jane. — Mas você acertou no tamanho. Até porque, se nossos filhos puxarem você, vão ficar correndo de um lado para o outro o tempo inteiro, eu sinto.

Maura pôde ouvir a gargalhada deliciosa de Jane e seu corpo se movendo em baixo do dela, então apertou-se mais contra Jane, fechando os olhos por alguns instantes.

– Você me pediu em casamento dentro da casa da árvore no dia do meu aniversário.

– Sim, e o que tem?

– Eu fiz sua surpresa de aniversário de dezoito anos dentro de uma casa da árvore.

– Eu lembro disso. Lembro de cada detalhe daquele dia...

Maura ergueu sua cabeça e olhou para Jane, que tinha as covinhas expostas juntamente de um sorriso doce.

– Parando para lembrar tudo que vivemos, eu acho que nós temos "sorte" em ambientes interligados à natureza. Nós nos declaramos e nos amamos pela primeira vez naquela viagem para um hotel fazenda... eu fiz a melhor surpresa pra você numa casa da árvore no jardim da minha casa... e agora você me pediu em casamento, novamente, em uma casa da árvore.

– À natureza nos dá sorte. Não sabia disso?

– Sorte não existe, Jane.

– Então você explicaria isso como na ciência?

– Não há explicação.

– Então é sorte sim! — Maura já ia retrucar alguma coisa, mas Jane não deixou — E não discuta comigo ou eu vou ter que te beijar até você mudar de ideia, Dra.

– Hum... Então vamos discutir agora...

Elas sorriram de forma maliciosa, Jane num giro inverteu as posições, ficando por cima de Maura, começou a beijá-la no pescoço de uma forma que a fez soltar uma gargalhada quando seus celulares começaram a tocar.

– Oh, não.

Maura olhou para a expressão de Jane como quem dizia "precisamos atender" e então as duas se levantaram da cama e foram atender seus telefones.

– Rizzoli?

– Dra. Isles?

Um novo assassinato.

Notas finais
Agora é oficial: Rizzles vão casar!!!