R&I - Wish You Were Here
8 Capítulo 7 - Esquecer o Passado
Notas iniciais
Sei que depois do capítulo de ontem vocês esperavam uma continuação mais... bonitinha talvez? Porém... faz parte, haha. Espero que vocês não queiram me matar ao final do capítulo.
Boa leitura!
Não podia estar mais feliz. Não depois de viver aquelas duas semanas incríveis ao lado de Jane. Seu primeiro beijo, sua primeira vez, seu primeiro e com certeza único amor. Se Maura sequer imaginasse que ir para aquele colégio fosse te trazer alguém como Jane, ela teria ficado muito mais eufórica do que realmente ficou nas vésperas de se mudarem para Boston. A morena era um sonho. Estar com ela era um sonho muito maior do que todas as expectativas que ela pudesse ter.
Com toda essa felicidade, Maura chegou em casa vibrando de felicidade. Entrou cantarolando e dando piruetas. Subiu para seu quarto e jogou sua mochila no chão com outra bolsa que carregou na viagem e então se jogou na cama, de olhos fechados e um sorriso no rosto enorme.
– Pela sua expressão creio que a viagem foi melhor do que o previsto — A loira abriu os olhos e ergueu o tronco de súbito, assustada ao ouvir a voz de sua mãe, que surgiu na porta com aquele sorriso falso.
Maura ficou em pânico ao vê-la ali e ao ouvir aquilo, porque como os pais estavam viajando, então Maura foi viajar com Angela sem a autorização de Constance e Richard. Na verdade eles nem mesmo sabiam que ela iria viajar. Mas Maura não achou que isso fosse um problema. Os pais sempre demoravam nessas viagens e era provável que eles só fossem retornar no final das férias.
– Mãe... vocês já voltaram? — Perguntou surpresa e tentando disfarçar o pânico.
– Eu sim, seu pai ainda não.
– Porque voltou mais cedo? Achei que fosse passar as férias todas com o papai em Roma.
– Eu iria, mas fiquei bastante curiosa quando a Michele me telefonou contando que você havia ido viajar com aquela... aquela sua amiga que você vive falando no telefone e indo na casa dela, que eu nem conheço ainda — A voz da mulher era polida, e embora sorrisse, Maura a conhecia suficientemente bem para saber que ela não estava contente.
Michele era a emprega dos Isles. Ela cuidava da limpeza, organização e refeições da casa, além de também "cuidar" de Maura na ausência dos pais.
– Mãe, eu sei que você deve estar chateada por eu não ter te avisado, mas você e o....
– Eu sou sua mãe, Maura — Interrompeu e adentrou mais o quarto — Sou sua mãe, mesmo que não pareça as vezes, mas eu sou. Sou responsável por você e ainda que esteja prestes a se formar no colégio, você é apenas uma garota. É menor de idade e precisa da minha ajuda, da minha orientação. Você viajou sem nem sequer me avisar com uma família que eu não conheço.
– Me desculpa — Ela abaixou a cabeça — Eu sei que agi errado, mas como eu estava dizendo, você e o papai não estavam aqui.
– Poderia ter telefonado.
– Mas você não deixaria porque você ia dizer que não conhecia a família da Jane e porque você não estava aqui! — Ergueu a cabeça e a encarou e Constance assentiu.
– Não, eu não deixaria mesmo, Maura. Esse é seu último ano e você precisa se dedicar ao máximo para ir para a faculdade. Oxford está te esperando.
Maura se irritou. Ela odiava a maneira como os pais, especialmente Constance gostavam de decidir tudo por ela.
– Mãe, nós já conversamos sobre isso! Eu não quero ir para Oxford. Nós estamos aqui nos Estados Unidos e é aqui que eu quero ficar! Eu vou para Stanford.
A mulher soltou uma gargalhada, divertida.
– Não seja tola, querida. Você é uma Isles. E se pretende se formar médica, você irá para Oxford. Isso não é um assunto a ser discutido porque ele já está decidido.
Maura resolveu não responder. Não que fosse aceitar assim o que ela dizia, mas porque sabia que não valeria a pena discutir naquele momento. Ainda tinha tempo até o final do ano e a resolução de tudo aquilo.
– Eu estou cansada, eu quero descansar — Disse sem paciência, pegando a bolsa e a mochila do chão e colocando em cima da poltrona. — Eu posso? — Olhou para Constance.
– Claro que pode. Deve estar realmente cansada depois de se meter em um lugar inferior à sua classe. Só quero te lembrar uma coisa, querida: Essa Jane não faz parte do seu Universo, então é melhor não se apegar a ela ou a nada nesse lugar. Você não pertence aqui e nem a classe dela. Será melhor para você se não se apegar — E então ela virou e saiu do quarto, fechando a porta.
