R&I - Wish You Were Here
25 Capítulo 24 - Ânimos Elevados
Notas iniciais
Boa leitura!
Elas resolveram que se casariam após o ano novo, na primeira sexta-feira de janeiro, para começarem o primeiro ano de casadas de forma correta, seguindo o calendário. Já estavam no meio de agosto, por isso precisavam se apressar. Tinham menos de cinco meses para organizarem tudo. O casamento, a cerimônia, a festa e ainda mais importante: a casa. Elas precisavam mobiliar toda sua casa antes do casamento, pois assim que voltassem da lua de mel, elas iriam para o seu novo lar.
Angela parecia mais eufórica do que as duas noivas juntas. Todos os dias ela falava sobre os preparativos e já se prontificou a ajudá-las em tudo que fosse necessário. Claro que ela faria isso, não poderia ser diferente, senão, não seria Angela Rizzoli. Mas Jane não reclamou, mesmo ficando cansada com tanta empolgação e falatório na sua orelha. Quanto mais ajuda tivessem, melhor seria.
Era muita correria e todos precisavam ajudar. Enquanto pessoas eram assassinadas lá fora e Jane tinha que correr descobrir o assassino e Maura fazer suas autópsias, ainda precisavam encontrar tempo para saírem, irem em lojas olharem os móveis, enfeites e tudo que iriam querer colocar em sua casa. Claro que para facilitar, muitos móveis de Maura, que não eram poucos, seriam aproveitados, mas a casa nova era tão grande e espaçosa em comparação a casa atual da legista, que realmente precisariam de mais coisas.
Logo na primeira semana após o aniversário de Maura, na companhia dos seus agora inseparáveis aliados, Jonathan e Lauren, ela começou a bater perna em todas às lojas de noivas possíveis em busca de um vestido que fosse digno não só de sua beleza estonteante mas da ocasião única e especial que seria o seu casamento com o amor da sua vida. Ela provava vários e vários vestidos, desfilava com eles na frente dos dois e mesmo ambos achando que Maura ficava maravilhosa em todos que vestia, ela não estava satisfeita com nenhum e a busca implacável continuou, até que ela decidiu ir atrás de um estilista famoso, como sempre sonhara na infância.
Jane estava diante de um impasse quanto a roupa que usaria no casamento. Angela e Alex iam com ela em todas às lojas de noiva possíveis também, mas definitivamente ela não queria usar um vestido.
– Mas querida, você ficaria linda de vestido! Aqueles dois últimos que você provou quarta-feira estavam maravilhosas, eu não sei porque você não quis nenhum. Ela estava linda, não estava, Alex? — Angela dizia, tentando convencer a filha e buscou o olhar de aprovação e apoio da detetive.
Jane também olhou para Alex, esperando que ela dissesse algo a favor de sua mãe para convecê-la, e Jane estava tão cansada de não ser compreendida em relação ao vestido de noiva, que mesmo não gostando, acabaria aceitando e levaria qualquer vestido só para ficar em paz.
– Sim, ela estava linda — Alex concordou, tirando um sorriso satisfatório de Angela que iria dizer algo mas a detetive continuou — Mas você é linda de qualquer jeito, Jane. E Maura te ama. Ela sabe que você não se sentiria confortável usando um vestido, assim como eu também sei, porque nós te conhecemos. Não faz sentido você escolher uma roupa que não gosta, que não se sente bem, para usar no dia mais especial da sua vida. Você tem que escolher algo que goste. Maura vai entender isso, eu tenho certeza.
Apesar de Angela ter feito campanha a favor do vestido até agora, após ouvir as palavras tão sábias de Alex, que não tinha em momento algum tom de ironia, mudou de ideia.
– Eu acho que Alex tem razão, Jane — Angela se aproximou da filha que ainda olhava surpreendida para à amiga — Você ficou linda de vestido, por isso eu insisti, mas se você não se sente confortável, não deve ir de vestido.
