R&I - Wish You Were Here
9 Capítulo 8 - Coração Partido
Notas iniciais
Apreciem com moderação, ou melhor, sem moderação alguma ;)
O que é o amor? Essa palavra tão pequena, de apenas quatro letras, mas um sentimento tão vasto que ultrapassa qualquer significado já criado para ele, qualquer concepção do seu sentido. O amor pode variar de pessoa para pessoa. Para alguns o amor só existe entre pais e filhos, aquele amor maternal incondicional que faz uma mãe cometer as maiores loucuras em busca de proteger seu filho. Para outros o amor é mais amplo, não se estende apenas aos familiares, mas sim aos amigos, ao namorado, o noivo, o marido. Outros encaram o amor como um sentimento primordial para se ser humano. Se você não consegue amar a todos, sem exceção, amar ao próximo, então você não pode ser considerado humano. Porque segundo a opinião de diversos filósofos e pensadores, todos os seres humanos por sua essência são bondosos, generosos e esse sentimento de humanidade, de querer ajudar o próximo nada mais é do que o amor puro em sua essência. O problema é que a sociedade de todos os lugares habitados no nosso planeta acaba corrompendo essa essência por diversos fatores.
Se perguntar a qualquer um sobre o amor Eros, aquele amor de se apaixonar por outra pessoa (o mais famoso), ninguém daria créditos ao amor de duas jovens adolescentes que nem sequer começaram a descobrir o mundo ainda. Qualquer um diria que poderiam estar apaixonadas, poderiam se gostar, mas não se amarem, porque elas não tem idade suficiente para "entender" o significado do amor. Mas desde quando se tem idade certa para sentir o amor? Se fosse assim, todos os adultos não só entenderiam como também saberiam sentir, e sabemos bem que a realidade não é essa. O amor foge da compreensão de todos, e não é todo mundo que tem a sorte de senti-lo.
Jane e Maura tinham essa sorte naquele momento e sabiam disso. Elas haviam sido abençoadas, agraciadas por alguma divindade, pelo destino ou seja lá pelo que fosse que acreditavam, porque elas se amavam verdadeiramente. Não era um amor falado, era um amor sentido e provado todos os dias sem precisar ser provado. Elas não precisavam de ocasiões especiais para querer "prová-lo". As pequenas ações do dia a dia mostravam isso.
Quando as aulas voltaram, Jane e Maura estavam ainda mais próximas — se é que era possível — e não conseguiam disfarçar que eram namoradas. Elas tinham tanta urgência de ficarem juntas que não se continham apenas em namorarem na casa da morena quando ninguém estivesse em casa. Elas precisavam se sentir o tempo todo, por isso se trancavam no banheiro do colégio e ficavam lá, namorando, correndo todos os riscos.
Certa ocasião, na hora do intervalo, elas estavam trancadas em uma cabine, a última do banheiro. Jane estava ajoelhada entre as pernas de Maura que já estava sem suas calças há uns bons minutos e de repente o banheiro ficou lotado de garotas para o pânico da legista que não conseguia se silenciar.
- Oh, oh Jane, oh... eu... eu vou... vou gozar, oh meu Deus..
Jane ergueu o rosto para encará-la, uma expressão séria de repreensão, embora quisesse rir, disse baixo:
- Goze em silêncio ou então teremos que terminar isso na diretoria!
A professora de Educação Física delas era bastante exigente e em cada bimestre escolhia um esporte diferente para elas se dedicarem, montando equipes e participando de pequenos campeonatos. Naquele bimestre elas tinham que jogar handebol. Embora Maura fosse extremamente saudável, já praticasse yoga, caminhada, corrida e exercícios aeróbicos em casa, ela não era boa com esportes, definitivamente. Mas como era obrigada a participar...
Sandy e suas amiguinhas eram do time rival ao time de Jane e Maura, o que tornava tudo ainda mais acirrado. Como elas não conseguiam atingir de forma alguma Maura e muito menos Jane, porque elas eram inseparáveis e não davam a mínima para os comentários feitos pelo colégio, por meio do handebol elas encontraram uma forma de provocá-las.
Em uma penúltima aula de quinta-feira, elas estavam jogando. Tirando Jane, quase nenhuma garota da equipe passava a bola para Maura, pois diziam que ela era lerda demais e sempre perdia a bola, o que não era mentira.