Maura fechou as mãos em punho e deu dois socos na cama. Sentiu a raiva tomando conta de si e logo se pôs a chorar. Como não se apegar a Jane depois de tudo que havia acontecido? Como não se apegar aquele lugar se Maura nunca havia se sentido assim antes? Com aquela sensação de que aquele era o seu verdadeiro lar? Constance não entendia nada. Classe, status, dinheiro, luxo. Nada daquilo realmente importava para Maura. De maneira nenhuma. O que lhe importava era aquele sentimento que ela estava experimentando com Jane. Aquele amor incondicional. Maura não recebia aquela espécie de amor nem de sua mãe, mas agora estava recebendo de Jane. Não havia como desapegar daquilo.
[...]
Quando Jane chegou no parque para encontrar com Maura, de longe já pôde notar que ela estava estranha. Ao se aproximar, viu a expressão de alívio no rosto de Maura e ao mesmo tempo seus olhinhos cheios de lágrimas.
– O que aconteceu meu amor? — Perguntou preocupada, e então Maura se jogou, abraçando-a com força pela cintura e encostando o rosto em seu peito. Jane a envolveu pelos ombros. — O que você tem?
– Promete que não vai me deixar?
– Que conversa é essa, Maura?
A loira ergueu a cabeça para encará-la, seu rosto com algumas lágrimas. Jane levou a mão até ele e limpou-as com os polegares.
– Minha mãe estava em casa quando eu cheguei e me disse umas coisas... não muito agradáveis.
– Vem, vamos sentar e você me conta.
Elas sentaram em um banco e então Maura contou a Jane o que a mãe disse, e explicou como ela era e pensava, como ela agia. Jane sentiu um aperto no coração só de imaginar Maura ir embora para Londres. Mas tentou não demonstrar nada para não deixar a namorada ainda mais nervosa. Segurou nas mãos dela e disse, com tranquilidade:
– Isso não vai acontecer. Nós daremos um jeito e tudo ficará bem, certo? — Maura assentiu — Nós nos amamos, Maura e isso é a coisa mais importante desse mundo! — O sorriso nos lábios da loira voltaram a aparecer — Não importa o que sua mãe ou qualquer um diga, nós sabemos disso. E vamos dar um jeito em qualquer coisa, por pior que ela pareça, está bem?
– Sim! — Maura a abraçou de novo, agora encostando a cabeça em seu ombro — Obrigada por estar comigo, obrigada por tudo, Jay.
– Jay?
A morena abriu um sorriso curioso ao ouvir aquele apelido inédito dos lábios da loira, que voltou a erguer o rosto e encará-la.
– Sim, Jay. Eu gostei desse apelido.
– Ninguém nunca me chamou assim.
– Eu sei, só eu vou chamá-la. É exclusivamente meu!
Jane abriu um sorriso enorme e se inclinou, após olhar para os lados e ver que não havia praticamente ninguém por perto, selou os lábios de Maura demoradamente.
– Maur e Jay. Gosto de como isso soa... E você?
– Eu adoro!
Dias de hoje.
Mesmo com o coração disparado após ouvir Jane e encarar aquele olhar que ela bem sabia o que significava, a loira virou e insistiu, chegando a abrir a porta até a metade, soltando sua mão da mão de Jane.
– Eu quero que você fique, Maur.
A loira fechou os olhos. Era uma tortura ouvir seu apelido naquela voz rouca, que havia ficado ainda mais deliciosa com o passar dos anos. Maura não pensou em mais nada. Não mediu consequências. Bateu a porta do apartamento com força, virou e foi na direção de Jane, que também foi na sua e então se beijaram de forma apaixonada. Ela não fazia ideia do que aconteceria depois, de como iriam reagir diante daquilo, mas ela sabia o que queria naquele momento: Sentir a morena novamente.
Jane empurrou o corpo de Maura na porta e pressionou ali enquanto se beijavam. Arrancou o casaco que ela usava, pausaram o beijo ao ficarem sem fôlego e se olharam com desejo. Maura arrancou a blusa da detetive e abriu o cinto da calça rapidamente. Jane abaixou, rápida e foi descendo a saia de Maura lentamente, suas mãos deslizando pelas coxas dela. Viu que ela usava uma calcinha preta. Realmente Maura gostava daquela cor de lingerie. Olhou para cima e encarou os olhos dela. Levantou e assim que seu rosto estava na altura do de Maura, agarrou-a pelas coxas e a ergueu do chão. A loira apertou com força as coxas ao redor da cintura da morena e envolveu seu pescoço antes de voltar a beijá-la com desejo.