– Na verdade eu queria casar com o uniforme do Red Sox... — Disse com um sorrisinho irônico.
– Ei, nós já conversamos sobre esse lance do uniforme! — Alex a olhou com seriedade — O uniforme em público não rola. O que nos resta é procurar smoking's.
– Smoking's? — Jane fez uma feição de reflexão. Elas estavam reunidas na cantina da Central e pareciam confabularem algo de tão próximas que estavam e falavam baixo para não serem ouvidas — Eu não ficaria parecendo um pinguim?
Alex e Angela reviraram os olhos ao mesmo tempo.
– Eu preciso ir atender outras mesas antes que Stanley comece a berrar — A mãe disse antes de se afastar.
– Tem umas lojas legais no centro, podíamos ir lá hoje a tarde.
– Que horas? Porque às 16:00h eu combinei de encontrar com Maura na casa da nova. Vai chegar a entrega de uns móveis que encomendamos semana passada e preciso estar lá para receber.
– Que tal umas 14:00h? É jogo rápido, Rizzoli. Não tem muito segredo na hora de comprar smoking, ao contrário dos vestidos. São quase tudo a mesma coisa. Só precisamos achar um do seu tamanho, o que eu acho impossível porque sua magreza chega a ser quase nível africano — Falou com um sorriso debochado que fez Jane retribuir forçadamente, em resposta — Mas nada que uma costureira não possa ajustar.
– Ok. 14:00h te encontro no estacionamento na rua de trás do Dirty.
– Por que você está estacionando lá?
– Porque eu não quero que meu carro seja rebocado, de novo.
Alex soltou uma risada e então bebeu o gole final que faltava do seu café antes de se levantar.
Maura estava tão excitada com tudo. Ela tinha em mãos o poder de organizar todo seu casamento, porque definitivamente Jane não era dessas noivas com vários desejos e que ficavam palpitando em tudo, desde a decoração até o lugar, e ainda tinha uma casa inteira para decorar. Sim, porque Maura não iria somente comprar móveis e levar alguns dos seus antigos para sua nova casa, ela também implicaria com a pintura de algumas paredes e faria Jane perder finais de semanas inteiros na companhia dos seus adoráveis irmãos para pintarem as paredes de sua nova casa ao invés de contrarem alguém para fazer isso, já que haviam combinado de economizar no orçamento, porque casamento por si só já gastava muito dinheiro.
No início de novembro, a casa já estava pintada ao gosto da Dra. Isles e os móveis todos devidamente colocados em seus lugares. Até que elas tinham conseguido arrumar tudo mais rápido do que imaginavam. A casa estava linda. A decoração não era de um palácio exuberante mas também não era nem de longe uma decoração simplória e desorganizada como do apartamento de Jane. Juntando o gosto diferenciado das duas, o resultado havia saído melhor do que o esperado. Móveis bonitos, elegantes e úteis. Porque se tinha algo que Jane detestava era Maura querer comprar algo que não teria nenhuma utilidade além de enfeitar e dar uma beleza estética. Não via necessidade nisso. Mas é claro que mesmo assim Maura comprou algumas coisas "inúteis". Porque se Maura mesmo sem entender podia aceitar Jane colocar um saco de boxe e várias coisas que ela chamou de "tranqueiras", como bola de basquete, equipamento de baisebol, alguns de ginástica, jogos e brinquedos de sua infância, que ela evidentemente não mais usava, em um dos quartos do segundo andar que poderia ser aproveitado para algo melhor, como por exemplo, abrigar livros e pesquisas científicas, Jane também poderia aceitar alguns enfeites maravilhosos e inúteis da legista.