Embora ela dissesse que não, Jane sabia que a loirinha ficava incomodada com o fato de nunca pegar na bola e de não fazer sequer um gol, então assim que viu oportunidade, decidiu agir. Maura estava sem marcação aparente e próxima do gol. Quando passaram a bola para Jane, ela gritou o nome de Maura e jogou a bola em sua direção de forma perfeita para ela pegá-la, tanto que a loira assim que sentiu seus dedos tocarem no objeto, abriu um sorriso, que se desfez com o choque do outro corpo ao seu. Recebeu um empurrão tão forte de uma amiga de Sindy, Karine, que tinha quase o dobro do tamanho de Jane, além de ser corpulenta, que Maura não teve sequer chance de se equilibrar. O problema é que ela estava muito próxima, quase em cima da linha da área de arremesso da bola na lateral esquerda e o empurrão foi tão forte que quando ela caiu, seu rosto bateu na trave e imediatamente seu nariz começou a sangrar.
- MAURA!!! — Jane gritou desesperada e atravessou a quadra correndo até alcançá-la, assim como a professora e algumas garotas do seu time, todos preocupados. — Maura, Maura...
Jane se ajoelhou no chão ao lado da loira e a ajudou a sentar, seu nariz sangrava muito e seu rosto perto da têmpora estava roxo.
- Maura, você tá bem? — Ela estava muito preocupada, podia ser visto seu desespero em seus olhos e no seu tom de voz. — Seu nariz...
- Coloque a cabeça para cima Maura! — Instruiu a professora, sem tocá-la. A mulher era fria e durona. Se virou para uma das alunas. — Vá buscar gelo e um pano. Rápido!
- Acho... acho que estou... — Disse, meio tonta, fazendo uma careta de dor, colocou a mão no nariz e doeu mais, além de se sujar com o sangue. — Não sinto meu nariz, mas isso é só porque acabei de batê-lo, Jay. Não se preocupe. Não vou ter que amputá-lo — Jane acabou soltando uma risadinha nervosa da piada da namorada, que andava muito menos nerd e mais bem humorada em sua presença.
Jane passou a mão no lado do rosto de Maura que não estava machucado assim que a professora se afastou e foi até o grupo das meninas de Sandy, que davam risada do estado de Maura.
- Karine, onde você estava com a cabeça para dar um empurrão desses na garota? Ela é metade de você em altura e peso! — Repreendeu aos gritos. — E vocês estão rindo do que? Estão loucas?
- Me desculpa por deixar elas fazerem isso com você... eu devia saber que elas iriam aprontar e...
- Sh! Não seja boba. Você não deixou ninguém fazer isso comigo, a culpa não é sua Jane. E tenho certeza que não foi intencional. Karine deve ter vindo me marcar e acabou... tropeçando, talvez — Disse aquilo, mesmo não acreditando que fosse mesmo verdade, só para que Jane não ficasse irritada, pois sabia bem como a namorada agia quando estava furiosa. E Maura realmente esperava não ter crises de urticária por isso.
- Duvido que não foi intencional...
- Você está suspensa das próximas partidas, Karine e qualquer uma de vocês que soltar mais uma risada serão suspensas também! — A professora gritou, Maura e Jane podiam ouvir.
- O que? Vou ser expulsa só porque derrubei a retardada da mulherzinha da Rizzoli? Isso é uma sacanagem!
Jane, que estava de costas para elas, ajoelhada perto de Maura, fechou as mãos em punho e fez aquela cara de poucos amigos.
- Jane... não dê ouvidos a ela, é isso que ela quer, provocar você. Fez isso só pra te atingir, não dê ouvidos... — Maura tentava acalmar a morena, passando a mão direita pelo braço dela, enquanto a outra apoiava no chão enquanto inclinava a cabeça para trás.
- Aqui Maura, pegue isso — Uma garota magricela disse, entregando o pano com os gelos embrulhados.
- Obrigada! — Maura segurou e colocou no nariz.
- Eu odeio essas desgraças... — Jane murmurou, ainda de costas, olhando para Maura.