Maura foi carregada até o quarto de Jane, que não conhecia ainda. A morena a deitou no meio da cama, com as pernas para fora, e ficou em pé encostada ali. Se inclinou e então foi abrindo os botões da camisa de Maura. A loira ergueu o tronco e então Jane a tirou. Maura abaixou a calça de Jane e a mesma se virou sozinha, tirando as botas rapidamente e a calça, para logo em seguida ir parar na cama, em ciam de Maura. Se beijavam agora de uma forma ainda "pior" que a anterior. Perdiam o fôlego rapidamente de tão intenso que os beijos eram, mas elas não queriam parar de se beijar. Esperaram por aquilo por doze anos. Precisavam aproveitar.
Suas pernas se enroscavam, Jane provocava Maura roçando sua coxa entre as pernas dela, e a loira arranhava a cintura da morena e suas laterais. Mordeu o queixo de Jane e foi deslizando a pontinha da língua por seu pescoço, fazendo-a ficar com os pelos arqueados de tão arrepiada que ficou. As mãos de Maura deslizaram pelas costas, abrindo e tirando o sutiã de Jane. A morena ergueu um pouco o tronco da loira para poder tirar o sutiã dela também e quando seus corpos finalmente se encostaram, os seios roçando, o calor da pele, ambas arfaram.
Elas estavam sentindo tanta coisa naquele momento. Queriam dizer tanta coisa, especialmente quando se encaravam, mas não conseguiam. Só conseguiam deixar o momento falar por elas.
Jane desceu a boca ávida pelo pescoço, passando pelos seios, chupando os mamilos com vontade, as mãos apertando todo o corpo de Maura com certa força, deixando-a avermelhada. Ela amava Maura ainda. Não havia como negar. Infelizmente ainda a amava. Mas também a odiava, ao mesmo tempo. Seu coração ainda magoado pela loira ter ido embora. Ela não podia simplesmente esquecer isso da noite para o dia, menos ainda confiar que Maura ficaria dessa vez. Mas mesmo assim ela precisava de Maura naquele momento. Precisava desesperadamente!
Ao sentir o rosto da morena entre suas pernas, aquela língua quente em seu interior, Maura soltou um gemido que mais parecia um grito. Como ela havia sentido falta daquilo! Daquela boca, daqueles toques. Maura teve outras pessoas em sua vida ao longo daqueles anos, mas nenhuma que a tocasse da forma como Jane tocava. Ela conhecia cada parte da loira, por dentro e por fora e fazer amor com ela era muito mais do que simplesmente transar. Fazer amor com ela era mais do que ser tocada no corpo. Era ser tocada na alma.
Jane sugou Maura incansavelmente até ela gozar, e depois voltou a atacar todo seu corpo com a boca, enchendo-a de mordidas e chupão, deixando a pele branca e sensível cheia de marcas. Era uma forma de descontar não só a saudade absurda que sentiu, mas também a raiva.
Maura empurrou ela com força para o outro lado da cama e subiu sobre ela, dominando a situação. Beijou Jane da cabeça aos pés várias vezes e quando foi descer para o meio das pernas, Jane segurou nos pulsos dela e inverteu as posições novamente, encarou-a como se dissesse "não" e voltou a beijá-la de forma intensa, encostando as mãos da loira na cama, ainda segurando seus pulsos. Jane tinha medo. Embora estivesse com saudade e estivesse fazendo aquilo com Maura, ela sabia que quando deixasse a loira tocá-la, a entrega seria real, seria uma entrega além do físico e isso era assustador...
Maura não entendeu, mas não se importou. Se contentava em apenas sentir Jane. Pelo menos naquele momento. A morena virou-a de bruços e foi beijando toda suas costas, logo seus dedos acharam o caminho certo, adentrando Maura de repente, fazendo-a gemer alto. Começou a penetrá-la lentamente naquela posição, seu corpo sobre o dela, seus lábios em suas costas. Depois virou-a de frente para si e afundou o rosto nos seios dela, sentindo seus cabelos serem puxados e suas costas arranhadas.
[...]
Quando Jane acordou no dia seguinte e viu Maura enrolada no lençol, deitada de lado e encolhida, dormindo como um verdadeiro anjo, sentiu algo tão estranho dentro de si. Seu coração parecia se abrandar na presença da loira. Como poderia amar tanto alguém assim? E um alguém que até uma semana atrás havia desaparecido de sua vida por doze anos? Qual era a explicação para aquilo? Como ela gostaria de saber...
Jane levantou da cama com cuidado para não acordá-la e ficou em pé a olhando por longos minutos, sentindo as lágrimas quentes rolarem pelo seu rosto. Se Maura tivesse ficado do seu lado, elas nunca teriam se separado. Ela sabia disso. Elas seriam namoradas até hoje, ou melhor, estariam casadas e provavelmente com filhos, porque o amor delas era esse. Era um amor companheiro e real, para a vida inteira, para compartilhar uma vida juntas, para criar uma família.