Sim, elas discutiam. Discutiam muito. Se por um lado elas pareciam um casal lindo e apaixonado, que viviam se agarrando em todo lugar possível, por outro, elas pareciam um casal prestes a se divorciar antes que se matassem, porque elas discutiam o tempo inteiro. Discutiam porque Jane não era tão dedicada e atenciosa aos assuntos do casamento quanto Maura, o que deixava à loira completamente indignada. Discutiam porque Maura era excessivamente exigente e reclamava da falta de organização de Jane na hora de ajeitar às coisas na casa. Discutiam porque Jane era grosseira e rude, dizia coisas sem pensar quando estava irritada e não se preocupava se magoaria ou não a loira, que ao contrário dela era bastante sensível e delicada. E então Jane se dava conta da sua estupidez e ia tentar se desculpar, mas na hora se embaralhava com as palavras, deixava escapar que Maura era chata e então não importava o quanto ela se esforçasse naquele dia, a legista não a desculparia e ficaria jogando em sua cara a ofensa dita. E assim, a discussão se prolongava. E elas não discutiam apenas sozinhas. Elas discutiam na frente dos outros. Fosse os amigos, que estavam sempre indo até a casa nova quando tinham tempo para ajudar na mudança das coisas, fosse os parentes, Angela e os irmãos da Jane. Não importava quem fosse. Se elas precisassem gritar uma com a outra, não tenham dúvida de que elas gritariam! E gritariam ainda mais se alguém se intrometesse.
– Eu tenho um closet todo para mim. Você acha mesmo que minhas roupas vão acabar dentro desse armário? — Maura perguntava ainda tentando manter sua voz controlada, embora seu corpo e seu rosto já enviassem sinais de que estava estressada.
– Sim, elas vão ter que caber, assim como as minhas — Uma Jane mal humorada respondeu sem encarar sua noiva, enquanto ela e Alex, que era espectadora da discussão que surgiria a seguir faziam uma esforça fora do normal para empurrar o móvel e encaixá-lo perfeitamente na parede.
– O que? — Ela colocou as mãos na cintura — Você quer mesmo colocar minhas roupas e às suas nesse armário mínimo? Não tem como, Jane! Não vai caber! — Disse mais alto.
– Se ajeitarmos direitinho, dobrarmos às roupas mais vezes...
– Elas vão continuar sem caber! Só de vestido, sabe quantos eu tenho? Ainda que só minhas roupas fossem nesse armário, não caberiam nem a metade e você ainda quer colocar as suas?
Jane respirou fundo, com suas mãos apoiadas no armário, o corpo inclinado para frente. Olhou para o lado, para o rosto de sua amiga que embora não dissesse nada, tinha um pequeno sorrisinho nos lábios e aquela expressão de "você se fodeu".
– E o que você quer que eu faça? — Perguntou ainda tentando manter a calma, virando o rosto em direção agora à Maura — Esse é o maior armário das cinco lojas que nós vimos, Maura. Ele ocupa toda essa parede do quarto. Não tem como colocar outro armário aqui.
– Eu sei que não, mas se você não tivesse pego aquele cômodo e enchido de porcarias, eu poderia fazer uma espécie de closet por lá e caberiam todas às minhas roupas!
Novamente a morena respirou fundo, bem devagar, contando mentalmente até dez. Ela sabia que Maura dava muita importância a sua aparência, suas roupas, que amava moda e que não se desfaria de nenhuma peça de suas lindas e caras roupas e mesmo assim ela amava à loira, mas tinha horas que sua vontade era de... Melhor não dizer.
– Hãm... — Alex pensou bem antes de se intrometer, e disse calmamente — Jane ocupou o cômodo do final do corredor com porcarias, mas vocês tem mais dois quartos e o cômodo lá de baixo.
– O cômodo do primeiro andar é pequeno, não caberia, e além do mais combinamos que faríamos uma pequena biblioteca, que seria também um lugar de estudo para às crianças. E os dois quartos também ficarão reservados para elas! — Maura disse séria e emburrada. — E mesmo assim, tudo daria certo se Jane não tivesse enchido o último quarto de entulhos!
– Eu não enchi o quarto de entulhos! Eu coloquei coisas que gosto, que uso!