- Acho melhor você medir suas palavras, senhorita Stone, porque dependendo do que disser a partir de agora, isso pode soar como se você tivesse machucado a senhorita Isles propositalmente, e se isso for verdade além de ser suspensa dos jogos, você tomará uma suspensão! — A professora advertia, mas a garota não se importava, ao contrário das outras do grupo, Karine era provocativa e desbocada.
- Ok — Disse olhando com raiva para a professora e foi caminhando em direção a saída da quadra, mas quando passou do lado de Jane e Maura no chão, ela olhou para a loirinha e disse baixo, só para que elas ouvissem — Espero que tenha gostado do meu "presente".
Jane fechou os olhos, franziu o cenho, enquanto a menina continuou a andar, achando que tudo estava bem.
- Jane, não...
Ela não ouviu Maura, não pensou em mais nada. Levantou do chão e saiu correndo na direção de Karine, agarrando-a por trás e empurrando-a até que caíssem no chão. Jane ficou por cima dela e acertou um soco em sua cara com a mão esquerda, e depois outro com a direita e depois mais um, até que sentiu alguém puxando-a com força, era a professora.
- Jane! Jane! — Maura gritava do chão, assustada.
- Parem já com isso! — A professora gritou, após ter tirado Jane de cima de Karine, enquanto a segurava.
As meninas correram socorrer a amiga no chão, que estava com a boca sangrando e o olho roxo.
- Sua sapatona filha da puta! — Ela saiu correndo e se aproveitou que a professora segurava os braços da morena e então deu um soco na cara de Jane.
A professora soltou-a e ficou chocada, pois ninguém, nenhuma garota a ajudava segurá-las, e sozinha não poderia contê-las.
- Parem com isso! Parem agora ou as duas levarão suspensão!
Karine tentou dar outro soco em Jane, mas a morena esquivou e acertou um soco em seu estômago, a outra, por ser maior, se aproveitou e segurou Jane pelo tronco, quase erguendo-a do chão e deu uma joelha forte na boca de seu estômago como "retribuição", fazendo-a cuspir sangue e em seguida a empurrou, jogando-a do outro lado no chão.
- Jane! — Maura estava desesperada, seus olhos já cheios de lágrimas ao ver a namorada machucada. Sem se importar com seu nariz, levantou do chão meio tonta e saiu correndo na direção delas.
Jane estava caída no chão, sua testa tinha um pequeno corte por ter batido o rosto, sua boca sangrava do lado direito e seu rosto estava meio inchado. Karine também estava machucada mas mesmo assim queria mais briga, iria para cima de Jane se não fosse Maura entrar na frente.
- Saia daqui agora! Se você encostar mais um dedo na Jane, os meus pais vão te processar e você não vai querer sentir o peso da mão dos Isles! — Seu tom era sério e imponente. Embora detestassem Maura, todos no colégio sabiam quem era sua família, e ela era de longe uma das mais ricas daquele colégio.
- Isso não vai ficar assim, Rizzoli.
E então ela se virou e foi saindo da quadra com as amigas. A professora quando viu que perdeu o controle da situação, saiu da quadra e foi atrás do diretor.
- Ei, ei... você está bem? Jane! Porque você nunca me escuta? Porque deixa essas garotas te tirarem do sério? Olha só o seu rosto... — Maura ajudou a morena se levantar e foram sentar na arquibancada.
- O que ela fez no seu rosto é muito pior! — A morena disse séria.
- Claro que não. Meu nariz dói, mas já parou de sangrar — Ela mostrou ao tirar o pano com gelo da frente.
- Mas seu rosto está roxo...
- Não tão roxo quanto o seu, meu amor, isso eu te garanto! — A morena soltou um risinho que a fez sentir dor.
- Au...
- Isso não tem graça, você poderia ter se machucado ainda mais! — A namorada falava dando bronca. — Senta a cabeça aqui no meu colo, anda...
Jane deitou na arquibancada e colocou a cabeça no colo de Maura, obedecendo-a. Maura pegou e virou o outro lado do pano que não estava sujo e passou delicadamente na boca da morena, limpando o sangue e em seguida encostou o pano com o gelo perto de seu olho.
Jane olhou-a nos olhos e viu o quão preocupada ela estava, e achou ainda mais lindo ao notar suas lágrimas.
- Porque está chorando?
- Porque eu sou uma tola que me preocupo com você — Murmurou baixinho, passando a mão livre nos cabelos desalinhados. — Me prometa que vai parar de usar a violência para resolver esse tipo de coisa, por favor...