Apesar do que aconteceu na noite anterior, Jane não ficaria com Maura. Na verdade a noite anterior nem deveria ter acontecido. Se Jane não tivesse criado coragem pelas cervejas que tomou, nada daquilo teria acontecido, mas agora já era tarde...
– Jane? — A loira murmurou ainda de olhos fechados, se mexendo na cama e então a morena sentou na beirada da mesma, ergueu a mão e levou em direção ao rosto dela, mas se conteve.
– Estou aqui...
Maura abriu os olhos e ao ver Jane, ela deu um sorriso que não dava há anos. Um sorriso que Jane esperou doze anos para ver de novo.
– Pensei que estivesse sonhando.
A morena não respondeu nada, acabou sorrindo também e sem se aguentar levou a mão ao rosto de Maura, fazendo um carinho ali. Ela segurou na mão de Jane e levou para perto de seus lábios, dando um beijo ali.
– Dormiu bem?
Algumas coisas realmente nunca mudavam, Maura pensou.
– Você sempre me fez essa pergunta. Por quê?
Jane ficou um pouco hesitante, fitou o nada antes de voltar a olhar os olhos verdes e admitir:
– Porque eu sempre dormia muito bem na sua presença e queria saber se era recíproco.
– Você sabe que sim.
– Vou preparar um café para nós...
Se levantou da cama e Maura disse rapidamente:
– Instantâneo não, por favor.
– Eu não esqueci disso ainda — Jane virou e piscou para ela antes de sair do quarto.
Maura abriu um largo sorriso, estava se sentindo eufórica. Desceu da cama e pensou em pular, gritar, mas não podia. Não podia reagir assim porque além de ser ridículo ela não sabia o que aconteceria. Haviam dormido juntas, sim, mas não sabia o que isso significava ainda.
Pegou sua bolsa e foi até o banheiro, tomou um banho rápido e escovou os dentes, colocou uma calcinha limpa que carregava na bolsa e vestiu a roupa de ontem.
Quando Maura chegou na cozinha, em cima do balcão havia um café da manhã simples comparado ao que tomava, mas muito bem feito. Se aproximou e sentou ali, se debruçando no balcão.
– Geleia de morango? — Disse com um sorriso enorme ao segurar a geleia. — Faz anos que não como isso.
– E está sorrindo? Achei que já fosse reclamar das calorias e etc. Não achei muita coisa nos armários que você pudesse gostar, eu só como no café da manhã cereais e...
– Panquecas — Acrescentou com um sorrisinho para Jane, que a olhava. Era estranho como ainda se conheciam tão bem e não haviam mudado tanto assim. — E não se preocupe, para mim está perfeito.
Maura pegou duas torradas e passou geleia. Jane a serviu com suco de laranja, já que em sua casa o café era sempre instantâneo.
Elas tomavam café tranquilamente e havia um silêncio entre elas meio incômodo, como se houvesse algo a ser dito, mas que nenhuma das duas diria naquele momento.
– Jane... — Maura chamou, já havia acabado de tomar o café, a morena a olhou um pouco tensa. Sabia como Maura era e que com certeza ela iria lhe fazer alguma pergunta difícil de ser respondida naquele momento, quando a campainha tocou.
– Deve ser minha mãe, ela insiste em vir me visitar nos domingos pra se "certificar" de que eu estou viva mesmo no meio dessa zona...
Maura soltou um risinho.
– Tudo bem, ela está certa em fazer isso.
Jane foi abrir a porta tranquilamente, com um sorriso mesmo que discreto indicando sua felicidade, ao abrir a porta se assustou ao ver quem era.
– Lauren? — Desde o dia que discutiram a garota nunca mais apareceu ou telefonou e Jane também não a procurou. — Que está fazendo aqui?
Maura ainda sentada no balcão olhou curiosa e logo viu uma ruiva, aparentemente bem mais nova que elas e muito bonita.
– Me deu saudade de você...
– Lauren, eu — Jane não sabia o que fazer, Maura estava dentro do seu apartamento e Lauren na porta, aquilo com certeza daria uma grande confusão.
De súbito a ruiva segurou o rosto de Jane e a beijou. Maura, que já estava em pé e se aproximava mais da sala viu tudo e sentiu seu coração se despedaçar mais uma vez naquela semana, os olhos marejaram mas ela controlou. Não choraria na frente de Jane, muito menos daquela vadiazinha ruiva que ela não conhecia mas já estava detestando.
Jane, surpreendida, se afastou de Lauren e olhou para trás, fez uma cara de "não é nada disso" para Maura, e nem mesmo ela própria entendeu porque fez isso, já que não estava junto de Maura.