– Brinquedos? — Ela perguntou ironicamente.
– Nossos filhos podem reaproveitar os brinquedos! E não é só isso. Eu jogo basquete, eu jogo baisebol, eu gosto de me exercitar. E você está falando de mim mas você também já colocou alguns dos seus "entulhos" nesse cômodo, então não diga que por minha culpa você ficará sem a porcaria do seu closet!
– E se a culpa não é sua a culpa é de quem, então? Minha? — Ela aumentou ainda mais o tom de voz e Alex se afastou, deixando-as uma de frente para a outra, se olhando sérias, como se ela não estivesse ali.
– Claro! Se você não tivesse tantas roupas nós com certeza não teríamos esse problema, mas não... a bonequinha de luxo precisa ter trocentos pares de sapato, milhares de roupas que usa uma vez só e depois deixa guardado, ou até mesmo roupas que compra e que não chega nem a usar!
– AH, ENTÃO A CULPA É MINHA E DAS MINHAS ROUPAS?
Alex saiu praticamente correndo do quarto e desceu. Lá em baixo, Lauren e Jonathan que ajeitavam quadros na parede olharam-na assustados.
– Porque elas estão gritando?
– O que aconteceu?
– Elas são loucas. Estão brigando porque não há espaço suficiente no armário para as roupas da Maura. Tive que sair de lá antes que sobrasse pra mim.
E lá de baixo eles podiam ouvir altos gritos agora, tão altos que os três faziam careta.
– Se já estão assim antes do casamento, imagine depois...
– Que se foda. Elas querem casar, não querem? Pois que se aguentem... — Alex foi caminhando em direção a porta.
– Onde você vai? — Lauren perguntou.
– Vou embora, é claro. Vim ajudar e já ajudei. Agora deixe as duas aí se matando. Vocês também deveriam ir embora.
– Tem razão, Batman, melhor irmos mesmo porque eu não quero vasos voando. Vai que algum me acerte e estrague meu rostinho perfeito — Disse Jonathan, com medo, correndo até a porta e Lauren foi atrás, dando risada.
Depois de longos minutos de discussão, após a ida de todos, Jane que já estava quase explodindo de tão irritada, deu às costas e deixou Maura falando sozinha, desceu e foi para a cozinha, que assim como a sala já estava completamente pronta, e como elas iam direto para lá, Jane já havia comprado cervejas e colocado na geladeira, porque ela era dessas.
Maura, indignada, desceu às escadas aos berros e ficou ainda mais irritada ao ver Jane com ar de pouco caso, encostada no balcão e com uma garrafa de cerveja na mão.
– Vai me deixar mesmo falando sozinha?
– Vou, porque você só fala a mesma coisa e eu não vou ficar repetindo, porque não sou papagaio e nem tenho boca de Google igual você.
– Pare de me ofender! — Ela olhou séria para Jane que não a encarava — Você é uma grosseira! Eu só queria resolver o problema das minhas roupas.
– Resolver? Não parece que você quer resolver! — Ela colocou a cerveja em cima do balcão e encarou Maura — Se quer resolver, é simples: Jogue fora ou doe metade daqueles panos inúteis e viva como uma pessoa normal, usando o necessário.
– "Viva como uma pessoa normal" — Maura repetiu ironicamente — Está dizendo que eu não sou normal? Cansei de discutir com você por hoje. Seu grau de grosseiria está estrapolado e eu não sou obrigada.
– Oh, gente, coitadinha dela — Jane ironizou e então foi caminhando atrás de Maura, que começou a andar — "Seu grau de grosseiria está estrapolado" e o que você vai fazer, chorar? — Jane disse bem perto dela, estava logo atrás e então Maura parou e se virou de forma bruta.