- Eu prometo... se você não chorar mais...
Maura acabou sorrindo e Jane sorrio de volta.
- Mesmo desaprovando sua atitude de sair no braço, porque além de ser contra a violência você acabou se machucando, eu fico muito feliz por esse cuidado todo que tem comigo.
- Mas é claro, Maura! Você é minha mulher, eu não posso deixar que façam nada de ruim com você... eu tenho que te proteger e...
A loira ficou tão feliz ao ouvir aquilo que inclinou seu rosto e beijou os lábios de Jane sem se importar se alguém aparecia ou não.
- Eu te amo, Jane Rizzoli.
Dias de Hoje.
Na segunda-feira, Jane foi para o trabalho normalmente. Não estava tão irritada e mal humorada quanto na semana anterior, mas também não demonstrava sinais de animação e felicidade. Ela havia passado o domingo com Lauren e não sabia bem o que estava fazendo com aquela história de namoro, só sabia que precisava continuar.
Quando chegou no escritório, encontrou Korsak e Frost com olhares curiosos, como se estivessem esperando-na.
- E aí? Como foi? — O rapaz negro perguntou.
Jane tirou seu bleiser, colocando-o na cadeira antes de se sentar.
- Como foi o que? — Perguntou se fazendo de desentendida.
- Sábado, depois que nós fomos embora, você e a Dra. Isles ficaram sozinhas — Korsak lembrou-a.
- Ah, é isso?
Os dois se entreolharam ao ver o descaso na voz da morena. Eles queriam a todo custo descobrir o que tinha acontecido, mas pelo visto seria mais difícil do que imaginaram.
- Foi normal. Bebemos mais um pouco e conversamos, depois fomos embora.
- Para onde? — Korsak perguntou rápido demais e com excesso de animação, fazendo Frost e Jane o olharem de forma estranha, deixando-o sem graça.
- Vocês foram para outro lugar depois? — Frost perguntou mais cuidadoso.
Jane soltou um suspiro. Os homens as vezes podiam ser mais fofoqueiros do que as próprias mulheres.
- Não, nós não fomos para lugar nenhum. Eu fui para minha casa e Maura para a dela. Satisfeitos, senhores?
Ela lançou um olhar sério para os dois, indicando que não iria dizer mais nada e então eles desistiram.
[...]
Jane sabia que precisava falar com Maura para esclarecer o ocorrido no domingo, esclarecer a respeito de Lauren e também para se certificar de que Maura não tinha nenhuma esperança delas voltarem, porque isso não aconteceria.
Desceu até o necrotério e a viu em sua sala, ao lado da sala de autópsias. Bateu na porta e em seguida abriu.
- Posso falar com você um minuto? — Disse assim que olhou os olhos verdes.
Maura ao ver que era Jane, em pouco caso, voltou seu olhar para seu notebook onde estava pesquisando sapatos.
- Pode falar.
Jane fechou a porta atrás de si e naqueles poucos segundos ali, já pode notar que Maura estava diferente. Com certeza deveria estar assim por causa do que aconteceu.
- Eu queria falar com você sobre a Lauren.
A loira então abaixou a tela do notebook, respirou de forma tão profunda que Jane pôde ouvir e então se levantou, encarando-a.
- Eu realmente não sei que assunto a respeito da Lauren pode ser do meu interesse, Jane.
- O que aconteceu ontem... eu acho que te devo uma satisfação sobre isso, foi uma situação meio constrangedora e...
- Você não me deve satisfações nenhuma — Maura se adiantou, num tom sério, cruzando os braços — Afinal de contas, nós não temos absolutamente nada uma com a outra. Você fez questão de deixar bem claro isso quando nos reencontramos pela primeira vez. Que nós não temos mais nada depois de tudo que aconteceu.
Jane estava boquiaberta e surpresa. Ela esperava encontrar uma Maura magoada, chateada, que fosse cobrar explicações, que fosse se mostrar mal pelo que aconteceu, mas não. Encontrou uma Maura fria e aparentemente indiferente, mas Jane sabia que ela não era, ou queria acreditar que ela não fosse. Mesmo pedindo Lauren em namoro e dizendo para si mesma que não queria Maura, ela não queria que a loira não gostasse dela. Pelo contrário.