Lauren adentrou mais o apartamento e viu Maura. Olhou-a dos pés a cabeça e embora nem imaginasse do passado de Jane e não soubesse quem ela era, sentiu só pelo olhar de Jane que ela era importante e então imediatamente ficou com raiva, derivada do ciúme.
Olhou para Jane.
– Quem é ela?
Maura não disse nada, ficou imóvel olhando para Jane.
– Lauren, essa é a Maura... ela... é a nova legista-chefe de onde eu trabalho e... — Maura sorrio ironicamente. Ela esperava mesmo que Jane fosse apresentá-la para aquela garota, fosse quem fosse, como o amor da sua vida? Como a ex namorada que nunca deixou de amar?
– Maura, essa é a Lauren, uma amiga que eu conheço há algum tempo...
Agora foi a vez de Lauren também ficar decepcionada. Não era namorada de Jane mas também não esperava ser apresentada como uma simples amiga. Ela e Maura se entreolharam, a raiva visível entre as duas.
– Se me dão licença, eu tenho que ir — Maura disse séria, pegando sua bolsa no sofá e Jane ficou sem saber o que fazer.
– Maura... — Ela disse, após sair do prédio atrás da loira, deixando a ruiva em seu apartamento.
– Não, Jane. Volte para dentro. Lauren está te esperando.
[...]
– Vocês transaram? — Jonathan gritou, os olhos arregalados.
Maura o olhou repreensiva por causa do grito.
– Desculpe querida mas isso é uma notícia chocante! Pelo que você me disse, o clima entre vocês estava fogo e gasolina, uma coisa de cão e gato e agora você me diz que transaram... eu... — Ele colocou a mão no peito, dramatizando, enquanto sentava no balcão extenso da cozinha — Eu não tô bem com essa revelação. Mas foi bom?
– Jonathan! — Disse meio indignada e os dois acabaram rindo, ela então abriu um sorrisinho que dizia tudo. — Foi... e de manhã foi estranho.
– Por quê?
– Foi como há anos atrás, mas nós ficamos sem reação. Não conseguimos falar nada. Ela preparou um café da manhã para nós — Ele sorrio surpreso e logo o sorriso de ambos se desfez — Mas aquela... ai! Aquela criatura nos atrapalhou!
– A tal da Lauren?
– Essa mesma. Ela chegou já beijando a Jane! Algo totalmente inadequado. Ela tinha um jeito vulgar. Eu não gostei dela.
Jonathan soltou uma risada enquanto via a expressão de Maura.
– Não gostou dela só porque viu que ela tinha alguma coisa a mais com a Jane né?
– Não! Claro que não. Eu só... não gostei da maneira dela se comportar. E pela forma como me olhou aposto que também não gostou nem um pouquinho de mim.
– Claro, ela notou que a concorrência é forte!
Maura fez uma careta para ele enquanto ia até a geladeira e pegava um potinho com morangos.
– Como acha que as coisas serão de agora em diante?
– Não faço a menor ideia... — Ela se abaixou e então deu um morango a Bass, com um sorrisinho — Eu não esperava pela noite de ontem, muito pelos pela manhã de hoje. É claro que Jane não ficaria doze anos sozinha, me esperando, mas também não pensava que daria de cara com uma garota de uns vinte anos, toda bonita e impetuosa, beijando minha... — Logo parou ao ver o estava prestes a dizer e então se levantou, recebendo aquele sorriso levado do amigo.
– Beijando sua... ?
– Beijando a Jane!
– Hum, sei. Pois é, querida. Pelo visto Jane tem essa garota na vida dela, que não sabemos ainda se é namoro ou amizade colorida, ou um peguete... enfim. Temos que descobrir antes de agir.
– Agir? — Maura sorrio ironicamente — Não vou "agir". Minha única ação vai ser ignorar a Jane pelos próximos doze anos! O que ela está pensando? Tudo bem, ela estava irritada, magoada, chateada comigo por eu ter ido embora. Daí ela se dispôs a conversarmos ontem e nem me deixou explicar exatamente o que aconteceu, não me deixou dizer que fui obrigada a ir embora pela minha mãe e já me beijou! Eu quis ir embora, mas ela pediu que eu ficasse. Daí nós fazemos amor e no dia seguinte surge uma mulher na porta dela? — Soltou um bufo de indignação — Isso é uma brincadeira de muito mal gosto.
– Mas querida, ela não tem culpa!
Maura olhou indignada para Jonathan.
– Está do lado dela agora?