– Eu devia era enfiar a mão na sua cara porque você tira completamente minha paciência! Você me deixa... — As maçãs do rosto da loira estavam até vermelhas de tão nervosa — Você me deixa fora do controle, Jane Rizzoli! Nem se eu passasse o dia inteiro fazendo yoga de domingo a domingo eu conseguiria manter a paciência com você, é impossível! Você é muito estressante e...
Jane agarrou Maura e a beijou. A loira estava com muita raiva dela ainda e parecia hesitante. Tentou empurrá-la pelos ombros, mas a força com que Jane a segurava além de impedí-la de se soltar, era também muito, muito excitante. Mesmo assim, Maura insistiu por alguns instantes, deu uns tapas nos ombros da morena e logo a envolvia pelo pescoço enquanto se beijavam loucamente.
A morena pegou na bunda de Maura com as duas mãos bem espalmadas e deu um puxão que fez o corpo da loira grudar ao máximo no seu enquanto o beijo seguia quente. Em instantes suas mãos vasculhavam todo o corpo de Maura, que segurava com força nos cabelos selvagens. Quando o beijo cessou, agora segurando Maura pela cintura, Jane abriu um sorriso cafajeste e cheio de ironia.
– Eu te deixo excitada também. Você não me resiste.
– Vai se foder — Maura disse num tom que era uma mistura de irritação com diversão e então empurrou Jane, se livrando dela e foi caminhando até a cozinha.
– Ah, não, não... — A morena virou e ficou olhando Maura ir até a cozinha e começou a tirar toda sua roupa de forma rápida, deixando-as no chão — Eu quero que você venha me foder...
Ao ouvir aquilo, Maura que ainda estava de costas se virou e se surpreendeu ao ver sua noiva já completamente nua e com um sorriso malicioso no rosto. Jane era realmente inacreditável. Soltou uma risada e desistiu, já nem se lembrava do que havia ido fazer na cozinha.
– Você é louca... — Maura disse em tom baixo, com um olhar predatório no corpo da morena, que deu alguns passos para frente e ficava passando as mãos por seu corpo, como se quisesse se exibir, ainda mais. — E gostosa, muito gostosa.
– Sou louca por você — Jane foi se aproximando cada vez mais e parou de frente para ela, sem encostar em Maura e sem desviar o olhar de seus olhos — Estou esperando. Não vai me foder? Se eu fosse você aproveitaria... é a primeira vez que me foderá na nossa casa antes de nos tornarmos casadas...
A voz dela tão rouca, tão mais excitante do que o normal e aquela aproximação estavam deixando Maura louca. Ela podia sentir o calor do corpo de Jane. E mesmo excitada, continuava com raiva, porque Jane era uma imbecil, porque ela era grosseira e porque não queria se desfazer de nenhuma roupa, mas mesmo assim era impossível resistí-la.
– E então, Doutora? O que você acha?
– Acho que você deve calar a boca e só abrí-la novamente quando for gemer pra mim — Maura disse no mesmo tom provocante antes de segurá-la com as duas mãos pelos cabelos e beijá-la.
Elas começaram a se beijar de forma selvagem. As mãos de Maura tocavam todo o corpo de Jane com desespero, apertando cada canto, sentindo aquela pele deliciosa. A morena começou a arrancar as roupas de Maura também até deixá-la vestida apenas da cintura para baixo, com uma calça jeans simples. Num impulso rápido ela pegou Jane do chão e colocou em cima do balcão sem deixar de beijá-la. E sem perder tempo, tocou-a no seu centro e sentiu a úmidade. Deslizou dois dedos para dentro da morena que soltou um gemido alto e encerrou o beijo ali, inclinando a cabeça para trás.
– Oh como você está rápida ein, Maur.
– Você não disse que queria que eu te fodesse? Pois é o que eu irei fazer... — Sussurrou perto do ouvido dela e em seguida começou a atacar o pescoço dela e seus dedos já se moviam agilmente no interior de Jane, num movimento frenético, fazendo-a gemer alto.
[...]