- Se nós não temos mais nada, poderia me explicar à noite de sábado?
- Me explique você, já que foi quem me beijou — Maura se virou para não encará-la e começou a mexer em alguns papéis em sua mesa.
- Eu dei o primeiro passo, mas não beijei e muito menos transei sozinha — Ela disse mais alto, se aproximando da mesa e começou a ficar estressada com a forma como Maura a ignorava. — Será que você poderia largar essa porra desses papéis e olhar para mim enquanto eu falo com você?
Maura se indignou. Detestava quando alguém era grossa com ela, e mais ainda quando falavam palavrão. Olhou-a em desaprovação.
- Cadê sua educação, Detetive Rizzoli? Acho que alguém aqui não teve uma boa noite de sono e não fui eu. O que você quer com essa conversa toda? Não esto entendendo.
- O que eu quero? — Jane soltou um riso de indignação e ficou sem saber o que dizer.
- Sim, o que você quer.
Ela não sabia. Porque diabos se importava tanto se Maura era ou não indiferente a ela se estava namorando com Lauren? Se queria esquecê-la? Qual era a lógica nisso?
Na terça-feira quando se reencontraram e discutiram, Maura disse que ainda a amava e isso estava martelando dentro de Jane, que sentiu pela forma como a loira se entregou à ela no sábado que realmente a loira também a amava ainda. E era isso que Jane queria no fundo. Que Maura a amasse.
"Jogue-me no aterro
Não pense sobre as consequências
Jogue-me na cova de terra
Não pense sobre as escolhas que você faz
Jogue-me na água
Não pense sobre os respingos que vou criar
Deixe-me no altar
Conhecendo todas as coisas que você acaba de escapar."
- Merda! Eu quero entender porque você deixou eu te beijar, porque correspondeu, porque passou à noite comigo? — Perguntou irritada.
Maura abriu um sorriso irônico e pôs as mãos na cintura.
- Eu poderia te fazer a mesma pergunta. Porque não me diz você primeiro? Porque me beijou e pediu que eu ficasse, ein?
Jane simplesmente odiava quando Maura conseguia inverter todo o jogo e deixá-la assim, sem ação. A morena estava "se achando" porque sabia que Maura ainda a amava e com certeza estaria arrasada e se corroendo com a dúvida de não saber quem era Lauren e ela teria o prazer de ir até sua sala contar que estava namorando só para atingi-la, só para machucá-la pelo menos um pouco, para que pudesse se vingar de toda a dor que a loira lhe causou no passado. No entanto, Maura se mostrava indiferente e brincava com ela, invertendo o jogo.
- Você é uma filha da puta — Deixou escapar, completamente irritada.
- Eu sou o quê? — Maura quase gritou, completamente indignada, arregalando os olhos — Quem você pensa que é pra falar assim comigo? Você está ficando louca, Jane? Se está estressada não venha descontar em mim!
"Empurre-me para o mar
No pequeno barco que você fez
Fora do "para sempre"
Que você ajudou seu pai cortar.
Deixe-me nos trilhos
Para esperar até que o trem da manhã chegue.
Não se atreva a olhar para trás
Vá embora, para alcançar o nascer do sol."
- Jane? Jane? Eu estou falando com você! — Maura falou alto novamente ao ver que a morena fitava o nada e não respondia, nem ao menos manifestava reação.
Maura não estava entendendo mais nada. Ou melhor estava sim. Jane queria vê-la se rebaixar, dizendo que ainda a amava, que queria ficar com ela, que estava irritada por causa da Lauren. Queria que ela fizesse algum barraco. Mas Maura não era disso, ainda mais numa situação daquelas. Não sabia se Jane ainda a amava ou não, e então não iria se arriscar a se expôr. Já estava ferida demais.
- Preciso ir.
A morena simplesmente se virou e saiu da sala feito um furacão. Estava ainda desestruturada. Tudo que havia planejado não deu certo e quando Maura começou a reagir irritada, quase gritando com ela, a morena sentiu uma vontade incontrolável de beijá-la. Isso definitivamente não estava certo.
[...]
Nos dias seguintes Jane não falou com Maura, até porque deram sorte de não terem um novo assassinato para resolverem.