– Eu estou do seu lado, mas realmente tenho que te dizer que Jane não tem culpa. Você reapareceu de súbito na vida dela. Essa garota, seja lá o que for, deve ter surgido antes da sua volta. E como vocês estavam sem se falar direito, nessa frescura toda ao longo da semana, ela não deve ter pensado: "Ah, vou terminar qualquer coisa que eu tenho com a ruivinha gatinha porque o amor da minha vida voltou" — Ele dizia de forma engraçada e acabou fazendo Maura rir.
– Você é muito engraçado, mas continuo na mesma posição que antes. Não vou falar com a Jane. Se ela quiser que venha falar comigo.
[...]
– E agora? O que você tem para me dizer, Jane?
A morena estava visivelmente chateada, desanimada, ao contrário do que estava na hora em que Lauren chegou em seu apartamento.
– Se eu dizer alguma coisa vai me acusar de estar mentindo? — A morena perguntou com um humor forçado e de repente duas lágrimas caíram de seus olhos e Lauren percebeu.
– Jane? — Sua voz suavizou e então ela se aproximou da morena — Está tudo bem?
– Eu não sei... vem cá — Jane pegou-a pela mão e a conduziu até o sofá e se sentaram. — Você disse que eu menti pra você aquele dia e estava certa.
Lauren a olhava e não esboçava nenhuma reação, só a olhava como se desse consentimento para que ela continuasse falando, para que dissesse tudo o que precisava dizer.
– Eu e Maura nós conhecemos há doze anos atrás, quando eu tinha dezessete pra dezoito anos — Lauren ficou surpresa agora — Nós estudávamos no mesmo colégio, ela era aluna nova, entrou no último ano, caímos na mesma sala... aconteceram umas coisas e nos tornamos amigas, grandes amigas. Quero dizer, nós éramos amigas muito íntimas e eu nunca tinha tido uma amizade de verdade na minha vida, sabe? Nunca ninguém havia gostado sinceramente de mim como a Maura. E eu também gostei muito dela logo de cara, mesmo com todas as diferenças, com aquela boca de google... — Soltou um sorrisinho bobo ao dizer isso, Jane alternava seu olhar entre Lauren e o nada, e cada vez que fitava o nada, lembranças vinham em sua mente — Eu acho que me apaixonei por ela logo no primeiro encontro sem que me desse conta. E rapidinho eu já estava caidinha por ela e comecei a me sentir estranha, toda aquela coisa de adolescente apaixonado... Então o verão chegou e como não queria ficar longe dela nas férias, pedi para os meus pais se ela poderia ir conosco em uma viagem. E foi a viagem mais incrível do mundo. Fomos para um hotel fazenda, ficamos em um chalé sozinhas por duas semanas e logo na primeira noite nós nos beijamos pela primeira vez...
Lauren ouvia a tudo muito surpresa, não imaginava que um dia Jane havia sido tão apaixonada por alguém, pois ela parecia uma mulher tão difícil de se conquistar, tão inacessível. Estava mais surpresa ainda porque enquanto Jane falava seus olhos brilhavam e ela sorria.
– Maura teve um pesadelo comigo, acordou toda desesperada e então nos abraçamos na cama dela. Me lembro que eu segurei em seu rosto e nos olhamos bem de perto, dentro dos olhos — Jane encarou Lauren — E eu vi dentro dos olhos dela que ela sentia a mesma coisa que eu e aconteceu... A gente se beijou e tudo mudou. E naquela época era muito louco! — Soltou uma risadinha — Eu não tinha noção do que significava gostar de outra mulher, não sabia se eu era lésbica ou não, eu era BV antes de conhecê-la! — Lauren sorrio ainda mais surpresa — Eu só sabia que gostava da Maura e que queria estar apenas com ela. Depois disso nós começamos a namorar. Eu pedi ela em namoro na nossa última noite no chalé. E foi também à noite da nossa primeira vez...
– Que lindo, Jane!
– Foi, foi lindo. Eu não fazia ideia do que fazer, em sentia nervosa como uma idiota e pra completar Maura mal me olhava porque morria de vergonha. Mas quando ela encarou os meus olhos eu soube o que fazer...
– Eu acho tão lindo essas histórias de amor na adolescência. Eu nunca imaginei que você tivesse vivido algo assim na sua! — Lauren estava realmente surpresa e encantada — E depois?
– Nós começamos a namorar, mesmo não sabendo bem como as coisas funcionariam. Levamos um tempo pra entender tudo. Era muita coisa... o último ano do colégio, festas, formatura, teatro. E só queríamos ficarmos juntas. Só que a família da Maura antes mesmo de me conhecer já não gostavam de mim e isso só piorou depois que me conheceram... — Fez uma expressão de tédio. — Eu também não gostava deles.
– Porque eles não gostavam de você? É uma pessoa tão agradável — Disse com ironia, arrancando uma risada da morena que apontou o dedo na direção dela.