Faziam três meses que Lauren estava namorando com Alex. E em pouco tempo tinha certeza que a amava e assim como Jane e Maura quando começaram a namorar novamente, elas não se desgrudavam, ainda mais porque agora Lauren fazia parte do grupo de amigos e estava ajudando nos preparativos do casamento. Tirando quando estava na faculdade ou no estágio, no resto do tempo ela ficava na companhia de Alex, que era maravilhosa. Adorava passar às noites no apartamento dela, fazendo amor e no dia seguinte acordar ao seu lado. Sentia-se feliz, amada e até mais adulta por dormir numa casa que não fosse a dos seus pais ou um apartamentinho dividido com uma colega de faculdade. Alex era divertida, de bom astral, a fazia rir o tempo todo e tornava tudo mais leve, mais fácil de lidar. E mesmo naquele jeitão sempre irônico e toda desbocada, ela era carinhosa fisicamente. Abraçava, beijava, fazia carinho e especialmente tinha um tesão infinito em Lauren, mas Alex não sabia falar.
Naquela terça-feira, Lauren e Alex haviam combinado de se encontrarem em um bar que elas adoravam e que já haviam ido várias vezes, tocava música e só pessoas descoladas frequentavam. Mas naquela terça-feira, ao contrário das outras vezes que foram, à ruiva não estava com ânimo nenhum para dançar e nem para fazer nada que não fosse se lamentar. Na verdade ela nem queria ir para o bar, mas precisou, porque Alex já estava lá a esperando e ela estava atrasada quase meia hora, porque depois de ser "demitida" do estágio, ela saiu andando pelas ruas feito uma louca, quase foi atropelada e um infeliz ainda passou voando com o carro e arremeçou água suja em sua roupa, fazendo-a ter que ir até seu apartamento para se trocar. Chegou literalmente correndo no bar, sem fôlego, e ao entrar viu Alex no meio de três mulheres jovens e bonitas, no balcão, bebendo. Se aproximou.
– Hey Lauren, finalmente chegou! Pensei que não viria mais... — As três mulheres olharam para a ruiva, estudando-a e ela não parecia tão atraente quanto era normalmente. Os cabelos estavam bagunçados e ela usava uma roupa simples e quase infantil. Moletom cor de rosa. — Essas aqui são Patricia, Sara e Andressa. Acabamos de nos conhecer e elas estavam contando histórias incríveis, você precisa ouvir... — As três sorriram olhando para Alex, todas oferecidas, e isso deixou Lauren muito irritada — Garotas, essa é minha namorada, Lauren.
– Oi Lauren — As três disseram em coro e a ruiva forçou um sorriso.
– Ei... Alex, posso falar com você um minuto?
– Não pode ser depois? As histórias estão tão legais...
Lauren preferiu não insistir. Estava muito chateada, magoada, puta e qualquer definição que explicasse sua frustração por ter sido demitida. Sem dizer nada, ela sentou em um dos bancos vazios e ficou calada enquanto as três falavam várias coisas para Alex que ela nem sequer prestava atenção. As vezes todas elas riam e para não se sentir fora d'água, ela forçava um sorriso. Já haviam passado uma hora e meia que Lauren estava ali, e nem sinal de Alex dar um pingo de atenção que fosse para ela.
– Eu vou embora — Lauren anunciou num tom de voz baixo e tentando conter todos os sentimentos que estava sentindo. Não sabia o que era maior: sua raiva por ter perdido o estágio ou pela Alex.
A morena a olhou surpreendida e nem teve tempo de dizer nada, Lauren já havia se levantado e caminhava até a porta. Alex pediu licença às garotas e foi lá fora atrás dela.
– Ei, espera! Onde você vai, Lauren? Chegamos faz pouco tempo, à noite mal começou e as meninas estavam conversando com a gente.
– Com a gente não, com você! — Ela se virou para olhar para Alex.