Era fim de tarde, Maura estava sentada em uma mesa sozinha e conversava com Angela. Elas se falavam todos os dias, e se gostavam bastante, o relacionamento tão bom quanto era há anos atrás. Aos poucos Angela tentava ganhar ainda mais proximidade da loira para descobrir o que aconteceu e assim conseguir uni-la a sua filha novamente, mas estava difícil. Maura não dava espaço em relação a esse assunto, aliás, ela não dava espaço para nenhum assunto relacionado com a Jane pois não entendia mais nada.
Maura estava em uma mesa encostada a parede, no outro canto da cantina, quando Jane surgiu e foi se encaminhando até o balcão, quando de repente Lauren também apareceu do nada, para a surpresa e total desagrado de Maura, que ali de longe, observou-as.
- Maura? — Angela ao notar que a loira não prestava mais atenção nela e não lhe respondia, olhou para trás e se assustou com o que viu:
Uma ruiva jovem e bonita agarrando sua filha de forma escandalosa na cantina da homicídios, na frente de outros que estavam ali e trabalhavam lá.
- Que você veio fazer aqui, maluquinha? — Jane perguntou com um sorrisinho, abraçando-a forte pela cintura e soltando em seguida ao ver os olhares das pessoas. — Esse é meu local de trabalho, não posso ficar me agarrando com você.
- Eu sei, só passei porque estava aqui perto e quis te dar um oi e dizer que estava com saudade... — Ela sorria para Jane e viu por cima do ombro dela Maura sentada lá longe e então sorrio ainda mais, querendo provocar à loira, passou a mão pelo rosto de Jane e se inclinou, dando-lhe um beijo quase nos lábios — Quero te ver hoje à noite — Sussurrou.
- Jane disse que estava namorando, mas não me avisou que era uma cadela! — Angela comentou perplexa e então Maura, arrasada após ver aquela cena, olhou incrédula para a ex sogra.
- Ela está namorando com a Lauren? — Angela se arrependeu do que disse assim que viu a expressão de Maura. Se estava com alguma dúvida se a loira ainda gostava ou não de Jane, sua resposta foi dada naquele momento.
- Desculpa, Maura. Minha filha é uma idiota que age por impulso e faz besteira.
- Sim, ela é uma idiota!
Maura disse com rispidez, levantando da mesa. Saiu andando e foi obrigada a passar do lado das duas, mas nem ao menos as olhou por um instante que fosse, ao contrário de Jane e Lauren que não tiraram os olhos dela.
- Eu tenho que ir agora — Jane disse após Maura desaparecer de suas vistas, deixando-a preocupada.
- Vou te deixar trabalhar em paz — Beijou-a no rosto novamente antes de se virar e ir embora.
Jane se aproximou de Angela.
- O que aconteceu com Maura?
- Você ainda pergunta? — A mãe a olhava com desaprovação — E quem era essa cadelinha pendurada em seu pescoço?
- Ma! Não fale assim da Lauren, ela é minha namorada!
Ao ter aquela confirmação, a mulher a olhou séria e beliscou o braço da filha.
- Pare, isso dói.
- Você não tem vergonha de ser tão burra? Porque você tá namorando essa garota quando nós sabemos que você ainda gosta da Maura?
Jane a olhou indignada.
- Eu não gosto da... — Ao ver a cara da mãe, soltou um suspiro — Ok, ainda que eu goste, eu não vou ficar com a Maura, droga! Ela me abandonou, nós namorávamos, estávamos bem e ela me abandonou, foi embora sem me avisar e nunca mais entrou em contato, nunca mais me procurou em todos esses anos! Eu sei que você gosta dela e eu também gosto, mas como posso confiar em um alguém que fez isso comigo?
Angela ficou sem saber o que dizer. No fim, sabia que a filha tinha razão. Mas algo a intrigava em relação aquela história. Maura não teria ido embora por um motivo fútil, e muito menos teria se mantido tanto tempo sem dar notícias à Jane.
[...]
"Porque isso é torturante,
A eletricidade entre nós dois.
E isso é perigoso
Porque eu quero você tanto.
Mas eu odeio o que você faz.
Eu te odeio."
Jane desceu até o necrotério, entrou na sala de Maura que estava com a porta aberta e a mesma deixou cair um livro no chão ao ver Jane.
- O que você quer aqui? — Perguntou da forma mais hostil possível.