– Ei! Assim você me ofende...
– Desculpa, só estou brincando. Mas por quê?
– Óbvio: Porque eu não era adequada pra Maura na cabeça deles. A família dela é muito rica, "Os Isles" — Abriu aspas com os dedos e fez cara de nojo — E minha família totalmente diferente, simples, humilde e bagunceira. Minha ma berra comigo até hoje como se eu fosse criança...
Lauren soltou uma risada. Mesmo ficando cada vez mais incomodada agora em pensar no motivo pelo qual a ex namorada de adolescência de Jane estava em seu apartamento logo cedo, estava adorando ouvir aquelas confissões, pois estava conhecendo Jane agora de verdade, coisa que não conhecia antes.
– Mas o fato deles não gostarem de você fez alguma diferença para Maura?
– Nunca — Disse com um sorriso — Maura nunca se importou com a opinião deles, e nem dos outros. No começo nós mantivemos nosso namoro em segredo, mas quando assumimos no colégio, várias pessoas nos olhavam com reprovação, tinha um monte de meninas que nos detestavam e ela nunca se importou... Eu ainda ficava irritada com as provocações, queria brigar — Lauren soltou uma risada.
– Típico de Jane Rizzoli.
– Sim, mas ela nem ligava. Dizia que eu tinha que aprender a ignorar, entrar por um ouvido e sair pelo outro.
– Essa Maura é inteligente.
– Você não imagina o quanto! — Disse de uma forma que assustou Lauren — Quero dizer... ela é mais do que inteligente. Naquela época ela já era incrível, a melhor aluna do colégio, só tirava A! Hoje então que é formada em medicina... não é à toa que foi convidada pra ser legista-chefe do Estado de Massachusetts.
Jane viu a loira ficar muito impressionada.
– Uau! Ela deve ser realmente brilhante... — Seu tom de voz entregava uma certa chateação, mas Jane não percebeu pois estava empolgada em contar-lhe aquelas coisas.
– Nós tivemos um ano incrível. Namorá-la era como viver em um sonho. E eu tive sorte porque minha família sempre gostou de Maura e fomos bem recepcionadas quando contamos do namoro. Minha ma dava muita força para Maura quando ela estava mal porque brigava com os pais dela. Tínhamos uma relação de cumplicidade, entende? Nós compartilhávamos tudo, nos ajudávamos, estávamos juntas o tempo inteiro. Não haviam segredos, não haviam mentiras e até as brigas eram boas porque terminavam numa reconciliação daquelas! Mas... — Começou a se sentir deprimida ao se lembrar do final do ano.
– Mas... ?
– Tudo acaba um dia né... — Deu um sorrisinho forçado.
– O que aconteceu? Porque vocês terminaram se vocês se amavam tanto?
– Depois da nossa formatura, uma semana depois, ela desapareceu.
– Desapareceu? Tipo, ir embora?
– Sim. Ela sumiu sem dizer tchau, sem me explicar o porque. Ela foi embora e eu fiquei desesperada atrás dela por uma semana, achando que alguma coisa tinha acontecido, até que depois que o novo morador da casa dela me disse que haviam se mudado pra Londres então... eu vi que não adiantava mais nada.
Lauren agora estava até mesmo indignada.
– Ela foi embora sem te dar sequer uma explicação? Sem se despedir? Que espécie de pessoa ela é? — Seu tom era mais alto e irritado. Agora gostava ainda mais de Maura por ela ter machucado tanto Jane.
A morena suspirou e não soube o que responder.
– Naquele dia na boate eu encontrei com ela, foi por um acidente, eu nem ao menos imaginava que ela pudesse ter retornado a Boston — Lauren então fez uma cara de que agora compreendia tudo. — Faziam doze anos que eu não a via... fiquei em choque... nos beijamos... eu corri pra fora e ela veio atrás de mim e então eu disse tudo que estava entalado na garganta e pedi a Deus que nunca mais a visse, e então no dia seguinte fui trabalhar e com quem eu dei de cara? — Sorrio ironicamente para Lauren.
– Com Maura.
– É péssimo porque temos que conviver o tempo todo. E foi uma semana bem tensa porque tivemos uma série de corpos de um mesmo assassino. Daí ontem os meus queridos colegas de trabalho chamaram ela pra irem no Dirty, onde sempre bebemos e tudo mais. Cerveja vai, cerveja vem... ela quis conversar comigo, quis explicar porque foi embora e viemos pra cá e então... — Desviou o olhar de Lauren e soltou um longo suspiro. Não era preciso dizer. Lauren sabia.