– Porque você não puxou papo, não se introsou no assunto. Tá com a cara fechada desde que chegou. Tá com ciúme à toa. As três são heteros, só estamos conversando.
– Alex, eu não estou com ciúme. Só não estou afim de passar à noite num bar ouvindo histórias de estranhas. Quero ir para casa. Estou cansada.
Alex revirou os olhos e soltou um suspiro. Tinha dias que Lauren ficava insuportável. E não era só na TPM. Ficava insuportável sem motivos, o que levou à morena pensar que hoje fosse só mais um dia daqueles.
– Ah, qual é, Lauren. Para de frescura. Você tá mal humorada e por isso vai estragar nosso encontro?
– Nosso encontro? Tem certeza? Porque desde que eu cheguei você só conversou com as três. Nem sequer perguntou como foi meu dia.
– Porque eu nunca preciso perguntar. Você já chega me contando tudo, mas hoje não fez isso.
– Não fiz porque você estava ocupada demais ouvindo as histórias divertidas de três estranhas! — Disse em um tom alto, visivelmente irritada.
– Tá legal, tá legal. Foda-se as três. Nós poderíamos só voltar lá pra dentro e curtirmos à noite em paz ao invés de discutirmos aqui fora, nesse frio, chamando atenção dos outros?
Lauren soltou um suspiro carregado de tristeza.
– Eu quero ir para casa, Alex. Não estou no clima de dançar, de curtir...
– Caralho, como você tá insuportável hoje — Ela deixou escapar sem querer, achando que só era mais um dia de estresse e mau humor da namorada, mas ao ver os olhos dela marejados, percebeu que algo estava errado. — Lauren? Você tá chorando? O que foi que... Ei, desculpa, eu não queria ter falado isso, ei... — Tentou se aproximar e tocá-la mas Lauren se esquivou.
– Não queria, mas falou. E tem razão. Estou insuportável. Não estou, eu sou na verdade. Mas hoje está um pouquinho pior, porque eu fui demitida do estágio da forma mais humilhante possível, quase fui atropelada, tive minhas roupas completamente encharcadas, o que me obrigou a correr em casa me trocar para poder vir encontrar com minha namorada, achando que mesmo meu dia tendo sido uma grande bosta, o final dele poderia ser bom se eu ficasse na companhia dela, porque ela me entenderia e me daria colo, mas não. Ela não está nem aí pra mim, porque eu sou só uma garota insuportável...
Alex ficou sem palavras naquele momento. Ela não poderia ter imaginado que tudo aquilo havia acontecido num único dia. Sentiu-se a pessoa mais estúpida do mundo e tinha vontade de enfiar-se dentro de um buraco, especialmente porque estava vendo as lágrimas rolando por aquele rostinho lindo que ela tanto amava. Antes de conhecê-la, Alex pensava que a pior coisa do mundo era ficar sem internet, vídeo game e seriados, mas agora ela sabia que não havia nada pior do que ver sua Lauren sofrendo.
– Me desculpa, Lauren, eu não...
– Você não sabia. Tudo bem — Disse com um sorrisinho em meio as lágrimas que limpou com as mangas da blusa. — Você poderia me dar só uma carona até meu apartamento? Não quero atrapalhar sua noite, pode voltar para cá e aproveitar com suas amigas se quiser. Só queria uma carona.
– Não, eu vou te levar pro meu apartamento e vou ficar com você.
Lauren não disse nada e nem ao menos encarou o olhar de Alex. Estava envergonhada por chorar na frente dela, por se mostrar tão frágil e sensível diante da imponente Alex Vause. Sentia-se uma tola.
Do caminho do bar até o apartamento da morena, elas não disseram uma palavra e Lauren não olhou para ela em momento algum. Ficou com a cabeça encostada na janela fechada, olhando a paisagem lá fora e chorando em silêncio. Mil coisas se passavam na cabeça das duas.