- Calma que eu não vim pra guerra não, viu?
- Não estou com paciência para suas ironias hoje. Diga logo o que quer e saia daqui!
Um sorrisinho escapou dos lábios da morena. Era isso que ela queria. Queria ver Maura com raiva, com ciúme. Isso mostrava que ela não era indiferente. Isso mostrava que ela ainda a amava.
- Está irritada desse jeito porque me viu lá em baixo com a Lauren?
- Que? — Maura se indignou e ao mesmo tempo ficou constrangida por Jane perceber aquilo, soltou uma risadinha enquanto andava de um lado para o outro — Me poupe, Jane. Eu acho que o complexo de achismo está tomando conta de você. Sabia que ego inflado não faz bem?
- Não pedi sua opinião, Doutora. E responda minha pergunta! — Jane cruzou os braços. Sabia que Maura não podia mentir.
- Eu não vou responder coisa nenhuma. Quem disse que eu tenho que te responder alguma coisa? Saia da minha frente que eu vou ir almoçar! — Disse séria, pegando sua bolsa e se encaminhando até a porta, mas Jane fechou a mesma atrás de si e se encostou ali. — O que é isso? Vai me deixar presa aqui na sua companhia, que diga-se de passagem não é uma das melhores?
- Vou enquanto você não responder a pergunta que eu te fiz.
Maura passou a língua pelos lábios, estava nervosa. Colocou a bolsa em cima da mesa e se afastou de Jane, virando-se de costas e caminhando pela sala. Não. Ela não poderia mentir porque com certeza teria uma crise forte de urticárias.
- Vai mesmo querer passar o horário do almoço presa aqui? — A morena cutucou.
- Merda! — Jane se assustou ao ouvir Maura dizer aquilo e então a loira se virou. — Mas que merda, Jane! O que você quer que eu diga? Que eu fiquei com ciúme? Sim, eu fiquei com a droga do ciúmes. Ainda estou. Porque ciúmes não é um sentimento que podemos controlar, muito menos um sentimento que desejamos sentir e...
Jane avançou na direção da loira, agarrando-a e beijando-a. Suas mãos na cintura da loira, apertando-a contra si. Maura ficou assustada com aquilo, beijou Jane por um instante mas em seguida a empurrou.
- Não faça isso. Você tem namorada e eu não sou um brinquedo — Disse totalmente séria, sentindo seus olhos marejarem, se afastou de Jane e se virou de costas.
A morena estava tão feliz por saber que Maura tinha ciúme dela que não se importou com mais nada e nem se deu conta que ela estava triste. Abraçou-a por trás, com força, encostou os lábios no ouvido da loira, que se arrepiou por inteira. Ainda que não quisesse, não conseguia resistir aos toques de Jane.
- Diz que você ainda me ama, diz Maura... — Beijou o pescoço dela e a loira apertou os olhos, virando o rosto para o outro lado, as mãos de Jane subindo e adentrando sua blusa. — Eu sei que você ainda me ama... eu quero que você me diga...
Maura sentiu seus olhos marejarem ainda mais e uma lágrima cair sem querer. Apertou as mãos de Jane e as tirou de seu corpo, conseguindo se desvincilhar dela. Virou e a olhou, assustando Jane ao ver a decepção e incredulidade na expressão de Maura.
- Porque você está fazendo isso? Sua namoradinha não merece isso. E eu também não.
Embora Jane ficasse com o coração na mão ao ver Maura magoada, sofrendo, naquele instante se indignou ao ouvi-la. Maura não podia se fazer de vítima porque a vítima da história era Jane!
- Você merece sim! Você me abandonou, Maura!
A loira então sorrio, agora entendia tudo. Jane queria realmente brincar com ela, magoá-la. Queria se vingar por ela ter ido embora. Se Jane soubesse porque ela foi embora... Olhou ainda sorrindo para Jane, um sorriso repleto de dor e decepção.
- Então é isso? Está querendo se vingar? Está querendo me machucar?
Jane não respondeu. Ao mesmo tempo que queria isso, também não queria. Era um complexo sem fim.
- Se sua intenção é me machucar, saiba que você já conseguiu. Agora me deixa em paz!
Maura tornou a pegar sua bolsa e saiu da sala sem olhar para trás.
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