– Não resistiram e se entregaram à paixão... — Seu tom era leve, levemente irônico e então ela abriu um sorriso dolorido. Era difícil admitir mas realmente gostava de Jane. — Tudo bem, eu entendo. Você nem me deve satisfações, nós não somos namoradas e nossa amizade sempre foi muito limitada já que nunca me contou nada da sua vida como fez agora. Fico feliz por ter resolvido se abrir comigo. Agora que vocês já se reencontraram e se entenderão e eu estou sobrando, vou te deixar em paz, Jane. — Ela se levantou do sofá e fez menção de ir em direção a porta, mas Jane foi mais rápida e levantou, tocando-a no braço.
– Não é porque passamos à noite juntas que fizemos as pazes.
– Mas vocês ainda se gostam pelo clima que eu notei quando cheguei — A garota virou o rosto e encarou Jane — É questão de tempo para isso acontecer, ainda mais que você me disse que ela te explicou.
– Não foi bem uma explicação... porque nós estávamos irritadas e meio embriagadas. Mas a forma como ela disse... deu a entender que foi "obrigada" a ir embora.
Lauren soltou uma risada divertida.
– Obrigada? Sério? Ela dizia que te amava, vocês eram um casal estilo alma gêmea e de repente ela some pra sempre da sua vida sem nem se despedir porque foi "obrigada"? Acredita mesmo nisso? — Ao ver a expressão de Jane ela notou que não e mesmo assim a morena assentiu.
– Não, por isso que estou te dizendo que nós não vamos voltar. Eu não quero voltar com ela. Maura me fez sofrer demais e... o que aconteceu ontem foi realmente um erro. Aconteceu porque além de bêbada deu saudade porque faziam doze anos que nem nos víamos, que dirá... enfim...
– Certo. Se você está dizendo... E o que pretende fazer? Sabe que terão que conviver por causa do trabalho.
– Eu sei e não vou mais ficar irritada e nem nada do tipo como fiquei na semana passada. É estúpido. Ainda mais depois de ontem. Já passou, foi há doze anos atrás. Tenho que esquecer isso e seguir minha vida finalmente porque sinto que até agora eu ainda não havia seguido. Tenho que esquecer. Fiquei como se estivesse parada no tempo e não me permiti me entregar de verdade a ninguém.
Lauren começou a sentir uma pontada de esperança com aquelas palavras da morena. Será que agora ela talvez, finalmente, fosse ter sua chance?
– Vou manter uma relação saudável com Maura por causa do trabalho e também porque minha ma gosta dela. Mas não é ela que eu quero para ser minha namorada.
Jane não fazia nem ideia de onde estava tirando coragem para dizer todos aqueles absurdos. Devia estar tão desesperada para esquecer Maura, para esquecer a "recaída" daquela noite que tomou aquela atitude num ato impensado. Ela não podia ficar com Maura. Não mesmo. Aquele papo de ir embora porque foi obrigada, porque os pais mandaram... era inaceitável. É certo que sendo menor de idade ela teria que obedecê-los, mas porque não contar a Jane? Porque não tentarem fazer alguma coisa? Porque nem ao menos se despedir? Não havia explicação. Jane não iria perdoar isso. Não queria entender. Só queria esquecer.
Lauren parecia um pouco lerda para processar a última fala da morena. Levemente abriu um sorrisinho meio de lado.
– Se não é ela... — Seu sorriso foi ficando maior ao ver Jane sorrir, e a morena sorria sem emoção alguma — Quem você quer que seja sua namorada sou... Sou eu?
– É claro que é você!
– Não acredito!
A ruiva pulou no colo de Jane, que por sorte era rápida e forte e então a segurou pelas coxas. Lauren a beijou de forma intensa e naquele momento Jane não conseguiu não comparar o beijo com o beijo de Maura. Definitivamente Maura não sairia tão cedo da sua cabeça, e talvez nunca saísse do seu coração. Mas naquele momento Jane não viu outra alternativa a não ser aquela. Fugir.
Jane sabia que namorar com Lauren ou com qualquer outra mulher que fosse não iria fazer diferença. Nenhuma delas seria como Maura. Nenhuma delas faria seu coração disparar, nenhuma delas a conheceriam um dia tão bem quanto à loira. E saber disso tornava tudo ainda pior.
Sim, ainda amava Maura, amava muito, e nem sabia ainda, mas amava mais até do que antes. Amava de uma forma desesperada, porque não podia vê-la agora ainda mais bonita e sofisticada sem ter vontade de beijá-la.
Se naquele momento tão confuso de sua vida Jane tinha uma certeza era de que ela sempre amaria Maura. Sempre.
Notas finais
Brincadeira, meninas! Ou não. But... não é intencional e tal, faz parte da história. Espero que não queiram me matar e nem desistam de ler. Pelo menos aqui não tem Casey, bjs.
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