Já no apartamento, Lauren foi para o quarto de Alex e se deitou em baixo das cobertas como uma criança indefesa, se cobrindo até a cabeça e ficando toda encolhida. Alex ficou um tempo na cozinha e quando voltou carregava uma bandeja com chocolate quente e um sanduíche.
– Aqui, pra você. Come. Você está abatida. Quando foi a última vez que comeu hoje?
– De manhã... — Ela resmungou ainda deitada. — Não estou com fome.
– Você precisa comer, Lauren. Eu sei que está deprimida, mas faça um esforço. Tá gostoso o sanduíche.
A ruiva sentou na cama, olhou para o sanduíche e para o chocolate quente, deixou a relutância de lado e acabou comendo, porque estava com uma cara ótima e ao contrário do que disse, ela estava sim morrendo de fome. Depois que ela comeu, Alex levou a bandeja embora e quando voltou, sentou na cama perto dela.
– Vai me contar o que aconteceu? Porque te despediram?
– Porque você se importa? — Lauren olhou de uma forma tão profunda para Alex, que a deixou sem graça.
– Como assim? Ué, porque... porque você é minha namorada...
– E porque eu sou sua namorada?
Alex não estava entendendo onde ela queria chegar com aquelas perguntas.
– Que perguntas são essas, Lauren?
– Você me ama, Alex?
– Claro. Você sabe que sim.
– Não, eu não sei, porque você nunca disse, nunca.
– Mas eu demonstro o tempo todo nas minhas ações, você não vê isso? Você não sente o meu amor?
– Sinto, Alex. Mas eu queria ouvir você dizer. Eu preciso ouvir você dizer, mas você nunca diz. E as vezes eu não sinto, porque você age de forma estranha, meio que se distanciando de mim em alguns momentos, como se tivesse medo. Eu não entendo qual é o seu medo — Lauren abaixou a cabeça.
– Eu tenho medo de perder você — Confessou em tom baixo, com a voz embargada, mas Lauren pôde ouvi-la e então levantou o rosto para encará-la — Você tem razão. As vezes eu dou uma pirada e ajo de forma estranha, pareço não me importar, mas eu me importo. Eu nunca me importei tanto com alguém na droga da minha vida quanto me importo com você. E é por isso que eu tenho medo. Porque você é a coisa mais importante do mundo pra mim, e se eu te perder...
Lauren chorava novamente, mas agora de emoção e sorria ao mesmo tempo. Ela praticamente se jogou no colo de Alex, abraçando-a com força.
– Você nunca vai me perder, Alex — Beijou-a de forma apaixonada — Nunca!
– Que bom, isso me deixa mais tranquila — Disse com um sorrisinho, o ambiente já mais leve. — Agora eu quero que me explique o que aconteceu lá na agência.
Lauren contou tudo para Alex com detalhe, que prestava bastante atenção e sabia o quão chateada a ruiva estava por ter perdido aquela oportunidade, mas não iria deixá-la mais deprimida.
– Sabe o que eu acho?
– Hum?
– Que o dono dessa agência é o mais retardado do planeta. Ele acabou de perder uma jóia rara! E aposto que quando você estiver formada, brilhando em outra agência, ele vai se arrepender disso.
– Só está dizendo isso porque é minha namorada.
– Claro que não. Desde quando eu puxo saco de alguém? Estou dizendo porque é o que eu acho.
Lauren sorrio. Mesmo que Alex não entendesse nada de publicidade e estivesse dizendo aquilo com a única intenção óbvia de deixá-la alegre, Lauren se sentia agora estranhamente melhor. Não era legal ser demitida, perder um estágio daqueles, ter um dia estressante e desastroso. Mas não seria tão mal ter dias como aquele se em todos ela terminasse da forma como terminou: deitada nos braços da única pessoa que a fazia se sentir mais do que uma garota indefesa, mas uma mulher. Uma mulher amada.
Notas finais
Laulex são fofas, mas Alex ainda não disse "eu te amo".
Será que um dia ela diz?
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